segunda-feira, 21 de maio de 2012

E O QUE É ESTAR EM PAZ?

Disparou corrida quando percebeu o estouro da boiada...
Qualquer um sabe que em campo aberto, em condições assim, as chances de sobreviver são de 33,3% mais um milagre. (Reze 1/3.)
Todavia, como a qualquer um ocorre, ele correu.
Pelas leis da natureza, pela conservação de si.
O milagre é sempre relevante. O improvável acontecendo, não raro, é um fator a se considerar.
Antes, somos sempre os aventureiros contando com a boa sorte, mesmo que a crença na força das estrelas sobre nossos destinos seja mais desbotada que a  marca d`água de uma nota nova de cinquenta reais.
Desbravamos sertões e veredas, matas e mortes de pensamentos e sensações, muitas vezes tão dispersos, deslocados, avulsos e eventuais.
Quantos amores fora do contexto já decidimos cultivar e que por completa rebeldia preencheram todas as páginas seguintes do livro, modificando o curso da história? Que história irreconhecível e tão familiar nos revela esse livro?
Um livro que deveria ser escrito com outras mãos, com outras palavras, com linhas todas ajustadas, nos montes de Vênus e Saturno, completas e intensas, nascendo na base dos dedos e morrendo no punho como ondas na areia.
Antes, somos os poetas tentando compor versos de rimas preciosas, inundados de dolo, tecendo estrofes com a força e velocidade de uma bala de fuzil. Todos, por trás das linhas tortas, nas trincheiras entre linhas, queremos penetrar corações e fazer o sangue verter, escorrer lacrimoso e denso pelas escadas, pelas ruas e pelo abdômen. Sem domínios, sem curso definido, sem intenção de conquistas, mas já se apossando do lugar, delimitando com rastro encarnado seus hectares.
Antes, somos os pedreiros da reforma, quebrando as paredes e transformando a arquitetura dos espaços, aqueles que acidentalmente destroem o jardim com tinta, cimento e pegadas.
A paz será o que existe antes de provocarmos o susto no gado ou o que existe quando os 33,3%, o improvável e o milagre nos deixam em lugar seguro, respirando aliviados enquanto o coração se acalma?
*
*
* Estrelinhas para Luís Kiari

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ

Tem um GPS no meu celular.
E minha cabeça abriga tantas dúvidas que daqui a pouco haverá revolução, guerra civil, luta pelo espaço cerebral, sentimental.
Quem ocupa mais memória ran dentro de mim? Minha saudade se mede em gigas, teras ou em metros cúbicos? Eu te amo daqui até a mais distante cratera da lua. Estou com saudades daqui até o planetóide longínquo da galáxia de Andrômeda, indo de burro e com dor de dente. É longe!
Você sabe quantos continentes há dentro de cada um de nós? Seremos a réplica da Terra? Um replicante contra Blade Runner?
Em vão a gente tenta encontrar um dispositivo, uma calculadora interna que nos forneça o número exato que resolva nossas ações e inequações.
Como o computador do primeiro volume do Mochileiro das Galáxias, cuja resposta para o segredo da vida, do universo e tudo o mais era 42. Simples assim! Esperamos milênios pela grande resposta e no final é 42. O que faremos com esses números?
Eu venho de longe, estou cansada, agitada, ferida, estou alegre, eufórica, estou triste, eu amo, odeio e minto, eu reconheço meus erros, eu emito desculpas, eu omito alguns fatos, eu escancaro as misérias.
Eu magoei e perdoei. Eu sofro e suplico, eu peço anestesias, eu peço pro sangue correr, fluir, eu me apaixono, eu devoro e sou ruminada. Tenho manias. Meu quarto é uma desordem, mas não suporto o quadro torto na parede, ou o tapete de entrada fora de esquadro.
Eu entendo os homicidas e os portadores de transtornos mentais, eu me assusto com o excesso de sensatez. Eu faço canções e ouço canções. Tenho orgasmos lendo Guimarães Rosa, e talvez seja tão estranha a ponto de gostar mais de uma frase bem feita do que de sexo.
Fico feliz quando vou à sorveteria, Eu erro caminhos. Dou referências bizarras, como "Esse lugar fica em frente a uma caçamba da Codesel e sempre tem uns meninos jogando peladinha no meio da rua.” Meu banco de dados é cheio de pastas a renomear e sempre trava pedindo login.
E tenho um aplicativo que diz: "Você quis dizer." Meu programa é muito mais complexo do que qualquer circuito japonês e desafia os milhões de números combinados que geram declarações de amor e de guerra, ou apenas vocativos comuns pra chamar atenção ou dar bom dia.
Mas meu cérebro pode ser reprogramado. Existem diversas correntes que defendem a mudança de minhas atitudes com uma simples troca na maneira de pensar. E enquanto penso, eu digo: I have feelings, como o Data do Jornada, como A Super Vick, como o menininho de AI, como o homem bicentenário do Robin Wilians, como tantos outros robôs que almejaram a nossa humanidade, enquanto eu muitas vezes desejei ter entrada USB!! E não façam piadas infames com isso! Mas até pra isso seria legal: Me passa um filho por bluetooth? Vamos compartilhar nossas vidas, nosso colchão e nossos arquivos?
Ainda não fiz o download de todas as informações que eu gostaria de ter e que tornariam nossa vida mais prática. E mesmo que eu seja a mais inexata medida de mim mesma, sem simetria e ordem, sem sistemas binários ou solares, eu preciso provar que não sou um robô e digitar caracteres aleatórios para meu comentário ser aprovado em uma página virtual.
É claro que eu não sou um robô! Olha pra mim.
Se eu fosse, já teria me programado para tudo que ainda não consigo fazer e faria mecanicamente tudo o que me custa esforço, suor e noites revirando na cama.
Mas... Tudo bem!
Quero que minhas palavras demasiadamente humanas sejam sentidas, por isso vou digitar os caracteres numa sequência de letras sem sentido e torcer para que não produzam efeito devastador e provoquem pane no sistema.
Gosto da sensação de esperar ser lida na serenidade da página enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo. (S.P!)



domingo, 1 de abril de 2012

TERCEIRO ATO

Nós poderíamos velejar em mar tranquilo
sem que os ventos soprassem o medo contra nosso rosto
E tudo estaria bem
Nós poderíamos passear pelas gôndolas de Veneza
Sem que o tempo imputasse culpa em nossos autos
E tudo estaria bem
Nós poderíamos conhecer a lua
Sem que o espaço dilatasse a distância entre as naves
E tudo estaria bem
Mas nós estacionamos desperdiçando a órbita
e não sabemos exatamente onde está o problema, se há realmente um problema ou se temos apenas fatos.
Rezamos pra tudo ficar bem enquanto a noite vai,
enquanto vêm os dias, as madrugadas
Enquanto o passeio mais longo é descer e subir a escada e ainda assim se cansar.
Existe uma rota e um verso, uma linha de costura e de chegada
Meus sentimentos cabem numa cartela de comprimido
Cuja combinação com a água movimenta a escala Richter
sem causar desconforto com a possibilidade da tragédia
Coisas pequenas tendem a crescer e nem sempre tudo fica bem como se espera
A gente desaprende a repartir e a continuar seguindo acrescido de tudo o que nos falta, de toda luz que é farta enquanto a miopia dança valsa em nossa olhar
Aquelas coisas muito parecidas com o amor
nos acenam e oferecem cartas, alforrias e abrigos
Porque nós decidimos parar aqui nesse lugar sem placa ou sinalização?
O que pode crescer, brotar, vicejar nesse lugar
a não ser a ânsia, a flor da náusea?
Quais são os perigos que corremos enquanto estamos paralisados?
O céu inteiro brilha a palavra permitir
e guarda lugares mágicos para onde podemos ir
quando tudo isso passar, quando o passado parar de latejar
sanguíneo e nervoso como o efeito de uma martelada no polegar.
Se eu não entender nada até o final da estrofe
será que o mundo vai fazer mais sentido do que aquelas setas
que há quilômetros apontaram para lá?
Por algum motivo trilhamos o inverso com a bolsa repleta de estrelas-guia,
alimento para as horas perdidas, para a ausência de rotas e de certezas.
Se acaso nós descobrirmos que erramos o caminho de propósito
e como prêmio de consolação recebemos um pôr do sol magnífico,
beijos guardados na palma da mão, pipoca e aconchego de edredom,
será que teríamos novamente o propósito de errar?
O relógio anuncia o xeque-mate
Não vou me dar por vencida
Não perdi, nos perdemos
Nós perdemos, olha aí...
Mas se eu souber que você está comigo
Mesmo que a noite caia
Que raios partam de lá para nossa estratosfera
que os crimes continuem movendo jornais
e o preço do dólar ascenda como elevadores,
Se eu sentir que você está comigo
Mesmo que os presidentes renunciem e proclamem monarquias
Que a fome assalte os reinos rendendo glutões e famintos
Que meu time perca os jogos , que as divas percam o timbre
lesando as cordas vocais
Se você está comigo
Apesar dos pesares da Terra,
Das contas vencidas
E das crises mundiais
Apesar do esforço que faço pra ficar aqui também
Sob a mira do campo inimigo
Se eu souber que você é comigo
Sei que tudo vai ficar bem.

terça-feira, 20 de março de 2012

REIS


Não se fere um rei a ferro e fogo
Eu não desejaria ao fogo, à febre um rei
Seja cangaceira a carta à Espanha
Seja d'ouro a cana, o canto servo, a lei

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Não se cala um canto, uma discórdia
A língua que separa a prece
Ilude o mesmo Deus

Não se foge ao mar a procurar relíquias
Sujeitando a mata a recriar o caos

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Dizimando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu

Da mortalha a peixeira que usei
Cada prece iludida que preguei
Desbravando o meu peito sem fronteira
Agora eu sei

Consumando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu
*
*
*
*
O ERRO É MEU.

*
a música, da Maria Gadú...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lamas no Everest, Belo Horizonte no meu coração

Amo o céu cobalto.
O céu cobalto pinta de outras cores meu íntimo, diferente dos dias quentes (reclamando pra variar), que lançam chamas, incendeiam e de herança deixam a fumaça, a fuligem e a dificuldade de respirar, de esfriar a cabeça, de dormir abraçado em conchinha, de enfrentar filas, de oferecer amor em troca de cada pisão no dedo inflamado.
O cobalto me torna um pouco mais paciente,assim como minhas doenças.
Piada estranha, né?
De perto pouca coisa é normal!
Sou mineira de Pará de Minas.
Pará de Minas, Luas da Terra...
Em dias de chuva, Sete Lagoas parece a lua. Enche de crateras e de vez em quando vemos emergir o monstro lunar.
Em Guaranésia, sul de minas, havia a mulher do cemitério. E o mais belo por do sol com cheiro de café daquela região.
Em Vila Velha há a terceira etapa, o terceiro sexo, a terceira ponte. Parte dela. A outra, parte sobre o mar rumo a Vix. É o trânsito flutuante mágico. Cariacica tem caranguejos e a Avenida Expedito Garcia, flor da manhã, padaria e movimento. E tem a Rua Jerusalém, um pedaço de Minas com polenta capixaba!
Viana tem o passado a limpo, uma amoreira e cheiro de perfume.
Domingos Martins tem uma pedra no meio do caminho, com um lagarto paralítico que brilha úmido quando há sol depois da chuva.
Marechal Floriano tem o aconchego da serra, do frio, dos lagos e cavalos.
Araçaí tem um portal, argila de moldar o pensamento, pequi e casos de assombração. No cerrado, os dragões bafejam, mas a noite os asserena.
Serenô, eu caio, eu caio...
Eu caio em Belo Horizonte.Capital afrancesada, província iluminada cheia de ruas e carros. Nunca vi uma cidade tão pichada quanto BH. Os pichadores de lá são os mais aventureiros de todos. Pense num lugar improvável e verá spray borrifado formando letras e códigos. Garatuja urbana, maltraçadas linhas antropológicas da cosmopolita e caipira cidade. Seus encantos me fizeram sempre andar no interior, perifericamente distante, como se o sol não delimitasse meu horizonte ali.
Eu percebia sim que mesmo brincando de roda, girava ao redor de BH enquanto minhas águas convergiam praquele ponto e eu não pudesse conter o fluxo.
Contive, mostrei que meus braços ficam fortes quando remo contra a maré.
Então o tempo passa e a força aumenta o poder dos gentílicos.
Somos arrastados junto com todas as outras cidades para o interior da capital, sem pecado, sem estado civil, sem outras fronteiras a não ser as placas dos motéis, dos um milhão de motéis que precedem BH, com volúpia, açúcar, afeto e promoções de pernoite. Com certezas derretidas como queijo na pizza e com a dúvida se o amor mata mais do que as DSTs!
Tapetes vermelhos se estendem para desfiles nem tão elegantes assim de jovens com sonhos universitários de proclamarem a república para o resto de suas vidas e depois se transformarem na plebe agonizante e feliz cantando acappela todos os hinos de massa! Reis e rainhas sem trono, assim como eu, rainha de estrelas que já deixaram de existir, embora a sua luz ainda visível insinue outros castelos.
Tanto chão pra andar.. O céu, a terra e as pessoas... Você pode me estranhar, mas eu prefiro as Sete Lagoas.O mundo é uma bola só, onde a gente desvaria e voa. Você pode até estranhar, mas tem sentido ser sete lagoas.
Radicalmente!
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Se eu não fosse analfabyte, postava a música "Três Coroas" dos The Darma Lovers. Vã, vc se habilita?

sábado, 10 de março de 2012

A força que faz a flor nascer

Eu deveria oferecer a minha cara a tapa, assumir as culpas, os erros e os jardins que abandonei.
Assumir a poeira que se formou, a crosta de sujeira sobre todas as promessas, a ferrugem do sorriso e o desgaste das amizades por pura negligência, púrpuras chuvas que não fizeram março fechar nenhum verão.
Será que alguém vê mesmo alguma coisa? O sol nas bancas de revista, me enchem de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia???
Eu não leio. Eu não vou assumir. eu não vou enfrentar.
Os erros, a poeira, as traças e a ferrugem são causas naturais, aconteceriam mesmo que eu fosse contorcionista e me esticasse até a última fibra gritar.
A gente vai até onde dá e se possível mais um pouquinho pra ver se o passo se adapta ao andar do mundo.
Mas o mundo voa.
É quase desleal.
Mas é justo.
Esse mundo é cheio de justiça e flores.
Eu faço minhas orações e procuro não morder as maçãs.
Mas sabem, adoro maçãs.
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Não sobrará mais que o leito de um rio...
Enquanto o homem não acorda, idiota, nem nota
Se enforca com a corda da própria tensão....


Estrelinhas pra Caetano, Maria Gadú, Dani Black e pra Eva.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rir, o breve verbo rir

O sertão ensolarado é um imenso portal.
Quem conhece os ares, o solo, os pássaros, os rios e os segredos do sertão, consegue sentir quando a natureza se agita e aquece por dentro e por fora do ser.
O portal é passagem de energias e outras matérias.
É por lá que o sol entra sobre cavalos, rente à vegetação rasteira, entre arbustos e histórias permeadas de mistérios, lendas e interrogações.
Na história de cada um, longas veredas.
Não sei há quanto tempo caminho.
O suor que escorre no rosto, chega ao chão e continua infinitamente, deixando um rastro que edifica cidades inteiras, algumas sumersas, outras, ocultas nas dimensões invisíveis à nossa risível ignorância.
De longe, o berrante do boiadeiro fantasma consegue me atordoar.
Sigo silente sobre os pastos o sob um céu intenso, azul de cegar.
As almas que perambulam comigo não possuem corpos, mas possuem histórias e casos, dívidas e nomes.
Curioso, mas não consigo entender o que é a solidão, embora tenha nascido só, embora faça só a passagem para o reino da morte, embora colha sozinha o que com minhas mãos semeei.
Não lembro de ter sido abordada pela solidão nesta estrada.
Lembro dos dias tristes, dos percalços, das dúvidas, das noites frias, no entanto, guardo em mim a lembrança de outras presenças nos momentos mais graves da luta, nos abraços reconfortantes e nas palavras luminosas que impulsionavam meu avanço.
Nem sempre estive atenta aos sinais da vida, às codificações da natureza, entretanto, sempre acreditei que era possível avançar, construir, garimpar pequenas felicidades, mesmo me sentindo em vários momentos uma peça à parte, avulsa entre tantas outras. A única bala verde em um saquinho de balas coloridas.
No horizonte, o sol se despede vibrante e a noite nascente herda o calor, o vapor e a procura das aves (que voam em bando) por um lugar mais seguro.
Lá no longe percebo a curva que me conduzirá ao meu destino.
Esboço desânimo e cansaço e no momento em que intento reclamar, o ar se movimenta e sopra meu corpo. É o vento!
De onde ele vem? Onde está seu início? Será que vem pro meu alívio ou sou obstáculo em sua passagem?
Faço cessar as questões. Sempre chega a hora em que não é importante perguntar nada.
Não raro, esta é a mesma hora em que as respostas chegam e nos preenchem, fazem com que tudo ganhe sentido extraordinário. As vistas notam o que antes era imperceptível, e a realidade revela outras cores, outros tons, verdades desconhecidas.É uma breve epifania!
Nesse instante, tudo é perfeito. Do átomo ao arcanjo.
Vivencio o instante magnífico, onde o ser se expande até para os lados que não existem.
Importa apenas o que sinto, esse infinito dançando em mim.
Eu rio!(E seus afluentes)
Preciso seguir enquanto o vento vai embora e voltam acelaradas as coisas comuns.
Atrás de mim, um oceano de ocasos.
Estrelas querem despontar...
*
*
Grata a Guimarães Rosa por irrigar essas veredas.
Grata a quem inventou a bala goma, vulgo, jujuba.
Grata a quem criou o filtro solar (conselho bom nesses tempos!)
Gratidão aos ventos de alívio!
*
*
Rir, breve verbo rir, lido ao contrário forma a mesma frase. (Palíndromo)
Mão e contra-mão!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Solo tu amor



Os raios de sol dissolvem meu pensamento em mais de cem sentidos.
Eu procuro a resposta da vida perto de cada ventilador.
É estranho como um hidrotônico me traz mais alegria do que a cara terapia de verão.
Trocamos palavras sem intenção de matar.
Esperamos com aflição cada reposta eletrônica ou não.
Desejamos ardentemente a resposta criada por nós mesmos, antes de perguntar.
O sangue segue fervendo, a esperança se funde aos ossos do corpo e passa a fazer parte de toda sentença.
O chocolate derrete na bolsa e se espalha no forro interno. Agora é como se a carteira, as chaves, os papés amarelos dos cupons fiscais e a bolsinha do celular fossem feitos da mesma matéria.
Em certos momentos o suor parece justificar toda a intolerância e a irritação que deixamos manifestar.
Será que as justificativas cicatrizam as feridas que abrimos com protocolos e solicitações deferidas? (...)
Será que o sol é culpado por não haver camada de ozônio suficiente que nos proteja?
Será que por ser mega-hiper-ultra violeta, essas flores do supermercado nos trarão a luz?
Haverá um parto normal? Uma maiêutica sem lágrimas? Indolor?
Será que há garantias para nós?
Cada movimento do sol sobre você
Cada móvel velho e cada anoitecer...

Da me tu amor
Solo tu amor

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

QUE O NOSSO AMOR SE DECLARE MUITO MAIOR E NÃO PARE EM NÓS

Pensando bem, sou um tipo de kami kase, meio sádica, que protela a vida para que o último minuto assegure a sanidade e ordem necessárias.
Até lá, é todo esse suor, essa aflição, esses minutos que se sucedem sem perdão diante dos meus olhos e mesmo à minha própria revelia.
Na contagem regressiva, forço uma solução inexata demais para as necessidades do mundo.
Todos olham para mim com os sfincteres contraídos, cheios de fórmulas e prazos, e eu devolvo a agonia travestida em remendo.
Remendo para esse falta que sobra na lógica.
Remendo para todos os compromissos inadiáveis.
Remendo para essas soluções temporárias que ao se prorrogarem periodicamente, se estendem ad eterno, encontrando o próprio rabo na segunda volta.
A pilha de poeira, protocolos, passado e lixo se formou com minha tácita permissão e vejo, com certo espanto, que ela possui um sistema de auto alimentação.
O sol faz com que tudo isso pareça mais intenso do que a verdade sugere.
O sol fumegante das 19:00h. O sol que adentra a noite e seca as roupas , mesmo aquelas urgencias que se resolviam atrás da geladeira.
O mesmo sol, a mesma Terra. A diferença entre o possível e o desejo. Entre a licitude e a conveniência.
Nós poderímos simplesmente dar as mãos e criar um mundo, fazer coisas novas, pintar o cabelo, mudar o nome, o endereço, a ficha genética, a cor da íris, a árvores genealógicas, a ordem dos fatos...
Poderíamos mudar a letra e alterar as linhas de nossas impressões digitais.
Quem sabe?
Todavia, isso não parece possível aqui.
Aqui é uma enorme boca cheia de realidade e movimentos precisos e contínuos.
É preciso estar aqui.
Ficar aqui e agir.
Aqui.
É preciso apertar o botão, oferecer virgens ao sacrifício, ostentar o chicote com o qual espantamos o leão.
Acho graça! E acredito que muitos se espantariam ao saber que as virgens ensaiam para um sarau bem no meu quarto. E o leão é meu bicho de proteção.
Quem tiver coragem, se aproxima. Quem ousar, afaga.
E o botão, ah, o mundo hoje é cheio de botões!!
Teria que resolver primeiro a equação que me confirmasse que aquele que acredito ser, seja realmente o certo.
Pois com a tensão em que estou, sou capaz de explodir o mundo, baby, acionando dispositivos errados.
É por isso que em todos os casos devoro lentamente, mas com ânsia e gosto esse pote de Nutella.
Porque a vida precisa ser doce.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Stultifera Navi

Então o vento lá dentro da serra,
onde apenas havia o barulho insensato
das coisas sem nome
começou a bater (a bater, a bater)
a bater rataplã (rataplã, rataplã)
no tambor da manhã.

Quando todos decidimos embarcar, cada qual ao seu turno, havia um pacto anterior.
No momento em que eu cheguei, o mar estava revolto, mas eu não tinha consiência sequer da gravidade da luta.
E da turbulência do mar.
Mas sob os amparos e cuidados da grande mãe, o medo acabou e pudemos navegar em águas mais calmas.
Após, o quebra cabeças insano da vida apresentou novas sequências e sempre havia um encaixe, mesmo no improvável.
Porque ele conhecia o segredo de cada peça e ela sabia o motivo e a finalidade dos quadros formados.
Encontramos perfeição nas linhas tortas.
E sabíámos que só era possível se fosse completo.
Fomos nômades, errantes em cada lugar e por isso mesmo tão necessitados de outros crepúsculos.
Pregamos nossas bandeiras no chão de vários terras, conscientes do sangue cigano que nunca foi filtrado de cada fio de veia, de qualquer artéria, arte bem feita, carente de interpretação.
Seguimos à margem de mil convenções, fração imprópria de cada conjunto.
Mas à margem, inserimos no contexto o jeito ímpar que eles conquistaram e nos deixaram por herança.
Superando as dificuldades com leveza e criatividade.
Sustentando o peso das dívidas e dúvidas como equilibristas e sabendo da incrível possibilidade de percorrer a corda apenas com o conhecimento da fé.
Hoje, no cais, cada um possui o própio bote e outros roteiros de viagens. Era esse o fim, a finalidade.
Vejo navios partindo com mar agitado, vejo outros em construção, vejo navios atracados em baixa maré.
Dentro de mim, apenas o desejo de soltar as âncoras de quem vai, de escolher ficar em terra firme ou embarcar num desconhecido oceano e ainda assim estar em uníssono, mesmo distante, mesmo sendo uma peça não muito importante no esquema atual.
E guardo também o sentimento inabalável de que o amor que não se ensina nem se aprende está em nós, vibrando, quase que transmitido por osmose, vindo dele e dela.
Sendo ele e ela, somos todos irmãos.

***

À minha família.
Inpirada pelo Otávio.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PORQUE É

SEU ANIVERSÁRIO!!

O SBLOGONOFF COMEMORA,
MESMO NO RUSH,
PORQUE O AMOR QUE VOCÊ ESPALHOU
NO CICLO QUE SE ENCERRA
MERECE SER CELEBRADO!!!
MERECE SER DESTINATÁRIO
DOS MELHORES DESEJOS!
PARA QUE SUA JORNADA TENHA
FELICIDADE POR COLHEITA!!

PARABÉNS, PEQUENA!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Grandes Esperanças

Acabei descobrindo que o mundo apenas acontece quando nos mexemos também.
Como já cansei de dizer por aqui, TUDO É MOVIMENTO!
Sem movimento, não há cheque-mate gelado!
Rotação, translação...
O tempo não pára.
Só corre.
Socorre.
Algumas circunstâncias nos adotam, mas a minunciosa análise me leva a crer que demos causa mesmo ao inesperado, ao surpreendente, à tudo aquilo que aparentemente não escolhemos viver.
Nuns dias chove, noutros dias bate sol.
Quente.
Quente.
É verão, bom sinal, já é tempo de voar.
Devemos agora prezar o período que passamos em nossas crisálidas.
Devemos voar.
Em jardins, em pântanos,em avenidas ou rodovias.
Devemos voar.
Se eu precisasse descrever com apenas uma palavra o que foi 2010, diria: APRENDIZADO.
Foi um ano de muito aprendizado, escolhas, superações, venturas e aventuras.
E foi o ano que mais revi meus conceitos, meus pré-conceitos.
Flexibilidade!
Eu sou aprendiz!!!
Mas espero que 2011 seja um ano de aplicação!
Já é hora de praticar tudo o que aprendemos com a razão e com o coração.
Não falei de natal (mais por falta de tempo que de texto!) e nem vou desejar coisas felizes de control-c, control-v.
Mas é claro que espero.
Tenho grandes esperanças!
Espero que vocês provoquem a inércia dos pensamentos, das opiniões que não mudam, de toda rigidez e todo o medo paralisante.
Shake, shake, shake!!
Pra vida acontecer.
Pra felicidade acontecer.

Porque 2011 será um ano ímpar!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viajantes


Venha, pequena estrela
Nós não temos nada a temer!
Esse caminho que percorremos nos fez fortes.
As cicatrizes do nosso corpo, da nossa alma, são capítulos vivos de um livro sagrado.
Dê-me a mão, porque até aqui nós podemos caminhar juntos.
Adentrar o arco-íris, adentrar os corações, avançar um pouco mais rumo a essas verdades que não cabem nos olhos.
Vamos deixar que o amor se expanda, pequena estrela.
Você me pergunta porque fomos criados.
Fomos criados para amar daqui até o infinito.
Estivemos na poeira dos planetas, na composição dos astros, estivemos nas montanhas, nos oceanos, nas florestas...
Estivemos nas cavernas, nos pântanos, nos paraísos...
Somos únicos, mas consubstanciados somos todos um só.
Viemos das mesmas mãos e temos o mesmo destino.
Você possui o segredo do universo contido em cada partícula, pequena estrela.
Sua proteção e seu amparo.
Tudo em você.
Não tema.
No conjunto perfeito, não importa o seu tamanho e nem os calendários.
Cada mistério que desvendar, eliminará um obstáculo no caminho e então será mais livre e mais integral.
Você integra o meu mundo e eu lhe entrego o meu amor.
E nisso consiste a magia, em saber que a vontade e o conhecimento podem nos mover a a grandes distâncias e transformar a matéria bruta em preciosidades.
Pequena estrela, tudo o que você foi colabora para o que você é.
E o que você é agora, é a única coisa que importa.
Você só precisa brilhar.
Cumprir seu destino e brilhar.
Porque é assim que Deus se revela!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um lapso...

Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.


(sempre o Drumond - Sentimento do Mundo)

*

Eu apenas sei que preciso seguir.
Digo aos outros para irem avante, movimento meus músculos, verto suor e sangue para que todos possam sorrir e ver beleza em qualquer dia.
Então, chegam os dias de chuva e tempestade e sabemos no fundo que cada um suportará como puder.
E eu sei que não é raro eu querer simplesmente me entregar e parar de tentar ser o que pareço não ser.
Isso tudo o que nós construímos nos custou tanto esforço tanto tempo, tanto dinheiro e lágrimas que dói olhar para trás e ver que só demos um passo. Um pequeno passo.
Quero me libertar dessa sensação que me faz crer que estamos dando voltas.
O céu é tão imenso...
Não faço idéia do que seja o infinito.
Não imagino porque fomos criados.
Eu apenas sei que preciso seguir.
Como um instinto, como uma necessidade.
Como destino.
O relógio não perdoa nossas paradas.
Minhas células mudam, estrelas nascem e morrem no universo,
estou perto de mais um aniversário, de mais outro natal.
Continuo com medo da morte (da minha, dos meus), dos meus fantasmas e de finais tristes.
Talvez por isso eu esteja sempre apertando o reset, reiniciando o jogo perto do meio, perto do fim...
É assim quando estou no meio do jogo e tenho apenas uma vida.
Quais são as possibilidades de vencer quando estamos nessa condição?
Será que posso me tornar mais hábil e contra todas as possibilidades chegar à última fase e vencer o vilão que me dificultou o jogo o tempo inteiro?
Será que não vou sucumbir quando uma força quase magnética me puxar para o outro lado, arranhando minha alma com unhas afiadas?
Eu acordo em silêncio. Queria sorrir, queria suportar as verdades, queria ter força e boa vontade.E sinceramente, não queria colo.
Em alguma hora eu entrei pela porta errada.
Em algum lugar eu desviei.
De onde estou, vejo o oásis, vejo as luzes, ouço vozes familiares, mas não sei como chegar lá.
É como se estivessem numa outra dimensão.
Tão distante, embora rente a mim...
De repente é preciso saber a palavra mágica que vá abrir esse portal.
Mas não existe mágica.
Existe vontade.
Existem labirintos.
Existem leis.
Eu existo.
E esse é o meu maior enigma.
Eu apenas sei que preciso seguir.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estou bem.

Não havia como negar.
A dor que sentiam não ia cessar agora.
Foram enviados para aquele planeta por haverem se rebelado contra a ordem vigente e por terem destruído patrimônios morais tão sagrados ao povo daquele valoroso planeta que orbitava no cosmos.
Comparado ao que já possuíram, o planeta presente não era tão belo. Nem era tão fácil viver na escassez de qualquer tecnologia.
Muitos mal se lembravam de como era antes, mas traziam no fundo do peito uma saudade lancinante de tudo o que deixaram para trás. Quando olhavam as estrelas, não era raro rolarem lágrimas.
Muitos deles não suportavam o degredo, e sucumbiam em mais revoltas, em fugas inúteis, em associações apocalípticas, disseminando o caos e a discórdia por onde passavam.
Todavia, outros usavam os conhecimentos que haviam adquirido ao longo do tempo para melhorarem as condições e precariedades do lugar. Avançavam enquanto podiam, no limite de suas forças, como bem aconselhou o líder deles, anos antes.
E assim construíram novas civilizações.
De tempos em tempos, uma enorme espaçonave pousava na superfície do pequeno planeta e abria suas portas. Todos aqueles que adquiriram por seus próprios esforços o ingresso, penetravam a nave e desapareciam entre clarões intensos que vinham do seu interior. O curioso era que em uma nave tão grande as portas fossem mínimas, de modo que era possível a passagem de apenas um de cada vez.
A conquista pelo ingresso na nave era pessoal. Por mais que o amor e o zelo de uns pelos outros fosse capaz de até descer ao inferno, não havia como um comprar a passagem para o outro.
Naquele dia, ela soube que subiria. Havia merecido o ingresso para a nave.
Sentiu extrema felicidade.
Foi correndo contar aos seus, na esperança de que todos fossem juntos.
A mãe e o pai foram embora nos anos anteriores para lhes prepararem o caminho.
Eles, os irmãos, ficaram ali a mercê deles mesmos, sob o amparo e proteção do bondoso e consolador governante do planeta.
Chegando em casa, sem se conter, empurrou a porta e abraçou feliz todos os irmãos.
A não ser um que estava amuado em um canto da sala.
Quando soube que ele não ia, ela quis ficar.
Foram dias de sofrimento e desespero antes da nave aterrissar.
Ela não tinha condições de ficar ali. Poderia voltar, num futuro, mas por ora, era imprescindível sua partida.
Depois de se acalmar, decidiu que iria, mas que voltaria, caso ele demorasse demais a ir também.
Disseram a ela que estavam ali pela iniqüidade de seus corações e que deveriam conquistar com o suor e esforço próprios o direito de retornar à pátria celeste. Informaram que uma pessoa pode iluminar a outra por algum tempo, mas que era necessário que todos ativassem a própria luz para se credenciarem à viagem na grande nave. Por isso a porta era tão pequena. A passagem era apenas de um.

Ela entendeu de repente a solidão que sentia às vezes. Seu progresso, assim como suas quedas, eram de sua inteira responsabilidade. Responsabilidade pessoal e intransferível.
Finalmente, no grande dia, ela entrou na nave que sumiu no infinito.

Algum tempo depois de sua ascensão, em seu paradisíaco planeta de origem, recebeu a todos os amigos que haviam ficado para trás e regressavam agora. Abraçou a todos com grande alegria e procurou em vão pelo irmão na multidão.

Ele ainda virá, disseram-lhe.

Seu coração se apertou. Olhou para o céu e pensou nele com amor.
Alguém então toca seu ombro e lhe entrega uma carta resumidíssima, semelhante a um telegrama:

Estou bem.

Ass:James.

Quis chorar, entretanto resolveu confiar que ele ainda estaria ali entre a família. Confiar que ele um dia mereceria regressar.
(...)
*
Estamos aqui e precisamos uns dos outros para progredir, para desenvolvermos nossos sentimentos e melhorarmos nossas atitudes, no entanto, cabe a nós mesmos acendermos a luz que iluminará o resto do nosso destino e que nos fará encontrar o caminho de volta pra casa.
*
*
Este texto é uma sinopse do romance imaginário: “Lavouras” de Michele Edwirges, baseado na obra “Os exilados da Capela” de Edgard Armond.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Se você puder...

Vamos nos sentar aqui e conversar como se estivéssemos nos conhecendo.
Vamos reinventar o encantamento dos encontros, a surpresa dos inícios, a conquista de cada frase. Conversemos agora sem o peso das tardes, das luas, dos erros.
Deixemos que tudo seja novidade. Façamos com que cada sorriso revele outras luzes e outros mundos.
Vamos ignorar que agora é tarde.
Permita que eu pergunte o seu nome, a cor que você mais gosta, sua música favorita. Deixa eu saber dos livros que já leu, dos filmes que ficou de assistir, de suas viagens mais marcantes.
Deixa eu lhe contar minha história triste, dizer como sou lenta e reticente, cantar um chocolate pro futuro, perguntar o número do seu telefone e prometer ligar depois.
Vamos pedir outra garrafa, outra porção e esquecer que a madrugada vai chegar.
Vou falar dos meus sobrinhos, de como são meus pais, meus irmãos, das manias que tenho e de como gosto do Balão Mágico.
Vou te ouvir revelando detalhes que nunca disse a ninguém. Vamos rir das bobagens e trocadilhos, vamos arquear a sobrancelha a cada afinidade descoberta.
Vamos compartilhar nossas dores, nossos arquivos, vamos recomendar filmes e livros, vamos deixar que a vida seja leve, que o passe seja livre.
Nem que seja pra condensar todo o percurso em um minuto.
Vamos fazer de conta que não há dor nem cicatriz, que não houve perdas, partidas, despedidas nem crepúsculo.
Vamos fazer de conta que ninguém ficou desapontado, que nenhuma lágrima rolou, nem e-mails desencaminhados. Vamos fingir que temos um papel em branco e muitos lápis de cor, são mil possibilidades e nenhum mal entendido.
Vem, puxa a cadeira e senta aí, como se estivéssemos nos conhecendo.
Porque agora apenas estamos aqui com essas xícaras de sol.
O resto do mundo é pra depois.

Ouvindo”These Things That I've Done” dos Killers.

All these things that I've done
(Time, truth, and hearts)
If you can hold on
If you can hold on





quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MAMUTE MUITO, COMO AS FLORES MAMAM, laralaralaralara la la la...



Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e e de entender estrelas.
(Bee Lacteo) ou Bilac

É preciso cavar buracos para plantar certas sementes.
(Sobre a dor.)
Criança, isso não é implicância com você! É mais uma exortação!
Dor haverá por tudo quanto é parte.
Nem sempre é necessária, mas quando vem, pode ser benéfica sim.
E... Macacos banguelas me mordam, se adianta a gente se entregar ao pântano escuro e fétido.
Rá!
Você vai sempre dizer que entende, que já sabe. Vai recitar pra mim tim tim por tim tim a minha antologia otimista, e vai caçoar dela. Vai me flechar, mesmo sem querer, com doses realistas de algodão doce. Alguns de seus dardos vão me ferir. Vai sangrar.Você vai chutar o balde quando o céu escurecer e as estrelas sumirem. Vai achar que problema nenhum tem solução. Vai fazer uma piadinha infame só pra disfarçar, pra fingir que não se importa tanto. E vai achar que é piada quando a vida aparecer sorrindo.
Você diz que sabe e que não vê sentido nisso tudo. Mas só vê sentido quem aprende com o coração. Sois mestre em Israel e não sabeis dessas coisas? Que mal há em acreditar? O que o pessimismo produz? O que a desistência produziu até hoje senão derrotados? Me cita um exemplo só, que me calo, que deixo de falar que sobre toda nuvem negra brilha forte o sol.
Certas defesas humanas são tolas, pois nos afastam da vitória.
Vencer ou não vencer é relativo demais. Pode ser que uma derrota seja seu maior ganho e isso vai muito além do que brincar de Polyanna, de ver o lado bom só pra ignorar que o que é podre na Dinamarca fede pra caramba cá nos trópicos. Precisamos saber discernir o que é otimismo do que é alienação. O otimismo é dinâmico. Não era pra ser tão difícil. Acontece que somos aranhas fiadeiras tecendo malhas na vida, entortando as linhas e dando um jeito de falar que elas foram escritas por Deus, pela Vida, pelo Sereno... Se erramos, se sofremos, se as coisas doem, é porque estamos na batalha.
Todo mundo tem o direito de ficar triste. Ninguém é de ferro por aqui. Certas coisas nos levam a nocaute sim. Mas e aí? E depois? Vou ficar de bode pra sempre? Por causa do nocaute (que aparentemente a vida me deu?!)
Ninguém perdeu definitivamente. Culpar a vida ou as divindades é como pegar a mulher (ou o marido) transando com o amante (ou a amante) no sofá e jogar o sofá fora!! "Pronto. Resolvido o problema. Joguei fora o sofá!!! "
O coração precisa estar atento ao foco, senão fica míope.
Coração com problema de vista é muito mais sério que o glaucoma da minha avó que já morreu.
Então, se é assim, viva os trouxas!!!!! Viva você que se arriscou, que pagou pra ver!
Viva você que acreditou, que deixou a flor roxa nascer!
Qual o problema?
Pior pra quem não amou. (pior pra mim)
Melhor que ter no peito um solo árido, cheio de tuaregs e camelos. (Apesar de ter gosto pra tudo).
Melhor assim do que ser apenas espectador da própria vida.
Protagonistas sofrem, mas é mais provável que o final feliz esteja destinado a eles, e não aos figurantes.
Ser trouxa é não ser bruxo, segundo o Harry Poter (!!!). Mas é também deixar o orgulho morrer por dentro, massacrado por uma manada de auto-perdão. Ser trouxa é deixar a vaidade se transformar numa fumaça que vai fazer você tossir, seus olhos verterão lágrimas, mas ela logo vai desaparecer no ar.
É deixar a coragem virar adubo para um imenso jardim de flores roxas.
E que a primavera seja bem vinda!
*
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MORUS NIGRA (Epsódio I)



Ele estava ocupadíssimo, metido em dezenas de livros e jurisprudências, afim de encontrar a “brecha panacéia” que solucionaria todos os casos aparentemente insolúveis.
Ela chega ofegante. Senta no sofá solo. Levanta, pega um café, senta-se novamente e diz:
- Cara, to com febre.
Ele levanta a cabeça, a observa por sobre os óculos por uns momentos e continua por sua busca em silêncio.
Ela termina o café, levanta, vai até a mesa onde ele está, abre um livro, folheia sem ler nada, volta ao sofá, esparrama-se e diz outra coisa:
- O problema de depilar tudo, absolutamente tudo, é que o xixi sai como um esguicho e escorre pela perna. Ai, que ódio que me dá. Quero matar alguém.
Ele pára, tira os óculos e a fita. Incrédulo:
- Tu te tornas completamente inimputável, já que és louca e reativa.
Dentro dela, todas as exclamações e interrogações se unem no centro do pulmão, fundem-se, e são expelidas para o exterior em forma de hã de top model. Assim: Hã?!!!!!?
Ele simplesmente volta aos livros.
Ela simplesmente continua conversando, sem perguntar de novo, sem tentar entender o que ele disse. Levanta.
- Esse creme hidratante de cereja é uma delícia.
Dizendo, quase esfrega o braço no nariz dele.
- Sente? Não é? Vontade de comer o meu braço.
- Porque você está tão visceral hoje? Assim, querendo matar, querendo se comer?
- Meu Deus, homem? O que é visceral? E aquela coisa que me xingou... putável... Estou aqui, “indo pro meu lugar calmo”, como aprendi no desenho. Respirando, e você só me ofende. Qual é?
Ele movimenta os lábios. Algo que parece um sorriso. Vai até a estante, pega um volume imenso, volta pra mesa, passa por ela e continua à procura do santo graal.
Ela olha pra ele com piedade. Aproxima. Faz menção, mas não fecha o livro que ele pesquisa.
- Urbano, estou doente. O médico disse que vou morrer.

*

*

(continua em qualquer dia desses)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

de macadâmia


Porque o mundo tem dessas coisas das quais não podemos fugir.
E essas coisas são capazes de sangrar seu companheiro de guerra, por dolo ou acidentalmente.
Ainda sim, precisarão verificar se em sua culpa há imprudência, negligência ou imperícia.
Talvez não se possa ser feliz impunemente.
Talvez seja preciso oferecer virgens ao sacrifício para que a maioria seja beneficiada.
Mas pode ser que todas essas dificuldades sejam apenas nossa falta de jeito de lidar com a vida e suas voltas, seus zigues-zagues e seus zagueiros cansados do jogo e do empate.
No final, com noves fora, vai restar apenas o que fomos capazes de amar.
Material para reconstruir.
E quando você perceber que houve mortes e que foi você quem atirou, quando você perceber que seu mundo só não está melhor por causa das coisas que deixou de fazer, quando você fizer verter lágrimas dos olhos de quem ama, haverá pouco consolo no mundo.
E isso vai acontecer, meus amigos.
Porque somos um monte de filosofias incompletas carregando uma caixinha de interrogações.
Porque somos desajeitados para amar, para oferecer amor e para receber amor dos outros.
Mas uns, mais que outros, precisam estar totalmente sóbrios para passar por tudo, pelo fogo e pela água.
Uns, mais que os outros, querem ter controle em momentos de decisões importantes e em momentos de sofrer ou se beneficiar pelas conseqüências.
Uns, mais que os outros, não podem lançar mão de portas de escape artificiais.
É importante afirmar, no entanto, que mesmo para esses sóbrios por convicção, haverá soluções emergenciais que tornarão suportável todo conflito e todo o peso da alegria.
Para esses outros, existe Häagen-Dazs de macadâmia, cujo nome não faz sentido em nenhuma língua, mas cuja essência aflora seus outros sentidos na primeira colher.
Sua origem não possui glamour, como a nossa vida nos bastidores, mas seu sabor é capaz de nos consolar até onde dói mais, anestesiando a chaga e derretendo a lágrima que já é líquida com a suavidade de uma nuvem em dias claros. Por um segundo, seu interior é meditação, mesmo sem um jazz para acompanhar. Mesmo no completo silêncio da sua sala.
Porque para os caretas, a vida é sempre mais áspera, já que evitamos as fugas.
Porque para os caretas, tudo se mostra como é, sem o frágil véu que não permite às vistas lidarem com as verdades e com a dor.
Porque aos caretas é necessária uma dose a mais de coragem para enfrentar a própria culpa ou o golpe inimigo e ela não será oferecida pelo senhor Johnny Walker ou Jack Daniels. Nem por nenhum senhor semelhante.
Porque nenhum deles podem fazer por mim o que Häagen-Dazs faz.
*
*
Faço parte do mundo proletário, onde tantas vezes nos privamos de certos prazeres por considerá-los superfluos os caros demais. Mas não acredito que o alento, o alívio, a anestesia sejam gratuitos mesmo...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIDAR

É sem a pretensão de querer parecer mais forte que admito: é difícil lidar com as escolhas.
Não sei dizer se é mais difícil decidir do que suportar as consequências.
Algumas escolhas nos trazem alívio.
Outras, saudade.
E a saudade, como eu já disse por aqui,possui efeito mágico, capaz de revogar todos os incidentes e fazer da lembrança uma morada confortável.
Ainda há aquelas escolhas das quais nos arrependemos.
Pode ser que seja possível voltar atrás.
Pode ser que seja imprescindível seguir.
Lidar com o que há depois é a arte do desapego ao que era antes.
Mesmo que o antes não parecesse tão brilhante como o antes que é agora.
Uma sensação temporal de relatividade.
Sensação que sobe como lava até a garganta e se transforma em um nó.
Lembro que quando era criança, enviei uma carta para o programa da Xuxa.
Toda manhã, eu, meu irmão mais novo e meu cobertor vermelho, ficávamos lá esperando ela sortear a nossa carta.
E quando ela lia um outro nome, subia em nós essa lava, uma frustração infantil que ia passar.
Criança sabe lidar bem com essas coisas.
Um dia a Xuxa pegou nossa carta!
Mas esperávamos que ela, não o carteiro de roupa amarela, azul e boné, viesse entregar o brinquedo.
Não importa, nós crescemos de qualquer maneira e passamos a deixar de esperar pela Xuxa e pelos disco voadores.
Pela estrada afora nós continuamos esperando outras coisas, buscando,sonhando, conquistando e aprendendo, recuperando e desistindo.
Não sei quantas vezes nós tivemos certeza absoluta do que fazíamos
E sei que perdemos tesouros pelo caminho.
Como aprendizes, não se pode esperar de nós atitudes tão mais sábias.
Não se pode esperar que alguém acerte os números da mega-sena em todo jogo, embora a gente saiba que quem não joga não vai esperar ganhar ou perder. Vai apenas passar.
O que precisamos ter é a consciência de que seja qual for a nossa escolha, é preciso lidar com elas, porque não vai adiantar fingir que não há consequencia, perdas, ganhos e expectativa de arco-íris depois da chuva.
A vida é assim.
Uai!
O importante é apesar dos pesares conservar o sorriso da lida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PRA NÃO DEIXAR ESFRIAR

Um pouco mais sobre o post abaixo. Um pouco mais sobre nós...

Hoje ao acordar, pensei duas vezes se ia tomar banho.
São dias frios esses.
O café esfria sobre a mesa em segundos.
Mas eu não esquento a cabeça.
Meu coração ta aquecido e pulsa.
A própria vida desfibrila quando a morte aparenta aparecer e fazer parar seu coração.
E depois do choque existe mais vida.
Mas se não houver VONTADE, andaremos sobre o deserto.
As noites no deserto são frias, mesmo assim, são tantas estrelas visíveis no céu...
No final, a felicidade acaba sendo escolha própria, conquista dos bravos.
E vai depender da natureza da felicidade que se quer.
Efusividade? Vulcões? Festa?
Ou paz, calmaria, certezas efêmeras, assistir filme a dois, abraçados...
Em alguns dias fica difícil acreditar, mas ter a paz como salário recompensa nosso esforço, nossa luta contra a desistência.
E nos redime de nossas ações mais infelizes contra o belo e contra o justo que supomos não existir.
Eu acredito. Não porque minha fé seja grande, mas porque vejo, porque toco, porque sei que é palpável a bondade humana.
Porque sei que a luz faz diferença demais quando ta escuro e ninguém te ouve.
Até os afogados têm lanternas!!
Mesmo uma lanterninha de celular, ou o display, já resolve quando a energia acaba.
Como as estrelas do deserto, que falei a pouco.
Como quando seu sobrinho vem correndo da esquina pra te abraçar.
Pequenos fragmentos de luz.
Normal, a gente se perde, a gente perde a fé e perde junto tantas coisas pelo caminho. Algumas a gente perde e nem percebe, e no futuro sente falta e nem sabe do que.
Tudo bem mesmo se colocamos o dedo em riste, se esperneamos, ou se conservamos uma resignação cética perante o mal do planeta.
É normal você chorar, se sentir confusa, sentir que o Sr.urso polar raivoso está urrando dentro de você. Se até a semente sofre para romper a terra e nascer, então é bom sinal esse incômodo. Tá ótimo.
Mas será tudo péssimo se for assim pra sempre. Porque o importante é o movimento, são as transformações.
O mundo te abraça, mesmo que seus braços estejam rente ao corpo.
Mas quando você abraça a vida, você envolve um mundo inteiro perto do seu coração e deixa um rastro luminoso por onde passar.
Então, me explica, pra que deixar o café esfriar, porque deixar o amor esfriar, se ele vale e pena e nos faz tão bem?
Porque deixar a sombra do medo ocultar as belezas da simplicidade?
Porque teimar em seguir contra a corrente?
Se vai doer de todo jeito, melhor que a dor valha a pena, melhor que ela nos ensine e nos liberte da escuridão.
Ne não?
Nosso caminho é como o Buzz Ligth Year (!!!!) disse: Ao infinito e além!!!
As crianças sabem disso.
Acho que não perdemos por tentar.

***

Meu espelho, meu anel,
Diga agora o que virá?
Arco-íris de papel
Onde o ouro deve estar?
Quero aprender pra saber
Quando a estrela faz sinal
É uma bola de cristal?
Ou é você que quer me dizer
Que gosta de brilhar,
Solto no céu, favo de mel,
Tão doce de provar, tão fácil de gostar!!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Da amarga planta

Às vezes dá a impressão de que nós falhamos como seres humanos,
De que Deus falhou como ser supremo de infinita bondade e justiça.
De que o conceito de evolução permite retrocessos.
No entanto, se analisarmos a história do mundo, se pensarmos bem em tudo o que acontece ao nosso redor, acabaremos por perceber que são apenas impressões, geradas por um pensamento rápido, baseado no senso comum, isento de críticas.
O mundo está bem.
Olha como eram as ruas de Roma.
Olha como a França era suja e promíscua.
Olha como os bárbaros comiam!!
Olha como era no início, na colonização do Brasil.
Olha o direito penal, como ficou mais humano.
Olha o fim da escravidão.
Olha os julgamentos feitos através do devido processo legal.
Olha nosso direito ao voto, à democracia, por mais imaturos que sejamos.
Olha a higiene como melhorou.
Hoje tem banheiro, band-aid, absorvente, desodorante, pílula anticoncepcional, travesseiro, edredon.
Olha só, temos edredons!
Como alguém diz que o progresso anda de ré?!?????
O noticiário às vezes nos espanta. Casos como o do goleiro Bruno atraem a atenção da mídia e a ira da turba que mal sabe que o mal está em cada gesto bom que deixamos de fazer.
Sujos querendo justiça feita aos mal lavados.
Se a justiça fosse feita, daquela olho por olho, dente por dente, o mundo estaria perdido.
Seria uma prisão, cheia de aspirantes a redenção.
Mas a lei que nos rege é outra, uma lei que permite que a dor ensine e revele novos caminhos.
Da amarga planta extrai-se a mais salutar substância.
O boldo resolve problemas digestivos.
O soro antiofídico é tirado do próprio veneno da cobra.
Não há criminoso que não contenha algo que brilhe por dentro.
Não há catástrofe que não venha redimir o mundo de alguma forma.
Como diz meu chefe, depois que descobriram que cocô vira esterco, nada mais se perde no mundo!!
E sendo um pouco mais rebuscada na intenção, quando há amor em nossos olhos, em nossos corações, o mundo não parecerá pior do que já foi.
Estamos na Highway da evolução.
Para o Alto e Avante!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SOMETHING

A rodovia era a mesma a não ser por um pequeno desvio perto da entrada da cidade.
Há poucos minutos a vida esteve por um fio, um deslize, uma distração, um movimento errado no volante, visibilidade distorcida pela lágrima caída...
Ela era tão dramática, adorava chorar acelerando.
Demorava pra tomar as decisões, mas quando tomava era porque a quota de certeza era maior do que a parcela nebulosa da dúvida.
Então, se estava certa, porque aquela sensação de perda, de soco no estômago?
Cadê a serenidade das decisões?
Cadê a calmaria da coisa certa?
Ah... Pensava em como a vida era inexata.
Nunca achou que João Gilberto, o chato de galochas era melhor que o silêncio.
Para aquele momento, Luan Santana, o chatinho de botas cairia melhor. Depois o resto da play list sertaneja que ela um dia teve certeza que nunca ouviria.
Mas era tão claro o motivo do sucesso daqueles artistas. Eles simplesmente falavam. Não rebuscavam sentimentos com palavras bonitas ou com metáforas preciosas. Eles falavam. Eles expunham o coração pulsando, sob os efeitos do vento, do olhar do mundo. Não tinha que ser bonito, tinha apenas que tocar quem ouviria. E a despeito de tudo o que gostava e respeitava, de tudo o que prezava e admirava, a rodovia para ela era uma faixa contínua de altas doses de vozes populares. E eles tinham razão.
Até que por descuido na seleção, eles param para dar passagem à guitarra de George Harrison. E Something veio como uma flecha com ponta envenenada.
Sentiu vontade de voltar e mudar seu destino. Teve ímpetos de andar mais centenas de quilômetros pra dizer que estava errada
Mas o retorno demorou tempo suficiente para a música acabar e ela mudar de idéia.
Então o refrão bobinho de Maria Cecília e Rodolfo soou como uma água fria no rosto.
É preciso acreditar no tempo, na natureza que não amadurece os frutos de um dia para o outro.
Acreditar que tudo se ajeitaria, mesmo que as renúncias doessem.
Acreditar que por mais difícil que fosse, era melhor pagar adiantado do que a prestação e com juros.
Acreditar que de alguma forma o amor vai nos encontrar preparados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sol nas bancas de revista

Alguns dias eu acordo com desejo de ser alquimista e transformar a matéria.
Manipular as forças imutáveis até reverter a substância em outra mais possível.
Mas eu sou só uma mulher comum nas ruas dessa cidade.
A modelo da capa é um desrespeito à falta de estética do meu corpo.
A cobertura da torta, apostilas de concurso, a mais nova melhor banda dos últimos tempos, sorrisos de sucessos teens, pornografia, palavras cruzadas e entretenimento infantil,nada disso responde o que preciso saber.
Quem é que eu sou entre tantas letras?
Eu queria lhe entregar sua melhor visão, revelar novos mistérios por trás dos seus olhos até que a menina do meio comece a dançar em transe.
Mas como eu disse, sou uma mulher comum, de peso e estatura comuns, de nariz e pensamentos comuns, de trabalho comum, de escolhas comuns.
Os jornais não dizem nada a meu respeito, mas a notícia que quero ler vem de outros meios, cada vez que atualizo o e-mail.
Pareço me contradizer a cada frase, mas eu sei que em toda curva me reservo o direito de colisões.
Freio.
Espirro.
O ar é recurso natural renovável?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais fácil apedrejar pôneis em baile...

É por bobagem que às vezes caímos nas malhas da incompreensão e deixamos que algumas valiosas conquistas se percam em seus efeitos.
A gente ouve um pedacinho da história e monta de pronto um quebra-cabeça com peças erradas, forçando o encaixe, deduzindo o que não há e afirmando existir o que é ilusão pura.
As informações se desencontram e a gente analisa e se porta segundo os fragmentos que nos chegam.
E aí, gente, vira uma bagunça. E se ninguém envolvido estiver disposto a tolerar, a compreender, a interpretar de uma nova maneira e com dados mais concretos e verdadeiros cada situação, as relações cairão no despenhadeiro.
Imputaremos ao outro culpa que ele não possui. Isso gera mágoa e desavença.
É sempre melhor buscar a verdade com quem realmente pode nos fornecer e evitar passar pra frente o que não temos certeza.
Sempre foi muito perigoso pra integridade física pegar o bonde em movimento. Isso quando existia bonde ou James. (Isso foi só pra não perder a bobagem do trocadilho infame).
Mas é isso aí...
Senão vira moralismo barato, como se eu também não tivesse lá meus quebra-cabeças sem pé nem cabeça... O próprio caos com sua pança enorme e sua bocarra de mal hálito, querendo gritar toda vez que saio da rota: Te quero, baby!

Saí pra lá, caos.


Mais fácil aprender japonês em braile...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

CO(META) QUE CAI NO MAR

Eu não sei o que é...

Tenho um fascínio por noite de São João, a noite mais longa do ano.

Sinto como se forças cósmicas me fundissem ao frevo, como se o pó das estrelas se misturasse com a poeira do sertão e mamulengos fossem cair de discos voadores e dançarem ao chegarem a superfície do planeta!

Esta é a noite do meu amor.

Costumava chamar assim.

Essa noite tem um certo “quê” de mistério que me envolve e sempre me envolveu. Acho que vem do meu passado pagão.

O som das guitarras desce cortante entre os triângulos iluminados que cintilam na via láctea. O mundo é o meu caminho e eu sei que estou aqui com todos, fuçando nas frestas pra encontrar felicidade.

A felicidade é a nossa busca maior, por mais quimérica ou utópica que pareça. Estamos aqui buscando maneiras de aliviar a dor, o peso, a carga, a massa. Queremos alívio e prazer, queremos sorrir.

Não acho provável que alguém queira estar triste de propósito.

Então a gente mexe e se ajeita, erra e se arrebenta, mas se contenta com as faíscas que o encontro nos proporciona. E Deus, eles valem por uma vida inteira, e tantas vezes povoam lembranças através dos séculos.


E estes livros todos não são pra nos dizer que a felicidade é nossa meta?

O que é a realização, a paz, o amor se manifestando, senão a felicidade?!

Sim, nós sabemos que a distância que nos separa dela é longa, mas suportamos o resto das vivências, das conseqüências, dos desaventos, porque sabemos da poderosa força dos poucos momentos felizes que tivemos ao longo da vida.

E porque queremos mais.

Herança da fusão do universo. Tudo está em tudo, eu estou nos anéis de saturno, você está em meu coração. Hoje a vida se move diferente, será noite de São João!

Música pra acompanhar:

Galope Rasante do Zé Ramalho

"A sombra que me move, também me ilumina..."

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desiderato

No mínimo um obstáculo.
Sem placa de identificação.
Alvo de cogitações variadas.
Porque aquilo brotava do chão (?), valha me Deus!
Meu clã possuía normas a seguir.
Lembretes de resignação.
Mas meu coração vulcânico queria apenas transpor.
Aquilo.
Ali.
Uai.
Então corri pelas ruas frias da cidade.
Com meu pouco fôlego.
Sob as bandeiras enfeitando as ruas, perto dos postes de luz da Cemig.
Sob as tirinhas de plástico verde e amarelo esvoaçando.
Queria tomar impulsão e saltar sobre aquilo.
Ali.
Um salto olímpico.
Ocorre que o trânsito intenso e anormal a essa hora atravanca meu intuito.
É preciso esperar para atravessar.
É preciso olhar para os lados e não morrer.
É preciso ter força, é preciso ter graça, é preciso ter gana sempre...
É preciso respirar ás vezes, deixar o ar circular, ventar por dentro.
Cara, esse frio todo e ninguém ao lado na cama de manhã.
Desperdício geográfico.
É como se alguém estocasse chocolate e não houvesse ninguém lícito para consumir.
O mundo tem dessas coisas.
Dessas dessincronias.
E eu já perdi tanta coisa pelo caminho, que se voltasse atrás para recuperar, seria uma outra espécie e não essa pessoa estranha que sequer sabe o que é aquilo. Ali.
*
Estrelinhas para Maria, a Maria.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A história de uma bolha de sabão

Era uma vez uma bolha de sabão.
*
*
*
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PLOC!

Fim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

UM PLANETA NA SUA CAMA

o FRIO se APROXima
com A PRÓxiMA ESTAÇão
Tudo pÁRa
eU PARALISO.
Decisões interlocutórias
com bolinhos de chuva.
Sono fervendo por dentro,
cafeína pra teimar.
Será que o sapato cabe
na Cinderela?
Será que era o sapato ou o pé dela?
O que é que cabe em mim, em ti?
o que tem cabimento?
Decidir ARRISCAR TUDO?
Suportar o sofrimeNto?
Bala meNtOS COM cOCA COLA
É CAPAZ DE aTIVAR FOGUEteS
DE bRINQUEDO.
aSTRONAutas de mármoRE
no sOLo Lunar.
Mesmo pedras caras flutuam.
SÓ POR LÁ.
pOR aqui é tuDO grave
sem agravo de Instrumento
NÃO sei SE graVO UM cd
oU SE ESCREVO UM poemA.
sE MEU desEJO é grande
se minha alma é PEQUENA
Se o mEDO nos interrompe
SE A CULPA nos CONDENA
Eu penso em TI o dia INTeiro.
QUal é o proBLema?
DeixA tudo aí, pega tuas coisas
e vamos ao cinemA.
que a Rima era doce e grudou.
quE O DOCE ERA BOM E AcaBOU.
coMO O DIA ACABOU.
dEVORO O Dia.
aCABOU.

eSTRELINHAS para o céu, para A sorveteria que não abre na quarta (porque será???) e para os Engenheiros do hawaii. POrque the Papas over, but o papa é Pop - como um CD do U2
.

domingo, 16 de maio de 2010

Porque todos precisamos de um pouco de mágica hoje

Pergunte às pessoas o que querem a respeito da vida e a resposta é simples: Ser feliz. Talvez seja essa expectativa de querer ser feliz que nos impede de sermos felizes. Talvez, quanto mais tentamos ficar em estado de alegria, mais confusos ficamos, até não nos reconhecermos mais. Então continuamos sorrindo, tentando ser as pessoas felizes que queríamos ser. Até que a ficha cai e percebemos que a felicidade sempre esteve lá, não em nossos planos e esperanças, mas no conhecido, no confortável, no familiar.
(Grey`s Anatomy - epsódio 22 da sexta temporada)
*
*
De acordo com o que acredito, vivemos num planeta de provas e expiação. Isso não me impede e nem a você de procurar a felicidade, de querer diminuir a dor que qualquer situação possa provocar. Tropeçamos em clichês de que não existe felicidade e sim momentos felizes, esbarramos em teorias mais sensíveis e poéticas de que a felicidade dura o instante de um arco-íris, mas isso não me impede e nem a você de sonhar com algo mais duradouro, menos efêmero. A busca pela felicidade é algo natural, semeado dentro de nós, de cada ser humano. Quantas coisas belas já criamos ao querer fugir da dor, da solidão, do medo? Poesias, filosofias, compêndios, canções... As flores do mundo são uma bela maneira de lidar com a dor. E quando a felicidade chega, cessa a nossa criação, porque ela por si só já é bastante e brilhante.
Mas o que me motivou a começar esse texto foi o fato de que nessa busca, nós criamos à nossa maneira o que poderia ser felicidade e muitas vezes nos confundimos e erramos. Parece uma miopia da alma que nos faz estar enganados quanto ao que realmente nos faria felizes e melhores. É quando a felicidade se transforma numa imagem holográfica, nada táctil. Ao percebermos que não podemos tocar, que lutamos tanto, que fizemos tanto barulho por nada, se instala em nós a frustração e a sensação de queda. E a dor. Nessa hora muitos se revoltam, muitos se resignam. Entretanto, essa necessidade de sermos felizes persiste sobre tudo, sobre a camada de ozônio, sobre os vapores que protegem o planeta, a despeito da órbita, do resultado do futebol, da mega-sena, do final da novela, da cotação do dólar, da eficácia da vacina contra a última gripe mais avassaladora... Persiste por ser o que nos move.
Mas há uma coisa... A verdade. Pura. Simples como uma canção do Trem da Alegria! ( : )
Nós fazemos o estardalhaço. Mas o que poderia ter nos feito felizes estava e sempre esteve ao nosso alcance em toda simplicidade e pureza, em toda beleza das coisas naturais, entre a dor que nos ensina, o incômodo que nos alerta, as provas que nos aumentam a resistência, os espinhos que melhoram nosso discernimento, os problemas que nos impulsionam às respostas.
Que tenhamos olhos para enxergamos onde ela está e evitarmos os caminhos tortuosos que tantas vezes percorremos para encontrá-la!

Uma semana feliz a todos vocês!!!
Shiny happy people.



quinta-feira, 6 de maio de 2010



Porque você está dentro de TUDO.
Eu fico fora do ar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Notícias do Front


Daqui da pra ver o oásis.
Alguns aqui do meu lado dizem que é apenas uma miragem.
Eu acredito que não. Acho que é real. Podemos caminhar um pouco mais.
Quando há rajadas de vento, lembro do mar e das coisas que eu queria e não posso ter por perto.
Já não tenho ilusões de grandeza, no entanto, almejo ao menos um possível retorno aos dias calmos.
O azul sobre nós, esse céu gritante, parece escancarar nossa miséria.
Nossa missão era tão simples.
Onde foi que começamos a errar?
Onde foi que nos perdemos?
Porque não nos impediram de tomar decisões?
E porque tudo agora ecoa?
É como se já soubéssemos as respostas.
É como se já soubéssemos tudo desde o início.
Nossa defesa era fingir que não.
Uma estratégia inusitada para fugir do peso das coisas.
Seguir, apesar dos pesares.
Não. Não éramos Kami kases, mas enfrentamos as conseqüências. Nós fomos além.
Por Vontade.
Enfrentamos o perigo, escarnecemos das circunstâncias e chegamos ao pódio.
Agora somos os donos desse lugar, mas temos pouco o que governar.
Cinzas e corações atormentados.
Promessas quebradas e juras insensatas.
Sanidade sucateada e pedidos de perdão.
Parece que enfrentaremos mais uma noite fria...
*
*
Guardo comigo uma caixinha que tem sobrevivido a todas as intempéries.É algo brilhante, vigoroso, e que nos dá alívio, quando a caminhada se torna muito difícil.
Já viram flores nascendo quando deixo o conteúdo cair.
É um alento.
É um tesouro.
Nossa maior conquista.
Dizem que é amor.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A PREGUIÇA É UMA MACACA VELHA E GORDA EM MINHAS COSTAS.


Estrelinhas para D. Rita da sorveteria!!!!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gepeto, você, eu

Eu chego e sento aqui.
Olho ao redor e observo um lugar árido e triste.
Não deveria haver alegria em propor que a mentira é um caminho a ser considerado.
Não é.
Não há felicidade, nem arco-íris.
Há remendos.
Soluções emergencias.
Protelação.
Não foi e nem é minha intenção fazer um ode à mentira.
Expus uma tentativa de legitimação, para que não nos condenássemos tanto.
Para que não parecesse tão sujo ou absurdo.
A mentira brota somente onde há solo propício.
E o coração e a mente humanas são solos propícios muitas vezes.
É claro que ser sincero, ser verdadeiro, ser completamente honesto é o melhor a se fazer, a ter por conduta não por esforço, mas por natureza. Ser bom apenas por ser bom.
É claro que é esse o caminho que me dispus a percorrer tantas vezes, no entanto, como um ébrio, me desequilíbro e pendo para outros caminhos e atalhos onde vicejam mentiras.
E mentir nem é assim tão fácil.
Fácil é ser sincero quando não se vai dizer toda a verdade.
Para mentir, é preciso sangrar e ver o sangue escorrer tendo a completa consciência de que não há como estanca-lo. Teremos que esperar sua coagulação por si só.
Teremos que nos encher de coragem a título de paliativo ou habeas corpus, aquele que nos liberta.
A mentira nunca foi a questão principal.
A questão é que ela está entre você e eu.
*
*
Nada é fácil.
Nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto.
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero.
E queremos fugir.
Mas ficamos sempre sem saber...
(L`Avventura - Legião Urbana)

terça-feira, 30 de março de 2010

Hey, João!

As regras que criamos são às vezes tão bizarras...
E por serem reiteradas vezes tão bizarras, passam a ser normais.
Ouvi por aí que quem pergunta demais corre o risco de ouvir mentiras.
E o pior, isso é verdade.
Por outro lado, não perguntar é viver o desconfortável conforto da dúvida.
A dúvida, o preço da pureza.
A gente tenta decifrar silêncios, decodificar o que uma simples pergunta poderia resolver. Todavia, a resposta poderia nos metralhar. Quem tem estrutura para tanta verdade?
Quem é kami-kase?
Pra que tanta franqueza?
Será que isso tudo é mesmo necessário?
Dizer realmente o que sentimos, o que pensamos, o que de fato está acontecendo?
Uai, tem coisas que a gente sente, que a gente vive e que simplesmente não dá pra compartilhar com quem a gente ama, gosta, quer bem, tem apreço.
Porque ia demoronar tudo.
Será que vale mesmo a pena sacrificar as relações por uma ética, por uma moral, por princípio?
Desfazer de todas as máscaras pode ser o caminho para um exílio, uma redenção tão improvável a ponto de fazer com que queiramos retirar o que dissemos só pra não sucumbirmos na solidão.
Sozinha com meus princípios.
A gente não se preparou para tantas verdades.
A gente ainda se ilude de propósito.
A gente quer ver o luar.
A gente precisa ver o luar.
Raios dessa Lua que nem luz própria tem.
.
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Estrelinhas para Sartre, Engenheiros, filme The Wonders, Gilberto Gil e para os nematelmintos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Couve, vê, ouve, cool

E ela lá...
Mais perdida do que a bala que procurava no fundo do bolso.
Seguia os compassos da música ambiente.
Tentava, mas não conseguia conter os pensamentos indecentes que se disseminavam em sua cabeça.
Eram como um vírus letal e eram tão torturantes quanto gotas pingando lentamente de uma torneira estragada.
Mas era confortável. Confortable Numb.
Chovia. Fazia sol.
Choques térmicos.
Unhas rosa choque.
Chocolate de sobremesa.
Mensagens no celular.
Decoração fora de esquadro.
Não suportava quadros tortos na parede, talvez para compensar a própria tortura que era não agir com retidão.
Na verdade, nem existe linha reta. Tudo é simples ilusão de ótica.
Ponto. Reta. Plano.
Seu plano era uma ilusão.
Será que seu plano é bom?
Será que ele se conclui?!
Seu plano era cheio de curvas e declives.
De claves de sol. The Beatles.
Ia embora.
Levantou. Quis ser provocante.
Sorriu pro garçom...
Conversou alegremente com o caixa.
Foi ao banheiro.
Mas que droga.
O espelho era uma afronta.
Estampou a verdade e foi cortante.
Aquela couve.
E ela havia tentado ser sexy lá fora.
Mas que droga de novo!
Não dá pra ser sexy com couve entre os dentes...
@
Estrelinhas para Pink Floyd, Gatas Extraordinárias, Seu Zé que vende doce, Palito - o Garçom, Paulo Mendes - o contra-regras, Avelar - maqueador, Xuxa por "Pera, Uva, Maçã, Salada Mista", Zeca Baleiro, por Bandeira, que não vem ao caso, mas enfim...



quinta-feira, 18 de março de 2010

Quinta

O dia cerrava as pálbebras de vez em quando.
No intervalo entre a vigília e o sono, a cabeça pendendo pra frente dava a impressão de que o dia se dividia em 2: um nesta, outro em outra dimensão.
Em dias assim, é melhor não correr, não decidir, não olhar pra trás.
O banco de trás cheio de balões coloridos.
A porta da frente cerrada.
O vizinho ao lado não cortou os galhos que invadem meu quintal.
Sobre mim não há nenhum corpo.
E não quero mais coca-cola.
Parece papo de bêbado ou de doido isso aqui, né?!
Eu fico uns tempos sem postar, chego aqui e escrevo frases desconexas...
Acreditem, tudo significa algo, mas às vezes é preciso saber de antemão qual figura forma esse quebra cabeça.
Se for uma tela de Dali, "ai, Jesus!", aí a coisa se complica.
Aí o pernilongo (somente a fêmea) pica.
Aí o Pernalonga e o Pica-Pau.
E aí tudo pode acontecer de novo pra você...
Palpite!!!
*
Ankh, tava com saudades de você nessa vida. Tava com saudades da Sala de Origami e da vida no universo paralelo. Nostálgica!!!

terça-feira, 2 de março de 2010

Chat noir, Chat blanc

Quase um yin/yang!

Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo...

Uai...
Porque a vontade é uma coisa.
Às vezes vem como um tsunami e há pouco o que podemos fazer a respeito.
Ela é como o sentimento.
Entra, se instala, e a alternativa que nos resta é decidir o que fazer depois.
A vontade não tem um censor nem sensor que analisa ética ou moralmente o que ela é ou vai ser.
Ela tem existência autônoma, e não vai desaparecer apenas se fingirmos que ela não nos ocupa a ponto de esquentar o estômago nos impulsionando às escolhas.
É aí que está.
Não há como se debater contra a vontade, porque perderíamos todos os rounds, isso quando não formos a nocaute no primeiro assalto.
Mas a escolha sim, está completamente em nossas mãos.
O que vamos escolher já que temos a vontade?
Vou levar um Choquito ou um Diamante Negro?
Vou para a praia ou para as montanhas?
Levanto agora ou daqui a 5 minutos?
Pois é, eu sei, vocês sabem que cada escolha implica uma renúncia.
Até o Ian, meu sobrinho caçula sabe disso.
Basta saber que poderemos pagar o preço pela escolhas que faremos.
Sim, porque nenhuma escolha é tão free assim, mas podem ser sofridas.
Tudo tem seu preço!!!
E nem tudo é tão simples.
Nem sempre é possível renunciar à vontade em prol de princípios, crenças, essas coisas bonitas dos evoluídos.
Sabe, gente, vontade represada é um troço perigoso, porque a gente abre as comportas e a pressão nos arrebata para outros lugares, esferas, universos paralelos...
E depois é a água. Salve-se puder, flutue quem sabe boiar!!!
Essa água nunca lava, mas limpa de qualquer maneira, no entanto, a qualquer hora do dia ou da noite, os gatos negros, os gatos brancos e outras cores de gatos que se banham nessa água, a gosto ou contra-gosto, quando saem de lá, continuam pardos, à própria revelia. Todos.
*
*
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

*Estrelinhas para Legião Urbana (Sereníssima) e Zé Ramalho (Pepitas de Fogo)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uma flor pra cada um que entrar nesse boteco agora!
Estou bem nesse momento.
Quero comparilhar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pelo sim, pelo não...

Sempre estive à procura da grande revelação, do encontro com o cosmo dentro de mim, com a visão de uma verdade que fosse tão absoluta que me faria silenciar num grito intenso. A epifania. Procurei em diversos lugares. Mal sabia eu que encontraria num dia comum de sol e chuva e exatamente ali, naquele lugar no qual já me acostumara a visitar.


Essa é a hora da musiquinha de abertura.

Foi ali.
Ela, em seu sacerdócio, já não imprimia um tom místico na voz ao dizer:
- Pode se virar.
Eu já sabia de cor aquele ritual.
Não era minha primeira vez. Não havia grandes expectativas.Virei.
Ela fez o seu preparo e veio em minha direção. Eu não a via, mas sabia que ela se aproximava.
- Relaxe.
E foi nesse momento, nesse inexato momento que ela passou a espátula com a cera quente que estava mais quente do que nunca. Nó, fechei os olhos e contraí os sfincteres na hora.
Tragédia!
A banda de cá grudou com a banda de lá e dentro de mim eu pressenti a morte e antevi aquele famoso tunelzinho de luz.
D. Geralda ia ter que puxar a cera agora. De uma vez. E ela nem contou até três, foi logo tentando consertar a situação.
VUPT!
Tudo teria corrido muito bem, mas a cera agarrou bem no “meio do palavrão” e eu pedi pra parar. Precisava respirar.
D.Geralda dizia:
- Relaxa. Vai ser pior se a cera esfriar.
Dentro daquele processo, eu ficava me perguntando como aquilo poderia piorar. Eu queria ferir a D.Geralda.
E lá vai tentativa. E lá vai eu contraindo de novo e tudo grudando.
Comecei a chorar, a suar,a pedir perdão pelos erros cometidos na vida...
Até que a minha algoz fez o “vupt’ fatal que me concedeu a visão de deus.
(...)
Depois que voltei do desmaio, soube que houveram três tentativas até que a cera fosse retirada. Estou me sentando de ladinho ainda, mas vivenciei uma experiência que me mostrou que podemos ter revelações nos lugares mais inusitados possíveis, como na depilação. No ápice da dor, encontrei a resposta da vida.
Sou uma nova mulher!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Citronela

Insetos hematófagos deixaram uma constelação em meu braço.
O sangue tem valor de mercado num reino diferente do meu.

Os raios de sol ainda aquecem a noite.
Não me encaixo em sonho nenhum nessa madrugada sem doce.

Coça.

Será que você vai se encaixar em minha vida
assim, do jeito que ela está?
Essa coisa de dar o rim, de dar a vida
Pode ser mais loucura do que amor.
Eu não encomendei sacrifícios.
Gosto das coisas simples, fluindo.
Desejei que as coisas fossem mais simples.

Em certos dias eu peço pra noite não acabar.
Em alguns dias eu quero que amanheça logo.

Eu sei da importância de todos os seres na natureza
do átomo à estrela
Mas quero eliminar esses insetos
Porque seus zunidos estão me fazendo concluir
Que a saudade também coça
e deixa erupções avermelhadas na alma
principalmente em dias como hoje
quando a cadeia alimentar fica torta.

Im tired of making out on the telephone
Cos`You`re so far away from me
You`re so far away from me
So far I just can`t see
(Dire Straits)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Inevitabilidades

De tempos em tempos o coração inunda.
Então é preciso abrir as comportas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Som na caixa, Sol nas almas

A equação era simples: Todos somos um só.
De longe parece fórmula fascista, todavia, a essência do fascismo é uma bela idéia refletida nas espadas dos mosqueteiros: Um por todos, todos por um.
Seria bonito se não fossem tantos, tão enganados.
Ser forte como um feixe que não se pode dobrar...
Estamos aí no mundo nos dobrando, nos curvando a diversos senhores que se torna até difícil saber a qual deles seremos fiéis.
A idéia da fidelidade ganhou novas teorias e no mundo high-tech globalizado caiu em desuso, agonizando na obsolescência e causando sofrimento por toda parte.
Seres humanos envelheceram preenchendo vagas em asilos, esquecendo quem foram e sendo esquecidos.
E para amplificar o problema, todos os dias os noticiários metralham os efeitos da nossa própria ignorância para que na seqüência o glamour novelesco finja disfarçar o sorriso amarelo e desdentado da miséria. A ficção abranda a nossa revolta, mas não cura nossa falta de atenção com o necessário, com o essencial.
Incrível como desperdiçamos tempo, desperdiçamos pão enquanto sobra tanta falta pelo mundo. È simples. E lógico. Mas não era pra ser banal.
Impressiona como mudamos o foco das coisas, contraindo voluntariamente um glaucoma espiritual que nos impede de ver o óbvio.
Não. Não era para ficarmos deprimidos se o mundo parece cruel, injusto e sem solução.
Acho que a idéia não era olhar pra fora, entristecer, desistir e se fechar.
Ou mesmo olhar pra fora, concluir que o mundo não tem solução e se tornar indiferente á isso, festejando apenas o circo que “tem pra hoje”.
Tem mais sentido olhar pra dentro, querer ser a diferença e se abrir melhor.
Existem moinhos de vento com os quais desperdiçamos nossa energia, mas existem inimigos reais dentro de nós que devemos combater para não sucumbirmos.
Preferimos mostrar o dedo médio em riste para os vilões da vida do que admitir que também somos parte da vilania para após trabalhar e fazer com que daqui pra frente tudo seja diferente.
Nos ocupamos em perder nossas crenças e desenvolver moléstias torturantes que enriquecem a indústria farmacêutica, contudo postergamos a hora de dar um gesto, uma mínima parte de nós para tornar o presente mais feliz além da circunferência do nosso umbigo.
Desistir é deixar de fazer o bem, e a ausência do bem já é um mal.
Não adianta escorregar na cadeira e desviar o olhar quando o professor mirar você, porque as conseqüências vão chegar, quer você esteja escondido debaixo da cama, quer você esteja em evidência num canal de TV.
Estamos sobre a mesma superfície. E natural sentir raiva, mas não tem sentido desejar o mal de outra pessoa, não tem sentido arquitetar planos prejudiciais, não tem sentido matar. Não tem sentido matar. E mata-se de tantas formas...
Sejamos vida, sobretudo.
Sejamos mais do que somos.
Aproveitemos a alvorada.
Sol nas almas, som na caixa, porque hoje nós dançaremos para transformações!
*
*
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver, o mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer tudo por você.
*
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo...
*
Estrelinhas para Teatro Mágico por "Sobra tanta falta", Roberto Carlos por "Se você pensa" Legião Urbana por "Como é que se diz eu te amo", Caetano por "Podres Poderes", Alan Kardec pela Codificação.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre a necessidade



Chegamos num ponto em que não é mais possível parar.
Ja não bastam as respostas, já não são suficientes os mesmos hábitos.
As retinas mal suportam as cores de sempre e a rotina implora por novidade.
O calor começa a romper os limites humanos.
Nessas horas, há algo de dolorido em casa escolha.
Nós precisamos de outras coisas, mas não sabemos as certo do que.
Nós procuramos por novos ares, mas não sabemos direito por onde.
Ou movemos a peça ou desistimos do jogo.
Posso trilhar qualquer caminho, nem todos eles me convÊm.
Esqueci o telefone em algum lugar.
Esqueci aniversários.
Menti pra vocÊ e me convenci de que foi pro seu próprio bem.
Como é pro nosso bem detectarem metais na porta giratória.
Como é pro nosso bem nos identificarem na portaria.
O que querem de mim são impressões...
Digitais...
Já é tarde.
Sinto saudades
enquanto o ventilador em minha frente continua negando tudo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

2010

Não adianta praguejar contra o teclado que não acentua.
A vida além dele continua e as palavras não deixarão de serem escritas.
A gente se ajeita, inventa um jeito de sacudir a poeira.
Depois do verão, o sol permanece em chamas e suas explosões silenciam no vácuo.
A natureza parece agredir, mas o que parecia um golpe, era apenas um soluço.
Não queremos sucumbir.
Queremos o mar e o sangue.
Queremos sorrisos e corações.
E nós somos os homens comuns, desarmados.
Existia uma fresta de um ano pra outro e ao passar por ela, não senti nenhuma magia, no entanto, tive que mudar o calendário pra não viver no passado.
Então estamos aqui.
E vamos, enquanto o Brasil está distante da fúria da natureza.
Há uma certa beleza em qualquer continuação.