terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Teste do sofá

A pele do teu ombro é mais macia
do que o assento do novo sofá
Prefiro beijar teu colo
a comprimir minhas nádegas 
contra a densa espuma
Encontrei-te nessa vida
e a ele na internet
Tu chegas quando penso
e respondes quando chamo
mas por ele paguei frete
e aguardei por quase um ano
Tu não cabes em mim:
 meu tamanho é limitado
 Não consegue comportar 
a ti e ao amor que sinto 
O sofá ultrapassa as medidas
e impede o movimento da porta
Pomposo, aquém dos teus lábios
Centímetros além da parede
Almofadas removíveis e conforto diminuto
Sob o corpo que aconchega
o carinho que ofereço
Ajeitei-te num espaço
e até fomos felizes
É marrom, chenile e duro
mas compensa pelo preço!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Humanos Melhores

Enquanto o mundo avança, fiquei com a sensação de que urge o nascimento de grandes homens.
Ou o despertar deles.
Talvez, o último da velha geração tenha nos deixado fisicamente.
E quando esses homens iluminados se vão, parece que o mundo fica um pouco mais escuro...

Mas eu sei que só parece.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ESTAMOS TODOS TENTANDO

Então você pergunta como estou e eu digo:
- Estou tentando.
E você responde que também está.
Estamos todos tentando
Disseram que não era pra dizer "tentar", que esse era um verbo de perdedores, de quem duvidava do êxito.
Mas sabe o que vejo?
Eu nos vejo vertendo suor, desatrofiando músculos e desenvolvendo técnicas para ter paciência, dinheiro, amor e benefícios. E eu nos vejo caindo às vezes. E depois retornando ao ponto onde paramos e recomeçando. 
Yes! We try.
Chegamos ao ponto de chutar as bases da tenda e ver o mundo definhar, desabar.
Chegamos ao ponto de explodir as coisas, como o Coiote do Papa Léguas, com suas pilhas de TNT.
Chegamos ao ponto de deixar o olho de alguém com hematomas e chegamos ao ponto de nos entorpecermos com pílulas e informações corrosivas ou letais. 
E quando chegamos a esse ponto, não fizemos nada por impulso, não chutamos nada, não explodimos nada, não socamos ninguém. Nós oramos, rogamos asas ou colo. Nós pedimos luz.
Quando não tivemos fé no invisível, tivemos ao menos esperança de que valia a pena respirar e continuar.
Somos assim.
Acionamos um dispositivo interno que reverte os impulsos e os converte em recomeços.
É isso, meu irmão, estamos tentando sim. Não desistimos definitivamente. Tentamos.
Todos os dias são tentativas repletas de erros e acertos.
Nas vezes em que falhamos, nós até choramos e lamentamos, mas não cedemos. Nós ainda não cedemos.
Temos suportado os dias no deserto.
Temos agradecido pelos oásis.
Estamos valorizando a oportunidade com a lúcida consciência de que falharemos em algum lugar.
Então não me diga que esse é um verbo de perdedor. Na verdade é uma ideia muito clara e concreta da força que temos para continuar depois da derrota, depois da dificuldade, depois das feridas. Tentamos porque acreditamos que vamos conseguir. A vitória não é utopia para nós.
Tentamos porque faz parte de nossas lutas.
Não desistimos do êxito. Nós assumimos os risco.
Se não tentarmos, não valerá a pena levantar daqui.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O açúcar mais doce


As promessas de eternidade são mais um desejo de prolongar a sensação e os sentimentos de um determinado momento do que a vontade de estar junto a alguém eternamente de fato.
As pessoas são metamórficas e as promessas são feitas quando estão entorpecidas de felicidade e cheias de conflitos ocultos. E a felicidade é tão transitória quanto nossas palavras.
Ao longo do tempo a gente vai perdendo os movimentos, como um brinquedo com cheiro de plástico novo que envelhece e é doado junto com outras sucatas, na esperança de fazer alguma criança feliz.
Com alguma sorte, são doados apenas porque envelhecem ou porque as crianças crescem e mudam o interesse. Basta que o tempo envolva os antigos donos com segredos e novas paisagens para que os brinquedos, mesmo inteiros, sejam descartados.
O descarte de um brinquedo não tira a importância do passado em que ele significou muito e nem a eternidade comportada em um sorriso ou em uma brincadeira de cinco minutos.
Ultrapassando a linha não muito tênue que nos separa das metáforas com brinquedos e dentro da lógica do Hugo Cabret, é raro chegarmos aos 30 sem faltar uma peça, ou sem reajustes, up grades ou super bonder prendendo um braço no tronco ou a cabeça no pescoço.
A gente se arrebenta entre as eternidades e a vida que transcorre em um universo que parece mais paralelo do que sobreposto, nos posiciona em lugares que não eram nosso destino inicial. A gente, sem perceber, vai se dilacerando aos pouquinhos e solta a mão do outro em partes importantes do caminho.
A gente dá a mão para outras pessoas, a gente se aventura e a gente retorna ao ponto íntimo de partida, procurando sentido para tudo o que fizemos.
É engraçado como juras antigas se transformam em disputas jurídicas por filhos, carros, casas ou panelas. Como beijos ardentes podem se transformar em hematomas no corpo, cortes no peito, sangue vertendo no quarto escuro ou num bar qualquer. Como uma assinatura no cartório num dia feliz de arroz e amor pode nos deixar apartados e desgastados pelo tempo, pelas mágoas, pelas palavras que dissemos e pelas que deixamos de dizer. Isso retalha nossos filhos, por mais que seja comum e corriqueiro.
Deixamos morrer uma coisa bonita e precisamos continuar, buscar outros significados e outras eternidades para caber numa pedaço finito do nosso coração. A ilusória expansão desse pedaço finito origina as promessas e promessas não podem ser cumpridas sem que estejamos habilitados e dispostos a fazer a manutenção do amor.
Onde não há manutenção do amor, crescem outras ervas, outras eiras, outras pessoas, novos conflitos e novos débitos e as promessas são destroçadas, viram pó, adubo para alguma outra flor crescer no solo da desilusão.
Onde o amor não é mantido, a eternidade tem a duração de um chiclete sem açúcar.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vai saber do que se trata...



Se você pudesse explicar tudo não haveriam escolas e liceus ou  (meus) que tenho que dividir.
Continuaremos compartilhando nossas vidas, no entanto, sem explicação, onde chegaremos?
Quantas vezes precisaremos bater a cabeça no mesmo lugar para perceber que era necessário acender a luz? O interruptor sempre brilhou no escuro, mas estávamos brincando de cabra-cega e ficamos com um enorme galo na testa ou no cocoruto, uma montanha muito próxima do cérebro, não removível pela fé ou por thiner.
Se você não me fornece a resposta clara e translúcida, mastigada e direta eu vou imaginar uma. E vou acreditar nela. A falta de respostas e posicionamentos, as entrelinhas que existem e as que eu invento criam universos. Vou sempre "achar que", "supor que", "talvez seja isso que", "presumivelmente", "provavelmente", displicentemente o nervo se contrai. ô ô ô ô, com precisão. Uma muito inexata precisão. É um universo obscuro de leis próprias. Leis flexíveis e instáveis como o humor de uma mulher com TPM.
Por que vendem coisas que vão estragar fácil? Que nos farão mais mal do que bem? Vendem serviços e já preparam o setor jurídico para a demanda de reclamações que preveem. Como o papel higiênico. Por que vendem algo que não vai prestar e continuam vendendo, produzindo em massa, esse papel mais indecente que meus orifícios sujos? Isso me sugere muita sugeira, isso não me cheira nada bem...
Que nada, a gente sabe que na vida control+t só existe como comando eletrônico e que super bonder não cola tudo, que as facas guinsu não cortam tudo, que o controle universal não controla tudo, que ninguém sabe de tudo. A gente sabe que cobra o que não é capaz de dar, que a gente explode o que custa a construir e que sempre há um interesse em qualquer coisa aparentemente altruísta que possamos fazer. Queremos vantagens, tickets e desconto nos programas de viagem, ou no pacote de farinha de trigo, mas não sei se vou guardar o maior pedaço de pudim até você chegar. Às vezes não guardo nada.
E também eu já não sei escolher sem procurar no google e não chego ao meu destino sem ligar o GPS.
Na verdade eu nunca soube o caminho, mas agora é mais fácil encontrar.
E continuar errando.

Zé e 1berto, donos das estrelinhas de hoje.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os ventos às vezes erram a direção

Quando o simples já é tão complicado, o melhor é colocar as flores numa jarra e a jarra no centro da mesa, a mesa no centro da sala e as idéias em ordem dentro da cabeça.
O importante fica no centro e o acessório em órbita.
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é um filme ao entardecer.
Compartilhar o dia e a mesma vasilha de pipoca, comentar um poema que fala de amor de um jeito que você já viveu.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor não inventar uma acrobacia, uma aventura de consequências previsíveis
de previsão desastrosa
de desastres sem previsão de melhora.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor simplificar o caos e evitar os artifícios e os fogos.
Primar pela luz.
A Terra possui apenas um satélite natural e para nosso benefício é uma Lua de quatro fases que nasce nova, cresce, enche e míngua no final.
Mesmo a lua não vê seu fim após minguar.
Volta, nasce nova, cresce e se expande, expande sem explodir.
A lua sabe a dose certa de encher sem transbordar, de mostrar seu lado escuro e trabalhar as sombras de modo que tudo seja um ponto de vista diferente enquanto nada muda na verdade.
Talvez não seja tão complicado assim.
Saber as frases, viver as fases e recomeçar, enfim...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Das coisas comuns e quase definitivas que atormentam nossa inércia e intensificam nossa pulsão de morte.


Eu digo que tenho respeito pelos seres vivos.
Menos de pernilongos que me envenenam e formigas que passeiam pela minha mesa de trabalho.Sempre tem um açúcar a recolher da xícara de café. Esmago todas elas com o dedo. Uma a uma. O que já é bom, pois em minha crueldade infantil, elas eram incineradas, antes encurraladas por um círculo de álcool. Um inceticídio justificado.
Formigas não temem a morte. Elas possuem um objetivo e muito foco.
E elas voltam todos os dias, buscando já não sei o quê, enfrentando o perigo em sua jornada irracional repleta de feromônios.
Eu sou a cigarra, mas acumulo como formigas.
Os dias estão cada vez mais velozes. Se você entrasse agora em minha cozinha, veria como é fácil acumular coisas. Acumulo pratos sujos. Acumulo mais que um castor. Caixas de leite, potes de coisas,  palitos, promessas, planos. A ideia é de usar tudo um dia pra fazer um brinquedo interessante. Qualquer coisa interessante. Mas os dias se acumulam sem nenhum brinquedo construído. Ou qualquer coisa interessante. 
Só não acumulo dinheiro. Esse consegue fluir em minha mão como um rio.
Você já segurou um rio com as mãos? Sem o concreto das represas?
Olho o universo precisando de manutenção. Nada é definitivo e permanente. De vez em quando alguma coisa estraga, adoece ou cresce demais. As frutas da geladeira que deixamos de consumir, o sangue que se modifica de acordo com o que você come, o cabelo, as unhas, a grama do jardim, o óleo do carro, a água do carro, a roda da moto, a roda da vida. A tinta da casa descolore e faz você acreditar que precisa de outra cor.
E mesmo que eu pinte a minha casa de laranja crepuscular, isso não mudaria o fato de eu - não raro - esmagar as formigas que passeiam pela minha mesa de trabalho procurando o café que já nem tomo mais.
Quanto mais eu perco tempo, mais acumulo o resto do mundo e isso às vezes parece o cúmulo nimbus!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

There must be someway back

Às vezes dou a impressão de andar entorpecida
cambaleante ou desatenta aos detalhes mais óbvios
de tudo o que se pode tocar
dessas coisas que enxergamos de olhos abertos.
Você quer me trazer de volta
ao universo que nós conhecemos
e eu almejo poderes mutantes
quero ser um x-man, x-girl, um x-burger
um queijo prato.
Mentira.
Não quero ser um queijo prato ou um hamburguer.
Não é esse tipo de comida que satisfaz o mundo.
Eu procuro outros espaços e gosto disto.
Talvez eu flutue e não vou poder fazer você sentir o que sinto
mas posso tentar relatar.
Não significa que eu não aprecie 
estar com você no que é familiar.
Não saem chamas de minhas mãos
não leio seus pensamentos
não salvo o mundo com os olhos
Você diz que eu desperdiço a minha vez
Eu sei que poderia lhe amar de uma maneira melhor
e este é um poder tão grande.
Eu poderia amar a tudo de uma maneira melhor
e teria o poder que almejo
sempre que caio ao tentar voar.


O sentido da vida

0,001% do mundo compreensível.
A outra metade é chocolate ao leite.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Desses dias amaros...


O orgulho é como um milho de pipoca
que sob específicas condições de temperatura e pressão explode.
Tudo o que eu mais queria hoje era morar no litoral.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

NEM OTÁVIO CESAR AUGUSTO...


Aperte nossos corações com as mãos
para que o sangue que verter
possa lavar nossa consciência.
Aperte mais, quebre nossos ossos
e que o pó de nossas dores
integre a química de sua
redenção.

Que assim seja.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

--- A SOLIDÃO VAI ME MATAR DE DOR --- (1º da série A 4 MÃOS)

                                                               
Era um barulho de chave destrancando a porta, antecedendo aqueles passos curtos.
Era um escuro e frio sentimento a rodear o corpo inerte, a cama.
Era ela ali, enquanto ele entrava.
Nenhum dos dois sabia explicações, mas ele ainda ousava questionar.
Já para ela o destino é fato. Se entregaria sem reclamações.
A velha angústia já não existia, pois embora não soubesse como, há tempos descobrira o porquê.
Ele, aflito, consultava a ciência, a medicina e todos os pajés.
Sua esposa desaparecia: um dia as mãos, em breve, o braço, o tronco.
Perdeu a perna esquerda e um dos pés.
A urgência o acometia, queria ter a fórmula alquimista pra desvendar o mal e o reverter, trazer de volta a mulher que havia: era tão mansa e a vida resolvia.
Café na mesa, almoço e jantar. A casa limpa e sempre perfumada.
Os filhos que nunca puderam ter.
As tentativas e as tentações que ele costumava atender.
Agora tudo isso era nada.
Enquanto ela, nada se tornava. Ali na cama, ali sem ter razão.
Nenhuma lágrima, nenhum lamento.
Ele sofria de arrependimento e ela era a resignação.
O vento veio soprar da janela e dentro dela a solidão passou.
Era o instante breve e derradeiro:
- Meu bem, farei de tudo o que puder.
Já o silêncio dela era cortante e aquele corpo, esboço de mulher
Ele dizia, mas tinha certeza que não havia muito o que fazer.
Tocou em seus cabelos com ternura e lentamente fez um cafuné.
Ela sentiu certo vigor na alma e seu semblante então se alegrou.
Pretendeu ele segurar o tempo, confessar os erros e se redimir.
O tempo nunca para e as confissões não tinham o poder de reparar.
Era chegada a hora de partir.
A despedida foi um benefício para impedir seu enlouquecimento.
Ele não soube por um só momento porque a moça desaparecia.
Se soubesse, o que ele faria?
Se lembrasse de todas as vezes em que ele a tornara invisível.
O seu desdém a um amor incrível e a todo zelo que ele recebeu, causou na moça estranha doença de sintomas significativos.
Aquele moço entrou em desespero, buscou a cura em todos os lugares, pensou em morte, em mudar de ares, mas não pensou exato o que devia. A culpa o açoitava toda noite. O remorso vem durante o dia.
Sua esposa era seu espelho, seu casamento, um tipo de magia.
De novo olhou e ela ia embora. O sorriso desapareceu.
Ele soube o que perderia e pensou em lhe pedir perdão por não amá-la.
E ela sabia.


Série A 4 MÃOS é um desafio onde alguém sugere o tema e o outro escreve. Nesse texto, a sugeriu o tema e eu escrevi. Eu já a desfiei a falar sobre um contador que na proximidade da aposentadoria resolve mudar de vida... Vamos ver no que dá!!!! Aceita-se desafios!!!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SILHUETA

De tempos em tempos faço acordos de paz com o espelho. E de tempos em tempos quebro as promessas.
Um dia resolvi que meu corpo seria respeitado.
Fui fazer natação.
Havia um grupo de bombeiros na mesma turma que eu. Quando cheguei, o professor perguntou o que eu sabia sobre nadar.
Eu disse: Nada
E ele disse: Nade!
E eu nadei do jeito que achei que fosse o certo e até me surpreendi quando uns dois carinhas daquele grupo de bombeiros pularam na água e vieram me puxar pra beira.
- Olhei pra eles com cara de "meu Deus, que isso?", pensando que eu deveria ter nadado muito mal para eles quererem me tirar da piscina.
E eles:
- A gente achou que você estava se afogando! Desculpa, moça.
Onfs.. Que vergonha!!! Minha primeira performance náutica e os caras pensam que estou me afogando. 
Persisti, no entanto!
Com o tempo fiz 25 metros, depois 50, 75... 
Quando eu estava quase completando os 100 metros sem parar, chegou o natal.
E se as andorinhas voltaram, eu nunca mais voltei para aquela piscina. Por 50 motivos diferentes.

Mas não desisti do movimento. Fiz comigo o compromisso de dar voltas ao redor da lagoa. Levo 45 minutos para completar 3 voltas, embora eu sempre queira ir embora na segunda volta!! O que ocorre, meus caros, é que aquela orla faz pilhagens com os cidadãos comprometidos que circulam por ali.
Tanta gente se esforçando, suando, marcando a pressão e tals e a lagoa,  cercada por suas sorveterias, pastelaria e outras rias , ri de todos, debocha dos meus derrames. Sim, sofri um derrame. Tem pele derramando sobre a calça. Derrame sabor pera!!
Se bobear, compro a Michelin. Nem precisa mudar o nome fantasia.
Mesmo assim, nesses cinco meses de caminhada na lagoa, as 6 vezes em que lá compareci foram muito válidas!! Não estou perdendo o peso, mas a disposição some rapidinho.  É impressionante.

Agora comecei outra viagem aeróbica.
É um aparelhinho completo, o tal do elíptico, que exercita pernas (coxa e panturrilha), quadril, cintura, braços e glúteos!! Porque no meu pacote tem que estar escrito: Contém glúteos!
Pensei: Movimentar esse tanto de coisa em um único aparelhinho é funcional e prático demais, gente!! E dentro de casa. É nisso que vou!

Comecei toda animadinha, tendo como meta não me esforçar demais no início.
- Vamo na humildade. Meia hora tá de bom tamanho por hoje!!
Então lá foi eu, disposta, atlética, querendo endorfina circulando dentro de mim.
E então o tempo veio me sacanear.
Estou lá no esforço gigantesco, bufando, ofegante e penso: Já devem ter se passado uns 20 minutos...
Visualizo o relógio: CINCO minutos apenas, constatei incrédula. 5?!
Quando deu 10 minutos eu queria água.
Deu quinze eu queria tempo pra descansar.
Deu 16, comecei a querer minha mãe!!
E minha personal mais que particular dizendo: Vamo, vamo, não para.
E eu já queria chorar.
20 minutos???
-  Ah, fala sério. Esse relógio quebrou. O ponteiro agarrou no 20.
- O relógio é digital, Michele.
- (...)
Naquela altura, eu já começava a ter vertigens, ter visões de primavera. Acho que cheguei a ver os ursinhos carinhosos...
Juro que se eu estivesse sozinha, teria parado, mas a personal recitava o mantra do vamo, vamo!! Só vai parar nos 30 minutos. Vamo, vamo.
Olhei de novo o relógio: 21 minutos.
Comecei a querer que a hora passasse no grito e acho que cheguei a acreditar que passaria mesmo.
Por segundos eu gritei: Passa, idiota, passa.
(Pensa, chamar o tempo de idiota...)
Por fim, deu 22 minutos.
Tirei as mãos, fiquei movimentando somente as pernas no aparelho.
Personal olhou, voltei com os braços e mãos.
23 minutos.
Parei e respirei. Manifestei meu desejo de desistir. Desejo indeferido!
Ela tirou o relógio de perto de mim.
Comecei a contar o tempo mentalmente. Quando deu 30 minutos e tive ímpetos de festejar, ouvi a frase mais intimidadora do dia:
- Continue aí. Você parou muito, perdeu o ritmo. Mais 1 minuto para compensar. Vamo, vamo.
Aí eu corri. Nó, que raiva. Aumentei meu ritmo, acelerei, quase deu um curto circuito em mim.
Quando parou, nem havia mais alegria. Saí do aparelho, disse à personal algumas palavras sem nexo, porque a língua enrolou na boca, dei alguns passos e desmaiei.
Desmaiei mesmo, que nem o cachorrinho chihuahua do meu amigo Renato depois que cruzava com uma pinscher. Ele colocava a língua pra fora e desmaiava! 
Quando recobrei a consciência, determinei que 15 minutos talvez  sejam suficientes amanhã.
Ou presenciarei o apocaelíptico!!!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A RODA DO OLEIRO


Hoje são mais teclados e dispositivos.
São mais horários e menos tempo.
A massa aumenta os números gradativamente.
Já não são os mesmos sonhos.
Mas a coisa humana de compartilhar o mundo,
de fazer conexões entre a minha, a sua, a nossa energia,
continua sendo a causa e a consequência 
de tudo o que faz sentido 
quando cessam as explicações.



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO

Querido Charles,

Se eu soubesse de antemão que haveríamos de parar onde chegamos, teria tomado um outro trem. Existem coisas das quais não me arrependo, o que não significa que faria novamente do mesmo modo.
Ao conhecer-te, pude senti meus órgãos reagindo à tua presença.
Eu pude sentir meu coração, meu estômago, minhas mãos e minhas pernas reagindo ao simples pensamento em ti. Eu pude sentir minha ânsia, minha vontade que sairia rompendo portas, atravessando paredes por ti e mesmo assim eu não poderia imaginar que ficaria pequena demais diante desse sentimento.
Se no início pude controlar, pude andar como me apetecia, dediquei muitas noites de insônia à tua existência. Se no início eu pude sentir o frescor das novidades, no fim eu poderia apenas sentir o pesar lancinante de tua partida de mim, de dias sangrando, de esperanças destroçadas. Uma rosa tão rara que entregamos a alguém com tanta sinceridade não espera ser destruída pelas mãos que a recebem.
O que não quero, meu querido, é que te sintas um monstro, como cheguei a te acusar. Se puderes, perdoe-me. Naquele momento a besta existia, entretanto, dentro de mim e queria destruir. Eu a controlei, juro que a controlei. Não pude, no entanto, deter seus urros, suas palavras, suas lágrimas.
Hoje, sob o céu onde na torpeza dos sentidos tu batizaste uma estrela com meu nome, percebo que vivencio um momento grandioso. 
Quero chamar-te pelos melhores vocativos. Quero dedicar-te os melhores pensamentos. 
Quero crescer mais do que o ódio incômodo que um dia pretendeu fazer morada em mim.
Não se imagina, Charles, que um sentimento tão bonito e terno possa um dia nos esmagar.
E nem se imagina que desse desterro que é o abandono possam nascer outros gigantes.

                                                                                            Perdoo-te.

                                                                                                               Emma

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A GENTE SABE POR QUE COMEÇOU, MAS NÃO SABE QUANDO PARAR

Se o mundo dependesse de mim para mudar, talvez ainda estivéssemos atrasados uns 600 anos. 
Mas pelamordedeus!!!!!
Enfara essa agonia jornalística, "religióstica" e "ativista" que empaca num assunto só e faz dele algo menos natural do que deveria ser. Cristãos que não amam gays que não respeitam gays que não amam cristãos que não respeitam política pipoca novela dna doença cura podenãopode pode com ressalvas aceito o pecado e não o pecador aceito o pecador e não o pecado aceito jesus aceito doações nissim miojo lamen sabor galinha o que você acha do que ele disse, do que ele fez postou pensou...
Sem pontuações, vira bagunça.
O que tem gerado esse desrespeito de todo lado é a falta de sensatez das pessoas. É a violência das vontades. É a miopia que faz o homem não perceber os limites, a placa escrito pare.
É preciso saber a hora certa de parar, ver a placa.
Gente do céu, plantou a semente, agora dá um tempo pra natureza fazê-la brotar.Vai lá, regue de vez em quando, adube o solo, mas não force a flor, porque é perigoso matar tudo. Tente tirar a borboleta do casulo e faça com que ela voe. Faça!!! Não rola, cara.
É como quando queremos dar comprimido pro cachorro doente. A gente quer que desça goela abaixo. (O remédio pelo menos fará bem pro cão).
A noção de respeito, tolerância e sensatez, a noção de amor ao próximo, respeito às individualidades e ao tempo que o próximo tem, parece ter ficado um estágio antes, na decantação do que nos é noticiado. A substância final faz mais mal do que bem... 
Opiniões nascem das notícias, das fotos, dos fatos, poxa...
Nem toda revolução que destrói violentamente é inteligente e tem bons resultados...
Antes, corrompem a ideia libertadora e a transformam em uma outra ditadura, muitas vezes até pior do que o que era antes. 
Espero que não para sempre, aNéim!

Queria fazer um trocadilho com A Revolução dos Bichos, mas... deixa pra lá!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O PARAÍSO


Eu queria ter mais atividade cerebral de ambos os hemisférios.
Eu queria entender tudo o que não sou capaz de sentir.
Queria chegar às conclusões exatas, lógicas, queria a palavra.
Eu queria sentir tudo o que não sou capaz de entender.
Queria chegar às emoções imprecisas, voláteis, queria a poesia.
Porque ter a consciência da maravilha da natureza, da perfeição do universo,
da magnitude das leis, do poder astronômico do amor e não entender e sentir senão uma ínfima parte de tudo isso, é como ter que cruzar o continente americano, o africano, o europeu e o asiático a pé, enquanto dizem que preciso apenas de um passo pra ser feliz.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

TERÇA (23/07/2013)

o dia rendeu, meu bem
que conste na ata
sanfona silenciou
e habemus papam

medalha na água
melhor pro brasil
tubarão matou no mar
nevou lá no sul

agora é inverno
mas no meu jardim
tem flor se abrindo
tem mato e jasmim

O tales virá
djalma já foi
a rua é de reza
rio de janeiro

o crime ainda
vai descompensando
na pauta que segue
do telejornal

em volta do mundo
a vida acontece
e mesmo com tudo
parece normal

depois a novela
pra ter audiência
inventa o enredo
distorce a moral

na sala ou no quarto
sem ponto no ibope
eu sou a notícia
o papa é pop

E o pop não poupa ninguém.




terça-feira, 23 de julho de 2013

Pelos poderes de Grayskull (irmã luz)

Toda manhã quando vou ao banheiro (e isso é quase religioso), levo qualquer coisa pra ler enquanto a vida acontece. Se a hemorroida não desabrochar, creio que continuarei com isso porque me apraz e porque tenho dificuldade de ficar sozinha comigo mesma dentro do banheiro. É um exercício que preciso fazer,: desfrutar de minha companhia com mente e coração, contudo, enquanto o Sr. Lobo não vem, compartilho minha existência com coisas exteriores. Gosto de estar só (de sozinha) no quarto, sentindo meu corpo, minha respiração e procurando não ter pensamentos sobre nada. Mas no banheiro, se eu não tiver algo pra ler, represento um personagem que está doando a medula espinhal. (...) É minha novela imaginária! Imagino sempre que ao final alguém segura a minha mão, em solidariedade à minha dor, embora o que sinta realmente naquele instante nem seja dor, e sim alívio, uma espécie de felicidade em formato mínimo. Mas nem é sobre isso que eu queria falar. É sobre o conteúdo do que li nesta manhã. O texto é atribuído a Nelson Mandela e diz: 
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta."
Parece que foi um discurso de posse em 1994. Não importa. 
Penso, será que temos mesmo medo de nossa grandeza? Medo de procurar por ela, de remexer o lixo para encontrar luz? Será que temos preguiça de procurar? Será que somos mesmo como molas que se abstém da luz pra não assustar quem está ao redor? Ou ofuscar, ou destruir, ou tubro? Pergunto isso porque sempre acreditei que nosso maior anseio era encontrar a luz e faze-la resplandecer, deixar que a nossa melhor parte se mostrasse ao mundo. Fica escuro quando a melhor parte esmaga o mundo. Vejo esses grandes líderes que revolucionaram o seu país sobre o sangue de milhares e vejo o Darth Vader que por ter medo foi para o lado negro da força. Todos tiveram o poder nas mãos, mas talvez o poder estivesse encapsulado na camada sombria de medo que reveste toda luz que esclarece e ilumina. Medo que adultera as formas de administrar o poder.
Pensemos em coisas simples como ter visão raio-X e conservar os mesmos padrões éticos. Como ser invisível e não tirar vantagem disso arrombando segredos e privacidade alheios. Se eu for simples mortal, não represento perigo pra ninguém e nem precisarei lutar contra mim mesma para me manter sã e moralmente aceitável. A mediocridade não oferece riscos em si. O problema é a manipulação da mediocridade. É prender o vaga-lume numa caixa opaca e sem furos. 
Ocorre que a manhã será e quando amanhece e os gatos deixam de ser pardos enquanto a luz traz o escândalo.
E para o escândalo não adianta protetor solar fator nenhum.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

UNIVERSO ELEGANTE

Perceba entre nós esses raios, essas ondas que oscilam.
Meu coração bombeia dados para seu arquivo.
Tente decodificar-me e verá a si mesmo em cada fibra.
Não somos um sistema complexo. Somos mais do que isso, que sobreposição de tempo e espaço, que matéria que se decompõe ou se eteriza.
Quando amo, sinto que são múltiplos universos em mim.
Talvez eu possa lhe mostrar o infinito em pequenos atos.
Não preciso de muitas cordas pra fazer uma canção, atravessar portais e lhe encontrar no futuro. Com apenas seis cordas eu lhe oferto serenatas. Com apenas uma supercorda nós comeremos areia como minhocas fazendo buracos no mundo pra descobrir as respostas que nos levarão à luz. Perceba os  mil renascimentos de cada coisa que morre, que se transforma enquanto você corre para pagar as contas e fazer o dever de casa.
Tudo isso só faz sentido quando assumimos um lugar e nos tornamos parte dele.
Isso só faz sentido se tudo com o que nos relacionarmos identificar nossa energia e reagir à nossa existência. Saberemos que estamos em casa.
Quando acordamos, você viu que éramos uma espécie incrível com mecanismos atrofiados, mas se você fizer as contas, saberá que basta se exercitar passo a passo para reativa-los.
E então, com todos esses cálculos, conseguiremos entrar na mesma faixa vibratória com o lado direito do cérebro e renovar o universo ao redor.

terça-feira, 16 de julho de 2013

SEM QUERER

Acidentes não são previstos.
Se forem previstos é porque há erros e se os erros não forem sanados, não será mais um acidente.
Nesse caso, a quem poderemos culpar?
Quem deixou de observar o dever que tinha de cuidar para que as coisas não se complicassem?
Quem será culpado por negligenciar detalhes importantes do processo?
Quem vai pagar por agir sabendo no que ia dar, por não ignorar que em determinadas circunstâncias de atmosfera e pressão uma bomba explode, uma tampa voa da panela e atinge o teto da cozinha?
Quem sofrerá a pena por ousar conduzir situações sem conhecer as variáveis e as constantes, por dar testemunho do que não viu, por afirmar o que desconhece?
Quando estivermos caminhando pelos escombros, juntando os cacos e fazendo torniquetes para estancar o sangue, suplicando anestesia para que a dor não nos aniquile, a quem atribuir os danos?
Ninguém precisava de bola de cristal para antever os fatos, entende-los e agir conforme esse entendimento.
Se podem nos imputar a responsabilidade, é porque sabiam que nós possuíamos condições de evitar o estrago.
Nem sempre fica claro que um Dó sustenido menor vem após o Lá. Mas é uma possibilidade a se considerar.
Assumimos o risco e agora dolosamente optamos por isso ou aquilo seja lá que efeito isso ou aquilo cause, entretanto, se alguém se ferir, se algo quebrar, não foi por querer.
O que deveria ser feito, foi feito. No tempo disponível, com os recursos disponíveis.
Por mais que você diga que havia como agir de maneira diversa, quem sabe bem é quem tinha o leme nas mãos.
Essas coisas que nós assumimos, o desejo de que alguma mágica sustente o mundo e reverta as leis naturais para que tudo fique intacto no fim, nos torna mais culpados ou menos culpados?
De qualquer maneira, não há acidente previsível...
Ou não seriam acidentes.

terça-feira, 9 de julho de 2013

SÓ O HE-MAN TEM A FORÇA E É INVENCÍVEL

A Espanha perdeu pro Brasil, o que não seria nenhuma novidade em 94.
E o Spider perdeu pro Weidman. O que não seria novidade se ele não fosse invencível como a vara cível.  O SpiderMan sempre vence os vilões, o que não era exatamente o caso do Weidman. Tiraram o man do Spider e colocaram no Weid, por isso ele perdeu. Tira o "homem" do ringue e deixa por conta dos prazos... Se não pagar em dia, vence mesmo. Quem ganha? É claro que é quem comprou o carnê do baú ou quem apostar corretamente no sexo do bebê real da Kate e do William. Ele é um feto real, todos os outros são de mentira e quem aposta em mentira?? Quem?
Quem já sabe que vai ganhar, é claro! Ou Salvador Dali, porque pra ele tudo é surreal.
O caso foi que o moço lá fez firula, e isso é uma afronta laranja ou uva se preferir.
Afronta Uva pra tomar de canudinho ou no queixo. Dançou com Marisa Monte e dançou na lona.
Eu também queria socar a cara de quem me afronta, o que não seria nenhuma novidade em 94. Mas hoje quero atlânticos e pacíficos.
Tô na maré...
Estou aqui e ali enquanto o caos segue em frente com toda a calma do mundo.
Tudo bem. Sei da obediência das coisas ao tempo e isso me deixa em paz.
As vezes uma notícia me leva a nocaute, desnorteia e eu fico só para leste ou este norte precoce. 
Muuuu, Sul, Mano, vacas dizendo gírias funkeiras ruminam na minha cabeça sem orientação, aliás, orientada conforme meus próprios protocolos, afim de ver novo faraó reinando no Egito, só pra saber se cola ou se o Brendan Fraser aparece para resolver o conflito. De quebra, viria pra cá, juntamente com o Homem Aranha e todos o X-Man decidir se o plebiscito rola ou Rolling Stone. Ah, tá... O Homem Pedra também...
Disseram que meu olhar ficou desfocado. Sim, perdi as focas da retina e agora tenho um parque aquático na íris sem foca, apenas baleias dançantes. Baleias são tudo o que vejo quando olho o futuro ou pra borra de café. Adoro batatas fritas, chocolate e refrigerante, mas não posso mais me dar o luxo sempre, porque isso me expande e não quero ser sua ex mulher caso eu mude progressivamente de manequim e isso te afete. Faith no more só pra ouvir Easy com eles, porque minha fé não costuma faiá. Sempre tem mais de onde vem esta.
Olha, eu poderia te dar uma rosa, o que não seria nenhuma novidade em 94, mas se eu fizer isso hoje, seria tão inesperado quanto a jornada de um Hobbit. E eu estou sendo muito literal, my dear! 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O FUTURO ACABOU DE ACABAR


A lua estava tão perto e tão cheia de tudo
explodindo e rindo, dando gargalhadas
enquanto daqui eu a contemplava
sem ver tanto tamanho no que ela era
sem saber ao certo a medida exata das coisas:
sempre fica um ,0058
que a gente quer arredondar
Eu não gosto de comer a ponta do pão
e a ponta da salsicha jogo pro cachorro
Não fiz um cartaz e não sei o que reivindicar
enquanto fazem por mim o almoço
vou comer quando a fome matar
vou morrer quando a hora chegar
mas por ora, não posso me pronunciar
pra não correr o risco de dizer bobagens
pra não matar no útero verbal
o que poderia nascer de bom
Fico aqui fazendo o que me cabe, onde alcanço
fazendo o que acredito e vejo florescer.  

Precisamos semear e isso é tão urgente...

Americana Pátria, morena  
Quiero tener Guitarra y canto libre  
En tu amanecer.
(Semeadura de Vitor Ramil) 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

ATALHO

Então desceu dos céus um cometa fulgurante que espatifou o asteróide pequeno que todos chamam de Terra.

E o problema foi parcialmente resolvido.

FIM

******

Música incidental: 

Parabéns, ó brasileiros!
Já, com garbo varonil.
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

*****
Resplandece a do Brasil? Deve ser por causa das dimensões continentais. De qualquer jeito, o cometa... 
Enfim!

******
Estrelinhas para Zé Ramalho, Evaristo da Veiga e D.Pedro I

terça-feira, 11 de junho de 2013

CORAÇÃO RAMALHETE

Pois é...
Os fatos me anestesiaram e eu parei de sentir saudades.
Vez ou outra, quando ouço uma frase ou uma música, as lembranças tomam primeiro plano e nasce um sorriso que morre logo nas reticências do ato.
Alguém me disse que não sou uma boa amiga.
Eu só acho que não tenho apegos.
As pessoas passam. Sentimentos se intensificam quando as pessoas são constantes e cotidianas. A convivência as torna tão essenciais! Merecem nosso afeto, declarações, gratidão, mensagens de texto, e-mails gigantes, ligação pra falar sobre nada. Não possuo facebook e isso me distancia ainda mais do presente frenético que nos envolve e  nos aproxima. (Será?) Ver suas fotos e frases talvez não surta o mesmo efeito do que estar em suas fotos e frases! Acreditamos na distância entre nós.
A vida é repleta de caminhos e em certos momentos tomamos rumos diferentes, vamos pra longe, conhecemos outras pessoas e estreitamos outros laços, pela vontade ou pela necessidade, consequência das escolhas que fizemos.. As vezes velhos amigos se reencontram e percebem o quanto mudaram. Quantos filmes deixamos de ver juntos no cinema? Quantas coisas deixei de cozinhar pra vocês? Há quanto tempo eu não ligo no seu aniversário? Quantas notícias você deixou de saber e que agora tanto faz? Quantos interesses mudaram?
Meu amigo, meus amigos, que nem visitam mais ou nunca visitaram esse blog, ninguém deixou de ser importante. O tempo é como âmbar que preserva o que se passou, o amor que desenvolvemos juntos. 
Na arqueologia de minha vida, a amizade que houve é fóssil que descreve nossa história e relata a importância de uma época. O que estiver por vir nos reencontros, é outra forma de vida com o código genético originado em nosso passado, forte, bela e estranhamente nova.
*
*
*
Estrelinhas para A Lista do Oswaldo Montenegro e para o Clube da Esquina

terça-feira, 4 de junho de 2013

CÉU - DE ONDE SAI O DIA

A criança que fui era como uma jujuba verde.
Alguns gostam, mas a maioria rechaça.
Eu montava o mundo com as peças erradas e achava impressionante o mundo simplesmente entender o contrário do que eu entendia. O meu óbvio era um absurdo para os outros e foi por sorte (ou mérito) que tive uma família que decodificava meus absurdos e os transformavam em algo normal.
Ocorre, que a verdade está la fora.
Demorei muito para aprender algumas coisas.
Aprendi a duras penas o significado da palavra depois.
Fiz um pedido de manhã e me responderam: depois.
Esperei tanto esse depois... Quando o pedido foi atendido, o sol já desaparecia no horizonte.
Passei muito tempo da minha infância acreditando que "depois" era o pôr do sol.
- Olha mãe, que depois bonito!
Outra vez era perguntar pra onde meu pai estava indo.
Ele dizia: Pra China.
Um dia, de tanto insistirmos, meu pai levou a mim e ao meu irmão pra China.
- Pai, leva nós na China?
- Paaaai, nós qué i pra China também.
(sic)
E ele levou. Era uma bica no meio do mato, a uns 10 km da nossa casa.
A gente enchia o cantilzinho de água e voltava pra casa. 
Lembro de que lá havia  2 vira-latas, um caramelo e um preto.
Cachorros da China que nunca pudemos levar pra casa.
Eu adorava ir pra China, sem carimbos e passaportes, só o velho passat.
Outras vezes via o Jornal Nacional e quando eles falavam de conflitos, eu achava que cada país era uma bola girando no espaço e que se um brigasse com o outro, ia sair um monte de bolinhas da bola maior, como pedras arremessadas. Não sabia distinguir países e planetas. Pra mim tudo era uma bola colorida girando no espaço cheio de estrelas e de problemas.
O pior pra mim foi o ingreso na escola.
Foi a coisa mais mágica e mais sofrida que aconteceu nos meus 5 anos.
Eu e o meu irmão não fizemos o maternal. Entramos direto no pré, hoje 3º período, pois somos do início do ano.
Nós já sabíamos ler, mas eu não sabia socializar.
Meus colegas não sabiam ler, mas sabiam o mundo.
Um dia a professora pediu que fizéssemos tiras.
Quando ela disse "tiras", me deu uma angústia enorme.
Olhei para os lados e vi que meus colegas cortavam o papel parecendo batata frita. 
Pensei preocupada:
Nossa eles vão fazer um tanto de tiras. Eu não sei fazer nenhum direito.
Naquele momento, comecei a fazer o melhor desenho que podia em um pequeno espaço.
Fiz o quepe, o uniforme, o distintivo e o revólver.
Depois fiz outro e outro.
E a professora veio perguntar o que havia de errado comigo:
- Por que você não está fazendo tirinhas como todos? Agora não é hora de desenhar.
Falei que fiz sim e mostrei o desenho dos tiras. (Na minha cabeça só lembrava das frases de A Gata e o Rato).
Ela pegou e levou embora. Disse que tava errado.
Me deu outro papel e pediu pra eu fazer de novo.
Fique sentada em minha carteira com a tesoura na mão e o papel na outra.
Estava um pouco aliviada de não ter que desenhar policiais (eu ainda não desenhava bem e isso nunca mudou muito!), mas também decepcionada de saber que minha missão era fazer um monte de batatas fritas sem graça.
E assim a gente começa a descobrir que uma palavra pode significar mais de uma coisa e que se você não entender as coisas direito, a professora vai acabar achando que seu pai tem problemas com a polícia.



Legal ver:
http://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/dicionario-feito-por-criancas-revela-a-adultos-um-mundo-que-ja-esqueceram/

quinta-feira, 23 de maio de 2013

INÊS, ATA A MEDIDA!

 
É só chover para que as pessoas comecem a censurar quem sente frio quando chove.
Qual é o problema de vestir meu casaco?
Ficam se vangloriando, falando do frio do sul do país...
Os mais sofisticados ou aqueles que aproveitam pacotes aéreos baratos dizem:
- Se você estivesse em Bariloche, saberia o que é frio.
Hahaha!!! Bariloche!? Tem dó...
Não. Eu não sei do frio de Bariloche, porque eu moro em Sete Lagoas e aqui fica quente na maior parte do ano. E nem sempre quando chove faz frio.
Mas às vezes eu sinto frio quando chove.
E daí?
Isso é simplório? Isso me desabona? Isso te incomoda?
Por que?
Não preciso estar na Groenlândia,
em Bariloche ou no Bar da esquina pra saber que as pessoas têm dificuldade de deixar que as outras pessoas vivenciem sua esfera íntima: o sentir.
Isso é algo personalíssimo. Que seja psicológico ou não. Incoerente ou não. 
Se a pessoa sente, essa é a verdade dela naquele momento.
Por que taxar, fazer pedágio, tributar o que o outro sente diferente de você?
Analisam o outro com suas inexatas medidas e liberam fórmulas como caixas eletrônicos liberam comprovantes*.
Então, se chove em Sete Lagoas e você não sente frio, isso faz parte do seu quadrado, mas no meu quadrado cabe sim um casaco, que eu até posso tirar daqui 15 minutos, mas vou colocar porque estou arrepiando já.
E também vou tomar um caldo no final da noite.
E deixo que diguem, que pensem, que falem...
 
* Caixas eletrônicos às vezes não liberam comprovantes, há que se salientar!!!

terça-feira, 21 de maio de 2013

LOGÍSTICA

 
Ele portava as peças importantes
E ela, outras peças importantes
Mas quem se importava a ponto
de comportar o que era preciso
no mesmo suporte?
Ele, meia boca.
Ela, meio cansada.
Sem fins que justificassem
os meios escolhidos,
Sem e-mails, cartilhas, mensagens
ou manual de instruções.
Ambos perambulavam incompletos
buscando outra forma de montar a paisagem:
Um medicamento, uma nova lei,
Uma cópia autenticada da peça que falta,
uma cláusula em letras pequenas
no final do contrato.
E até que decidissem unir seus recursos,
continuariam quebrando a cabeça
com todas as peças nas mãos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CHAMA DAS ESTRELAS (Amor, futebol e gestação)

 
 


 
 
 
 
 
 
 


 

 
 
A cidade acordou alvinegra.
Antes isso fazia tanta diferença:
Nós chorávamos, lembra?
Hoje pouco importa
É só azucrinar o amigo, o chefe, o parente...
Ser vencedor sem benefícios.
Nunca fui de vestir essa camisa.
Enfim, não há mais grandes ganhos a não ser as faíscas
Muita coisa vira faísca enquanto outras se tornam incêndios, cinzas e fumaça
Não sei dobrar o fogo embora seja menina de elemento fogo de ascendente fogo.
Vivo com um balde de água na mão e combustão no peito
Aliás, é mentira, tenho peitos pequenos e campos minados.
Queria ter campos elísios, mas por hora, vivo meu calcinattio
O galo canta cedo, enquanto o céu ainda está estrelado.
E o amor é uma habilidade em desenvolvimento em mim.
Preciso de ar, outras terras, de água benta e não fogo fátuo.
Preciso me mover no éter, solver a eternidade
sentir novamente as possibilidades de conseguir equilíbrio no escuro e no frio
pacificar tempestades e oferecer flores aos meninos e meninas que vão chegar.
*
Pequeno (a), aqui não parece ser tão promissor, mas somos os homens presentes
e lhe amaremos, preparados ou não, lhe amaremos.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

MEDIDAS

 
Todo mundo tem uma dica,
um conselho pra dar,
todo mundo tem boa intenção,
remédio pra curar,
todo mundo sabe o melhor preço,
a melhor promoção,
todo mundo quer um grande mar
pra dissolver o verão
  
Todo mundo sabe o melhor trecho
pra você caminhar
Todo mundo sabe a melhor hora
pra você começar
Todo mundo quer dizer a dica
que melhor lhe couber
Sempre que você chega com o doce
o povo mete a colher
 
Todo mundo quer gratidão
dos conselhos que dá
Todo mundo tem opinião
pra você creditar no final
se afinal você acertar
Mas decerto haverá deserto
se no fim o seu caldo entornar
 
Na pressão, todo mundo é esperto
e na pressa chegamos tão perto
e morremos de tanto nadar
Percebemos, então, a verdade
que aos outros caía tão bem
Perecemos de fome e de sede
no próprio armazém.