quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Porque ela dormiu de calça jeans



"...você me disse que eu destruo sempre a sua mais romântica ilusão. E destruo sempre com minha palavra o que me incomodou. Acho que é sim. Como fere e faz barulho o bicho que se machucou, viu?!"
(Todo mundo é lobo por dentro - Oswaldo Montenegro)

mas isso não é desculpa – nota do sblogonoff

É engraçado como certas coisas acontecem.
A gente de vez em quando complica o simples por nada.
Por exemplo, Fulano, sem querer, fez algo que incomodou Cicrano, mas Cicrano não quis dizer e nem exteriorizar que se sentiu incomodado. Ao invés disso, preferiu ser desagradável com Fulano. Fulano, que pensava que tudo estava bem, não sabe porque Cicrano estava tão hostil e por sua vez, foi ficando fulo da vida. É assim que a meleca circular e viciosa começa. Não é muito mais fácil, já que todos são civilizados, Cicrano chegar em Fulano e dizer: “Olha Fulano, aquilo que você fez me incomodou por causa disso e disso e disso”. ??? Ou então, Cicrano chegar pra Fulano e perguntar: Eu fiz alguma coisa que te incomodou?
Exemplo 0.1: Godofredo fez algo que Jeremias não gostou. Jeremias, ao invés de falar com Godofredo diretamente, já espalhou pra todo mundo que Godofredo agiu assim e assado. Colocou o outro na berlinda sem chance de defesa. Tsc, tsc. E quando Godofredo aparece, Jeremias é só sorrisos! Não dá pra entender.
Outro exemplo: Beltrano sentiu ciúmes de Miltrana, mas ao invés de dizer isso à ela, começou a desvalorizar a menina, a feri-la com comentários depreciadores e ela, sem entender nada, foi embora magoada e não vai dormir direito à noite. Não seria muito melhor se Beltrano falar para Miltrana que ficou com ciúmes, que se sente inseguro??
Exemplo três: A esposa de Mélvio dormiu de calça jeans e agora Mélvio está insuportável com todos no trabalho. Seria muito melhor se Mélvio desistisse de querer descontar em todo mundo suas insatisfações, porque nem todo mundo tem bola de cristal para adivinhar que sua noite não foi boa e nem todo mundo tem paciência suficiente para compreender sua grosseria.
Já que somos tão civilizados, já que nos consideramos tão modernos, porque destilamos pequenas vinganças nas relações? Todo mundo está propenso a desapontar e ser desapontado, a magoar e ser magoado. Tem gente que não dissolve a mágoa, engole sapos indigestos e tenta ostentar sorrisos. Quando não suporta mais, começa a descontar no outro, em doses homeopáticas, sua hostilidade, o que acaba por minar as relações. Isso é ainda pior do que as respostas à queima roupa, do que o “bate e volta” reacionário. É mais digno (embora não seja mais fácil) ser humilde, respirar e ir falar com a pessoa que existe um problema. Falar em tom moderado, consciente que é um potencial causador de feridas também. Se preciso for, é até melhor deixar a raiva passar e só depois ir esclarecer as coisas. É melhor do que se armar com o dedo em riste e sair bradando. Adianta virar o Hulk?! Li por aí, que o oprimido é sempre o pior opressor. E acho que é verdade. Cobras atacam para se defender, e sem o devido cuidado, o ataque é letal. Mas nós estamos num grau mais elevado da escala evolutiva, não é?! Acho que estamos ali, onde diz: Animais RACIONAIS.
Pode-se até não conseguir o resultado ideal, mas teremos feito a parte grandiosa de ser humano. Caso o outro não entenda, já não será problema nosso. Todo mundo tem seu tempo.O que posso afirmar, é que na maioria esmagadora das vezes dá certo. Palavra de uma garota impulsiva que está aprendendo (antes tarde do que nunca!) os benefícios do diálogo e descobrindo que até o pastel chinês da esquina é muito melhor que os sapos que ela engolia e não conseguia digerir.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O dia depois de ontem

A segunda-feira acordou como uma cidade do velho oeste após o tiroteio.
Ontem foi o duelo, (polielo, se é que essa palavra existe!), hoje são os vestígios.
As ruas sujas de santinhos, os muros cheios de propaganda, os vencedores e vencidos, todos na mesma poluição visual. Pelo menos estaremos livre dos jingles infernais!
É, porque quando ouvi Let it be dos Beatles, parodiada, pensei, coitada da democracia, gente!
Pense no refrão de Let it be.. Pensou? Pois é, o jingle era assim: Vote em mim, vote em mim, vote em mim, vote em mim, juntos venceremos, vote em mim, uuuhhh. Tinha até o uuuhhhh. E a Drag Queen que parodiou I will survive? O jingle de sua campanha era uma paródia do Hino Gay da Gloria Ganyor!! Foi eleita! Chica Chiclete, vereadora de Vila Velha! Nada contra a orientação dela, mas a companha foi um grande circo, assim como tantas outras.
Eu nem estou falando de política. Tô falando de bom senso!
Ai, ai...
É por isso que valorizo tanto o chocolate.
As coisas não vão bem, mas eu tenho um Laka, e por enquanto, isto basta!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sol na casa 2, Lua na casa 4

Dizem que os primeiros 15 minutos do seu dia determinam como será o resto.
Acordei de mal humor, embora o sol e a lua estejam nas casas que me trariam harmonia.
Quimeras.
Não devo ter ido para um lugar muito legal no astral, esta noite.
Quis e até agora quero estar em silêncio.
Falar me irrita.
Explicar me irrita.
Não quero falar, não quero ter que explicar o porquê de eu não querer falar.
Hoje sou leite coalhado. Azedo.
Vou esperar o dia passar. Talvez, até o fim da tarde essa sensação mude.
Talvez a garganta desinfame, talvez a gripe se cure, talvez a cabeça pare de doer, talvez aconteça aquele fluxo de sangue. (acho menstruação uma palavra esteticamente feia.).
Pode ser TPM. Pode não ser nada. Pode ser qualquer coisa.
Talvez seja culpa da Lua. Talvez os astros nada tenha a ver com o meu dia.
Talvez (muito talvez) eu pare de pensar se realmente quero (você) em minha vida.
Acho que não posso.
Acho que isso passa.
Estou com saudades de casa...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

MARSUPIAIS

Na bolsa dela não cabe a máxima "o essencial é invisível aos olhos". Todo o resto cabe.
Huuum...Bolsa dela ficou feio, né?! Ficou cacofônico, parecendo uma palavra só: bolsadela!
Ei, me dá um pão com bolsadela, por favor?!!
Imagina, pão com bolsadela equivaleria a um X-Tudo, de tanta coisa que tem lá dentro.
Não, não tá bom não. Peraí, vou reiniciar pra ficar melhor:
Em sua bolsa cabe tudo, exceto a máxima de Exupery: o essencial é invisível aos olhos.
Olha, se o essencial fosse mesmo invisível, a existência da bolsa não teria sentido. Porque lá se vê de tudo, tem de tudo, quase tudo tem. E tem atééé couro pra pandeiro. Tá. Isso lá não tem não, mas tem secador de cabelo portátil, tem mini-chapinha, tem grampeador, tem uma sacolinha com três colherzinhas (???) (É que ela é viciada em Chandelle, e nem sempre Chandelle e colheres estão concomitantemente juntos.) Também tem câmera digital, tem comprimidos pra dor de cabeça, outros para cólicas, tem sombrinha, tem tesourinha, estojinho básico de maquiagem, tem cortador de unhas, tem esmalte, pelo menos dois, um cremoso e uma base, tem algodão e tem acetona, tem um exame preventivo (que já era pra ter levado ao laboratório!), tem saboneteira com sabonete dentro, tem um CD e um DVD virgens, tem pasta e escovas de dentes, tem agenda, tem duas barras de cereais, tem o pen drive que ela achou que tivesse perdido, tem um livrinho de receitas de sobremesa da Garoto, isso fora a carteira, o carregador de celular, o celular, as chaves enroladas no fone do MP3, e um chaveiro colorido sem chaves. Tem o monstro da lagoa negra, o abominével homem das naves, tem o Bin Laden desaparecido... Nó, tem tanta coisa que parece a casinha do Snoop. Já viu num daqueles episódios em que o Snoop tira uma escada interminável lá de dentro??! É como a bolsa!
Ela diz que é melhor prevenir: vai que acontece de irmos parar no meio do mato com uma bolsa vazia!! Já pensou?
McGiver é que se cuide, porque essa bolsa é mais surpreendente que seus canivetes!
E ela está andando cada vez mais torta, feito a torre de Pizza!
Pois é, o essencial além de não ser invisível, pesa nos ombros!
Então ela pára, repensa e decide, afinal, que vai organizar a bolsa, retirando de lá o que é supérfluo.
Quando esvazia a bolsa sobre a mesa, ficamos admirados pensando em como é fácil contradizer as leis da física e toda aquela história de dois corpos não ocuparem o mesmo espaço... Cartola de Mágico!
Depois de pensar muito e selecionar metodicamente, analisando a possível utilidade de cada coisa, exclui, enfim, alguns folders guardados, papéis inúteis, os esmaltes e a saboneteira.
Ela diz: Nossa, quanto espaço há agora! Não é tão difícil se desfazer das coisas!!
Realmente. (!!!)
Observando tooodo aquele espaço restante, antes de fechar a bolsa e concluir a “arrumação”, ela diz: tem tanto espaço que agora até cabem os esmaltes. E é assim que os esmaltes retornam (na repescagem!) juntamente com uma gominha daquelas amarelinhas e uns clips que nem estavam lá antes.
Afinal, agora tem espaço, eles não farão diferença, uai!!!
Esta é a hora em que a câmera fecha o close na saboneteira isolada ali na mesa (porque os papéis foram pro lixo!), enquanto na TV alguém noticia que aquela outra Bolsa lá está despencando, tão cheia de valores quanto a bolsadela!
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Inspirado na pequena Beatriz e sua grande bolsa, ou na grande Beatriz e sua pequena Maxxi Bolsa.
E mais ou menos na minha bolsa, na bolsa da Carol, da Zezé, da D.Hermínia, da Lú, do Marco Antônio (!?!), da Elisa...
E também inspirado no Snoop, no McGiver e nos cangurus!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

JELLY ROLLS (2º da Trilogia "O Crime Descompensa")


"-
Vou lhe dizer algo e espero que não se esqueça, caso queira ter sucesso na profissão: Nunca sofra por uma dor que não é sua.
- (...)
- Você pode achar isso cruel, mas vai acabar percebendo que não é. Não conseguirá resolver o problema dos outros se envolver seu coração nisso. Envolva a perspicácia, seu raciocínio e resguarde o coração. Veja através de você mesmo, de seus próprios problemas. Estando neles, sentindo a dor que eles lhe causam, fica mais complicado ter uma visão externa que lhe permita resolve-los. É preciso olhar de fora.
- É... Você tem razão. (pensava: E tudo aquilo que me disseram, sobre ser inteiro, sobre o “algo mais”???)
Ele queria ter certeza de que o outro tinha razão, mas ficava inquieto. Não sabia exatamente qual era o seu papel no mundo, se era apenas usar as palavras certas, a eloqüência e apresentar as soluções através de pedidos deferidos, alvarás, sentenças favoráveis.
- O mundo é uma selva.
- Raramente ele não é, rapaz. "
Este foi o diálogo que teve dias antes com um oficial de justiça que ele mal conhecia e que ecoava em sua mente enquanto aguardava que o acusado fosse trazido à sua presença.
- Pronto doutor. O preso está à sua disposição.
O aviso o trouxe de volta para o presente.
Era seu primeiro contato com o homem. Ele estava pálido e ferido, apesar de tratado. Parecia bem mais velho do que a idade que constava em seu prontuário.
Depois da conversa e orientações de praxe, o homem falou em tom de rogo:
- Aqui não é o meu lugar.
- Você é o responsável por estar aqui.
- Aqui é o inferno, durmo no chão frio entre mais de 130 caras, estou sem agasalho, estou com cólicas e essa ferida no braço. E são tantas moscas por lá. Me tire daqui, doutor, pelo amor de Deus!
No depoimento ele disse ser ateu, agora rogava pelo amor de uma entidade que ele sequer acreditava!
- O possível será feito por você. Mas não depende somente de nós, entende?
O homem começou a chorar feito criança. Verdade ou dissimulação?
- Você pode me fazer um favor?
- Peça e eu digo se posso.
- É que amanhã é dia de visita. Como você sabe, toda minha família é de outro estado. Não virá ninguém. Eu to louco pra fumar, sabe?
- Você quer que eu traga cigarros pra você?!!!!
Perguntou meio indignado. Ele não fumava. Detestava a fumaça de cigarros. Agora o homem pedia que ele comprasse...
- É que o cigarro me acalma.
- Está bem, verei o que posso fazer.
- E... Balas de goma. Sabe, aquelas coloridas?
Ele riu com o pedido!Era apaixonado por jujubas. Nunca se contentava com os rolinhos de 10 unidades! Achava mais poético chama-las de Jelly Rolls, como vinha escrito no pacote. É que se sentia no meio de um clipe da Janis Joplin, sabe-se lá porque!
- Você quer jujubas?!!
O preso ficou envergonhado ao assumir que sim. Tinha graça!
- Agora entendi o motivo dos chocolates no meio das outras coisas, seu malandro!
Os dois riram. Era a primeira expressão mais alegre naquele lugar cinza e frio.
- Pode aguardar. Eu trarei!
Não era o seu dever, mas como prometeu, no outro dia ele estava lá com “os pedidos”.
O cigarro entrou e mesmo assim, abriram as carteiras e espalharam todos avulsos numa sacola. Mas as Jellys Rolls foram barradas.
- É que pode ter muita manha dentro de uma simples bala, doutor - disse o agente penitenciário.
- É... Eu entendo.
Porque de repente parecia um crime portar balas?!!!!! Naquele lugar era mais fácil entrar com drogas do que com jujubas!
Foi embora dali. Ao sair, viu uma barraca de acampamento na entrada do presídio e duas moças dentro delas. Mulher de preso - pensou. Ficou pensando se elas faziam aquilo por aventura, por medo ou por amor. Ficou pensando na abnegação de todas aquelas mulheres que subiam o morro do presídio, mulheres de todos os jeitos e corpos caminhando em um séqüito como formigas, cheias de sacolas. Eram mães, filhas, irmãs, companheiras, esposas... Quase não viu homens entre elas, apenas meninos, crianças.
- Não. Não deve ser apenas por medo ou só por aventura. Ia além.
Havia sofrimento no suor daqueles rostos que subiam o morro para o dia de visitas, mas havia também uma beleza que ele não sabia explicar, e que, no entanto, tocava seu coração de tal forma que a garganta comprimia.
A cada um segundo suas obras. Era assim que as coisas funcionavam, o universo se encarregaria do destino de cada um. Daqueles presos pelo lado de fora e daqueles presos pelo lado de dentro. Como acontece com os lírios do campo...
Enquanto descia o morro, entre todos os pensamentos, ressoava aquele diálogo que tivera dias antes.
“Não sofra por uma dor que não é sua.” “Você não faz parte do problema, apenas movimenta as peças!”
Lembrou que aceitara o último caso antes deste, devido às súplicas de uma mãe de condenado e que foram as lágrimas maternas que o moveram, mais do que qualquer outra coisa.
E agora? Estaria ali pelo quê?
O morro acabava no início da estrada.
Ele parou por um segundo, olhou para o pacote colorido de balas no banco do passageiro e concluiu que apesar das inúmeras crianças, todas inocentes, que ficariam muito felizes em ganha-las, aquelas já teriam destino certo no dia da liberdade.
A doce liberdade!
Acelerou, deixando o presídio para trás.
Ele não era o herói do mundo e nem deveria tentar ser. Ele era só o cara que não sabia muito bem diferenciar piedade de compaixão ou misericórdia de pena.
Naquele momento, ele era só o cara das balas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DIVÃ

Vamos falar da primavera que neste ano veio quente
Vamos falar de um inferno cheio de boas intenções

Vamos falar da poesia de sua alma transparente
Falemos dos elos perdidos e perigosas ligações

Vamos falar de tudo o que ainda não foi falado
Vamos propagar o som velado
Vamos revelar a luz do sol
Vamos falar do que é notícia
Dos podres poderes da polícia
Vamos falar do mundo
Vamos soltar a voz

Calei,
Nem foi por defesa
Eu tive coragem, mas não tive opção
Falei,
Que tinha certeza:
Nem toda verdade tem repercussão

Vamos falar do que incomoda
da moda sobre as passarelas
Vamos falar de tudo
Vamos soltar a voz

Vamos fazer do modo certo
Vamos jantar à luz de velas!
Vamos falar do mundo
Vamos falar de NÓS.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CHOCOLATE E BREU (1º da trilogia quase fictícia "O Crime Descompensa")

Pequeno e acelerado . Era meu coração naquele momento.
Para contrariar o costume, eu queria o silêncio.
Então ela chegou e sentou-se ao meu lado.
- Está aí esperando tem muito tempo?
- Não. Cheguei agora.
- Tem um cigarro?
- Eu não fumo.
- Tô nervosa. Preciso de um cigarro.
- Nem se eu tivesse um você poderia fumar aqui dentro.
- Eu dava um trago lá fora. (...) E chocolate, você tem?
- É seu dia de sorte. Tenho um Chokito!
- Serve!
Dei a ela o chocolate que foi devorado em três tempos.
- Acho que você está mesmo nervosa!
Ela não parava quieta. Sentava, levantava, ia até a porta e voltava e esfregava as mãos.
- Fique tranqüila. Você já passou pelo pior. Agora vai doer menos que uma injeção de Bezetacil.
- Você é meio doida! Eu sempre achei.
Fiquei surpresa com aquela afirmação!
- Sempre achou por que?
- É que você fala umas coisa diferente. E nunca vi alguém com tanto doce na bolsa que fala coisas diferente. (sem concordância mesmo)
- Só por isso você me acha doida?
- Sei lá. Você não é muito normal não. Eu sou estropiada assim, mas sei ver quando uma pessoa é normal e quando é meio doida igual você.
A essa altura eu já ria, preocupada com o fato dela me achar “meio doida.” Aquilo poderia abalar a relação que tínhamos estabelecido até ali, com o respeito que deveríamos ter uma pela outra.
- O que é que tem a ver você se achar estropiada com saber se a pessoa é normal ou não?
Ela só riu e balançou a cabeça, como a dizer: sou foda!
- Você tem mais chocolate?
- Tenho não. Só tinha aquele. Tenho bala Toffe!
-Serve.
Meu telefone tocou e enquanto eu o procurava com a mão no meio da bagunça da bolsa, uma foto caiu. Ela pegou. No verso da foto, a inscrição com caneta preta: “Sempre seu”. Ela leu.
Enquanto falava ao telefone, vi que ela fazia careta. Desliguei.
- Humpf. Isso não tem jeito.
- Hã?!
- Prometer o que não sabe.
Me devolveu a foto.
- A gente faz jura de amor, menina, mas é sem saber o que vai ser.
Promete a eternidade, mas é tudo uma incerteza só!
Olhei para ela espantada. Sua última frase não condizia com o julgamento que eu fazia dela: mulher simples de idéias e vocabulários limitados.
- Mas na hora que a gente fala ou ouve, faz sentido, não é? Perguntei querendo ver até onde ia dar aquela conversa.
- Se você parar pra ver, não tem sentido não. Essas palavras aí são bonitas de ouvir, mas só cria vontade. Depois que a validade da palavra acaba, a vontade não acaba junto. Aí vai doer. Você ainda tá com o moço da foto?
- Não. A foto é velha.
_ Tá vendo?! E você ainda carrega a foto na bolsa. Joga isso fora.
- Não. Faz parte da minha história. Foi eterno enquanto durou.
- Ah, pára de falar bonito, menina. Dizendo isso, fez muxoxo. Deve ter durado menos que essa bala. Você sabe que eu tô certa.
- Durou o suficiente. (...) Se é tudo incerteza, quando é que a gente vai ter certeza pra dizer que ama?
- É tudo uma merda, menina.
Exclamei:
- Ó!! Acho que você é meio doida!
- Ei, peraí, num começa a inverter as coisas. Você é que é meio doida!
- Rsrs!
Eu já havia me revelado mais do que deveria para aquela mulher. Em certas horas é preciso conter as exclamações. Eu apenas sorri e me calei. Ela continuou andando de lá pra cá, esfregando as mãos e coçando a cabeça.
- Preciso de um cigarro, cacete...
Então ela olhou para mim e estendeu as mãos:
- Me dá outra bala aí.
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Ela cumpriu pena por oito anos, por ter assassinado seu marido.
Não suportou as mentiras dele e nem os socos.
Numa manhã, véspera de natal de 1989, depois que ele saiu do banheiro, ela o esfaqueou e o dividiu em quatro partes. Ficou em casa esperando a polícia chegar.
Agora cumpre o semi aberto. No momento do diálogo, aguardava as condições da audiência admonitória.
Começou a fumar no presídio.
... e a comer chocolate compulsivamente comigo.


terça-feira, 16 de setembro de 2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Acreditar não é verbo de auto-ajuda. É quase um pó de pirlimpimpim!

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Pessoas queridas,
Estranhos dias arrombaram minha porta e descobri que pensamento mágico não funciona muito depois que a gente cresce!
Certas coisas a gente precisa enfrentar mesmo. (Não havia uma placa na entrada dizendo que seria fácil).
Eu, cada vez que me surpreendo com as “flores no lixo”, sinto uma enorme necessidade de espalhar para o mundo que existe luz no fim do túnel e arco-íris no fundo do pote.
Sou imensamente grata, hoje especialmente às minhas duas irmãs, a Beatriz, irmã cósmica que me fez respirar , oxigenar o cérebro para encontrar soluções e à Jeanine, minha doce irmã de sangue, por existir e ter me auxiliado com o peso da cruz.
Os problemas continuam, assim como os fatos, mas por vocês existirem, ficou mais fácil enfrentá-los!
Obrigada, gente.
Amo vocês.
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O que tem solução é problema. O que não tem, é fato.
Problema a gente resolve.
Fato a gente encara.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

The Dark Side...


Ela...
Achava que não tinha máscaras, que era transparente!
Coitada, era tão transparente quanto um rio turvo.
Era uma cebola. À medida que a descamação acontecia, alguém por perto chorava.
A luta para saber o que havia sob sua pele era sincera, no entanto, seus artifícios eram muitos. Ela fugia e fingia sempre que fosse conveniente.
E o pior, ela cobrava sinceridade dos outros, embora não suportasse as franquezas mais cáusticas.
A frase da mãe ecoava:
“É fácil ser sincero quando não se vai dizer toda a verdade.”
- Tá, mas e aí? Como dizer verdades que não cabem na palma da mão?
Requer habilidade ou apenas decisão e firmeza?
Ela sempre escondia algumas frases debaixo do colchão. Engolia sapos indigestos para evitar as guerras. Quase sempre se escondia atrás de situações acima de suspeita, mesmo se sentindo desconfortável com tais atitudes, mesmo sob a égide do “sem querer”. Não premeditava tudo, mas o impulso da covardia e preservação ainda vigorava nela.
Um dia lhe disseram que não conseguia dizer as verdades mais duras porque queria safar a própria cara e não porque queria preservar o outro.
Era melhor ser a mocinha!
Na hora ela achou crueldade, mas agora pensa se não é assim mesmo.
Depois que soube que seu coração era explosivo, quis por um instante que acontecesse um infarto. O arrependimento por esse desejo veio imediatamente, por achar que poderia ser mais forte, que a vida era mesmo dádiva, que existe coragem nas continuações.
Já que o cálice não seria afastado, então, precisaria ver emergir o monstro da lagoa. E enfrenta-lo.
Ah, meu Deus, descobrir suas torpezas quando as detestava no outro, era árduo.
E quanto aos relacionamentos.
Nisso ela sabia ser perversa!
Culpa ou dolo?!
Sabe quando um programa trava e não adianta mais clicar?
Era ela nas entregas. Travada.
Entregou-se inteiramente apenas uma vez, mas nem antes e nem depois conseguiu fazer isso. A metade que ela sabia ser era como bala de pimenta. Bom pra quem gosta.
Logo ela, moça tão correta, de sorriso fácil, quase nunca aparenta tristeza embora fique triste, não fala palavrão, não bebe álcool, não fuma, não... (ah, isso ela faz de vez em quando!), não atura injustiça...
Logo ela era a vilã.
A vilã em seu próprio filme.
Vilã não do acaso, mas do pseudo-enfrentamento ou do autismo funcional.
A mania de querer melhorar o mundo era, no fundo, uma insatisfação com o que trazia por dentro.
Seu coração já não cabia no peito, mal suportava a expectativa do looping.
Mas ela sabia, ela sabia que a lanterna estava perdida em algum lugar dentro de si, entre as justificativas que formulava para as omissões, para as meias verdades, entre suas misérias, entre as vísceras, entre o chocolate e o mel que possuía e entre a luz que acreditava ter.
Ela sabia que estava ali o roteiro que a faria mudar de papel.
E mais do que tudo, ela queria outro papel.
Com Vontade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O que a falta de inspiração não faz, né?!!
Eu resolvi reformar esse café.
Termino depois, quando o tempo estiver a meu favor.
Enquanto isso, sentem, tomem um chá, um suco, um chocolate ou um creme de abacaxi.
Hoje é por minha conta!
Sopro de Eves!

Ah, tem água também!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Epifania Supernova

E de repente,
não mais que de repente
, toda angústia se dissolveu naquele ato.
O mundo se mostrava grandioso e brilhava mais na medida em que seus sentimentos retornavam do passado.
Abriu o livro por necessidade e encontrou inesperadamente, entre as técnicas páginas, a didática da revelação:
um botão de rosa vermelha, desidratado.
“Natureza morta” emanando vida às horas.
Foi um presente dele, talvez o único sincero.
Ela guardou para não esquecer.
Mas não era ele e nem a rosa que significavam aquele momento.
Era a resposta mística aos seus apelos ao alto.
Era o símbolo da sabedoria materna que recomendava fé, que a exortava ao caminho estreito, tão difícil de seguir.
Era uma mensagem ao seu coração assustado, egresso da “Terra do Nunca” dizendo: “Pulse. Impulsione. Não se impressione.
Não deixe a pressão te levar.”
O mar não deve ser maior que a Vontade.
Ela sabia. Ela sentia. Aquela era a sua epifania e as lágrimas de então eram de gratidão à vida.
Lá fora tudo continuava exatamente igual ao que era antes dela abrir o livro:
os carros, as buzinas, a algazarra, os enigmas e os prazos.
Por dentro dela, uma supernova acontecia.
Sua razão, quase sempre cética,
naquele instante deixava-se levar pelo
fluxo disperso do invisível e pela ordem incompreensível do universo.
Caso sua sensibilidade estivesse mais aflorada,
teria ouvido o silêncio sussurrando:
- Aquiete seu coração. A primavera já se anuncia!
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Supernova: corpos celestes que surgem depois que uma estrela explode.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

(I Can't Get No) Satisfaction

"Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos.
O que me resta é só um gemido,
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino, minha alma cativa"

(Ney Matogrosso - Secos e Molhados)

Parece brincadeira...
A gente se recupera de um golpe e vem outro
Mal dá tempo de tomar fôlego
Se fossem fases de vídeo game
Estaria perto do “game over” quase sem vidas para continuar
Só quase!
A dona me falou que querem tirar o meu sorriso,
que é pra eu estar atenta
Por teimosia, vou sorrir
Mesmo com o coração descompassado
Mesmo com um detalhe engasgado na garganta.
O que me importa é não estar vencida
Porque agora a rédea é minha
Sempre foi, mas agora eu sei que é.
Antes, bem antes,
Era a vontade estúpida e violenta
De quebrar os copos, metralhar o mundo entre as paredes
Explodir tvs e telefones
Agora é melhor
Eu absolvi o mundo de qualquer pecado acima ou abaixo da linha do Equador
Não há revolta porque a desordem é a minha
O que sinto agora é um incômodo centrífugo
Uma auto-insatisfação
Eu tenho uma relação paradoxal comigo de amor e ódio
Hoje é assim e ainda derramei café em minha roupa.
É a menor mancha que tenho no corpo, na veste ou na alma e não queima mais do que o frio das horas que passo sozinha formulando soluções
Tudo parece uma repetição sob novas perspectivas.
Não tem a ver com minha obsessão por Foucault ou por Dali,
Não tem a ver com a dádiva da existência de pessoas que são verdadeiros anjos em minha vida,
Com as belas paisagens do caminho,
Com esse jingle horrível do candidato 23.222 para vereador,
Com eu gostar menos de sexo do que os outros terráqueos e de me sentir E.T por causa disso,
Com o resultado do hemograma que me alforriou da angústia da semana passada
Com o fato de eu poder continuar comendo jujubas sem preocupação,
Com essa tosse que não passa,
Com o armário bagunçado,
Com o caleidoscópio que quero montar, reutilizando os cacos,
Ou com a alça do meu sutiã aparecendo toda hora, fora da moldura como eu.
Não.
Na verdade, tem a ver com *embarcar.
E embarcar tem a ver com todo o resto.

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo...



*Foi golpe baixo Beatriz!! A frase era minha!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

EMBARCAR


Para ser grande, sê inteiro.
(Fernando Pessoa)

É simples assim: cada escolha é uma renúncia.
Existe um barco na água, pronto para ir.
Ao lado dele, está o continente, cheio de possibilidades.
Você pode escolher embarcar, assumir o risco do desconhecido e vivenciar novas experiências. Recomeçar.
Você também pode escolher ficar em terra firme, solidificar as conquistas que já fez, sedimentar os afetos ou concluir seus projetos inacabados. Continuar.
O que não dá pra fazer, é ficar com um pé no barco e o outro no continente.
Isso irá lhe partir ao meio e não possibilitará a você a luz de experiência alguma, a não ser a sombra da indecisão inerte. E convenhamos, viver é movimento, né?!
Que movimento acontece quando você tem um pé em cada lugar de natureza diferente?
Você até consegue rebolar, mas precisa saber se é realmente o que quer. Rebolar pra viver. Você consegue mexer os braços, mas não pode alcançar muita coisa. Você pode girar o pescoço, mas não verá muito além do que existe ao redor.
Você trava o mundo, a rotação, a translação e deixa a angústia, a expectativa e o medo segurarem as rédeas do seu destino. Que é seu! Só seu.
Esqueça os “e se”. Ora, você só vai saber se for... ou se ficar. Não há respostas dentro do “mais ou menos” e nem na experiência do outro.
O outro estava sob outras condições de temperatura e pressão atmosférica!
Renunciar a uma alternativa gera certa dor, contudo, é preciso ter coragem e ter coragem não significa não temer. Significa ter medo e enfrentar. No pain, no gain.
Embarcar é isso, é enfrentar a dúvida e escolher.
É escolher e assumir a escolha, sem “mais ou menos”.
Você pode ir. Você pode ficar.
Mas é bom lembrar que a felicidade só é possível no lugar onde você for inteiro.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A distância entre nós II

(Eu e a velha da praça!)
*
*
Existe um certo incômodo, pelo menos para mim, em ficar em silêncio na companhia de alguém que conheço a pouco tempo ou que acabei de conhecer. O silêncio me perturba nessas horas. Sabe aquelas reticências que ficam no ar, o sorriso puxado sem mostrar os dentes, sobrancelhas levemente arqueadas, algo um tanto constrangido pela ausência de assuntos?!
No elevador, então... Geralmente são pessoas que vemos todos os dias e nunca temos nada o que dizer além de saudações comuns. Isso quando acontecem, porque tem gente que emite um nfuewwj que deve significar “bom dia” e tem gente que simplesmente fica ali, muda, olhando pra baixo o tempo todo, enquanto o elevador sobe! De resto, ficamos observando o visor, ansiosos para chegar logo em nosso andar. Quando tem criança é mais fácil. Elas são mais espontâneas e quase sempre estão rindo. A gente brinca com elas e acaba formando um elo com os pais (ou responsáveis), mesmo que bem frágil. O problema é quando você mexe com um bebê e ele faz beicinho querendo chorar (ou chora mesmo!) e ainda faltam três andares pra chegar no seu.
“Pensa logo numa coisa pra fazer esse menino se acalmar”. (cabeça baixando arquivos de ajuda!)
É... Elevador é complicado. Não dá tempo de conversar. Mas precisa fingir que não tem ninguém do seu lado? É tão difícil dizer “oi” ?
Não me considero tagarela, no entanto, adoro bater papo. Quando estou de TPM, a coisa piora. Eu não fico irritada. Eu fico com uma necessidade extrema de falar. Foi por isso que resolvi formular um rol de assuntos para iniciar uma conversa, aberto à sugestões. (!) O rol precisa transcender os clichês sobre o tempo. Essa história de “hoje está frio”, “hoje está calor”, faz o assunto acabar rapidinho e não acrescenta muita coisa além do que você já sabe.
Na efervescência da lista, descobri que falar sobre as cicatrizes pode ser bem interessante. Você fica sabendo um pouco da história do outro e acaba por se revelar também.
Eu tenho uma cicatriz pequena sobre a sobrancelha direita. Foram cinco pontos. Eu devia ter uns três anos e meu irmão mais velho ia atirar na minha boneca com uma espingarda de chumbinho. Fui salvar a boneca e levei o tiro na testa. O chumbinho está lá até hoje. Se pressionar o dedo, dá até pra senti-lo. (Eu e meu irmão temos atualmente uma relação harmoniosa!!!Rsrs) Adorei dizer certa vez ao otorrino (que consultei devido à sinusite) que aquele “objeto metálico não identificado” que apareceu no raio-X da minha cabeça, era fruto de uma abdução alienígena, onde instalaram um chip em mim! Gosto daquela cara de incredulidade que fazem, embora a verdade que eu conto depois seja menos glamourosa : "Estou brincando, isso aí é um tiro que eu levei!”
E o assunto começa...

sábado, 16 de agosto de 2008

Sob os olhos do sol


O sol nasce primeiro no estado da Paraíba.


Quis estar onde era claro
Quis esclarecer o que sentia
Sem sombras, sem te assombrar
A sombra da dúvida a enviar-me cartas de alforria
Correr pela estrada, a cidade a se perder de vista
(Todas as imagens e o som da sua voz)
Eu vejo fatos e passagens
e as cores que ficaram
Tantos personagens, eles, tu e eu
Quem somos nós?
Quis deixar tudo mais claro
Quis purgar as culpas que nem tinha
Sem medo, sem te amedrontar
Pra dissipar a dúvida
E desfazer amarras,
libertar-se rumo à luz
que sob nossas cabeças rasga a escuridão
a revelar-nos o mundo nú
Assim como veio ao universo
Como vimos, nada mais se ocultará
Sob os olhos do sol.
.
.
.
.
Bem vindo dia. Bem vinda alvorada. Bem vinda luz!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Por entre os dedos...


Era para ser qualquer outra coisa
Que englobasse mais confetes
Que lançasse serpentinas
Que brindasse a vida
Celebrasse as novas amizades
Ou sondasse os efeitos da mentira
nas verdades que não cabem na palma da mão.
Mas qualquer outra coisa não seria a coisa que sinto
Essa vontade cáustica de ser matéria dentro do liquidificador ligado.
Lágrimas de culpa e desespero no meio do campo de batalha.
Sensação de dever não cumprido.
Se eu era um índio sob a força de Marte
Hoje sou apenas uma criança encolhida e com medo
Desejando paz e rezando baixinho para o caos seguir em frente,
para ver ordem novamente no jardim.
“Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas”
(o sol morreu aqui também)
*
*
Pequena fresta por onde a sombra atravessa nos dias estranhos.
Hoje, depois das 17:00h não teve chá!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Guerra, amor e bactérias

"Se alguém vos disser que não é o braço direito, ofereça-lhe também o esquerdo."
(Sblogonoff, post 65:8)


Ofereci meu braço ao sacrifício.
Tem um conflito na Geórgia, olimpíadas em Pequim e uma agulha injetou bactérias enfraquecidas em meu corpo.
Despedacei seu coração com minhas palavras cortantes, mas não pude suportar as lágrimas que rolaram. (Seus olhos ficam mais claros quando você está triste.)
Consternada, quis unir seus cacos num abraço e acabei lhe ferindo mais uma vez.
A vida é luta renhida, viver é lutar
Estou em campo.
Eu sou um índio, amor. Marte sobre o meu signo inflama meu coração aflito para as batalhas.
Qual é a guerra que dói mais?
Aquela envolvendo a Rússia ou a nossa cotidiana?
Guerra nas estrelas. Desordem na constelação.
Ação de anticorpos na defesa do território.
Existe em mim um combate cheio de sangue e glóbulos brancos.
Aparthaid interno.
Terninhos em promoção.
Ternos abraços.
Obscenos gestos avulsos a me torturar.
“A vida é combate que aos fracos abate. Aos fortes, aos bravos, só pode exaltar”.
Quanto do meu suor merecerá a medalha de ouro?
Quanto do seu suor fará jus aos louros da vitória?
Nessa guerra , cor do cabelo não é prerrogativa para vencer.
A Vitória está lá para todos.
Basta atravessar a 3º Ponte.
.
..
...
O laranjinha é de Tamoios, Gonçalves Dias.
O amarelinho é do Drummond.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Anabelamente!


A eternidade.
Este é o tempo contido entre o início da queda e o impacto contra o chão.
Eternidade comprimida no desejo de que aconteça algo mágico que reverta a situação e evite o trágico tombo. Fica-se na sensação da dor antecipada e do constrangimento que a queda causaria. A visão se turva e todo o corpo se prepara na defesa dos ossos e músculos possíveis.
Eu sei. Já caí algumas vezes!
Dessa vez foi ela, uma das advogadas mais respeitadas e requisitadas daquele quadrado.
Entrou lindamente na padaria onde eu, humilde “aprendiz de feiticeira”, esperava ser atendida.
Reparei no salto. Anabela. Tinha o desenho bonito de um beija-flor nos hibiscus. Os galhos que saíam do desenho continuavam como tiras da sandália.
Enquanto observava os detalhes, ouvi uma interjeição que não consigo traduzir aqui e vi que ela tentava se escorar em algo. No ímpeto, segurou a cadeira vazia da mesa onde eu estava, no entanto, a queda era inevitável. A dela e a da cadeira sobre ela.
Naqueles átimos de segundo, desejei não ser testemunha do espalhafatoso momento. Quis que não fosse ela. Quis não estar ali. Mas eu estava!
No intervalo de tempo em que levantei depressa e contornei a mesa para acudir, ouvi o “Anhi”. Lembrei que foi a mesma interjeição dolorida que ouvimos quando a moça toda poderosa esborrachou no meio do baile de formatura de minha irmã, meses atrás. Quis rir da comparação, mas me contive.
Aproximei-me dela achando curioso que apenas eu fui socorrê-la. Nenhum cavalheiro presente se moveu. Algumas pessoas ficaram tentando disfarçar o riso. Outras nem disfarçaram.
Acho que fiquei tão constrangida quanto ela, sem saber se seria mais adequado minha séria comiseração ou qualquer comentário cômico que amenizasse a situação! É mais fácil cair assim perto de amigos. Uma gargalhada em conjunto resolve tudo. Mas como eu ia dizer a ela que aquilo sim era um “chá de cadeira”?!!!
Optei pela séria comiseração!
- Você se machucou? Perguntei oferecendo o braço.
- Aquele filho da mãe... Ele falou pra eu não usar esta sandália. (ela não respondeu minha pergunta!)
- Ah, mas ela é tão linda!
- Também achei. Mas já me desequilibrei antes e ele disse que aconteceria de novo. Lei de atração, conhece?! Fiquei com isso na cabeça e acabei caindo.
- Acho que isso está mais pra lei da gravidade!
Ela riu. Ufa!! Ri também.
Nisso o funcionário da padaria se aproximou e perguntou se estava tudo bem. Ela disse que sim e agradeceu, mas é claro que não estava. Como cair ruidosamente e ficar bem?!
Um senhor, sem sair de onde estava, tentou encontrar algo no chão para colocar a culpa, porém, coisas inanimadas são inimputáveis!
E foi assim que em poucos minutos fiquei sabendo que “ele” a quem ela se referiu era o namorado 12 anos mais novo, que aquela sandália foi comprada na Itália por um preço ínfimo e que ela não vive sem pão de queijo pela manhã. Encerramos nosso pequeno diálogo sobre lei de gravidade, lei de atração, pão de queijo e atitude:
- Já não existem tantos gentlemans no mundo! Ela disse, se referindo à falta de solicitude dos homens ali.
- Mas tá cheio de ladys, né?!
Ela riu do trocadilho e foi embora trabalhar com as leis, enquanto eu fiquei ali esperando a sucessão dos fatos.
A manhã estava apenas no início.
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Esta imagem eu encontrei no blog de Fábio Moon. Com o perdão do cara, eu modifiquei o salto da moça!
oblogdapapoila.blogspot.com

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Amanheceu


Estive fora por uns dias...
Deixei meu café sozinho e acéfalo, mas hoje é dia de retomadas.
Um dia é tão curto para conter tudo. Cronos continua devorando seus filhos e aqui na Terra, enquanto estão jogando futebol, entre o samba, o choro e o rock`n roll, continua sobrando tanta falta...
Faltaram abraços, faltou conhecer vocês, faltou encontrar mais amigos, faltou tomar vergonha na cara e resolver “a pendência”.
Só espero que não faltem oportunidades.
Hoje a manhã chegou antes que o sono fosse embora.
Na verdade, ele quase nunca vai embora antes do terceiro café!
Estou novamente na highway, onde a velocidade dos acontecimentos é maior do que o tempo que um corpo em desequilíbrio cai no chão.
Ela estava com salto anabela e tudo o que eu queria era não estar ali naquele momento de constrangimento. (Este é um assunto para outro post!)
Mas eu estava. Café da manhã na padaria! Depois do que aconteceu com ela, veio ele e perguntou se eu queria o meu suco sem açúcar, com açúcar ou com adoçante.
Eu disse que queria com açúcar e com afeto.
Acho que ele concluiu que aquilo era uma cantada, porque quando trouxe o suco, deu uma piscadinha e sempre que passava perto de mesa onde eu estava, olhava para mim com sorrisinhos.
Achei graça na situação!
Mas o que é que ele poderia entender de diferente, né?!
Uma mulher sozinha na padaria, logo cedo, querendo açúcar, querendo afeto...
Saindo dali, segui rumo ao escritório, sob a luz solar, pensando no que a noite foi, no que tudo isso tem sido. No táxi que me trouxe até aqui, Zeca Baleiro me dava razão! (NEM VIM DE TÁXI!)
De manhã, certas coisas parecem não ter sentido. Certas frases, certos alvos, certos planos incertos.
É difícil acordar cedo, contudo, as manhãs compensam o sacrifício!
Elas têm um quê de mágico, elas trazem auroras, elas rompem.
Acho até que tudo o que falta fazer no resto do dia cabe nas manhãs.
Elas são assim, elásticas. E mesmo que as manhãs não fossem, amanheceria.
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Eu não vou medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro, esse hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo escorrendo das mãos
Que a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo ter: estrela, flor, estilo
Sua língua em meu mamilo, água e sal.
(Bandeira- Zeca Baleiro)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Meus caros amigos


Hoje é quinta-feira, e preciso comprimir todos os projetos que tenho nas horas que restam no dia.
Entre meus projetos, estava um post sobre qualquer coisa, porém, apenas em minha mente.
Sinto os assuntos surgirem em profusão, mas o tempo não me permite concatena-los.
Então, como hoje sou toda afeto, quero expandir os meus abraços à todos vocês que estão aqui, em meu café!
Ofereço a vocês um abraço através dessa Rosa Meditativa de Salvador Dali, meu norte para o surreal, onde os sentimentos são livres das amarras do pensamento tirano.
Somos todos luzes.

Brilhem, onde estiverem!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A gente brilhava

Este é um minuto bastante estranho.
Estou cansada de lutar contra moinhos de vento.
Nem sei como sou capaz de sentir tantas coisas no mesmo refrão.
Eu deveria estar em diversos lugares agora, mas não sou para ubiqüidades não!
Deus, como eu queria estar perto de minha mãe agora. Estar em minha casa.
Eu liguei e ninguém atendeu. Tocou, tocou, tocou...
Liguei para o meu pai e a mesma coisa.
O celular me enviou para a caixa e eu fiquei sozinha por lá.
Faz mais de ano que decidi que era capaz de viver sem eles por perto, mas de vez em quando aperta a saudade. A caixa é apertada.
Entrei por algumas portas erradas, mas não preciso de um juiz. Preciso de colo de mãe.
Engraçado, porque coloquei um CD do Caetano porque queria ouvir “Um Índio” , porém, na caixinha estava outro. Era esse que tá tocando agora, “Bom Combate”, presente de um amigo querido de BH, o Moisés de Verbos de Versos! ...Peço que me ajude a amar /desde a dor até o pôr-do-sol / Tenho a vontade de crescer /desejo que o amor se espalhe em mim... (Reconstrói a ti mesmo -Rodrigo Marçal)
A lembrança da Mocidade veio forte. Todo aquele tempo passando como um flash agora: a gente acordava domingo de manhã pra campanha do quilo ou para as visitas fraternas, havia as reuniões aos sábados, as gincanas, os saraus, os ensaios, as serenatas, nossas desavenças, nossa comunhão. Às vezes era tão difícil estar lá, preparar os temas, conciliar outros relacionamentos com aquela entrega...
Muitas vitórias foram molhadas por lágrimas, mas sei que valeu cada minuto.
A gente tinha dom de vaga-lume!
Hoje, sou até feliz na imperfeição do caos, mas me sinto tão distante daquelas coisas...
Queria que aqueles meninos soubessem que apenas os bons combates valem o nosso esforço. Outros combates são lutas vãs, ilusões e desperdício de energia.
É que a gente acha que certas coisas significam felicidade e realização.
Mas sabe?! (...) Nem sempre.


Nosso tempo confunde o sentido de quem busca ser feliz com ilusão, pois estreita é a porta da vida / “fortalecer a fé em seu ardor”
(Bom Combate-Tarcízio)
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Apesar de minha crença, nunca gostei de estampar, mostrar rótulos ou martelar as verdades que conheço para quem não quer saber. Detesto proselitismo. Rótulos saem com a mão. São tão frágeis como a luz de vela à mercê do vento. Já as vivências se solidificam no interior e são possíveis até para os ateus. Religião é puro rótulo. Amor é construção. Exemplificar o Amor deveria ser o nosso dever, mas o mundo, com toda essa transição, anda mesquinho demais, e por diversas vezes, nos afundamos até o pescoço em tudo isso, iludidos e cheios de desculpas montadas na cabeça para que nossos erros pareçam menores. Desculpa de manco, é muleta. Hoje isso me causou náusea. Em contrapartida, fiquei muito grata por ter tido o privilégio de nascer em um lar como o meu, com a luz de minha mãe e a força de meu pai, que sempre nos exortaram para o Amor, o Belo e o Bem.
É sério. Ou eu acredito que o mundo está perdido, ou eu acredito no Amor. Prefiro o último e espero que vocês também.
I want to believe

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Quase uma balzaquiana!

Então veio a Júlia, a garotinha do segundo andar e me perguntou se eu sabia “virar estrela”.
Eu disse:
- Júlia, se eu fizer isso, eu nunca mais desviro! Vou virar a Moura Torta! (personagem da historinha que eu contei pra ela no outro dia!)
Ela riu e ficou me olhando com aquele olhar de “Antônia, você parece louca!”
Para mim, certas peripécias a esta altura, são fatais. Já foi o tempo!
O tempo, meu inexorável senhor, endureceu meu coração, meus ossos e juntas.
Enquanto Júlia “virava estrela”, lembrei da minha infância espoleta e contorcionista de subir em árvores, plantar bananeira, ficar acordada durante as viagens...
Hoje, mal consigo levantar da cama sem sentir dor nas costas.
Já me preocupo com rugas de expressão, pés de galinhas e os radicais livres.
Na época do Científico (como é que chamam isso hoje?), radicais livres era expressão da esquerda política. Hoje são os vilões que envelhecem a pele!
E as referências ao passado, meu Deus?!!
Certos amigos nunca ouviram falar do Juninho Bill. (do Trem da Alegria).
Hoje perguntei no escritório se alguém lembrava do lanche do Fofão. Tive que pegar a imagem no Google para provar a existência do negócio!
Mas é assim mesmo, o dominó do tempo cai. A vida quer seqüência.
Não temos que temer o tempo, né? Qualquer tempo é o nosso tempo e nada melhor que o presente, os homens presentes, a vida presente, como diz o Drummond.
Eu vou seguindo com meu currículo cheio de dor nos ossos do ofício (onde preciso parecer mais velha), em busca do segundo casamento, de novos horizontes, talvez os belos, de ações perfeitas, do santo graal, do vale encantado, do processo no site do TJ...
Eu vou seguindo a minha estrela, o meu brinquedo de (e)star!
Já que estrela eu não posso “virar”!

No meu olhar, na minha voz
Um novo mundo, sinta
É bom sonhar, sonhemos nós
Eu e você... *hahaha

*essa rima só dá pra escrever daqui quatro anos!!!
com o perdão do Miltinho!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

CCB

Quando ele apareceu em minha vida, eu era uma pré-adolescente (pulguinha!) que jurava ser a Dolores O`Riordan dos cranberries!
Ele veio e depois de algum tempo minha irmã saiu de casa, casada com ele.
Os destinos se consolidavam.
Hoje, após todos esses anos, estou aqui, escolhendo as palavras que expressem seu significado em minha vida.
Então, cheguei à conclusão de que além da admiração que tenho pelo ser humano que é, por seu caráter e integridade, por sua cultura e inteligência, também sou muito grata.
Grata por ter nos mostrado a Serra do Cipó e todo o seu lado Z, todo o seu lado zen;
Grata pelas conversas de disco-voador, que povoaram minha mente juvenil (!);
Grata por ter colocado aquele CD (na época era fita) do Zé Ramalho, “A peleja do Diabo com o Dono do Céu”, cuja música Beira-mar (além de Linger dos Cranberries, claro), me fez querer ardentemente aprender a tocar violão. Eu lembro como se fosse ontem, a gente descendo a Serra, quando ainda era estrada de chão, e eu desejando ganhar um violão de natal pra tocar aquelas músicas!;
Grata por Simon e Garfunkel,
Grata pelos Beatles,
Grata por Perhaps Love;
Grata pelo CD dos Cranberries "Everybody else is doing it...", o primeiro de toda aquela febre. Eu sei que tem o dedo da minha irmã, mas quem me entregou foi ele!;
Grata por ter sido meu patrão, pelo emprego em Sete Lagoas, cuja experiência e aprendizagem que tive, têm surtido efeitos até os dias de hoje, delineando minhas escolhas.
Grata pelas coisas novas que mostrou, pelos inúmeros livros que emprestou (os seus eu sempre devolvo!); pelas caronas, por ter ido tantas vezes nos buscar lá na Escola Técnica, aquele lugar longe pra caramba, pelos todinhos, pelos pastéis de queijo e a batata frita do Chapéu do Sol;
Grata por procurar os melhores caminhos para a condução do espírito e destino e
grata por ter colaborado em trazer ao mundo o Lu Caju e o Leo, dois tesourinhos preciosos.
É... Existem outras coisas, outras palavras, mas essas são apenas para dizer que daqui de longe celebro com você esse dia.
Você é o cunhado que tenho que mais gosto!!!
Tan tan nan nan nan ...... nan nan (dois tapinhas nas costas!)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sentimentos parte II (porque a vida tem dessas coisas...)

"Como a semente traz em si a árvore /
Como o casulo esconde a lagarta e liberta a borboleta,/
Tens em ti essa luz"

*****
É que às vezes a gente pega os sentimentos e os esconde no fundo do armário, amontoando roupas e trecos sobre eles.
Enquanto isso na floresta, o tempo passa.
Então chega o dia em que você abre a porta e sente um cheiro estranho. Vem daqueles sentimentos que esquecemos no fundo e agora se rebelaram em forma de mofo, contaminando as roupas limpas que haviam por cima, algumas até com cheirinho de amaciante.
Sabe, é como uma gripe mal curada que se transforma em pneumonia no futuro, ou como uma caxumba mal curada que causa danos irreparáveis em certos meninos! .
É aí que o “Conhece-te a ti mesmo” começa a fazer sentido, porque chegou a hora de arrumar o armário interno e colocar ordem nas coisas. Hora de encarar a roupa suja aproveitando a luz do dia. Hora de tomar as providências necessárias e não cometer a insanidade de incendiar o guarda-roupas inteiro por causa disso.
Acredito que só assim é possível viver sem ostentar todas as máscaras que encobrem o que temos de verdadeiro e de essencial.
Só assim é possível seguir sem pendências, às claras e com menos medo do mundo.
A gente tem mania de se disfarçar e reforça na consciência que é por defesa!
A viagem para dentro de nós, pode nos proporcionar certa dor sim, mas também demonstra a coragem que temos para enfrentar o que nos causaria uma dor muito maior depois, além de complicações no destino, escolhas mal feitas, angústias desnecessárias e até mesmo o fantástico consumo de antidepressivos.
Por isso é preciso encarar o que sentimos.
Porque o que não está resolvido não vai por um passe de mágica se resolver por si só e nem irá desaparecer.
A regra é aquela de Lavoisier: “Na natureza nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma!”
Que sejam mudanças para melhor, pela ordem e pelo progresso, né?!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Exorcizando pinturas (Para você que nunca virá aqui)

"I've still got your face
Painted on my heart
Scrawled upon my soul
Etched upon my memory, baby"

Lembra?
Era essa música de The Cult que tocava no momento em que você sussurrou no meu ouvido “até o fim da minha vida”, depois de enrolar na declaração daquela nossa cerimônia underground.
Até a morte... Marte nos separou antes e nós sobrevivemos.
Você chegou de forma tão avassaladora e profética que eu não tive dúvidas. Era você. E foi.
O tempo suficiente.
Mas quando o tempo acabou, descobri que teria que me render à ele.
Teria que me render à sua presença ainda pulsante em mim, à sua revelia.
E o pior, teria que conviver com aquele sentimento que não era saudade. Nosso rompimento trágico não permitiu que eu sentisse sua falta, mas uma dorzinha vagabunda e o desejo de que tudo tivesse acontecido de outra forma. Do jeito que a gente planejou, com casa, filho, cachorro, viagens e a eternidade.
A eternidade para nós durou tanto quanto um chiclete.
A vida que havia além, parecia cinza. Cinzas.
Depois do deserto afetivo pelo qual peregrinei por todo esse tempo, tive amores insípidos, inodoros e incolores. Minha vida amorosa era como água potável!Rsrs!
Mas agora eu consigo ver novamente as cores. O arco-íris. Os beijos voltaram a ter gosto.
Estou conseguindo parar de comparar você com qualquer outro.
Conseguindo tirar nossas fotos da bolsa.
Conseguindo diminuir o abismo que se criou entre mim e o mundo depois que decidi ficar ao seu lado.
Conseguindo esquecer de como você incendiava minha carne e meus nervos.
De como me fazia gargalhar e de como me fez chorar tanto.
Como me tornou plena e feliz com a vida e como despertou em mim o desejo de nunca ter existido.
Tudo está inscrito em um episódio de minha vida e não terá mais a importância desmedida, mas a devida importância.
Porque hoje eu sei que você ficou tatuado em meu coração.
Mas era tatuagem de henna.
.
.
.
Post escrito durante as alto-confissões pela madrugada. Por muito tempo eu fingi que alguns sentimentos não existiam e não faziam efeito. Mas Otávio, aquele seu texto me fez enfrentá-los e transmutá-los. Obrigada!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

CUBO MÁGICO


Viver é tudo, menos exato.
Tem dias em que a gente acorda com tudo planejado, com um roteiro a seguir até a hora do travesseiro.
Raro sair perfeito, exatamente.
É bom ter a impressão de que temos as rédeas do destino, de que são as nossas escolhas que nos conduzem no caminho.
Mas e a imprevisibilidade?
E esse caos?
É como um cubo mágico.
Uma peça que precisamos mudar em um dos lados, desordena tudo nas outras faces, misturando mais as cores, fazendo com que outras estratégias sejam utilizadas para que tudo fique no seu devido lugar.
Mas o que é devido?!
Qual é o lugar?
Porque não está certo um quadradinho azul no meio dos amarelos?
Eu adoro viver por tudo isso e apesar de tudo isso.
São fatos e sentimentos que não devem ser excluídos.
Existem angústias, expectativas, alegrias, encontros e desencontros.
Existe o instante onde a vida parece normal, estável, e existem momentos de agonia, onde tudo parece confuso e difícil.
Existe até a possibilidade de você deixar o que é sortido pra lá,
deixar como está e esperar que tudo se reorganize por si mesmo.
Pensamento mágico pode funcionar!
O que não existe é a precisão nesse planeta de relatividade.

"Quando achamos que possuímos todas as respostas,
a vida chega e muda todas as perguntas."

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Expedito Garcia, 12:00h

e assim a vida vale a pena...
Dissolvo-me na ladeira numa solução de sol, poeira e suco gástrico. Em minha forma líquida, escorro até a perpendicular avenida. Sob os pés dos passantes me espalho pelo chão, transformada em pegadas. É no estômago que mora a angústia, não no coração. É o estômago que decompõe e modifica a matéria. É lá que voam as borboletas e outros insetos menos metamórficos. É lá que acontece a digestão da avenida efervescente ao meio dia. São dezenas de pessoas por metro quadrado, em locomoção frenética. Cada cem no seu quadrado! E são carros, ônibus, caminhões, motos, carros de propaganda, vendedor de peixe-elétrico e rapé, mendigos, profissionais liberais, órgãos públicos, comércios. A avenida é um livro repleto de histórias ocultas. Como a minha.
- Posso fazer uma pesquisa com você?
- A senhora já possui o cartão Blá Blá Blá Card?
- Moça, você pode completar o dinheiro da minha passagem?

Ao chegar em cada esquina, tenho folhetos, panfletos, filipetas e folders suficientes para montar uma bíblia da propaganda. Na verdade, penso em montar uma série de bloquinhos para rascunho!
“A profeta Dalva da Luz desfaz amarrações, traz de volta a pessoa amada e quebra todos os feitiços. Mundialmente conhecida.”
Eu nunca ouvi falar antes da tal “profeta”. Vai virar rascunho!
Mais à frente, a velhinha cotoca, sentada na calçada, estende a mão, apelando para a compaixão e misericórdia dos transeuntes. Eu acredito em outras possibilidades pra velhinha cotoca, mas quando lhe falei disso, ela me mandou lamber sabão. (não foi necessariamente isso que ela me mandou fazer!)
Na porta do banco, o homem com elenfantíase estende o boné. Dizem que prefere ficar miseravelmente ali do que se tratar. Faz parte do seu freak show.
Seguindo pela avenida, as ciganas profissionais querem ler minha mão. Ciganas que possuem residência fixa nunca entenderiam as entrelinhas da minha mão...
Atravesso a rua na faixa branca. Faz anos que quero tirar uma foto estilo Beatles em Abey Road. Faz anos que não concluo pequenos projetos.
Continuo. Hoje tenho vários destinos.
O dia ferve por dentro. Do lado de fora, o casaco me lembra que é inverno.
A avenida é imensa...
Sinto a iminência de implosões.

terça-feira, 17 de junho de 2008

INTERIOR (Fagulhas, pontas de agulhas)

Fogueira e bandeirinhas de jornal.
Corações em festa, pulsando entre o frio do vale e a fumaça entorpecedora que fazia arder os olhos e que o vento misturava com nossos cabelos.
Meu coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João, pipocava dentro do peito. Eu era ímpar.
Poderia ter sido perfeito, não fosse o pensamento lá em você.
O céu estava escandalosamente bonito.
Eram tantas as estrelas visíveis...
Diferente daquela noite cinza de tempestade, onde lá no píer da enseada você me mostrou um outro mundo quase surreal.
Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva!!!
Frase a la Rihanna, para acompanhar o resto do dia.
Eu pensei que fosse só, que fosse um fato, que fosse apenas ali e que depois a vida seguiria despareada, disparada, como de costume.
Mas após o “anarriê”, havia o túnel.
Sabe, eu andei errando o passo, dançando desencontrado, trocando de par antes da hora.
Peguei atalhos no caminho da roça, contudo, mesmo com frio e com medo, estou gostando dessa quadrilha colorida.
E você é meu par.
Tour!!!

terça-feira, 10 de junho de 2008

A vida é doce!


Nossos irmãos, não os escolhemos.
Eles chegam ou já chegaram. Estavam ou estarão ali.
Se os laços de sangue transcendem, tornam-se nossos amigos.
Nossos amigos, nós os escolhemos.
Eles chegam ou já chegaram. Estavam ou estarão ali.
Se os laços da alma transcendem, tornam-se nossos irmãos.
E os nossos cunhados?!
Eles chegam ou já chegaram. Estavam ou estarão ali.
E se os laços se formam, tornam-se nossos amigos e nossos irmãos.
Eu sei que nem sempre isso é possível, a gente vê em piadas e no cotidiano. Contudo, eu tive a sorte de meu irmão ter escolhido outra irmã para mim. (que curiosamente eu chamo de tia!)
É uma mulher com mãos de fada, que produz os melhores doces e bolos do oeste e conseguiu com seu jeitinho de menina cativar o coração arredio do meu irmão e o coração de todos lá em casa.
Mais um inverno chegou e com ele chegou também as suas primaveras!
Desejo, tia Márcia, que sua vida seja doce e que suas realizações sejam apenas o início de outro ponto da trajetória, onde o destino pode ser fantástico, se o moldarmos com as mãos.
Hoje eu saúdo a sua existência e agradeço pelas vezes em que mais do que cunhada, você foi minha amiga e minha irmã!


Feliz Aniversário!!!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Nem Salomão em toda sua glória...


As gírias do menino se dissolveram
na ordem alfabética do dicionário.
As mudanças efetivas que aconteceram
passaram despercebidas pelos otários.

(...)
Política não se discute. (???)
Mas paciência, hoje é só uma quinta-feira
Existe uma fôrma e de qualquer forma sou quase líquida
Sei adaptar meus pergaminhos e a cibernética
Eu também sobrevivo à esses dias de tensão
Sobrevivo à todos os gerundismos e às maldições proféticas.

Sobrevivo à falta de bom-senso e à minha própria irritação
E planejo sobreviver aos rompantes
que de vez em quando acometem meu coração!

(burrinho)
Tudo deve caber num dia só...
Da janela vejo andorinhas e pardais nos fios
A energia caminha debaixo deles
E eles lá, panguando.

Será que eles também são como os lírios do campo?

Não é sempre que temos curto-circuito.
Nem sempre todos os dias são curtos.
O ano ultrapassou o calendário.
Tenho expectativas demais nadando no estômago.
E tenho prazos.
Mas eu não tenho tempo.
Estamos novamente na metade.
Junho.

O ano chegou depressa e está passando ligeiro.
A noite mais fria se aproxima.
Viva São João, viva São Pedro!!!
E Santo Antônio, o santo casamenteiro!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Perdi a minha alma para o diabo.
Mais uma vez.

(...)

E cansei de lutar contra os moinhos de vento.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Vênus, Chocolate, Caetano e um cartão do dia dos namorados...

Hoje Vênus está tão brilhante que cheguei a pensar que era um avião.
O céu está estrelado e sem nuvens. As estrelas só não cintilam mais porque as luzes da cidade as ofuscam. Sempre a luz clareando as coisas, esclarecendo tudo.
Você que traz o escândalo, irmã luz.
Antes que a manhã venha em rompante com a luz em fúria a arder, penso no cartão que vi na papelaria. Dia dos namorados se aproximando. Muitos cartões de amor. É o primeiro em 10 anos que passo assim, sem ninguém para dar um cartão. Talvez tenha sido por isso que o tal cartão com duas escovas de dentes juntas , com os dizeres “adoro misturar minhas coisas com as suas” me fez ficar um pouco introspectiva. Não foi necessariamente saudade, tampouco solidão. Só um espaço vago. Meu currículo amoroso nunca foi lá essas coisas. Amei de menos, vivi algumas aventuras, mas sempre tudo tão comedido e quase sempre tudo tão explicado.... Essas coisas não precisam ser muito explicadas, porque fica desbotado, né?
No dia em que me convenci de que eu era pouco passional, me apaixonei. Ironia! E foi avassalador. Virou altar, virou promessa, virou escombro e agora é só uma marca d`água no meu coração. É só passado.
Nunca me incomodou estar sozinha. Até que estou indo bem - como dizem por aí - estou em minha zona de conforto!! Contudo, não há como ficar impassível diante de um cartão daqueles, quando não há ninguém.

... se ninguém tem dó, ninguém entende nada não. O grande escândalo sou eu... aqui... só.

Ai, ai... preciso de chocolates!Rsrs

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Parte do seu mundo

Você já se sentiu alheio quando passa por bares ou festas e vê as pessoas rindo e gargalhando, como se não fizesse parte daquilo?
Já se sentiu excluído do sentimento de felicidade que permeia encontros fortuitos ou combinados de amigos?
Já se sentiu off?
Às vezes, passo por certos lugares, como corredores de faculdade e sinto como se aquilo não fosse para mim. Então, veio alguém e me disse que gostaria de parecer feliz como eu. (!?!)
Vejam só, como são as coisas. Por trás de muitas gargalhadas, existem preocupações e inúmeros problemas. Cada um sabe de seus infotúnios ocultos e ninguém pode medir a felicidade que lhe cabe à partir do que os outros aparentam. O homem é a sua própria medida.
Quando parei para pensar, conclui que não raro, essa sensação de inadaptação é arrogante.
Quando sentimos que os outros são mais felizes que nós, na verdade abrigamos uma certeza (de vingança contra o mundo) de que somos melhores, de que possuímos lá no fundo algo de mais especial que eles, que o futuro poderá nos recompensar com um prêmio no final.
Que final, gente? A vida já começou há muito tempo. Já está valendo!
Por mais que sejamos originais de Capela ou de qualquer outro planeta, nosso lugar é aqui, onde estão os homens presentes, a vida presente, como disse o Drummond.
"Bobeira é não viver a realidade" e permitir que esse sentimento de “acho que não sou daqui” nos aniquile.
Quando encaramos os fatos e assumimos o nosso tamanho - muitas vezes bem menor do que imaginávamos ilusoriamente - todas as outras pessoas que considerávamos grandes demais e todos aqueles sorrisos que pareciam inalcançáveis, tornam-se normais. Natural. Fica mais fácil interagir com o mundo. Fica mais fácil consubstanciar.
Você pode se identificar totalmente como as pessoas ou pode ser completamente alheio.
De qualquer maneira, continuará a fazer parte da Terra.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Além da fibra ótica

Dinho.
Um apelido no diminutivo para um cara com quase 2 m de altura!
O cara calado, que chegou ao planeta bem antes de mim, na verdade, o primeiro de nós cinco. Ele tinha um all star de cano alto, guardava brinquedos da infância intactos, possuía posters de filmes de terror no quarto, uma Monark marrom e ouvia todas as músicas e toda cultura oitentista que definiriam meu perfil para o resto da vida, enquanto eu ainda ouvia Balão Mágico e Trem da Alegria.
Foi o mesmo cara que, por acidente, me deu um tiro de chumbinho, que permanece em minha testa até o presente momento (!), e que depois, me presenteou com o primeiro Ursinho Carinhoso de pelúcia e uma lancheira vermelha, também dos ursinhos carinhosos! Rs!
Foi ele que inventou o Carireu, o monstro negro que morava na painera e descia pela clarabóia lá de casa!Coisas de irmão mais velho!
Foi através de sua indignação com o mundo e seus protestos que comecei a refletir sobre a vida e sobre aquela velha opinião formada sobre tudo.
Eu ainda era criança quando ele se casou. Logo depois, me mudei para uma cidade distante e ele passou a ser a voz do outro lado da linha.
Essa voz, na medida em que eu crescia, se tornou mais próxima e mais presente em minha vida, através de comentários sobre músicas, posturas e noticiários...
Sempre admirei sua inteligência e suas considerações sobre o mundo, seu jeito irônico de fazer certos comentários da vida e seu último ato de desapego.
Coisas vão e vem.
Ele não sabe, mas cada vez que recebo uma de suas mensagens no celular, sinto crescer o cordão invisível da afetividade que nos aproxima.
Não é preciso estar perto para ser essencial. Nem de muitas palavras.
Meu irmão, minha história seria outra bem menos interessante, se você não estivesse aqui.
Eu desejo que a sensação de felicidade e realização preencha sua vida e suas horas mais inóspitas.
"Marvim", agora não é só você. Estamos todos contigo!
Eu nunca lhe disse, até porque é o menos piegas de nós todos (!), mas não encontro outras palavras menos clichês e mais ideais para o momento.Feliz Aniversário! Amo você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pega sim - que eu sei!

Eu dediquei o último post às mães dos “filhos da mãe”.
Mas...todas as mães merecem o céu, não é?
Só de parir, elas merecem.
O parto normal dói, gente. Eu nunca pari, mas sei que dói.
A cesariana incomoda. Tá, a coisa mais perto de cesariana que pude sentir foi quando operei de apendicite. Mas olha só, meu apêndice era bem menor do que um bebê e doeu.
Deve ser por isso que a mãe da gente tem um poder sobrenatural sobre as coisas.
Inclusive, praga de mãe PEGA!!!
Eu é que sei!
Quando eu saí de casa para morar no Espírito Santo, minha mãe disse:
- Menina, você abra os olhos e feche as pernas.
Cheguei aqui e fiz tudo ao contrário!
- Mãe, o espírito é santo, mas a carne é fraca!
Agora a praga pegou...
O único homem que mais se aproxima da minha boca ultimamente é o dentista.
Mesmo assim usando máscara!
Quando está terminando, eu digo à ele:
-Vê aí, deve ter mais uma cariezinha!!
- Não, tá perfeito.
- Ah, então olhe as minhas amígdalas! O “g” já é mudo, imagina o resto?
- Eu sou dentista, esqueceu?
(Eu sei disso, mas digo por dentro:)
Ai, Deus, perdoe este homem. Ele não sabe o que passo!
Resumo da ópera: Palavra de mãe tem efeito.
No meu caso, bem feito!
Sempre foi assim (...) !

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mãe... do filho... da mãe

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você
(Arnaldo Antunes)

Dedico esta rosa a todas as mulheres que deram à luz crianças que vieram com a mão no interruptor e apertaram. Elas apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza.
Dedico à senhora que chegou ao escritório com o olho roxo e os dedos com marcas de dentes, porque em um ato de desespero foi com a cara e a coragem buscar o filho na boca de fumo, e acabou apanhando. Não foi a nocaute.
Dedico às mulheres que esperam nas filas dos presídios para visitar seus filhos condenados, submetendo-se às revistas íntimas, tão constrangedoras e humilhantes.
Dedico às mães dos juízes de futebol, que levam a alcunha sem ter cometido os atos!
Dedico às mães dos juízes que vendem sentenças nos tribunais e daqueles que são condenados e difamados pela mídia sensacionalista.
Dedico às mães daqueles que matam, que roubam, que odeiam, e que disseminam a maldade.
Dedico às mães daqueles que ferem os corações e causam sofrimentos.
Dedico também à mãe de quem fica preso (por horas) em engarrafamentos, mães dos que buzinam, dos buzinados, de quem dirige em trânsito caótico, às mães ausentes nas batidas de carro e às mães daqueles que passam em poças d' àgua pelo prazer de sujar os pedestres!
Enfim, dedico às donzelas (que pariram filhos do boto) e às meretrizes.
Segundo o Cazuza, só as mães são felizes.
Que sejam, apesar de seus filhos!
À elas, dias de ventura!

Não que eu tenha nada contra
Profissionais da cama
Mas são os filhos dessa dama
Que você sabe como que chama...
(Ultraje a rigor!)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Jogo de lados

Tanto tempo desperdiçado...
Meu passado tem um lado errado
Eu não sei por que é que a gente sente medo assim...
Tanta bola bateu na trave
Meu futuro tem um cadeado
Eu não sei como foi que a chave caiu no ralo.
Que rolem os dados
Hoje Deus está jogando com o universo.
Meu problema é querer respostas imediatas
Para as perguntas que a vida muda à todo instante
... você queria uma estrela
mas eu só tinha um chocolate ...
Que movam-se os pagos
Não há nada de graça e se não for engraçado,
rio eu de minha própria insensatez.
Meu problema é querer sempre ficar do lado certo
Mas não há lado, nem lodo, nem dólar, nem dolo...
Vontade boa
é querer bem!

terça-feira, 6 de maio de 2008

RDFC, dia de vitória!


Então o sol desponta e ainda assim o dia é frio!
Que bons ventos!
Tudo aparentemente está no lugar.
Mesmo que no lugar errado!
Meus pés têm o rastro das formigas de fogo.
O futuro desponta a cada passo.
“Sou meu próprio líder”
e já não ando mais em círculos.
Liberdade ainda que tardia!
... Espírito Santo, amém!
As mãos que eles sujaram não fazem tanta diferença agora,
tampouco seus corações endurecidos,
pois tenho aqui o meu sorvete de flocos
e é o bastante.
*O Resto que se Dane Futebol Clube!

*Um brinde à Agnes, a mulher que não gosta de internet, fundadora do meu novo time!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Uma mente brilhante

Há 20 anos, alheia às leis de reprodução, plantei uma sementinha de laranja num potinho de margarina. Eu queira que dali nascesse outro irmão!
Eu não sei o que aconteceu com a sementinha, mas o Otávio chegou tempos depois, nos braços do meu pai. Naquele dia eu não fui à aula só pra ficar em casa observando os primeiros momentos na Terra daquele ser que acabava de entrar em nossas vidas como um mago.
É assim que o vejo. Um mago.
Um garoto com poderes especiais de transmutar.
Um garoto com um dom incrível de transformar sentimentos em melodias, em palavras.
Tudo o que ele escreve penetra em meu coração e me toca no fundo da alma, onde os sentimentos nascem. É um mago.
Nós sempre soubemos disso, desde seus primeiros anos, quando dava mostras de que não era comum.Nunca foi comum.
Existem nele tantas qualidades, que um post apenas não comportaria todas elas.Engraçado é que ele agora está longe de nós. Ele, o caçula se virando sozinho na metrópole, vizinho de outras pessoas, por trás de janelas que não conheço.
O caçula maior que eu.
O menino de “macaquinhos no sótão”.
O irmãozinho que me esperou na escada na noite do meu primeiro beijo!
Meu companheiro no Rei Artur, dos planos malucos de viver, das noites de descobertas...
Ele não gostava de acordar cedo pra ver o sol nascer comigo, mas ficávamos acordados até tarde para descobrir os filmes na madrugada, até que o dia raiasse e a luz fosse uma resposta das questões formuladas pela insônia.
Eu queria ter também uma cartola, para hoje tirar de lá palavras bonitas que o fizessem gostar da realidade, querIa tirar um arco-íris, amores possíveis, reciprocidades, ventos que mudassem a sensação que ele tem que não dá pra esperar muita coisa boa da vida...Coisas boas da vida, Otávio. Você é uma delas.Eu só tenho um coração que deseja que você se perdoe por crescer, porque é como um diamante, se burilando dentro do tempo.Sua existência é luz e ilumina nossas vidas, nossos scripts, nossos bastidores, nossos seriados, nossos filmes e nossas trilhas sonoras.Tudo o que eu mais quero, além de ser clichê e dizer que amo você (!), é que a felicidade te acorde de surpresa, no meio da madrugada, e preencha cada poro de seu corpo e sua alma, depois de desordenar tudo o que você considere verdade, tudo o que você admira na ciência e na filosofia, todas as respostas que a sétima arte já lhe deu até hoje, e num momento de epifania você descubra o absoluto no mais simples sussurrando em seu ouvido algo que eu sempre soube.
Sua luz. Seu dom de vencer. Seu dom de ser capaz e ser feliz.
20 anos, héim?! With a little help from your friends!
Estamos com você! Sempre.
O mago e a doida