A única coisa que isso quer dizer é que romanticamente sou atraída por pessoas do mesmo sexo que eu.
Nada mais.
Isso não interfere em meu caráter, na filha que sou, na irmã que sou, na profissional que sou, na pessoa que sou e nem no meu papel na sociedade, no mundo.
Isso não quer dizer que uso bermudão, que coço o saco e que tenho toda a coleção de Ana Carolina e Adriana Calcanhoto. Isso não quer dizer que seja necessário estereotipar tudo como se tudo fosse a mesma coisa. Não é.
No meu caso, minha identidade se harmoniza com meu corpo, com minha condição. Amo ser mulher, anseio a maternidade, gosto do meu corpo e dos seus ciclos.
Eu não achei bonito gostar de mulher e decidi ir lá gostar. Ser homossexual não foi uma opção. Se eu pudesse optar, eu escolheria o lado mais fácil, mais convencional. Seria hetero, lógico! Iria me casar com um homem e não enfrentaria problema algum de ordem religiosa, psicológica ou política.
Nada mais.
Isso não interfere em meu caráter, na filha que sou, na irmã que sou, na profissional que sou, na pessoa que sou e nem no meu papel na sociedade, no mundo.
Isso não quer dizer que uso bermudão, que coço o saco e que tenho toda a coleção de Ana Carolina e Adriana Calcanhoto. Isso não quer dizer que seja necessário estereotipar tudo como se tudo fosse a mesma coisa. Não é.
No meu caso, minha identidade se harmoniza com meu corpo, com minha condição. Amo ser mulher, anseio a maternidade, gosto do meu corpo e dos seus ciclos.
Eu não achei bonito gostar de mulher e decidi ir lá gostar. Ser homossexual não foi uma opção. Se eu pudesse optar, eu escolheria o lado mais fácil, mais convencional. Seria hetero, lógico! Iria me casar com um homem e não enfrentaria problema algum de ordem religiosa, psicológica ou política.
Não escolhi desejar e sentir. Escolhi orientar o meu desejo e o meu sentimento.
Mas...
Nem sempre foi assim.
Já namorei homens, já me apaixonei por homens, já me casei com um homem e há pouco tempo quase me casei novamente com outro homem. No intervalo entre esses homens surgiu um sentimento que se desenvolveu de uma forma muito dolorida dentro de mim.
Tal sentimento se tornou sensação, um desejo que na época eu pensava ter que aniquilar, embora minha vontade fosse de vivenciá-lo sem culpas.
Ah, a culpa... Filha da nossa compreensão pseudo-cristã da vida...
Ela nos faz metamorfosear de humano para extra-terrestre, nos torna uma anomalia, uma aberração.
Passei a acreditar que tudo o que diziam de negativo sobre a homossexualidade era verdade e passei a lutar contra toda essa vida que palpitava em mim, asfixiando com a mão algo que poderia ser bonito, mas que meus olhos enganados enxergavam apenas o pecado.
Circula na doutrina espírita (que agasalha meus anseios religiosos) a hipótese de que existe uma programação para nós e que se nasci homossexual, devo me esforçar para canalizar essa energia para algo Bom e Belo como a Arte e preferir a abstenção. Dizem também que numa relação sexual entre pessoas do mesmo sexo não existe uma troca de energias a que chamam de "retroalimentação", e que tudo o que é vivenciado entre homossexuais é desperdiçado energeticamente falando.
Munida deste pensamento, sufoquei quem eu era por anos, crente de que fazia a coisa certa. Frustrava homens e mulheres e a felicidade que eu almejava experienciar num relacionamento parecia cada vez mais distante e desbotada, algo utópico demais para quem eu estava me transformando.
Nem sempre foi assim.
Já namorei homens, já me apaixonei por homens, já me casei com um homem e há pouco tempo quase me casei novamente com outro homem. No intervalo entre esses homens surgiu um sentimento que se desenvolveu de uma forma muito dolorida dentro de mim.
Tal sentimento se tornou sensação, um desejo que na época eu pensava ter que aniquilar, embora minha vontade fosse de vivenciá-lo sem culpas.
Ah, a culpa... Filha da nossa compreensão pseudo-cristã da vida...
Ela nos faz metamorfosear de humano para extra-terrestre, nos torna uma anomalia, uma aberração.
Passei a acreditar que tudo o que diziam de negativo sobre a homossexualidade era verdade e passei a lutar contra toda essa vida que palpitava em mim, asfixiando com a mão algo que poderia ser bonito, mas que meus olhos enganados enxergavam apenas o pecado.
Circula na doutrina espírita (que agasalha meus anseios religiosos) a hipótese de que existe uma programação para nós e que se nasci homossexual, devo me esforçar para canalizar essa energia para algo Bom e Belo como a Arte e preferir a abstenção. Dizem também que numa relação sexual entre pessoas do mesmo sexo não existe uma troca de energias a que chamam de "retroalimentação", e que tudo o que é vivenciado entre homossexuais é desperdiçado energeticamente falando.
Munida deste pensamento, sufoquei quem eu era por anos, crente de que fazia a coisa certa. Frustrava homens e mulheres e a felicidade que eu almejava experienciar num relacionamento parecia cada vez mais distante e desbotada, algo utópico demais para quem eu estava me transformando.
Quando me casei com um homem, não objetivei criar uma fachada hetero para convencer o mundo. Eu acreditava no que fazia e talvez pudesse ter dado certo, não fossem outros problemas totalmente indiferentes à minha orientação sexual. Novamente solteira, o chamado não cessava. E eu cedi por algumas vezes... E feri pessoas que esperavam que eu assumisse o que era sem medo. Não fui capaz de assumir. Eu havia decidido lutar com unhas e dentes para ser a pessoa perfeita, sem fraquezas. Precisava canalizar, me envolver com a arte, trabalhar, trabalhar. Ou eu me absteria ou viveria como heterossexual. Ocorre que o chamado que antes sussurrava dentro de mim, agora berrava em megafones. Era obsessão ou trauma? Por quê? Por que?
Comecei a fazer terapia. Acreditei de todo o coração que se eu tivesse um casamento convencional, uma família convencional, eu estaria cumprindo com o que constava em minha imaginária "programação cármica". Acontece que ficou visível que meu esforço era um soco no estômago de quem queria me oferecer ajuda e amor sinceros e era uma sabotagem contra mim. Minha auto sabotagem. Eu me tornava infeliz e não tinha condição de colaborar para a felicidade de ninguém com quem eu me envolvesse.
Comecei a fazer terapia. Acreditei de todo o coração que se eu tivesse um casamento convencional, uma família convencional, eu estaria cumprindo com o que constava em minha imaginária "programação cármica". Acontece que ficou visível que meu esforço era um soco no estômago de quem queria me oferecer ajuda e amor sinceros e era uma sabotagem contra mim. Minha auto sabotagem. Eu me tornava infeliz e não tinha condição de colaborar para a felicidade de ninguém com quem eu me envolvesse.
Olhava para as coisas belas que eu tinha e não conseguia plenitude. Era como se eu tivesse ganhado um carro importado lindíssimo e não pudesse pagar seus impostos.
Não, aquilo não podia ser o certo. O amor deveria fluir e ser natural. Deus não é essa represa.
Após anos, quando se tornou quase insustentável conter a gama de sentimentos que me invadia, decidi finalmente (não sem lágrimas) que o melhor era mesmo assumir quem eu era, assumir o que eu sentia e pensava e assumir as consequências de uma decisão dessa natureza, que são diversas.
Foi o que me libertou. Embarcar me libertou. Decidir embarcar me libertou.
Após anos, quando se tornou quase insustentável conter a gama de sentimentos que me invadia, decidi finalmente (não sem lágrimas) que o melhor era mesmo assumir quem eu era, assumir o que eu sentia e pensava e assumir as consequências de uma decisão dessa natureza, que são diversas.
Foi o que me libertou. Embarcar me libertou. Decidir embarcar me libertou.
Na mesma doutrina em que alguns posicionamentos me fuzilavam e fuzilavam a tantos como eu que com o coração aberto empreendiam lutas quixotescas contra os próprios sentimentos, encontrei apoio, alento, consolação e esclarecimento.
Não. Não sou uma aberração. Não sou uma anomalia como um trevo de quatro folhas ou um sexto dedo na mão.
Sou um ser que ama. Não reduzirei à simples bolha genital a energia mais poderosa do universo que destrói e cria mundos inteiros. NÃO. Não vou me abster e construir hipocritamente uma máscara que não tenho condição de sustentar.
Sou um ser que ama. Não reduzirei à simples bolha genital a energia mais poderosa do universo que destrói e cria mundos inteiros. NÃO. Não vou me abster e construir hipocritamente uma máscara que não tenho condição de sustentar.
Porque sou filha de Deus e Ele vibra em mim como infinito, como AMOR.
Quando amo, posso expressar o deus que há em mim, posso ver que a felicidade é um jeito de andar e posso plantar e colher flores.
Quando amo, posso expressar o deus que há em mim, posso ver que a felicidade é um jeito de andar e posso plantar e colher flores.
Porque existe amor em mim e isso é tudo o que de mais valioso eu posso ofertar ao mundo.
Minha opção é amar.
E o amor, como diz cumpade meu Quelemém, o amor possui muitos caminhos...
Minha opção é amar.
E o amor, como diz cumpade meu Quelemém, o amor possui muitos caminhos...
*
*
Eu tive a sorte de viver esse processo rodeada de pessoas cheias de luz.
Agradeço à toda minha família que me aceita e me ama exatamente como sou (pai, pela coisa toda incondicional, mãe, pelo esforço que fez para destruir e reconstruir conceitos, Jane Canoa por sempre ter entendido sem eu ter que explicar), ao psicólogo Luiz Benigno, ao Emmanuel (sim, o espírito!!) aos doutores Andrei Moreira e Gibson Bastos pelo esclarecimento consolador, ao Max (cumpade meu Quelemém) por toda a luz do conhecimento que propaga, ao amor que me salva do Luiz H e da Vã (incondicionais), da Ieda, Caio, Sergitos e Marcelita, da Bia e Cia (família escolhida), do pessoal do Caminheiros do Bem, do Alvim, do Costinha e da Dani, do Adelino, da Patrícia e da Janice, e finalmente agradeço à Gabriela por abrir meus olhos e me fazer enxergar que a liberdade e a felicidade pulsam na simplicidade do Amor Vivido.
À você dedico a canção final!!!
*
Eu tive a sorte de viver esse processo rodeada de pessoas cheias de luz.
Agradeço à toda minha família que me aceita e me ama exatamente como sou (pai, pela coisa toda incondicional, mãe, pelo esforço que fez para destruir e reconstruir conceitos, Jane Canoa por sempre ter entendido sem eu ter que explicar), ao psicólogo Luiz Benigno, ao Emmanuel (sim, o espírito!!) aos doutores Andrei Moreira e Gibson Bastos pelo esclarecimento consolador, ao Max (cumpade meu Quelemém) por toda a luz do conhecimento que propaga, ao amor que me salva do Luiz H e da Vã (incondicionais), da Ieda, Caio, Sergitos e Marcelita, da Bia e Cia (família escolhida), do pessoal do Caminheiros do Bem, do Alvim, do Costinha e da Dani, do Adelino, da Patrícia e da Janice, e finalmente agradeço à Gabriela por abrir meus olhos e me fazer enxergar que a liberdade e a felicidade pulsam na simplicidade do Amor Vivido.
À você dedico a canção final!!!
Quando Fui Chuva
Luis Kiari e Caio Soh
Quando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança, os meu traços de chuva
E o que é estar em paz?
Pra ser minha e assim ser tua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver
Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca
E mesmo que em ti me perca,
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver.











