quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sem destinatários específicos

Percebe como somos frágeis?
Ninguém resiste ao tempo, às rugas, à morte.
O corpo se definha, mesmo com o botox.
Por dentro ele envelhece e delata sua certidão de nascimento.
Percebe como somos fortes?
Entregar-se assim ao fluxo da existência requer força e coragem.
Coragem para deixar os fatos irem rumo ao passado.
Coragem para continuar aqui, mesmo sentindo saudades de quem não está, de quem já foi.
Força para não enlouquecer quando o impossível assombrar as soluções.
Percebe como somos confusos?
Com fusos horários e relógios biológicos?
Com nossas novas receitas culinárias e novas dietas infalíveis?
Com nossas noites planejadas de prazer e todos os preservativos?
Percebe como estamos famintos?
A gente não quer só comida.
Nos desdobramos por aqui, para sermos melhores ou piores.
Para enxergar melhor, profundamente, além dos olhos.
Somos metamórficos malabares.
Equilibramos coisas no ar e nos contorcemos para melhor adaptação no espaço.
Olha pra isso, somos quase circenses!
São vários os adjetivos que nos cabem.
Somos um pouco de tudo e, sobretudo qualquer coisa que queira ser.
Entenda, entretanto, que nós somos capazes.
Dentro dessa capacidade eu posso te amar sim.
Com todas a minhas forças e com toda a fragilidade.
Mesmo com os atritos e com as hostilidades que porventura tivemos.
Apesar do nosso enlevo e apesar dos pesares.
Desconheço quais as leis que fizeram cruzar nossos destinos.
O mundo é habitado por tanta gente, gente, gente, gente...
E assim, não mais que de repente nós construímos uma história.
Eu, tu, ele, nós, vós, eles.
É por isso que lhe(s) digo,
Quando nossos adjetivos se transformarem, nossas características se acentuarem, a moeda mudar seu valor, nossos ícones morrerem, os anos se passarem...
Quando não houver mais nada em que acreditar, mais ninguém para aplaudir, mais nenhum líder para eleger, ainda sim, teremos o amor.
De todas as contas, é o “noves fora” que invariavelmente resta,
que subiste onipotentemente ao zero por ser o alfa e o ômega dos atos.
É a lei maior que rege o universo inteiro, dentro e fora de nós.
É a única coisa que possuo agora e que revela em mim um mundo novo sempre que a sombra desaparece, sempre que a dor se aninha ou o desespero emerge da lagoa negra.
O amor que tenho torna tudo mais bonito.
É o amor que lhe dou. Que tenho pra lhe dar.
E eu sei que você traz em si esse mesmo amor.
E isso nos faz um só.
É a única coisa que permanece quando tudo vai.
Quando tudo é vão.

Sopro de Eves!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Apresentação

É mérito de minha mãe ter despertado em nós o gosto pela literatura. Ela "saiu a semear" e deixou os cuidados sob nossa responsabilidade. Mas o que ele fez com essa semente é algo que transcende minha mais ousada pretensão de inserir o que escrevo no mundo fantástico das letras. E ele conseguiu porque ele é fantástico.
Agora eu não falo como irmã, porque seria suspeita. Falo como uma leitora, uma admiradora.
Quando eu era adolescente, ouvia Renato Russo e me surpreendia com a maneira tão profunda de ele cantar exatamente aquilo que eu estava sentindo. Eu mal sabia nesta época, que o menino que brincava do meu lado e assistia Chiquititas, seria capaz de fazer o mesmo com tanto talento.
Esse menino cresceu e tem o dom de perscrutar a alma humana extraindo dali sua essência. É de uma sensibilidade incomum, capaz de escrever e descrever os sentimentos de uma situação que nunca vivenciou e quando vivencia, ele refina e traduz em palavras que nos tocam e nos comovem. De sua janela ele observa e absorve o mundo. Como o próprio diz no Conto Quatorze: “Porque sua própria janela era uma metáfora de quem ele era. Vista de fora, apenas um quadradinho de vidro no meio do arranha-céu cinzento, imperceptível. De dentro, uma televisão multicanal, de onde se enxergava a vida.” E também : “O garoto era alguém, importante e histórico, e sua função não poderia ser mais nobre: se não fosse ele a observar a alegria dos outros, quem é que iria? Quem é que contaria histórias e inventaria fantasias sobre os moradores do prédio da frente? Deixara de deixar de viver". Mal sabe ele, que muito mais que um observador, ele é ator de uma vida muito peculiar e bonita, melhor do que qualquer seriado que assistiu.
O Otávio cresceu sem preconceitos, construindo uma visão de mundo muito sóbria e sensata, apesar de tão jovem. Ele tem 21 anos com maturIDADE. Escreve desde sempre. É a ele quem recorro quando me deparo com encruzilhadas, porque sei e confio em suas opiniões. Acho deliciosa a maneira leve como ele manifesta suas opiniões, como quando falou de sentimentos: http://meusanosincriveis.blogspot.com/2008/04/013-sentimento.html
O desenvolvimento de seu texto não pesa, tal qual um beija-flor, não se rebusca além do necessário, não se torna piegas como música sertaneja, mas sabe a hora exata de ser clímax e de encontrar emoções que estão lá dentro de nós. Percebemos isso em trechos como a carta de Eduardo à Rosa em seu Conto Dezoito: "Percebes meu desespero? Consegues ver que, de um jeito inevitável, estou completamente sujeito à tua existência? São vinte e três dias desde que te vi pela última vez. E definho em pensamentos quando me ocorre a possibilidade de que não sentes falta de mim. E me soterra a certeza. Porque nunca dependeste de meu afeto, embora eu saiba que ele lhe é caro, pela tua vaidade."
A gente se descobre em seus contos.
Aprecio também sua maneira corajosa de defender seus pontos de vista com argumentações coerentes e fortes, como neste trecho que achei brilhante: "É por isso que quem prega o conservadorismo de uma música culta ou mais sofisticada tem uma mente tão pequena quando o intervalo entre duas notas em um chorinho." consta em:
http://oteatrodevampiros.blogspot.com/2009/04/713-nick-and-norahs-infinite-playlist.html
Ele fala de coisas simples, de amores possíveis, impossíveis, platônicos, fala do tempo, pensamentos, amizade... Não consigo descrevê-lo porque assim eu o limitaria. E pra mim ele é ilimitado, é infinito. Como falar de alguém capaz de enxergar a mesma poesia em Nora Ephron e Fellini? Alguém que chora lendo um livro do Nicholas Sparks e ao mesmo tempo decora as linhas de García Marquez?
Ele, como muitos de nós, ainda está na busca da peça que falta no quebra-cabeça, mas seu pisca-pisca é eterno. Pra mim ele é o cara que na alegria ou na tristeza deixa tudo muito mais belo quando escreve com seu dom apurado de sensibilizar.
Quando sensibilizados, nos tornamos mais humanos.
Obrigada, Otávio.
Vale a pena ler:
e

quinta-feira, 25 de junho de 2009

As engrenagens do nosso fantástico mundo

Don't worry about a thing
Cause every little thing
Gonna be all right
(Bob Marley - Three little birds)

É porque quando está escuro e a gente fica esperneando, é difícil mesmo perceber que tudo está perfeito. É difícil enxergar o todo complexo que se desenvolve além de nós e ao nosso redor e por dentro. Enfim, tudo vai ficar bem. É aquela coisa da atração! Pense nisso e tudo vai ficar bem. É meio hipnótico, mas é isso que queremos. Queremos ver as engrenagens se movendo.
As engrenagens. Elas se movem e tudo muda de lugar. O sol vai pro Japão e as folhas do outono dão os últimos estalos quando pisadas por nós. As pessoas nascem, pessoas morrem. Michael Jackson morreu e lembrar dele me leva de volta para Pará de Minas, minha terra Natal. Uma das Panteras também morreu. Que droga pra ela, porque a morte dela foi ofuscada pela dele. É... Eu pensei isso sim.
A África do Sul perdeu pro Brasil e ainda não se sabe se as eleições do Teerã foram fraudadas. É meio óbvio que sim, mas mesmo assim, quando meu dente dói, isso não tem relevância. Mexe qualquer coisa dentro doida, qualquer coisa doida dentro mexe...
Estamos passando por uma crise mundial e o Marcos Palmeiras está lá batendo havainas. Fazer o que, né?! Pular num buraco? Bater panela e protestar? Pegar o Megafone e rosolver tudo no grito? Uai, quem tem boca vaia Roma, que tem mãos bate havainas. É... Porque você sabia que a gente fala errado? Não é vai a Roma. É vaia. Úuuuuu. Quem tem boca beija. Quem tem boca fala, mas o fato de falar não me leva pra lugar nenhum especificamente. Se você perguntar pra alguém em Sete Lagoas onde fica a rua tal, você pode parar numa rua muito diferente. O troço é que as engrenagens também mudam as palavras e seus significados As engrenagens e nossos antepassados. Quem tem boca vaia Roma em sinal de protesto ao governo dos Césares. Outra coisa é o tal: É a cara do pai, cuspido e escarrado. Olha só. Cuspe e catarro não são moldes, mas a gente deu um jeitinho de fazer com que essa nojera signifique que o filho é igualzinho ao pai. O certo seria “esculpido em carrara” que é pedra de mármore própria para artistas fazerem suas estátuas. Ainda tem quem afirme que seja “esculpido e encarnado” mas enfim, no fim tudo dá certo, mesmo à força.
A gente tenta entender, mesmo quando a mensagem está adulterada.
E a gente só pára (num dô conta de tirar o acento ainda) se for bobo e masoquista. Porque o mundo segue adiante. Porque o tempo não pára. Porque é assim que tem que ser. É assim que tem que ir.
Go Forest!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Batendo na porta do céu

Senhor,
É noite. Percorri mais de mil quilômetros e agora estou aqui. Cansada.
Hoje peço Senhor, uma lanterninha.
Faz dias que não durmo direito e tenho medo do escuro. Do meu próprio escuro.
Não consigo enxergar, Senhor, as coisas mais óbvias.
Tenho uma porção de defeitos. Alguns deles eu quero transformar, mas de outros não sei abrir mão.
Estou tão cansada de tanta sombra, de tanta tolice, de tanto medo impregnado.
É não é nada com o mundo, com o Armud, com ninguém fora de mim.
Senhor, eu só estou aqui porque parece que estou criando uma casca esquisita que me distancia do mundo de novo. Do mundo que eu desejei um dia. Das coisas que eu quis ser. Não consigo fazer uma prece há dias. Não consigo ver o sol no horizonte e venho achando que eu preciso de um milagre.
Sabe, eu lembro de como queria ser sua serva, de ser prudente, ser correta, ter a centelha divina. O que tenho feito é trilhar caminhos tão estranhos, tão cheios de obstáculos, tantas curvas. Essa estrada torta, esse amor gauche, esse medo de não fazer jus ao céu...
Eu faço o possível.
Quando percebo, tudo está feito. E tudo errado.
E o pior disso tudo é saber que basta uma atitude, uma vez que já conheço as lições.
Mas olha só, Senhor, já tem escombros demais pra reconstruir. Olha essa bagunça aqui.
Eu penso sempre nas oportunidades pra trabalhar na sua vinha, meu Senhor, mas também tenho um grande trabalho pra reconstruir minha vida e essa sombra sobre a minha família. Parece até piada, esses dias sem sol, sem milagres.
Não quero que pense que sou ingrata. Eu agradeço pelos sorriso do Ian, pelo amor que existe, pelos seus anjos sem asas que vivem por aqui. E eu continuo acreditando, porque não tem como desviar a responsabilidade de tudo o que vivo pra Sua conta. Essas dívidas são minhas. As sombras também.
Mas eu peço Senhor uma luz.
*
*
*
Michele anda muito cansada das lutas e das derrotas.
Michele anda cansada das respostas do mundo que direcionam pro abismo.
Quer a vitória, só pra variar...

sábado, 20 de junho de 2009

Errante


Novamente no litoral e o céu está escuro.
O mar não perde sua beleza em dias assim, mas o coração, não raro, se cala.
Hoje aqui, amanhã, não se sabe.
Ela é tão inconstante. Todos os seus planos de se manter distante se dissolveram no ar e ela se flagrou desejando a eternidade. Parecia um vício. Um feitiço. (!?)
Aprendeu que não era questão de escolha, mas de entrega.
Nem toda escolha implica no uso da vontade, mas do dever.
E toda entrega tinha conseqüências.
A noite devora o mundo quebrando os padrões e tornando misterioso o que era mais óbvio.
Então rompe a manhã com a luz em fúria a arder. A chuva até some. Someone like me.
Ligo o computador, deleto o último post que a essa altura não tem mais sentido, vejo a cama em desalinho e já é hora de sair.
Mãe, não sei exatamente o que DEVO fazer, porque agora sou refém da minha própria atitude.
Mas mãe, eu sei o que QUERO fazer, porém não gostaria que parecesse errado ou loucura.
Eu queria não parecer um balão distanciando de todos os fogos e problemas que existem, na superfície da Terra. Mas agora é inevitável flutuar.
*
Cheguei aqui com o coração nas mãos, cheia de dúvidas e de certezas.
Seu sorriso revoga todas elas.
*


Você, que tá aqui e leu esse post, quantas decisões tomadas por você viraram nada perto de alguém?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Estruturas

Casas edificadas sem uma estrutura firme correm o risco de desmoronar.
Assim somos nós diante de certas verdades, de certas palavras, de certas expressões.
Algumas verdades se calam na boca para manter a situação intacta.
Enquanto isso, ela explode por dentro de quem silencia.
É um tijolo que se sacrifica pela construção inteira.
Quantos relacionamentos não seguiram íntegros pelas verdades que não foram reveladas?
E quantos não foram evitados?
Quantas declarações deixaram de transformar amigos em amantes?
E quantas delas causaram guerras?
Algumas vezes, dizemos o que sentimos e temos que abrir mão do conforto por causa disso.
O conforto da leveza de ninguém cobrar nada através dos olhos.
Existe algo mais desconfortável quando um amigo que você preza tanto se declara pra você, principalmente quando o que você sente por ele tem outra natureza?
Existe coisa mais desconcertante do que ouvir aquelas frases de novela, tipo: “Você não é meu filho” ou "Mãe, eu sou gay" ou “eu não te amo mais” ou “esta roupa não lhe cai bem” ??
As palavras quando proferidas, tem o dom de definir as situações (porque os sentimentos já foram definidos há muito tempo). Ou suas palavras te deixam numa praia paradisíaca ou te deixam num beco escuro e perigoso da cidade. Isso quando não te fazem vagar sem rumo.
Vai depender da estrutura de quem diz.
Depende da estrutura de quem ouve.
Depende do que você quer. Ao dizer. Ao calar.
Não sei qual a resposta certa.
Sei que não consigo ouvir certas respostas, por isso evito certas perguntas.
Sei que prefiro às vezes o campo pseudo-esperançoso da dúvida do que a mais limpa verdade, que tem 50% de chances de acabar comigo. Orgulho? Pode chamar assim, se quiser.
Sei que não se pode ser sincero demais sem perder algo, sem ter que reconstruir o que a verdade despedaçou.
Sei que muita coisa boa a gente simplesmente não diz.
Sei que muitas verdades são como granadas arremessadas.
E sei que estranhamente, em certas ocasiões, perdemos a confiança de alguém quando dizemos verdade. Era pra
ser o contrário...
Se o mundo fosse mais simples, eu não teria o que escrever num blog.



Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
(...)
Lulu Santos - Apenas mais uma de amor

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vertigem

Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
a velocidade terrível da queda


Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna
Ah! as bombas, a chuva, os anjos e seus loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda

Eu queria que eles tivessem sido teletransportados através de um portal para uma dimensão diferente, como se cogitava a respeito do Triangulo das Bermudas. Como se quis pensar com o Ulysses Guimarães. Ou então que tivessem ido parar na ilha de Lost.
Mas encontraram os corpos. Que droga. É a realidade outra vez.
A dura realidade legitimando a lei da gravidade e fazendo manchetes. A mesma realidade que aciona o despertador às 6:00h da manhã.
Além dos portais e abduções, além das hipóteses fantásticas, não pode haver despertador nem contas pra pagar, nem prazos expirando. É claro, apenas cogito.
O que eu posso saber sobre outras dimensões? Nunca estive de corpo físico em nenhum outro mundo além do real. Mesmo as fugas ilusórias são parte de algo maior e real que absorve tudo no final e vem trazendo nas mãos o grande livro das obrigações, principalmente aquelas das quais não se pode fugir.
Seu inegável poder destrói completamente todo efeito entorpecedor de qualquer pílula (lícita ou não) e esmaga sem compaixão todos nós que aqui estamos despreparados para as perdas e para as quedas.
Então, por mais que eu deseje soluções mágicas ou explicações inverossímeis é na realidade que eu preciso lidar com as tragédias. Pequenas tragédias como ficar de calças claras desprevenidamente menstruada no meio da avenida ou grandes tragédias como ver no noticiário que aviões desaparecem sobre o oceano.
Não quero que tudo que eu vejo se torne miragem. Eu sou a coisa mais real e concreta em minha própria vida. E você na sua. E todos juntos formamos um bloco cirúrgico de carnaval com noções limitadas acerca da realidade. Duvida?!
Toma, oh realidade, toma seus relógios e as medidas de tempo, seus reis e seus dentes de leite. Toma seus partidos e seus fragmentos. E negocie a ascensão com todos os anjos caídos.
Queria que existisse uma loja que vendesse ascensão.
Como se fosse possível. Como se fosse produto.
Como se tenho fome.
A fome é a inegável manifestação da realidade.
Mesmo que tudo isso aqui seja apenas ilusório.
Seria a ilusão mais real que já conheci.

Resvalando em abismos um pôr do sol furioso
que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado da velocidade terrível da queda

(Lobão - A Queda)

quinta-feira, 4 de junho de 2009


Sobre nós
Sobre tudo
Ainda há tanto o que se descobrir...


O universo é infinito

quarta-feira, 3 de junho de 2009

É noite do meu amor


Cada pigmento que coloria as bandeirinhas
saía do arco-íris
E vinha tremendo de frio e de medo
A fogueira poderia dizer
Que não haveria escuridão naquela noite
Mas não dizia. Inflamava-se.
E era tão evidente!
Não precisava dizer.
Temer o que?
O vento agora era um artifício, mais que os fogos.
Eu passo pelas pontes quebradas e é mentira.
Eu vejo as cobras no caminho e é mentira.
Eu volto de onde vim
E sempre encontro você.
Queria te levar pra passear dentro de um balão.
Porque quando a dança termina
Você ainda é meu par.
A sombra que me move
Também me ilumina
Me leve nos cabelos
Me lave na piscina
Em cada ponto claro
Cometa que cai no mar
Em cada cor diferente
Que tente me clarear
É noite que vai chegar...

(Galope Rasante - Zé Ramalho)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

VARIAÇÕES SOBRE O MESMO TEMA

Como lidar com os pontos de partida?
Essa vida é engraçada, porque sua linearidade é disfarçada.
Na verdade, tudo o que existe é torto. Retas são ilusões.
Alguns caminhos parecem fragmentos.
Certas estradas são bifurcadas demais. Pentafurcadas.
De vez em quando alguém aperta o start e retornamos à estaca zero.
E mesmo assim, nunca é do mesmo jeito.
O zero muda seu valor dependendo do lugar em que está.
Como nós.
Não, não, não, não...
O zero muda o valor de outros números, mas continua valendo nada.
O erro é um bom manual explicativo.
A dor é excelente nota de rodapé.
A dor é excelente placa luminosa. Em caixa alta!
E a reincidência, han?!
E quando a gente comete os mesmos erros, considerando que as consequências é que estavam erradas e não nossos atos?
Quem é que vem nos dizer com certeza se o que fazemos é persistência ou se é murro em ponta de faca?
É! Então a gente se lembra da cartilha e tenta olhar pra dentro, ler as linhas (tortas) e as notas pequenas no fim do contrato (né?!) e buscar a solução adequada ao nosso caso!
Estamos muito à mercê do mundo e isso é meio solitário.
Nossa jornada é meio solitária, mesmo com todo esse amor.
Tudo porque na hora da prova não há possibilidade de colas nem telepatia.
Somos apenas nós e a ocasião.
O que – por mais estranho que pareça – torna tudo muito mais belo!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Picos e Precipícios

Por desconhecimento de certas leis, corremos o risco de adicionar doses a mais em nossa medida transformando o remédio em veneno.
Não existe um manual para tudo, mas já consola saber que nós somos um grande e complexo manual. Tudo o que precisamos saber, est[a codificado em n[os mesmos. Respostas externas s'ao apenas confirma;'oes.
Éramos simples no início. Era fácil identificar quando nosso choro era fome e quando era cólica. Acontece que em algum momento da existência, alguém resolveu descobrir como funcionamos sem observar com cuidado cada detalhe. Nessa de tentar por vocação autodidata, desprogramou todas as coisas e agora somos um complexo sistema que desconfia da exatidão das leis da física.
Fazemos questionamentos sobre relações, ciúmes, inveja, baixa auto-estima, mas nunca obtivemos respostas erga-omnes. Somos tão bons na teoria, mas a prática parece ter saído de um livro que nunca quisemos ler.
Suco de goiaba pode funcionar pra você, mas pra mim, só o Imosec.
E a pimenta no olho alheio continuará sendo refrigerante de cola.
Se alguém sabia a fórmula certa, bebeu e depois morreu sem revelar a ninguém.
E nos condenou à inexatidão...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Manuelita de Alto Pongal, pergunta o que fazer em relação à vizinha que tem por profissão vigiar a vida alheia. Ela reclama da falta de privacidade e ainda diz que não pode nem errar em paz.


Bom, Manuelita, veja pelo lado bom, você tem um Big Brother sem confinamento!!
Pensando bem, só tem lado ruim nisso. Pelo menos, se tivesse o milhão.
Mas olha, Manu, vou te chamar assim, que aqui nesse programa a gente procura ser íntimo da pessoa, sabe?! Pois então, Manu, se a vida te der um milhão de reais, muda pra longe da sua vizinha. Mas se a vida te der o milhão, faça uma pamonha, mulher!
Ou um cural de milho. E depois leve pra ela numa forminha e lembre-se de pedir de volta a forminha antes de sair, caso contrário, ela vai querer ir no seu quarto pra te devolver.
Compreenda, Manu, que quem não consegue enfrentar seus fantasmas é que cuida da vida dos outros. Ta... Tira a Unimed!
Mas é assim que funciona: sua vizinha tem um monte de problemas que ela não quer resolver e vai querer saber dos seus! É mais fácil assistir a peça no camarote do que escrever o roteiro ou decorar as falas.
E outra, ela te fiscaliza e você nem precisa pagar imposto!
Boba é ela.
Manu, lembre-se de não fazer na vida pública o que você faz na privada, ta?!
Entenda como quiser, mas acredite no que eu digo.
Para certos conflitos existem soluções.
Para os outros existem decisões.
Entendeu?

Entre em contato com a gente, que nossa equipe faz de tudo, dá susto em vizinha chata, leva seu filho na escola, vai à reunião de pais e mestres, inventa desculpas pra você dar quando esquecer do aniversário de casamento...

sábado, 25 de abril de 2009

Crise nada, marolinha semântica!

Você acorda e tem um dia inteiro em branco ao seu redor.
Ainda não disse uma palavra a ninguém.
Então você pensa em milhões de coisas pra fazer, consciente que fará de fato, pelo menos duas coisas.
A primeira delas é se levantar da cama.
A segunda é o mistério da cada um.
Se eu tivesse uma nave espacial, ia querer ter também um sabre de luz.
A luz do sol está indo pro Japão.
A luz da tela do computador diante dos meus olhos é a única coisa que ilumina esse lugar.
Os últimos textos parecem tolices comparados aos dias áureos.
Hoje, só ouro de tolo.
Tomo uma decisão.
É hora do sblogonoff tirar férias.
Indeterminadas.
Quiçá, um dia a fúria desse front
Virá lapidar o sonho até gerar o som.


Tchau, amigos, eu sou a senhora "Sem Inspiração".
Atchim.
Saúde.
Amém.

Créditos para Sina do Djavan.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

PROGRAMAS PARA DONAS DE CASA

A cunhada disse que reparou na minha dificuldade.
Tem dia certo para colocar o lixo na rua e eu nunca lembro.
Da última vez, chegou a dar larvinhas e cheiro ruim.
Tem que prestar atenção nas teias de aranha.
As aranhas estão sempre fazendo teias. Pra quê?
Achei que era só olhar para as quinas da parede de vez em quando, mas tem que ser toda hora.
Tem que colocar as panelas em ordem na cozinha.
Tem que cozinhar na medida para não sobrar e evitar desperdício.
Ah, a cozinha...
Aquilo é um lugar hostil.
A faca, totalmente cega. Não corta nada, mas retalhou minha mão.
Agora explica, o eu acontece com as facas???
E aquela lingüiça?
Pensei que fosse só colocar na panela com óleo e pronto.
Era só esperar fritar.
Eu fiz isto, esperando bons resultados, mas o que vi foi uma noite de São João precedendo a hora do almoço.
A lingüiça explode, solta rojões, foguetes, e aquele óleo que espirra, além de sujar o fogão, o chão, e manchar as panelas adjacentes, também deixa o braço da gente cheio de bolinhas.
Você precisa ferventar antes, menina!
Agora fervento tudo antes. Até o arroz.
Qualquer carne. E evito frituras.
Aprendi a fazer pão de mel num desses programa de TV que passam de manhã.
Fiz. A gente nem usa mel na receita. Saiu um bolinho bem duro e preto.
Ninguém conseguiu comer.
Hoje lembrei do lixo.
Mais um dia de vitória nessa casa vazia.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Madrugada ensolarada


envelheço na cidade

Quero a Guanabara, quero o rio nilo, quero tudo ter, estrela, flor, estilo
*
Porque a paciência é uma conquista.
Não sei porque você pede a Deus pra que te dê o que você já tem, mas não exercita.
Vê? As coisas são tão simples.
Parece óbvia a idéia de que toda ação possui uma reação.
Mas na hora da prova, o óbvio se transforma em lágrimas e tormenta.
É tão fácil quando é com os outros.
Hoje essa chuva fina vem limpar o ar, molhar qualquer poeira perdida
Poeira invisível de se ver contra a luz
Poeira camuflada na cortina
Essa chuva faz um abril úmido e tímido
E além disso molha o edredon que ficou esquecido no varal.
Tudo está onde deveria estar.
Meu desejo de querer mais está onde deve.
Eu vejo os problemas ao meu redor
Eu sei dos problemas dentro de mim
Mas eu sei também que há sorrisos
Sorrisos que vão muito além do que riem as hienas
Sorrisos mais que amarelos, sorrisos coloridos.
E não é nada que oculta o mal.
É um sorriso consciente da própria beleza de sorrir.
É um sorriso que começa lá no coração e aparece sereno na superfície.
A paciência é uma conquista quando o mundo grita
Ás vezes você não entende.
E eu queria ter mais que palavras para explicar
Que isso é só um pequeno fragmento do que há pra ser vivido.
Que depois vem a brasa devorando o breu
Contudo, o breu não é ruim, nem a noite.
Muitas vezes a gente se revela à noite.
Certas pessoas só se desnudam no escuro.
E no escuro eu consigo sentir o seu olhar.
Eu sei que o seu olhar melhora o meu.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sequência das temporadas

E abril chegou mais uma vez, fechando portas, abrindo janelas e gavetas.
E porque não, outras portas?
Transporte - do passado ao presente - a única viagem possível a mim.
Porte de alma no planeta portátil.
E abril chegou úmido. Trouxe chuva e chocolates.
E vai trazer meu amor pro meu lado.
Até que eu passe além das Passagens!
E nesse passo, eu vou crescendo.
Somando todos esses outonos, noves fora, zero!
Eu sigo bem atrás de um Coração!
Nós vamos sob o vermelho de Marte, rumo à redenção.
Queremos paz na guerra constante.
Banana caramelada e chocolate.
Em certos dias, já foi o bastante.
Em outros dias, buscamos sentidos a mais.
Então, estamos aqui, mas nosso papel não está em branco.
São muitos riscos, paisagens e borrões.
São traços para continuar...
É o infinito enfeitando as datas e apagando as velas.
São as velhas!
São ovelhas
negras ou desgarradas


É o bonde do dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
*
(Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pode ser que sendo não seja, mesmo assim, é o que é. Esses são dias de luta

Se sou eu ainda jovem, passando por cima de tudo
Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois?
(Ira)

Ás vezes eu queria que o tempo acelerasse uns 10 anos de uma vez, pra eu rir disso tudo.
Mas tudo isso passa como tudo na vida: Não passa adiante apertando um botão
É preciso lidar com a lógica e é preciso paciência para lidar com a lógica, com a ordem cronológica.
É preciso saber sambar na cadência pra não perder o compasso pra não criar ilusão, pra não sair da ciranda.
Ás vezes eu fico nivelando com dores que considero maiores que as que sinto
E digo: eu até que to bem!
Busco alegrias nas frestas do tempo.
Coisas que eu não encontraria se fosse como eu queria: acelerando aqueles 10 anos...
Então vem a vida e surpreende com mais flores e luz que eu mereço.
Nessas horas, o que sinto não tem preço
Eu tenho pressa, a correria embarga o ócio
A fome dos meninos na tv quase me aniquila*
Mas é preciso progresso em minha vida e um pouco mais de ordem no meu quarto.
Queria um motivo pra fazer uma piada, mas a vida por si só já tem graça.
Mesmo que de graça apenas alguns sorrisos.
Se eu dormir agora, é confortante saber
Que amanhã a manhã virá.
Lá vem mais outro outono...

se meu filho não nasceu, eu ainda sou um filho...

* Reportagem do Fantástico, sobre uns meninos em Goiás que vão pra escola só pra comer uma merenda que chega como que por um impulso milagroso. Eu sei que tem isso aqui bem perto de nós, né Elga? Mas por mais que o mundo tenha suas dores, os problemas que temos são imediatos. E precisam de uma posição de ação ou inércia de nossa parte. É assim que é, cada um no seu quadrado com a cruz que lhe cabe...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Coceira

Talvez porque eu não pense em mais nada diferente.
Tudo ficou meio disperso na ordem de minha confusão.
O cubo mágico se moveu mais uma vez e eu já estou em outro quadrado.
Somos multigeométricos.
Inexatos demais para cabermos em qualquer fórmula.
Nós todos os que aqui postamos.
Eu, você, você e você também.
O que é que a gente realmente quer?
Hoje eu não sei de nada.
Os pernilongos que devoraram minha perna sugaram a inspiração que havia e infectaram algumas respostas.
Olha só, tenho uma constelação na perna!
Li que eles se guiam pelo cheiro.
Dane-se todos os pernilongos e seus olfatos.
Hoje tudo o que fez sentido foram as risadas do Ian.
As primeiras de muitas.
Menininho, você com sua risada banguelinha nem imagina o que passei, o que passo, o que tenho que consertar...
Você nem imagina como o mundo precisa ser consertado.
Mas o que importa agora?
Eu tenho as pernas firmes e você, o mundo inteiro.
Nós somos os "Sultains of swing"!!!

domingo, 1 de março de 2009

COMA

É engraçado pensar no ato de comer.
A procura pelo alimento é natural e instintiva. Todo animal racional ou não, sabe que precisa de alimento para sobreviver.
Comer, comer, é melhor para poder crescer!
O que se come, inclusive, classifica-nos biologicamente.
O ser humano come de tudo, come até gente, viva ou morta, luxuriosamente ou em tragédias como nos Andes, antropofagicamente, no meio do mato!
Dependendo do prato, você transgride e subverte. Filmes como “A Festa de Babete” (que acho excelente) ou Chocolate mostram bem isso.
Leões não ligam se sua carne está bem ou mal passada, se está temperada ou insossa. Nós, seres humanos, somos mais seletivos no paladar e ao longo do tempo rebuscamos nossos livros de receitas com a criatividade do possível e do reprovável.
Até Leonardo da Vinci foi um gourmet.
Em Nova York, existe um Clube dos Exploradores, que comem (de beca e vestidos longos) lesmas, baratas, vermes, tarântulas fritas, e confessam que é delicioso.
Devem fazer jejum antes de um banquete assim!
Em certos momentos, eu só penso em comida, em receitas. Isso acontece quando a fome aperta e estou longe de poder comer. Acontece no meio do trabalho, quando estou voltando pra casa... As receitas giram ao redor da minha cabeça e tenho ilusões de Zeta Jones, em “Sem Reservas”. Mas agora, tudo é deletado da idéia. Minhas antigas preferências são eliminadas do menu pelas borboletas cáusticas que voaram em meu estômago, e agora preciso aplaudir os cream crakers.
Nunca fui muito seletiva (lê-se : fresca) para comer. São poucas as coisas que excluo do meu garfo.
Mas foram tantas emoções que meu estômago não agüentou e apelou: aqui não entra mais suco de laranja, não entra mais massas, não entra catchup nem tomate, não entra coca cola, não entra morango, abacaxi, café, e lá se vai a lista. Todo mundo está barrado.
E é por isso que venho tendo pesadelos com batata frita e bacon.
Eu também nem queria mesmo.
Lesmas flambadas, caviar, arroz com feijão, sobremesas, pão de queijo, relacionamentos, problemas do escritório, mentiras e pipoca colorida, no fim ...
*
...TUDO VIRA BOSTA
*
(Moacyr Franco)
**
O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta...

O vinho branco, a cachaça, o chope escuro
O herói e o dedo-duro
O grafite lá no muro
Seu cartão e seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro
Meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta...

Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...

Filé 'minhão', 'champinhão', 'Don Perrinhão'
Salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão
A Mercedes e o Fuscão
A patroa do patrão
Meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta...

O pão-de-ló, brevidade da vovó
O fondue, o mocotó
Pavaroti, Xororó
Minha Eguinha Pocotó
Ninguém vai escapar do pó
Sua boca e seu loló
Tudo vira bosta...

A rabada, o tutu, o frango assado
O jiló e o quiabo
Prostituta e deputado
A virtude e o pecado
Esse governo e o passado
Vai você que eu 'tô cansado'
Tudo vira bosta...

Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Estou indo

O planeta Terra gira numa velocidade impressionante.
É assim que os anos passam.
De repente é carnaval.
E depois dele o ano começa.
É assim aqui no Brasil.
Estou na expectativa do looping.
A vida que me ensinaram como uma vida normal,
não foi a vida que eu quis viver.
Frio na barriga.
O frio na barriga é quente.
Sinto o vento dos impulsos.
Estou na crista, mas estarei por segundos.
A vida não vai sempre passar em flash back.
Algumas escolhas não possuem o botão de reversão.
Mudar de idéia, não é alternativa.
Você escolhe e o resto é conseqüência.
É preciso cavar buracos para plantar sementes. (Sobre a dor).
O universo se expande e eu cresço com ele.
Neste momento tenho tudo que preciso.
Tendo o mundo inteiro e acordes de músicas.
É agora...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Catavento, a galáxia

E então ecoa a voz da professora de ciências da quinta série: Vento é o ar em movimento.
Eu lembro que achava aquilo lindo.
Aqui onde estou, o ar não consegue se movimentar muito. São muitos prédios, pessoas e egos. É possível fazer leves movimentos, mas que não causam a mais suave brisa. As coisas são mais artificiais por aqui. Precisamos de ar condicionado e ventiladores e um leque (hahaha, adorei usar essa palavra agora) de fazedores de vento, de circuladores de ar... Poderíamos usar tudo isso agora, mas quando lembro do vento da beira da praia ou das montanhas, essa parafernália não significa nada.
Senhor, esse vento que produzimos à força não está aliviando o calor, não ajuda.
As cabeças continuam quentes, fervendo. Os ânimos estão exaltados e a paciência tirou férias de verão. Deve ter ido pra um lugar onde venta bastante, sei lá, ido surfar no Havaí...
O sol é fonte de vida, é energia. Se ele morresse, morreríamos todos.
Então, porque alguns de seus efeitos são assim? Parece que o capeta está cozinhando os trópicos em seu caldeirão, misturando os justos e injustos (baby, ninguém é inocente), os belos e os malditos, as fadas e o saci-pererê!
Era só beber um copo d`àgua, respirar, esfriar a cabeça, moderar o tom de voz e transformar os momentos. Mas a gente sempre quer mais, né?! Quer as chamas.
Pois é. Pra que?
Pra justificar o suor?
Seria tolo da nossa parte.
Ainda acho que o diálogo é a fonte da solução dos conflitos. Em um diálogo, você deve se colocar no lugar do outro para depois emitir o próprio ponto de vista. Você deve ter paciência para ouvir e para discordar também. Nem é tão difícil.
“Não se apoquente”, um distinto poeta falou.
Que bons ventos os levem, que bons ventos os tragam, que o calor não trague nossa delicadeza no trato, que não estrague sentimentos sólidos. Que o calor derreta o gelo de nossa teimosia e que um pouco só de água fria possa nos salvar.
Hoje foi um dia quente, mas vi no Terra a Galáxia Catavento. Achei bem refrescante o nome. São milhões de estrelas brilhando longe de nós.
Direcione, Senhor, algum vento purificador pra esse povo do concreto aqui.
A gente precisa de ar.


Ah, e não se esqueçam: USE FILTRO SOLAR!!hehehe

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Seu desejo é uma desordem

Desejar é uma característica dos seres imperfeitos.
Claro, a perfeição não deseja nada, por se bastar.
Se é assim, Deus ou os deuses não desejam nada de nós.
São perfeitos e se bastam.
Nós estamos aqui à deriva, à mercê dos nossos próprios desejos e de suas consequências
O desejo é mais que ter vontade. A vontade é ação e movimento.
O desejo é metafísico, mora na cabeça da gente e nem sempre se expressa.
Alguns ficam atrofiados lá no coração, no cérebro ou no útero.
O feto da mulher grávida (meio pleonasmo) que não teve um desejo atendido, nasce com a cara do desejo que ela teve. Pensa, se ela desejou comer abacaxi e não comeu (vai ser mãe de um rei ou de um punk!), ou se quis comer pepino (vixi) ou fruta do conde. Minha mãe desejou comer figo quando eu era feto e nadava no ventre dela. Se ela não tivesse comido, seria uma tristeza, porque um figo cortado ao meio parece muito uma... Deixa pra lá.
Criança que deseja e não pode ter, fica aguada. De onde vem essa expressão? Lá em Minas se fala muito em “ficar aguado” (ou talvez seja agoado). "Não mostra isso pra Pedrinho não, tadinho. Ele gosta e não pode. Vai ficar aguado."
Bom, quem souber, me explique, que eu vou ficar feliz!
O desejo quase sempre é provocado. Pode ser por uma pessoa fazendo cara de “quero devorar você”, pode ser um chocolate ou um bolo confeitado, podem ser os incríveis apelos da mídia, que de uma hora para a outra faz o brega que você detestava ficar chique. E agora você deseja tudo o que desprezava antes.
Alguns desejos, os reprimidos, dão um nó no estômago das pessoas. Ficam lá sob análise pra gente saber se é justo ou não é, se vale a pena ir avante, se foi bom ter renunciado...
Tem desejo que vem com a culpa e com um chicote de brinde, e faz a gente se auto-flagelar até tirar sangue das costas.
Outros desejos já nascem proibidos e nem por isso deixam de ser atendidos ou realizados.
O desejo independe da tecla “enter” pra acontecer. Ele é entidade autônoma. Se ele é realizado ou não, são outros quinhentos.
Eu desejo tanta coisa, que vou apertando o gênio dentro da lâmpada, louco pra eu atingir a perfeição e parar de necessitar.
É, né, porque necessitar pressupõe carência e às vezes a gente carece de coisas que não precisa.
A gente quer mais do que o essencial, a gente quer as bordas recheadas também.
A gente gosta da cereja do bolo, a gente quer saída para qualquer parte.
Caso desejássemos o simples, o essencial nos bastaria e pouparíamos as moedinhas que jogamos no poço.
Se o essencial nos bastasse, não existiria má distribuição de renda e nem a infidelidade afetiva.
Essas são as duas coisas que mais causam a desordem no mundo.
Ai, ai, esses desejos...
Sai fora Aladin, não desejo voar em seu tapete.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ó doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda
Atrás de alguma paz.
Agora, nada de machado e sândalo.
Você que traz o escândalo, Irmã-luz.
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei demais, só vendo
Mas agora faz um frio (muito calor) aqui.
Me responda, tô sofrendo:
Rompe a manhã da luz em fúria a arder
Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria
Pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui, só.
.
.
.
escândalo, do Caetano.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Entendeu?

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
(Mário Quintana)

Entre o emissor da mensagem e o receptor da mensagem, há um universo de possibilidades.
Quem escreve em blogs sabe o que é isso.
Nem sempre o que se quer dizer é o que é dito.
Cada cabeça é uma sentença, como já dizem por aí. A viagem que o sentido faz até ser decodificado, é cheia de curvas e morros, de rios e vales. Quem cria e publica suas obras, deve ter desapego. Há que se desprender até daquilo que intencionalmente era para ser sem sentido. Uma vez no mundo, o significado do texto não tem propriedade. Seu autor o elabora, lê, relê, corta palavras, insere outras, edita, registra e coisa e tal. Mas é impossível obter direitos sobre o significado, sobre a interpretação, sobre os desdobramentos da própria criação.
Às vezes, por mais objetivo que se queira ser, o texto para a outra pessoa pode ser cheio de entrelinhas.
É então que se começa a garimpar o sentido de tudo o que não foi dito, fazendo com que o receptor crie um novo texto só de entrelinhas não intencionais. Há também a hipótese de se criar uma entrelinha e ninguém percebe-la ali! É a hora de explicitar a intenção e preencher as lacunas com notas explicativas. Eu faço isso quando sou mal interpretada!Rs.
Um texto não termina depois de publicado. Ele se prolonga na imensidão de seus significados ou não significados. Em blogs, certos comentários são até maiores do que o texto comentado!
Também há as canções. Confesso nem sempre entender certas letras e outras eu apenas digo: Isso não era pra ter sentido.
Alguém me explica o que são “segredos de liquidificador” que o Cazuza colocou na música? É algo tão dilacerado que é impossível juntar?
E “Zabelê, Zumbi, Besouro /Vespa fabricando mel /Guardo teu tesouro Jóia marrom /Raça como nossa cor”?
Eu só fui entender que "Lágrimas e Chuvas" do Leoni era sobre suicídio depois que ele falou numa entrevista.
Dispersões também podem ser provocadas por melodias que fazem a gente dançar alegremente por algo triste, como “Eu só quero um xodó”, do Dominguinhos. Acordes menores são mais melancólicos, os maiores são mais alegres. Nem sempre.
Recebi em uma missa de sétimo dia aqueles santinhos que a família distribui. Nele havia o retrato do nosso amigo e aquela música do Tim Maia: "Gostava tanto de você". Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti... Desabei a chorar, eu que nunca havia pensado na música assim.
E o Pato Fu, meu Deus! Certas letras eu acho bricolagem e fico tentando entender.
Será que é em vão?
De repente o significado está mesmo no vão.
Obvio ou subjetivo demais, o fato é que a arte de escrever e ler, é e sempre será bela, porque nunca se completa por ser o próprio caminho.
Entendeu?

sábado, 24 de janeiro de 2009

As the world falls down...

"toda vez que falta luz
toda vez que algo nos falta
o invisível nos salta aos olhos"


A ponte sobre o Rio Doce caiu.
O teto da igreja caiu.
As últimas mentiras estão caindo.
As maçãs continuarão caindo.
Toda criança cai um dia, enquanto ainda é criança.
Dentes de leite caem todos.
Um dia, os juros caem, caem também os reis.
As leis se manifestam em nossas vidas, as leis e suas gravidades.
Para os justos e os injustos.
E eu, transpondo o sábado, temo por minha saúde que agora quer cair também.
A febre, a dor, a insônia, os planos para o futuro...
Você, meu amor, tem o meu coração inteiro, mas eu sou fogo.
“O fogo ilumina muito por muito pouco tempo.”
Espero que me perdoe quando minhas palavras doces ferirem mais do que as verdades que guardei pra nunca dizer.
Eu me sinto como se a qualquer momento o Darth Vader fosse chegar dizendo que é o meu pai. Ou que o Al Pacino, como o pai do advogado do Diabo (!!).
E então eu teria um gene problemático, não é?
Sempre foi tão mais fácil não ser bom.
Mas eu venho resistindo, amor.
Enquanto eu acreditar em qualquer coisa de luz que houver em mim, em nós, enquanto houver qualquer estrelinha de brinquedo que brilha no escuro.
Eu não sei o que faço com minha vida.
Eu não sei o que vai ser de nós.
Os Engenheiros me dão pistas, assim como David Bowie.
Preciso escovar os dentes para fugir das cáries.
Preciso apagar a luz e acender novas idéias.
Pensar não é preciso.
Viver muito menos.
Amar é cair de certa maneira num precipício.
Bem vindo, domingo, enquanto cai o mundo.
*
"todos os dias eu venho ao mesmo lugar
às vezes fica longe, difícil de encontrar
mas, quando o neon é bom
toda noite é noite de luar"
*

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Baboseiras sem fim de tardias crises existenciais, enquanto na floresta os índios exportam o pau brasil.

Hoje, acho que o principal é o movimento.
As direções são de importância secundária, uma vez que derivam do próprio movimento. Se você não jogar os dados, não saberá quantas casas deve andar. Não saberá se terá que esperar a sua vez ou se terá que retornar ao início.
Eu sei que nossas vidas são muito mais que um jogo, o que não me impede de fazer certas comparações.
Toda teoria sobre a atração, o universo conspirando a nosso favor, depende do movimento. É só um passo que damos e o resto acontece por conseqüência.
E agora que as engrenagens reiniciam seus trabalhos em minha vida, meu coração se aperta. Não era isso o que eu queria o tempo inteiro?!
Eu não posso seguir duas direções ao mesmo tempo. Não sob o meu ponto de vista.
A gente chega numa encruzilhada e encontra uma caixa aberta cheia de alternativas. Podemos escolher apenas uma. A vida às vezes é uma prova fechada!
E é só de fachada que isso não me afeta. Sim, porque seria tudo um pouco mais fácil se cada escolha não implicasse em uma renúncia. Seria tudo mais fácil se existisse um livro de receitas que ensinasse as prioridades. Para mim, por diversas vezes, o prioritário perdeu a importância pelo caminho. Seria uma mentira - se com tudo o que hoje sei - eu dissesse que faria tudo da mesma forma. Uma ova, eu ia fazer muita coisa de uma maneira diferente. Mas sabe, acho que certos erros se repetem.
Eu ainda continuo não sabendo de nada, embora ache que o principal é o movimento!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Muito pouco

De manhã ela toma seu café quente e fresco...

Você quer sim, que eu diga palavras bonitas.
Eu sei o caminho que os seus ouvidos querem fazer.
Mas minha passagem está comprada para outro destino.
Além disso que sou, não há nada melhor que eu possa ser
sem ferir o que quero.
Sem seguir ao contrário, meio contrariada.
A verdade é mais pura dentro do meu território.
Você quer sim, que eu deixe de ler as legendas.
Eu sei exatamente as dificuldades que queremos evitar.
Sei também que nem todo atalho é seguro e mais fácil.
Aprendi com as mais belas histórias, cheias de caçadores e lobos.
Já deu pra perceber que gosto dos desvios e de subir os morros.
Você consegue me ver fora de uma confusão?!
Queria ter novos pensamentos, atrair coisas diferentes.
Mas viver é bem mais do que lei de atração.
É distração de vez em quando.
E uma falta de linearidade.
É uma antítese convivendo pacificamente com todas as teses.
O sopro que apaga as velas deve ser o mesmo que leva de mim
a mais firme certeza.
O absoluto é só um espectro.
Tudo o mais, é arco-íris.
Você diz que eu sei muito sobre tudo.
Tudo o que sei é muito pouco.
E agora?
Onde é que eu vou enfiar todos esses acentos?
Por favor, não me responda.
Certos verbos não têm lirismo nenhum...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Lá, onde o infinito acaba.

Outro ano seguindo rumo ao passado.
Um dia que já não conto, como um copo quase vazio.
O último quadrinho do download que ainda não foi preenchido.
Dia 31 de dezembro.
As inevitáveis perguntas: Quais são seus planos pra 2009?
Bom, pelo menos esta é melhor do que aquela: Qual a cor da calcinha que você vai usar na virada?Ah, gente, pelamordedeus...
Sabe, eu tracei vários objetivos para 2008, mas não havia uma estratégia, apenas um fim. Nessa de ver como é que se chega quando já está no caminho, eu fiz um rebuliço danado. Ás vezes não tem como a gente parar para perguntar como é que chega no destino. A maioria das pessoas está meio perdida também. Tem gente que morre de medo de chegar e fica fazendo paradas desnecessárias. Tem gente que só quer saber de chegar, mas esquece que o caminho também é muito importante.Tem gente que nem caminho tem, como a história do país das maravilhas. Eu hoje sou tudo quanto é tipo de gente, embora saiba exatamente onde quero chegar.
Tenho muito mais a agradecer do que a reclamar, mas confesso, às vezes tudo é uma droga. Desculpe, meu Deus, é que eu sou pequena assim mesmo. Quando o quarto está escuro, a luz parece não existir. Mas eu sei... Eu sei do interruptor.
E eu adoro os fogos de artifício.
Eu uso mil artifícios para ver os sorrisos dos outros.
Adoro sorrisos e risadas.
Não gosto de depressão.
As festas de fim de ano não me deprimem. (Nem ver o meu 13º todo indo embora me deprime)
Outras coisas me deprimem.
Mas muitas coisas estão aí, para significarem algo bom em nossas vidas.
O lixo continua cheio de flores.
Quem sabe ouvir que ouça. Quem tem olhos de ver, que veja.
Agradeço pela companhia de todos você durante o ano.
Conhecer pessoas aqui, foi das melhores coisas do ano.
Desejo imensos jardins, cheios de luzes para nossas vidas.
Que 2009, seja realmente um ano ímpar!!
Que o Amor possa materializar-se em nossos corações, por mais paradoxal que isso seja.
E que tudo mais vá pro inferno...


Michele está cansada, mas está feliz. Esse ano esquisito está no fim.
(foi mal, Thiago...)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Criador de Estrelas

Antes de eu entender que Deus criava as coisas, eu entendi que meu pai as criava.
Ele e sua cabeça-oficina, repleta de invenções.
Eu diria que meu pai é um misto de Professor Pardal, Mac Gyver e o Pedro Malazarte!
Do Professor Pardal ele tem a habilidade para inventar e construir coisas.
Muitos dos nossos brinquedos foram criados por ele, e integraram nosso reino mágico da infância, junto com as histórias de minha mãe. Ele fazia pipas e nos levava ao campo de aviação para solta-las. Na época, morávamos em Guaranésia, pequena cidade no interior de Minas. Eram muitas crianças na rua. Meu pai tinha um Passat Dourado com um grande porta- malas. Dia de soltar pipa, aquele porta-malas ficava cheio de crianças e íamos até o campo de aviação. Uma festa só! Hoje isso é infração de trânsito. Naqueles tempos, isso se chamava Felicidade. Não eram pipas dessas simples, elas eram diferentes, em três dimensões como o 14 Bis. Construía também quebra-cabeças, alguns tão difíceis que ainda hoje não consigo montar! Quando a gente chegava com namorado novo em casa, ele trazia o mais complicado deles todos e dizia: Só namora minha filha se conseguir resolver isso aqui! Teve um namorado que me deixou de lado o domingo inteiro até conseguir montar o quebra - cabeça!!
Papai é o criador de estrelas, de coisas que brilham, de enfeites originais de natal. Nunca tivemso uma árvore normal em casa!!
Do Mac Gyver meu pai tem a arte do improviso e ação não situações mais difíceis.
É o cara que constrói portas quando elas não existem.
É um homem de iniciativa. Sua agilidade faz com que os conflitos tornem-se apenas pequenos obstáculos no caminho, desde uma torneira pingando até um casamento estragado. (To falando do meu, tá?!!)
Nunca ouvi meu pai dizendo: Eu não sei o que fazer agora.
Ele fica em silêncio e de repente é iluminado com a solução.
Do Pedro Malazarte... bom, dele meu pai tem a esperteza e o lado cômico. Meu pai é um moleque eterno. Daqueles que tiram água de pedra, sabe?!!Rsrs!
Ele não é apenas uma mistura de personagens. Ele transcende isso, de uma forma que só ele sabe ser. O cara que me fez gostar de ficção científica, de cinema, do espaço sideral, que com sua câmera sempre nos acompanhou, eternizando os momentos em películas, inclusive, pagando muitos micos com a gente.
Eu tive a felicidade de ter um pai que é amigo, que é presente, que participa.
Um homem incrível!
Ele já poderia estar descansando, aproveitando os benefícios e as limitações que a idade impõe, porém, mesmo velho (ops!) e cansado, ainda continua forte e bravo, resoluto no leme dessa nau dos loucos.
Pai,
Nem todas as peças estão onde queríamos, mas a vida é quebra-cabeça surpreendente. Tudo está no lugar certo e se está, é porque você existe.
Oh, meu velho e indivisível pai,
Eu te amo muito.
Feliz Idade Nova!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ser de Sagitário

Você metade gente e metade cavalo
Durante o fim do ano cruza o planetário
Cavalga elegância
Cabeça em pé de guerra mansa
Nas mãos arco e flecha
Meu coração aguarda e acompanha seu itinerário
Até o fim do ano ser de sagitário
(Péricles Cavalcanti)

Eu queria ter visto sua constelação no observatório, só pra te dizer que consegui visualizar o arqueiro... Mas o céu estava nublado!
*
*
Faz dias que procuro as melhores palavras para fazer um ode à ela...
Por mais que eu queira, não consigo encontra-las, pois a existência dela supera qualquer palavra.
Falo de minha irmã Jeanine. Única que tenho pelo sangue. E uma criatura ímpar.
Um ser humano realmente incrível.
Na verdade, ela é um pouco anjo. Meu anjo da guarda. Não consigo pensar em alguém que ame mais incondicionalmente que ela, assim, sem restrições, sem julgamentos radicais, sem chantagens emocionais.
Ela simplesmente ama. Um amor de atitude.
É a garota da camisa azul escrito: “Vida Rebelde” e tênis All Star de cano longo, cheia de planos e sonhos. É a moça elegante e engraçada, cheia de beleza e garra. É a irmã que mesmo cheia de problemas, se desdobra para amenizar os nossos, que mesmo com dois filhos lindos, dá um jeito de ser nossa mãe também. (Porque o coração de minha mãe não suporta tantos sobressaltos – 5 filhos - então, ele divide a tarefa! Hehehe!)
É a pessoa para quem conto meus mais ocultos segredos, sem medo.
É a pessoa que não perde a graça e o encanto, mesmo quando o céu se cobre de nuvens negras. É a mulher que nas incertezas encontra respostas firmes, que nas tentações escolhe a porta estreita. É a mulher que com suas virtudes torna esse mundo muito melhor. Eu não sei o que seria da minha vida sem você, doce irmã.
Somos tão diferentes na maneira de ser, embora digam que parecemos gêmeas! Quem me dera chegar na sua idade (eu não tô te chamando de velha!) com a juventude toda que você traz no sorriso e no seu jeito de ser. Com a capacidade de se postar diante do mundo, com essa grandeza!
Não importa a forma, se está gorda ou magra, se fosse amarela ou listrada, se fosse baixinha ou gigante. De qualquer forma, você é essencial.
Eu não esqueço das canções de ninar que também cantou para nos embalar,
Não esqueço da musiquinha do banho - joga a água fora, fecha o buraquinho...
Não esqueço que acreditou ate que eu seria uma bailarina (!);
Não esqueço da nossa espera anciosa pela chegada do ônibus "Presidente";
Não esqueço das roupas emprestadas que acabaram se tornando minhas por usucapião!Rsrs
Não esqueço de sua presença em todas as minhas estripulias musicais;
Não esqueço das madrugadas em que me salvava dos apuros nos quais eu me metia;
Não esqueço das filas que já enfrentou por minha causa e nem das causas que resolveu melhor que eu;
Eu não esqueço, doce irmã, porque entre todas as outras coisas inequecíveis, tudo isso integra a minha enorme gratidão por você, a minha admiração por você e a minha felicidade por nascer na mesma família que a sua.
Sem ter as palavras certas, faço uso das clichês, a pequena frase de muitas palavras por dentro:
Amo você demais da conta!
Quero acima de tudo, dias de ventura pra sua vida! Feliz Aniversário!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Alegria, alegria


Permesso.
Todo mundo tem um dia de porre. Hoje é o meu.
Um porre, um dia que bebi inteiro no copo, misturando elementos incompatíveis, desde a vontade matinal de dormir por mais meia hora (que mais cinco minutos era na época do colégio), passando pelo combate animal para ter razão, até a dor de cabeça causada por problemas intermináveis e por pessoas más. Nossa, como tem gente mau caráter no mundo. Pessoas que querem tirar proveito de qualquer situação, procurando brechas para destilarem venenos, procurando maneiras acrobáticas para fugirem de toda responsabilidade e se possível, até transferirem a terceiros. Por outro lado, como tem gente boa também, gente fina, elegante e sincera com habilidade pra dizer mais sim do que não. Gente que consegue transformar um momento maldito numa benção, pessoas que nos fazem enxergar flores nascendo na imperfeição e que com isso engrandecem a nossa existência e perfumam tudo ao redor.
Mas eu estou longe de todas as pessoas agora. Sou um deserto cheio de palavras. Sou um universo na praia deserta e fria. Chove. Meus pés descalços na areia molhada conseguem manter o equilíbrio do resto do meu corpo e nem sabem o porquê. Agora sou apenas eu e o mar. Não há barulho da velha impressora matricial em uma sinfonia infame, não há chamadas de telefone, não há ringtones, nem carros, nem buzinas, nem ordens, reclamações ou explicações, não há choro, nem velas, não há o som dos teclados nem a campanhinha, não há carros de publicidade nem apregoamento de partes, não há o “barulhinho de aeroporto” da senha (finalmente) no visor do Banco, não há declarações de amor e nem de guerra. Apenas há ressaca. Apenas a ressaca. Capitu tinha olhos de ressaca. Olhos que tragavam.
O mar nos traga e por dento pedimos que algo nos traga a luz, mesmo que inundada.
As palavras, estas não se diluem, pelo contrário, se solidificam e criam vida e forma. Parece que romperam uma represa e voam partindo o ar, e querem me ferir e querem me curar. A frase inesperada e tão clichê... “Amo você”... Eu queria ouvir, porém, não tinha intenção de dizer, nem de sentir. Eu desejei que o amor fosse sexualmente transmissível, mas o sexo só transmite doenças... Embora se morra mais de amor do que de sífilis. O amor em formato mínimo... O grande amor que vence a morte. Amor, ramos, Roma e romã, tudo no meu copo. Orientações tributárias, desperdício, e-mails, a fome das três da tarde, o café pequeno, a saudade, tudo no meu copo. As baratas, a cidade alagada, o céu cheio de estrelas acima das nuvens que choram, seus olhos que mudam de cor como camaleões, tudo no meu copo. Minha armadilha e meus descuidos, todos os papéis sobre a mesa, contratos e tratados, o cinema cancelado, as contas pra pagar, a poesia da 3º Ponte, tudo no meu copo. Entorno. Já estou ébria. Quando a onda vem (mais quente do que eu esperava) espumante e sem fúria, a vida perde o sentido. Por um instante todas as coisas não têm sentido nenhum, nenhum, nenhum... É um instante de absoluto silêncio onde o nada existe. Então a onda retorna ao mar e tudo volta ao real, como uma coisa só, com um completo, absurdo e quase insuportável sentido que vem e sempre volta, como a náusea, como os carrosséis, como os nossos erros.Neste momento, perante o mar, eu rio.Nesse meu sorriso cabe o mundo inteiro, baby...
*
*
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não?
(Caetano Veloso - ALegria, Alegria)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Paródia!

Pense naquela musiquinha do Roberto Carlos que a Adriana Calcanhoto canta,
"Por isso Corro Demais." Então, pensou? Agora é só ler o post pensando na melodia dela!!Hehehe
*
Oferecimento: Chocolates Cacau Total!!!
Você come, não dá espinha e nem vai te fazer mal!
*****
POR ISSO CORRO DEMAIS, UAI!
Meu bem, a cada instante em que eu começo a pensar
aumenta a vontade que eu tenho de postar
então eu corro demais
corro demais
corro demais
só pra escrever

E você ainda me pede, fala que não é assim
Diz que o texto tá grande e que precisa de um fim
então eu sofro demais
corro demais
sofro demais
só pra escrever...

Se você de vez em quando vem aqui pra comentar
Eu fico mais disposta para um post imaginar
Esqueço até de tudo, não vejo o tempo passar
Mas se chega a hora em que começo a trabalhar
Corro pra depressa, o meu texto publicar
Então, eu corro demais,
sofro demais
Corro demais só pra escrever
Meu bem!

****

Gente, paz pra todo mundo, muita luz para quando estiver escuro e não esqueçam de levar o casaco ao sair! E as sombrinhas e guarda-chuvas! Sopro de Eves!

sábado, 15 de novembro de 2008

Inquietude

Já não consigo conservar a mesma forma
Sou matéria em constante alteração de estado.
Meu RG é o mesmo, mas muitos números mudam.
Tantos já mudaram...
Novamente as formigas de fogo atormentam minha acomodação.
Incomodam.
Mudo de roupa, mudo o cabelo, o layout do blog...
Só não faço o que é preciso.
E seria preciso parar.
Parar para continuar seguindo.
(A gente sempre pára para ajeitar as sacolas!)
A Avenida é silenciosa em dia de feriado.
Meu coração faz barulho, pedindo para que eu pule no precipício.
Mas que tolo, eu não vou pular!
Ele tá achando que é o Rei da cocada preta?!
Rs. Ele é que não sabe que minha república já foi proclamada há muito tempo.
Antes da sístole ou da diástole.
Bem antes do lançamento do MP9 e do sorvete de açaí com calda de banana.
Eu não gosto de açaí.
Eu sou uma caneta bic antiga, daquela gordinha, azul e branca, com quatro cores.
Eu sou alguém que precisa sair daqui pra fazer algo que tenha sentido.
Pra variar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Enfim...

Eu não sei como foi acontecer.
A tentação foi maior e mesmo sabendo dos riscos eu segui em frente com ela.
Ela se apodera de mim de uma forma tão intensa, que quem me olha, enxerga quase que apenas ela.
Não foi porque eu permitisse. Na verdade eu não a queria.
Preferia que ela nunca tivesse surgido em minha vida.
Pôxa, logo agora?!
Tem até quem diz que já passou do tempo de isso acontecer comigo.
Não sei se é exagero, mas talvez precise procurar um especialista que me oriente como lidar com o antes, o durante e o depois dela.
Ela cresce a cada dia dentro de mim, à minha revelia.
Não há como oculta-la.
Não existe artifício para que ninguém saiba que ela está comigo.
Eu quis expulsa-la a força de dentro de mim, mas dói.
Tentei métodos menos ortodoxos, mas ainda sim, dói.
Não sei se o tempo pode cuidar disso melhor do que eu.
Temo que depois que ela se for, fique marcas em mim.
Confesso, no entanto, que não sentirei saudades. De nada.
Sentirei apenas, como de fato sinto, um amargo arrependimento por ter ousado tocá-la.
Bem que minha mãe dizia que quem não bole em espinha nunca vai se dar mal!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um caleidoscópio

Como cada célula que compõe a pérola
Eu, você e nós
somos um no verso
Preciosos elos ligando histórias
Teceremos fios de luz
Para um colar brilhante

Como a partícula ou um por um dos átomos
Eu, você e nós,
somos universos
Preciosos selos findando capítulos
Nós seremos raios de luz
Para reinventar os inícios

Se acaso a sombra invadir
A sua casa e dividir
Cores e palavras, sonhos e sorrisos
Quando o vento espalhar
Frases sem explicação
Redes e retalhos, tardes sem sentido

Eu, você e nós
Seremos o inverso
Para iluminar o instante

Pedacinho meu
Aonde você vai?
Claros jogos de espelhos
Rotação e mutação
Esperando o tempo remover as cicatrizes
Esperando encontrar no pote o arco-íris

Fragmentos mil
Soltos pelo ar
Lâminas e cortes, cola,
Amor e sol nascente
A vida vem de formas diferentes
Com o dom que lhe é próprio
Oferecer as peças para você montar
O seu caleidoscópio
*
*
*
Eu, que sou meio analfabyte, não consegui colocar a musiquinha em La menor pra tocar aqui. Foi inspirada numa frase de Maria Carla no post Fragmentos da Karen, Flor do nosso jardim.
Me fez pensar sobre a utilidade dos cacos e escombros.
Tudo está em tudo e tudo é reconstrução.
O mundo não é inerte. É sombra, luz e mutação.
Eis a beleza da vida.
Que cada um saiba montar o seu caleidoscópio!
Sopro de Eves!

Michele


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Estamos trabalhando nas frestas do tempo,
tentando mudar o mundo sem os moinhos de vento.
Deixando que as coisas fiquem
diferentes do que foram antes
Com exceção das bolinhas vermelhas
e da manada de elefantes!
Você está no sBLOGonoff!
Welcome

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

MASSA PODRE

Das empadas, prefiro aquelas feitas com a tal massa podre. Parece que a denominação provem do excesso de óleo que faz com que a massa se desmanche facilmente. Nome inconveniente, mas a massa é gostosa. Eu sempre comi, mas nunca havia procurado saber de onde vinha o nome. A gente não se importa e também não se pergunta muito sobre a origem das coisas e seus efeitos. Se é gostoso, consumimos. O pior, mesmo quando sabemos que não é saudável, raramente evitamos certas coisas. A Coca-Cola por exemplo, a gente sabe que ela desentope pias, desenferruja as coisas, faz mal para o estômago, derrete os ossos, entre outras coisas, mas qual de nós deixou de tomar Coca-Cola por saber disso? Levante a mão!!!Bom, o fato é que o conhecimento do mal não afasta o mal necessariamente, porque o mal é bom às vezes e o bem cruel, que o diga a tigresa! Tem gente que se compraz no sofrimento por achar que mais adiante a dor vai passar. Eu mesmo continuo tomando Coca-Cola, mesmo sabendo de seus danos e sei que muita gente sabe e toma. Quem é que liga realmente? Como é que tanta gente inteligente usa drogas e danifica o cérebro, mesmo sabendo dos efeitos malignos do vício. Quanta menininha fica grávida, mesmo sabendo da prevenção. Quanta gente contrai HIV por negligência? Isso sem falar das árvores que caem, dos carros que a gente continua lavando com mangueira, da TV que a gente assiste com a luz da sala apagada...Pois é, não é tão fácil tirar o espinho mesmo sabendo que ele nos causa dor. Existem os masoquistas inconscientes e existe também a consciência da própria burrice que persiste em não mudar. São nossas escolhas. Entre a dor e a delícia de sermos o que somos e vivermos o que vivemos, a vida passa.
Um dia a gente aprende!!!
Ou não.
.
Control+c/control+v de mim mesma. E os cabelos? Quanta diferença...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Parênteses

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
(A Seta e o Alvo - Paulinho Moska)

É um dia comum, como tantos que vivemos.
Aterrissei minha espaçonave no telhado desse café, e mesmo que um desmoronamento possa ocorrer, fico aqui, sem medo, esperando o tempo fazer algum efeito em meus sentidos no agora.
Não vai cair. Estou sob a proteção dos deuses de Eves.
A propósito, Eves é um planeta que surgiu na cabeça do meu irmão, Jônatas.
Jônatas era um cara enigmático, aliás, é um cara enigmático. Tinha um amigo invisível (não acredito que era imaginário), o Vico. O Vico vinha do planeta Eves. Vico de Eves!
O Vico viveu entre nós. Comia, dormia e brincava entre nós. Eu sempre respeitei sua presença, embora nunca o tivesse visto. Um dia ou outro, a gente sentava em cima do Vico, então o Jônatas socorria. Para facilitar, foi destinada uma cadeira especial para ele, na mesa de jantar. Foi assim até o dia em que ele disse que teria que ir embora em sua nave. Minha mãe fez uma festa de despedida, com bolo e brigadeiro!
Convidamos alguns amiguinhos e ninguém entendeu nada do porquê daquela festa na garagem! Ninguém via o Vico.
Isso faz uns 20 anos...
Então, um dia em 2005, sonhei com um menino azul, desses de seis braços, como Shiva. Era uma época mais ou menos conturbada de minha vida. Esse menino do sonho tinha uma flauta transversal. Vê, que idéia?!
O fato foi que ele soprou meu rosto e o vento balançou meu corpo inteiro.
Ele me disse que era o Vico, nosso amigo de infância. Disse que aquela era uma mensagem de Eves para mim e que as coisas ficariam bem. E como mágica, nos dias subseqüentes, as coisas realmente ficaram bem.
Não lembro direito do rosto do menino do sonho, mas lembro que foi assim.
Desde então comecei a emanar Sopros de Eves pro mundo. Um sonho pode ser apenas um sonho, mas um desejo é muita coisa. Quando digo "Sopro de Eves", imprimo ali o desejo de que ele surta o efeito levemente mágico que teve para mim.
E quando desejo, é menos automático do que quando digo apenas "abraços" nos finais.
Bom, a explicação era para ser apenas um parêntese, todavia, parênteses às vezes se estendem, transformando-se em períodos autônomos.
Eu por exemplo, era para ser outra coisa, mas abri parênteses existenciais e acabei saindo da rota. Hoje, encostada aqui no balcão desse boteco, sou apenas fração de tudo o que poderia ter sido.
Quantas vezes conseguimos manter o plano original?
E se o alvo na certa não te espera?
Por falar nisso, ele reclamou que "Corria todos os riscos e eu deixando a porta se fechar. Queria saber a verdade e que eu me preocupo em não me machucar.” É claro que eu preocupo em não me machucar. Vocês também não se preocupam não? Até quem se arrisca e segue, pensa em não se machucar.
Foi por isso que me prometi não mais amar.
Acontece, meus caros, que promessas como esta, resultam em nada, porque o coração zomba das promessas!
E certos parênteses zombam das frases!
.
.
Não era disso que eu queria falar...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Embora aqui seja quente


Ah, Josephine, você me instiga!
Continuo afirmando que as coisas são perfeitas.
Entretanto, é preciso flutuar pra ver tudo isso. É preciso entender que toda causa tem efeito e que esta é a lei que rege o universo e que o torna harmônico. Nisto consiste a perfeição.
Eu nunca quis dizer para ninguém se contentar com tudo do jeito que está. Melhore as causas que os efeitos melhoram, ué! Simples. (Deveria ser).
Eu só quis dizer : Não se desespere, não se entregue. Isso aqui funciona sim!
O mundo é tão maior que nós...
Eu já te falei isso.
Porque perfeição em formato mínimo, Josephine, só nos flocos de neve.
Oh you look so beautiful tonight...
(City of bliding ligths)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Josephine, todas as coisas são perfeitas

Existirá - Em todo porto tremulará a velha bandeira da vida
Acenderá todo farol - Iluminará uma ponta de esperança
E se virá, será quando menos se esperar, de onde ninguém imagina
Demolirá toda certeza vã
Não sobrará pedra sobre pedra

Não é porque o dia amanheceu chuvoso que o sol não continue brilhando ali por cima.
A toupeira viu o cometa pela poça lamacenta, se lembra?
Até a poeira sobre os móveis tem razão de ser. Ela não estaria ali se você limpasse.
Tudo, tudo Josephine, está de acordo com as leis gerais. Não percebe a engrenagem da desordem?
Não se preocupe, o perfume não deixará de existir, nem os abraços, nem os sorrisos. O prazer segue ao lado da dor. O mundo não está perdido.
Todos os dias cérebros são arrebatados, ou com revólveres, ou com informações ou com entorpecentes. A dor de dente, a fome, e a pizza de enchovas, o parque de diversões, o circo malacafento de cinco reais, o Circo do Sol de trezentos reais, os elefantes e os macacos em extinção, todas essas coisas continuarão existindo juntas. Coexistir.
Você acha que guardarão seus segredos para sempre, Josephine?
A função de um segredo é se revelar como um botão de rosas.
Mesmo os seus.
O planeta agora é uma grande bola pulsante, pronta para explodir.
Caso isso aconteça, você vai explodir junto, assim como eu, como eles e todos os outros pronomes. Cada um de nossos átomos (ainda acentuados como as curvas da estrada de Santos!) percorreria todos os anos luz que nos separaram da verdade por todos esses anos e reconstruiríamos, partícula por partícula, uma nova galáxia.
De que cor ela seria?
Por isso não se afobe agora. A pulsação pode permanecer por décadas, como se você caminhasse sobre um campo minado e mesmo assim, seria possível ter paz, sobretudo na grande explosão.
Porque todas as coisas são perfeitas, Josephine.



Enquanto isso, não nos custa insistir na questão do desejo.
Não deixar se extinguir. Desafiando de vez a noção

na qual se crê que o inferno é aqui.
Existirá - E toda raça então experimentará para todo mal a cura.
(A Cura - Lulu Santos)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eu ia deletar o post abaixo. Ia deixar uma televisão desligada no lugar, mas resolvi apenas seguir. Por mais que eu queira um botão de “reset”, só é possível o “play”!
Descobri que não existem reinícios, mas sim continuações. E até que sou bem aventurada! Se eu abrir os olhos, verei com certeza os anjos ao meu redor. Todas as luzes! Olhem só, os comentários ao post abaixo!! Eles me fizeram chorar sim, mas foi diferente do que desejei hoje pela tarde. Vocês, mesmo distantes foram necessários. Sou grata a todos.
Seria muito bom se fosse possível apertar o start e começar do zero (que redundante, né?!), como no vídeo game.
Só que isso aqui é mais que um jogo.
Jogos acabam com o "Game Over".
A vida não.
Que bom!
Vila Velha, 15 de outubro de 2008.

Hoje é mais um dia quente, porém, aqui dentro desta sala, meus músculos doem perto do frio artificial do ar condicionado.
A rua parece outro mundo.
Os dias passaram, mas a angústia não passou. E o pior de tudo é que não tenho a quem recorrer, a não ser eu mesma. O grande problema, é que não sei necessariamente como me ajudar, como não me tornar uma kami Kase agora e acabar prejudicando outras vidas.
Detesto ficar triste e confesso que acho que deve haver algo muito anormal em alguém que está constantemente triste. Não é assim que é pra viver. Gente é pra brilhar.
Eu tenho aqui vários sentimentos, mas ainda não sentei para encarar nenhum.
Hoje eu queria escrever sobre a emoção que senti ao saber que o filho do meu irmão caçula já habita o planeta pelo lado de fora. Meu sobrinho Yan! De qualquer forma, eu queria que ele sentisse que embora o mundo seja um lugar muito perigoso, é também cheio de belezas que podemos tocar e de belezas que apenas nosso coração pode ver.
E quero muito que ele seja um homem de bem a mais por aqui. Que ele seja bem vindo.
Eu sei sobre nossa imperfeição. Às vezes tenho a impressão de que vivo num baile de máscaras. Só que eu penso que se esta é a forma das coisas, é preciso viver conforme esta realidade. Não vale a pena apedrejar a realidade e muito menos negá-la.
O impulso pelo bem é latente.
Ah, eu já nem sei do que estou falando.
Só sei dessa vontade incrível de chorar.
Sem colo.