Querido Charles,
Se eu soubesse
de antemão que haveríamos de parar onde chegamos, teria tomado um outro trem. Existem coisas
das quais não me arrependo, o que não significa que faria novamente do mesmo
modo.
Ao conhecer-te,
pude senti meus órgãos reagindo à tua presença.
Eu pude sentir
meu coração, meu estômago, minhas mãos e minhas pernas reagindo ao simples
pensamento em ti. Eu pude sentir
minha ânsia, minha vontade que sairia rompendo portas, atravessando paredes por
ti e mesmo assim eu não poderia imaginar que ficaria pequena demais diante
desse sentimento.
Se no início
pude controlar, pude andar como me apetecia, dediquei muitas noites de insônia
à tua existência. Se no início eu pude sentir o frescor das novidades, no fim
eu poderia apenas sentir o pesar lancinante de tua partida de mim, de dias
sangrando, de esperanças destroçadas. Uma rosa tão rara que entregamos a alguém com tanta sinceridade não espera ser destruída pelas mãos que a recebem.
O que não quero,
meu querido, é que te sintas um monstro, como cheguei a te acusar. Se puderes,
perdoe-me. Naquele momento a besta existia, entretanto, dentro de mim e queria
destruir. Eu a controlei, juro que a controlei. Não pude, no entanto, deter seus
urros, suas palavras, suas lágrimas.
Hoje, sob o
céu onde na torpeza dos sentidos tu batizaste uma estrela com
meu nome, percebo que vivencio um momento grandioso.
Quero chamar-te pelos melhores vocativos. Quero dedicar-te os melhores pensamentos.
Quero chamar-te pelos melhores vocativos. Quero dedicar-te os melhores pensamentos.
Quero crescer
mais do que o ódio incômodo que um dia pretendeu fazer morada em mim.
Não se imagina,
Charles, que um sentimento tão bonito e terno possa um dia nos esmagar.
E nem se imagina
que desse desterro que é o abandono possam nascer outros gigantes.
Perdoo-te.
Emma












