quinta-feira, 14 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
O açúcar mais doce
As promessas de eternidade são mais um desejo de prolongar a sensação e os sentimentos de um determinado momento do que a vontade de estar junto a alguém eternamente de fato.
As pessoas são metamórficas e as promessas são feitas quando estão entorpecidas de felicidade e cheias de conflitos ocultos. E a felicidade é tão
transitória quanto nossas palavras.
Ao longo do tempo a gente vai perdendo os movimentos, como
um brinquedo com cheiro de plástico novo que envelhece e é doado junto com
outras sucatas, na esperança de fazer alguma criança feliz.
Com alguma sorte, são doados apenas porque envelhecem ou porque as crianças crescem e mudam o interesse. Basta que o tempo envolva os antigos donos com segredos e novas paisagens para que os brinquedos, mesmo
inteiros, sejam descartados.
O descarte de um brinquedo não tira a importância do passado
em que ele significou muito e nem a eternidade comportada em um sorriso ou em
uma brincadeira de cinco minutos.
Ultrapassando a linha não muito tênue que nos separa das
metáforas com brinquedos e dentro da lógica do Hugo Cabret, é raro chegarmos
aos 30 sem faltar uma peça, ou sem reajustes, up grades ou super bonder
prendendo um braço no tronco ou a cabeça no pescoço.
A gente se arrebenta entre as eternidades e a vida que
transcorre em um universo que parece mais paralelo do que sobreposto, nos posiciona em lugares que não eram nosso destino inicial. A
gente, sem perceber, vai se dilacerando
aos pouquinhos e solta a mão do outro em partes importantes do caminho.
A gente dá a mão para outras pessoas, a gente se aventura e
a gente retorna ao ponto íntimo de partida, procurando sentido para tudo o que
fizemos.
É engraçado como juras antigas se transformam em disputas
jurídicas por filhos, carros, casas ou panelas. Como beijos ardentes podem se
transformar em hematomas no corpo, cortes no peito, sangue vertendo no quarto escuro ou num bar qualquer. Como uma assinatura no
cartório num dia feliz de arroz e amor pode nos deixar apartados e desgastados pelo tempo, pelas mágoas, pelas
palavras que dissemos e pelas que deixamos de dizer. Isso retalha nossos filhos, por mais que seja comum e
corriqueiro.
Deixamos morrer uma coisa bonita e precisamos continuar,
buscar outros significados e outras eternidades para caber numa pedaço finito
do nosso coração. A ilusória expansão desse pedaço finito origina as promessas e promessas não podem ser cumpridas sem que estejamos habilitados e dispostos a fazer a manutenção do amor.
Onde não há manutenção do amor, crescem outras ervas, outras
eiras, outras pessoas, novos conflitos e novos débitos e as promessas são destroçadas, viram pó, adubo para alguma outra flor crescer no solo da desilusão.Onde o amor não é mantido, a eternidade tem a duração de um chiclete sem açúcar.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Vai saber do que se trata...
Se você pudesse explicar tudo não haveriam escolas e liceus ou (meus) que tenho que dividir.
Continuaremos compartilhando nossas vidas, no entanto, sem explicação, onde chegaremos?
Quantas vezes precisaremos bater a cabeça no mesmo lugar para perceber que era necessário acender a luz? O interruptor sempre brilhou no escuro, mas estávamos brincando de cabra-cega e ficamos com um enorme galo na testa ou no cocoruto, uma montanha muito próxima do cérebro, não removível pela fé ou por thiner.
Se você não me fornece a resposta clara e translúcida, mastigada e direta eu vou imaginar uma. E vou acreditar nela. A falta de respostas e posicionamentos, as entrelinhas que existem e as que eu invento criam universos. Vou sempre "achar que", "supor que", "talvez seja isso que", "presumivelmente", "provavelmente", displicentemente o nervo se contrai. ô ô ô ô, com precisão. Uma muito inexata precisão. É um universo obscuro de leis próprias. Leis flexíveis e instáveis como o humor de uma mulher com TPM.
Por que vendem coisas que vão estragar fácil? Que nos farão mais mal do que bem? Vendem serviços e já preparam o setor jurídico para a demanda de reclamações que preveem. Como o papel higiênico. Por que vendem algo que não vai prestar e continuam vendendo, produzindo em massa, esse papel mais indecente que meus orifícios sujos? Isso me sugere muita sugeira, isso não me cheira nada bem...
Que nada, a gente sabe que na vida control+t só existe como comando eletrônico e que super bonder não cola tudo, que as facas guinsu não cortam tudo, que o controle universal não controla tudo, que ninguém sabe de tudo. A gente sabe que cobra o que não é capaz de dar, que a gente explode o que custa a construir e que sempre há um interesse em qualquer coisa aparentemente altruísta que possamos fazer. Queremos vantagens, tickets e desconto nos programas de viagem, ou no pacote de farinha de trigo, mas não sei se vou guardar o maior pedaço de pudim até você chegar. Às vezes não guardo nada.
E também eu já não sei escolher sem procurar no google e não chego ao meu destino sem ligar o GPS.
Na verdade eu nunca soube o caminho, mas agora é mais fácil encontrar.
E continuar errando.
Zé e 1berto, donos das estrelinhas de hoje.
Zé e 1berto, donos das estrelinhas de hoje.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Os ventos às vezes erram a direção
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é colocar as flores numa jarra e a jarra no centro da mesa, a mesa no centro da sala e as idéias em ordem dentro da cabeça.
O importante fica no centro e o acessório em órbita.
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é um filme ao entardecer.
Compartilhar o dia e a mesma vasilha de pipoca, comentar um poema que fala de amor de um jeito que você já viveu.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor não inventar uma acrobacia, uma aventura de consequências previsíveis
de previsão desastrosa
de desastres sem previsão de melhora.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor simplificar o caos e evitar os artifícios e os fogos.
Primar pela luz.
A Terra possui apenas um satélite natural e para nosso benefício é uma Lua de quatro fases que nasce nova, cresce, enche e míngua no final.
Mesmo a lua não vê seu fim após minguar.
Volta, nasce nova, cresce e se expande, expande sem explodir.
A lua sabe a dose certa de encher sem transbordar, de mostrar seu lado escuro e trabalhar as sombras de modo que tudo seja um ponto de vista diferente enquanto nada muda na verdade.
Talvez não seja tão complicado assim.
Saber as frases, viver as fases e recomeçar, enfim...
O importante fica no centro e o acessório em órbita.
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é um filme ao entardecer.
Compartilhar o dia e a mesma vasilha de pipoca, comentar um poema que fala de amor de um jeito que você já viveu.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor não inventar uma acrobacia, uma aventura de consequências previsíveis
de previsão desastrosa
de desastres sem previsão de melhora.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor simplificar o caos e evitar os artifícios e os fogos.
Primar pela luz.
A Terra possui apenas um satélite natural e para nosso benefício é uma Lua de quatro fases que nasce nova, cresce, enche e míngua no final.
Mesmo a lua não vê seu fim após minguar.
Volta, nasce nova, cresce e se expande, expande sem explodir.
A lua sabe a dose certa de encher sem transbordar, de mostrar seu lado escuro e trabalhar as sombras de modo que tudo seja um ponto de vista diferente enquanto nada muda na verdade.
Talvez não seja tão complicado assim.
Saber as frases, viver as fases e recomeçar, enfim...
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Das coisas comuns e quase definitivas que atormentam nossa inércia e intensificam nossa pulsão de morte.
Eu digo que tenho respeito pelos seres vivos.
Menos de pernilongos que me envenenam e formigas que passeiam
pela minha mesa de trabalho.Sempre tem um açúcar a recolher da xícara de café. Esmago todas elas com o dedo. Uma a uma. O que já é bom, pois em minha crueldade infantil, elas eram incineradas, antes encurraladas por um círculo de álcool. Um inceticídio justificado.
Formigas não temem a morte. Elas possuem um objetivo e muito foco.
E elas voltam todos os dias, buscando já não sei o quê, enfrentando o perigo em sua jornada irracional repleta de feromônios.
Eu sou a cigarra, mas acumulo como formigas.
Os dias estão cada vez mais velozes. Se você entrasse agora
em minha cozinha, veria como é fácil acumular coisas. Acumulo pratos
sujos. Acumulo mais que um castor.
Caixas de leite, potes de coisas, palitos, promessas, planos. A ideia é de usar
tudo um dia pra fazer um brinquedo interessante. Qualquer coisa interessante. Mas os dias se acumulam sem
nenhum brinquedo construído. Ou qualquer coisa interessante.
Só não acumulo dinheiro. Esse consegue fluir em
minha mão como um rio.
Você já segurou um rio com as mãos? Sem o concreto das
represas?
Olho o universo precisando de manutenção. Nada é definitivo
e permanente. De vez em quando alguma coisa estraga, adoece ou cresce demais.
As frutas da geladeira que deixamos de consumir, o sangue que se modifica de acordo com o
que você come, o cabelo, as unhas, a grama do jardim, o óleo do carro, a água
do carro, a roda da moto, a roda da vida. A tinta da casa descolore e faz você
acreditar que precisa de outra cor.
E mesmo que eu pinte a minha casa de laranja crepuscular,
isso não mudaria o fato de eu - não raro - esmagar as formigas que passeiam
pela minha mesa de trabalho procurando o café que já nem tomo mais.
Quanto mais eu perco tempo, mais acumulo o resto do mundo e isso às vezes parece o cúmulo nimbus!
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
There must be someway back
Às vezes dou a impressão de andar entorpecida
cambaleante ou desatenta aos detalhes mais óbvios
de tudo o que se pode tocar
dessas coisas que enxergamos de olhos abertos.
Você quer me trazer de volta
ao universo que nós conhecemos
e eu almejo poderes mutantes
quero ser um x-man, x-girl, um x-burger
um queijo prato.
Mentira.
Não quero ser um queijo prato ou um hamburguer.
Não é esse tipo de comida que satisfaz o mundo.
Eu procuro outros espaços e gosto disto.
Talvez eu flutue e não vou poder fazer você sentir o que sinto
mas posso tentar relatar.
Não significa que eu não aprecie
estar com você no que é familiar.
Não saem chamas de minhas mãos
não leio seus pensamentos
não salvo o mundo com os olhos
Você diz que eu desperdiço a minha vez
Eu sei que poderia lhe amar de uma maneira melhor
e este é um poder tão grande.
Eu poderia amar a tudo de uma maneira melhor
e teria o poder que almejo
sempre que caio ao tentar voar.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Desses dias amaros...
O orgulho é como um milho de pipoca
que sob específicas condições de temperatura e pressão explode.
Tudo o que eu mais queria hoje era morar no litoral.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
NEM OTÁVIO CESAR AUGUSTO...
Aperte nossos corações com as mãos
para que o sangue que verter
possa lavar nossa consciência.
Aperte mais, quebre nossos ossos
e que o pó de nossas dores
integre a química de sua
redenção.
Que assim seja.
Que assim seja.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
--- A SOLIDÃO VAI ME MATAR DE DOR --- (1º da série A 4 MÃOS)
Era um barulho de chave destrancando a porta, antecedendo
aqueles passos curtos.
Era um escuro e frio sentimento a rodear o corpo inerte, a
cama.
Era ela ali, enquanto ele entrava.
Era ela ali, enquanto ele entrava.
Nenhum dos dois sabia explicações, mas ele ainda ousava
questionar.
Já para ela o destino é fato. Se entregaria sem reclamações.
A velha angústia já não existia, pois embora não soubesse como,
há tempos descobrira o porquê.
Ele, aflito, consultava a ciência, a medicina e todos os
pajés.
Sua esposa desaparecia: um dia as mãos, em breve, o braço, o
tronco.
Perdeu a perna esquerda e um dos pés.
A urgência o acometia, queria ter a fórmula alquimista pra desvendar o mal e o reverter, trazer de volta a mulher que havia: era tão mansa e a vida resolvia.
Café na mesa, almoço e jantar. A casa limpa e sempre perfumada.
Os filhos que nunca puderam ter.
Os filhos que nunca puderam ter.
As tentativas e as tentações que ele costumava atender.
Agora tudo isso era nada.
Enquanto ela, nada se tornava. Ali na cama, ali sem ter
razão.
Nenhuma lágrima, nenhum lamento.
Nenhuma lágrima, nenhum lamento.
Ele sofria de arrependimento e ela era a resignação.
O vento veio soprar da janela e dentro dela a solidão
passou.
Era o instante breve e derradeiro:
- Meu bem, farei de tudo o que puder.
Já o silêncio dela era cortante e aquele corpo, esboço de
mulher
Ele dizia, mas tinha certeza que não havia muito o que
fazer.
Tocou em seus cabelos com ternura e lentamente fez um
cafuné.
Ela sentiu certo vigor na alma e seu semblante então se
alegrou.
Pretendeu ele segurar o tempo, confessar os erros e se
redimir.
O tempo nunca para e as confissões não tinham o poder de
reparar.
Era chegada a hora de partir.
A despedida foi um benefício para impedir seu
enlouquecimento.
Ele não soube por um só momento porque a moça desaparecia.
Se soubesse, o que ele faria?
Se lembrasse de todas as vezes em que ele a tornara
invisível.
O seu desdém a um amor incrível e a todo zelo que ele
recebeu, causou na moça estranha doença de sintomas significativos.
Aquele moço entrou em desespero, buscou a cura em todos os lugares,
pensou em morte, em mudar de ares, mas não pensou exato o que devia. A culpa o
açoitava toda noite. O remorso vem durante o dia.
Sua esposa era seu espelho, seu casamento, um tipo de magia.
De novo olhou e ela ia embora. O sorriso desapareceu.
Ele soube o que perderia e pensou em lhe pedir perdão por
não amá-la.
E ela sabia.
Série A 4 MÃOS é um desafio onde alguém sugere o tema e o outro escreve. Nesse texto, a Vã sugeriu o tema e eu escrevi. Eu já a desfiei a falar sobre um contador que na proximidade da aposentadoria resolve mudar de vida... Vamos ver no que dá!!!! Aceita-se desafios!!!
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
SILHUETA
De tempos em tempos faço acordos de paz com o espelho. E de tempos em tempos quebro as promessas.
Um dia resolvi que meu corpo seria respeitado.
Fui fazer natação.
Havia um grupo de bombeiros na mesma turma que eu. Quando cheguei, o professor perguntou o que eu sabia sobre nadar.
Eu disse: Nada
E ele disse: Nade!
E eu nadei do jeito que achei que fosse o certo e até me surpreendi quando uns dois carinhas daquele grupo de bombeiros pularam na água e vieram me puxar pra beira.
- Olhei pra eles com cara de "meu Deus, que isso?", pensando que eu deveria ter nadado muito mal para eles quererem me tirar da piscina.
E eles:
- A gente achou que você estava se afogando! Desculpa, moça.
Onfs.. Que vergonha!!! Minha primeira performance náutica e os caras pensam que estou me afogando.
Persisti, no entanto!
Com o tempo fiz 25 metros, depois 50, 75...
Quando eu estava quase completando os 100 metros sem parar, chegou o natal.
E se as andorinhas voltaram, eu nunca mais voltei para aquela piscina. Por 50 motivos diferentes.
Mas não desisti do movimento. Fiz comigo o compromisso de dar voltas ao redor da lagoa. Levo 45 minutos para completar 3 voltas, embora eu sempre queira ir embora na segunda volta!! O que ocorre, meus caros, é que aquela orla faz pilhagens com os cidadãos comprometidos que circulam por ali.
Tanta gente se esforçando, suando, marcando a pressão e tals e a lagoa, cercada por suas sorveterias, pastelaria e outras rias , ri de todos, debocha dos meus derrames. Sim, sofri um derrame. Tem pele derramando sobre a calça. Derrame sabor pera!!
Se bobear, compro a Michelin. Nem precisa mudar o nome fantasia.
Mesmo assim, nesses cinco meses de caminhada na lagoa, as 6 vezes em que lá compareci foram muito válidas!! Não estou perdendo o peso, mas a disposição some rapidinho. É impressionante.
Agora comecei outra viagem aeróbica.
É um aparelhinho completo, o tal do elíptico, que exercita pernas (coxa e panturrilha), quadril, cintura, braços e glúteos!! Porque no meu pacote tem que estar escrito: Contém glúteos!
Pensei: Movimentar esse tanto de coisa em um único aparelhinho é funcional e prático demais, gente!! E dentro de casa. É nisso que vou!
Comecei toda animadinha, tendo como meta não me esforçar demais no início.
- Vamo na humildade. Meia hora tá de bom tamanho por hoje!!
Então lá foi eu, disposta, atlética, querendo endorfina circulando dentro de mim.
E então o tempo veio me sacanear.
Estou lá no esforço gigantesco, bufando, ofegante e penso: Já devem ter se passado uns 20 minutos...
Visualizo o relógio: CINCO minutos apenas, constatei incrédula. 5?!
Quando deu 10 minutos eu queria água.
Deu quinze eu queria tempo pra descansar.
Deu 16, comecei a querer minha mãe!!
Deu 16, comecei a querer minha mãe!!
E minha personal mais que particular dizendo: Vamo, vamo, não para.
E eu já queria chorar.
20 minutos???
- Ah, fala sério. Esse relógio quebrou. O ponteiro agarrou no 20.
- O relógio é digital, Michele.
- (...)
- Ah, fala sério. Esse relógio quebrou. O ponteiro agarrou no 20.
- O relógio é digital, Michele.
- (...)
Naquela altura, eu já começava a ter vertigens, ter visões de primavera. Acho que cheguei a ver os ursinhos carinhosos...
Juro que se eu estivesse sozinha, teria parado, mas a personal recitava o mantra do vamo, vamo!! Só vai parar nos 30 minutos. Vamo, vamo.
Olhei de novo o relógio: 21 minutos.
Comecei a querer que a hora passasse no grito e acho que cheguei a acreditar que passaria mesmo.
Por segundos eu gritei: Passa, idiota, passa.
(Pensa, chamar o tempo de idiota...)
Por fim, deu 22 minutos.
Tirei as mãos, fiquei movimentando somente as pernas no aparelho.
Personal olhou, voltei com os braços e mãos.
23 minutos.
Parei e respirei. Manifestei meu desejo de desistir. Desejo indeferido!
Ela tirou o relógio de perto de mim.
Comecei a contar o tempo mentalmente. Quando deu 30 minutos e tive ímpetos de festejar, ouvi a frase mais intimidadora do dia:
- Continue aí. Você parou muito, perdeu o ritmo. Mais 1 minuto para compensar. Vamo, vamo.
Aí eu corri. Nó, que raiva. Aumentei meu ritmo, acelerei, quase deu um curto circuito em mim.
Quando parou, nem havia mais alegria. Saí do aparelho, disse à personal algumas palavras sem nexo, porque a língua enrolou na boca, dei alguns passos e desmaiei.
Desmaiei mesmo, que nem o cachorrinho chihuahua do meu amigo Renato depois que cruzava com uma pinscher. Ele colocava a língua pra fora e desmaiava!
Quando recobrei a consciência, determinei que 15 minutos talvez sejam suficientes amanhã.
Ou presenciarei o apocaelíptico!!!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A RODA DO OLEIRO
Hoje são mais teclados e dispositivos.
São mais horários e menos tempo.
A massa aumenta os números gradativamente.
Já não são os mesmos sonhos.
Mas a coisa humana de compartilhar o mundo,
de fazer conexões entre a minha, a sua, a nossa energia,
continua sendo a causa e a consequência
de tudo o que faz sentido
quando cessam as explicações.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO
Querido Charles,
Se eu soubesse
de antemão que haveríamos de parar onde chegamos, teria tomado um outro trem. Existem coisas
das quais não me arrependo, o que não significa que faria novamente do mesmo
modo.
Ao conhecer-te,
pude senti meus órgãos reagindo à tua presença.
Eu pude sentir
meu coração, meu estômago, minhas mãos e minhas pernas reagindo ao simples
pensamento em ti. Eu pude sentir
minha ânsia, minha vontade que sairia rompendo portas, atravessando paredes por
ti e mesmo assim eu não poderia imaginar que ficaria pequena demais diante
desse sentimento.
Se no início
pude controlar, pude andar como me apetecia, dediquei muitas noites de insônia
à tua existência. Se no início eu pude sentir o frescor das novidades, no fim
eu poderia apenas sentir o pesar lancinante de tua partida de mim, de dias
sangrando, de esperanças destroçadas. Uma rosa tão rara que entregamos a alguém com tanta sinceridade não espera ser destruída pelas mãos que a recebem.
O que não quero,
meu querido, é que te sintas um monstro, como cheguei a te acusar. Se puderes,
perdoe-me. Naquele momento a besta existia, entretanto, dentro de mim e queria
destruir. Eu a controlei, juro que a controlei. Não pude, no entanto, deter seus
urros, suas palavras, suas lágrimas.
Hoje, sob o
céu onde na torpeza dos sentidos tu batizaste uma estrela com
meu nome, percebo que vivencio um momento grandioso.
Quero chamar-te pelos melhores vocativos. Quero dedicar-te os melhores pensamentos.
Quero chamar-te pelos melhores vocativos. Quero dedicar-te os melhores pensamentos.
Quero crescer
mais do que o ódio incômodo que um dia pretendeu fazer morada em mim.
Não se imagina,
Charles, que um sentimento tão bonito e terno possa um dia nos esmagar.
E nem se imagina
que desse desterro que é o abandono possam nascer outros gigantes.
Perdoo-te.
Emma
quarta-feira, 31 de julho de 2013
A GENTE SABE POR QUE COMEÇOU, MAS NÃO SABE QUANDO PARAR
Se o mundo dependesse de mim para mudar, talvez ainda estivéssemos atrasados uns 600 anos.
Mas pelamordedeus!!!!!
Enfara essa agonia jornalística, "religióstica" e "ativista" que empaca num assunto só e faz dele algo menos natural do que deveria ser. Cristãos que não amam gays que não respeitam gays que não amam cristãos que não respeitam política pipoca novela dna doença cura podenãopode pode com ressalvas aceito o pecado e não o pecador aceito o pecador e não o pecado aceito jesus aceito doações nissim miojo lamen sabor galinha o que você acha do que ele disse, do que ele fez postou pensou...
Sem pontuações, vira bagunça.
Sem pontuações, vira bagunça.
O que tem gerado esse desrespeito de todo lado é a falta de sensatez das pessoas. É a violência das vontades. É a miopia que faz o homem não perceber os limites, a placa escrito pare.
É preciso saber a hora certa de parar, ver a placa.
Gente do céu, plantou a semente, agora dá um tempo pra natureza fazê-la brotar.Vai lá, regue de vez em quando, adube o solo, mas não force a flor, porque é perigoso matar tudo. Tente tirar a borboleta do casulo e faça com que ela voe. Faça!!! Não rola, cara.
É como quando queremos dar comprimido pro cachorro doente. A gente quer que desça goela abaixo. (O remédio pelo menos fará bem pro cão).
A noção de respeito, tolerância e sensatez, a noção de amor ao próximo, respeito às individualidades e ao tempo que o próximo tem, parece ter ficado um estágio antes, na decantação do que nos é noticiado. A substância final faz mais mal do que bem...
Opiniões nascem das notícias, das fotos, dos fatos, poxa...
Nem toda revolução que destrói violentamente é inteligente e tem bons resultados...
Antes, corrompem a ideia libertadora e a transformam em uma outra ditadura, muitas vezes até pior do que o que era antes.
Espero que não para sempre, aNéim!
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O PARAÍSO
Eu queria ter mais atividade cerebral de ambos os hemisférios.
Eu queria entender tudo o que não sou capaz de sentir.
Queria chegar às conclusões exatas, lógicas, queria a palavra.
Eu queria sentir tudo o que não sou capaz de entender.
Queria chegar às emoções imprecisas, voláteis, queria a poesia.
Porque ter a consciência da maravilha da natureza, da perfeição do universo,
da magnitude das leis, do poder astronômico do amor e não entender e sentir senão uma ínfima parte de tudo isso, é como ter que cruzar o continente americano, o africano, o europeu e o asiático a pé, enquanto dizem que preciso apenas de um passo pra ser feliz.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
TERÇA (23/07/2013)
o dia rendeu, meu bem
que conste na ata
sanfona silenciou
e habemus papam
medalha na água
melhor pro brasil
tubarão matou no mar
nevou lá no sul
agora é inverno
mas no meu jardim
tem flor se abrindo
tem mato e jasmim
O tales virá
djalma já foi
a rua é de reza
rio de janeiro
o crime ainda
vai descompensando
na pauta que segue
do telejornal
em volta do mundo
a vida acontece
e mesmo com tudo
parece normal
depois a novela
pra ter audiência
inventa o enredo
distorce a moral
na sala ou no quarto
sem ponto no ibope
eu sou a notícia
o papa é pop
E o pop não poupa ninguém.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Pelos poderes de Grayskull (irmã luz)
Toda manhã quando vou ao banheiro (e isso é quase religioso), levo qualquer coisa pra ler enquanto a vida acontece. Se a hemorroida não desabrochar, creio que continuarei com isso porque me apraz e porque tenho dificuldade de ficar sozinha comigo mesma dentro do banheiro. É um exercício que preciso fazer,: desfrutar de minha companhia com mente e coração, contudo, enquanto o Sr. Lobo não vem, compartilho minha existência com coisas exteriores. Gosto de estar só (de sozinha) no quarto, sentindo meu corpo, minha respiração e procurando não ter pensamentos sobre nada. Mas no banheiro, se eu não tiver algo pra ler, represento um personagem que está doando a medula espinhal. (...) É minha novela imaginária! Imagino sempre que ao final alguém segura a minha mão, em solidariedade à minha dor, embora o que sinta realmente naquele instante nem seja dor, e sim alívio, uma espécie de felicidade em formato mínimo. Mas nem é sobre isso que eu queria falar. É sobre o conteúdo do que li nesta manhã. O texto é atribuído a Nelson Mandela e diz:
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta."
Parece que foi um discurso de posse em 1994. Não importa.
Penso, será que temos mesmo medo de nossa grandeza? Medo de procurar por ela, de remexer o lixo para encontrar luz? Será que temos preguiça de procurar? Será que somos mesmo como molas que se abstém da luz pra não assustar quem está ao redor? Ou ofuscar, ou destruir, ou tubro? Pergunto isso porque sempre acreditei que nosso maior anseio era encontrar a luz e faze-la resplandecer, deixar que a nossa melhor parte se mostrasse ao mundo. Fica escuro quando a melhor parte esmaga o mundo. Vejo esses grandes líderes que revolucionaram o seu país sobre o sangue de milhares e vejo o Darth Vader que por ter medo foi para o lado negro da força. Todos tiveram o poder nas mãos, mas talvez o poder estivesse encapsulado na camada sombria de medo que reveste toda luz que esclarece e ilumina. Medo que adultera as formas de administrar o poder.
Pensemos em coisas simples como ter visão raio-X e conservar os mesmos padrões éticos. Como ser invisível e não tirar vantagem disso arrombando segredos e privacidade alheios. Se eu for simples mortal, não represento perigo pra ninguém e nem precisarei lutar contra mim mesma para me manter sã e moralmente aceitável. A mediocridade não oferece riscos em si. O problema é a manipulação da mediocridade. É prender o vaga-lume numa caixa opaca e sem furos.
Ocorre que a manhã será e quando amanhece e os gatos deixam de ser pardos enquanto a luz traz o escândalo.
E para o escândalo não adianta protetor solar fator nenhum.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
UNIVERSO ELEGANTE
Perceba entre nós esses raios, essas ondas que oscilam.
Meu coração bombeia dados para seu arquivo.
Tente decodificar-me e verá a si mesmo em cada fibra.
Não somos um sistema complexo. Somos mais do que isso, que sobreposição de tempo e espaço, que matéria que se decompõe ou se eteriza.
Quando amo, sinto que são múltiplos universos em mim.
Talvez eu possa lhe mostrar o infinito em pequenos atos.
Não preciso de muitas cordas pra fazer uma canção, atravessar portais e lhe encontrar no futuro. Com apenas seis cordas eu lhe oferto serenatas. Com apenas uma supercorda nós comeremos areia como minhocas fazendo buracos no mundo pra descobrir as respostas que nos levarão à luz. Perceba os mil renascimentos de cada coisa que morre, que se transforma enquanto você corre para pagar as contas e fazer o dever de casa.
Tudo isso só faz sentido quando assumimos um lugar e nos tornamos parte dele.
Isso só faz sentido se tudo com o que nos relacionarmos identificar nossa energia e reagir à nossa existência. Saberemos que estamos em casa.
Quando acordamos, você viu que éramos uma espécie incrível com mecanismos atrofiados, mas se você fizer as contas, saberá que basta se exercitar passo a passo para reativa-los.
E então, com todos esses cálculos, conseguiremos entrar na mesma faixa vibratória com o lado direito do cérebro e renovar o universo ao redor.
terça-feira, 16 de julho de 2013
SEM QUERER
Acidentes não são previstos.
Se forem previstos é porque há erros e se os erros não forem sanados, não será mais um acidente.
Nesse caso, a quem poderemos culpar?
Quem deixou de observar o dever que tinha de cuidar para que as coisas não se complicassem?
Quem será culpado por negligenciar detalhes importantes do processo?
Quem vai pagar por agir sabendo no que ia dar, por não ignorar que em determinadas circunstâncias de atmosfera e pressão uma bomba explode, uma tampa voa da panela e atinge o teto da cozinha?
Quem sofrerá a pena por ousar conduzir situações sem conhecer as variáveis e as constantes, por dar testemunho do que não viu, por afirmar o que desconhece?
Quando estivermos caminhando pelos escombros, juntando os cacos e fazendo torniquetes para estancar o sangue, suplicando anestesia para que a dor não nos aniquile, a quem atribuir os danos?
Ninguém precisava de bola de cristal para antever os fatos, entende-los e agir conforme esse entendimento.
Se podem nos imputar a responsabilidade, é porque sabiam que nós possuíamos condições de evitar o estrago.
Nem sempre fica claro que um Dó sustenido menor vem após o Lá. Mas é uma possibilidade a se considerar.
Assumimos o risco e agora dolosamente optamos por isso ou aquilo seja lá que efeito isso ou aquilo cause, entretanto, se alguém se ferir, se algo quebrar, não foi por querer.
Assumimos o risco e agora dolosamente optamos por isso ou aquilo seja lá que efeito isso ou aquilo cause, entretanto, se alguém se ferir, se algo quebrar, não foi por querer.
O que deveria ser feito, foi feito. No tempo disponível, com os recursos disponíveis.
Por mais que você diga que havia como agir de maneira diversa, quem sabe bem é quem tinha o leme nas mãos.
Essas coisas que nós assumimos, o desejo de que alguma mágica sustente o mundo e reverta as leis naturais para que tudo fique intacto no fim, nos torna mais culpados ou menos culpados?
De qualquer maneira, não há acidente previsível...
terça-feira, 9 de julho de 2013
SÓ O HE-MAN TEM A FORÇA E É INVENCÍVEL
A Espanha perdeu pro Brasil, o que não seria nenhuma
novidade em 94.
E o Spider perdeu pro Weidman. O que não seria novidade se ele não fosse invencível como a vara cível. O SpiderMan sempre vence os vilões, o que não era exatamente o caso do
Weidman. Tiraram o man do Spider e colocaram no Weid, por isso ele perdeu. Tira o "homem" do ringue e deixa por conta dos prazos... Se não pagar em dia, vence mesmo. Quem ganha? É claro que é quem
comprou o carnê do baú ou quem apostar corretamente no sexo do bebê real da
Kate e do William. Ele é um feto real, todos os outros são de mentira e quem aposta em
mentira?? Quem?
Quem já sabe que vai ganhar, é claro! Ou Salvador Dali, porque pra ele tudo é surreal.
O caso foi que o moço lá fez firula, e isso é uma afronta laranja ou uva se preferir.
Afronta Uva
pra tomar de canudinho ou no queixo. Dançou com Marisa Monte e dançou na lona.
Eu também queria socar a cara de quem me afronta, o que não
seria nenhuma novidade em 94. Mas hoje quero atlânticos e pacíficos.
Tô na maré...
Estou aqui e ali enquanto o caos segue em frente com toda a
calma do mundo.
Tudo bem. Sei da obediência das coisas ao tempo e isso me
deixa em paz.
As vezes uma notícia me leva a nocaute, desnorteia e eu fico
só para leste ou este norte precoce.
Muuuu, Sul, Mano, vacas dizendo gírias funkeiras ruminam na
minha cabeça sem orientação, aliás, orientada conforme meus próprios protocolos,
afim de ver novo faraó reinando no Egito, só pra saber se cola ou se o Brendan Fraser aparece para resolver o conflito. De quebra, viria pra cá, juntamente com o Homem Aranha e todos o X-Man decidir se o plebiscito rola ou Rolling Stone. Ah, tá... O Homem Pedra também...
Disseram que meu olhar ficou desfocado. Sim, perdi as focas
da retina e agora tenho um parque aquático na íris sem foca, apenas baleias
dançantes. Baleias são tudo o que vejo quando olho o futuro ou pra borra de
café. Adoro batatas fritas, chocolate e refrigerante, mas não posso mais me dar
o luxo sempre, porque isso me expande e não quero ser sua ex mulher caso eu
mude progressivamente de manequim e isso te afete. Faith no more só pra ouvir Easy com eles,
porque minha fé não costuma faiá. Sempre tem mais de onde vem esta.
Olha, eu poderia te dar uma rosa, o que não seria nenhuma novidade
em 94, mas se eu fizer isso hoje, seria tão inesperado quanto a jornada de um
Hobbit. E eu estou sendo muito literal, my dear!
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