A luz azul da tela ilumina os insetos.
Todos parecem vaga-lumes, ou pernilongos de led.
Eu entro em transe, talvez eu esteja triste, talvez tristes tigres, talvez não.
Bolhas de água surgiram em minhas mãos.
Elas surgem e desparecem.
Fui atendida por uma médica cubana.
Ela disse o que o Google disse antes, mas não tiro CRM pelo google.
A doutora sabe o caminho e as químicas. Eu sei o site. O que ela me diz, o que o site me diz é a mesma coisa.
O resultado quando é ínfimo, não confere valor ao caminho, ao que FOI antes de ser resultado.
E a gente vê o resultado e sentencia que é só isso.
Mas tem o meio, tem as contas que a gente faz no rascunho e não no gabarito.
Se eu te fizer um cartão de aniversário, você precisa saber que pensei na frase, na letra, nas cores e na papelaria. Tudo parece tão resumido e sem graça, mas o meio tem mais valor que o produto.
O que existe entre parênteses devia ser depositado num cofre ou na poupança.
Muitas vezes a gente diz "Ok", mas antes disso havia um discurso bélico preparado.
E depois o seu contrário.
E depois o silêncio.
Ela disse: Não é sério.É disidrose e não conhecemos a cura. Nem a causa exata.
Eu já sabia. Sabia até que pode ser emocional. Tem tudo no google, mas tanto eu quanto ela temos um meio que o google não nos fará conhecer. Eu sou contralto, ela gosta de dança contemporânea.
Ela perguntou:
- Como se pronuncia seu nome? Ediuirges?
- Pode ser...
Certas coisas não tem importância, a quantidade de letras L com que escrevem meu nome, ou os Y inexistentes. As pessoas estão sempre a complicar o que é muito simples e isso não faz muita diferença numa manhã de outono.
Novamente as emoções me fazem de refém e não saber como conter, como deter, como suprir, me atinge.
Estar à mercê e com pequenas bolhas nas mãos. Bolhas que não desaparecem com pomadas.
Isso me aflige como as minhas próprias limitações. A lentidão me aflige, A burrice alheia e a minha, me afligem. A aflição provoca bolhas cheias de água.
Não gosto de tapete torto, embora não seja a rainha da ordem.
Não sei explicar o que fazer e como fazer nos momentos em que seu coração fica como Nagazaki.
Pode ser exagero...
Depois que passa, a gente descobre que era só bombinha de São João.
segunda-feira, 24 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
ENTÃO...
Coisa que nunca fiz e nem tive vontade, coragem ou pulso pra fazer foi
levantar bandeiras de causas que não me interessavam. Eu já falei: Ok, sou homossexual e tals, mas isso não
significa dizer que aplaudo as posturas de Daniela Mercury ou Thamy Miranda ou
que aprecio repertórios recentes de Ana Carolina. E também não quer dizer que
eu não seja grata a essas mulheres. Se não fosse por elas, eu seria uma pessoa
medrosa e encolhida. A sociedade precisa de quem mostra a cara e a oferece a
tapa em nome de outros rostos e identidades.
Essas desbravadoras apenas poderiam estar atentas ao que separa o
excesso da revolução, senão uma coisa
que era pra abrir caminhos, acaba sendo um desserviço pra quem quer
simplesmente levar uma vida normal gostando de outra pessoa do mesmo sexo.
Então chega essa novela do Maneco depois do beijo do Félix e coloca
duas mulheres pra ter um caso. Porque eu torço o nariz? Porque uma delas é
casada. E família é uma instituição que eu respeito. Desaprovo uma pessoa que
está sendo a pedra de tropeço no caminho da outra, seja ela homem ou mulher, no
entanto, quando se vincula o estímulo ao adultério à homossexualidade, nós
sofremos o efeito desastroso. E olha: é um saco, porque os argumentos se
confundem, as pessoas começam a falar pelos cotovelos tagarelas e nem sabem o
que dizem e o que realmente sentem em relação ao que dizem. Se elas compararem a
outras condutas tão naturais de suas vidas, verão bailar paradoxos no palco do discurso.
Já estou farta de: "que podridão, meu filho não pode ver beijo de
mulher com mulher, de ômi com ômi”, “ isso é uma afronta, tem idoso assistindo novela” ou “ isso é uma
violência à moral e aos bons costumes”. Ou o famoso: “Não é por preconceito,
mas...” E depois do “mas”, essa
interessante conjunção adversativa, jorram argumentos frágeis e tolos.
A sociedade tem seu tempo de amadurecer seus conceitos, seus
parâmetros morais, entretanto, ela raramente questiona o que considero um mal real. Na
adolescência, li A Pata da Gazela, um romance de José de Alencar, de 1870, no
qual uma mulher que ficasse com o tornozelo de fora chocava a sociedade.
Tornozelo! Hoje sintonizamos em qualquer
canal pra ver muito mais que isso. Dia desses recebi um videozinho de whats app
onde um suposto pastor mostrava através do data show um cu - e ele diz cu, não
usa eufemismos - a toda uma assistência
de fiéis!
O novo clipe da Beyonce está bombando e é de um erotismo imenso!!
Lembro de ter visto videozinhos de crianças “sensualizando” com músicas da
própria, com refrões do Naldo, do É o Tcham, do Lepo Lepo... O programa Pânico
é exibido em horário nobre. O UFC não, mas os pais motivam as crianças a
lutarem ou a verem lutas sangrentas dentro do ringue, circuito onde correm
altos valores, assim como nas arenas de gladiadores. Mulheres desfilando seus
corpos em comerciais de cerveja, “mostrando nosso alto valor comercial”... Isso criança e idoso pode ver!! Se embebedar
na frente das crianças, fumar na frente delas, falar palavrão na frente delas,
mentir na frente delas, colocar no som numa altura além do suportável refrões
em série que falam que pode trair, que a carne é fraca, que as mina pira e sobe
na mesa, que quem tem dinheiro pega todas... Para mim, isso é a deseducação
moral da humanidade e não vejo isso ser questionado. Visualizar a imagem que essas canções tão
lucrativas transmitem é a visão do estado deplorável de “moral e bons
costumes”. E é triste quando a gente descobre que quem propaga isso em carro de
som, em churrasco de família e outras mídias nem para pra entender o que diz a
letra e quando eu informo, apesar do susto que tomam, me dizem: Ah, mas o ritmo
é bom!!
São exemplos de coisas que ficaram naturais e as crianças veem.
Trabalho com crianças, sei o que sabem, o que fazem, o que imitam de seus pais.
E sei que pouquíssimos adultos questionam essas atitudes e além de não
questionarem, ainda incentivam, passando ao largo do que é realmente educar um
filho ou respeitar um idoso. Com certeza, e eu afirmo, COM CERTEZA: testemunhar
um beijo contido de duas pessoas que se gostam, seja qual for sua orientação
sexual, não vai deseducar ninguém. Pra deseducar, basta o contrato tácito que fazemos com o mundo, com a mídia, com a arte, assinado por nós e autenticado no cartório da
consciência!
Não há mais considerações gerais a fazer. Tá tudo aí, tá tudo aí para
quem quiser ver.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Do jeito que você faz
Você andava rápido em minha frente.
Eu apressava o meu passo atrás de você.
Talvez fosse melhor deixar você ir, esfriar a cabeça.
Talvez fosse melhor te puxar pelo braço, te pedir pra relevar.
Talvez fosse melhor comprar um chocolate.
Eu não sabia o que fazer, só sabia que era péssimo te desapontar.
Eu havia me atrasado e pra variar, meu celular estava sem bateria, nem deu pra te avisar.
Enquanto andava, reprimia a criança chorona que queria se desculpar.
Você pára e olha pra cima.
Eu paro perto e olho pra baixo.
- Puxa, amor, não é a primeira vez...
Eu abro os braços, naquela expressão de que “não tenho culpa”!
Como eu ia explicar todos os fatos que me conduziram até ali e causaram meu atraso.
Parecia invenção, parecia ridículo.
Você suspira.
Eu gelo.
Então você diz – deixa pra lá – e me abraça ali mesmo, no meio da rua.
Eu fico surpresa como alguém que vai morder uma cebola e sente gosto de maçã.
Você sempre desestrutura meu coração e quando me preparo para o nocaute, você me afaga.
Surpresa, te aperto entre meus braços, meio zonza, meio agradecida.
- Quero explicar - eu digo.
- Eu ainda estou chateada..O filme sai de cartaz hoje, você sabia disso.
- Desculpa mesmo. É que as circunstâncias me adotaram.
- Isso acontece porque você tem que se organizar. Contratempos não assaltam quem se organiza, amor.
Quando você fala isso com ternura, você aplaca o desconforto e me faz querer melhorar. Eu sinto que tem razão. Eu sei que tem razão.
- Te devo uma sessão de cinema.
- Não se preocupe! Você vai pagar com juros. Juro!!!
- Ou meu nome vai pro seu SPC!
- Vai sim.
- Eu posso começar a pagar os juros hoje mesmo.
- Sério? E o que você tem em mente?
- Você!
Sorrimos com cumplicidade.
Selamos a paz com um beijo selado.
Nós vamos embora. Você sabe que eu vou explicar o que aconteceu. Eu sei que você vai me ouvir.
Você sabe que vou cometer outros erros parecidos, mas sabe também que vou me esforçar pra não errar. Eu sei que isso ainda te chateia. Você sabe que estou me martirizando por dentro.
A gente sabe muitas coisas a nosso respeito.
*****
Muitas vezes as discussões surgem porque as pessoas reagem ao invés de agir. Não dão ao outro o benefício da dúvida, e logo condenam e sentenciam sumariamente.
A mentira nasce do medo das condenações.
Mesmo a mentira sem necessidade, que oculta fatos que poderiam ser facilmente compreendidos.
Quando agimos (ao invés de reagir), nós controlamos a situação e fazemos com que todos mantenham a serenidade, mesmo que sacrifiquemos alguns sentimentos incômodos.
Isso pode ser recompensado com a sinceridade da outra parte.
As Velhas Novas e Tortas Retas
No núcleo de cada tentativa de retorno ao blog, havia o desejo de algo notável e significativo.
Ocorre que o tempo adiado para o fundo do relógio, roça o pulso e penetra na corrente sanguínea, transformando o sangue venoso em uma espécie de combustível para a realidade. É nisso que a inspiração se esvai. É nisso que dá a intenção de transformar o velho layout em algo novo pra mim e desinteressante pra qualquer ser envolvido no mundo dos aplicativos rápidos e práticos.
As constelações se convertem em espinhas de peixe...
E a palavra se reveste de novo sentido, mesmo que contrário.
Quem ainda lê textos? Surpreende encontrar quem. Surpreende a vontade ainda ser resquício nas impressões digitais dos meus dedos. Estou aqui por mim, mas tenho apreço pelos feed backs.
E é com uma historinha de flash back que ressurjo das cinzas: o passado é cheio de novidades esquecidas.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Origamis
Dezembro de 2013 foi compassivo com suas águas.
Apenas alguns dias de roupas sujas esperando na fila, mas
nada que tenha atrapalhado o trânsito dos pedestres de maneira a emperrar o
circuito inteiro.
Os buracos da cidade já estavam na previsão do mais tapado
profeta do fim de ano.
Sobrevivemos, moço! E eu ainda continuo infame. Isso não
mudou. Só piora com o tempo.
Diluo a palavra e faço outras químicas. Sinto prazer nisso.
Precisei fazer algumas estrelas de origami, para os enfeites
de natal e fiquei tão viciada nisso que pedia informação na rua de propósito,
só para me mandarem dobrar a esquina!
Sério!! Acredito que o pó do papel tenha penetrado minha pele como bezetacil e comecei a querer entender a vida íntima dos origamis.
Sério!! Acredito que o pó do papel tenha penetrado minha pele como bezetacil e comecei a querer entender a vida íntima dos origamis.
Descobri que a mulher origami adora comer dobradinha!
E que os origamis são funcionários padrões e os únicos do
mundo que adoram quando o chefe pede para eles dobrarem! O problema é que não
conseguem vender muita coisa, pois tem o costume de cobrar dobrado!
Não à toa que possuem cães por todos os lados para assustar os mais valentes. Cães da raça Dobrerman.
Um deles me disse que teve um pesadelo. Desdobrou através do
sono e sonhou que era um papel A4 liso.
Esse mesmo se tornou um fã de Star Trek, principalmente pelo fato de Kirk e
Spock viajarem em velocidade de dobra!
Esse origami é meio problemático. Disse-me que um dia estava
tão carente, que entrou num sacolão e achou que o repolho era seu parente. No
mesmo contexto, parou na porta e fez amizade com a dobradiça e só não conversa
com a sanfona porque ela chora muito. Prefere contorcionistas de circo e roupas da gaveta.
E agora, no café da manhã, comendo sucrilhos, penso na efemeridade, no desdobramento dos fatos, em como uma coisa pode se tornar outra de repente.
Sucrilhos barato, imitação, entende? É tão imitação que na embalagem vem escrito “Corn Fake”.
Sucrilhos barato, imitação, entende? É tão imitação que na embalagem vem escrito “Corn Fake”.
No verso da caixa tem um tutorial para fazermos um tigre de papel.
Mas hoje ninguém consegue me dobrar.
Não to afim de fazer nada.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Teste do sofá
A pele do teu ombro é mais macia
do que o assento do novo sofá
Prefiro beijar teu colo
a comprimir minhas nádegas
contra a densa espuma
Encontrei-te nessa vida
e a ele na internet
Tu chegas quando penso
e respondes quando chamo
mas por ele paguei frete
e aguardei por quase um ano
Tu não cabes em mim:
meu tamanho é limitado
Não consegue comportar
a ti e ao amor que sinto
O sofá ultrapassa as medidas
e impede o movimento da porta
Pomposo, aquém dos teus lábios
Centímetros além da parede
Almofadas removíveis e conforto diminuto
Sob o corpo que aconchega
o carinho que ofereço
Ajeitei-te num espaço
e até fomos felizes
É marrom, chenile e duro
mas compensa pelo preço!
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Humanos Melhores
Ou o despertar deles.
Talvez, o último da velha geração tenha nos deixado fisicamente.
E quando esses homens iluminados se vão, parece que o mundo fica um pouco mais escuro...
Mas eu sei que só parece.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
ESTAMOS TODOS TENTANDO
Então você pergunta como estou e eu digo:
- Estou tentando.
E você responde que também está.
Estamos todos tentando
Disseram que não era pra dizer "tentar", que esse era um verbo de perdedores, de quem duvidava do êxito.
Mas sabe o que vejo?
Eu nos vejo vertendo suor, desatrofiando músculos e desenvolvendo técnicas para ter paciência, dinheiro, amor e benefícios. E eu nos vejo caindo às vezes. E depois retornando ao ponto onde paramos e recomeçando.
Eu nos vejo vertendo suor, desatrofiando músculos e desenvolvendo técnicas para ter paciência, dinheiro, amor e benefícios. E eu nos vejo caindo às vezes. E depois retornando ao ponto onde paramos e recomeçando.
Yes! We try.
Chegamos ao ponto de chutar as bases da tenda e ver o mundo definhar, desabar.
Chegamos ao ponto de explodir as coisas, como o Coiote do Papa Léguas, com suas pilhas de TNT.
Chegamos ao ponto de deixar o olho de alguém com hematomas e chegamos ao ponto de nos entorpecermos com pílulas e informações corrosivas ou letais.
E quando chegamos a esse ponto, não fizemos nada por impulso, não chutamos nada, não explodimos nada, não socamos ninguém. Nós oramos, rogamos asas ou colo. Nós pedimos luz.
Quando não tivemos fé no invisível, tivemos ao menos esperança de que valia a pena respirar e continuar.
Somos assim.
Somos assim.
Acionamos um dispositivo interno que reverte os impulsos e os converte em recomeços.
É isso, meu irmão, estamos tentando sim. Não desistimos definitivamente. Tentamos.
Todos os dias são tentativas repletas de erros e acertos.
Todos os dias são tentativas repletas de erros e acertos.
Nas vezes em que falhamos, nós até choramos e lamentamos, mas não cedemos. Nós ainda não cedemos.
Temos suportado os dias no deserto.
Temos agradecido pelos oásis.
Estamos valorizando a oportunidade com a lúcida consciência de que falharemos em algum lugar.
Então não me diga que esse é um verbo de perdedor. Na verdade é uma ideia muito clara e concreta da força que temos para continuar depois da derrota, depois da dificuldade, depois das feridas. Tentamos porque acreditamos que vamos conseguir. A vitória não é utopia para nós.
Tentamos porque faz parte de nossas lutas.
Tentamos porque faz parte de nossas lutas.
Não desistimos do êxito. Nós assumimos os risco.
Se não tentarmos, não valerá a pena levantar daqui.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
O açúcar mais doce
As promessas de eternidade são mais um desejo de prolongar a sensação e os sentimentos de um determinado momento do que a vontade de estar junto a alguém eternamente de fato.
As pessoas são metamórficas e as promessas são feitas quando estão entorpecidas de felicidade e cheias de conflitos ocultos. E a felicidade é tão
transitória quanto nossas palavras.
Ao longo do tempo a gente vai perdendo os movimentos, como
um brinquedo com cheiro de plástico novo que envelhece e é doado junto com
outras sucatas, na esperança de fazer alguma criança feliz.
Com alguma sorte, são doados apenas porque envelhecem ou porque as crianças crescem e mudam o interesse. Basta que o tempo envolva os antigos donos com segredos e novas paisagens para que os brinquedos, mesmo
inteiros, sejam descartados.
O descarte de um brinquedo não tira a importância do passado
em que ele significou muito e nem a eternidade comportada em um sorriso ou em
uma brincadeira de cinco minutos.
Ultrapassando a linha não muito tênue que nos separa das
metáforas com brinquedos e dentro da lógica do Hugo Cabret, é raro chegarmos
aos 30 sem faltar uma peça, ou sem reajustes, up grades ou super bonder
prendendo um braço no tronco ou a cabeça no pescoço.
A gente se arrebenta entre as eternidades e a vida que
transcorre em um universo que parece mais paralelo do que sobreposto, nos posiciona em lugares que não eram nosso destino inicial. A
gente, sem perceber, vai se dilacerando
aos pouquinhos e solta a mão do outro em partes importantes do caminho.
A gente dá a mão para outras pessoas, a gente se aventura e
a gente retorna ao ponto íntimo de partida, procurando sentido para tudo o que
fizemos.
É engraçado como juras antigas se transformam em disputas
jurídicas por filhos, carros, casas ou panelas. Como beijos ardentes podem se
transformar em hematomas no corpo, cortes no peito, sangue vertendo no quarto escuro ou num bar qualquer. Como uma assinatura no
cartório num dia feliz de arroz e amor pode nos deixar apartados e desgastados pelo tempo, pelas mágoas, pelas
palavras que dissemos e pelas que deixamos de dizer. Isso retalha nossos filhos, por mais que seja comum e
corriqueiro.
Deixamos morrer uma coisa bonita e precisamos continuar,
buscar outros significados e outras eternidades para caber numa pedaço finito
do nosso coração. A ilusória expansão desse pedaço finito origina as promessas e promessas não podem ser cumpridas sem que estejamos habilitados e dispostos a fazer a manutenção do amor.
Onde não há manutenção do amor, crescem outras ervas, outras
eiras, outras pessoas, novos conflitos e novos débitos e as promessas são destroçadas, viram pó, adubo para alguma outra flor crescer no solo da desilusão.Onde o amor não é mantido, a eternidade tem a duração de um chiclete sem açúcar.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Vai saber do que se trata...
Se você pudesse explicar tudo não haveriam escolas e liceus ou (meus) que tenho que dividir.
Continuaremos compartilhando nossas vidas, no entanto, sem explicação, onde chegaremos?
Quantas vezes precisaremos bater a cabeça no mesmo lugar para perceber que era necessário acender a luz? O interruptor sempre brilhou no escuro, mas estávamos brincando de cabra-cega e ficamos com um enorme galo na testa ou no cocoruto, uma montanha muito próxima do cérebro, não removível pela fé ou por thiner.
Se você não me fornece a resposta clara e translúcida, mastigada e direta eu vou imaginar uma. E vou acreditar nela. A falta de respostas e posicionamentos, as entrelinhas que existem e as que eu invento criam universos. Vou sempre "achar que", "supor que", "talvez seja isso que", "presumivelmente", "provavelmente", displicentemente o nervo se contrai. ô ô ô ô, com precisão. Uma muito inexata precisão. É um universo obscuro de leis próprias. Leis flexíveis e instáveis como o humor de uma mulher com TPM.
Por que vendem coisas que vão estragar fácil? Que nos farão mais mal do que bem? Vendem serviços e já preparam o setor jurídico para a demanda de reclamações que preveem. Como o papel higiênico. Por que vendem algo que não vai prestar e continuam vendendo, produzindo em massa, esse papel mais indecente que meus orifícios sujos? Isso me sugere muita sugeira, isso não me cheira nada bem...
Que nada, a gente sabe que na vida control+t só existe como comando eletrônico e que super bonder não cola tudo, que as facas guinsu não cortam tudo, que o controle universal não controla tudo, que ninguém sabe de tudo. A gente sabe que cobra o que não é capaz de dar, que a gente explode o que custa a construir e que sempre há um interesse em qualquer coisa aparentemente altruísta que possamos fazer. Queremos vantagens, tickets e desconto nos programas de viagem, ou no pacote de farinha de trigo, mas não sei se vou guardar o maior pedaço de pudim até você chegar. Às vezes não guardo nada.
E também eu já não sei escolher sem procurar no google e não chego ao meu destino sem ligar o GPS.
Na verdade eu nunca soube o caminho, mas agora é mais fácil encontrar.
E continuar errando.
Zé e 1berto, donos das estrelinhas de hoje.
Zé e 1berto, donos das estrelinhas de hoje.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Os ventos às vezes erram a direção
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é colocar as flores numa jarra e a jarra no centro da mesa, a mesa no centro da sala e as idéias em ordem dentro da cabeça.
O importante fica no centro e o acessório em órbita.
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é um filme ao entardecer.
Compartilhar o dia e a mesma vasilha de pipoca, comentar um poema que fala de amor de um jeito que você já viveu.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor não inventar uma acrobacia, uma aventura de consequências previsíveis
de previsão desastrosa
de desastres sem previsão de melhora.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor simplificar o caos e evitar os artifícios e os fogos.
Primar pela luz.
A Terra possui apenas um satélite natural e para nosso benefício é uma Lua de quatro fases que nasce nova, cresce, enche e míngua no final.
Mesmo a lua não vê seu fim após minguar.
Volta, nasce nova, cresce e se expande, expande sem explodir.
A lua sabe a dose certa de encher sem transbordar, de mostrar seu lado escuro e trabalhar as sombras de modo que tudo seja um ponto de vista diferente enquanto nada muda na verdade.
Talvez não seja tão complicado assim.
Saber as frases, viver as fases e recomeçar, enfim...
O importante fica no centro e o acessório em órbita.
Quando o simples já é tão complicado, o melhor é um filme ao entardecer.
Compartilhar o dia e a mesma vasilha de pipoca, comentar um poema que fala de amor de um jeito que você já viveu.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor não inventar uma acrobacia, uma aventura de consequências previsíveis
de previsão desastrosa
de desastres sem previsão de melhora.
Quando o simples já é tão complicado, é melhor simplificar o caos e evitar os artifícios e os fogos.
Primar pela luz.
A Terra possui apenas um satélite natural e para nosso benefício é uma Lua de quatro fases que nasce nova, cresce, enche e míngua no final.
Mesmo a lua não vê seu fim após minguar.
Volta, nasce nova, cresce e se expande, expande sem explodir.
A lua sabe a dose certa de encher sem transbordar, de mostrar seu lado escuro e trabalhar as sombras de modo que tudo seja um ponto de vista diferente enquanto nada muda na verdade.
Talvez não seja tão complicado assim.
Saber as frases, viver as fases e recomeçar, enfim...
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Das coisas comuns e quase definitivas que atormentam nossa inércia e intensificam nossa pulsão de morte.
Eu digo que tenho respeito pelos seres vivos.
Menos de pernilongos que me envenenam e formigas que passeiam
pela minha mesa de trabalho.Sempre tem um açúcar a recolher da xícara de café. Esmago todas elas com o dedo. Uma a uma. O que já é bom, pois em minha crueldade infantil, elas eram incineradas, antes encurraladas por um círculo de álcool. Um inceticídio justificado.
Formigas não temem a morte. Elas possuem um objetivo e muito foco.
E elas voltam todos os dias, buscando já não sei o quê, enfrentando o perigo em sua jornada irracional repleta de feromônios.
Eu sou a cigarra, mas acumulo como formigas.
Os dias estão cada vez mais velozes. Se você entrasse agora
em minha cozinha, veria como é fácil acumular coisas. Acumulo pratos
sujos. Acumulo mais que um castor.
Caixas de leite, potes de coisas, palitos, promessas, planos. A ideia é de usar
tudo um dia pra fazer um brinquedo interessante. Qualquer coisa interessante. Mas os dias se acumulam sem
nenhum brinquedo construído. Ou qualquer coisa interessante.
Só não acumulo dinheiro. Esse consegue fluir em
minha mão como um rio.
Você já segurou um rio com as mãos? Sem o concreto das
represas?
Olho o universo precisando de manutenção. Nada é definitivo
e permanente. De vez em quando alguma coisa estraga, adoece ou cresce demais.
As frutas da geladeira que deixamos de consumir, o sangue que se modifica de acordo com o
que você come, o cabelo, as unhas, a grama do jardim, o óleo do carro, a água
do carro, a roda da moto, a roda da vida. A tinta da casa descolore e faz você
acreditar que precisa de outra cor.
E mesmo que eu pinte a minha casa de laranja crepuscular,
isso não mudaria o fato de eu - não raro - esmagar as formigas que passeiam
pela minha mesa de trabalho procurando o café que já nem tomo mais.
Quanto mais eu perco tempo, mais acumulo o resto do mundo e isso às vezes parece o cúmulo nimbus!
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
There must be someway back
Às vezes dou a impressão de andar entorpecida
cambaleante ou desatenta aos detalhes mais óbvios
de tudo o que se pode tocar
dessas coisas que enxergamos de olhos abertos.
Você quer me trazer de volta
ao universo que nós conhecemos
e eu almejo poderes mutantes
quero ser um x-man, x-girl, um x-burger
um queijo prato.
Mentira.
Não quero ser um queijo prato ou um hamburguer.
Não é esse tipo de comida que satisfaz o mundo.
Eu procuro outros espaços e gosto disto.
Talvez eu flutue e não vou poder fazer você sentir o que sinto
mas posso tentar relatar.
Não significa que eu não aprecie
estar com você no que é familiar.
Não saem chamas de minhas mãos
não leio seus pensamentos
não salvo o mundo com os olhos
Você diz que eu desperdiço a minha vez
Eu sei que poderia lhe amar de uma maneira melhor
e este é um poder tão grande.
Eu poderia amar a tudo de uma maneira melhor
e teria o poder que almejo
sempre que caio ao tentar voar.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Desses dias amaros...
O orgulho é como um milho de pipoca
que sob específicas condições de temperatura e pressão explode.
Tudo o que eu mais queria hoje era morar no litoral.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
NEM OTÁVIO CESAR AUGUSTO...
Aperte nossos corações com as mãos
para que o sangue que verter
possa lavar nossa consciência.
Aperte mais, quebre nossos ossos
e que o pó de nossas dores
integre a química de sua
redenção.
Que assim seja.
Que assim seja.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
--- A SOLIDÃO VAI ME MATAR DE DOR --- (1º da série A 4 MÃOS)
Era um barulho de chave destrancando a porta, antecedendo
aqueles passos curtos.
Era um escuro e frio sentimento a rodear o corpo inerte, a
cama.
Era ela ali, enquanto ele entrava.
Era ela ali, enquanto ele entrava.
Nenhum dos dois sabia explicações, mas ele ainda ousava
questionar.
Já para ela o destino é fato. Se entregaria sem reclamações.
A velha angústia já não existia, pois embora não soubesse como,
há tempos descobrira o porquê.
Ele, aflito, consultava a ciência, a medicina e todos os
pajés.
Sua esposa desaparecia: um dia as mãos, em breve, o braço, o
tronco.
Perdeu a perna esquerda e um dos pés.
A urgência o acometia, queria ter a fórmula alquimista pra desvendar o mal e o reverter, trazer de volta a mulher que havia: era tão mansa e a vida resolvia.
Café na mesa, almoço e jantar. A casa limpa e sempre perfumada.
Os filhos que nunca puderam ter.
Os filhos que nunca puderam ter.
As tentativas e as tentações que ele costumava atender.
Agora tudo isso era nada.
Enquanto ela, nada se tornava. Ali na cama, ali sem ter
razão.
Nenhuma lágrima, nenhum lamento.
Nenhuma lágrima, nenhum lamento.
Ele sofria de arrependimento e ela era a resignação.
O vento veio soprar da janela e dentro dela a solidão
passou.
Era o instante breve e derradeiro:
- Meu bem, farei de tudo o que puder.
Já o silêncio dela era cortante e aquele corpo, esboço de
mulher
Ele dizia, mas tinha certeza que não havia muito o que
fazer.
Tocou em seus cabelos com ternura e lentamente fez um
cafuné.
Ela sentiu certo vigor na alma e seu semblante então se
alegrou.
Pretendeu ele segurar o tempo, confessar os erros e se
redimir.
O tempo nunca para e as confissões não tinham o poder de
reparar.
Era chegada a hora de partir.
A despedida foi um benefício para impedir seu
enlouquecimento.
Ele não soube por um só momento porque a moça desaparecia.
Se soubesse, o que ele faria?
Se lembrasse de todas as vezes em que ele a tornara
invisível.
O seu desdém a um amor incrível e a todo zelo que ele
recebeu, causou na moça estranha doença de sintomas significativos.
Aquele moço entrou em desespero, buscou a cura em todos os lugares,
pensou em morte, em mudar de ares, mas não pensou exato o que devia. A culpa o
açoitava toda noite. O remorso vem durante o dia.
Sua esposa era seu espelho, seu casamento, um tipo de magia.
De novo olhou e ela ia embora. O sorriso desapareceu.
Ele soube o que perderia e pensou em lhe pedir perdão por
não amá-la.
E ela sabia.
Série A 4 MÃOS é um desafio onde alguém sugere o tema e o outro escreve. Nesse texto, a Vã sugeriu o tema e eu escrevi. Eu já a desfiei a falar sobre um contador que na proximidade da aposentadoria resolve mudar de vida... Vamos ver no que dá!!!! Aceita-se desafios!!!
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
SILHUETA
De tempos em tempos faço acordos de paz com o espelho. E de tempos em tempos quebro as promessas.
Um dia resolvi que meu corpo seria respeitado.
Fui fazer natação.
Havia um grupo de bombeiros na mesma turma que eu. Quando cheguei, o professor perguntou o que eu sabia sobre nadar.
Eu disse: Nada
E ele disse: Nade!
E eu nadei do jeito que achei que fosse o certo e até me surpreendi quando uns dois carinhas daquele grupo de bombeiros pularam na água e vieram me puxar pra beira.
- Olhei pra eles com cara de "meu Deus, que isso?", pensando que eu deveria ter nadado muito mal para eles quererem me tirar da piscina.
E eles:
- A gente achou que você estava se afogando! Desculpa, moça.
Onfs.. Que vergonha!!! Minha primeira performance náutica e os caras pensam que estou me afogando.
Persisti, no entanto!
Com o tempo fiz 25 metros, depois 50, 75...
Quando eu estava quase completando os 100 metros sem parar, chegou o natal.
E se as andorinhas voltaram, eu nunca mais voltei para aquela piscina. Por 50 motivos diferentes.
Mas não desisti do movimento. Fiz comigo o compromisso de dar voltas ao redor da lagoa. Levo 45 minutos para completar 3 voltas, embora eu sempre queira ir embora na segunda volta!! O que ocorre, meus caros, é que aquela orla faz pilhagens com os cidadãos comprometidos que circulam por ali.
Tanta gente se esforçando, suando, marcando a pressão e tals e a lagoa, cercada por suas sorveterias, pastelaria e outras rias , ri de todos, debocha dos meus derrames. Sim, sofri um derrame. Tem pele derramando sobre a calça. Derrame sabor pera!!
Se bobear, compro a Michelin. Nem precisa mudar o nome fantasia.
Mesmo assim, nesses cinco meses de caminhada na lagoa, as 6 vezes em que lá compareci foram muito válidas!! Não estou perdendo o peso, mas a disposição some rapidinho. É impressionante.
Agora comecei outra viagem aeróbica.
É um aparelhinho completo, o tal do elíptico, que exercita pernas (coxa e panturrilha), quadril, cintura, braços e glúteos!! Porque no meu pacote tem que estar escrito: Contém glúteos!
Pensei: Movimentar esse tanto de coisa em um único aparelhinho é funcional e prático demais, gente!! E dentro de casa. É nisso que vou!
Comecei toda animadinha, tendo como meta não me esforçar demais no início.
- Vamo na humildade. Meia hora tá de bom tamanho por hoje!!
Então lá foi eu, disposta, atlética, querendo endorfina circulando dentro de mim.
E então o tempo veio me sacanear.
Estou lá no esforço gigantesco, bufando, ofegante e penso: Já devem ter se passado uns 20 minutos...
Visualizo o relógio: CINCO minutos apenas, constatei incrédula. 5?!
Quando deu 10 minutos eu queria água.
Deu quinze eu queria tempo pra descansar.
Deu 16, comecei a querer minha mãe!!
Deu 16, comecei a querer minha mãe!!
E minha personal mais que particular dizendo: Vamo, vamo, não para.
E eu já queria chorar.
20 minutos???
- Ah, fala sério. Esse relógio quebrou. O ponteiro agarrou no 20.
- O relógio é digital, Michele.
- (...)
- Ah, fala sério. Esse relógio quebrou. O ponteiro agarrou no 20.
- O relógio é digital, Michele.
- (...)
Naquela altura, eu já começava a ter vertigens, ter visões de primavera. Acho que cheguei a ver os ursinhos carinhosos...
Juro que se eu estivesse sozinha, teria parado, mas a personal recitava o mantra do vamo, vamo!! Só vai parar nos 30 minutos. Vamo, vamo.
Olhei de novo o relógio: 21 minutos.
Comecei a querer que a hora passasse no grito e acho que cheguei a acreditar que passaria mesmo.
Por segundos eu gritei: Passa, idiota, passa.
(Pensa, chamar o tempo de idiota...)
Por fim, deu 22 minutos.
Tirei as mãos, fiquei movimentando somente as pernas no aparelho.
Personal olhou, voltei com os braços e mãos.
23 minutos.
Parei e respirei. Manifestei meu desejo de desistir. Desejo indeferido!
Ela tirou o relógio de perto de mim.
Comecei a contar o tempo mentalmente. Quando deu 30 minutos e tive ímpetos de festejar, ouvi a frase mais intimidadora do dia:
- Continue aí. Você parou muito, perdeu o ritmo. Mais 1 minuto para compensar. Vamo, vamo.
Aí eu corri. Nó, que raiva. Aumentei meu ritmo, acelerei, quase deu um curto circuito em mim.
Quando parou, nem havia mais alegria. Saí do aparelho, disse à personal algumas palavras sem nexo, porque a língua enrolou na boca, dei alguns passos e desmaiei.
Desmaiei mesmo, que nem o cachorrinho chihuahua do meu amigo Renato depois que cruzava com uma pinscher. Ele colocava a língua pra fora e desmaiava!
Quando recobrei a consciência, determinei que 15 minutos talvez sejam suficientes amanhã.
Ou presenciarei o apocaelíptico!!!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A RODA DO OLEIRO
Hoje são mais teclados e dispositivos.
São mais horários e menos tempo.
A massa aumenta os números gradativamente.
Já não são os mesmos sonhos.
Mas a coisa humana de compartilhar o mundo,
de fazer conexões entre a minha, a sua, a nossa energia,
continua sendo a causa e a consequência
de tudo o que faz sentido
quando cessam as explicações.
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