sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TODO O CARINHO QUE PROMETI

Meu caro,

Perdoe-me pela indiferença e pelas vezes em que já tive vontade de te dar umas chicotadas. Me perdoe pela falta de cuidado, pela falta de pulso, pela falta que faço.

Me perdoe por não ouvir seus apelos, por ter deixado o seu pelo embaraçar e por consequência ser tosado te deixando com aspecto de dama. Você era um rapaz garboso. E te transformaram numa moça froufrourenta com aquele corte de primavera "nadaver"! Me perdoe!! Também peço desculpas pela água quente, por você ter passado resignadamente um dia inteiro sem comer devido a ração enorme para adultos que julguei frescura sua repudiar. Hoje eu já sei, não se preocupe, que para você e o Sr.Gato é ração para raças pequenas. (Né, Leo?) Perdoe-me por eu não ter te amado de cara, por ter desejado algumas vezes que você trocasse de endereço e ficasse mudo. PErdoe-me por te prometer sempre carinho para amanhã.

Porque com tudo isso é incrível como você ainda abana o rabo quando chego, pula no meu colo e tenta lamber meu rosto. (Desculpa, mas a tia não tem como deixar isso ainda!). É incrível essa sua coisa toda incondicional   de mesmo depois de tantos dias passando sem que eu te faça um afago você deita em minhas pernas e dorme como se eu fosse a sua mãe. (lê-se Jeanine!). Eu acho incrível quando  penso que você está latindo por comida e depois de eu encher seu potinho você continua querendo cafuné. E só vai comer depois do cafuné!! O Sr. Gato quer saber é de comida mesmo.

E muito obrigada por estar ali, tão pequeno, tão spotivo, fazendo o papel de protetor, alardeando pra vizinhança toda que você não está sozinho.

E nem eu!!

                                          Leo e Spot rindo pra foto!!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NÃO ME DIGA

O que dói mais?
Uma bofetada ou uma verdade que vem de encontro à nossa espessa camada de ilusão?
A verdade atordoa, amor.
E isso é ruim.
Eu digo a verdade sem controlar os newtons e você sente minhas cócegas como um soco.
Me desculpe. Foi sem querer. Eu realmente não sabia que brita de construção tinha poder de granada. Quando arremessei, acreditei ser brita. Agora vejo esses escombros e fico em dúvida se o que eu tinha nas mãos era falso ou fevereiro.
Se era pra ser doída e sarar logo, ou se eu era doida de jogar pedras...
Nós fomos preparados para a ilusão, para saber o melhor de nós e para acreditar que jamais haverá algo que nos desabone diante de nossos afetos mais caros.
(Delírios do campo).
Queremos que calem a verdade para que o nosso sorriso possa escancarar-se enquanto os sentimentos perecem sem temperatura adequada, enquanto o mundo rui aos poucos e quase imperceptivelmente. Nada que retoques de cimento, areia, água, massa corrida e tinta não possam remediar.
Minha casa tinha um problema na fundação. A parede do rodapé estufava. E era mais cômodo pra todo mundo quebrar o estufado e passar novamente a massa, massa corrida e tinta. Fica bom por uns tempos. Depois volta o vício, o defeito. Não resolveu até que levantássemos a casa com "macaco hidráulico". Tivemos que nos mudar enquanto reformava, no entanto, o problema não retorna mais.
A verdade vem nos desnudar publicamente, mas já estávamos nus como o imperador com suas roupas novas. Todos já percebiam. Poucos tinham a coragem da criança para revelar o que já era óbvio. O imperador estava nu, sem bolso para por as mãos e o ego.
Toda vez que falta luz, toda vez que algo nos falta, o invísível nos salta aos olhos.
E coitado de quem se dá ao trabalho de colocar a verdade sob a luz do sol.
Esse "bastardo" se transforma de (r) repente no vilão, no monstro da lagoa negra, cruel e feroz açoitando com seu rabo espinhento a princesa indefesa e generosa, tão amável, tão sem defeitos.
Por favor, façamos silêncio.
Se perguntarem algo, diga que está tudo bem.
Se não perguntarem, permaneça em silêncio ou comente sobre o infame sucesso da última semana. Fale da poesia marcante da música do Fiorino, do Camaro, das mina que pira...
Faça a digestão de seus sapos.
Não queira perturbar a ordem, explodir rumores e insatisfações...
Pra que? Todos estão tão bem, tão confortáveis, não percebe?
Sorria e acene.
E o mundo permanecerá em paz!

**

Me abrace e me dê um beijo / Faça um filho comigo / mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo / Procurando novs drogas de aluguel nesse vídeo coagido...  

**
Estrelinhas para o Rappa, Christian Andersen, Legião Urbana, Humberto Gessinger e U2.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Água

Se pudéssemos, inventaríamos o perdão em cápsulas.
De variados miligramas, proporcionais ao tamanho da ofensa.
E iríamos mensurar tudo para cada pessoa.
Acredito que também inventaríamos a calma, a paciência em conta gotas, em cápsulas, com mais de 50 sabores.
E poderíamos combinar a paciência com a resignação, com o altruísmo.
Já pensou, tomar seu chá ou café com 2 torrões de amor?
Imagine só você adquirir uma cartela com 30 pastilhas de inteligência????
E sabedoria em gomas de mascar.
Se pudéssemos fazer isso, qual seria nossa moeda de troca?
Será que o amor seria produto do mercado negro, à venda sem receita?
Quem tivesse maior poder aquisitivo compraria amores pefeitos?
O que teria menos saída?
Qual seria o campeão de pedidos?
Uma dose cavalar de alívio e serenidade para os corações partidos.
Bolinhas homeopáticas para estresses funcionais.
Bom humor em sachês...
Simples assim!
Vamos sintetizar a evolução e facilitar os processos qua há milênios vivenciamos.
Quem sabe um coquetel de virtudes não acelere a primavera das nações, não precipite os frutos outonais de toda conquista, de toda empreita?
Quem sabe, ao contrário da canção, eu durma mortal e acorde como um deus, com poderes para amar tudo ao meu redor, mesmo diante de flechas ou de qualquer adversidade.
Ou quem sabe não padeceremos de uma overdose de virtude cujo peso seja insuportável para nós e cujos efeitos sejam de difícil convivência para os nossos?
Enfim...
Um dia de cada vez.
Hoje melhor que ontem.
Sem pílulas!
Temos tudo.
Temos água.
Água.




quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A ALMA DO NEGÓCIO

Meus pais, quando ainda namoravam, passaram um período se encontrando apenas 2 vezes por ano. Uma nas férias de julho e outra nas festas de fim de ano. A comunicação era por cartas que com frequência eram revistadas pelas freiras do internato onde minha mãe estudava. Conteúdo impróprio não era enviado ao destino. Acho que era assim, pequenos crimes legitimados pela proteção à moral e aos bons costumes. Mas nem é disso que quero falar.

O fato é que para o meu pai e minha mãe, a eternidade durava muitos meses. Hoje em dia, se eu clico no ícone e ele não abre imediatamente, eu já acho que a eternidade cabe ali. Quando navego pelo firefox e de repente aparece a tela: "Desculpe, Isto é constrangedor!" eu logo ativo a paciência.

Antigamente 1 minuto demorava mais pra passar, mais que um chiclete!

Hoje, curiosamente, as coisas andam mais depressa e mesmo assim ainda não temos tempo pra quase nada. Nós nos apressamos na proporção em que o mundo se apressou e até nos centros quase rurais crescemos como frango de granja. Derrepente (detesto escrever essa palavra aglutinada assim. Eu gostava de de repente... thin air), então, derrepente as coisas ficaram sanfonadas, cresce aqui, diminui ali. Tenho amigos de longe. Meu sobrinho no sul de MG espirra e em tempo real eu digo "saúde" sem gastar nem impulsos telefônicos. Minha amiga da Polônia tira uma foto e dez minutos depois eu comento a foto, as luzes, os balões e os pombos de uma praça polonesa. Quero tirar uma certidão negativa de alguma coisa e nem enfrento fila em órgão público. Só digito algumas senhas e provo que não sou robô. Mas a loucura disso tudo é a hipnose provocada pelo cruzamento de dados dentro da Matrix. E como isso funciona bem, principalmente sobre os incautos.

Me considero uma pessoa muito simples. Nunca fui de deixar me seduzir por vitrines e vendedoras que chegam com sacolas repletas de coisas bonitas das quais definitivamente não preciso. Calcinha, jóias, roupas, sapatos, bolsas... Sempre consegui ficar na minha, a menos que estivesse mesmo precisando de algo.

Ocorre que o sistema impressiona pelo apelo sutil, aliás, pelo apelo descarado que realiza nesse veloz mundo a divagar. Meu tênis, velho de guerra, gastou o solado de tanto usar. E justo agora que eu tinha inventado de caminhar na lagoa. Como não tenho muito tempo para ir em lojas e ficar experimentando um tênis, me indicaram um site na internet que vende calçados: Vai lá! É ótimo, tem vários modelos de todos os preços e marcas e chega em 3 dias.

Fui lá, né?! Em 2 horas agradei de um tênis e realizei a compra... Por que demora também, sabe? Você encontra um modelo e ainda clica no botãozinho de cores daquele modelo. Talvez demore mais do que ir numa loja física, porque são tantas as opções. Mas já era tarde da noite, nem tinha loja aberta naquela hora. Era domingo... Então (...) Comprei o tênis e saí do site. Antes de clicar na escolha, cliquei em vários modelos que iam me agradando pra fazer um melhor de 20 no final.

Saindo do site, não achei que aquilo iria interferir em minha vida. Rá...

Na segunda-feira, meu e-mail já estava infestado de promoções e anúncios. Como não tenho tempo, vou excluindo tudo. Mas isso não basta. Os anúncios te perseguem. Um dia desses pensei: poxa, comprei um tênis pra caminhar... Agora preciso de um para o dia a dia. Pois é, comprei outro. Mas o sistema quer sempre mais de você. Quer dominar sua vontade, quer descobrir seus gostos, suas preferências, quer te seduzir com falsas ofertas e te empurrar corpo afora viagens, tênis, tratamentos de beleza, acupuntura, mapa astral, comida e tudo o mais.

E é tenaz!

Você juçga estar imune aos reclames, mas é preciso ter o chamado "domínio socrático". Há alguns dias estava eu num site jurídico, JURÍDICO, quando notei um anúncio na lateral da tela. Entre anúncios de cursinhos e livrarias, a loja de Tênis. Eram todos os modelos que gostei passando em fila! Exatamente aqueles que eu desejei!! Se eles pudessem rebolar, eles rebolavam. Mandavam beijo, davam piscadinha... Então aquele tênis do qual eu definitivamente não precisava, mas que era lindo, desfilou deslumbrante na tela, desviando minha atenção do artigo tão importante que eu deveria ler.

Autômata, cliquei na figura que aumentou e tornou-se a página principal em meu monitor. O tênis estava na promoção.!!!!25% mais barato do que o modelo parecido que vi na loja da avenida. Meu cérebro começou a criar argumentos para legitimar a possível compra. E entre pós e contras vi surgir uma janelinha com os dizeres: Compra realizada com sucesso. Parabéns, você acaba de adquirir um produto de qualidade.

Simples, quase indolor. Parece mágica! A gente até esquece as prioridades... A gente nem lembra que há pouco discursava sobre autonomia, simplicidade e liberdade... A gente se entrega na onda e rala as coxas, costas e bunda na praia porque não aprendeu a furar a onda, a surfar com maestria, a resistir.

E quem quer resistir?
Quando acabar, o maluco sou eu...




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Para que as sombras não revoguem o sol que há

Eventualmente empunhamos armas com dolo de acertar o alvo.

Eventualmente acertamos.

E erramos muitas vezes.
Eventualmente ficamos depressivos, reclamamos, cometemos pecados capitais e interiores, vilarejos e pecados mato.

De vez em quando ferimos alguém com a navalha afiada de nossas palavras, de nossa indiferença ou por ignorar deliberadamente o enorme e colorido elefante no meio da sala de estar.

Em alguns períodos desaparecemos no ocaso e deixamos de perguntar pelos amigos, pelos afetos, pela família e as convalescências.

E eventualmente sentimos raiva, perdemos pontos, médias, fazemos uma manobra toda errada para estacionar o carro, esquecemos de retornar a ligação.

Porque eventualmente, e apenas eventualmente, nós estaremos o oposto do que somos.

E o que completa a soma do que somos é aquilo que fazemos na maior parte do tempo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

E O QUE É ESTAR EM PAZ?

Disparou corrida quando percebeu o estouro da boiada...
Qualquer um sabe que em campo aberto, em condições assim, as chances de sobreviver são de 33,3% mais um milagre. (Reze 1/3.)
Todavia, como a qualquer um ocorre, ele correu.
Pelas leis da natureza, pela conservação de si.
O milagre é sempre relevante. O improvável acontecendo, não raro, é um fator a se considerar.
Antes, somos sempre os aventureiros contando com a boa sorte, mesmo que a crença na força das estrelas sobre nossos destinos seja mais desbotada que a  marca d`água de uma nota nova de cinquenta reais.
Desbravamos sertões e veredas, matas e mortes de pensamentos e sensações, muitas vezes tão dispersos, deslocados, avulsos e eventuais.
Quantos amores fora do contexto já decidimos cultivar e que por completa rebeldia preencheram todas as páginas seguintes do livro, modificando o curso da história? Que história irreconhecível e tão familiar nos revela esse livro?
Um livro que deveria ser escrito com outras mãos, com outras palavras, com linhas todas ajustadas, nos montes de Vênus e Saturno, completas e intensas, nascendo na base dos dedos e morrendo no punho como ondas na areia.
Antes, somos os poetas tentando compor versos de rimas preciosas, inundados de dolo, tecendo estrofes com a força e velocidade de uma bala de fuzil. Todos, por trás das linhas tortas, nas trincheiras entre linhas, queremos penetrar corações e fazer o sangue verter, escorrer lacrimoso e denso pelas escadas, pelas ruas e pelo abdômen. Sem domínios, sem curso definido, sem intenção de conquistas, mas já se apossando do lugar, delimitando com rastro encarnado seus hectares.
Antes, somos os pedreiros da reforma, quebrando as paredes e transformando a arquitetura dos espaços, aqueles que acidentalmente destroem o jardim com tinta, cimento e pegadas.
A paz será o que existe antes de provocarmos o susto no gado ou o que existe quando os 33,3%, o improvável e o milagre nos deixam em lugar seguro, respirando aliviados enquanto o coração se acalma?
*
*
* Estrelinhas para Luís Kiari

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ

Tem um GPS no meu celular.
E minha cabeça abriga tantas dúvidas que daqui a pouco haverá revolução, guerra civil, luta pelo espaço cerebral, sentimental.
Quem ocupa mais memória ran dentro de mim? Minha saudade se mede em gigas, teras ou em metros cúbicos? Eu te amo daqui até a mais distante cratera da lua. Estou com saudades daqui até o planetóide longínquo da galáxia de Andrômeda, indo de burro e com dor de dente. É longe!
Você sabe quantos continentes há dentro de cada um de nós? Seremos a réplica da Terra? Um replicante contra Blade Runner?
Em vão a gente tenta encontrar um dispositivo, uma calculadora interna que nos forneça o número exato que resolva nossas ações e inequações.
Como o computador do primeiro volume do Mochileiro das Galáxias, cuja resposta para o segredo da vida, do universo e tudo o mais era 42. Simples assim! Esperamos milênios pela grande resposta e no final é 42. O que faremos com esses números?
Eu venho de longe, estou cansada, agitada, ferida, estou alegre, eufórica, estou triste, eu amo, odeio e minto, eu reconheço meus erros, eu emito desculpas, eu omito alguns fatos, eu escancaro as misérias.
Eu magoei e perdoei. Eu sofro e suplico, eu peço anestesias, eu peço pro sangue correr, fluir, eu me apaixono, eu devoro e sou ruminada. Tenho manias. Meu quarto é uma desordem, mas não suporto o quadro torto na parede, ou o tapete de entrada fora de esquadro.
Eu entendo os homicidas e os portadores de transtornos mentais, eu me assusto com o excesso de sensatez. Eu faço canções e ouço canções. Tenho orgasmos lendo Guimarães Rosa, e talvez seja tão estranha a ponto de gostar mais de uma frase bem feita do que de sexo.
Fico feliz quando vou à sorveteria, Eu erro caminhos. Dou referências bizarras, como "Esse lugar fica em frente a uma caçamba da Codesel e sempre tem uns meninos jogando peladinha no meio da rua.” Meu banco de dados é cheio de pastas a renomear e sempre trava pedindo login.
E tenho um aplicativo que diz: "Você quis dizer." Meu programa é muito mais complexo do que qualquer circuito japonês e desafia os milhões de números combinados que geram declarações de amor e de guerra, ou apenas vocativos comuns pra chamar atenção ou dar bom dia.
Mas meu cérebro pode ser reprogramado. Existem diversas correntes que defendem a mudança de minhas atitudes com uma simples troca na maneira de pensar. E enquanto penso, eu digo: I have feelings, como o Data do Jornada, como A Super Vick, como o menininho de AI, como o homem bicentenário do Robin Wilians, como tantos outros robôs que almejaram a nossa humanidade, enquanto eu muitas vezes desejei ter entrada USB!! E não façam piadas infames com isso! Mas até pra isso seria legal: Me passa um filho por bluetooth? Vamos compartilhar nossas vidas, nosso colchão e nossos arquivos?
Ainda não fiz o download de todas as informações que eu gostaria de ter e que tornariam nossa vida mais prática. E mesmo que eu seja a mais inexata medida de mim mesma, sem simetria e ordem, sem sistemas binários ou solares, eu preciso provar que não sou um robô e digitar caracteres aleatórios para meu comentário ser aprovado em uma página virtual.
É claro que eu não sou um robô! Olha pra mim.
Se eu fosse, já teria me programado para tudo que ainda não consigo fazer e faria mecanicamente tudo o que me custa esforço, suor e noites revirando na cama.
Mas... Tudo bem!
Quero que minhas palavras demasiadamente humanas sejam sentidas, por isso vou digitar os caracteres numa sequência de letras sem sentido e torcer para que não produzam efeito devastador e provoquem pane no sistema.
Gosto da sensação de esperar ser lida na serenidade da página enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo. (S.P!)



domingo, 1 de abril de 2012

TERCEIRO ATO

Nós poderíamos velejar em mar tranquilo
sem que os ventos soprassem o medo contra nosso rosto
E tudo estaria bem
Nós poderíamos passear pelas gôndolas de Veneza
Sem que o tempo imputasse culpa em nossos autos
E tudo estaria bem
Nós poderíamos conhecer a lua
Sem que o espaço dilatasse a distância entre as naves
E tudo estaria bem
Mas nós estacionamos desperdiçando a órbita
e não sabemos exatamente onde está o problema, se há realmente um problema ou se temos apenas fatos.
Rezamos pra tudo ficar bem enquanto a noite vai,
enquanto vêm os dias, as madrugadas
Enquanto o passeio mais longo é descer e subir a escada e ainda assim se cansar.
Existe uma rota e um verso, uma linha de costura e de chegada
Meus sentimentos cabem numa cartela de comprimido
Cuja combinação com a água movimenta a escala Richter
sem causar desconforto com a possibilidade da tragédia
Coisas pequenas tendem a crescer e nem sempre tudo fica bem como se espera
A gente desaprende a repartir e a continuar seguindo acrescido de tudo o que nos falta, de toda luz que é farta enquanto a miopia dança valsa em nossa olhar
Aquelas coisas muito parecidas com o amor
nos acenam e oferecem cartas, alforrias e abrigos
Porque nós decidimos parar aqui nesse lugar sem placa ou sinalização?
O que pode crescer, brotar, vicejar nesse lugar
a não ser a ânsia, a flor da náusea?
Quais são os perigos que corremos enquanto estamos paralisados?
O céu inteiro brilha a palavra permitir
e guarda lugares mágicos para onde podemos ir
quando tudo isso passar, quando o passado parar de latejar
sanguíneo e nervoso como o efeito de uma martelada no polegar.
Se eu não entender nada até o final da estrofe
será que o mundo vai fazer mais sentido do que aquelas setas
que há quilômetros apontaram para lá?
Por algum motivo trilhamos o inverso com a bolsa repleta de estrelas-guia,
alimento para as horas perdidas, para a ausência de rotas e de certezas.
Se acaso nós descobrirmos que erramos o caminho de propósito
e como prêmio de consolação recebemos um pôr do sol magnífico,
beijos guardados na palma da mão, pipoca e aconchego de edredom,
será que teríamos novamente o propósito de errar?
O relógio anuncia o xeque-mate
Não vou me dar por vencida
Não perdi, nos perdemos
Nós perdemos, olha aí...
Mas se eu souber que você está comigo
Mesmo que a noite caia
Que raios partam de lá para nossa estratosfera
que os crimes continuem movendo jornais
e o preço do dólar ascenda como elevadores,
Se eu sentir que você está comigo
Mesmo que os presidentes renunciem e proclamem monarquias
Que a fome assalte os reinos rendendo glutões e famintos
Que meu time perca os jogos , que as divas percam o timbre
lesando as cordas vocais
Se você está comigo
Apesar dos pesares da Terra,
Das contas vencidas
E das crises mundiais
Apesar do esforço que faço pra ficar aqui também
Sob a mira do campo inimigo
Se eu souber que você é comigo
Sei que tudo vai ficar bem.

terça-feira, 20 de março de 2012

REIS


Não se fere um rei a ferro e fogo
Eu não desejaria ao fogo, à febre um rei
Seja cangaceira a carta à Espanha
Seja d'ouro a cana, o canto servo, a lei

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Não se cala um canto, uma discórdia
A língua que separa a prece
Ilude o mesmo Deus

Não se foge ao mar a procurar relíquias
Sujeitando a mata a recriar o caos

A cada grito a porta aberta desespera
Aponta a flecha ao céu além
Cada caravela que espera o retorno da era
Quimera, a peixeira, o desdém

Dizimando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu

Da mortalha a peixeira que usei
Cada prece iludida que preguei
Desbravando o meu peito sem fronteira
Agora eu sei

Consumando o rei, o réu sou eu
Vitimando o réu, o rei sou eu
Cangaceiro febril da terra inteira, o erro é meu
*
*
*
*
O ERRO É MEU.

*
a música, da Maria Gadú...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lamas no Everest, Belo Horizonte no meu coração

Amo o céu cobalto.
O céu cobalto pinta de outras cores meu íntimo, diferente dos dias quentes (reclamando pra variar), que lançam chamas, incendeiam e de herança deixam a fumaça, a fuligem e a dificuldade de respirar, de esfriar a cabeça, de dormir abraçado em conchinha, de enfrentar filas, de oferecer amor em troca de cada pisão no dedo inflamado.
O cobalto me torna um pouco mais paciente,assim como minhas doenças.
Piada estranha, né?
De perto pouca coisa é normal!
Sou mineira de Pará de Minas.
Pará de Minas, Luas da Terra...
Em dias de chuva, Sete Lagoas parece a lua. Enche de crateras e de vez em quando vemos emergir o monstro lunar.
Em Guaranésia, sul de minas, havia a mulher do cemitério. E o mais belo por do sol com cheiro de café daquela região.
Em Vila Velha há a terceira etapa, o terceiro sexo, a terceira ponte. Parte dela. A outra, parte sobre o mar rumo a Vix. É o trânsito flutuante mágico. Cariacica tem caranguejos e a Avenida Expedito Garcia, flor da manhã, padaria e movimento. E tem a Rua Jerusalém, um pedaço de Minas com polenta capixaba!
Viana tem o passado a limpo, uma amoreira e cheiro de perfume.
Domingos Martins tem uma pedra no meio do caminho, com um lagarto paralítico que brilha úmido quando há sol depois da chuva.
Marechal Floriano tem o aconchego da serra, do frio, dos lagos e cavalos.
Araçaí tem um portal, argila de moldar o pensamento, pequi e casos de assombração. No cerrado, os dragões bafejam, mas a noite os asserena.
Serenô, eu caio, eu caio...
Eu caio em Belo Horizonte.Capital afrancesada, província iluminada cheia de ruas e carros. Nunca vi uma cidade tão pichada quanto BH. Os pichadores de lá são os mais aventureiros de todos. Pense num lugar improvável e verá spray borrifado formando letras e códigos. Garatuja urbana, maltraçadas linhas antropológicas da cosmopolita e caipira cidade. Seus encantos me fizeram sempre andar no interior, perifericamente distante, como se o sol não delimitasse meu horizonte ali.
Eu percebia sim que mesmo brincando de roda, girava ao redor de BH enquanto minhas águas convergiam praquele ponto e eu não pudesse conter o fluxo.
Contive, mostrei que meus braços ficam fortes quando remo contra a maré.
Então o tempo passa e a força aumenta o poder dos gentílicos.
Somos arrastados junto com todas as outras cidades para o interior da capital, sem pecado, sem estado civil, sem outras fronteiras a não ser as placas dos motéis, dos um milhão de motéis que precedem BH, com volúpia, açúcar, afeto e promoções de pernoite. Com certezas derretidas como queijo na pizza e com a dúvida se o amor mata mais do que as DSTs!
Tapetes vermelhos se estendem para desfiles nem tão elegantes assim de jovens com sonhos universitários de proclamarem a república para o resto de suas vidas e depois se transformarem na plebe agonizante e feliz cantando acappela todos os hinos de massa! Reis e rainhas sem trono, assim como eu, rainha de estrelas que já deixaram de existir, embora a sua luz ainda visível insinue outros castelos.
Tanto chão pra andar.. O céu, a terra e as pessoas... Você pode me estranhar, mas eu prefiro as Sete Lagoas.O mundo é uma bola só, onde a gente desvaria e voa. Você pode até estranhar, mas tem sentido ser sete lagoas.
Radicalmente!
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Se eu não fosse analfabyte, postava a música "Três Coroas" dos The Darma Lovers. Vã, vc se habilita?

sábado, 10 de março de 2012

A força que faz a flor nascer

Eu deveria oferecer a minha cara a tapa, assumir as culpas, os erros e os jardins que abandonei.
Assumir a poeira que se formou, a crosta de sujeira sobre todas as promessas, a ferrugem do sorriso e o desgaste das amizades por pura negligência, púrpuras chuvas que não fizeram março fechar nenhum verão.
Será que alguém vê mesmo alguma coisa? O sol nas bancas de revista, me enchem de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia???
Eu não leio. Eu não vou assumir. eu não vou enfrentar.
Os erros, a poeira, as traças e a ferrugem são causas naturais, aconteceriam mesmo que eu fosse contorcionista e me esticasse até a última fibra gritar.
A gente vai até onde dá e se possível mais um pouquinho pra ver se o passo se adapta ao andar do mundo.
Mas o mundo voa.
É quase desleal.
Mas é justo.
Esse mundo é cheio de justiça e flores.
Eu faço minhas orações e procuro não morder as maçãs.
Mas sabem, adoro maçãs.
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Não sobrará mais que o leito de um rio...
Enquanto o homem não acorda, idiota, nem nota
Se enforca com a corda da própria tensão....


Estrelinhas pra Caetano, Maria Gadú, Dani Black e pra Eva.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rir, o breve verbo rir

O sertão ensolarado é um imenso portal.
Quem conhece os ares, o solo, os pássaros, os rios e os segredos do sertão, consegue sentir quando a natureza se agita e aquece por dentro e por fora do ser.
O portal é passagem de energias e outras matérias.
É por lá que o sol entra sobre cavalos, rente à vegetação rasteira, entre arbustos e histórias permeadas de mistérios, lendas e interrogações.
Na história de cada um, longas veredas.
Não sei há quanto tempo caminho.
O suor que escorre no rosto, chega ao chão e continua infinitamente, deixando um rastro que edifica cidades inteiras, algumas sumersas, outras, ocultas nas dimensões invisíveis à nossa risível ignorância.
De longe, o berrante do boiadeiro fantasma consegue me atordoar.
Sigo silente sobre os pastos o sob um céu intenso, azul de cegar.
As almas que perambulam comigo não possuem corpos, mas possuem histórias e casos, dívidas e nomes.
Curioso, mas não consigo entender o que é a solidão, embora tenha nascido só, embora faça só a passagem para o reino da morte, embora colha sozinha o que com minhas mãos semeei.
Não lembro de ter sido abordada pela solidão nesta estrada.
Lembro dos dias tristes, dos percalços, das dúvidas, das noites frias, no entanto, guardo em mim a lembrança de outras presenças nos momentos mais graves da luta, nos abraços reconfortantes e nas palavras luminosas que impulsionavam meu avanço.
Nem sempre estive atenta aos sinais da vida, às codificações da natureza, entretanto, sempre acreditei que era possível avançar, construir, garimpar pequenas felicidades, mesmo me sentindo em vários momentos uma peça à parte, avulsa entre tantas outras. A única bala verde em um saquinho de balas coloridas.
No horizonte, o sol se despede vibrante e a noite nascente herda o calor, o vapor e a procura das aves (que voam em bando) por um lugar mais seguro.
Lá no longe percebo a curva que me conduzirá ao meu destino.
Esboço desânimo e cansaço e no momento em que intento reclamar, o ar se movimenta e sopra meu corpo. É o vento!
De onde ele vem? Onde está seu início? Será que vem pro meu alívio ou sou obstáculo em sua passagem?
Faço cessar as questões. Sempre chega a hora em que não é importante perguntar nada.
Não raro, esta é a mesma hora em que as respostas chegam e nos preenchem, fazem com que tudo ganhe sentido extraordinário. As vistas notam o que antes era imperceptível, e a realidade revela outras cores, outros tons, verdades desconhecidas.É uma breve epifania!
Nesse instante, tudo é perfeito. Do átomo ao arcanjo.
Vivencio o instante magnífico, onde o ser se expande até para os lados que não existem.
Importa apenas o que sinto, esse infinito dançando em mim.
Eu rio!(E seus afluentes)
Preciso seguir enquanto o vento vai embora e voltam acelaradas as coisas comuns.
Atrás de mim, um oceano de ocasos.
Estrelas querem despontar...
*
*
Grata a Guimarães Rosa por irrigar essas veredas.
Grata a quem inventou a bala goma, vulgo, jujuba.
Grata a quem criou o filtro solar (conselho bom nesses tempos!)
Gratidão aos ventos de alívio!
*
*
Rir, breve verbo rir, lido ao contrário forma a mesma frase. (Palíndromo)
Mão e contra-mão!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Solo tu amor



Os raios de sol dissolvem meu pensamento em mais de cem sentidos.
Eu procuro a resposta da vida perto de cada ventilador.
É estranho como um hidrotônico me traz mais alegria do que a cara terapia de verão.
Trocamos palavras sem intenção de matar.
Esperamos com aflição cada reposta eletrônica ou não.
Desejamos ardentemente a resposta criada por nós mesmos, antes de perguntar.
O sangue segue fervendo, a esperança se funde aos ossos do corpo e passa a fazer parte de toda sentença.
O chocolate derrete na bolsa e se espalha no forro interno. Agora é como se a carteira, as chaves, os papés amarelos dos cupons fiscais e a bolsinha do celular fossem feitos da mesma matéria.
Em certos momentos o suor parece justificar toda a intolerância e a irritação que deixamos manifestar.
Será que as justificativas cicatrizam as feridas que abrimos com protocolos e solicitações deferidas? (...)
Será que o sol é culpado por não haver camada de ozônio suficiente que nos proteja?
Será que por ser mega-hiper-ultra violeta, essas flores do supermercado nos trarão a luz?
Haverá um parto normal? Uma maiêutica sem lágrimas? Indolor?
Será que há garantias para nós?
Cada movimento do sol sobre você
Cada móvel velho e cada anoitecer...

Da me tu amor
Solo tu amor

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

QUE O NOSSO AMOR SE DECLARE MUITO MAIOR E NÃO PARE EM NÓS

Pensando bem, sou um tipo de kami kase, meio sádica, que protela a vida para que o último minuto assegure a sanidade e ordem necessárias.
Até lá, é todo esse suor, essa aflição, esses minutos que se sucedem sem perdão diante dos meus olhos e mesmo à minha própria revelia.
Na contagem regressiva, forço uma solução inexata demais para as necessidades do mundo.
Todos olham para mim com os sfincteres contraídos, cheios de fórmulas e prazos, e eu devolvo a agonia travestida em remendo.
Remendo para esse falta que sobra na lógica.
Remendo para todos os compromissos inadiáveis.
Remendo para essas soluções temporárias que ao se prorrogarem periodicamente, se estendem ad eterno, encontrando o próprio rabo na segunda volta.
A pilha de poeira, protocolos, passado e lixo se formou com minha tácita permissão e vejo, com certo espanto, que ela possui um sistema de auto alimentação.
O sol faz com que tudo isso pareça mais intenso do que a verdade sugere.
O sol fumegante das 19:00h. O sol que adentra a noite e seca as roupas , mesmo aquelas urgencias que se resolviam atrás da geladeira.
O mesmo sol, a mesma Terra. A diferença entre o possível e o desejo. Entre a licitude e a conveniência.
Nós poderímos simplesmente dar as mãos e criar um mundo, fazer coisas novas, pintar o cabelo, mudar o nome, o endereço, a ficha genética, a cor da íris, a árvores genealógicas, a ordem dos fatos...
Poderíamos mudar a letra e alterar as linhas de nossas impressões digitais.
Quem sabe?
Todavia, isso não parece possível aqui.
Aqui é uma enorme boca cheia de realidade e movimentos precisos e contínuos.
É preciso estar aqui.
Ficar aqui e agir.
Aqui.
É preciso apertar o botão, oferecer virgens ao sacrifício, ostentar o chicote com o qual espantamos o leão.
Acho graça! E acredito que muitos se espantariam ao saber que as virgens ensaiam para um sarau bem no meu quarto. E o leão é meu bicho de proteção.
Quem tiver coragem, se aproxima. Quem ousar, afaga.
E o botão, ah, o mundo hoje é cheio de botões!!
Teria que resolver primeiro a equação que me confirmasse que aquele que acredito ser, seja realmente o certo.
Pois com a tensão em que estou, sou capaz de explodir o mundo, baby, acionando dispositivos errados.
É por isso que em todos os casos devoro lentamente, mas com ânsia e gosto esse pote de Nutella.
Porque a vida precisa ser doce.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Stultifera Navi

Então o vento lá dentro da serra,
onde apenas havia o barulho insensato
das coisas sem nome
começou a bater (a bater, a bater)
a bater rataplã (rataplã, rataplã)
no tambor da manhã.

Quando todos decidimos embarcar, cada qual ao seu turno, havia um pacto anterior.
No momento em que eu cheguei, o mar estava revolto, mas eu não tinha consiência sequer da gravidade da luta.
E da turbulência do mar.
Mas sob os amparos e cuidados da grande mãe, o medo acabou e pudemos navegar em águas mais calmas.
Após, o quebra cabeças insano da vida apresentou novas sequências e sempre havia um encaixe, mesmo no improvável.
Porque ele conhecia o segredo de cada peça e ela sabia o motivo e a finalidade dos quadros formados.
Encontramos perfeição nas linhas tortas.
E sabíámos que só era possível se fosse completo.
Fomos nômades, errantes em cada lugar e por isso mesmo tão necessitados de outros crepúsculos.
Pregamos nossas bandeiras no chão de vários terras, conscientes do sangue cigano que nunca foi filtrado de cada fio de veia, de qualquer artéria, arte bem feita, carente de interpretação.
Seguimos à margem de mil convenções, fração imprópria de cada conjunto.
Mas à margem, inserimos no contexto o jeito ímpar que eles conquistaram e nos deixaram por herança.
Superando as dificuldades com leveza e criatividade.
Sustentando o peso das dívidas e dúvidas como equilibristas e sabendo da incrível possibilidade de percorrer a corda apenas com o conhecimento da fé.
Hoje, no cais, cada um possui o própio bote e outros roteiros de viagens. Era esse o fim, a finalidade.
Vejo navios partindo com mar agitado, vejo outros em construção, vejo navios atracados em baixa maré.
Dentro de mim, apenas o desejo de soltar as âncoras de quem vai, de escolher ficar em terra firme ou embarcar num desconhecido oceano e ainda assim estar em uníssono, mesmo distante, mesmo sendo uma peça não muito importante no esquema atual.
E guardo também o sentimento inabalável de que o amor que não se ensina nem se aprende está em nós, vibrando, quase que transmitido por osmose, vindo dele e dela.
Sendo ele e ela, somos todos irmãos.

***

À minha família.
Inpirada pelo Otávio.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PORQUE É

SEU ANIVERSÁRIO!!

O SBLOGONOFF COMEMORA,
MESMO NO RUSH,
PORQUE O AMOR QUE VOCÊ ESPALHOU
NO CICLO QUE SE ENCERRA
MERECE SER CELEBRADO!!!
MERECE SER DESTINATÁRIO
DOS MELHORES DESEJOS!
PARA QUE SUA JORNADA TENHA
FELICIDADE POR COLHEITA!!

PARABÉNS, PEQUENA!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Grandes Esperanças

Acabei descobrindo que o mundo apenas acontece quando nos mexemos também.
Como já cansei de dizer por aqui, TUDO É MOVIMENTO!
Sem movimento, não há cheque-mate gelado!
Rotação, translação...
O tempo não pára.
Só corre.
Socorre.
Algumas circunstâncias nos adotam, mas a minunciosa análise me leva a crer que demos causa mesmo ao inesperado, ao surpreendente, à tudo aquilo que aparentemente não escolhemos viver.
Nuns dias chove, noutros dias bate sol.
Quente.
Quente.
É verão, bom sinal, já é tempo de voar.
Devemos agora prezar o período que passamos em nossas crisálidas.
Devemos voar.
Em jardins, em pântanos,em avenidas ou rodovias.
Devemos voar.
Se eu precisasse descrever com apenas uma palavra o que foi 2010, diria: APRENDIZADO.
Foi um ano de muito aprendizado, escolhas, superações, venturas e aventuras.
E foi o ano que mais revi meus conceitos, meus pré-conceitos.
Flexibilidade!
Eu sou aprendiz!!!
Mas espero que 2011 seja um ano de aplicação!
Já é hora de praticar tudo o que aprendemos com a razão e com o coração.
Não falei de natal (mais por falta de tempo que de texto!) e nem vou desejar coisas felizes de control-c, control-v.
Mas é claro que espero.
Tenho grandes esperanças!
Espero que vocês provoquem a inércia dos pensamentos, das opiniões que não mudam, de toda rigidez e todo o medo paralisante.
Shake, shake, shake!!
Pra vida acontecer.
Pra felicidade acontecer.

Porque 2011 será um ano ímpar!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viajantes


Venha, pequena estrela
Nós não temos nada a temer!
Esse caminho que percorremos nos fez fortes.
As cicatrizes do nosso corpo, da nossa alma, são capítulos vivos de um livro sagrado.
Dê-me a mão, porque até aqui nós podemos caminhar juntos.
Adentrar o arco-íris, adentrar os corações, avançar um pouco mais rumo a essas verdades que não cabem nos olhos.
Vamos deixar que o amor se expanda, pequena estrela.
Você me pergunta porque fomos criados.
Fomos criados para amar daqui até o infinito.
Estivemos na poeira dos planetas, na composição dos astros, estivemos nas montanhas, nos oceanos, nas florestas...
Estivemos nas cavernas, nos pântanos, nos paraísos...
Somos únicos, mas consubstanciados somos todos um só.
Viemos das mesmas mãos e temos o mesmo destino.
Você possui o segredo do universo contido em cada partícula, pequena estrela.
Sua proteção e seu amparo.
Tudo em você.
Não tema.
No conjunto perfeito, não importa o seu tamanho e nem os calendários.
Cada mistério que desvendar, eliminará um obstáculo no caminho e então será mais livre e mais integral.
Você integra o meu mundo e eu lhe entrego o meu amor.
E nisso consiste a magia, em saber que a vontade e o conhecimento podem nos mover a a grandes distâncias e transformar a matéria bruta em preciosidades.
Pequena estrela, tudo o que você foi colabora para o que você é.
E o que você é agora, é a única coisa que importa.
Você só precisa brilhar.
Cumprir seu destino e brilhar.
Porque é assim que Deus se revela!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um lapso...

Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.


(sempre o Drumond - Sentimento do Mundo)

*

Eu apenas sei que preciso seguir.
Digo aos outros para irem avante, movimento meus músculos, verto suor e sangue para que todos possam sorrir e ver beleza em qualquer dia.
Então, chegam os dias de chuva e tempestade e sabemos no fundo que cada um suportará como puder.
E eu sei que não é raro eu querer simplesmente me entregar e parar de tentar ser o que pareço não ser.
Isso tudo o que nós construímos nos custou tanto esforço tanto tempo, tanto dinheiro e lágrimas que dói olhar para trás e ver que só demos um passo. Um pequeno passo.
Quero me libertar dessa sensação que me faz crer que estamos dando voltas.
O céu é tão imenso...
Não faço idéia do que seja o infinito.
Não imagino porque fomos criados.
Eu apenas sei que preciso seguir.
Como um instinto, como uma necessidade.
Como destino.
O relógio não perdoa nossas paradas.
Minhas células mudam, estrelas nascem e morrem no universo,
estou perto de mais um aniversário, de mais outro natal.
Continuo com medo da morte (da minha, dos meus), dos meus fantasmas e de finais tristes.
Talvez por isso eu esteja sempre apertando o reset, reiniciando o jogo perto do meio, perto do fim...
É assim quando estou no meio do jogo e tenho apenas uma vida.
Quais são as possibilidades de vencer quando estamos nessa condição?
Será que posso me tornar mais hábil e contra todas as possibilidades chegar à última fase e vencer o vilão que me dificultou o jogo o tempo inteiro?
Será que não vou sucumbir quando uma força quase magnética me puxar para o outro lado, arranhando minha alma com unhas afiadas?
Eu acordo em silêncio. Queria sorrir, queria suportar as verdades, queria ter força e boa vontade.E sinceramente, não queria colo.
Em alguma hora eu entrei pela porta errada.
Em algum lugar eu desviei.
De onde estou, vejo o oásis, vejo as luzes, ouço vozes familiares, mas não sei como chegar lá.
É como se estivessem numa outra dimensão.
Tão distante, embora rente a mim...
De repente é preciso saber a palavra mágica que vá abrir esse portal.
Mas não existe mágica.
Existe vontade.
Existem labirintos.
Existem leis.
Eu existo.
E esse é o meu maior enigma.
Eu apenas sei que preciso seguir.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estou bem.

Não havia como negar.
A dor que sentiam não ia cessar agora.
Foram enviados para aquele planeta por haverem se rebelado contra a ordem vigente e por terem destruído patrimônios morais tão sagrados ao povo daquele valoroso planeta que orbitava no cosmos.
Comparado ao que já possuíram, o planeta presente não era tão belo. Nem era tão fácil viver na escassez de qualquer tecnologia.
Muitos mal se lembravam de como era antes, mas traziam no fundo do peito uma saudade lancinante de tudo o que deixaram para trás. Quando olhavam as estrelas, não era raro rolarem lágrimas.
Muitos deles não suportavam o degredo, e sucumbiam em mais revoltas, em fugas inúteis, em associações apocalípticas, disseminando o caos e a discórdia por onde passavam.
Todavia, outros usavam os conhecimentos que haviam adquirido ao longo do tempo para melhorarem as condições e precariedades do lugar. Avançavam enquanto podiam, no limite de suas forças, como bem aconselhou o líder deles, anos antes.
E assim construíram novas civilizações.
De tempos em tempos, uma enorme espaçonave pousava na superfície do pequeno planeta e abria suas portas. Todos aqueles que adquiriram por seus próprios esforços o ingresso, penetravam a nave e desapareciam entre clarões intensos que vinham do seu interior. O curioso era que em uma nave tão grande as portas fossem mínimas, de modo que era possível a passagem de apenas um de cada vez.
A conquista pelo ingresso na nave era pessoal. Por mais que o amor e o zelo de uns pelos outros fosse capaz de até descer ao inferno, não havia como um comprar a passagem para o outro.
Naquele dia, ela soube que subiria. Havia merecido o ingresso para a nave.
Sentiu extrema felicidade.
Foi correndo contar aos seus, na esperança de que todos fossem juntos.
A mãe e o pai foram embora nos anos anteriores para lhes prepararem o caminho.
Eles, os irmãos, ficaram ali a mercê deles mesmos, sob o amparo e proteção do bondoso e consolador governante do planeta.
Chegando em casa, sem se conter, empurrou a porta e abraçou feliz todos os irmãos.
A não ser um que estava amuado em um canto da sala.
Quando soube que ele não ia, ela quis ficar.
Foram dias de sofrimento e desespero antes da nave aterrissar.
Ela não tinha condições de ficar ali. Poderia voltar, num futuro, mas por ora, era imprescindível sua partida.
Depois de se acalmar, decidiu que iria, mas que voltaria, caso ele demorasse demais a ir também.
Disseram a ela que estavam ali pela iniqüidade de seus corações e que deveriam conquistar com o suor e esforço próprios o direito de retornar à pátria celeste. Informaram que uma pessoa pode iluminar a outra por algum tempo, mas que era necessário que todos ativassem a própria luz para se credenciarem à viagem na grande nave. Por isso a porta era tão pequena. A passagem era apenas de um.

Ela entendeu de repente a solidão que sentia às vezes. Seu progresso, assim como suas quedas, eram de sua inteira responsabilidade. Responsabilidade pessoal e intransferível.
Finalmente, no grande dia, ela entrou na nave que sumiu no infinito.

Algum tempo depois de sua ascensão, em seu paradisíaco planeta de origem, recebeu a todos os amigos que haviam ficado para trás e regressavam agora. Abraçou a todos com grande alegria e procurou em vão pelo irmão na multidão.

Ele ainda virá, disseram-lhe.

Seu coração se apertou. Olhou para o céu e pensou nele com amor.
Alguém então toca seu ombro e lhe entrega uma carta resumidíssima, semelhante a um telegrama:

Estou bem.

Ass:James.

Quis chorar, entretanto resolveu confiar que ele ainda estaria ali entre a família. Confiar que ele um dia mereceria regressar.
(...)
*
Estamos aqui e precisamos uns dos outros para progredir, para desenvolvermos nossos sentimentos e melhorarmos nossas atitudes, no entanto, cabe a nós mesmos acendermos a luz que iluminará o resto do nosso destino e que nos fará encontrar o caminho de volta pra casa.
*
*
Este texto é uma sinopse do romance imaginário: “Lavouras” de Michele Edwirges, baseado na obra “Os exilados da Capela” de Edgard Armond.