quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
UM PLANETA NA SUA CAMA
com A PRÓxiMA ESTAÇão
Tudo pÁRa
eU PARALISO.
Decisões interlocutórias
com bolinhos de chuva.
Sono fervendo por dentro,
cafeína pra teimar.
Será que o sapato cabe
na Cinderela?
Será que era o sapato ou o pé dela?
O que é que cabe em mim, em ti?
o que tem cabimento?
Decidir ARRISCAR TUDO?
Suportar o sofrimeNto?
Bala meNtOS COM cOCA COLA
É CAPAZ DE aTIVAR FOGUEteS
DE bRINQUEDO.
aSTRONAutas de mármoRE
no sOLo Lunar.
Mesmo pedras caras flutuam.
SÓ POR LÁ.
pOR aqui é tuDO grave
sem agravo de Instrumento
NÃO sei SE graVO UM cd
oU SE ESCREVO UM poemA.
sE MEU desEJO é grande
se minha alma é PEQUENA
Se o mEDO nos interrompe
SE A CULPA nos CONDENA
Eu penso em TI o dia INTeiro.
QUal é o proBLema?
DeixA tudo aí, pega tuas coisas
e vamos ao cinemA.
que a Rima era doce e grudou.
quE O DOCE ERA BOM E AcaBOU.
coMO O DIA ACABOU.
dEVORO O Dia.
aCABOU.
eSTRELINHAS para o céu, para A sorveteria que não abre na quarta (porque será???) e para os Engenheiros do hawaii. POrque the Papas over, but o papa é Pop - como um CD do U2
.
domingo, 16 de maio de 2010
Porque todos precisamos de um pouco de mágica hoje
De acordo com o que acredito, vivemos num planeta de provas e expiação. Isso não me impede e nem a você de procurar a felicidade, de querer diminuir a dor que qualquer situação possa provocar. Tropeçamos em clichês de que não existe felicidade e sim momentos felizes, esbarramos em teorias mais sensíveis e poéticas de que a felicidade dura o instante de um arco-íris, mas isso não me impede e nem a você de sonhar com algo mais duradouro, menos efêmero. A busca pela felicidade é algo natural, semeado dentro de nós, de cada ser humano. Quantas coisas belas já criamos ao querer fugir da dor, da solidão, do medo? Poesias, filosofias, compêndios, canções... As flores do mundo são uma bela maneira de lidar com a dor. E quando a felicidade chega, cessa a nossa criação, porque ela por si só já é bastante e brilhante.
Mas o que me motivou a começar esse texto foi o fato de que nessa busca, nós criamos à nossa maneira o que poderia ser felicidade e muitas vezes nos confundimos e erramos. Parece uma miopia da alma que nos faz estar enganados quanto ao que realmente nos faria felizes e melhores. É quando a felicidade se transforma numa imagem holográfica, nada táctil. Ao percebermos que não podemos tocar, que lutamos tanto, que fizemos tanto barulho por nada, se instala em nós a frustração e a sensação de queda. E a dor. Nessa hora muitos se revoltam, muitos se resignam. Entretanto, essa necessidade de sermos felizes persiste sobre tudo, sobre a camada de ozônio, sobre os vapores que protegem o planeta, a despeito da órbita, do resultado do futebol, da mega-sena, do final da novela, da cotação do dólar, da eficácia da vacina contra a última gripe mais avassaladora... Persiste por ser o que nos move.
Mas há uma coisa... A verdade. Pura. Simples como uma canção do Trem da Alegria! ( : )
Nós fazemos o estardalhaço. Mas o que poderia ter nos feito felizes estava e sempre esteve ao nosso alcance em toda simplicidade e pureza, em toda beleza das coisas naturais, entre a dor que nos ensina, o incômodo que nos alerta, as provas que nos aumentam a resistência, os espinhos que melhoram nosso discernimento, os problemas que nos impulsionam às respostas.
Que tenhamos olhos para enxergamos onde ela está e evitarmos os caminhos tortuosos que tantas vezes percorremos para encontrá-la!
Uma semana feliz a todos vocês!!!
Shiny happy people.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Notícias do Front
Daqui da pra ver o oásis.
Alguns aqui do meu lado dizem que é apenas uma miragem.
Eu acredito que não. Acho que é real. Podemos caminhar um pouco mais.
Quando há rajadas de vento, lembro do mar e das coisas que eu queria e não posso ter por perto.
Já não tenho ilusões de grandeza, no entanto, almejo ao menos um possível retorno aos dias calmos.
O azul sobre nós, esse céu gritante, parece escancarar nossa miséria.
Nossa missão era tão simples.
Onde foi que começamos a errar?
Onde foi que nos perdemos?
Porque não nos impediram de tomar decisões?
E porque tudo agora ecoa?
É como se já soubéssemos as respostas.
É como se já soubéssemos tudo desde o início.
Nossa defesa era fingir que não.
Uma estratégia inusitada para fugir do peso das coisas.
Seguir, apesar dos pesares.
Não. Não éramos Kami kases, mas enfrentamos as conseqüências. Nós fomos além.
Por Vontade.
Enfrentamos o perigo, escarnecemos das circunstâncias e chegamos ao pódio.
Agora somos os donos desse lugar, mas temos pouco o que governar.
Cinzas e corações atormentados.
Promessas quebradas e juras insensatas.
Sanidade sucateada e pedidos de perdão.
Parece que enfrentaremos mais uma noite fria...
*
*
Guardo comigo uma caixinha que tem sobrevivido a todas as intempéries.É algo brilhante, vigoroso, e que nos dá alívio, quando a caminhada se torna muito difícil.
Já viram flores nascendo quando deixo o conteúdo cair.
É um alento.
É um tesouro.
Nossa maior conquista.
Dizem que é amor.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Gepeto, você, eu
Olho ao redor e observo um lugar árido e triste.
Não deveria haver alegria em propor que a mentira é um caminho a ser considerado.
Não é.
Não há felicidade, nem arco-íris.
Há remendos.
Soluções emergencias.
Protelação.
Não foi e nem é minha intenção fazer um ode à mentira.
Expus uma tentativa de legitimação, para que não nos condenássemos tanto.
Para que não parecesse tão sujo ou absurdo.
A mentira brota somente onde há solo propício.
E o coração e a mente humanas são solos propícios muitas vezes.
É claro que ser sincero, ser verdadeiro, ser completamente honesto é o melhor a se fazer, a ter por conduta não por esforço, mas por natureza. Ser bom apenas por ser bom.
É claro que é esse o caminho que me dispus a percorrer tantas vezes, no entanto, como um ébrio, me desequilíbro e pendo para outros caminhos e atalhos onde vicejam mentiras.
E mentir nem é assim tão fácil.
Fácil é ser sincero quando não se vai dizer toda a verdade.
Para mentir, é preciso sangrar e ver o sangue escorrer tendo a completa consciência de que não há como estanca-lo. Teremos que esperar sua coagulação por si só.
Teremos que nos encher de coragem a título de paliativo ou habeas corpus, aquele que nos liberta.
A mentira nunca foi a questão principal.
A questão é que ela está entre você e eu.
*
*
Nada é fácil.
Nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto.
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero.
E queremos fugir.
Mas ficamos sempre sem saber...
(L`Avventura - Legião Urbana)
terça-feira, 30 de março de 2010
Hey, João!
E por serem reiteradas vezes tão bizarras, passam a ser normais.
Ouvi por aí que quem pergunta demais corre o risco de ouvir mentiras.
E o pior, isso é verdade.
Por outro lado, não perguntar é viver o desconfortável conforto da dúvida.
A dúvida, o preço da pureza.
A gente tenta decifrar silêncios, decodificar o que uma simples pergunta poderia resolver. Todavia, a resposta poderia nos metralhar. Quem tem estrutura para tanta verdade?
Quem é kami-kase?
Pra que tanta franqueza?
Será que isso tudo é mesmo necessário?
Dizer realmente o que sentimos, o que pensamos, o que de fato está acontecendo?
Uai, tem coisas que a gente sente, que a gente vive e que simplesmente não dá pra compartilhar com quem a gente ama, gosta, quer bem, tem apreço.
Porque ia demoronar tudo.
Será que vale mesmo a pena sacrificar as relações por uma ética, por uma moral, por princípio?
Desfazer de todas as máscaras pode ser o caminho para um exílio, uma redenção tão improvável a ponto de fazer com que queiramos retirar o que dissemos só pra não sucumbirmos na solidão.
Sozinha com meus princípios.
A gente não se preparou para tantas verdades.
A gente ainda se ilude de propósito.
A gente quer ver o luar.
A gente precisa ver o luar.
Raios dessa Lua que nem luz própria tem.
.
.
Estrelinhas para Sartre, Engenheiros, filme The Wonders, Gilberto Gil e para os nematelmintos.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Couve, vê, ouve, cool
Mais perdida do que a bala que procurava no fundo do bolso.
Seguia os compassos da música ambiente.
Tentava, mas não conseguia conter os pensamentos indecentes que se disseminavam em sua cabeça.
Eram como um vírus letal e eram tão torturantes quanto gotas pingando lentamente de uma torneira estragada.
Mas era confortável. Confortable Numb.
Chovia. Fazia sol.
Choques térmicos.
Unhas rosa choque.
Chocolate de sobremesa.
Mensagens no celular.
Decoração fora de esquadro.
Não suportava quadros tortos na parede, talvez para compensar a própria tortura que era não agir com retidão.
Na verdade, nem existe linha reta. Tudo é simples ilusão de ótica.
Ponto. Reta. Plano.
Seu plano era uma ilusão.
Será que seu plano é bom?
Será que ele se conclui?!
Seu plano era cheio de curvas e declives.
De claves de sol. The Beatles.
Ia embora.
Levantou. Quis ser provocante.
Sorriu pro garçom...
Conversou alegremente com o caixa.
Foi ao banheiro.
Mas que droga.
O espelho era uma afronta.
Estampou a verdade e foi cortante.
Aquela couve.
E ela havia tentado ser sexy lá fora.
Mas que droga de novo!
Não dá pra ser sexy com couve entre os dentes...
@
Estrelinhas para Pink Floyd, Gatas Extraordinárias, Seu Zé que vende doce, Palito - o Garçom, Paulo Mendes - o contra-regras, Avelar - maqueador, Xuxa por "Pera, Uva, Maçã, Salada Mista", Zeca Baleiro, por Bandeira, que não vem ao caso, mas enfim...
quinta-feira, 18 de março de 2010
Quinta
No intervalo entre a vigília e o sono, a cabeça pendendo pra frente dava a impressão de que o dia se dividia em 2: um nesta, outro em outra dimensão.
Em dias assim, é melhor não correr, não decidir, não olhar pra trás.
O banco de trás cheio de balões coloridos.
A porta da frente cerrada.
O vizinho ao lado não cortou os galhos que invadem meu quintal.
Sobre mim não há nenhum corpo.
E não quero mais coca-cola.
Parece papo de bêbado ou de doido isso aqui, né?!
Eu fico uns tempos sem postar, chego aqui e escrevo frases desconexas...
Acreditem, tudo significa algo, mas às vezes é preciso saber de antemão qual figura forma esse quebra cabeça.
Se for uma tela de Dali, "ai, Jesus!", aí a coisa se complica.
Aí o pernilongo (somente a fêmea) pica.
Aí o Pernalonga e o Pica-Pau.
E aí tudo pode acontecer de novo pra você...
Palpite!!!
*
Ankh, tava com saudades de você nessa vida. Tava com saudades da Sala de Origami e da vida no universo paralelo. Nostálgica!!!
terça-feira, 2 de março de 2010
Chat noir, Chat blanc
Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo...
Porque a vontade é uma coisa.
Às vezes vem como um tsunami e há pouco o que podemos fazer a respeito.
Ela é como o sentimento.
Entra, se instala, e a alternativa que nos resta é decidir o que fazer depois.
A vontade não tem um censor nem sensor que analisa ética ou moralmente o que ela é ou vai ser.
Ela tem existência autônoma, e não vai desaparecer apenas se fingirmos que ela não nos ocupa a ponto de esquentar o estômago nos impulsionando às escolhas.
É aí que está.
Não há como se debater contra a vontade, porque perderíamos todos os rounds, isso quando não formos a nocaute no primeiro assalto.
Mas a escolha sim, está completamente em nossas mãos.
O que vamos escolher já que temos a vontade?
Vou levar um Choquito ou um Diamante Negro?
Vou para a praia ou para as montanhas?
Levanto agora ou daqui a 5 minutos?
Pois é, eu sei, vocês sabem que cada escolha implica uma renúncia.
Até o Ian, meu sobrinho caçula sabe disso.
Basta saber que poderemos pagar o preço pela escolhas que faremos.
Sim, porque nenhuma escolha é tão free assim, mas podem ser sofridas.
Tudo tem seu preço!!!
E nem tudo é tão simples.
Nem sempre é possível renunciar à vontade em prol de princípios, crenças, essas coisas bonitas dos evoluídos.
Sabe, gente, vontade represada é um troço perigoso, porque a gente abre as comportas e a pressão nos arrebata para outros lugares, esferas, universos paralelos...
E depois é a água. Salve-se puder, flutue quem sabe boiar!!!
Essa água nunca lava, mas limpa de qualquer maneira, no entanto, a qualquer hora do dia ou da noite, os gatos negros, os gatos brancos e outras cores de gatos que se banham nessa água, a gosto ou contra-gosto, quando saem de lá, continuam pardos, à própria revelia. Todos.
*Estrelinhas para Legião Urbana (Sereníssima) e Zé Ramalho (Pepitas de Fogo)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Pelo sim, pelo não...
Sempre estive à procura da grande revelação, do encontro com o cosmo dentro de mim, com a visão de uma verdade que fosse tão absoluta que me faria silenciar num grito intenso. A epifania. Procurei em diversos lugares. Mal sabia eu que encontraria num dia comum de sol e chuva e exatamente ali, naquele lugar no qual já me acostumara a visitar.
Essa é a hora da musiquinha de abertura.
Foi ali.
Ela, em seu sacerdócio, já não imprimia um tom místico na voz ao dizer:
- Pode se virar.
Eu já sabia de cor aquele ritual.
Não era minha primeira vez. Não havia grandes expectativas.Virei.
Ela fez o seu preparo e veio em minha direção. Eu não a via, mas sabia que ela se aproximava.
- Relaxe.
E foi nesse momento, nesse inexato momento que ela passou a espátula com a cera quente que estava mais quente do que nunca. Nó, fechei os olhos e contraí os sfincteres na hora.
Tragédia!
A banda de cá grudou com a banda de lá e dentro de mim eu pressenti a morte e antevi aquele famoso tunelzinho de luz.
D. Geralda ia ter que puxar a cera agora. De uma vez. E ela nem contou até três, foi logo tentando consertar a situação.
VUPT!
Tudo teria corrido muito bem, mas a cera agarrou bem no “meio do palavrão” e eu pedi pra parar. Precisava respirar.
D.Geralda dizia:
- Relaxa. Vai ser pior se a cera esfriar.
Dentro daquele processo, eu ficava me perguntando como aquilo poderia piorar. Eu queria ferir a D.Geralda.
E lá vai tentativa. E lá vai eu contraindo de novo e tudo grudando.
Comecei a chorar, a suar,a pedir perdão pelos erros cometidos na vida...
Até que a minha algoz fez o “vupt’ fatal que me concedeu a visão de deus.
(...)
Depois que voltei do desmaio, soube que houveram três tentativas até que a cera fosse retirada. Estou me sentando de ladinho ainda, mas vivenciei uma experiência que me mostrou que podemos ter revelações nos lugares mais inusitados possíveis, como na depilação. No ápice da dor, encontrei a resposta da vida.
Sou uma nova mulher!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Citronela
O sangue tem valor de mercado num reino diferente do meu.
Os raios de sol ainda aquecem a noite.
Não me encaixo em sonho nenhum nessa madrugada sem doce.
Coça.
Será que você vai se encaixar em minha vida
assim, do jeito que ela está?
Essa coisa de dar o rim, de dar a vida
Pode ser mais loucura do que amor.
Eu não encomendei sacrifícios.
Gosto das coisas simples, fluindo.
Desejei que as coisas fossem mais simples.
Em certos dias eu peço pra noite não acabar.
Em alguns dias eu quero que amanheça logo.
Eu sei da importância de todos os seres na natureza
do átomo à estrela
Mas quero eliminar esses insetos
Porque seus zunidos estão me fazendo concluir
Que a saudade também coça
e deixa erupções avermelhadas na alma
principalmente em dias como hoje
quando a cadeia alimentar fica torta.
Im tired of making out on the telephone
Cos`You`re so far away from me
You`re so far away from me
So far I just can`t see
(Dire Straits)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Som na caixa, Sol nas almas
De longe parece fórmula fascista, todavia, a essência do fascismo é uma bela idéia refletida nas espadas dos mosqueteiros: Um por todos, todos por um.
Seria bonito se não fossem tantos, tão enganados.
Ser forte como um feixe que não se pode dobrar...
Estamos aí no mundo nos dobrando, nos curvando a diversos senhores que se torna até difícil saber a qual deles seremos fiéis.
A idéia da fidelidade ganhou novas teorias e no mundo high-tech globalizado caiu em desuso, agonizando na obsolescência e causando sofrimento por toda parte.
Seres humanos envelheceram preenchendo vagas em asilos, esquecendo quem foram e sendo esquecidos.
E para amplificar o problema, todos os dias os noticiários metralham os efeitos da nossa própria ignorância para que na seqüência o glamour novelesco finja disfarçar o sorriso amarelo e desdentado da miséria. A ficção abranda a nossa revolta, mas não cura nossa falta de atenção com o necessário, com o essencial.
Incrível como desperdiçamos tempo, desperdiçamos pão enquanto sobra tanta falta pelo mundo. È simples. E lógico. Mas não era pra ser banal.
Impressiona como mudamos o foco das coisas, contraindo voluntariamente um glaucoma espiritual que nos impede de ver o óbvio.
Não. Não era para ficarmos deprimidos se o mundo parece cruel, injusto e sem solução.
Acho que a idéia não era olhar pra fora, entristecer, desistir e se fechar.
Ou mesmo olhar pra fora, concluir que o mundo não tem solução e se tornar indiferente á isso, festejando apenas o circo que “tem pra hoje”.
Tem mais sentido olhar pra dentro, querer ser a diferença e se abrir melhor.
Existem moinhos de vento com os quais desperdiçamos nossa energia, mas existem inimigos reais dentro de nós que devemos combater para não sucumbirmos.
Preferimos mostrar o dedo médio em riste para os vilões da vida do que admitir que também somos parte da vilania para após trabalhar e fazer com que daqui pra frente tudo seja diferente.
Nos ocupamos em perder nossas crenças e desenvolver moléstias torturantes que enriquecem a indústria farmacêutica, contudo postergamos a hora de dar um gesto, uma mínima parte de nós para tornar o presente mais feliz além da circunferência do nosso umbigo.
Desistir é deixar de fazer o bem, e a ausência do bem já é um mal.
Não adianta escorregar na cadeira e desviar o olhar quando o professor mirar você, porque as conseqüências vão chegar, quer você esteja escondido debaixo da cama, quer você esteja em evidência num canal de TV.
Estamos sobre a mesma superfície. E natural sentir raiva, mas não tem sentido desejar o mal de outra pessoa, não tem sentido arquitetar planos prejudiciais, não tem sentido matar. Não tem sentido matar. E mata-se de tantas formas...
Sejamos vida, sobretudo.
Sejamos mais do que somos.
Aproveitemos a alvorada.
Sol nas almas, som na caixa, porque hoje nós dançaremos para transformações!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver, o mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer tudo por você.
*
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo...
*
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Sobre a necessidade
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
2010
A vida além dele continua e as palavras não deixarão de serem escritas.
A gente se ajeita, inventa um jeito de sacudir a poeira.
Depois do verão, o sol permanece em chamas e suas explosões silenciam no vácuo.
A natureza parece agredir, mas o que parecia um golpe, era apenas um soluço.
Não queremos sucumbir.
Queremos o mar e o sangue.
Queremos sorrisos e corações.
E nós somos os homens comuns, desarmados.
Existia uma fresta de um ano pra outro e ao passar por ela, não senti nenhuma magia, no entanto, tive que mudar o calendário pra não viver no passado.
Então estamos aqui.
E vamos, enquanto o Brasil está distante da fúria da natureza.
Há uma certa beleza em qualquer continuação.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Este é pra vocês!
Eu pretendi, no entanto não consegui me manter impassível diante do tal espírito natalino.
Talvez, um dos poucos espíritos que não me assombre!
Algumas pessoas se entristecem nessa época do ano, o coração se aperta por se lembrarem das pessoas que partiram e dos abraços que não poderão ser dados.
Outras pessoas consideram o Natal um mero artifício comercial.
Há ainda aqueles que decoram a casa e a avenida com luzes, anjos, presépios e bolinhas coloridas.
Sem esquecer daqueles que projetam ceias e reúnem famílias, sem esquecer das confraternizações da empresa, dos inúmeros amigos ocultos, sem esquecer dos esquecidos.
O Natal é a época em que os esquecidos são lembrados. Lembrar do outro deveria ser algo constante, mas já é um avanço lembrar de ser melhor pelo menos uma época do ano.
Participo de algumas tarefas assistenciais em minha cidade. Alguns meses do ano são bem difíceis, principalmente durante a semana do carnaval em que as pessoas se lembram menos de amar. Mas no Natal, acontece o “milagre das multiplicação do pão”, doações se triplicam e as pessoas sentem mais disposição para a confraternização. De repente elas lembram que são irmãs. A gente sabe que não vai ser pra sempre, o que não nos impede de ficar feliz pelo tempo que dura.
E é uma mágica que acontece concomitante com assaltos, com mortes violentas nas estradas, com o que o mundo tem de pior. Mas não deixa de ser o lírio que nasce no lodo.
Eu sou o lodo, sabe gente? Deus sabe o quanto tenho errado nessa vida e o quanto sou miserável por fazer escolhas que muitas vezes me distanciam do Bem. Mas eu sei que há um lírio dentro de mim e gostaria de compartilhar esse lírio com todos vocÊs, meus amigos que escrevem blogs e que visitam esse café. Cada um de vocÊs teve um significado especial para mim quando comentaram meus textos e quando publicaram textos que me tocaram de alguma forma. Quero envolver a cada um, cristão ou não, ateu ou agnóstico, num grande abraço virtual e também quero agradecer por existirem:
- Álvaro, por sua sensibilidade, por seu coração metálico que consegue ver que o segundo lugar está bem perto do primeiro e representa nosso esforço de querer atingir o objetivo de nossas vidas, algo quase perfeito
*
- Carla P.S, por sua intensidade, por suas linhas agudas e por você não se conformar com o que considera ruim
*
- Elga, porque em seus textos consigo ver um pouco do que sou e posso refletir a respeito, e que mesmo se parecendo um pouco comigo, você consegue ser o máximo!!! (Isso não foi um auto elogio!)
*
- Leandro, o Pagão, por sua busca pela resposta através da arte, por seus enigmas e por suas inquietações,
*
*
*
*
*
*
*
- Por todos aqueles que não citei, mas que já estiveram aqui de forma mais oculta ou esporádica,
*
desejo que o amor dentro de nós se expanda e se manifeste no mundo a ponto de induzirmos SUPERNOVAS.
Sejam melhores!!!
O bacana de estar aqui, mais do que pedir ou se queixar por não receber, é dar.
Dar de si mesmo.
Porque eu tenho aprendido que a gente ganha muito mais quando doa.
Feliz Natal!
domingo, 6 de dezembro de 2009
Operárias do Ar
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor
Peregrinavam sobre veias e artérias sem se aglutinarem aos fluidos do corpo. A cada sístole, retiravam do coração pequenos pedaços e os transportavam harmoniosamente como se marcassem os compassos de uma canção. Encontravam algumas vezes sentimentos fósseis e marcas indeléveis de amores vulcânicos que não ousavam e nem podiam valorar.
Espalhavam feromônios num caminho que se estendia até o intestino e seguiam rumo ao sol através do umbigo, onde aguardavam minúsculos discos voadores numa espécie anatômica de hangar. Cada nave tomava destino diverso e trafegavam pulverizadas e quase invisíveis aos olhos humanos, desatentos das pequenas coisas.
O fluxo dos insetos no interior do corpo cessava antes que o coração fosse aniquilado.
Os pedaços extraídos do músculo pulsante transformariam-se em poderosos diamantes cuja função era resplandecer e trazer vida aos planetas que assim como uma tela de Dali, equidistanciavam-se da realidade. Tais planetinhas possuíam órbita análoga à dos elétrons no interior dos átomos e situavam-se tanto no subsolo quanto nos vãos misteriosos da biosfera. Era a surpresa argonauta celebrando a existência incomum de certos sentimentos.
As formigas, operárias do ar, eram recebidas em seus planetas de estrutura mineral, com fogos de artifício e grandes festas, enquanto ela, na Terra, agonizava flutuando no oceano composto por suas hiperbólicas lágrimas. Tinha nas mãos apenas a alegria efêmera dos “plocs” sucessivos do plástico bolha e na mente a lembrança aflorada de na infância ter representado uma árvore numa peça da escola, um auto de Natal.
Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Nota de rodapé: A função das árvores em teatro infantil, não raro é encaixar o aluno que ficou sem papel. Principalmente num auto de natal, onde bastam pastores, a família de Jesus, os reis magos e alguns bichos...
