segunda-feira, 22 de março de 2010

Couve, vê, ouve, cool

E ela lá...
Mais perdida do que a bala que procurava no fundo do bolso.
Seguia os compassos da música ambiente.
Tentava, mas não conseguia conter os pensamentos indecentes que se disseminavam em sua cabeça.
Eram como um vírus letal e eram tão torturantes quanto gotas pingando lentamente de uma torneira estragada.
Mas era confortável. Confortable Numb.
Chovia. Fazia sol.
Choques térmicos.
Unhas rosa choque.
Chocolate de sobremesa.
Mensagens no celular.
Decoração fora de esquadro.
Não suportava quadros tortos na parede, talvez para compensar a própria tortura que era não agir com retidão.
Na verdade, nem existe linha reta. Tudo é simples ilusão de ótica.
Ponto. Reta. Plano.
Seu plano era uma ilusão.
Será que seu plano é bom?
Será que ele se conclui?!
Seu plano era cheio de curvas e declives.
De claves de sol. The Beatles.
Ia embora.
Levantou. Quis ser provocante.
Sorriu pro garçom...
Conversou alegremente com o caixa.
Foi ao banheiro.
Mas que droga.
O espelho era uma afronta.
Estampou a verdade e foi cortante.
Aquela couve.
E ela havia tentado ser sexy lá fora.
Mas que droga de novo!
Não dá pra ser sexy com couve entre os dentes...
@
Estrelinhas para Pink Floyd, Gatas Extraordinárias, Seu Zé que vende doce, Palito - o Garçom, Paulo Mendes - o contra-regras, Avelar - maqueador, Xuxa por "Pera, Uva, Maçã, Salada Mista", Zeca Baleiro, por Bandeira, que não vem ao caso, mas enfim...



quinta-feira, 18 de março de 2010

Quinta

O dia cerrava as pálbebras de vez em quando.
No intervalo entre a vigília e o sono, a cabeça pendendo pra frente dava a impressão de que o dia se dividia em 2: um nesta, outro em outra dimensão.
Em dias assim, é melhor não correr, não decidir, não olhar pra trás.
O banco de trás cheio de balões coloridos.
A porta da frente cerrada.
O vizinho ao lado não cortou os galhos que invadem meu quintal.
Sobre mim não há nenhum corpo.
E não quero mais coca-cola.
Parece papo de bêbado ou de doido isso aqui, né?!
Eu fico uns tempos sem postar, chego aqui e escrevo frases desconexas...
Acreditem, tudo significa algo, mas às vezes é preciso saber de antemão qual figura forma esse quebra cabeça.
Se for uma tela de Dali, "ai, Jesus!", aí a coisa se complica.
Aí o pernilongo (somente a fêmea) pica.
Aí o Pernalonga e o Pica-Pau.
E aí tudo pode acontecer de novo pra você...
Palpite!!!
*
Ankh, tava com saudades de você nessa vida. Tava com saudades da Sala de Origami e da vida no universo paralelo. Nostálgica!!!

terça-feira, 2 de março de 2010

Chat noir, Chat blanc

Quase um yin/yang!

Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo...

Uai...
Porque a vontade é uma coisa.
Às vezes vem como um tsunami e há pouco o que podemos fazer a respeito.
Ela é como o sentimento.
Entra, se instala, e a alternativa que nos resta é decidir o que fazer depois.
A vontade não tem um censor nem sensor que analisa ética ou moralmente o que ela é ou vai ser.
Ela tem existência autônoma, e não vai desaparecer apenas se fingirmos que ela não nos ocupa a ponto de esquentar o estômago nos impulsionando às escolhas.
É aí que está.
Não há como se debater contra a vontade, porque perderíamos todos os rounds, isso quando não formos a nocaute no primeiro assalto.
Mas a escolha sim, está completamente em nossas mãos.
O que vamos escolher já que temos a vontade?
Vou levar um Choquito ou um Diamante Negro?
Vou para a praia ou para as montanhas?
Levanto agora ou daqui a 5 minutos?
Pois é, eu sei, vocês sabem que cada escolha implica uma renúncia.
Até o Ian, meu sobrinho caçula sabe disso.
Basta saber que poderemos pagar o preço pela escolhas que faremos.
Sim, porque nenhuma escolha é tão free assim, mas podem ser sofridas.
Tudo tem seu preço!!!
E nem tudo é tão simples.
Nem sempre é possível renunciar à vontade em prol de princípios, crenças, essas coisas bonitas dos evoluídos.
Sabe, gente, vontade represada é um troço perigoso, porque a gente abre as comportas e a pressão nos arrebata para outros lugares, esferas, universos paralelos...
E depois é a água. Salve-se puder, flutue quem sabe boiar!!!
Essa água nunca lava, mas limpa de qualquer maneira, no entanto, a qualquer hora do dia ou da noite, os gatos negros, os gatos brancos e outras cores de gatos que se banham nessa água, a gosto ou contra-gosto, quando saem de lá, continuam pardos, à própria revelia. Todos.
*
*
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

*Estrelinhas para Legião Urbana (Sereníssima) e Zé Ramalho (Pepitas de Fogo)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uma flor pra cada um que entrar nesse boteco agora!
Estou bem nesse momento.
Quero comparilhar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pelo sim, pelo não...

Sempre estive à procura da grande revelação, do encontro com o cosmo dentro de mim, com a visão de uma verdade que fosse tão absoluta que me faria silenciar num grito intenso. A epifania. Procurei em diversos lugares. Mal sabia eu que encontraria num dia comum de sol e chuva e exatamente ali, naquele lugar no qual já me acostumara a visitar.


Essa é a hora da musiquinha de abertura.

Foi ali.
Ela, em seu sacerdócio, já não imprimia um tom místico na voz ao dizer:
- Pode se virar.
Eu já sabia de cor aquele ritual.
Não era minha primeira vez. Não havia grandes expectativas.Virei.
Ela fez o seu preparo e veio em minha direção. Eu não a via, mas sabia que ela se aproximava.
- Relaxe.
E foi nesse momento, nesse inexato momento que ela passou a espátula com a cera quente que estava mais quente do que nunca. Nó, fechei os olhos e contraí os sfincteres na hora.
Tragédia!
A banda de cá grudou com a banda de lá e dentro de mim eu pressenti a morte e antevi aquele famoso tunelzinho de luz.
D. Geralda ia ter que puxar a cera agora. De uma vez. E ela nem contou até três, foi logo tentando consertar a situação.
VUPT!
Tudo teria corrido muito bem, mas a cera agarrou bem no “meio do palavrão” e eu pedi pra parar. Precisava respirar.
D.Geralda dizia:
- Relaxa. Vai ser pior se a cera esfriar.
Dentro daquele processo, eu ficava me perguntando como aquilo poderia piorar. Eu queria ferir a D.Geralda.
E lá vai tentativa. E lá vai eu contraindo de novo e tudo grudando.
Comecei a chorar, a suar,a pedir perdão pelos erros cometidos na vida...
Até que a minha algoz fez o “vupt’ fatal que me concedeu a visão de deus.
(...)
Depois que voltei do desmaio, soube que houveram três tentativas até que a cera fosse retirada. Estou me sentando de ladinho ainda, mas vivenciei uma experiência que me mostrou que podemos ter revelações nos lugares mais inusitados possíveis, como na depilação. No ápice da dor, encontrei a resposta da vida.
Sou uma nova mulher!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Citronela

Insetos hematófagos deixaram uma constelação em meu braço.
O sangue tem valor de mercado num reino diferente do meu.

Os raios de sol ainda aquecem a noite.
Não me encaixo em sonho nenhum nessa madrugada sem doce.

Coça.

Será que você vai se encaixar em minha vida
assim, do jeito que ela está?
Essa coisa de dar o rim, de dar a vida
Pode ser mais loucura do que amor.
Eu não encomendei sacrifícios.
Gosto das coisas simples, fluindo.
Desejei que as coisas fossem mais simples.

Em certos dias eu peço pra noite não acabar.
Em alguns dias eu quero que amanheça logo.

Eu sei da importância de todos os seres na natureza
do átomo à estrela
Mas quero eliminar esses insetos
Porque seus zunidos estão me fazendo concluir
Que a saudade também coça
e deixa erupções avermelhadas na alma
principalmente em dias como hoje
quando a cadeia alimentar fica torta.

Im tired of making out on the telephone
Cos`You`re so far away from me
You`re so far away from me
So far I just can`t see
(Dire Straits)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Inevitabilidades

De tempos em tempos o coração inunda.
Então é preciso abrir as comportas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Som na caixa, Sol nas almas

A equação era simples: Todos somos um só.
De longe parece fórmula fascista, todavia, a essência do fascismo é uma bela idéia refletida nas espadas dos mosqueteiros: Um por todos, todos por um.
Seria bonito se não fossem tantos, tão enganados.
Ser forte como um feixe que não se pode dobrar...
Estamos aí no mundo nos dobrando, nos curvando a diversos senhores que se torna até difícil saber a qual deles seremos fiéis.
A idéia da fidelidade ganhou novas teorias e no mundo high-tech globalizado caiu em desuso, agonizando na obsolescência e causando sofrimento por toda parte.
Seres humanos envelheceram preenchendo vagas em asilos, esquecendo quem foram e sendo esquecidos.
E para amplificar o problema, todos os dias os noticiários metralham os efeitos da nossa própria ignorância para que na seqüência o glamour novelesco finja disfarçar o sorriso amarelo e desdentado da miséria. A ficção abranda a nossa revolta, mas não cura nossa falta de atenção com o necessário, com o essencial.
Incrível como desperdiçamos tempo, desperdiçamos pão enquanto sobra tanta falta pelo mundo. È simples. E lógico. Mas não era pra ser banal.
Impressiona como mudamos o foco das coisas, contraindo voluntariamente um glaucoma espiritual que nos impede de ver o óbvio.
Não. Não era para ficarmos deprimidos se o mundo parece cruel, injusto e sem solução.
Acho que a idéia não era olhar pra fora, entristecer, desistir e se fechar.
Ou mesmo olhar pra fora, concluir que o mundo não tem solução e se tornar indiferente á isso, festejando apenas o circo que “tem pra hoje”.
Tem mais sentido olhar pra dentro, querer ser a diferença e se abrir melhor.
Existem moinhos de vento com os quais desperdiçamos nossa energia, mas existem inimigos reais dentro de nós que devemos combater para não sucumbirmos.
Preferimos mostrar o dedo médio em riste para os vilões da vida do que admitir que também somos parte da vilania para após trabalhar e fazer com que daqui pra frente tudo seja diferente.
Nos ocupamos em perder nossas crenças e desenvolver moléstias torturantes que enriquecem a indústria farmacêutica, contudo postergamos a hora de dar um gesto, uma mínima parte de nós para tornar o presente mais feliz além da circunferência do nosso umbigo.
Desistir é deixar de fazer o bem, e a ausência do bem já é um mal.
Não adianta escorregar na cadeira e desviar o olhar quando o professor mirar você, porque as conseqüências vão chegar, quer você esteja escondido debaixo da cama, quer você esteja em evidência num canal de TV.
Estamos sobre a mesma superfície. E natural sentir raiva, mas não tem sentido desejar o mal de outra pessoa, não tem sentido arquitetar planos prejudiciais, não tem sentido matar. Não tem sentido matar. E mata-se de tantas formas...
Sejamos vida, sobretudo.
Sejamos mais do que somos.
Aproveitemos a alvorada.
Sol nas almas, som na caixa, porque hoje nós dançaremos para transformações!
*
*
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver, o mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer tudo por você.
*
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo...
*
Estrelinhas para Teatro Mágico por "Sobra tanta falta", Roberto Carlos por "Se você pensa" Legião Urbana por "Como é que se diz eu te amo", Caetano por "Podres Poderes", Alan Kardec pela Codificação.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre a necessidade



Chegamos num ponto em que não é mais possível parar.
Ja não bastam as respostas, já não são suficientes os mesmos hábitos.
As retinas mal suportam as cores de sempre e a rotina implora por novidade.
O calor começa a romper os limites humanos.
Nessas horas, há algo de dolorido em casa escolha.
Nós precisamos de outras coisas, mas não sabemos as certo do que.
Nós procuramos por novos ares, mas não sabemos direito por onde.
Ou movemos a peça ou desistimos do jogo.
Posso trilhar qualquer caminho, nem todos eles me convÊm.
Esqueci o telefone em algum lugar.
Esqueci aniversários.
Menti pra vocÊ e me convenci de que foi pro seu próprio bem.
Como é pro nosso bem detectarem metais na porta giratória.
Como é pro nosso bem nos identificarem na portaria.
O que querem de mim são impressões...
Digitais...
Já é tarde.
Sinto saudades
enquanto o ventilador em minha frente continua negando tudo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

2010

Não adianta praguejar contra o teclado que não acentua.
A vida além dele continua e as palavras não deixarão de serem escritas.
A gente se ajeita, inventa um jeito de sacudir a poeira.
Depois do verão, o sol permanece em chamas e suas explosões silenciam no vácuo.
A natureza parece agredir, mas o que parecia um golpe, era apenas um soluço.
Não queremos sucumbir.
Queremos o mar e o sangue.
Queremos sorrisos e corações.
E nós somos os homens comuns, desarmados.
Existia uma fresta de um ano pra outro e ao passar por ela, não senti nenhuma magia, no entanto, tive que mudar o calendário pra não viver no passado.
Então estamos aqui.
E vamos, enquanto o Brasil está distante da fúria da natureza.
Há uma certa beleza em qualquer continuação.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Este é pra vocês!

Boa noite, caros visitantes desse blog!
Eu pretendi, no entanto não consegui me manter impassível diante do tal espírito natalino.
Talvez, um dos poucos espíritos que não me assombre!
Algumas pessoas se entristecem nessa época do ano, o coração se aperta por se lembrarem das pessoas que partiram e dos abraços que não poderão ser dados.
Outras pessoas consideram o Natal um mero artifício comercial.
Há ainda aqueles que decoram a casa e a avenida com luzes, anjos, presépios e bolinhas coloridas.
Sem esquecer daqueles que projetam ceias e reúnem famílias, sem esquecer das confraternizações da empresa, dos inúmeros amigos ocultos, sem esquecer dos esquecidos.
O Natal é a época em que os esquecidos são lembrados. Lembrar do outro deveria ser algo constante, mas já é um avanço lembrar de ser melhor pelo menos uma época do ano.
Participo de algumas tarefas assistenciais em minha cidade. Alguns meses do ano são bem difíceis, principalmente durante a semana do carnaval em que as pessoas se lembram menos de amar. Mas no Natal, acontece o “milagre das multiplicação do pão”, doações se triplicam e as pessoas sentem mais disposição para a confraternização. De repente elas lembram que são irmãs. A gente sabe que não vai ser pra sempre, o que não nos impede de ficar feliz pelo tempo que dura.
E é uma mágica que acontece concomitante com assaltos, com mortes violentas nas estradas, com o que o mundo tem de pior. Mas não deixa de ser o lírio que nasce no lodo.
Eu sou o lodo, sabe gente? Deus sabe o quanto tenho errado nessa vida e o quanto sou miserável por fazer escolhas que muitas vezes me distanciam do Bem. Mas eu sei que há um lírio dentro de mim e gostaria de compartilhar esse lírio com todos vocÊs, meus amigos que escrevem blogs e que visitam esse café. Cada um de vocÊs teve um significado especial para mim quando comentaram meus textos e quando publicaram textos que me tocaram de alguma forma. Quero envolver a cada um, cristão ou não, ateu ou agnóstico, num grande abraço virtual e também quero agradecer por existirem:

- Álvaro, por sua sensibilidade, por seu coração metálico que consegue ver que o segundo lugar está bem perto do primeiro e representa nosso esforço de querer atingir o objetivo de nossas vidas, algo quase perfeito
*
- Bobo na Corte, Saulo, decodificando sentimentos na descoberta que o tempo que passa nos deixa com bem mais coisas do que simplesmente uma nova idade,
*
- Carla P.S, por sua intensidade, por suas linhas agudas e por você não se conformar com o que considera ruim
*
- DJ, por seus combates diários, sejam eles cheios de sentido ou não! Pela sua forma agridoce de ser e pelas transformações que movimenta na vida,
*
- Elga, porque em seus textos consigo ver um pouco do que sou e posso refletir a respeito, e que mesmo se parecendo um pouco comigo, você consegue ser o máximo!!! (Isso não foi um auto elogio!)
*
- Karen, pelo seu dom de superar e de construir a felicidade, que nos mostra que a dor revela um novo caminho a trilhar e que nesse encontro com a renovação existem agradáveis surpresas!
*
- Leandro, o Pagão, por sua busca pela resposta através da arte, por seus enigmas e por suas inquietações,
*
- Malagueta, por seus contos, faz de conta, e flechas lançadas, pelo tempero, pelo branco e pelo cáustico, por sua vontade de exorcizar o que o amor pode nos trazer de mais dolorido,
*
- Manô, por seu garimpo de idéias que nos fazem refletir, por sua atenção a cada visitante do Blog do Obvio, por seu carinho sempre,
*
- Marikate, traçando caminhos sem a certeza de onde vão chegar, mas com a certeza de que a felicidade era sempre o objetivo da busca,
*
- Menino Daniel, por sua atenção, por seu carinho e por ser alguém que mesmo distante sabe ser amigo, sabe cuidar e sabe valorizar o coração dos outros
*
- Natália, por sua simplicidade de viver, por seu desprendimento, por sua intelig~encia e por seu espírito brilhante,
*
- Pedro, por suas poesias, por seu jeito muito gauche de escrever e de nos brindar com cada texto
*
- Rafael e seu outro café, às vezes descafeínado, outras vezes com cremes nostálgicos, mas sempre com presença e sensibilidade para buscar outros grãos em terras distantes como o Alaska ou em lugares tão próximos como o fundo do coração. Ou o contrário!
*
- Ricardo, Distinto Eu, que quando posta dá ao mundo um presente seu através de suas palavras mágicas.
*
- Sheyla, por sua doçura e sua certeza de que a Luz pode iluminar mesmo aqueles que se escondem dela
*
- Tavinho, por sua extrema sensibilidade e inteligência que me faz cada vez mais acreditar no arco-íris no fundo do pote de tempestade!
*
- Vã, por suas cores, por tudo o que você tem de doce e ácido, por tudo o que você pinta de triste ou cômico, por sua inteligência
*
- Xanda, por seu relicário que guarda tantas sutilezas quando a leveza do ser fica insustentável,
*
- Por todos aqueles que não citei, mas que já estiveram aqui de forma mais oculta ou esporádica,
*
desejo que o amor dentro de nós se expanda e se manifeste no mundo a ponto de induzirmos SUPERNOVAS.
Sejam melhores!!!
O bacana de estar aqui, mais do que pedir ou se queixar por não receber, é dar.
Dar de si mesmo.
Porque eu tenho aprendido que a gente ganha muito mais quando doa.
Feliz Natal!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Operárias do Ar

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Porque seu coração era doce, transitavam por ali uma infinidade de formigas.
Ordenadas. Compenetradas. Seríssimas.
Peregrinavam sobre veias e artérias sem se aglutinarem aos fluidos do corpo. A cada sístole, retiravam do coração pequenos pedaços e os transportavam harmoniosamente como se marcassem os compassos de uma canção. Encontravam algumas vezes sentimentos fósseis e marcas indeléveis de amores vulcânicos que não ousavam e nem podiam valorar.
Eram apenas formigas.
Espalhavam feromônios num caminho que se estendia até o intestino e seguiam rumo ao sol através do umbigo, onde aguardavam minúsculos discos voadores numa espécie anatômica de hangar. Cada nave tomava destino diverso e trafegavam pulverizadas e quase invisíveis aos olhos humanos, desatentos das pequenas coisas.
O fluxo dos insetos no interior do corpo cessava antes que o coração fosse aniquilado.
Os pedaços extraídos do músculo pulsante transformariam-se em poderosos diamantes cuja função era resplandecer e trazer vida aos planetas que assim como uma tela de Dali, equidistanciavam-se da realidade. Tais planetinhas possuíam órbita análoga à dos elétrons no interior dos átomos e situavam-se tanto no subsolo quanto nos vãos misteriosos da biosfera. Era a surpresa argonauta celebrando a existência incomum de certos sentimentos.
As formigas, operárias do ar, eram recebidas em seus planetas de estrutura mineral, com fogos de artifício e grandes festas, enquanto ela, na Terra, agonizava flutuando no oceano composto por suas hiperbólicas lágrimas. Tinha nas mãos apenas a alegria efêmera dos “plocs” sucessivos do plástico bolha e na mente a lembrança aflorada de na infância ter representado uma árvore numa peça da escola, um auto de Natal.

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Nota de rodapé: A função das árvores em teatro infantil, não raro é encaixar o aluno que ficou sem papel. Principalmente num auto de natal, onde bastam pastores, a família de Jesus, os reis magos e alguns bichos...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

... mas eu fui um espermatozóide dinâmico!


Depois da chuva, surgiram esses piolhos de cobra por toda parte.
Vê se pode, chamar uma coisa dessa de piolho de cobra?!? Pelas dimensões do bicho, seria piolho só de anaconda. Ana Conda Drácula! (Anéim!) Foi péssimo, né?!! Cobra nem tem cabelo pra ter piolho. As cobras são carecas. Alguém conhece alguma cobra cabeluda? Ops... Esse trem ta ficando feio e ambíguo. Deixa pra lá. Mas eu sei lá de onde é que saem certos nomes. E nem de onde é que surgem esses bichos. O jardim está cheio deles, geração espontânea!! A propósito, esse jardim... Minha mãe deixou a casa com o jardim pra eu cuidar. Eu rego toda manhã, mas não tenho a mínima idéia de como é que poda, que aduba. A grama parece selva. Tem aranhas e flores. De tudo o que minha mãe me passou, jardim é o que eu menos sei fazer. Eu alimento o gerbil, cozinho, cuido da casa, incluindo banheiro, coisas que achavam improvável, mas não sei cuidar bem do jardim. Mamãe falou que o jardim era terapêutico, que eu podia aprender muito sobre mim... Mãe, eu não aprendi nada sobre mim ali, a não ser que sou preguiçosa. E eu não quero aprender coisas que eu não vou gostar (!!!). Eu não gosto de saber que sou preguiçosa pra certas coisas. Por exemplo, tenho preguiça danada de gente que acha que sabe tudo. Tenho preguiça de explicar porque eu não apareci no aniversário, no casamento, no chá de panela, tenho preguiça de dar uma resposta quando sou pressionada, e nesse calor a preguiça se intensifica tanto, que eu preferia ser líquida e esparramar no chão da praia. E a preguiça que me dá de mim?!! Li alguns textos antigos desse blog e acho que os novos parecem uma repetição requentada morna ou fria de tudo o que eu fui de melhor e mais dinâmico um dia. "So when you're near me, darling, can't you hear me SOS" Estamos sendo cozinhados no caldeirão do mundo e nessas condições, os downloads do meu cérebro costumam ser mais lentos mesmo. Do cérebro e do corpo inteiro. Ainda não penso em me adequar às novas regras ortopédicas, aliás, ortográficas. Não é por revolta nem por resistência às mudanças. (Na verdade eu não vejo tanta utilidade na mudança, além de ser incômodo e caro.) Mas minha recusa não é por nada nobre não.
É que o uso do novo português será obrigatório apenas em 2012 e caso hollywood e os maias estejam certos, o mundo também acaba em 2012 e assim eu terei evitado a fadiga!!
*
Estrelinhas pro Jaiminho do Chaves, pro ABBA (S.O.S) e logo abaixo, pro Sr. Arnaldo, pro Sr. Carlinhos e pra D. Marisa!
*
Pecado é lhe deixar de molho
*
Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu

Pecado é lhe deixar de molho
E isso lhe deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus

Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A caravana da coragem e o meu sabre de luz

Em algum lugar, ficaram apenas pó de estrelas.
A vida nos aniquila e nosso trabalho é reconstruir.
Constantemente.
Com caleidoscópio, pá e cimento.
Decobrir que no final das contas, o amor era a resposta pra tudo.
O universo é infinito.
O planeta Terra e tão pequeno.
Ah...
É só mais uma tarde quente de primavera.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sem making off.

É uma merda.
Contudo, acontece.
Nas retrospectivas que fazemos em tudo o que ocorreu até o presente, às vezes constam cenas que gostaríamos de deletar. Ou mesmo refazer tudo e inserir falas e posturas melhores. Mas a vida não é um filme, não é mesmo? Pode até se parecer com um, principalmente quando representamos algo que não somos, no entanto não há claquetes, ensaios, maquiagens ou dublês. É tudo por nossa conta e todo momento é de ação... ou omissão!
Mas juro, juro que em algumas ocasiões eu gostaria de uma repetição melhorada, onde eu pudesse voltar e dar a resposta ágil, brilhante, vigorosa!
Quantas vezes eu já me martirizei por ser tão desbotada, tão hesitante, tão gaguejante, tão tola, quando segundos depois eu conceberia a fórmula que me tornaria “hipoteticamente” virtuosa, perspicaz, sagaz ou sarcasticamente interessante? Anéim!!!
Aprendi com meu irmão, sem ele nem saber que estava me ensinando, que é preciso ter desapego. Desapego dessas ilusões de perfeição, desapego do que é cena antiga. Não há nada que se possa fazer para modificar o que já passou. Como diz a música dos Engenheiros: É impossível repetir o que só acontece uma vez”. O que temos ao nosso alcance é tudo que se situa no presente como pedir desculpas, se retratar, fazer melhor na próxima, relaxar e aceitar o fato de que não deu dessa vez. Podemos provar em outras circunstâncias (mais para nós mesmos que para os outros) que somos melhores que “aquilo”. Na ausência de alternativas mais felizes, é necessário assumir o fato de que naquelas condições de temperatura e pressão fizemos o que nos era possível. O desapego consiste em não sofrer por causa disso, ou ficar assombrado com aquela frase “por que é que eu não pensei nisso antes?”, até ter medo de dormir.
Ora, fomos o que demos conta de ser. Auto-flagelação além de desnecessária, não vai modificar o que já passou.
O melhor é assumir o que se é e não se preocupar exageradamente com o que deveria ser. Inevitavelmente cometeremos ao longo da vida alguns erros idiotas dos quais nos arrependeremos depois, o que não quer dizer que somos um fracasso. Significa apenas que somos humanos. A culpa é o inferno. Paralisa e impede contornos e progressos. A verdade que assumimos liberta e impulsiona.
Porque nós sempre podemos ser melhores que agora. Não é?!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Notas sobre o escuro

Chegamos sozinhos no mundo.
E saímos dele da mesma forma.
Mesmo assim, nossa passagem por aqui só tem sentido quando estamos com outras pessoas, quando compartilhamos nossas vidas.
Porque quando chegamos, invariavelmente há alguém que nos acolhe.
E quando partimos, quase sempre fica aqui alguém que sentirá a nossa falta.
Isso é coisa que todos nós sabemos e que de vez em quando alguém diz por aí.
Mas eu só falo disso, porque agora estou sozinha fisicamente, e nem fui eu que escolhi exatamente assim. Gosto de momentos de solidão, mas amo gente, amo pessoas, adoro abraços e beijos de boa noite. Meus pais se mudaram, meus irmãos se casaram, o irmão solteiro mora longe, e meu casamento aconteceu e desaconteceu quase mais rápido que uma goma de mascar na boca. E foi a partir de então que eu vi que era comigo que a vida teria que seguir. Tipo, “Marvim, agora é só você...” Eu poderia ter consolo, mas ninguém sentiria minha dor. Eu poderia ter abraços reconfortantes, mas nenhum deles poderia mudar meu destino feito mágica e de repente afastar o cálice que me cabia. Mais do que nunca era a minha vida e pela primeira vez eu decidi que teria que ir pra longe da minha família. Sozinha. E eu morria de medo disso. De uma certa forma, fui criada pela D.Galinha Cuidadosa e pelo McGyver. Não havia problemas que eles não resolvessem, mesmo os meus. Quantas vezes meus irmãos já me tiraram de sérias enrascadas em qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada?!! Mas eu tinha que provar pra mim mesma que conseguia sozinha, que eu não era mimada e nem era incapaz. Então eu fui. Pareceu fácil num mundo de celular, internet, telefone, vôos promocionais e asfalto. Mesmo assim, Deus facilitou pra mim, porque lá longe encontrei outra família pelos laços do coração, encontrei proteção e encontrei um novo amor (que infelizmente não pode estar aqui comigo). Nunca me senti só e isso acabava me deixando um pouco dependente. Agora eu volto e o panorama está diferente. A minha casa está vazia e quando a madrugada se aproxima, os únicos barulhos que ouço são os estalidos dos móveis ou ruídos de insetos lá fora. E cara, morro de medo do escuro! Durmo com o timer da TV ativado, e se preciso ir ao banheiro, acendo todas as luzes. Um barulho diferente faz minha barriga esfriar. Minha vizinha já me convidou pra dormir em sua casa, e no início eu até aceitei. Outras vezes, vou pra casa da minha irmã, onde tem gente, gato, cachorro, coelho, crianças, barulho!!! Mas aquela lá é a vida dela, e essa aqui é a minha. E então eu estou aqui pensando que sempre tive medo das coisas. Pra começar, demorei pra nascer, e fiz minha mãe sofrer em tratamentos para a gravidez ir adiante. Segundo ela, eu tive medo do mundo. Mas nasci e, droga, tinha um monte de coisas que eu precisava enfrentar por aqui. Eu tinha medo de ser chamada atenção na escola, então sempre fui aluna padrão. Nunca colei até a 8º série, juro, mais por medo que por princípio. Tinha medo de bonecas. Tinha medo delas ganharem vida, por isso nunca quis ter uma Barbie. Nunca disse ao garoto que gostava do Nirvana que eu gostava dele. O nome dele ta gravado no meu violão até hoje: Reinaldo! Ele próprio escreveu seu nome com a ponta de uma chave no meu violão novinho (na época) e eu não disse nada. Eu o ouvia tocando as músicas do Nirvana todas as noites e nem coragem pra dizer que não gostava de Nirvana eu tive! Às vezes, acordava no meio da noite com medo de meus pais morrerem e ia bater na porta do quarto deles. Adormecia na cama deles e acordava na minha! Mágica!Rs! Tive medo de notas vermelhas, por isso agüentei a pecha de CDF por vários anos e conquistei um passado todo azul. E eu tinha medo, tinha medo e tinha medo. Nem sempre eu era boa. Às vezes eu era só medrosa. Algumas vezes o medo me impulsionava, outras vezes travava a minha existência como um segurança ameaçador na porta de um lugar que eu queria muito entrar.
E agora eu estou aqui, sozinha, me apaixonando outra vez pelo Matt Damon (amor, você não precisa se preocupar com isso! O Matt Damon não existe de verdade, ta?!) e descobrindo que no silêncio, tomar coca-cola é deixar o mar entrar na sua boca e modificar toda a sua existência durante aquele instante. Tentem isso em casa e perceberão que o som da coca cola é o encontro do mar com a areia. Boca litorânea. Eu daria muitas coisas para estar no litoral agora e dormir de conchinha, mesmo nessa primavera quente. No entanto, tenho mil dragões para vencer e não quero ser covarde com minha existência, não quero mais morrer de medo. A essa altura, não acho que isso vá mudar. Eu sou cheia de medo, até escorrer nos olhos, até ressecar a ponta do cabelo. E tem gente que me acha corajosa! (...)
Mal sabem que as decisões que tomo passam por um milhão de hesitações até se concretizarem. Coragem não significa ausência de medo. Significa não fugir quando é necessário estar presente. Significa não desviar os olhos quando é necessário encarar.
Quando o filme acabar, eu vou desligar a TV e vou dormir.
Porque há sim o que temer. Por toda parte. Viver é perigoso. O mundo é repleto de perigos e ameaças.
Mas eu não sou indefesa. Ninguém é. E eu sei que existe em mim um dispositivo que me fará passar por mais uma noite sozinha, porque ele já me fez passar por muitas coisas que achei que não seria capaz antes. Essa idéia me ilumina.
Quando algo nos ilumina, o escuro não parece mais tão assustador assim...
*
*
Estrelinhas para os Titãs, pra Jesus e Chico Buarque, pro Matt Damon no filme O Bom Pastor e pro Guimarãe Rosa em Grande Sertões: Veredas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vesúvio


O expresso do oriente rasga a noite, passa rente e leva tanta gente que eu até perdi a conta. Eu nem te contei uma novidade quente. Eu nem te contei. Eu estive fora uns dias...

(Uns Dias - Paralamas)

Pobre Pompeia...




Eram como flechas.
Desvia-se por instinto de conservação.
Não exatamente por algo que valha a pena conservar, mas por uma coisa invisível que faz com que a nossa sanidade não ultrapasse a linha do aceitável.
Que coisa é essa que não nos deixa enlouquecer?
Algo que absorve a mínima vontade que temos de vez em quando de explodir o senado ou de que o Vesúvio petrificasse o mundo novamente?
A gente vê essas coisas, esse vômito todo dia e caminhamos no meio desse lodaçal fétido e viscoso tentando encontrar flores, perfume e talvez, com algum esforço e imolação, um arco íris no fundo do pote de ouro (não importa se essa seja a lógica ou não.).
Garotas e seus micro-vestidos acadêmicos, adolescentes rebeldes, a pulsão assassina e entorpecedora dos morros, das zonas e da zona sul. Primeira classe, classe média, classe anã, subúrbio aristocrata, miséria e planos de governo. Esse egoísmo que entra em erupção a cada hipótese improvável, a cada rio que precisa ser transposto para que todos tenham água.
Qual é a minha opinião sobre a pena de morte, sobre o aborto, sobre a eutanásia, sobre o funk, sobre a castração química, sobre a venda voraz de antidepressivos, sobre o apoio do governo nacional à Venezuela, sobre o vestido de celebridade na cerimônia do Oscar e na noite de autógrafos do novelista em evidência? O que acho do fato de a Suzana Vieira querer ser desejada e não amada? O que tenho a dizer sobre a homossexualidade, sobre a fidelidade, sobre a monogamia, sobre orgias, sobre política, sobre amor, sobre reencarnação, sobre criminalidade, sobre loucura?
Percebe? São milhões de informações que recebemos por dia. Algumas nos atingem como flechas, outras não.
Algumas mudam nossa forma de viver, de ver a vida, de pensar e de vestir, de andar e de consumir, de morrer e de escrever um post. E outras são simplesmente ignoradas, vão virar adubo para uma nova civilização. O que nós absorvemos é realmente o que presta? O que vale a nossa indiferença é realmente lixo?
Sei lá...
Essa noite eu e o Leo fizemos uma cabana com edredon e cabo de vassoura e são coisas assim que fazem com que meu desejo de vulcões aniquiladores seja apenas uma efemeridade.
E a Moura torta também?
E a Moura Torta também.

Leo

Oi gente, estava com saudades de vocês e de postar. Talvez essas não sejam as palavras adequadas para um retorno. Eu não quis ser pessimista agora! É o contrário. Apesar de todos os pesares, há sempre algo pelo qual vale a pena continuar acreditando no bem, na luz e no incrível...
Sopro de Eves!



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Avelã

Minha cabeça livre tem mais tempo para pensar em você e sentir saudades.
Tive a ilusão de que nossas desavenças se escassearam por um avanço meu, uma aproximação espiritual do nirvana. Oh, pretensão!!!
Bastou apenas uma oportunidade para eu perceber que não houve evolução nem amadurecimento de minha parte.
Não me tornei mais paciente, não me tornei menos egoísta.
Na verdade eu estava flutuando como um balão que se distanciava de você.
Sentimentos suspensos.
Eu neguei, mas sei que por algum tempo fui apenas a voz do outro lado da linha respondendo perguntas com monossílabas e desejando que você simplesmente entendesse.
Não sei se você entendeu, mas soube suportar bem, esperando essa aterrissagem.
Dedico a você algumas linhas em agradecimento, mas eu sei que em minha vida você é mais que um elemento pré-textual. Estou sempre querendo te mostrar isso. E parece que é sempre insuficiente. Às vezes cansa ser tão deficitária.
Então eu abro esse livro e encontro o marcador improvisado: o papel de bombom de avelã que você me deu.
[...]
A eternidade é tão condensada em nossas formas imprecisas de amar...
De repente sentimos medo de mover a próxima peça e perder o jogo.
Há quem sacrifique as peças mais frágeis apenas pra acelerar o fim, pra antecipar a derrota como se o resultado fosse previsível desde o início. Entrega o jogo sem considerar o elemento surpresa, sem definir uma boa estratégia que interfira nos próximos movimentos.
Bom, quero que saiba que não sou essa pessoa.
Apenas perceba que em minha deficiência já percorri distâncias abissais, só para estar mais perto. Apenas perceba que intensidade não consiste apenas na quantidade de frases de amor que eu possa dizer.
Estou aqui.
Quero ver como fica esse tabuleiro no futuro.
Irei até o futuro...
*
For many hours and days that pass ever soon
the tides have caused the flame to dim
At last the arm is straight, the hand to the loom
Is this to end or just begin?
All of my love, all of my love,
All of my love to you, NOW

(All of my love - Led Zeppelin)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Maria Joaquina do Amaral Pereira Góes...

Gente do céu, hoje posso dizer que é um dia feliz.
Estou 500 toneladas mais leve porque consegui completar uma missão importante.
Muito importante pra mim.
Mas foi com o apoio de todo mundo.
Ninguém constrói sozinho.
Até o Tarzã precisa de um macaco! Na verdade, da macaca!
Esse não é um post sobre vitória.
É um post sobre gratidão.
Eu estou expandindo de felicidade e gratidão por Deus colocar na minha vida pessoas que fazem com que ela dê certo.
E engraçado, nem sei por que, mas só consigo pensar agora naquela música que nem sei de quem é. Só ouvi num carnaval distante...
Aaaaaaaaaahhhhhh!! Quero dançar!!
Maria Joaquina do Amaral Pereria Góes, você "contribói" para o meu viver!!!!!!!!!!!!!!
*
*
Só falta ter um filho agora...
Mas isso eu também não posso fazer sozinha ; ] !!!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Potencial consciência do risco

*
"Embora seja um conceito claro, não podemos defini-lo bem"
(Bleuler - sobre a consciência)
*
Se o seu encanto acabar na próxima estrofe,
se descobrirmos mais tribos canibais que vão nos devorar
como o tempo faz com todos os amores suspeitos,
o que é que vai ser?
O que será de tudo aqui, de tudo que foi construído até aqui?
Ninguém quer as responsabilidades de um herói, mas todos querem ver o próprio nome ressaltado nos créditos.
Ninguém quer acordar.
Quem adormeceu não vai despertar antes do desenrolar dos fatos.
Coisas se perderão e não haverá replay.
Perde-se demais por manter os olhos fechados querendo enxergar existências que não estão aqui.
Perde-se demais o tempo
querendo clarear o quarto com a luz os olhos
Não haverá milagres, nem profecias vãs.
Meu bem, não espere uma mágica.
Não vou tirar um sentimento da cartola e dizer que ele é seu. Ou meu.
Não haverá disfarces que salvem as manhãs de toda revelação.
O próprio Sol revoluciona toda vez que vem rompendo a madrugada.
Nem as estrelas resistem.São de outras grandezas...
Quem dirá os gatos pardos da noite...
Queremos inventar um resultado para todas as equações, mas que tudo se explique com a lógica.
Não necessariamente vou desaparecer, mas provavelmente eu não ficarei se tudo continuar assim, do jeito que não reconheço nem mesmo a imagem que tenho no espelho.
Pareço estar aqui.
Você pode vir se quiser e pode ficar, se achar melhor.
Devo avisar, no entanto, que só posso escolher por mim mesma.
*