quarta-feira, 3 de abril de 2013

ASSUNÇÃO (PARTE 2)



Sou homossexual.
A única coisa que isso quer dizer é que romanticamente sou atraída por pessoas do mesmo sexo que eu.
Nada mais.
Isso não interfere em meu caráter, na filha que sou, na irmã que sou, na profissional que sou, na pessoa que sou e nem no meu papel na sociedade, no mundo.
Isso não quer dizer que uso bermudão, que coço o saco e que tenho toda a coleção de Ana Carolina e Adriana Calcanhoto. Isso não quer dizer que seja necessário estereotipar tudo como se tudo fosse a mesma coisa. Não é.
No meu caso, minha identidade se harmoniza com meu corpo, com minha condição. Amo ser mulher, anseio a maternidade, gosto do meu corpo e dos seus ciclos.
Eu não achei bonito gostar de mulher e decidi ir lá gostar. Ser homossexual não foi uma opção. Se eu pudesse optar, eu escolheria o lado mais fácil, mais convencional. Seria hetero, lógico! Iria me casar com um homem e não enfrentaria problema algum de ordem religiosa, psicológica ou política.
Não escolhi desejar e sentir. Escolhi orientar o meu desejo e o meu sentimento.
Mas...
Nem sempre foi assim.
Já namorei homens, já me apaixonei por homens, já me casei com um homem e há pouco tempo quase me casei novamente com outro homem. No intervalo entre esses homens surgiu um sentimento que se desenvolveu de uma forma muito dolorida dentro de mim.
Tal sentimento se tornou sensação, um desejo que na época eu pensava ter que aniquilar, embora minha vontade fosse de vivenciá-lo sem culpas.
Ah, a culpa... Filha da nossa compreensão pseudo-cristã da vida...
Ela nos faz metamorfosear de humano para extra-terrestre, nos torna uma anomalia, uma aberração.
Passei a acreditar que tudo o que diziam de negativo sobre a homossexualidade era verdade e passei a lutar contra toda essa vida que palpitava em mim, asfixiando com a mão algo que poderia ser bonito, mas que meus olhos enganados enxergavam apenas o pecado.
Circula na doutrina espírita (que agasalha meus anseios religiosos) a hipótese de que existe uma programação para nós e que se nasci homossexual, devo me esforçar para canalizar essa energia para algo Bom e Belo como a Arte e preferir a abstenção. Dizem também que numa relação sexual entre pessoas do mesmo sexo não existe uma troca de energias a que chamam de "retroalimentação", e que tudo o que é vivenciado entre homossexuais é desperdiçado energeticamente falando.
Munida deste pensamento, sufoquei quem eu era por anos, crente de que fazia a coisa certa. Frustrava homens e mulheres e a felicidade que eu almejava experienciar num relacionamento parecia cada vez mais distante e desbotada, algo utópico demais para quem eu estava me transformando.
Quando me casei com um homem, não objetivei criar uma fachada hetero para convencer o mundo. Eu acreditava no que fazia e talvez pudesse ter dado certo, não fossem outros problemas totalmente indiferentes à minha orientação sexual. Novamente solteira, o chamado não cessava. E eu cedi por algumas vezes... E feri pessoas que esperavam que eu assumisse o que era sem medo. Não fui capaz de assumir. Eu havia decidido lutar com unhas e dentes para ser a pessoa perfeita, sem fraquezas. Precisava canalizar, me envolver com a arte, trabalhar, trabalhar. Ou eu me absteria ou viveria como heterossexual. Ocorre que o chamado que antes sussurrava dentro de mim, agora berrava em megafones. Era obsessão ou trauma? Por quê? Por que?
Comecei a fazer terapia. Acreditei de todo o coração que se eu tivesse um casamento convencional, uma família convencional, eu estaria cumprindo com o que constava em minha imaginária "programação cármica". Acontece que ficou visível que meu esforço era um soco no estômago de quem queria me oferecer ajuda e amor sinceros e era uma sabotagem contra mim. Minha  auto sabotagem. Eu me tornava infeliz e não tinha condição de colaborar para a felicidade de ninguém com quem eu me envolvesse.
Olhava para as coisas belas que eu tinha e não conseguia plenitude. Era como se eu tivesse ganhado um carro importado lindíssimo e não pudesse pagar seus impostos.
Não, aquilo não podia ser o certo. O amor deveria fluir e ser natural. Deus não é essa represa.
Após anos, quando se tornou quase insustentável conter a gama de sentimentos que me invadia, decidi finalmente (não sem lágrimas) que o melhor era mesmo assumir quem eu era, assumir o que eu sentia e pensava e assumir as consequências de uma decisão dessa natureza, que são diversas.
Foi o que me libertou. Embarcar me libertou. Decidir embarcar me libertou.
Na mesma doutrina em que alguns posicionamentos me fuzilavam e fuzilavam a tantos como eu que com o coração aberto empreendiam lutas quixotescas contra os próprios sentimentos, encontrei apoio, alento, consolação e esclarecimento.
Não. Não sou uma aberração. Não sou uma anomalia como um trevo de quatro folhas ou um sexto dedo na mão.
Sou um ser que ama. Não reduzirei à simples bolha genital a energia mais poderosa do universo que destrói e cria mundos inteiros. NÃO. Não vou me abster e construir hipocritamente uma máscara que não tenho condição de sustentar.
Porque sou filha de Deus e Ele vibra em mim como infinito, como AMOR.
Quando amo, posso expressar o deus que há em mim, posso ver que a felicidade é um jeito de andar e posso plantar e colher flores.
Porque existe amor em mim e isso é tudo o que de mais valioso eu posso ofertar ao mundo.
Minha opção é amar.
E o amor, como diz cumpade meu Quelemém, o amor possui muitos caminhos...
*
*
Eu tive a sorte de viver esse processo rodeada de pessoas cheias de luz.
Agradeço à toda minha família que me aceita e me ama exatamente como sou (pai, pela coisa toda incondicional, mãe, pelo esforço que fez para destruir e reconstruir conceitos, Jane Canoa por sempre ter entendido sem eu ter que explicar), ao psicólogo Luiz Benigno, ao Emmanuel (sim, o espírito!!) aos doutores Andrei Moreira e Gibson Bastos pelo esclarecimento consolador, ao Max (cumpade meu Quelemém) por toda a luz do conhecimento que propaga, ao amor que me salva do Luiz H e da Vã (incondicionais), da Ieda, Caio, Sergitos e Marcelita, da Bia e Cia (família escolhida), do pessoal do Caminheiros do Bem, do Alvim, do Costinha e da Dani, do Adelino, da Patrícia e da Janice, e finalmente agradeço à Gabriela por abrir meus olhos e me fazer enxergar que a liberdade e a felicidade pulsam na simplicidade do Amor Vivido.
À você dedico a canção final!!!

Quando Fui Chuva
Luis Kiari e Caio Soh

Quando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz?
Pra ser minha e assim ser tua

Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas

E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver

Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca

E mesmo que em ti me perca,
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela

Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas

E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver.

terça-feira, 26 de março de 2013

ASSUNÇÃO (PARTE 01)




Sou cristã.
Sou aprendiz das lições do Cristo.
Amo Jesus com todas as forças do meu coração, mesmo que tudo o que eu consiga vivenciar de seus ensinamentos seja apenas uma pequena parte, ínfima parte...
Já li as cartas de Paulo, inclusive as polêmicas cartas aos romanos e procurei saber das traduções menos afetadas, mais fiés ao vernáculo em que foram escritas. Foi preciso conhecer o pensamento do povo hebreu e dos gregos para concluir que um documento tão sublime não poderia embasar o assassinato da filósofa Hepatia, a desvalorização e submissão da mulher, o ódio aos homossexuais, aos cabeludos e nem a estigmatização de nenhum ser humano. De nenhum ser humano.
Mesmo assim, fico espantada com as interpretações que dão ao que é realmente sagrado (a essência e não o papel), com as manipulações, com todo o desvirtuamento que pretende tornar o amor algo menor, mesquinho e impuro.
As coisas que fazem em nome de Deus, de Jesus, de Paulo ou de qualquer um que serviu a humanidade em nome do Amor, não possuem ligação alguma com a caridade benfazeja, com o Bem, com o Belo, com o não julgar, com o oferecer a outra face, com o perdoar e com o servir.
As Cruzadas, a Inquisição, a negação da ciência, o preconceito, o vilipêndio, os julgamentos sumários, as condenações sumárias e outras diversas formas de ignorância, são atitudes que distanciam o homem de Deus ao invés de reconduzi-lo. É assim que geramos um deus à NOSSA imagem e semelhança e o deixamos agonizar em nossas mãos, morto lentamente pela corrosão de uma fé arbitrária e delirante.
A Religião não seria necessária se fôssemos perfeitos. Ela serve apenas de muleta para quem não consegue ainda caminhar sozinho, ser dono do próprio destino e ter autonomia para fazer escolhas sem afetar negativamente a vida do seu próximo.
Madre Tereza entendeu isso quando se livrou de qualquer rótulo religioso e percebeu que sua maior religião era seu próximo. Era o outro.
Nós outros mal exergamos o outro. Nós outros somos mancos e carecemos dessas muletas.
De qualquer forma, a religião fez mais bem ao mundo do que o materialismo e é por isso mesmo que não consigo entender... Não entendo em qual parte do caminho nós nos aprisionamos, nós nos escravizamos assim. 
A religião deveria nos libertar, deveria nos oferecer ampla vista, deveria nos estimular a melhorar o mundo, a melhorar a nós mesmos, acabar com as guerras e os protocolos, os cárceres do mundo e os cárceres íntimos. Deveria fazer o filho confiar nos pais e vice-versa, deveria nos unir, mostrar que somos todos da mesma família universal e que por isso mesmo deveríamos nos amar, procurar nos entender e estender a mão para aquele que ainda não consegue caminhar sozinho, para aquele que ainda enfrenta inúmeras dificuldades. Estender a mão como já fizeram conosco tantas, tantas vezes.
A Religião deveria nos mostrar que a Ciência é uma expressão divina que nos conduz ao progresso, por mais que as perguntas se multipliquem a cada resposta encontrada. A religião deveria tornar evidente toda a ciência contida nos ensinamentos evangélicos, explicando com racionalidade os aparentes absurdos e assumindo os erros propositais cometidos por homens comuns e não negar o que é difícil de entender.
A função da religião deveria ser (e é!) nos religar a algo maior, a Deus, Alah, Força que Rege o Universo, Inteligência Suprema, Elohim, Causa Primária de Todas as Coisas, Jeová ou qualquer outra denominação que nos remeta ao Amor.
Então porque as pessoas (tão religiosas!) querem privatizar a verdade e o amor e após privatizar, tributar  aquele que ousa sentir? Por que privilegiar um povo, tachar quem não foi eleito, emburrecer as massas, separar os diferentes e deletá-los do caminho da redenção? Por que distanciar do nosso irmão que o sangue nos ofereceu quando ele pensa diferente de nós? Por que tanto escarcéu e guerra se nem o próprio Jesus lançou qualquer olhar de reprovação a Pedro em suas mancadas, a Judas em seu engano ou à turba (burra) que o crucificou? 
Por que tantos insistem em enxergar o próximo como inimigo, como anomalia e não como irmão?
(...)
Pecar significa errar o alvo.
Pelo que vejo, muitos do povo de Deus estão acertando a borda.
Ou o ar ao redor...

*
*

PODRES PODERES
Caetano Veloso

 Enquanto os homens exercem
 Seus podres poderes
 Motos e fuscas avançam
 Os sinais vermelhos
 E perdem os verdes
 Somos uns boçais...

 Queria querer gritar
 Setecentas mil vezes
 Como são lindos
 Como são lindos os burgueses
 E os japoneses
 Mas tudo é muito mais...

 Será que nunca faremo senão confirmar
 A incompetência da América católica
 Que sempre precisará de ridículos tiranos
 Será, será, que será?
 Que será, que será?
 Será que esta minha estúpida retórica
 Terá que soar
 Terá que se ouvir
 Por mais zil anos...

 Enquanto os homens exercem
 Seus podres poderes
 Índios e padres e bichas
 Negros e mulheres
 E adolescentes
 Fazem o carnaval...

 Queria querer cantar
 Afinado com eles
 Silenciar em respeito
 Ao seu transe num êxtase
 Ser indecente
 Mas tudo é muito mau...

 Ou então cada paisano
 E cada capataz
 Com sua burrice fará
 Jorrar sangue demais
 Nos pantanais, nas cidades
 Caatingas e nos gerais
 Será que apenas
 Os hermetismos pascoais
 E os tons, os mil tons
 Seus sons e seus dons geniais
 Nos salvam, nos salvarão
 Dessas trevas e nada mais...

 Enquanto os homens exercem
 Seus podres poderes
 Morrer e matar de fome
 De raiva e de sede
 São tantas vezes
 Gestos naturais...

 Eu quero aproximar
 O meu cantar vagabundo
 Daqueles que velam
 Pela alegria do mundo
 Indo e mais fundo
 Tins e bens e tais...
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Tudo soa tão bem...

Estilhaçaram a prateleira de palavras.
Morreu a inspiração.
Mas tudo soa também...



Estrelinhas para Iggy Pop e Capital Inicial...

sábado, 2 de março de 2013

Há espaço para todos. Há um imenso vazio...


O tempo não existe, mas estou sempre atrasada para alguma questão.
A verdade é só fragmento, mas sofremos quando mentem para nós.
Não sei se Hitler era cristão, judeu ou gay, se Gandhi era gay, se Charles foi Ray, se Charles será Rei...
Se o pop não poupa ninguém, não sei o que vale a pena “eruditizar”...  
Só sei que não sei, mas mesmo que eu saiba que não saiba, invisto meu tempo em conhecer outras milhões de informações que preenchem um espaço quase invisível do espaço que há pra se saber na eternidade.
Estamos aqui por segundos, contudo a pungência dos dias e dos apelos nos envelhecem, cobram-nos por milhas rodadas.
Por que apertamos tanto essas pedras na mão?
Por que esperneamos, sofremos, perdemos a fé e a fome nessa angústia, nas pílulas e ideias de dominação? 
Tudo sendo fugidio demais, não temos nada além de nós para dominar...
A quem pertence o cetro, o poder, a prerrogativa de deixar as coisas em ordem?
O papa cedeu, o meteorito caiu e quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval.
Quase tudo o que nos importa é delírio. Um delírio aceitável como um closet com 400 pares de sapatos. Um delírio suportável como perguntar um nome. Um delírio justificado como lutar para convencer os outros de que temos razão. Um dilúvio, um delírio desarrazoado como supor qualquer coisa...
Se eu tivesse uma banda, seria The Lírios!
Mais vasto é meu coração...


Obrigada Engenheiros, Nenhum de nós (Neruda), Drummond, Zé Ramalho, Ang Lee e Tio Patinhas

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

EXTREME


O filho de uma égua teve uma diarreia galopante em minha rua. Acordei cedo e fui colocar o lixo pra fora e se não fosse o aroma inebriante no ar, eu poderia jurar que tinham gramado o asfalto na frente da minha casa. O que será que esse cavalo comeu, Jesus, pra fazer um efeito hecatombe assim? Eu deveria ter flagrado o cavaleiro e pedir que ele limpasse a sujeira como devem fazer os donos dos cachorros que passeiam ao redor da lagoa.

E o lixo não passou. A cidade está sofrendo com essa transição de empresas de limpeza urbana. A anterior, que passava terça, quinta e sábado, se envolveu num desses escândalos de licitação. Ocorre que a nova contratada não passou sábado. Não avisou aos moradores os dias de passar, não fez nada, a não ser deixar o lixo na rua. Quem é que limpa essa sujeira?

Transições são assim. Existe todo o incômodo, mas resta a esperança de sairmos limpos ou aprendendo com os erros. Meu chefe dizia que depois que descobriram que estrume é adubo, tudo serve pra alguma coisa.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Zíper


Pois é, estamos aí.
Virando mais uma, mais um.
Passamos por tantas coisas, até pelo fim do mundo!
Passamos pelos medos imaginários, monstros imaginários, delírios, rios, lagoas, mares...
Passamos a roupa pra sair.
E saímos, fomos longe.
E voltamos!
Por que a gente volta sempre pra algum lugar, para o status quo.
O legal é que nunca voltamos igual.
Pode até ser a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, todavia, nós não somos os mesmos.

Para mim, não ser o mesmo é sempre bom, mesmo que os defeitos sanados com o tempo fosse o melhor que havia em nós. Eu acredito em nós. Eu vejo tragédias nos jornais. Li que um cara estuprou uma velha de 92 anos, o carteiro me disse que o mundo está perdido... E eu acredito em nós. Continuo acreditando e sei que acredito nisso porque acredito em tantas outras coisas que me fazem mais do que crer, saber que ta tudo bem. Ver cometa na poça de lama, como a historinha da toupeira do Rubem Alves.
 E são esses cometas que desejo para seus olhos.

Sabe, não vou desejar dinheiro, saúde, grande amor, essas coisas...

Sei lá se com dinheiro você seria a mesa pessoa que é, que batalha, que respeita, que sua a camisa e que tem sonhos pra realizar. Que pensa nos outros e sabe o quanto é difícil conseguir as coisas. Eu desejo o necessário para o seu crescimento.

Sei lá se com saúde perfeita, sem dor nenhuma, sem cólica, sem dor de dente, de pé, de mão, você teria o juízo que tem. A doença ou o estado adoentado que nós passamos às vezes podem ser dádivas, freios que nos impedem de quebrar a cara. Desejo o necessário para seu aprendizado.

Sei lá se você sabe exatamente o que fazer com um grande amor. Se você vai respeitá-lo, vai amar, vai construir, se você vai dialogar, procurar entender... Desejo o providencial para seu coração.

Desejo que você saiba viver e enxergar a perfeição no mundo. Entender essa idéia nos dá paz, nos tira os limites que a dor e a ignorância impõem. É como a luz que ilumina sem nos torrar como esse sol de dezembro.

Desejo que você saiba o que procura e que encontre o que procura. Desejo que nesse encontro você possa ver nascer a felicidade em seu terreno íntimo e saiba empregá-la em sua vida e ve-la multiplicada na vida de quem está perto de você! Claro que haverão dias ruins, contudo, com amor por dentro, a gente luta e transforma fogo em luz.

E quando estiver bem cansado, ainda exista amor pra recomeçar! Pra recomeçar!

*
*
Estrelinhas para A lista do Oswaldo Montenegro, A toupeira que queria ver o cometa do Rubem Alves, Jornal Super de R$0,25, Amor pra Recomeçar do Frejat e para todo o resto que me compõe!
*
Felizes Coisas! 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Perfeito pra hoje!



Saindo daqui, tomar um caldo de costela.
Mais tarde, ver um filme, tomar chocolate quente, ficar debaixo do edredon até a manhã de amanhã...
Perfeito pra hoje!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Oh, crianças, isso é só o fim, isso é só o fim!

A manhã aqui nasceu serena após uma noite de tempestade.
Ontem pareceu-me que o sol queria passar ao nível Supersayadin 10.
Era impossível dizer a alguém:
- Não esquenta não, sô!!!
E mesmo sem estar em apuros, poderíamos dizer:
- Estou frita!E agora?
Desde o início dos tempos desse blog eu manifesto meu desagrado com esses dias quentes do fim do ano.
E o mais paradoxal é passar pelas lojas e casas enfeitadas e ver bonecos de neve sorrindo felizes com seus narizes de cenoura e bronze!!
Olho para o boneco e penso: Cê tá de brincadeira, né?
O suor criando fluxos e oceanos em nosso corpo e o boneco lá, doidão, feliz, inderretível em sua função ornamental!!
Fico até com pena do Papai Noel adiposo dentro daquele casaco vermelho. Aff!!
O Natal é paradoxal, mas é o melhor de nós em fraternidade. Sério mesmo. O espírito natalino não deve sentir o calor que eu sinto, mas derrete geleiras no coração de quem passou o ano no Polo Norte caçando pinguins.
Eles não estavam lá. Não moram lá. Estavam em Madagascar junto com macacos, um leão, um hipopótamo, uma girafa, uma zebra, renas... Renas não..
Rena, rena, se eu chamasse Madalena, seria uma rima, não uma solução!
Se eu chamasse Magdalena, ia abrir uma concessionária de automóveis chamada: Madagas Car!!
E venderia Renas Motorizadas sem IPI pro Papai Noel, só pra rimar.Até o Rudolph.
Mas o Papai Noel deu descanso para elas!! Ele agora vem de avião e pula de pára-quedas!! Vocês já viram a quantidade deles em seus pára-quedas?
R$5,00 um Papai Noel no sinal.
R$3,80 duas bolas de sorvete.
Com R$5,00 no bolso eu prefiro o sorvete.
Com o troco e mais 5 centarros a gente aposta na lotofácil e torce pra ter sorte e para o mundo não acabar...
Tudo por causa dos Maias, da Ana Paula Arósio, do Fábio Assunção... Irmão com irmão é o fim do mundo mesmo! (nóoo, foi ruim, admito.).
Porque parece balela, mas até o mais cético quer chegar no dia 22 /12/2012 e dizer:
- EU JÁ SABIA!!!
Eu sei que estaremos aqui com as mesmas coisas dia 22, apesar de ontem ter feito um calor apocalipso!! Profeta Chimbinha se rejubila com ventiladores e ares condicionados!
Nossa, tô falando, o quentume de ontem dissolveu alguns neurônios que possiblitaram esse post tosco com piadas ruins.
Todavia, meus caros, estamos em trânsito.
As transformações virão, pessoas vão morrer de qualquer jeito, coletivamente ou a sós.
A destruição faz parte de tudo. A gente troca de células periodicamente. Os dentes de leite caem. Unhas crescem e precisam de corte para noooossa higiene. Os caras fazem a barba, a gente repica o cabelo, depila a virilha...
As coisas precisam de manutenção e renovação. Tente sair na rua com roupas de novela épica!! Tenta não trocar a água do aquário de vez em quando pra ver no que dá!
Então,  porque seria diferente com o planeta?
Contudo, nada é pra já, a não ser o Amor!!!
E quando digo Amor, não falo de um sentimento rodeado por coraçõezinhos e borboletas, tão ornamentais quanto os bonecos de neve nos trópicos.
Falo desse Sol interior que nos aquece sim, sem nossos reclames.
Que pode nos transformar e provar que o fim do mundo não está nas catástrofes e hecatombes, e sim na destruição do homem velho que não sabe promover a paz onde quer que esteja, no homem velho e orgulhoso que nunca esteve disposto a ceder em prol do outro. Do homem velho que vomitou tantas palavras e sentimentos coléricos que criou seu próprio laboratório de dejetos.
Esse Amor conduz pela mão o homem novo que que doa e perdoa a quem fez doer! E é perdoado.
E já não importarão os graus fahrenheits ou celsius, não importarão as piadas ruins, as catástrofes, os presentes de natal, as músicas novas de sucesso do Roberto Carlos...
Não importarão os pinguins e os ursos, cada um no seu quadrado polar. Tudo estará no lugar onde que deve estar e não exigirá mais a nossa preocupação.
Porque não seremos mais os mesmos e teremos uns aos outros.
Enquanto o Sr.Lobo não vem, vou procurar um suco de laranja!
E...
Nos veremos amanhã!!!
S.P!!



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PARTIDOS AO MEIO

 
*Ei, dor, eu não te escuto mais. Você não me leva a nada...
 
Fato é que dói existir. Talvez seja inevitável.
Ocorre que existir sem que a dor possa nos conduzir a um destino, mesmo que desconhecido, é alimentar a dor de existir com a dor de não ver sentido em nada que existe, ou em tudo que existe. Isso é quase insuportável. É uma retroalimentação de dores que não nos move avante, mas que nos faz rodar no eterno retorno do mesmo.
Sendo assim, ao redor do eixo da existência, o sentido de qualquer coisa implode e se perde em si, no suposto nada, no ralo que nem havia.
Para ver sentido, viver o sentido e não se desintegrar, mesmo continuando a existir, é preciso crer em algo... Na ciência, na matéria, em Deus, deus, deuses, deusa ou só acreditar no semáforo, no avião ou no relógio. Porque não crer em nada, em absolutamente NADA, também é insuportável. Todavia, não basta crer e viver apartado daquilo em que se crê. Andar paralelamente ao que se crê, é alimentar a hipocrisia, pois, a priori, paralelas nunca se cruzam. Não há encontro, há divisas. Na hipocrisia somos partidos ao meio. Eu vejo de perto a vida em que acredito, mas vivo outra vida que mais me convém. Ou não convém. Não a mim. Estou no convés quando o leme era meu.
Sim, porque se eu assumir a vida na qual acredito, precisaria também assumir a dor e todas as conseqüências igualmente dolorosas que exigem de mim um calcinatio.
No entanto, se eu negar a vida, a dor, as crenças e as conseqüências, eu nego a perfeição do mundo e nego a mim mesma. Escancaro as portas do meu reino para que meus piores inimigos se instalem. Inimigos que nascem em mim, de minhas negas. Negações!!
A depressão entra e abre a geladeira, senta no sofá da sala, liga a TV no futebol, abre a cerveja que ela mesma comprou, coloca os pés na mesa e arrota. E por mais que eu não possa admitir, ela é minha convidada. Se não tenho a vida que quero, não quero a vida que tenho. Infeliz e formidável abracadabra do pensamento. E a insatisfação se esbalda.
Não moro em lugar nenhum, nada cabe em mim. Não me encaixo, mas me queixo, porque é o que me cabe fazer, mesmo que tudo se acabe, já que estou fora do eixo, no deserto em desalinho.
Eu já sei... Aprendi que esse caminho é solitário, que nas chamas eu preciso aceitar e não julgar minha própria dor.
Ei dor, eu te vejo e te abraço. Se você está aqui, sou capaz de lidar com isso. Sou capaz de deixar que você me faça crescer e me transforme em alguém melhor do que consegui ser até aqui.
E é assim que me vejo renascer e percebo o desabrochar de todo o sentido das coisas do mundo. Ao assumir a vida, eu encontro a redenção. A verdade que liberta é a assunção.
Devolvo ao meu íntimo o amor que eu me devia. Esse amor me realinha e me torna integral. Já não sou partida ao meio, nem me sinto tão sozinha, pois eu sei que você é minha continuação.
 
*
*
 
* O Sol de Antônio Júlio Nastácia.
E outras estrelinhas para o cumpade meu Quelemém!
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Você é filho do Universo, não menos que as árvores e as estrelas.

Vejo meus irmãos se encolhendo diante das nuvens negras e das ameaças que vêm de longe.
Morrendo de medo do outro, de tiros, de fantasmas, das contas, do resultado do jogo, de vírus, epidemias, cataclismas, bactérias, do caroço da azeitona.
Morrendo aos poucos enquanto as células se renovam.
E sinto que muitas vezes esses mesmos medos habitam minha alma, entrando pelos furos provocados por um pica pau invisível, tão sacana quanto aquele dos desenhos.
Chegamos no alvoroço das amizades e nos frustramos perante o mar que se agiganta enquanto nos encolhemos.
Um mar de lama e caos gerando frutos do falso acaso que nos provoca espanto.
Colecionamos milhares de motivos para justificar nossa fuga, nossa desilusão.
Mas só se desilude quem se iludiu, baby. Quem evitou a verdade.
A verdade sempre esteve ao alcance de todos, mesmo das mentes mais dispersas, alheias.
As vezes ela dói, mas é só na entrada. É como uma garota que perde a virgindade.
Dói, depois melhora. Depois os filhos vem disso, o frutos, o prazer, a fonte da própria vida!
Já a desilusão é uma dor pungente, que aniquila sem oferecer o alento, uma luz que compense as perdas e que te conduza a um sono tranquilo à noite.
Somos imensamente maiores do que qualquer mal que se insinue, seja aqui, nas favelas, no senaaado, nos confins da África, da Ásia, de qualquer lugar.
A gente não precisa morrer à esmo, sem respostas. A gente não precisa de fundamentalismos para ver que o fundamental é o mais simples. A gente não precisa de um fenômeno para acreditar que uma semente se torna árvore.
A gente não precisa acumular reclamações no alforge pra ver que os nossos pedidos importantes foram todos deferidos.
Por que a gente não se solta dessa estaca e se deixa levar no fluxo da vida, do nosso tempo?
Por que a gente precisa querer explicar tudo imediatamente? Alívio imediatamente. Prazer imediatamente. Paz imediatamente.
Nem a semente vira árvore imediatamente.
Nada é pra já. Os escafandristas virão e o mar será colorido como o mar de Procurando Nemo.
Como nós quando encontramos uma relíquia sentimental que perdemos anos atrás. Cores ao redor!!
As coisas precisam do tempo para se definirem.
Nós precisamos de tempo pra ver que há luz em tudo, que há perfeição em tudo.
O que é isso tudo que nos adoece senão um fragmento da eternidade?
Estamos assim no mundo, parte dele, partindo para o futuro para no futuro ser e estar em tudo, como qualquer coisa criada antes e depois de nós.
Você é filho do Universo, não menos que as árvores e as estrelas.
 
****
Se todos os astros do mundo num certo momento caíssem no chão
Toda uma série de estrelas, de poeira descarregada dos céus
 Mas os céus sem os teus olhos já não brilharão.
 Se todos os homens do mundo levantassem a cabeça
 E saíssem voando, sem explicação
 Sem a sua bagunça, seu doloroso barulho
 Não pulsaria a terra, pobre coração.
 Me falta sempre um elástico pra segurar as calças
 De modo que as calças no momento mais belo me caem no chão.
 Como um sonho acabado, talvez um sonho importante
 Um amigo traído, eu também já fui traído, mas isso é outra canção.
 No escuro do céu, cabeças brancas peladas
 As nossas palavras se movem cansadas, balbuciamos em vão
 Mas eu tenho gana de falar, de ficar escutando.
 Fazer papel de bobo, seguir fazendo tudo o que me der na telha, ou não
 Ah! felicidade

(Felicitá, Chico Buarque)

Estrelinhas para o sempre Chico Buarque, para um texto provavelmente encontrado na Igreja de São Paulo, em Baltmore, para o Renato Russo, e para Rodin, que hoje é dodlle!!!


 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

INTERESTELAR CANOA (parte 1)



Então a música surge como um carro acelerado na via urbana onde a velocidade máxima é de 40km/h. Você atravessa, mal olha para os lados e é atropelado pela sentença: é impossível ser feliz sozinho.
Uma vez que toda a trajetória, toda escolha, toda consequência, toda alegria e toda dor possuem caráter personalíssimo, podendo ser vivenciada apenas por um só, pelo dono do corpo, da alma, do espírito; uma vez que o capinar é sozinho, uma vez que embora compartilhemos a vida, cada vivência é apenas nossa, como sobreviver ao impossível? Como sobrevivermos ao fato de sermos tão fatalmente sós e buscarmos a felicidade mais que tudo?
Você se apaixona e cria laços invisíveis com a outra pessoa. Laços que unem e laços outros cujas pontas são como ventosas da sangue-suga. É uma sangria afetiva realizada consensualmente. Você se inebria e da sua boca saem palavras cheias de mel. Você conversa como se estivesse falando com uma criança com menos de três anos!!! Tô com xaudade colaxão... Quem é a coisinha maisi fofa desse mundo?!!! Amo voxê...
Sua atmosfera é o doce encanto dos dias ensolarados cheios de borboletas no jardim, céu com arco-iris, pote de ouro e talvez um doente mágico.
Você faz promessas, faz planos, faz surpresas, faz loucuras, faz sacrifícios, mas não deixa de sentir a nuvem negra sobre a sua cabeça. E aquela conhecida sensação de que há uma bigorna fumegante no estômago só de pensar que o outro pode não sentir por você o mesmo encanto, o mesmo amor, começa a mudar sua freqüência de esporádica para constante. A expectativa da reciprocidade, da exclusividade, da priorização começa a se movimentar na intimidade, desgastando as malhas finas de um relacionamento, tornando a nuvem do amor mais gris. Essa nuvem não produz chuva, mas incontáveis DRs, relatórios e "isso requer". O relacionamento começa a ficar protocolar. O outro já não pode existir sem nos afetar. Não pode sorrir do mesmo jeito, nem abraçar seus amigos do mesmo jeito. Não pode contar piadas do mesmo jeito e nem cantarolar aquela canção do passado que ele gosta, que sempre gostou, mas que você preferia que ele esquecesse... Pra você, quando ele canta, ele lembra da ex, do ex, do passado onde você não estava. Todo espaço que você não ocupa te pre-ocupa.
A construção começa a ruir, mas ninguém reclama, porque a parte boa é quente, confortável, inunda a alma de uma alegria compartilhada, de palavras entorpecedoras, de volúpia. As arestas, o desenquadrado, os desencontros, as diferenças são compensadas por essa coisa incerta que se agiganta, se intensifica quando o mundo é apenas de dois.
Você se ajeitou na cama pequena, ou na king, fez um poema, cobriu o outro de amor, e o outro agradecido, apaixonado, retribuiu, almejou o altar, a eternidade, os filhos, os nomes dos filhos. O produto disso é tão cheio de energia que se parece muito, muito mesmo com amor.
Ora, quem poderá dizer que não? Quem poderá alegar que ambos não lutariam para permanecerem juntos, na alegria, na tristeza, na dor, na doença, na fartura, no fim do mês, nas aparições da ex,do ex, dos exes, nas ligações suspeitas, nas mensagens tortas do celular, numa foto, numa postagem curiosa do face, na novata gostosa da academia, daquele colega de trabalho que é pra lá de ousado... Claro que sobreviverão. Quem tem o amor, tem tudo, não é assim? Quem poderá dizer que aquela coisa pulsante que vivem juntos, que aquela vontade que sentem de se fundirem um no outro não é amor?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TODO O CARINHO QUE PROMETI

Meu caro,

Perdoe-me pela indiferença e pelas vezes em que já tive vontade de te dar umas chicotadas. Me perdoe pela falta de cuidado, pela falta de pulso, pela falta que faço.

Me perdoe por não ouvir seus apelos, por ter deixado o seu pelo embaraçar e por consequência ser tosado te deixando com aspecto de dama. Você era um rapaz garboso. E te transformaram numa moça froufrourenta com aquele corte de primavera "nadaver"! Me perdoe!! Também peço desculpas pela água quente, por você ter passado resignadamente um dia inteiro sem comer devido a ração enorme para adultos que julguei frescura sua repudiar. Hoje eu já sei, não se preocupe, que para você e o Sr.Gato é ração para raças pequenas. (Né, Leo?) Perdoe-me por eu não ter te amado de cara, por ter desejado algumas vezes que você trocasse de endereço e ficasse mudo. PErdoe-me por te prometer sempre carinho para amanhã.

Porque com tudo isso é incrível como você ainda abana o rabo quando chego, pula no meu colo e tenta lamber meu rosto. (Desculpa, mas a tia não tem como deixar isso ainda!). É incrível essa sua coisa toda incondicional   de mesmo depois de tantos dias passando sem que eu te faça um afago você deita em minhas pernas e dorme como se eu fosse a sua mãe. (lê-se Jeanine!). Eu acho incrível quando  penso que você está latindo por comida e depois de eu encher seu potinho você continua querendo cafuné. E só vai comer depois do cafuné!! O Sr. Gato quer saber é de comida mesmo.

E muito obrigada por estar ali, tão pequeno, tão spotivo, fazendo o papel de protetor, alardeando pra vizinhança toda que você não está sozinho.

E nem eu!!

                                          Leo e Spot rindo pra foto!!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NÃO ME DIGA

O que dói mais?
Uma bofetada ou uma verdade que vem de encontro à nossa espessa camada de ilusão?
A verdade atordoa, amor.
E isso é ruim.
Eu digo a verdade sem controlar os newtons e você sente minhas cócegas como um soco.
Me desculpe. Foi sem querer. Eu realmente não sabia que brita de construção tinha poder de granada. Quando arremessei, acreditei ser brita. Agora vejo esses escombros e fico em dúvida se o que eu tinha nas mãos era falso ou fevereiro.
Se era pra ser doída e sarar logo, ou se eu era doida de jogar pedras...
Nós fomos preparados para a ilusão, para saber o melhor de nós e para acreditar que jamais haverá algo que nos desabone diante de nossos afetos mais caros.
(Delírios do campo).
Queremos que calem a verdade para que o nosso sorriso possa escancarar-se enquanto os sentimentos perecem sem temperatura adequada, enquanto o mundo rui aos poucos e quase imperceptivelmente. Nada que retoques de cimento, areia, água, massa corrida e tinta não possam remediar.
Minha casa tinha um problema na fundação. A parede do rodapé estufava. E era mais cômodo pra todo mundo quebrar o estufado e passar novamente a massa, massa corrida e tinta. Fica bom por uns tempos. Depois volta o vício, o defeito. Não resolveu até que levantássemos a casa com "macaco hidráulico". Tivemos que nos mudar enquanto reformava, no entanto, o problema não retorna mais.
A verdade vem nos desnudar publicamente, mas já estávamos nus como o imperador com suas roupas novas. Todos já percebiam. Poucos tinham a coragem da criança para revelar o que já era óbvio. O imperador estava nu, sem bolso para por as mãos e o ego.
Toda vez que falta luz, toda vez que algo nos falta, o invísível nos salta aos olhos.
E coitado de quem se dá ao trabalho de colocar a verdade sob a luz do sol.
Esse "bastardo" se transforma de (r) repente no vilão, no monstro da lagoa negra, cruel e feroz açoitando com seu rabo espinhento a princesa indefesa e generosa, tão amável, tão sem defeitos.
Por favor, façamos silêncio.
Se perguntarem algo, diga que está tudo bem.
Se não perguntarem, permaneça em silêncio ou comente sobre o infame sucesso da última semana. Fale da poesia marcante da música do Fiorino, do Camaro, das mina que pira...
Faça a digestão de seus sapos.
Não queira perturbar a ordem, explodir rumores e insatisfações...
Pra que? Todos estão tão bem, tão confortáveis, não percebe?
Sorria e acene.
E o mundo permanecerá em paz!

**

Me abrace e me dê um beijo / Faça um filho comigo / mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo / Procurando novs drogas de aluguel nesse vídeo coagido...  

**
Estrelinhas para o Rappa, Christian Andersen, Legião Urbana, Humberto Gessinger e U2.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Água

Se pudéssemos, inventaríamos o perdão em cápsulas.
De variados miligramas, proporcionais ao tamanho da ofensa.
E iríamos mensurar tudo para cada pessoa.
Acredito que também inventaríamos a calma, a paciência em conta gotas, em cápsulas, com mais de 50 sabores.
E poderíamos combinar a paciência com a resignação, com o altruísmo.
Já pensou, tomar seu chá ou café com 2 torrões de amor?
Imagine só você adquirir uma cartela com 30 pastilhas de inteligência????
E sabedoria em gomas de mascar.
Se pudéssemos fazer isso, qual seria nossa moeda de troca?
Será que o amor seria produto do mercado negro, à venda sem receita?
Quem tivesse maior poder aquisitivo compraria amores pefeitos?
O que teria menos saída?
Qual seria o campeão de pedidos?
Uma dose cavalar de alívio e serenidade para os corações partidos.
Bolinhas homeopáticas para estresses funcionais.
Bom humor em sachês...
Simples assim!
Vamos sintetizar a evolução e facilitar os processos qua há milênios vivenciamos.
Quem sabe um coquetel de virtudes não acelere a primavera das nações, não precipite os frutos outonais de toda conquista, de toda empreita?
Quem sabe, ao contrário da canção, eu durma mortal e acorde como um deus, com poderes para amar tudo ao meu redor, mesmo diante de flechas ou de qualquer adversidade.
Ou quem sabe não padeceremos de uma overdose de virtude cujo peso seja insuportável para nós e cujos efeitos sejam de difícil convivência para os nossos?
Enfim...
Um dia de cada vez.
Hoje melhor que ontem.
Sem pílulas!
Temos tudo.
Temos água.
Água.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A ALMA DO NEGÓCIO

Meus pais, quando ainda namoravam, passaram um período se encontrando apenas 2 vezes por ano. Uma nas férias de julho e outra nas festas de fim de ano. A comunicação era por cartas que com frequência eram revistadas pelas freiras do internato onde minha mãe estudava. Conteúdo impróprio não era enviado ao destino. Acho que era assim, pequenos crimes legitimados pela proteção à moral e aos bons costumes. Mas nem é disso que quero falar.

O fato é que para o meu pai e minha mãe, a eternidade durava muitos meses. Hoje em dia, se eu clico no ícone e ele não abre imediatamente, eu já acho que a eternidade cabe ali. Quando navego pelo firefox e de repente aparece a tela: "Desculpe, Isto é constrangedor!" eu logo ativo a paciência.

Antigamente 1 minuto demorava mais pra passar, mais que um chiclete!

Hoje, curiosamente, as coisas andam mais depressa e mesmo assim ainda não temos tempo pra quase nada. Nós nos apressamos na proporção em que o mundo se apressou e até nos centros quase rurais crescemos como frango de granja. Derrepente (detesto escrever essa palavra aglutinada assim. Eu gostava de de repente... thin air), então, derrepente as coisas ficaram sanfonadas, cresce aqui, diminui ali. Tenho amigos de longe. Meu sobrinho no sul de MG espirra e em tempo real eu digo "saúde" sem gastar nem impulsos telefônicos. Minha amiga da Polônia tira uma foto e dez minutos depois eu comento a foto, as luzes, os balões e os pombos de uma praça polonesa. Quero tirar uma certidão negativa de alguma coisa e nem enfrento fila em órgão público. Só digito algumas senhas e provo que não sou robô. Mas a loucura disso tudo é a hipnose provocada pelo cruzamento de dados dentro da Matrix. E como isso funciona bem, principalmente sobre os incautos.

Me considero uma pessoa muito simples. Nunca fui de deixar me seduzir por vitrines e vendedoras que chegam com sacolas repletas de coisas bonitas das quais definitivamente não preciso. Calcinha, jóias, roupas, sapatos, bolsas... Sempre consegui ficar na minha, a menos que estivesse mesmo precisando de algo.

Ocorre que o sistema impressiona pelo apelo sutil, aliás, pelo apelo descarado que realiza nesse veloz mundo a divagar. Meu tênis, velho de guerra, gastou o solado de tanto usar. E justo agora que eu tinha inventado de caminhar na lagoa. Como não tenho muito tempo para ir em lojas e ficar experimentando um tênis, me indicaram um site na internet que vende calçados: Vai lá! É ótimo, tem vários modelos de todos os preços e marcas e chega em 3 dias.

Fui lá, né?! Em 2 horas agradei de um tênis e realizei a compra... Por que demora também, sabe? Você encontra um modelo e ainda clica no botãozinho de cores daquele modelo. Talvez demore mais do que ir numa loja física, porque são tantas as opções. Mas já era tarde da noite, nem tinha loja aberta naquela hora. Era domingo... Então (...) Comprei o tênis e saí do site. Antes de clicar na escolha, cliquei em vários modelos que iam me agradando pra fazer um melhor de 20 no final.

Saindo do site, não achei que aquilo iria interferir em minha vida. Rá...

Na segunda-feira, meu e-mail já estava infestado de promoções e anúncios. Como não tenho tempo, vou excluindo tudo. Mas isso não basta. Os anúncios te perseguem. Um dia desses pensei: poxa, comprei um tênis pra caminhar... Agora preciso de um para o dia a dia. Pois é, comprei outro. Mas o sistema quer sempre mais de você. Quer dominar sua vontade, quer descobrir seus gostos, suas preferências, quer te seduzir com falsas ofertas e te empurrar corpo afora viagens, tênis, tratamentos de beleza, acupuntura, mapa astral, comida e tudo o mais.

E é tenaz!

Você juçga estar imune aos reclames, mas é preciso ter o chamado "domínio socrático". Há alguns dias estava eu num site jurídico, JURÍDICO, quando notei um anúncio na lateral da tela. Entre anúncios de cursinhos e livrarias, a loja de Tênis. Eram todos os modelos que gostei passando em fila! Exatamente aqueles que eu desejei!! Se eles pudessem rebolar, eles rebolavam. Mandavam beijo, davam piscadinha... Então aquele tênis do qual eu definitivamente não precisava, mas que era lindo, desfilou deslumbrante na tela, desviando minha atenção do artigo tão importante que eu deveria ler.

Autômata, cliquei na figura que aumentou e tornou-se a página principal em meu monitor. O tênis estava na promoção.!!!!25% mais barato do que o modelo parecido que vi na loja da avenida. Meu cérebro começou a criar argumentos para legitimar a possível compra. E entre pós e contras vi surgir uma janelinha com os dizeres: Compra realizada com sucesso. Parabéns, você acaba de adquirir um produto de qualidade.

Simples, quase indolor. Parece mágica! A gente até esquece as prioridades... A gente nem lembra que há pouco discursava sobre autonomia, simplicidade e liberdade... A gente se entrega na onda e rala as coxas, costas e bunda na praia porque não aprendeu a furar a onda, a surfar com maestria, a resistir.

E quem quer resistir?
Quando acabar, o maluco sou eu...




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Para que as sombras não revoguem o sol que há

Eventualmente empunhamos armas com dolo de acertar o alvo.

Eventualmente acertamos.

E erramos muitas vezes.
Eventualmente ficamos depressivos, reclamamos, cometemos pecados capitais e interiores, vilarejos e pecados mato.

De vez em quando ferimos alguém com a navalha afiada de nossas palavras, de nossa indiferença ou por ignorar deliberadamente o enorme e colorido elefante no meio da sala de estar.

Em alguns períodos desaparecemos no ocaso e deixamos de perguntar pelos amigos, pelos afetos, pela família e as convalescências.

E eventualmente sentimos raiva, perdemos pontos, médias, fazemos uma manobra toda errada para estacionar o carro, esquecemos de retornar a ligação.

Porque eventualmente, e apenas eventualmente, nós estaremos o oposto do que somos.

E o que completa a soma do que somos é aquilo que fazemos na maior parte do tempo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

E O QUE É ESTAR EM PAZ?

Disparou corrida quando percebeu o estouro da boiada...
Qualquer um sabe que em campo aberto, em condições assim, as chances de sobreviver são de 33,3% mais um milagre. (Reze 1/3.)
Todavia, como a qualquer um ocorre, ele correu.
Pelas leis da natureza, pela conservação de si.
O milagre é sempre relevante. O improvável acontecendo, não raro, é um fator a se considerar.
Antes, somos sempre os aventureiros contando com a boa sorte, mesmo que a crença na força das estrelas sobre nossos destinos seja mais desbotada que a  marca d`água de uma nota nova de cinquenta reais.
Desbravamos sertões e veredas, matas e mortes de pensamentos e sensações, muitas vezes tão dispersos, deslocados, avulsos e eventuais.
Quantos amores fora do contexto já decidimos cultivar e que por completa rebeldia preencheram todas as páginas seguintes do livro, modificando o curso da história? Que história irreconhecível e tão familiar nos revela esse livro?
Um livro que deveria ser escrito com outras mãos, com outras palavras, com linhas todas ajustadas, nos montes de Vênus e Saturno, completas e intensas, nascendo na base dos dedos e morrendo no punho como ondas na areia.
Antes, somos os poetas tentando compor versos de rimas preciosas, inundados de dolo, tecendo estrofes com a força e velocidade de uma bala de fuzil. Todos, por trás das linhas tortas, nas trincheiras entre linhas, queremos penetrar corações e fazer o sangue verter, escorrer lacrimoso e denso pelas escadas, pelas ruas e pelo abdômen. Sem domínios, sem curso definido, sem intenção de conquistas, mas já se apossando do lugar, delimitando com rastro encarnado seus hectares.
Antes, somos os pedreiros da reforma, quebrando as paredes e transformando a arquitetura dos espaços, aqueles que acidentalmente destroem o jardim com tinta, cimento e pegadas.
A paz será o que existe antes de provocarmos o susto no gado ou o que existe quando os 33,3%, o improvável e o milagre nos deixam em lugar seguro, respirando aliviados enquanto o coração se acalma?
*
*
* Estrelinhas para Luís Kiari

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ

Tem um GPS no meu celular.
E minha cabeça abriga tantas dúvidas que daqui a pouco haverá revolução, guerra civil, luta pelo espaço cerebral, sentimental.
Quem ocupa mais memória ran dentro de mim? Minha saudade se mede em gigas, teras ou em metros cúbicos? Eu te amo daqui até a mais distante cratera da lua. Estou com saudades daqui até o planetóide longínquo da galáxia de Andrômeda, indo de burro e com dor de dente. É longe!
Você sabe quantos continentes há dentro de cada um de nós? Seremos a réplica da Terra? Um replicante contra Blade Runner?
Em vão a gente tenta encontrar um dispositivo, uma calculadora interna que nos forneça o número exato que resolva nossas ações e inequações.
Como o computador do primeiro volume do Mochileiro das Galáxias, cuja resposta para o segredo da vida, do universo e tudo o mais era 42. Simples assim! Esperamos milênios pela grande resposta e no final é 42. O que faremos com esses números?
Eu venho de longe, estou cansada, agitada, ferida, estou alegre, eufórica, estou triste, eu amo, odeio e minto, eu reconheço meus erros, eu emito desculpas, eu omito alguns fatos, eu escancaro as misérias.
Eu magoei e perdoei. Eu sofro e suplico, eu peço anestesias, eu peço pro sangue correr, fluir, eu me apaixono, eu devoro e sou ruminada. Tenho manias. Meu quarto é uma desordem, mas não suporto o quadro torto na parede, ou o tapete de entrada fora de esquadro.
Eu entendo os homicidas e os portadores de transtornos mentais, eu me assusto com o excesso de sensatez. Eu faço canções e ouço canções. Tenho orgasmos lendo Guimarães Rosa, e talvez seja tão estranha a ponto de gostar mais de uma frase bem feita do que de sexo.
Fico feliz quando vou à sorveteria, Eu erro caminhos. Dou referências bizarras, como "Esse lugar fica em frente a uma caçamba da Codesel e sempre tem uns meninos jogando peladinha no meio da rua.” Meu banco de dados é cheio de pastas a renomear e sempre trava pedindo login.
E tenho um aplicativo que diz: "Você quis dizer." Meu programa é muito mais complexo do que qualquer circuito japonês e desafia os milhões de números combinados que geram declarações de amor e de guerra, ou apenas vocativos comuns pra chamar atenção ou dar bom dia.
Mas meu cérebro pode ser reprogramado. Existem diversas correntes que defendem a mudança de minhas atitudes com uma simples troca na maneira de pensar. E enquanto penso, eu digo: I have feelings, como o Data do Jornada, como A Super Vick, como o menininho de AI, como o homem bicentenário do Robin Wilians, como tantos outros robôs que almejaram a nossa humanidade, enquanto eu muitas vezes desejei ter entrada USB!! E não façam piadas infames com isso! Mas até pra isso seria legal: Me passa um filho por bluetooth? Vamos compartilhar nossas vidas, nosso colchão e nossos arquivos?
Ainda não fiz o download de todas as informações que eu gostaria de ter e que tornariam nossa vida mais prática. E mesmo que eu seja a mais inexata medida de mim mesma, sem simetria e ordem, sem sistemas binários ou solares, eu preciso provar que não sou um robô e digitar caracteres aleatórios para meu comentário ser aprovado em uma página virtual.
É claro que eu não sou um robô! Olha pra mim.
Se eu fosse, já teria me programado para tudo que ainda não consigo fazer e faria mecanicamente tudo o que me custa esforço, suor e noites revirando na cama.
Mas... Tudo bem!
Quero que minhas palavras demasiadamente humanas sejam sentidas, por isso vou digitar os caracteres numa sequência de letras sem sentido e torcer para que não produzam efeito devastador e provoquem pane no sistema.
Gosto da sensação de esperar ser lida na serenidade da página enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo. (S.P!)



domingo, 1 de abril de 2012

TERCEIRO ATO

Nós poderíamos velejar em mar tranquilo
sem que os ventos soprassem o medo contra nosso rosto
E tudo estaria bem
Nós poderíamos passear pelas gôndolas de Veneza
Sem que o tempo imputasse culpa em nossos autos
E tudo estaria bem
Nós poderíamos conhecer a lua
Sem que o espaço dilatasse a distância entre as naves
E tudo estaria bem
Mas nós estacionamos desperdiçando a órbita
e não sabemos exatamente onde está o problema, se há realmente um problema ou se temos apenas fatos.
Rezamos pra tudo ficar bem enquanto a noite vai,
enquanto vêm os dias, as madrugadas
Enquanto o passeio mais longo é descer e subir a escada e ainda assim se cansar.
Existe uma rota e um verso, uma linha de costura e de chegada
Meus sentimentos cabem numa cartela de comprimido
Cuja combinação com a água movimenta a escala Richter
sem causar desconforto com a possibilidade da tragédia
Coisas pequenas tendem a crescer e nem sempre tudo fica bem como se espera
A gente desaprende a repartir e a continuar seguindo acrescido de tudo o que nos falta, de toda luz que é farta enquanto a miopia dança valsa em nossa olhar
Aquelas coisas muito parecidas com o amor
nos acenam e oferecem cartas, alforrias e abrigos
Porque nós decidimos parar aqui nesse lugar sem placa ou sinalização?
O que pode crescer, brotar, vicejar nesse lugar
a não ser a ânsia, a flor da náusea?
Quais são os perigos que corremos enquanto estamos paralisados?
O céu inteiro brilha a palavra permitir
e guarda lugares mágicos para onde podemos ir
quando tudo isso passar, quando o passado parar de latejar
sanguíneo e nervoso como o efeito de uma martelada no polegar.
Se eu não entender nada até o final da estrofe
será que o mundo vai fazer mais sentido do que aquelas setas
que há quilômetros apontaram para lá?
Por algum motivo trilhamos o inverso com a bolsa repleta de estrelas-guia,
alimento para as horas perdidas, para a ausência de rotas e de certezas.
Se acaso nós descobrirmos que erramos o caminho de propósito
e como prêmio de consolação recebemos um pôr do sol magnífico,
beijos guardados na palma da mão, pipoca e aconchego de edredom,
será que teríamos novamente o propósito de errar?
O relógio anuncia o xeque-mate
Não vou me dar por vencida
Não perdi, nos perdemos
Nós perdemos, olha aí...
Mas se eu souber que você está comigo
Mesmo que a noite caia
Que raios partam de lá para nossa estratosfera
que os crimes continuem movendo jornais
e o preço do dólar ascenda como elevadores,
Se eu sentir que você está comigo
Mesmo que os presidentes renunciem e proclamem monarquias
Que a fome assalte os reinos rendendo glutões e famintos
Que meu time perca os jogos , que as divas percam o timbre
lesando as cordas vocais
Se você está comigo
Apesar dos pesares da Terra,
Das contas vencidas
E das crises mundiais
Apesar do esforço que faço pra ficar aqui também
Sob a mira do campo inimigo
Se eu souber que você é comigo
Sei que tudo vai ficar bem.

terça-feira, 20 de março de 2012

REIS


Não se fere um rei a ferro e fogo
Eu não desejaria ao fogo, à febre um rei
Seja cangaceira a carta à Espanha
Seja d'ouro a cana, o canto servo, a lei

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Não se cala um canto, uma discórdia
A língua que separa a prece
Ilude o mesmo Deus

Não se foge ao mar a procurar relíquias
Sujeitando a mata a recriar o caos

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Dizimando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu

Da mortalha a peixeira que usei
Cada prece iludida que preguei
Desbravando o meu peito sem fronteira
Agora eu sei

Consumando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu
*
*
*
*
O ERRO É MEU.

*
a música, da Maria Gadú...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lamas no Everest, Belo Horizonte no meu coração

Amo o céu cobalto.
O céu cobalto pinta de outras cores meu íntimo, diferente dos dias quentes (reclamando pra variar), que lançam chamas, incendeiam e de herança deixam a fumaça, a fuligem e a dificuldade de respirar, de esfriar a cabeça, de dormir abraçado em conchinha, de enfrentar filas, de oferecer amor em troca de cada pisão no dedo inflamado.
O cobalto me torna um pouco mais paciente,assim como minhas doenças.
Piada estranha, né?
De perto pouca coisa é normal!
Sou mineira de Pará de Minas.
Pará de Minas, Luas da Terra...
Em dias de chuva, Sete Lagoas parece a lua. Enche de crateras e de vez em quando vemos emergir o monstro lunar.
Em Guaranésia, sul de minas, havia a mulher do cemitério. E o mais belo por do sol com cheiro de café daquela região.
Em Vila Velha há a terceira etapa, o terceiro sexo, a terceira ponte. Parte dela. A outra, parte sobre o mar rumo a Vix. É o trânsito flutuante mágico. Cariacica tem caranguejos e a Avenida Expedito Garcia, flor da manhã, padaria e movimento. E tem a Rua Jerusalém, um pedaço de Minas com polenta capixaba!
Viana tem o passado a limpo, uma amoreira e cheiro de perfume.
Domingos Martins tem uma pedra no meio do caminho, com um lagarto paralítico que brilha úmido quando há sol depois da chuva.
Marechal Floriano tem o aconchego da serra, do frio, dos lagos e cavalos.
Araçaí tem um portal, argila de moldar o pensamento, pequi e casos de assombração. No cerrado, os dragões bafejam, mas a noite os asserena.
Serenô, eu caio, eu caio...
Eu caio em Belo Horizonte.Capital afrancesada, província iluminada cheia de ruas e carros. Nunca vi uma cidade tão pichada quanto BH. Os pichadores de lá são os mais aventureiros de todos. Pense num lugar improvável e verá spray borrifado formando letras e códigos. Garatuja urbana, maltraçadas linhas antropológicas da cosmopolita e caipira cidade. Seus encantos me fizeram sempre andar no interior, perifericamente distante, como se o sol não delimitasse meu horizonte ali.
Eu percebia sim que mesmo brincando de roda, girava ao redor de BH enquanto minhas águas convergiam praquele ponto e eu não pudesse conter o fluxo.
Contive, mostrei que meus braços ficam fortes quando remo contra a maré.
Então o tempo passa e a força aumenta o poder dos gentílicos.
Somos arrastados junto com todas as outras cidades para o interior da capital, sem pecado, sem estado civil, sem outras fronteiras a não ser as placas dos motéis, dos um milhão de motéis que precedem BH, com volúpia, açúcar, afeto e promoções de pernoite. Com certezas derretidas como queijo na pizza e com a dúvida se o amor mata mais do que as DSTs!
Tapetes vermelhos se estendem para desfiles nem tão elegantes assim de jovens com sonhos universitários de proclamarem a república para o resto de suas vidas e depois se transformarem na plebe agonizante e feliz cantando acappela todos os hinos de massa! Reis e rainhas sem trono, assim como eu, rainha de estrelas que já deixaram de existir, embora a sua luz ainda visível insinue outros castelos.
Tanto chão pra andar.. O céu, a terra e as pessoas... Você pode me estranhar, mas eu prefiro as Sete Lagoas.O mundo é uma bola só, onde a gente desvaria e voa. Você pode até estranhar, mas tem sentido ser sete lagoas.
Radicalmente!
*
*
*
Se eu não fosse analfabyte, postava a música "Três Coroas" dos The Darma Lovers. Vã, vc se habilita?

sábado, 10 de março de 2012

A força que faz a flor nascer

Eu deveria oferecer a minha cara a tapa, assumir as culpas, os erros e os jardins que abandonei.
Assumir a poeira que se formou, a crosta de sujeira sobre todas as promessas, a ferrugem do sorriso e o desgaste das amizades por pura negligência, púrpuras chuvas que não fizeram março fechar nenhum verão.
Será que alguém vê mesmo alguma coisa? O sol nas bancas de revista, me enchem de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia???
Eu não leio. Eu não vou assumir. eu não vou enfrentar.
Os erros, a poeira, as traças e a ferrugem são causas naturais, aconteceriam mesmo que eu fosse contorcionista e me esticasse até a última fibra gritar.
A gente vai até onde dá e se possível mais um pouquinho pra ver se o passo se adapta ao andar do mundo.
Mas o mundo voa.
É quase desleal.
Mas é justo.
Esse mundo é cheio de justiça e flores.
Eu faço minhas orações e procuro não morder as maçãs.
Mas sabem, adoro maçãs.
*
*
*
*
*
Não sobrará mais que o leito de um rio...
Enquanto o homem não acorda, idiota, nem nota
Se enforca com a corda da própria tensão....


Estrelinhas pra Caetano, Maria Gadú, Dani Black e pra Eva.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rir, o breve verbo rir

O sertão ensolarado é um imenso portal.
Quem conhece os ares, o solo, os pássaros, os rios e os segredos do sertão, consegue sentir quando a natureza se agita e aquece por dentro e por fora do ser.
O portal é passagem de energias e outras matérias.
É por lá que o sol entra sobre cavalos, rente à vegetação rasteira, entre arbustos e histórias permeadas de mistérios, lendas e interrogações.
Na história de cada um, longas veredas.
Não sei há quanto tempo caminho.
O suor que escorre no rosto, chega ao chão e continua infinitamente, deixando um rastro que edifica cidades inteiras, algumas sumersas, outras, ocultas nas dimensões invisíveis à nossa risível ignorância.
De longe, o berrante do boiadeiro fantasma consegue me atordoar.
Sigo silente sobre os pastos o sob um céu intenso, azul de cegar.
As almas que perambulam comigo não possuem corpos, mas possuem histórias e casos, dívidas e nomes.
Curioso, mas não consigo entender o que é a solidão, embora tenha nascido só, embora faça só a passagem para o reino da morte, embora colha sozinha o que com minhas mãos semeei.
Não lembro de ter sido abordada pela solidão nesta estrada.
Lembro dos dias tristes, dos percalços, das dúvidas, das noites frias, no entanto, guardo em mim a lembrança de outras presenças nos momentos mais graves da luta, nos abraços reconfortantes e nas palavras luminosas que impulsionavam meu avanço.
Nem sempre estive atenta aos sinais da vida, às codificações da natureza, entretanto, sempre acreditei que era possível avançar, construir, garimpar pequenas felicidades, mesmo me sentindo em vários momentos uma peça à parte, avulsa entre tantas outras. A única bala verde em um saquinho de balas coloridas.
No horizonte, o sol se despede vibrante e a noite nascente herda o calor, o vapor e a procura das aves (que voam em bando) por um lugar mais seguro.
Lá no longe percebo a curva que me conduzirá ao meu destino.
Esboço desânimo e cansaço e no momento em que intento reclamar, o ar se movimenta e sopra meu corpo. É o vento!
De onde ele vem? Onde está seu início? Será que vem pro meu alívio ou sou obstáculo em sua passagem?
Faço cessar as questões. Sempre chega a hora em que não é importante perguntar nada.
Não raro, esta é a mesma hora em que as respostas chegam e nos preenchem, fazem com que tudo ganhe sentido extraordinário. As vistas notam o que antes era imperceptível, e a realidade revela outras cores, outros tons, verdades desconhecidas.É uma breve epifania!
Nesse instante, tudo é perfeito. Do átomo ao arcanjo.
Vivencio o instante magnífico, onde o ser se expande até para os lados que não existem.
Importa apenas o que sinto, esse infinito dançando em mim.
Eu rio!(E seus afluentes)
Preciso seguir enquanto o vento vai embora e voltam acelaradas as coisas comuns.
Atrás de mim, um oceano de ocasos.
Estrelas querem despontar...
*
*
Grata a Guimarães Rosa por irrigar essas veredas.
Grata a quem inventou a bala goma, vulgo, jujuba.
Grata a quem criou o filtro solar (conselho bom nesses tempos!)
Gratidão aos ventos de alívio!
*
*
Rir, breve verbo rir, lido ao contrário forma a mesma frase. (Palíndromo)
Mão e contra-mão!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Solo tu amor



Os raios de sol dissolvem meu pensamento em mais de cem sentidos.
Eu procuro a resposta da vida perto de cada ventilador.
É estranho como um hidrotônico me traz mais alegria do que a cara terapia de verão.
Trocamos palavras sem intenção de matar.
Esperamos com aflição cada reposta eletrônica ou não.
Desejamos ardentemente a resposta criada por nós mesmos, antes de perguntar.
O sangue segue fervendo, a esperança se funde aos ossos do corpo e passa a fazer parte de toda sentença.
O chocolate derrete na bolsa e se espalha no forro interno. Agora é como se a carteira, as chaves, os papés amarelos dos cupons fiscais e a bolsinha do celular fossem feitos da mesma matéria.
Em certos momentos o suor parece justificar toda a intolerância e a irritação que deixamos manifestar.
Será que as justificativas cicatrizam as feridas que abrimos com protocolos e solicitações deferidas? (...)
Será que o sol é culpado por não haver camada de ozônio suficiente que nos proteja?
Será que por ser mega-hiper-ultra violeta, essas flores do supermercado nos trarão a luz?
Haverá um parto normal? Uma maiêutica sem lágrimas? Indolor?
Será que há garantias para nós?
Cada movimento do sol sobre você
Cada móvel velho e cada anoitecer...

Da me tu amor
Solo tu amor

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

QUE O NOSSO AMOR SE DECLARE MUITO MAIOR E NÃO PARE EM NÓS

Pensando bem, sou um tipo de kami kase, meio sádica, que protela a vida para que o último minuto assegure a sanidade e ordem necessárias.
Até lá, é todo esse suor, essa aflição, esses minutos que se sucedem sem perdão diante dos meus olhos e mesmo à minha própria revelia.
Na contagem regressiva, forço uma solução inexata demais para as necessidades do mundo.
Todos olham para mim com os sfincteres contraídos, cheios de fórmulas e prazos, e eu devolvo a agonia travestida em remendo.
Remendo para esse falta que sobra na lógica.
Remendo para todos os compromissos inadiáveis.
Remendo para essas soluções temporárias que ao se prorrogarem periodicamente, se estendem ad eterno, encontrando o próprio rabo na segunda volta.
A pilha de poeira, protocolos, passado e lixo se formou com minha tácita permissão e vejo, com certo espanto, que ela possui um sistema de auto alimentação.
O sol faz com que tudo isso pareça mais intenso do que a verdade sugere.
O sol fumegante das 19:00h. O sol que adentra a noite e seca as roupas , mesmo aquelas urgencias que se resolviam atrás da geladeira.
O mesmo sol, a mesma Terra. A diferença entre o possível e o desejo. Entre a licitude e a conveniência.
Nós poderímos simplesmente dar as mãos e criar um mundo, fazer coisas novas, pintar o cabelo, mudar o nome, o endereço, a ficha genética, a cor da íris, a árvores genealógicas, a ordem dos fatos...
Poderíamos mudar a letra e alterar as linhas de nossas impressões digitais.
Quem sabe?
Todavia, isso não parece possível aqui.
Aqui é uma enorme boca cheia de realidade e movimentos precisos e contínuos.
É preciso estar aqui.
Ficar aqui e agir.
Aqui.
É preciso apertar o botão, oferecer virgens ao sacrifício, ostentar o chicote com o qual espantamos o leão.
Acho graça! E acredito que muitos se espantariam ao saber que as virgens ensaiam para um sarau bem no meu quarto. E o leão é meu bicho de proteção.
Quem tiver coragem, se aproxima. Quem ousar, afaga.
E o botão, ah, o mundo hoje é cheio de botões!!
Teria que resolver primeiro a equação que me confirmasse que aquele que acredito ser, seja realmente o certo.
Pois com a tensão em que estou, sou capaz de explodir o mundo, baby, acionando dispositivos errados.
É por isso que em todos os casos devoro lentamente, mas com ânsia e gosto esse pote de Nutella.
Porque a vida precisa ser doce.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Stultifera Navi

Então o vento lá dentro da serra,
onde apenas havia o barulho insensato
das coisas sem nome
começou a bater (a bater, a bater)
a bater rataplã (rataplã, rataplã)
no tambor da manhã.

Quando todos decidimos embarcar, cada qual ao seu turno, havia um pacto anterior.
No momento em que eu cheguei, o mar estava revolto, mas eu não tinha consiência sequer da gravidade da luta.
E da turbulência do mar.
Mas sob os amparos e cuidados da grande mãe, o medo acabou e pudemos navegar em águas mais calmas.
Após, o quebra cabeças insano da vida apresentou novas sequências e sempre havia um encaixe, mesmo no improvável.
Porque ele conhecia o segredo de cada peça e ela sabia o motivo e a finalidade dos quadros formados.
Encontramos perfeição nas linhas tortas.
E sabíámos que só era possível se fosse completo.
Fomos nômades, errantes em cada lugar e por isso mesmo tão necessitados de outros crepúsculos.
Pregamos nossas bandeiras no chão de vários terras, conscientes do sangue cigano que nunca foi filtrado de cada fio de veia, de qualquer artéria, arte bem feita, carente de interpretação.
Seguimos à margem de mil convenções, fração imprópria de cada conjunto.
Mas à margem, inserimos no contexto o jeito ímpar que eles conquistaram e nos deixaram por herança.
Superando as dificuldades com leveza e criatividade.
Sustentando o peso das dívidas e dúvidas como equilibristas e sabendo da incrível possibilidade de percorrer a corda apenas com o conhecimento da fé.
Hoje, no cais, cada um possui o própio bote e outros roteiros de viagens. Era esse o fim, a finalidade.
Vejo navios partindo com mar agitado, vejo outros em construção, vejo navios atracados em baixa maré.
Dentro de mim, apenas o desejo de soltar as âncoras de quem vai, de escolher ficar em terra firme ou embarcar num desconhecido oceano e ainda assim estar em uníssono, mesmo distante, mesmo sendo uma peça não muito importante no esquema atual.
E guardo também o sentimento inabalável de que o amor que não se ensina nem se aprende está em nós, vibrando, quase que transmitido por osmose, vindo dele e dela.
Sendo ele e ela, somos todos irmãos.

***

À minha família.
Inpirada pelo Otávio.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PORQUE É

SEU ANIVERSÁRIO!!

O SBLOGONOFF COMEMORA,
MESMO NO RUSH,
PORQUE O AMOR QUE VOCÊ ESPALHOU
NO CICLO QUE SE ENCERRA
MERECE SER CELEBRADO!!!
MERECE SER DESTINATÁRIO
DOS MELHORES DESEJOS!
PARA QUE SUA JORNADA TENHA
FELICIDADE POR COLHEITA!!

PARABÉNS, PEQUENA!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Grandes Esperanças

Acabei descobrindo que o mundo apenas acontece quando nos mexemos também.
Como já cansei de dizer por aqui, TUDO É MOVIMENTO!
Sem movimento, não há cheque-mate gelado!
Rotação, translação...
O tempo não pára.
Só corre.
Socorre.
Algumas circunstâncias nos adotam, mas a minunciosa análise me leva a crer que demos causa mesmo ao inesperado, ao surpreendente, à tudo aquilo que aparentemente não escolhemos viver.
Nuns dias chove, noutros dias bate sol.
Quente.
Quente.
É verão, bom sinal, já é tempo de voar.
Devemos agora prezar o período que passamos em nossas crisálidas.
Devemos voar.
Em jardins, em pântanos,em avenidas ou rodovias.
Devemos voar.
Se eu precisasse descrever com apenas uma palavra o que foi 2010, diria: APRENDIZADO.
Foi um ano de muito aprendizado, escolhas, superações, venturas e aventuras.
E foi o ano que mais revi meus conceitos, meus pré-conceitos.
Flexibilidade!
Eu sou aprendiz!!!
Mas espero que 2011 seja um ano de aplicação!
Já é hora de praticar tudo o que aprendemos com a razão e com o coração.
Não falei de natal (mais por falta de tempo que de texto!) e nem vou desejar coisas felizes de control-c, control-v.
Mas é claro que espero.
Tenho grandes esperanças!
Espero que vocês provoquem a inércia dos pensamentos, das opiniões que não mudam, de toda rigidez e todo o medo paralisante.
Shake, shake, shake!!
Pra vida acontecer.
Pra felicidade acontecer.

Porque 2011 será um ano ímpar!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viajantes


Venha, pequena estrela
Nós não temos nada a temer!
Esse caminho que percorremos nos fez fortes.
As cicatrizes do nosso corpo, da nossa alma, são capítulos vivos de um livro sagrado.
Dê-me a mão, porque até aqui nós podemos caminhar juntos.
Adentrar o arco-íris, adentrar os corações, avançar um pouco mais rumo a essas verdades que não cabem nos olhos.
Vamos deixar que o amor se expanda, pequena estrela.
Você me pergunta porque fomos criados.
Fomos criados para amar daqui até o infinito.
Estivemos na poeira dos planetas, na composição dos astros, estivemos nas montanhas, nos oceanos, nas florestas...
Estivemos nas cavernas, nos pântanos, nos paraísos...
Somos únicos, mas consubstanciados somos todos um só.
Viemos das mesmas mãos e temos o mesmo destino.
Você possui o segredo do universo contido em cada partícula, pequena estrela.
Sua proteção e seu amparo.
Tudo em você.
Não tema.
No conjunto perfeito, não importa o seu tamanho e nem os calendários.
Cada mistério que desvendar, eliminará um obstáculo no caminho e então será mais livre e mais integral.
Você integra o meu mundo e eu lhe entrego o meu amor.
E nisso consiste a magia, em saber que a vontade e o conhecimento podem nos mover a a grandes distâncias e transformar a matéria bruta em preciosidades.
Pequena estrela, tudo o que você foi colabora para o que você é.
E o que você é agora, é a única coisa que importa.
Você só precisa brilhar.
Cumprir seu destino e brilhar.
Porque é assim que Deus se revela!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um lapso...

Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.


(sempre o Drumond - Sentimento do Mundo)

*

Eu apenas sei que preciso seguir.
Digo aos outros para irem avante, movimento meus músculos, verto suor e sangue para que todos possam sorrir e ver beleza em qualquer dia.
Então, chegam os dias de chuva e tempestade e sabemos no fundo que cada um suportará como puder.
E eu sei que não é raro eu querer simplesmente me entregar e parar de tentar ser o que pareço não ser.
Isso tudo o que nós construímos nos custou tanto esforço tanto tempo, tanto dinheiro e lágrimas que dói olhar para trás e ver que só demos um passo. Um pequeno passo.
Quero me libertar dessa sensação que me faz crer que estamos dando voltas.
O céu é tão imenso...
Não faço idéia do que seja o infinito.
Não imagino porque fomos criados.
Eu apenas sei que preciso seguir.
Como um instinto, como uma necessidade.
Como destino.
O relógio não perdoa nossas paradas.
Minhas células mudam, estrelas nascem e morrem no universo,
estou perto de mais um aniversário, de mais outro natal.
Continuo com medo da morte (da minha, dos meus), dos meus fantasmas e de finais tristes.
Talvez por isso eu esteja sempre apertando o reset, reiniciando o jogo perto do meio, perto do fim...
É assim quando estou no meio do jogo e tenho apenas uma vida.
Quais são as possibilidades de vencer quando estamos nessa condição?
Será que posso me tornar mais hábil e contra todas as possibilidades chegar à última fase e vencer o vilão que me dificultou o jogo o tempo inteiro?
Será que não vou sucumbir quando uma força quase magnética me puxar para o outro lado, arranhando minha alma com unhas afiadas?
Eu acordo em silêncio. Queria sorrir, queria suportar as verdades, queria ter força e boa vontade.E sinceramente, não queria colo.
Em alguma hora eu entrei pela porta errada.
Em algum lugar eu desviei.
De onde estou, vejo o oásis, vejo as luzes, ouço vozes familiares, mas não sei como chegar lá.
É como se estivessem numa outra dimensão.
Tão distante, embora rente a mim...
De repente é preciso saber a palavra mágica que vá abrir esse portal.
Mas não existe mágica.
Existe vontade.
Existem labirintos.
Existem leis.
Eu existo.
E esse é o meu maior enigma.
Eu apenas sei que preciso seguir.