segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A perna adormecida

Num reino não muito distante daqui, onde os passarinhos assobiam o início de Patience
e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box,
vive uma não tão bela plebéia. Não, não, não...
Vamos mudar esse início:
Numa república federativa não muito distante da Bolívia ou da Argentina, ou do Paraguai,
onde os passarinhos assobiam Tico-Tico no Fubá e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box (resolvi deixar a parte do banheiro aqui!), vive uma razoável cidadã. Razoável? Que adjetivo é esse?!
Ela não tem madrasta má e não há bichinhos para o caçador arrancar o coração. Nesse lugar, a perversidade é camuflada, mas consegue-se ter uma harmonia apesar de tudo.
Certa perversidade existe nos padrões. Era uma república, era necessário estabelecer padrões para que os cidadãos soubessem por onde andar, o que fazer, onde fumar, onde trepar, essas coisas... E nós sabemos que quebrar padrões é se tornar diferente do resto ou de certa forma ser mais ou menos do que os outros que estão dentro do que se espera. É assim que surge o louco, o marginal, o gordo, o feio, o inadequado, as minorias.
Bom, mas essa razoável cidadã não queria saber nada dessa coisa antropofilosófica. Ela queria era caber naquela calça número 42. Estava sem entender porque a 40 não serviu, porque não passou nem nas coxas. A 42 não fechava o zíper direito, nem murchando a barriga. Comprou a 44 pensando que aquilo era absurdo. A calça número 44 nova tinha a cintura menor do que aquela velha que estava usando, número 40. “Poxa, deviam padronizar geral”. Lá na loja, enquanto ela dizia “Isso aqui não ta certo”, a vendedora respondia “É que depende da fôrma”. E ela em pensamentos “Que fôrma é essa que quer colocar todo mundo em forma de Barbie?”
Mas ela saiu da loja mais ou menos feliz com sua nova calça número 44. Fingiu que não ia se importar, mas chegou em casa com fome e comeu só maçãs. Agora estava numa dieta dessas por conta própria, à base de maçãs.
Finalmente chegou o dia em que a calça entrou confortavelmente. A nova calça número 44. Iria valer a pena, pois nos últimos dias ela vinha sonhando com frangos assados dançando Can Can sobre a mesa, espaguetes enroscando em seus braços, bombons fazendo passinhos de pagode... (A fome é má conselheira!!hehe).
De calça nova ela foi ao encontro do príncipe, aliás, do razoável cidadão. Ele demorou um pouquinho pra chegar no lugar marcado. Ela esperou se entretendo com um joguinho de celular
e nisso sentou sobre a perna e ficou lá. Calça skinny, perna dobrada, ele chegando...
Quando ele veio, ela se levantou depressa, mas a perna não acompanhou e foi inevitável o tombo. Não teve glamour nem cavalo branco, só a pequena tragédia. Ploft! "Ãin"
“Cê ta bem?
“Claro que não" pensou ela, "morrer é melhor”
Mas o que ela disse foi outra coisa: “ Tô sim. É que minha perna ficou dormente”.
Então ele veio com aquela mania que as pessoas têm de ficar esfregando a perna adormecida dos outros, até aquela caimbrinha passar. “Formigou?”, ele pergunta.
“Pára com isso, ta doendo”.
Mas ele insistia. Depois que passou o vexame e o formigamento, ela riu do próprio tombo, pensou em como aquela calça apertava a batata de sua perna e disse: "O filme vai começar daqui a pouco". Ele se desculpou pelo atraso e juntos foram felizes para o sempre que cabia entre aquele ponto e a sala de cinema.
Mas antes fizeram uma parada.
Hoje ela queria Milk Shake de Ovomaltine! De 500ml.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Com os lábios e com o coração

Estamos na ponta inicial do século XXI.
Não. Não há carros voadores, não há teletransporte ainda e mal chegamos na Lua.
O pequeno passo para o homem parece ser ainda o pequeno passo, apenas a expectativa do grande salto que a humanidade virá a fazer. Temos essas coisinhas cibernéticas, somos modernos, temos as facilidades eletrônicas, as tecnologias de ponta, todo o desenvolvimento científico e mesmo assim as coisas invisíveis ainda nos assombram, sejam fantasmas ou vírus.
Mas o que mais tem me assombrado é o encaixe imperfeito das teorias e das práticas. Como disse o Cazuza: Quando as idéias não correspondem aos fatos. Estou falando do ser humano intolerante com as diferenças e com os erros alheios. A música Gospel está em franca ascensão. São pastores, são fiéis, artistas convertidos lançando Cds. Em cada canto do país tem um padre cantando. Eu cheguei a achar que era muita mercantilização das coisas de Deus, mas hoje penso que se a mensagem toca a pessoa, se a mensagem transforma, então está valendo, embora muitas vezes o cantor chame mais atenção do que a música (!). No filme Stigmata, a mulher em transe diz: “O mensageiro não importa”. Era pra mensagem importar mais que o resto, mas enfim... Ouvimos louvores em diversos ritmos, em funk, em pagode, em forró, remixado. Até no carnaval tem axé carismático. O mundo não devia estar bem melhor? Se os caras vendem tanto CD, se os shows lotam, as pessoas não deviam estar inundadas de algo divino? Eu não estou falando de santidade. Falo das coisas simples como respeito, tolerância e amor. Coisas que o próprio Jesus fazia. Ele dizia que os sãos não precisam de médico. Era cercado por prostitutas, homens rústicos, cobradores de impostos (que não eram nada bem vistos na época) como o agora tão famoso Zaqueu! Ele dizia que atirasse a primeira pedra quem não tivesse pecado, e hoje o que vemos são “nobres fies” julgando e pior, condenando sumariamente o seu próximo.
Gente, quando Paulo era Saulo, matava pessoas inocentes, até que um dia se tornou Paulo, o apóstolo. Francisco de Assis, quando ainda era Giovani, aproveitava a vida como qualquer garoto da sua idade. Sidarta Gautama, era alienado dentro de seu palácio real.Só depois se tornou Buda. Tudo segue um curso devido na vida. Cada um tem seu momento de despertar. O respeito mútuo é dever de todo ser humano, porém, com aquele que repete as palavras do Cristo, ele é necessário, até porque “Muito será cobrado de quem muito recebeu”. Respeito às limitações, às fraquezas, às escolhas, ao modo de vida. Silêncio em relação às mazelas do próximo (Falo da fofoca.). Oferecer compreensão e auxílio quando a pessoa revela seu erro e não reagir com posturas radicais que condenam e segregam. Sim, porque quando aquele que sofre chega até nós, pode ser que ele esteja procurando a última estaca pra se sustentar. Se não lhe oferecemos isso, ele se afunda no erro e ali teremos também nossa parcela de culpa. De onde já se viu isso? Como se os padres, os pastores, os rabinos, os sacerdotes, os palestrantes não tivessem também um arsenal de erros... Como se fôssemos perfeitos!
Isso não significa amar o erro, mas amar o outro.
Este povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim... Frase de Jesus. Faz tempo que ele disse isso.
Faz tempo que repetimos as mesmas posturas.
Que nossos corações possam se aproximar mais do divino não só com louvores, com frases, mas também com exemplos, amando quem está do nosso lado, amando aquele que sinaliza um problema, amando sobre tudo, como atitude.
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Michele acha religiosidade mais importante que religião. Religar-se com o que é superior à nós qualquer ser humano consegue, seja ele ateu, a toa, beato ...
Mas a Michele (mesmo submersa em defeitos e fraquezas) acha que as idéias devem corresponder aos fatos. Se a pessoa prega o amor, ela deve ser capaz de amar. Com atitude.

sábado, 22 de agosto de 2009

All we need is love!!!

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"A arte deve ser o Belo expressando o Bem"
André Luiz
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Eram outros os planos para sábado à noite, mas a crise de tosse me fez ficar quietinha em casa, principalmente porque é dia de ventania.
Hoje ventou pra caramba e ainda venta madrugada adentro.
Ficando em casa, comecei a ver o Criança Esperança.
Nem pretendo agora entrar no mérito da solidariedade, da destinação das doações, ou algo do gênero. Só quero comentar como foi bonito o espetáculo.
Não sei como o “do” foi parar entre Trenzinho Caipira (ficou Trenzinho do Caipira) na apresentação do Luciano Huck, mas a abertura com Villa Lobos, executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira de Jovens foi emocionante. O Didi, diferente de outros anos, não entrou com aquela jaqueta branca, mas vestido de maquinista do trenzinho.
Os atores da Globo estavam lá, circenses, mambembes, misturados junto a outros artistas menos conhecidos. Alguns tiveram números solos, mas grande parte deles estava ali anônima, o que foi bonito também. Milton Nascimento cantou “Maria Solidária” acompanhado de um coral de crianças. Foi muito bacana. Tudo foi bacana, música, figurino... Em seguida teve a Ana Carolina com o trecho musical que ficou “me ganhou, vai ter que me levar”! Ela é mulher de shows empolgantes, mas que não empolga platéia de Criança Esperança não! A empolgação fica por conta de Vitor e Leo (minha única rendição ao sertanejo, por tudo o que são!). Então, de repente eu ouço os acordes de “All we need is love”. E era a música toda, interpretada pelos rapazes do Fresno, Cídia e Dan e Júnior Lima de barba e tudo tocando bateria! Depois vem a Sandy cantando Chico Buarque. Justo a música da bailarina. Foi interessante ver a Sandy enfeitando a voz pra cantar palavras como “pereba”,”ameba”, “piolho”!!!. Nessa mesma apresentação, ainda houve um solo de ballet da Ana Flamengo, ops, aliás, Ana Botafogo! Teve uma moça que não conheço que se apresentou cantando “Gente” do Caetano com um arranjo bem legal. Ao fundo, aquela pintura da Tarcila do Amaral cheia de rosto de gente que tinha no meu livro de Geografia da 8º série (século passado!!): “Operários”. Nossa, teve Tim Rescala com pequenas apresentações de música e humor, teve uma apresentação incrível das acrobatas do Cique du Solei e outras várias apresentações que provaram que a Globo surpreende sim. Às vezes a gente espera algo embalado pra viagem e recebe uma viagem inteira cheia de paisagens bonitas.
E o sábado se vai abocanhado pelo domingo e junto com ele minha vontade de permanecer acordada!!

Sopro de Eves!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vaca Sincera

Repouso meu olhar sobre o pasto onde pastam bovinos e penso:
Será que pastando eles pensam?
Ou será que o que eu penso que penso nem é pensamento?
A pasta com os documentos ficou para trás.
Por enquanto eu finjo que existo e pasto no mundo:
Imenso curral de absurdos onde pastam as vacas do meu pensamento.
A pasta de dentes há muito não tem validade,
por isso eu dou meu sorriso amarelo,
sorriso sem graça e quase sincero.
Alegria que pousa no pasto, alegria tão vasta (!) ...
Às vezes confundo alegria e vaca, mas uma saltita, a outra só pasta.
Uma vaca levanta a cabeça e me olha profundo.
Eu digo: Oh, vaca, eu não sou Raimundo e meu mundo é vasto,
o seu mundo é um pasto.
A vaca sorri e me fala:
Meu nome é Malhada e meu pasto é vasto,
o seu mundo é um pasto.
Abaixo a cabeça e me rendo. Concordo com a vaca, sem ressentimentos.
Eu vivo num pasto confuso, aposto que fui, não sei se já era...
Rumino a idéia que tenho da vida,
mas deixo na manga uma carta escondida
E um dia eu venço essa vaca sincera.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Conciliar - o poder que quero ter

Droga!
Habermas, Dworkin e Alexy estão aqui comigo.
Eu estou aí com você.
Günter, Kelsen e Foucault estão aqui comigo.
Mas eu continuo perto de você.
Estou rodeada desses alemães estranhos, do americano neurastênico e do francês careca e maluco, mas meu coração pulsa capixabamente.
Eu tento ficar aqui com esses caras, eu juro que tento, mas por algum motivo (qual será?!) você parece mais atraente. Muito mais atraente do que alguém que usa a palavra contumélia numa frase. Sério, isso não é nome de flor!!!
To aqui pensando, esses caras não deviam ter família ou vida afetiva, só pode. Nem os que ainda estão vivos. Se eles chegaram a constituir família, as esposas (ou sei lá, os maridos!) devem ter sido infelizes por serem sempre a segunda opção. Quem é que agüenta não ser prioridade? Alguém que foge ao “solipsismo metódico” (meu Deus, acho que já li isso em bula de remédio, embora o livro seja de filosofia jurídica!!) e repensa novas explicações axiológicas ou deontológicas de qualquer coisa, não deve ter tempo de fazer amor, olhar nos olhos do outro e não sentir culpa por não estar produzindo artigos acadêmicos ou inventando novos métodos de atormentar a vida de futuros acadêmicos.
"- Está bem querida, mas só 10 minutinhos. Tenho que me preparar para uma conferência muito importante. "
Rousseau mesmo, que escreveu Emílio, tratado de pedagogia, mandou seus cinco filhos para o orfanato.
James Barrie, que escreveu o Peter Pan teve seu casamento arruinado.
Bethoven ficou atormentado e sua amada imortal foi um mistério.
Eistein... Sei lá!
Dizem que Francisco de Assis e Clara canalizaram toda a sua energia sexual em prol das tarefas assistenciais.
Gandhi também foi outro que junto com a Kasturba, sua esposa, parece que teve que fazer igual o Francisco, embora tenha tido filhos.
O Luther King era mulherengo, apesar de pastor protestante e casado. É só ler a biografia dele. Maomé se casou por interesse. Jesus era solteiro. As coisas lá com a Madalena são especulações e se não forem, ela deve ter sido bem compreensiva por ter que acompanhar o salvador do planeta! Como é que concilia salvar a humanidade e ter um relacionamento amoroso? E as cobranças,e as expectativas, e a dedicação?! Tem que ser muuito evoluído, tem que entender a órbita dos astros, tem que ter um desprendimento fenomenal... Isso não é nada fácil. Por isso os padres são celibatários, para priorizar a missão. O problema é que alguns desequilibrados se tornam pedófilos. Os mais conscientes largam a batina, caso não consigam segurar a onda. Vai conciliar de outra forma a missão divina e o romance.
Marie Curie pode até ter sido feliz no casamento (mesmo com aquele cabelo sempre desgrenhado), mas o marido era físico como ela.
E olha, a gente vê poucas mulheres fazendo história , porque a maioria delas estava iluminando a humanidade cuidado da família. Cuidando de gente de uma forma mais direta, mais pessoal.
Você me pede prioridade e isso dá um revertério junto com os planos ambiciosos de excelência que quero ter no que faço, desse comprometimento que quero ter em minhas entregas.
Ninguém disse que seria fácil,mas eu bem que deixei você pensar que pudesse ser.
E olha a ironia: não está sendo fácil pra mim, porque se meu pensamento está aí com você, não posso ser inteira aqui com eles. É assim, eu desejo estar com você mais que com esses livros todos.
Enquanto isso na floresta, a tarde se vai junto com as questões inconciliáveis da humanidade, mas eu continuo aí com você.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

EGG - X

Eu vi.
O mundo seguia em minha direção como alguém que não se vê há muito tempo, como alguém que traz alguma novidade
Eu ali esperava o mundo vir com uma certa ansiedade, embora não soubesse como agir quando ele chegasse.
Ia dizer o que, se eu era um ovo?
Um ovo de avestruz modificado
Um ovo de dinossauro pós-moderno
Um ovo de páscoa esperando pra nascer
Eles vivem pisando em ovos, não é mesmo?
"Quem são eles? Quem eles pensam que são?"
Não tem problema. As frases que eles sussurram não me chocam.
Quase nada me choca
Nem o azul celeste, nem o rosa choca.
Eu enxerguei o mundo além da casca, “cápsula protetora”, no entanto estava condenada a conter meus movimentos enquanto o mundo não chegasse com a minha alforria.
Alegrava-me a idéia de haver algo mais ao meu redor do que o plasma que dificulta as ações, a inércia, as guerras, a fome e a violência, quase todos os clichês da depressão, todo o mal nascido do orgulho e do egoísmo, as flores, a primavera, a solidariedade, a fé, mãe da esperança e da caridade... Minhas coisinhas.
Senti meu coração acelerar quando o mundo estava bem perto.
Pensei: Enfim é hora de me libertar. Porém, quando já estava ofegante o mundo passou direto e seguiu viagem.
Fiquei ali, um ovo sem entender e por um instante permiti que o desespero devorasse minha já precária lucidez.
Ao recobrar os sentidos e me refazer da frustração, lembrei de antiga lição sentnido o mundo ir embora:
"O mundo não quebra o ovo.
A casa se rompe de dentro pra fora."
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"Estrelinha Grata" (*) para Salvador Dali - pelo ovo, Engenheiros do Hawai e Adriana Calcanhoto

sábado, 25 de julho de 2009

É a cabeça, irmão.

De vez em quando é assim, minha cabeça dói, dói dói.
Eu sinto que meu globo ocular vai saltar pra fora do crânio e sair quicando no chão.
É por isso que dá vontade de pegar minha cabeça e encestar. É. Fazer três pontos, bem de fora do garrafão. Sou de Áries. Dizem que o ponto fraco do meu signo é a cabeça. Pra começar tem aqueles chifres. Ai, pra que aquilo? É tão grande que até entorta nas pontas. Espero não ser como um carneiro, em ralação aos chifres, pelo menos.
Eu nunca consegui formar minha constelação do céu, na época em que ela aparece. Algumas constelações são bem visíveis, como as Três Marias e o Cruzeiro do Sul, e até mesmo Escorpião. Mas formar o carneiro no céu requer criatividade e disposição cósmica! Bilac disse que só quem ama é capaz de entender as estrelas. Não é só não! Um dia consegui ver o arqueiro de sagitário no céu! Ele é loiro e acena quando percebe os voyeurs!
Enquanto isso na floresta, o Felipe Massa está em coma induzido porque em seu caminho havia uma mola voadora. Com isso a gente vê que pequenas coisas podem causar grandes estragos, dependendo da maneira como dirigimos nossas vidas. Pois é.E tem também o Zé Alencar provando ser um mutante imortal e fazendo das tripas coração para sobreviver. Nossa, vou pro inferno com o trocadilho infame.
Jesus, quanto pernilongo aqui. De onde eles vieram? Eles não estavam aqui quando fazia frio. O frio que brincava aqui no quarto resolveu que é mais divertido fazer esculturas de gelo no sul do país. Anéim... Matei um pernilongo na palma da mão. Não sou o Obama, logo, posso cometer inseticídio sem maiores problemas. O insolente sangra no meio do eme da minha mão. E esse sangue deve ser meu, pois não há mais ninguém aqui e ele estava gordo pra ter vindo voando de longe. É... pernilongo artista tem medo de aplauso.Grudei o que sobrou do seu corpo na tirinha amarela do bombom serenata de amor com mensagens. Gente, algumas dessas mensagens são muito ruins. Não dá pra conquistar ninguém seriamente com isso. E o bombom ficou muito doce. Bem, pode ter sido o meu paladar que mudou, mas eu venho achando que os chocolates estão mais doces. Ah, eu não estou achando nada. Essa cabeça está me fazendo ficar implicante e é melhor encerrar por aqui. Encerrar o dia, o post e a vida de mais um pernilongo.

No me moleste mosquito...
Agradecimentos a Silvio Brito e The Doors, pelos fragmentos sonoros.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Antes do sim

Se você fosse capaz de ouvir meus segredos sem se desintegrar, não faz idéia do que eu te contaria. As mentiras que eu já disse, as verdades que eu não disse, contaria sobre minhas sombras, todos os meus ímpetos homicidas e todos os segundos em que te odiei.
Mas você saberia também de como provoca mudanças em mim e de como faz com que o sol ilumine novas galáxias a cada pequeno gesto seu.
É que minha cabeça anda tão confusa, tão cheia de perguntas, que às vezes duvido que te amo como acho que amo, assim, pela eternidade.
Se você pudesse ver meus sonhos, talvez nem se aproximasse tanto. Tenho náusea ao pensar em você indo embora, então escondo tudo com cuidado, mas de vez em quando deixo transparecer. Como quando esbarramos sem querer numa peça de porcelana que se estilhaça no chão. E isso não tem conserto. Nós sabemos que isso não tem conserto.
Esteja comigo. Não me deixe.
Sabe, não sei o que é a absoluta certeza quando afirmo, quando juro, quando prometo.
Tudo aqui é efêmero demais.
Mais sei o que são pequenas certezas e elas preenchem o presente quando afirmo, quando juro, quando prometo.
É que minha cabeça anda tão dispersa que às vezes questiono se minhas provas de amor são pura vaidade, se amo o amor que sente por mim ou se amo você.
Pense nas milhões de pessoas que existem no mundo. Estava gravado em cada átomo do nosso corpo que era para nos encontrarmos agora.
Encontrei antes pessoas que me ensinaram muito e até pude me tornar melhor pra viver contigo. Mas não quero você por perto para aprender novas lições. E você espera tantas respostas...
Eu tenho canções, eu tenho novelas, eu tenho histórias e tenho um chocolate, mas as respostas eu espero do tempo.
É que minha cabeça embaralha os dados algumas vezes, mas no final de minhas considerações, acabo concluindo que conseguiria viver sem você. Mas não quero.
Fique comigo e eu fico aqui.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

*repetir, repetir - até ficar diferente

* frase do grande poeta das pequenas coisas, Manoel de Barros

Certa vez, ao brincar de pique esconde com algumas crianças, percebi que todos haviam se escondido, menos um dos meus sobrinhos. Ao invés disso, ele fechava bem os olhos, apertando as pálpebras com força. Chamei baixinho para que ele viesse ao meu esconderijo, que era muito mais secreto! Ele me disse que ninguém ia encontrá-lo, pois seus olhos estavam fechados.
- Se eu fechar os olhos, ninguém vai me ver.
Hoje, penso se não trouxemos essa ingênua forma de se esconder camuflada em outros atos mais... adultos. Percebam, tentamos fortalecer os argumentos, conseguir subterfúgios, angariar correntes filosóficas que nos embasem só para justificar algo que no fundo a gente desconfia que está errado. Ou tem certeza. É a oportunidade de legitimar o erro e fazer com que ele se torne acerto caso todo mundo concorde que realmente é um acerto. Não precisa haver aí necessariamente uma má intenção, mas um certo medo de abrir mão do que nos faz bem, do que aparenta ser felicidade, do que parece ser certo. Isso traz um certo alívio, nos livra da culpa e da necessidade de mudar a rota, de tomar uma atitude diferente.
Iniciamos assim uma luta meio ilusória, tentando repetir, repetir e repetir o erro até que ele se torne correto. Todavia, basta que alguém diga que está nos enxergando, para que a insegurança venha nos assombrar. O remédio, não raro, é procurar uma segunda, terceira, múltiplas opiniões, até encontrar aquela que venha nos redimir, que venha nos devolver a confiança na escolha que fizemos. Nessa procura, desmentimos posturas de instituições que acreditamos. Tudo para validar a postura que adotamos. Parece covardia, mas é muito sutil e com ramificações. Por exemplo, tem gente que não se importa em ser traído e até consegue perdoar o traidor, isto é, se mais ninguém souber. Caso contrário nada parece digno de perdão. Certas pessoas só se arrependem dos crimes se forem flagradas. Certas pessoas só conseguem ter paz se houver aprovação quase geral.
As verdades são muitas, as respostas são várias, mas nós geralmente vivemos conforme uma verdade. Quando contrariamos essa verdade, tudo fica inquieto lá dentro de nós, mesmo quando mudamos de idéia e escolhemos viver conforme uma verdade mais conveniente.
Talvez, o melhor a fazer, seja arriscar, arcar com as conseqüências. Como já li por aí, se for errar, melhor errar com convicção. A dúvida é um tormento, assim como a culpa.
Eu duvido que alguém aqui é capaz de fazer uma escolha consciente de que ela será desastrosa. Na verdade, nós estamos à procura da felicidade.
É por isso que quando o pisca alertas é acionado dentro de nós, é melhor procurar saber o porquê.

(Gente, aqui estão os hífens: - - - - . Já não sei mais como usá-los. Utilizem no texto acima como acharem certo!!)


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Aterro Sanitário

Não são os Beatles,
Nem o Pink Floyd,
Não era o Oasis,
Nem foi o Shakespeare...

Tem gente que joga lixo pelo muro pra cair no quintal do vizinho.
Sério. Tem isso mesmo.
Tem gente que emporcalha a rua jogando papel de bala no chão, latinha de refrigerante na estrada, guima de cigarro. É sério. Fica lindo! Você já viu? Eu já!
Tem indústria fonográfica que lança cada coisa no mercado e depois ligam o ventilador pra espalhar tudo no ar! Você já viu isso? Mas é, tem isso. E tem até quem goste!
E tem livro, programa de TV, aula de faculdade...
Qual é a graça de jogar lixo no território dos outros?
Qual é graça de espalhar o lixo?
Ta, tem lixo que pode ser reciclado, pode se transformar numa coisa bacana, original, melhorar o mundo. Eu mesma sempre digo que adoro procurar flores no lixo. O Daniel divulga tesouros que ele encontra no lixão!
Tem de tudo né?! Mas tem um tudo desses que tem por aí, que tem até graça! Uma graça suja e fedida. Vários containers cheios de lixo doméstico descarregados no porto de um lugar que para os europeus tem cara de aterro sanitário, só pode!
Esse lugar? Ah, é o Brasil.
Você conhece?!

Minha avó já dizia: Quem pariu Mateus que o embale...

Verifique isso:
http://tvig.ig.com.br/133617/europa-manda-containers-de-lixo-pro-brasil.htm

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sem destinatários específicos

Percebe como somos frágeis?
Ninguém resiste ao tempo, às rugas, à morte.
O corpo se definha, mesmo com o botox.
Por dentro ele envelhece e delata sua certidão de nascimento.
Percebe como somos fortes?
Entregar-se assim ao fluxo da existência requer força e coragem.
Coragem para deixar os fatos irem rumo ao passado.
Coragem para continuar aqui, mesmo sentindo saudades de quem não está, de quem já foi.
Força para não enlouquecer quando o impossível assombrar as soluções.
Percebe como somos confusos?
Com fusos horários e relógios biológicos?
Com nossas novas receitas culinárias e novas dietas infalíveis?
Com nossas noites planejadas de prazer e todos os preservativos?
Percebe como estamos famintos?
A gente não quer só comida.
Nos desdobramos por aqui, para sermos melhores ou piores.
Para enxergar melhor, profundamente, além dos olhos.
Somos metamórficos malabares.
Equilibramos coisas no ar e nos contorcemos para melhor adaptação no espaço.
Olha pra isso, somos quase circenses!
São vários os adjetivos que nos cabem.
Somos um pouco de tudo e, sobretudo qualquer coisa que queira ser.
Entenda, entretanto, que nós somos capazes.
Dentro dessa capacidade eu posso te amar sim.
Com todas a minhas forças e com toda a fragilidade.
Mesmo com os atritos e com as hostilidades que porventura tivemos.
Apesar do nosso enlevo e apesar dos pesares.
Desconheço quais as leis que fizeram cruzar nossos destinos.
O mundo é habitado por tanta gente, gente, gente, gente...
E assim, não mais que de repente nós construímos uma história.
Eu, tu, ele, nós, vós, eles.
É por isso que lhe(s) digo,
Quando nossos adjetivos se transformarem, nossas características se acentuarem, a moeda mudar seu valor, nossos ícones morrerem, os anos se passarem...
Quando não houver mais nada em que acreditar, mais ninguém para aplaudir, mais nenhum líder para eleger, ainda sim, teremos o amor.
De todas as contas, é o “noves fora” que invariavelmente resta,
que subiste onipotentemente ao zero por ser o alfa e o ômega dos atos.
É a lei maior que rege o universo inteiro, dentro e fora de nós.
É a única coisa que possuo agora e que revela em mim um mundo novo sempre que a sombra desaparece, sempre que a dor se aninha ou o desespero emerge da lagoa negra.
O amor que tenho torna tudo mais bonito.
É o amor que lhe dou. Que tenho pra lhe dar.
E eu sei que você traz em si esse mesmo amor.
E isso nos faz um só.
É a única coisa que permanece quando tudo vai.
Quando tudo é vão.

Sopro de Eves!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Apresentação

É mérito de minha mãe ter despertado em nós o gosto pela literatura. Ela "saiu a semear" e deixou os cuidados sob nossa responsabilidade. Mas o que ele fez com essa semente é algo que transcende minha mais ousada pretensão de inserir o que escrevo no mundo fantástico das letras. E ele conseguiu porque ele é fantástico.
Agora eu não falo como irmã, porque seria suspeita. Falo como uma leitora, uma admiradora.
Quando eu era adolescente, ouvia Renato Russo e me surpreendia com a maneira tão profunda de ele cantar exatamente aquilo que eu estava sentindo. Eu mal sabia nesta época, que o menino que brincava do meu lado e assistia Chiquititas, seria capaz de fazer o mesmo com tanto talento.
Esse menino cresceu e tem o dom de perscrutar a alma humana extraindo dali sua essência. É de uma sensibilidade incomum, capaz de escrever e descrever os sentimentos de uma situação que nunca vivenciou e quando vivencia, ele refina e traduz em palavras que nos tocam e nos comovem. De sua janela ele observa e absorve o mundo. Como o próprio diz no Conto Quatorze: “Porque sua própria janela era uma metáfora de quem ele era. Vista de fora, apenas um quadradinho de vidro no meio do arranha-céu cinzento, imperceptível. De dentro, uma televisão multicanal, de onde se enxergava a vida.” E também : “O garoto era alguém, importante e histórico, e sua função não poderia ser mais nobre: se não fosse ele a observar a alegria dos outros, quem é que iria? Quem é que contaria histórias e inventaria fantasias sobre os moradores do prédio da frente? Deixara de deixar de viver". Mal sabe ele, que muito mais que um observador, ele é ator de uma vida muito peculiar e bonita, melhor do que qualquer seriado que assistiu.
O Otávio cresceu sem preconceitos, construindo uma visão de mundo muito sóbria e sensata, apesar de tão jovem. Ele tem 21 anos com maturIDADE. Escreve desde sempre. É a ele quem recorro quando me deparo com encruzilhadas, porque sei e confio em suas opiniões. Acho deliciosa a maneira leve como ele manifesta suas opiniões, como quando falou de sentimentos: http://meusanosincriveis.blogspot.com/2008/04/013-sentimento.html
O desenvolvimento de seu texto não pesa, tal qual um beija-flor, não se rebusca além do necessário, não se torna piegas como música sertaneja, mas sabe a hora exata de ser clímax e de encontrar emoções que estão lá dentro de nós. Percebemos isso em trechos como a carta de Eduardo à Rosa em seu Conto Dezoito: "Percebes meu desespero? Consegues ver que, de um jeito inevitável, estou completamente sujeito à tua existência? São vinte e três dias desde que te vi pela última vez. E definho em pensamentos quando me ocorre a possibilidade de que não sentes falta de mim. E me soterra a certeza. Porque nunca dependeste de meu afeto, embora eu saiba que ele lhe é caro, pela tua vaidade."
A gente se descobre em seus contos.
Aprecio também sua maneira corajosa de defender seus pontos de vista com argumentações coerentes e fortes, como neste trecho que achei brilhante: "É por isso que quem prega o conservadorismo de uma música culta ou mais sofisticada tem uma mente tão pequena quando o intervalo entre duas notas em um chorinho." consta em:
http://oteatrodevampiros.blogspot.com/2009/04/713-nick-and-norahs-infinite-playlist.html
Ele fala de coisas simples, de amores possíveis, impossíveis, platônicos, fala do tempo, pensamentos, amizade... Não consigo descrevê-lo porque assim eu o limitaria. E pra mim ele é ilimitado, é infinito. Como falar de alguém capaz de enxergar a mesma poesia em Nora Ephron e Fellini? Alguém que chora lendo um livro do Nicholas Sparks e ao mesmo tempo decora as linhas de García Marquez?
Ele, como muitos de nós, ainda está na busca da peça que falta no quebra-cabeça, mas seu pisca-pisca é eterno. Pra mim ele é o cara que na alegria ou na tristeza deixa tudo muito mais belo quando escreve com seu dom apurado de sensibilizar.
Quando sensibilizados, nos tornamos mais humanos.
Obrigada, Otávio.
Vale a pena ler:
e

quinta-feira, 25 de junho de 2009

As engrenagens do nosso fantástico mundo

Don't worry about a thing
Cause every little thing
Gonna be all right
(Bob Marley - Three little birds)

É porque quando está escuro e a gente fica esperneando, é difícil mesmo perceber que tudo está perfeito. É difícil enxergar o todo complexo que se desenvolve além de nós e ao nosso redor e por dentro. Enfim, tudo vai ficar bem. É aquela coisa da atração! Pense nisso e tudo vai ficar bem. É meio hipnótico, mas é isso que queremos. Queremos ver as engrenagens se movendo.
As engrenagens. Elas se movem e tudo muda de lugar. O sol vai pro Japão e as folhas do outono dão os últimos estalos quando pisadas por nós. As pessoas nascem, pessoas morrem. Michael Jackson morreu e lembrar dele me leva de volta para Pará de Minas, minha terra Natal. Uma das Panteras também morreu. Que droga pra ela, porque a morte dela foi ofuscada pela dele. É... Eu pensei isso sim.
A África do Sul perdeu pro Brasil e ainda não se sabe se as eleições do Teerã foram fraudadas. É meio óbvio que sim, mas mesmo assim, quando meu dente dói, isso não tem relevância. Mexe qualquer coisa dentro doida, qualquer coisa doida dentro mexe...
Estamos passando por uma crise mundial e o Marcos Palmeiras está lá batendo havainas. Fazer o que, né?! Pular num buraco? Bater panela e protestar? Pegar o Megafone e rosolver tudo no grito? Uai, quem tem boca vaia Roma, que tem mãos bate havainas. É... Porque você sabia que a gente fala errado? Não é vai a Roma. É vaia. Úuuuuu. Quem tem boca beija. Quem tem boca fala, mas o fato de falar não me leva pra lugar nenhum especificamente. Se você perguntar pra alguém em Sete Lagoas onde fica a rua tal, você pode parar numa rua muito diferente. O troço é que as engrenagens também mudam as palavras e seus significados As engrenagens e nossos antepassados. Quem tem boca vaia Roma em sinal de protesto ao governo dos Césares. Outra coisa é o tal: É a cara do pai, cuspido e escarrado. Olha só. Cuspe e catarro não são moldes, mas a gente deu um jeitinho de fazer com que essa nojera signifique que o filho é igualzinho ao pai. O certo seria “esculpido em carrara” que é pedra de mármore própria para artistas fazerem suas estátuas. Ainda tem quem afirme que seja “esculpido e encarnado” mas enfim, no fim tudo dá certo, mesmo à força.
A gente tenta entender, mesmo quando a mensagem está adulterada.
E a gente só pára (num dô conta de tirar o acento ainda) se for bobo e masoquista. Porque o mundo segue adiante. Porque o tempo não pára. Porque é assim que tem que ser. É assim que tem que ir.
Go Forest!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Batendo na porta do céu

Senhor,
É noite. Percorri mais de mil quilômetros e agora estou aqui. Cansada.
Hoje peço Senhor, uma lanterninha.
Faz dias que não durmo direito e tenho medo do escuro. Do meu próprio escuro.
Não consigo enxergar, Senhor, as coisas mais óbvias.
Tenho uma porção de defeitos. Alguns deles eu quero transformar, mas de outros não sei abrir mão.
Estou tão cansada de tanta sombra, de tanta tolice, de tanto medo impregnado.
É não é nada com o mundo, com o Armud, com ninguém fora de mim.
Senhor, eu só estou aqui porque parece que estou criando uma casca esquisita que me distancia do mundo de novo. Do mundo que eu desejei um dia. Das coisas que eu quis ser. Não consigo fazer uma prece há dias. Não consigo ver o sol no horizonte e venho achando que eu preciso de um milagre.
Sabe, eu lembro de como queria ser sua serva, de ser prudente, ser correta, ter a centelha divina. O que tenho feito é trilhar caminhos tão estranhos, tão cheios de obstáculos, tantas curvas. Essa estrada torta, esse amor gauche, esse medo de não fazer jus ao céu...
Eu faço o possível.
Quando percebo, tudo está feito. E tudo errado.
E o pior disso tudo é saber que basta uma atitude, uma vez que já conheço as lições.
Mas olha só, Senhor, já tem escombros demais pra reconstruir. Olha essa bagunça aqui.
Eu penso sempre nas oportunidades pra trabalhar na sua vinha, meu Senhor, mas também tenho um grande trabalho pra reconstruir minha vida e essa sombra sobre a minha família. Parece até piada, esses dias sem sol, sem milagres.
Não quero que pense que sou ingrata. Eu agradeço pelos sorriso do Ian, pelo amor que existe, pelos seus anjos sem asas que vivem por aqui. E eu continuo acreditando, porque não tem como desviar a responsabilidade de tudo o que vivo pra Sua conta. Essas dívidas são minhas. As sombras também.
Mas eu peço Senhor uma luz.
*
*
*
Michele anda muito cansada das lutas e das derrotas.
Michele anda cansada das respostas do mundo que direcionam pro abismo.
Quer a vitória, só pra variar...

sábado, 20 de junho de 2009

Errante


Novamente no litoral e o céu está escuro.
O mar não perde sua beleza em dias assim, mas o coração, não raro, se cala.
Hoje aqui, amanhã, não se sabe.
Ela é tão inconstante. Todos os seus planos de se manter distante se dissolveram no ar e ela se flagrou desejando a eternidade. Parecia um vício. Um feitiço. (!?)
Aprendeu que não era questão de escolha, mas de entrega.
Nem toda escolha implica no uso da vontade, mas do dever.
E toda entrega tinha conseqüências.
A noite devora o mundo quebrando os padrões e tornando misterioso o que era mais óbvio.
Então rompe a manhã com a luz em fúria a arder. A chuva até some. Someone like me.
Ligo o computador, deleto o último post que a essa altura não tem mais sentido, vejo a cama em desalinho e já é hora de sair.
Mãe, não sei exatamente o que DEVO fazer, porque agora sou refém da minha própria atitude.
Mas mãe, eu sei o que QUERO fazer, porém não gostaria que parecesse errado ou loucura.
Eu queria não parecer um balão distanciando de todos os fogos e problemas que existem, na superfície da Terra. Mas agora é inevitável flutuar.
*
Cheguei aqui com o coração nas mãos, cheia de dúvidas e de certezas.
Seu sorriso revoga todas elas.
*


Você, que tá aqui e leu esse post, quantas decisões tomadas por você viraram nada perto de alguém?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Estruturas

Casas edificadas sem uma estrutura firme correm o risco de desmoronar.
Assim somos nós diante de certas verdades, de certas palavras, de certas expressões.
Algumas verdades se calam na boca para manter a situação intacta.
Enquanto isso, ela explode por dentro de quem silencia.
É um tijolo que se sacrifica pela construção inteira.
Quantos relacionamentos não seguiram íntegros pelas verdades que não foram reveladas?
E quantos não foram evitados?
Quantas declarações deixaram de transformar amigos em amantes?
E quantas delas causaram guerras?
Algumas vezes, dizemos o que sentimos e temos que abrir mão do conforto por causa disso.
O conforto da leveza de ninguém cobrar nada através dos olhos.
Existe algo mais desconfortável quando um amigo que você preza tanto se declara pra você, principalmente quando o que você sente por ele tem outra natureza?
Existe coisa mais desconcertante do que ouvir aquelas frases de novela, tipo: “Você não é meu filho” ou "Mãe, eu sou gay" ou “eu não te amo mais” ou “esta roupa não lhe cai bem” ??
As palavras quando proferidas, tem o dom de definir as situações (porque os sentimentos já foram definidos há muito tempo). Ou suas palavras te deixam numa praia paradisíaca ou te deixam num beco escuro e perigoso da cidade. Isso quando não te fazem vagar sem rumo.
Vai depender da estrutura de quem diz.
Depende da estrutura de quem ouve.
Depende do que você quer. Ao dizer. Ao calar.
Não sei qual a resposta certa.
Sei que não consigo ouvir certas respostas, por isso evito certas perguntas.
Sei que prefiro às vezes o campo pseudo-esperançoso da dúvida do que a mais limpa verdade, que tem 50% de chances de acabar comigo. Orgulho? Pode chamar assim, se quiser.
Sei que não se pode ser sincero demais sem perder algo, sem ter que reconstruir o que a verdade despedaçou.
Sei que muita coisa boa a gente simplesmente não diz.
Sei que muitas verdades são como granadas arremessadas.
E sei que estranhamente, em certas ocasiões, perdemos a confiança de alguém quando dizemos verdade. Era pra
ser o contrário...
Se o mundo fosse mais simples, eu não teria o que escrever num blog.



Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
(...)
Lulu Santos - Apenas mais uma de amor

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vertigem

Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
a velocidade terrível da queda


Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna
Ah! as bombas, a chuva, os anjos e seus loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda

Eu queria que eles tivessem sido teletransportados através de um portal para uma dimensão diferente, como se cogitava a respeito do Triangulo das Bermudas. Como se quis pensar com o Ulysses Guimarães. Ou então que tivessem ido parar na ilha de Lost.
Mas encontraram os corpos. Que droga. É a realidade outra vez.
A dura realidade legitimando a lei da gravidade e fazendo manchetes. A mesma realidade que aciona o despertador às 6:00h da manhã.
Além dos portais e abduções, além das hipóteses fantásticas, não pode haver despertador nem contas pra pagar, nem prazos expirando. É claro, apenas cogito.
O que eu posso saber sobre outras dimensões? Nunca estive de corpo físico em nenhum outro mundo além do real. Mesmo as fugas ilusórias são parte de algo maior e real que absorve tudo no final e vem trazendo nas mãos o grande livro das obrigações, principalmente aquelas das quais não se pode fugir.
Seu inegável poder destrói completamente todo efeito entorpecedor de qualquer pílula (lícita ou não) e esmaga sem compaixão todos nós que aqui estamos despreparados para as perdas e para as quedas.
Então, por mais que eu deseje soluções mágicas ou explicações inverossímeis é na realidade que eu preciso lidar com as tragédias. Pequenas tragédias como ficar de calças claras desprevenidamente menstruada no meio da avenida ou grandes tragédias como ver no noticiário que aviões desaparecem sobre o oceano.
Não quero que tudo que eu vejo se torne miragem. Eu sou a coisa mais real e concreta em minha própria vida. E você na sua. E todos juntos formamos um bloco cirúrgico de carnaval com noções limitadas acerca da realidade. Duvida?!
Toma, oh realidade, toma seus relógios e as medidas de tempo, seus reis e seus dentes de leite. Toma seus partidos e seus fragmentos. E negocie a ascensão com todos os anjos caídos.
Queria que existisse uma loja que vendesse ascensão.
Como se fosse possível. Como se fosse produto.
Como se tenho fome.
A fome é a inegável manifestação da realidade.
Mesmo que tudo isso aqui seja apenas ilusório.
Seria a ilusão mais real que já conheci.

Resvalando em abismos um pôr do sol furioso
que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado da velocidade terrível da queda

(Lobão - A Queda)

quinta-feira, 4 de junho de 2009


Sobre nós
Sobre tudo
Ainda há tanto o que se descobrir...


O universo é infinito

quarta-feira, 3 de junho de 2009

É noite do meu amor


Cada pigmento que coloria as bandeirinhas
saía do arco-íris
E vinha tremendo de frio e de medo
A fogueira poderia dizer
Que não haveria escuridão naquela noite
Mas não dizia. Inflamava-se.
E era tão evidente!
Não precisava dizer.
Temer o que?
O vento agora era um artifício, mais que os fogos.
Eu passo pelas pontes quebradas e é mentira.
Eu vejo as cobras no caminho e é mentira.
Eu volto de onde vim
E sempre encontro você.
Queria te levar pra passear dentro de um balão.
Porque quando a dança termina
Você ainda é meu par.
A sombra que me move
Também me ilumina
Me leve nos cabelos
Me lave na piscina
Em cada ponto claro
Cometa que cai no mar
Em cada cor diferente
Que tente me clarear
É noite que vai chegar...

(Galope Rasante - Zé Ramalho)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

VARIAÇÕES SOBRE O MESMO TEMA

Como lidar com os pontos de partida?
Essa vida é engraçada, porque sua linearidade é disfarçada.
Na verdade, tudo o que existe é torto. Retas são ilusões.
Alguns caminhos parecem fragmentos.
Certas estradas são bifurcadas demais. Pentafurcadas.
De vez em quando alguém aperta o start e retornamos à estaca zero.
E mesmo assim, nunca é do mesmo jeito.
O zero muda seu valor dependendo do lugar em que está.
Como nós.
Não, não, não, não...
O zero muda o valor de outros números, mas continua valendo nada.
O erro é um bom manual explicativo.
A dor é excelente nota de rodapé.
A dor é excelente placa luminosa. Em caixa alta!
E a reincidência, han?!
E quando a gente comete os mesmos erros, considerando que as consequências é que estavam erradas e não nossos atos?
Quem é que vem nos dizer com certeza se o que fazemos é persistência ou se é murro em ponta de faca?
É! Então a gente se lembra da cartilha e tenta olhar pra dentro, ler as linhas (tortas) e as notas pequenas no fim do contrato (né?!) e buscar a solução adequada ao nosso caso!
Estamos muito à mercê do mundo e isso é meio solitário.
Nossa jornada é meio solitária, mesmo com todo esse amor.
Tudo porque na hora da prova não há possibilidade de colas nem telepatia.
Somos apenas nós e a ocasião.
O que – por mais estranho que pareça – torna tudo muito mais belo!