quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Diz pra eu ficar muda...


(...)
Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita
Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam

Meu corpo não é tão real
Eu ando, eu ando,
Eu ando por outros mundos

Meus desejos não são simples
Eu sonho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível.

Eu falo baixo
 coisas pequenas
 pra pouca gente
Mas procuro sempre

A palavra forte!

Todas as estrela para a Paula. A Toller!



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resistir


Já não estamos em condições de sucumbir.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Inquietude

Sim, as pernas estão inquietas.
Movimento frenético do músculo à minha revelia, enquanto revejo os porquês, enquanto eu lia e leio, penso e escrevo.
Enquanto meu corpo conjuga verbos, a perna subjuga o corpo, autônoma ou manipulada por alguma emoção menos doce que não pude digerir.
Talvez eu não tenha notado e então perna avisa: menos café, breve respiração, encontre a rota que leva ao litoral da razão e a força que acalma o mar. Depois gire o botão de reajuste e concatene os movimentos.
Sempre é algo faltando por dentro, ou vibrando de ponta cabeça se o corpo vomita espasmos.

A cabeça é quem me cobra
É quem traça a via calma
Tenho nada além de mim
Meus desejos viram anseios
E a certeza que este fim
Justificará os meios.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Eu não tenho mais medo do escuro


Agora eu era o herói sem batalhas sangrentas ou cavalos poliglotas.
Enfrento outra natureza de adversários e reverencio os alemães por todas as coisas belas que eles trouxeram pro mundo.
Já não acho mais que a gente seja obrigada a ser feliz por hoje ou feliz para sempre...
Só não se pode perder a ternura.
Escutei a vida no meio do frio que fazia ali e ela me contava uma história. Uma história que insisti em procurar n`alguma linha da minha mão, sem sucesso. Não sei ler as linhas inscritas em mim, o que dizem, o que ocultam tão obviamente na superfície da palma.
Também não sei te dizer quando foi que parei de acender todas as luzes da casa para andar de madrugada até o banheiro.
Eu simplesmente estava ali, sem orações, sem aflições, no escuro.
Olhei a foto de um bebê e constatei que eu já nem tinha mais tanta vontade assim de ser mãe. Houve um tempo que até doía não ser.
Parei para tentar ouvir as células em movimento no meu corpo, transformando quem eu era na mesma pessoa de sempre.
E sabe o que eu ouvi? Meu estômago.
Ouvi também o ponteiro do relógio se movendo, ouvi algum móvel estalando e possivelmente o barulho dos fios que se embaraçam sozinhos na calada da noite. Com esses ruídos, um sorriso de Monalisa foi esticando minha boca, me fazendo reverenciar o presente, porque nesse momento eu não tenho mais medo de escuro.
A parede que era branca, agora é azul.
A mesa da copa é outra e até o quadro mudou. As lagartas mudam, os girinos mudam.
Abri um livro ao acaso, consolando a insônia. Havia um papelzinho dentro, algo de Luther King, um pequeno afago nas coincidências da estrada:

"Nós não somos o que gostaríamos de ser.
Nós não somos o que ainda iremos ser.
Mas não somos mais quem nós éramos."

Os azulejos do banheiro são os mesmos do tempo de minha avó.
Mas eu, com certeza, não sou.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Fios de Açúcar

Pois é...
Lá se vão os anos.
Quase ninguém mais entra em blogs desconhecidos e a gente anda aprendendo outros mundos e escrevendo em outras telas.
A gente anda vendo as estrelas, culpadas sem julgamento justo.
E o mundo cada vez mais tão cheio de gente que mantém o equilíbrio matando seu igual. Malthus, não se preocupe. Estamos cuidando de tudo aqui, como um irmão adolescente olhando o bebê para os pais saírem. Confie em nós. Vai dar certo.
Olha pra mim, aprendi a fazer fios de açúcar num tutorial de confeitaria.
E eu adoro tutorial de confeitaria! Aprendo como fazer doces que eu nunca vou fazer.
Eu não sei que tipo de gente eu sou.
Se eu não fosse eu mesma, será que eu seria outra pessoa?
Se eu chamasse Fernanda, seria mais pessoa que o Fernando?
Se eu parasse de fazer trocadilhos ruins seria uma pessoa melhor?
Enfim, a vida é doce, mesmo se você não clicar num tutorial de confeitaria.
Ela é porque é, até quando não é!
Havia tanto pra entender... A via láctea... 
E se a via láctea ferver, então teremos leite condensado cósmico para o deleite de Deus e de suas criaturas habitantes daqui...
E do entorno!

Feliz 2015!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Buracos na pista


Não sei se você já sentiu isso...
Como se houvesse um buraco negro dentro de você sugando toda a matéria e a antimatéria, e tudo o que for mais efêmero que o éter.

A revisão da vida inteira não faz tanto sentido quando acontece em poucos segundos e sem anestesia. Nem os prazos, os compromissos, a hora que passa e a dor mais pungente que doeu na semana passada têm significado.Você tinha gases e o resto de mertiolate no vidrinho... Mas não adiantava. Estava vencido há 3 meses e a ferida urgia.

A fenda do universo se amplia e você se lembra do dia em que sonhou que estava nu e acordou suando no meio da madrugada. Com tanta coisa pra se lembrar, você retorna a um momento tão desbotado e inútil que chega a ser um pouco patético.

Você se lembra daquelas figuras psicodélicas do Windows Media Player que te sugavam enquanto você ouvia Like a Stone do Audioslave e tentava formar suas impressões acerca do amor e da guerra.

Você se lembra de quando matou uma aula inteira pra ficar sozinho, sem fazer absolutamente nada na quadra em construção da faculdade, tentando trazer alguém para perto com a força do pensamento. E você errou o alvo.  Meu Deus, as paixões comuns fazem mesmo um estrago na gente e nem compensavam pelo tempo que duram.

Você se lembra de quando errou o caminho de volta pra casa e caminhou pelo escuro, rezando para chegar vivo e inteiro.

Quando recobra os sentidos, por uma força racional que te obriga a  manter o controle, você lamenta não ter se lembrado dos episódios onde tinha companhia, alegria e fogos de artifício.

É incrível como às vezes estamos sozinhos e eu lamento que o buraco esteja nos sugando e eu não posso te dar a mão.


Feliz Natal!

And on I read
Until the day was gone
And I sat in regret
Of all the things I've done
For all that I've blessed
And all that I've wronged
(Like a Stone, Audioslave)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ploc

Se vendessem somente a poupa da jabuticaba (sem o caroço) em um copinho pra comer de colher, talvez eu não apreciasse tanto assim a fruta.  Eu gosto do "ploc" na boca.
Algumas coisas são assim, precisam do rito, do processo e do esforço para serem apreciadas e despertarem o ploc do gosto que pode haver em tudo.
O sabor nem sempre está na coisa, mas no todo ao redor.
... e se o sal for insípido, com o que se há de salgar?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um minuto avulso dentro do dia

Você sabe que eu me perdi.
Demorou tanto para reencontrar o caminho, que quando comecei a avistar as placas que indicavam nossa cidade, eu já era outra pessoa.
Você me reconheceu por alguns traços inconfundíveis, desses que nem o tempo e nem as circunstâncias depreciam ou transformam.
Mas eu sei que você olhava com desconfiança, como se eu estivesse sob torpor temporário ou interpretando alguma das minhas novelas imaginárias.
Não...
Era aquilo e só.
Eu era um produto, um resultado ou um "resto ou diferença".

Fiquei me sentindo como se me faltassem partes.
Estranhei as partes novas (...), no entanto é como dizem:
"Com o tempo a gente se acostuma."

Vejo as horas no rodapé da tela enquanto as músicas dos anos 80 me reconduzem ao presente.
O tempo não perdoa.

Quando os elétrons que orbitam todos os meus átomos desaparecem, pra onde será que eles vão?

Quanto mais eu demoro nessa janela, mais atrasada fico e a consciência do atraso não me faz mover quase nenhum músculo.

Procuro sustentar a lógica e encontrar qualquer pensamento que seja linear. Quem sabe eu possa ao menos ter a desculpa que preciso pra justificar minha ausência na sua caixa de e-mails, emitindo alguma nota fiscal ou na constância dos contatos?

Na verdade, nesse momento eu sei de tão pouca coisa.
Mas sinto coisas demais.

Ouvindo A-ha

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Querida Clementina,

Rsrs!
É engraçado como alguns comentários são tão genéricos que chegam a ser universalmente tolos.
Dá vontade de falar:

Nó, mas que chatice pedante, isso!
Tenho ouvido por algum tempo que os eleitores de Dilma são sem critério, são burros e manipulados. Não sei como...



Com toda a mídia detonando o PT, potencializando os escândalos de corrupção e praticamente impondo o voto em Aécio, declarar voto em Dilma é quase remar contra a maré da opiniões!
Porque parecemos burros? Por não sermos guiados pela mídia opressiva e partidária? Por fazermos uma análise comparada com o mundo e concluirmos que o Brasil deu dignidade a quem não tinha nem comida? 
Eu sou eleitora de Dilma e eu tenho critérios. Critérios cuidadosos.
Não sou beneficiária de nenhum programa de bolsa do PT, paguei minha faculdade até o fim com o meu suor e o de meus pais, não recebo bolsa nada... A que eu tenho foi R$69,90 comprada pela Gabriela na Net Shoes. Ninguém precisa comprar meu voto. Eu dou de graça!
De tanto ouvir bla bla bla, fui ver quem são os eleitores famosos de cada candidato: Entre os do Aécio, estão artistas burgueses, cristãos conservadores e cheios de fobias, empresários e alguns esportistas, principalmente a galera do MMA, como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Alexandre Frota, cabeça falante do Bom Negócio!!!
Entre os eleitores de Dilma, estão Chico Buarque, Marieta Severo,  o maestro John Neschling, Ivan Lins, Osmar Prado,o cartunista (ou a) Laerte, Gregorio Duvivier, Emicida, Miguel Nicolelis, apontado pela revista 'Scientific American'  como um dos 20 maiores cientistas do mundo, toda a banda Nação Zumbi, a banda Teatro Mágico, Leci Brandão, Luiz Fernando Veríssimo, Chico Sá, o diretor de cinema e roteirista Kleber Mendonça Filho e outros cineastas, além dos votos que foram criteriosamente da Luciana Genro no primeiro turno. Não estou afirmando que não haja eleitores intelectuais entre os do Aécio, mas o rol que fiz acima, garanto, não elenca burros e incriteriosos. São algumas das melhores mentes do Brasil.
Se o Aécio vencer essas eleições, vou torcer muito por ele, porque torcer pelo governante é torcer pelo país. Ele terá minhas preces, não meus votos.
Não dá pra definir a competência de um candidato pelos seus eleitores. Não dá pra dizer que num país da dimensão do Brasil os eleitores de determinado candidato possuem características homogêneas e nem tem sentido nos indispormos com nosso irmão porque nosso voto diverge.
Mas ficar ouvindo pessoas generalizando e dizendo que eleitor do PT é burro enquanto o óbvio faz o passinho do Romano em nossa frente e ninguém vê, é demais.
E isso já encheu o saco.

Só pra constar -  uma opinião de fora:


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

It`s all right!!!


O jeito que o mundo se move, parece que quer me cobrar.
Não era só te encontrar e termos filhos, salários bons, planos de viagem, alguma beneficência e uma rede na varanda!
Precisava ter uma opinião sobre as coisas e lutar por elas. Conquistar o impalpável.
Não era só ter um ponto de vista e decidir ler um romance alemão.
Era suar e defender um argumento contra qualquer cristão branco conservador que prefere impor a paz no corte mais profundo da dor dos outros.
No fim, quem impõe a paz quer mais é vender seu produto do que ganhar uma flor.
Parece que agora, lá fora, o Brasil é uma ilha a milhas e milhas de qualquer lugar.
Nessa Terra de Gigantes...
A gente gosta de água de coco e futebol (eles mais que eu) e chegam eles (os outros, mais que nós) com todo esse sangue e miséria, esses vídeos cheios de carnificina, tornando ridiculamente tolas minhas reclamações sobre as espinhas que nascem fora de hora no meu rosto.
Pesquiso o preço do peeling e na outra janela leio que vai faltar água.
Confiro a tabela do campeonato brasileiro pra ver se meu time continua líder (e eu nunca assisto aos jogos) enquanto na página ao lado crianças morrem, a presidenta é taxada por querer o dialogar e ao meu redor as pessoas sabem menos o que dizem e enchem a atmosfera de palavras e discursos estúpidos que me dá vontade de comer muita jujuba. Eu, que estou evitando doces. 
Que droga, eu tenho um pensamento contrário e já não posso mais viver no "deixa fazer, deixa passar". E olha... Eu bem que queria.
Lá no Haiti o povo come biscoito de barro e sal enquanto aqui eu fico irritada por não ter dado tempo de ir à academia queimar toda caloria que o supérfluo injetou em minhas ancas.
Só que do jeito que o mundo se move, após todas essas décadas, parece uma afronta não ter nada a dizer sobre tudo, mesmo que eu mude de ideia em outra cena ou que o acento agudo caia da ideia e dos ditongos orais e seja apenas uma cadeira na sala de estar, onde eu nunca estou.
Mas sabe, cara? Bem que os palestinos deviam considerar fazer uma festa de confraternização e se integrar logo de uma vez como o Hamas. Dançarem juntos e celebrarem novos tempos.
E os Turcos, os curdos, haitianos, indianos, o povo de Hong Kong, a Dilma e o Aécio, os gremistas, eu e o Levy, o galo e o cruzeiro, nós todos!
Aff... Toda essa coisa bélica -  nesse momento - para mim não faz o menor sentido, por mais que eu me esforce para entender as razões de cada um...
E essa razão que muitas vezes nem me serve pra nada? 
Nada, não vale nada, e morre afogada por mim...
Bom mesmo é cantar, se quer saber...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Um toque

Ele olhou o vídeo mais 2 vezes.
Eu já não aguentava mais olhar minha imagem gorda e hesitante na tela e
nem conseguia entender porque voltava na mesma cena.
Então ele disse:
- Quando você for fazer a coisa, faça a coisa.
Aí eu entendi. E me entendi.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Não caçoei.

Pequeno, eu ri de boa fé quando você disse que Deus ligou o ar condicionado.
Eu sempre soube que sua mente era sabida e toda vez que eu rio, mesmo que você crie verbos, é por admirar isso!
: )

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Primavera

Sim.
Me deu vontade de arremessar longe o celular...
Mas eu estava no jardim e as orquídeas brotaram tão bonitas...
Então eu fui ver se ainda tinha café.
: )

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

90 segundos


"Tenho 62 anos e, pelo o que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. Digo mais. Desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. É feio dizer isso. (...) Como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto e vá acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo (????????????? Não entendi? - Grifos meus)  Está certo!. (...) Eu, como presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está, mas jamais estimular a união homoafetiva.

O Brasil tem 200 milhões de habitantes, daqui a pouquinho vai reduzir para 100 [milhões]. Vai para a Avenida Paulista, anda lá e vê. É feio o negócio. Gente, vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los. Não tenha medo de dizer que sou pai, avô, e o mais importante, é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá."

(Resposta de Levy Fidelix à pergunta de Luciana Genro no debate com os presidenciáveis na Record dia 28/09/14.)

Game over, meu caro!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Existe e incomoda

Não...
Não foi o que você disse que está me incomodando.
O que você disse eu até entendo.
Mas tem essas outras coisas, sabe?
E aí eu não durmo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

SOBRE A PONTE

A gente sente essa força contrária querendo nos arrastar aos vales,  
querendo nos ver rastejar agonizantes e semimortos...
Essa força faz parte das mesmas leis que regem nosso encontro, 
nossos primeiros olhares e encantos.
C'est la vie!
Talvez seja assim: a vida te oferece duas mãos ao mesmo tempo.
Um te empurra, a outra te levanta.
- O que você quer da vida?
Isso é muito mais do que uma pergunta de "mês/castigo".
Isso é uma placa de neon na encruzilhada esperando você se decidir.
Estamos observando as estrelas, 
deitados sobre o amontoado de decisões que já tomamos.
Olho para nossa história, para todo o sangue que já derramamos e mesmo com tantos tropeços e intervalos torpes, 
hoje nós somos outros e somos melhores.
Ainda temos as velhas espadas, mas preferimos estender as mãos, 
evitar a guerra.
Eu sinto orgulho de nossos passos até aqui.
Quando eu te olho, sei que você é meu irmão.
Sim, a gente já caiu, cara! 
Já quebramos nossos ossos nessas quedas, 
só que agora acredito que estamos suspendendo os pés, 
dando pulinhos para alcançar a mão que nos ergue.
A gente vai pular e saber que não há como sair vivo daqui, de qualquer jeito.
E nem há como morrer - de qualquer jeito.
A gente esforça porque sabe que apenas nos resta continuar.
E então continuamos.

It's hard to believe that there's nobody out there
It's hard to believe that I'm all alone
At least I have her love, the city she loves me
Lonely as I am, together we cry

(Under the bridge - RHCP)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Infinitude...

Era o limite do mundo que ia desaparecendo aos tiquinhos...
Se eu apanhasse os restos que ficaram flutuando no ar, 
juntaria um punhado de bordas na palma da mão
e ficaria com medo de ter tanto espaço em volta
e ter por dentro, meus planos arredios, meu tempo escasso.
O horizonte ficou distante só mais um pouco,
mas a estrada, agora eu conheço.
Volto pra casa e  posso passar de novo depois
até decorar o caminho e tomar impulso pra ir mais adiante se der vontade.
O problema é a vontade que não dá e não empresta
não vende e não aprova se eu pedir uma prévia,
um relatório denunciando os obstáculos lá na frente.
Enquanto estou sozinha aqui, vendo o desamparo da ampliação,
sei que o mundo é cheio de gente circulando
habitando os lugares, fazendo filhos, tendo filhos,
matando filhos alheios ou soltando pipas.
Agosto acabou, mas os moleques estão pela rua:
linha, seda e bambu, como se a felicidade dependesse disso.
Uma pipa tem a sabedoria impregnada de romper.
... E eu aqui tentando reter com as mãos os limites do mundo
que por alguma lei que desconheço não para de se expandir.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

SERVIL. LIVRES. OU VICE-VERSA

De vez em quando sinto uma flechadas. Meu peito dói e deseja alento.
Se eu fizer silêncio, consigo sentir o sangue escorrendo por dentro.
Respiro o indivisível sem alívio imediato. 
Nenhum ato parece trazer ordem ao caos
Caos me quer? Bem me quer.
Talvez eu morra.
De medo. De Vergonha. De sono.
A dor, A roda, Adora.
É tanta palavra em decomposição
que recompostas, dispõem novos sentidos ao que antes era o olvido*
e que hoje é surda audição.
Reverta a ordem e verá os mesmos resultados:
o ovo, mirim, o radar
Entra ano e sai ano, depressão nunca é o plano na geologia das vivências.
E nós sabemos: Muita coisa não sai conforme o plano...
Tem as ladeiras das cidades históricas e a arqueologia do sentimento comprimida numa declaração de amor sem sinceridade.
Curva em declive, líquidos, diáfanos e sólidos.
Por um segundo é a solidão quem desfere os golpes, as flechas.
Vamos quedar nossos braços no esforço da força maior?
Quem sabe não consigamos um fragmento da vitória?
Quem sabe, não conquistemos um pódio integral?
Quem sabe a gente não se indisponha com a derrota.
Não foi o GPS que indicou a rota certa com quilômetros a mais?
Nós chegamos. Não foi?
Não é o destino que importa? Ou será que não?
O que importa? Come torta.







Vamos ferver a solidão na vasilha de fazer o café.
E ela vai evaporar, vai difundir na cozinha alguma canção em La menor e fundar um município na parede engordurada.
Você não liga para as paredes, porque esses calos deixaram a pele insensível.
A pele que reveste o senso.
Essa insensibilidade não sai com perfex ou detergente.
A gente desenvolveu isso pelo caminho, os calos, a pele de paquiderme, os cravos, a unha encravada, seu nome cravado na bala sem doçura e sem papel.
E então? Como é que faz pra ter de novo aquela sensação de ser a Meryl Streep na cerimônia do Oscar?
Quando eu não sei o que fazer, me sinto um número reduzido depois de todos os noves fora.
Então faço uma banana pro nada, ou pro espelho.
Já encurralou uma formiga com água? 
Não tem saída por aqui.
Só se a gente voasse...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O ENCAIXE DO CORAÇÃO


Adoro caixas. Na última arrumação do quarto, precisei me desfazer de muitas caixas vazias que eu guardava para um dia guardar alguma coisa dentro delas, ou utilizá-las de enfeite de natal, no próximo natal.  Sempre quando o "próximo natal" se aproxima, eu nunca tenho tempo de enfeitar as caixas e então elas se acumulam vazias no armário.

Sinto alegria quando o moço do Sedex chama na porta e me entrega qualquer caixa, de qualquer tamanho. O que tem dentro pode até não ser pra mim, mas se a caixa puder ser minha, vou gostar. Se você puder me deixar abrir sua caixa, já será um prazer.Eu vou adorar ter mais uma caixa, porque ela é um universo de possibilidades!!! Significa uma expectativa boa, como comprar um notebook com memória de 100 terabites. 

Todas essas caixas vazias que continuaram em meu armário após o último rapa, denotam o acumulador voraz que mora dentro de mim, fruto de um cruzamento meu com o capitalismo genérico que me faz querer coisas sem sentido, sem utilidade ou desnecessárias. Acumulador que vem me desfazendo pouco a pouco, a cada caixa de par de tênis feito por crianças da Indonésia e eu sequer me compadeço com já fiz um dia, a cada vez que não detenho nem controlo meus cliques com senso ético diante das telas de LCD, que desconstrói uma Michele e remonta uma outra, com partes que talvez eu nunca tenha desejado que se encaixassem em mim, mas que agora me descrevem.

Num rápido escaneamento do que me tornei -  lendo notícias da vida de famosos e preterindo filmes do leste europeu - sinto a angústia de ter sido encaixotada, não como a Helena do filme, mas como todos nós, nessa caixa espaçosa e confortável, onde só é suportável existir se nos entorpecermos de drogas lícitas e ilícitas, de informações, de cliques por segundo, de paixão, de razão, de códigos de barra e de anestesia.  Quase nada tem nos bastado. Nos tornamos verdadeiros adictos.

O que não aniquila a esperança é o “quase”. Talvez essa seja a lacuna onde eu possa encontrar a peça que reverta o processo e me faça reaprender a pensar, que destrua essa preguiça consumista que me consome através dos anos. Envelheço e finjo que mudo o mundo enquanto na verdade estamos paralisados ou nos movendo em slow motion, infectados de insensatez até a última célula, tirando uma selfie sobre a derradeira caixa de um ex possível futuro presidente morto.

Cabe muito delírio num espaço pequeno.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

CAJU

Quando é que a gente começa a soltar as mãos, deixando o tempo encaixar outras peças?
Onde é que a pressa faz pressão e o passado dá volta e recomeça?
Se você soubesse que é possível fazer ao contrário e colocar mais cor dessa vez...
Qual é o ponto exato onde ficamos desconhecidos?
Dá pra marcar no mapa?
Onde é que fica a caixa de segredos que a gente começa a colecionar?
E onde é que dói agora?
Existe um lugar no tempo onde era fácil saber como fazer você sorrir.
Contar uma história e tomar sorvete antes de dormir
...pra tudo ficar bem.
Mas hoje estamos aqui no limiar de novos portais, do seu portal!
E nós sabemos que você pode suportar!
Não sabemos muito...
Mas podemos tanto, tanto.
Se confiarmos em nossos pedaços
E juntarmos tudo enquanto sorrimos,
Inventando a cada passo o jeito certo de andar,
Quem sabe a felicidade aconteça até que paz se estabeleça em nosso lugar?
Não temos Paris, mas temos refúgio, grades brancas e um cachorro branco.
Nós temos você, Precioso Astronauta de Memphis!
Temos um reino com dialetos e você tem a Rainha como aliada.
E um fiel escudeiro cheio das desmedidas do mundo!
E você tem a mim.
Onde você for, blackbird, saiba que iremos contigo
Que estamos contigo mesmo quando se sentir só e sombrio.
Porque é pra isso que existimos também.
Para estarmos juntos e aprendermos a voar
Sabendo que é o sol que determina os horizontes!!
É o Sol!

Feliz Aniversário!!!!

Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise