terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pra quando a energia faltar...

Sabe quando você vai riscar um palito de fósforo e ele se quebra?
Sabe quando você risca várias vezes até que o fósforo se gaste e o palito fique perdido?
Alguns dias são assim.
A gente acorda com ansiedade, pensa numa coisa o dia inteiro e o mais perto que você consegue chegar é do "quase".
O quase, linha que separa o impulso do resultado.
O quase, a tinta que desbota a mais sincera expectativa.
O quase, arauto da frustração.
O quase, cemitério dos desejos e das conquistas.
Mas não tem nada não...
Há sempre outros fósforos na caixa.
Há sempre outras caixas de fósforos.
Há sempre um Magic Clik pra quando a energia faltar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rumos


Às vezes a gente acelera sem saber qual o destino.
No fundo, a gente sabe que tem pra onde voltar.
Se tudo é sequência, dá pra retornar e continuar dali.
É saber renunciar o mergulho no desconhecido,
mas ao mesmo tempo reinventar a felicidade no território que deixamos pra trás.
Se eu me afasto de você, com esse vento, nesses quilômetros, é porque a lágrima tem que se tornar alguma outra coisa. Um arco-íris! Mas eu sei que estou por perto.
É que de vez em quando o mundo parece que se expande enquanto o quarto diminui.
E de repente surge aquela necessidade de expandir também, de romper os limites que por muito tempo deixamos ali, como marcadores da nossa capacidade. É só uma coisa se quebrar por dentro pra gente querer provar que os limites são elásticos, que sempre dá pra ir um pouco mais além. Quando não dá, ainda sim podemos retornar e reinventar a felicidade no território que deixamos pra trás. Lutar com as armas que possuímos e não ser tão radical. Não são apenas duas respostas. Sim ou não.
Olha só tamanho do universo! Olha só o início da primavera!
Nem sempre eu sou a mocinha da história.
Com as características que eu tenho, não dá pra ser mesmo.
Apesar disso, eu sei que estou por perto.
A linha de chegada se aproxima,
mas quando a onda quebra sobre você, não há o que fazer.
Você está entregue ao mar.
*
*
*
Bia, saudades, saudades, saudades de você, irmã interplanetária!
Saudades da Brenda me acordar domingo cedo pra andar na praia, saudades de terça-feira à noite com a D. Bátima assistindo Toma lá- da cá, saudades do café quente e fresco (!) do Sr. Henrique.
Nem sempre eu provo do jeito padrão, mas eu sei o que sinto.
É que vim ao mundo meio desregulada...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mais do mesmo!

Come on baby, ligth my FIREWALL, para não deixar passar nenhum vírus letal pelas portas desse café, ou se passar por The Doors no Windows XP. Para que nenhum Hacker invada este espaço e que não seja invadido por um rato qualquer... A não ser os ratos de prestígio, assim como Ratatoille, assim como o Topo Gigo, Mickey mouse, lap top less na areia digital, ondas e tijolos. Use proteção de tela para sexo virtual. Norton nos norteie, nos defenda de uma virOSE Osbourne, I just want you, Iron MAN, DIGO sem esMOLAS encolhidas na temporada ideal. Impulso. EuroTrip pelo guia do Terra. França, Itália, Holanda. Se ouvir Chico BuARQUE com as conseqüências. E tenha fé se for ler NietzsCHE Guevara a noite em claro na Alemanha, na ArgenTina Turner, cabeleira black POWER POINT no Brasil. Na Europa, tu ropas, ele ropa, ele rompe, nós rompemos. Ele foi. Você vem. Se vier clandestino dentro de um container, contenha seu grito e mantenha a sanidade. Abstinência, coca-cola e rock em ROUpa nova do imperaDOR de cotovelos como as de canções dos traídos. Eu que sigo distraída, não quero ouvir refrão de música sertaneja. Do sertão, quero as veredas e as neologias cor de Rosa. Quero um tridente e duas asas. E no meu café quero abundância, não essas revistas cheias de rostos melhorados em Photo Shop. Juca Chaves já dizia que a beleza de uma mulher não tá na cara. Tá na jura, tá na jura...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

É de gelo, é de tempo, é de manjericão...


Estou às voltas como tempo esses dias. O tempo é surdo e não nos ouve. Ele simplesmente passa. Cheguei a afirmar em um post anterior que as coisas eram feitas de linguagem e tempo. Não falei apenas de linguagem falada, mas de linguagem como expressão, comunicação, como uma tela cujas características fazem com que você identifique o artista que a pintou. A linguagem está impressa nos blogs, na arquitetura, nos desleixos e nas belezas da cidade, nos banheiros públicos que a falou, nas pichações que poluem e cansam as retinas, nos grafites, na forma de andar, na forma de um povo se vestir, de comer, de festejar, de popularizar certos esportes, na forma de um povo elaborar suas leis e julgar os seus, em tribunais ou não. É algo cultural. A cultura é a linguagem. Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.
Mas porque eu estou falando essas coisas? É porque acabei de tomar sorvete de casquinha. E sorvete é todo tempo e linguagem (no seu sentido mais superficial). Sorvete ao ar livre tem prazo pra ser consumido, senão derrete. No copinho ele se transforma num mingau gelado, mas na casquinha, o tempo voa, amor, e o sorvete escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir!
No Brasil, lá na década de 30, um navio norte americano aportou no Rio e trouxe toneladas de gelo em bloco que um comerciante chamado Deroche usou como base para o suco de frutas. Era a forma precária de se produzir sorvete (ainda não tinha leite na fórmula). Só que não havia freezers e ele tinha dificuldade para conservar o sorvete sólido depois do preparo. A solução foi o que se deu: ele publicou no jornal a seguinte propaganda: “Sorvete todos os dias, às 15 horas, na rua Direita, nº14.”. Pensa?!! Outra coisa no sorvete é a capacidade de transformar um erro em prazer. Eu sou fã incondicional do sorvete de flocos, e segundo o Manô, o sorvete de flocos nasceu da sucata do Eskibon (produzido pela Kibon desde 1941). É a reinvenção do improvável. É a linguagem alargando os limites do mundo, fazendo os cacos de vidro tornarem-se peça de um caleidoscópio.
O prazer, a dor, as coisas todas passarão, e nós todos passarinhos, mas nossas marcas estarão aqui, impressas na ordem universal, eternizadas em outras dimensões, embora o sorvete, em qualquer delas, sempre derreta!

Uni duni duni tê, ô ô ô ô
Salamê minguê, ô ô ô ô
Sorvete colorê
Sonho encantado onde está você?

Estrelinhas de hoje: Emmanuel (o tempo é surdo), Wittgeinstein (mundo e linguagem), Lulu Santos (Tempos Modernos), Carlos Eduardo Novaes (reportagem sobre o sorvete com hora marcada), Mario Quintana (Poeminho do Contra) e Trem da Alegria!

sábado, 12 de setembro de 2009

Urgência


Talvez seja porque o tempo roça meu calcanhar com fúria e fome.
E você sabe, eu não posso me render a essas coisas...
Essas coisas que são de um jeito aqui e de outro jeito em outro mundo, em outros espaços. Reinações da velocidade ou da luz. Sei lá... As duas juntas fazem o escarcéu (!).
O tempo está atrás de mim, em minha frente e por dentro.
Se eu explodisse agora, seria tempo também. Tudo era tempo. Tudo foi tempo, mas nada do que foi será de novo e algumas coisas que vão, voltam, tipo o João Bobo.
Um papel em branco, A4 é uma possibilidade quase mágica.
Sem definições e sem diagramas, sem a impaciência de configurar a página e ver que a impressão se deu conforme o esperado.
Conforme o esperado...
Não dá um frio na barriga quando esperam algo de você, mesmo que seja apenas você de qualquer forma, do jeito que vier?
O início de Come as you are foi a primeira coisa que toquei no meu violão, só porque era mais fácil do que fazer “quem quer pão.” Fiz promessa pra ganhar aquele violão, o primeiro (Todynho,meu companheiro de aventuras!). Eu tinha 13 anos e muita expectativa. Disse que iria caminhando da minha casa até a escola que eu estudava. Eram 15 Km. Eu nunca cumpri. Deve ser por isso que eu toco mal pra caramba. E hoje eu nem acredito em promessas, embora ainda sinta vontade de voltar lá naquela antiga casa e perfazer o caminho prometido. Cumprir alguma coisa e não prometer mais nada. Pra mais ninguém.
Mas são todas informações impressas no tempo, com margem esquerda e direita relativamente indefinidas.
A cada enter que aperto é um prazo que expira no mundo e estou cansada de chegar ofegante. Cansada. Ofegante.
Vamos, senhores, que tudo é urgente.
E gente, dizem por aí que a vida não faz sentido. Quem faz sentido é soldado. Mas acho que existe um sentido pra tudo sim. Eu é que não sei entender bem.

Mais puro é o amor...

Mas a incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem sorriso que parece choro
Tem choro que é pura alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
(Teatro Mágico - Sonho de uma flauta)

Hoje as estrelinhas vão para: Einstein (Teoria da Relatividade), Lulu Santos (Como uma onda), Nirvana (Come as you are), Marisa Monte e Cia (Levante) e Teatro Mágico

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Trancrições da Madrugada

E então, no fim você descobre que todas as coisas são compostas de linguagem e de tempo.
Você se envolve em tantas coisas diferentes em sua trajetória que nem consegue entender muito bem como foi capaz de certas escolhas. No fim, traz inscrito em cada ato um pedido de socorro. Nas lágrimas ou nos murros. É desolador ver que o mundo não tem tantas escoras assim e nem tantas respostas. No deserto, parece que o mundo nem tem tanta gente. A madrugada parece um recreio, mas tem alguém que pode roubar o seu lanche. E você vai precisar ser o super homem, o Überman. Vai precisar se bastar. Vai aprender que a fé é a confiança na extrema incerteza, é se agarrar numa barra que não pode ser vista nem provada. É superar os sentidos e se entregar num pulo acreditando que haverá chão mesmo quando dizem que ele não está lá. Você vai passar nesses paradoxos e descobrir que o maior deles é o amor, do jeito que se entende por aqui. E então, no fim você descobre que não há fim, só passagens. No fim não há considerações gerais a fazer. Está tudo aí para quem quiser ver...
*
Michele quase no fim de seu imenso trabalho, que levou quase uma vida toda.
Estrelinhas para Nietzsche, Baiano e os Novos Caetanos e Aimee Mann

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem se importa?

"A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores".
Platão
*
*
Ah, Elga...
Eu estava aqui quietinha, preocupada com meus loucos e com seus crimes e você vem levantar essa bandeira! E eu não posso ser indiferente a isso, pois há uns dias fiz um discurso inflamado sobre o atual panorama ético-político do nosso país. Ficar sem reagir agora seria muito incômodo! Seria confortável continuar com meu pão e com meu circo, meus conflitos e minhas letras, mas o verde e o amarelo cabem num post e principalmente as estrelas. O país está passando por momentos graves, pois a parte afetada é a base da democracia, de toda construção política moderna: a ética. Eu gastaria várias linhas, livors inteiros para falar sobre ética, mas não pretendo escrever agora para acusar governos e governantes, mas para chamar a atenção sobre o nosso papel de cidadão. Sobre toda a responsabilidade que temos com o poder que só existe e se manifesta em função do seu povo. Não há aquele ditado de que cada povo tem o governo que merece? De uma certa maneira, nós merecemos isso sim, pelo nosso silêncio, pela nossa indiferença, pela nossa preguiça de pesquisar a história dos candidatos, de pesquisar de estudar os planos de governo de cada um, pela nossa descrença em cobrar de maneiras adequadas a efetivação das propostas, pelo nosso descaso em dias de eleição, pela negligência do próprio voto, pela alienação política que nos afeta e nos torna incompetentes para a democracia. Somos brasileiros com muito orgulho e com muito amor só quando somos torcida?!? Democracia é mais que futebol, que natação, que qualquer esporte. Porque os campeonatos sempre acabam, mas nossas vidas seguem. Muitos deram a vida para que pudéssemos ter direitos hoje, inclusive o de escrevermos o que quisermos em um blog. Não se comprometer com o país é desvalorizar a luta pelo progresso.
Já entregamos nosso ouro nos anos 60 para um movimento democrático muito suspeito.
Que a responsabilidade não nos faça entregar de bom grado o nosso orifício circular corrugado também. Ta, gente, como queiram... o nosso cu.
Foi lançada uma campanha para que participemos das atividades do dia 07 de setembro em nossas cidades, mas eu desconfio de campanhas impostas de forma vertical. Por isso vou aderir a essa da http://www.omundobythais.blogspot.com/ , porque eu acredito é na rapaziada!
*
BRASIL, MOSTRA A SUA CARA, QUERO VER QUEM PAGA PRA GENTE FICAR ASSIM!
*
Comemoramos o Dia da Independência do Brasil, resgatando nosso patriotismo adormecido e protestando contra os abusos, a corrupção e a impunidade de uma classe política que zomba e se lixa para nós. Repasse essa campanha adiante. Nosso país agradece.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mola (Natureza Morta)

Vale lembrar que tínhamos um pacto
Que por descuido foi quebrado
Jazia por ali um amor, antes intacto
Velado com muito cuidado
Era agora um corpo inerte sobre a mesa
A fruta que morria por dentro
Foi o primeiro anúncio do outono
Seu grito de liberdade
Era tudo o que se ouvia
O som das folhas ao vento
A denunciar sua partida,
O silêncio ensurdecedor do meu peito
Ninguém ouvia
O silêncio ensurdecedor do meu peito
A denunciar sua partida
O som das folhas ao vento
Era tudo o que se ouvia
Seu grito de liberdade
Foi o primeiro anúncio do outono
A fruta que morria por dentro
Era agora um corpo inerte sobre a mesa
Velado com muito cuidado
Jazia por ali um amor, antes intacto
Que por descuido foi quebrado
Vale lembrar que tínhamos um pacto
*
abril/2005

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A perna adormecida

Num reino não muito distante daqui, onde os passarinhos assobiam o início de Patience
e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box,
vive uma não tão bela plebéia. Não, não, não...
Vamos mudar esse início:
Numa república federativa não muito distante da Bolívia ou da Argentina, ou do Paraguai,
onde os passarinhos assobiam Tico-Tico no Fubá e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box (resolvi deixar a parte do banheiro aqui!), vive uma razoável cidadã. Razoável? Que adjetivo é esse?!
Ela não tem madrasta má e não há bichinhos para o caçador arrancar o coração. Nesse lugar, a perversidade é camuflada, mas consegue-se ter uma harmonia apesar de tudo.
Certa perversidade existe nos padrões. Era uma república, era necessário estabelecer padrões para que os cidadãos soubessem por onde andar, o que fazer, onde fumar, onde trepar, essas coisas... E nós sabemos que quebrar padrões é se tornar diferente do resto ou de certa forma ser mais ou menos do que os outros que estão dentro do que se espera. É assim que surge o louco, o marginal, o gordo, o feio, o inadequado, as minorias.
Bom, mas essa razoável cidadã não queria saber nada dessa coisa antropofilosófica. Ela queria era caber naquela calça número 42. Estava sem entender porque a 40 não serviu, porque não passou nem nas coxas. A 42 não fechava o zíper direito, nem murchando a barriga. Comprou a 44 pensando que aquilo era absurdo. A calça número 44 nova tinha a cintura menor do que aquela velha que estava usando, número 40. “Poxa, deviam padronizar geral”. Lá na loja, enquanto ela dizia “Isso aqui não ta certo”, a vendedora respondia “É que depende da fôrma”. E ela em pensamentos “Que fôrma é essa que quer colocar todo mundo em forma de Barbie?”
Mas ela saiu da loja mais ou menos feliz com sua nova calça número 44. Fingiu que não ia se importar, mas chegou em casa com fome e comeu só maçãs. Agora estava numa dieta dessas por conta própria, à base de maçãs.
Finalmente chegou o dia em que a calça entrou confortavelmente. A nova calça número 44. Iria valer a pena, pois nos últimos dias ela vinha sonhando com frangos assados dançando Can Can sobre a mesa, espaguetes enroscando em seus braços, bombons fazendo passinhos de pagode... (A fome é má conselheira!!hehe).
De calça nova ela foi ao encontro do príncipe, aliás, do razoável cidadão. Ele demorou um pouquinho pra chegar no lugar marcado. Ela esperou se entretendo com um joguinho de celular
e nisso sentou sobre a perna e ficou lá. Calça skinny, perna dobrada, ele chegando...
Quando ele veio, ela se levantou depressa, mas a perna não acompanhou e foi inevitável o tombo. Não teve glamour nem cavalo branco, só a pequena tragédia. Ploft! "Ãin"
“Cê ta bem?
“Claro que não" pensou ela, "morrer é melhor”
Mas o que ela disse foi outra coisa: “ Tô sim. É que minha perna ficou dormente”.
Então ele veio com aquela mania que as pessoas têm de ficar esfregando a perna adormecida dos outros, até aquela caimbrinha passar. “Formigou?”, ele pergunta.
“Pára com isso, ta doendo”.
Mas ele insistia. Depois que passou o vexame e o formigamento, ela riu do próprio tombo, pensou em como aquela calça apertava a batata de sua perna e disse: "O filme vai começar daqui a pouco". Ele se desculpou pelo atraso e juntos foram felizes para o sempre que cabia entre aquele ponto e a sala de cinema.
Mas antes fizeram uma parada.
Hoje ela queria Milk Shake de Ovomaltine! De 500ml.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Com os lábios e com o coração

Estamos na ponta inicial do século XXI.
Não. Não há carros voadores, não há teletransporte ainda e mal chegamos na Lua.
O pequeno passo para o homem parece ser ainda o pequeno passo, apenas a expectativa do grande salto que a humanidade virá a fazer. Temos essas coisinhas cibernéticas, somos modernos, temos as facilidades eletrônicas, as tecnologias de ponta, todo o desenvolvimento científico e mesmo assim as coisas invisíveis ainda nos assombram, sejam fantasmas ou vírus.
Mas o que mais tem me assombrado é o encaixe imperfeito das teorias e das práticas. Como disse o Cazuza: Quando as idéias não correspondem aos fatos. Estou falando do ser humano intolerante com as diferenças e com os erros alheios. A música Gospel está em franca ascensão. São pastores, são fiéis, artistas convertidos lançando Cds. Em cada canto do país tem um padre cantando. Eu cheguei a achar que era muita mercantilização das coisas de Deus, mas hoje penso que se a mensagem toca a pessoa, se a mensagem transforma, então está valendo, embora muitas vezes o cantor chame mais atenção do que a música (!). No filme Stigmata, a mulher em transe diz: “O mensageiro não importa”. Era pra mensagem importar mais que o resto, mas enfim... Ouvimos louvores em diversos ritmos, em funk, em pagode, em forró, remixado. Até no carnaval tem axé carismático. O mundo não devia estar bem melhor? Se os caras vendem tanto CD, se os shows lotam, as pessoas não deviam estar inundadas de algo divino? Eu não estou falando de santidade. Falo das coisas simples como respeito, tolerância e amor. Coisas que o próprio Jesus fazia. Ele dizia que os sãos não precisam de médico. Era cercado por prostitutas, homens rústicos, cobradores de impostos (que não eram nada bem vistos na época) como o agora tão famoso Zaqueu! Ele dizia que atirasse a primeira pedra quem não tivesse pecado, e hoje o que vemos são “nobres fies” julgando e pior, condenando sumariamente o seu próximo.
Gente, quando Paulo era Saulo, matava pessoas inocentes, até que um dia se tornou Paulo, o apóstolo. Francisco de Assis, quando ainda era Giovani, aproveitava a vida como qualquer garoto da sua idade. Sidarta Gautama, era alienado dentro de seu palácio real.Só depois se tornou Buda. Tudo segue um curso devido na vida. Cada um tem seu momento de despertar. O respeito mútuo é dever de todo ser humano, porém, com aquele que repete as palavras do Cristo, ele é necessário, até porque “Muito será cobrado de quem muito recebeu”. Respeito às limitações, às fraquezas, às escolhas, ao modo de vida. Silêncio em relação às mazelas do próximo (Falo da fofoca.). Oferecer compreensão e auxílio quando a pessoa revela seu erro e não reagir com posturas radicais que condenam e segregam. Sim, porque quando aquele que sofre chega até nós, pode ser que ele esteja procurando a última estaca pra se sustentar. Se não lhe oferecemos isso, ele se afunda no erro e ali teremos também nossa parcela de culpa. De onde já se viu isso? Como se os padres, os pastores, os rabinos, os sacerdotes, os palestrantes não tivessem também um arsenal de erros... Como se fôssemos perfeitos!
Isso não significa amar o erro, mas amar o outro.
Este povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim... Frase de Jesus. Faz tempo que ele disse isso.
Faz tempo que repetimos as mesmas posturas.
Que nossos corações possam se aproximar mais do divino não só com louvores, com frases, mas também com exemplos, amando quem está do nosso lado, amando aquele que sinaliza um problema, amando sobre tudo, como atitude.
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Michele acha religiosidade mais importante que religião. Religar-se com o que é superior à nós qualquer ser humano consegue, seja ele ateu, a toa, beato ...
Mas a Michele (mesmo submersa em defeitos e fraquezas) acha que as idéias devem corresponder aos fatos. Se a pessoa prega o amor, ela deve ser capaz de amar. Com atitude.

sábado, 22 de agosto de 2009

All we need is love!!!

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"A arte deve ser o Belo expressando o Bem"
André Luiz
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Eram outros os planos para sábado à noite, mas a crise de tosse me fez ficar quietinha em casa, principalmente porque é dia de ventania.
Hoje ventou pra caramba e ainda venta madrugada adentro.
Ficando em casa, comecei a ver o Criança Esperança.
Nem pretendo agora entrar no mérito da solidariedade, da destinação das doações, ou algo do gênero. Só quero comentar como foi bonito o espetáculo.
Não sei como o “do” foi parar entre Trenzinho Caipira (ficou Trenzinho do Caipira) na apresentação do Luciano Huck, mas a abertura com Villa Lobos, executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira de Jovens foi emocionante. O Didi, diferente de outros anos, não entrou com aquela jaqueta branca, mas vestido de maquinista do trenzinho.
Os atores da Globo estavam lá, circenses, mambembes, misturados junto a outros artistas menos conhecidos. Alguns tiveram números solos, mas grande parte deles estava ali anônima, o que foi bonito também. Milton Nascimento cantou “Maria Solidária” acompanhado de um coral de crianças. Foi muito bacana. Tudo foi bacana, música, figurino... Em seguida teve a Ana Carolina com o trecho musical que ficou “me ganhou, vai ter que me levar”! Ela é mulher de shows empolgantes, mas que não empolga platéia de Criança Esperança não! A empolgação fica por conta de Vitor e Leo (minha única rendição ao sertanejo, por tudo o que são!). Então, de repente eu ouço os acordes de “All we need is love”. E era a música toda, interpretada pelos rapazes do Fresno, Cídia e Dan e Júnior Lima de barba e tudo tocando bateria! Depois vem a Sandy cantando Chico Buarque. Justo a música da bailarina. Foi interessante ver a Sandy enfeitando a voz pra cantar palavras como “pereba”,”ameba”, “piolho”!!!. Nessa mesma apresentação, ainda houve um solo de ballet da Ana Flamengo, ops, aliás, Ana Botafogo! Teve uma moça que não conheço que se apresentou cantando “Gente” do Caetano com um arranjo bem legal. Ao fundo, aquela pintura da Tarcila do Amaral cheia de rosto de gente que tinha no meu livro de Geografia da 8º série (século passado!!): “Operários”. Nossa, teve Tim Rescala com pequenas apresentações de música e humor, teve uma apresentação incrível das acrobatas do Cique du Solei e outras várias apresentações que provaram que a Globo surpreende sim. Às vezes a gente espera algo embalado pra viagem e recebe uma viagem inteira cheia de paisagens bonitas.
E o sábado se vai abocanhado pelo domingo e junto com ele minha vontade de permanecer acordada!!

Sopro de Eves!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vaca Sincera

Repouso meu olhar sobre o pasto onde pastam bovinos e penso:
Será que pastando eles pensam?
Ou será que o que eu penso que penso nem é pensamento?
A pasta com os documentos ficou para trás.
Por enquanto eu finjo que existo e pasto no mundo:
Imenso curral de absurdos onde pastam as vacas do meu pensamento.
A pasta de dentes há muito não tem validade,
por isso eu dou meu sorriso amarelo,
sorriso sem graça e quase sincero.
Alegria que pousa no pasto, alegria tão vasta (!) ...
Às vezes confundo alegria e vaca, mas uma saltita, a outra só pasta.
Uma vaca levanta a cabeça e me olha profundo.
Eu digo: Oh, vaca, eu não sou Raimundo e meu mundo é vasto,
o seu mundo é um pasto.
A vaca sorri e me fala:
Meu nome é Malhada e meu pasto é vasto,
o seu mundo é um pasto.
Abaixo a cabeça e me rendo. Concordo com a vaca, sem ressentimentos.
Eu vivo num pasto confuso, aposto que fui, não sei se já era...
Rumino a idéia que tenho da vida,
mas deixo na manga uma carta escondida
E um dia eu venço essa vaca sincera.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Conciliar - o poder que quero ter

Droga!
Habermas, Dworkin e Alexy estão aqui comigo.
Eu estou aí com você.
Günter, Kelsen e Foucault estão aqui comigo.
Mas eu continuo perto de você.
Estou rodeada desses alemães estranhos, do americano neurastênico e do francês careca e maluco, mas meu coração pulsa capixabamente.
Eu tento ficar aqui com esses caras, eu juro que tento, mas por algum motivo (qual será?!) você parece mais atraente. Muito mais atraente do que alguém que usa a palavra contumélia numa frase. Sério, isso não é nome de flor!!!
To aqui pensando, esses caras não deviam ter família ou vida afetiva, só pode. Nem os que ainda estão vivos. Se eles chegaram a constituir família, as esposas (ou sei lá, os maridos!) devem ter sido infelizes por serem sempre a segunda opção. Quem é que agüenta não ser prioridade? Alguém que foge ao “solipsismo metódico” (meu Deus, acho que já li isso em bula de remédio, embora o livro seja de filosofia jurídica!!) e repensa novas explicações axiológicas ou deontológicas de qualquer coisa, não deve ter tempo de fazer amor, olhar nos olhos do outro e não sentir culpa por não estar produzindo artigos acadêmicos ou inventando novos métodos de atormentar a vida de futuros acadêmicos.
"- Está bem querida, mas só 10 minutinhos. Tenho que me preparar para uma conferência muito importante. "
Rousseau mesmo, que escreveu Emílio, tratado de pedagogia, mandou seus cinco filhos para o orfanato.
James Barrie, que escreveu o Peter Pan teve seu casamento arruinado.
Bethoven ficou atormentado e sua amada imortal foi um mistério.
Eistein... Sei lá!
Dizem que Francisco de Assis e Clara canalizaram toda a sua energia sexual em prol das tarefas assistenciais.
Gandhi também foi outro que junto com a Kasturba, sua esposa, parece que teve que fazer igual o Francisco, embora tenha tido filhos.
O Luther King era mulherengo, apesar de pastor protestante e casado. É só ler a biografia dele. Maomé se casou por interesse. Jesus era solteiro. As coisas lá com a Madalena são especulações e se não forem, ela deve ter sido bem compreensiva por ter que acompanhar o salvador do planeta! Como é que concilia salvar a humanidade e ter um relacionamento amoroso? E as cobranças,e as expectativas, e a dedicação?! Tem que ser muuito evoluído, tem que entender a órbita dos astros, tem que ter um desprendimento fenomenal... Isso não é nada fácil. Por isso os padres são celibatários, para priorizar a missão. O problema é que alguns desequilibrados se tornam pedófilos. Os mais conscientes largam a batina, caso não consigam segurar a onda. Vai conciliar de outra forma a missão divina e o romance.
Marie Curie pode até ter sido feliz no casamento (mesmo com aquele cabelo sempre desgrenhado), mas o marido era físico como ela.
E olha, a gente vê poucas mulheres fazendo história , porque a maioria delas estava iluminando a humanidade cuidado da família. Cuidando de gente de uma forma mais direta, mais pessoal.
Você me pede prioridade e isso dá um revertério junto com os planos ambiciosos de excelência que quero ter no que faço, desse comprometimento que quero ter em minhas entregas.
Ninguém disse que seria fácil,mas eu bem que deixei você pensar que pudesse ser.
E olha a ironia: não está sendo fácil pra mim, porque se meu pensamento está aí com você, não posso ser inteira aqui com eles. É assim, eu desejo estar com você mais que com esses livros todos.
Enquanto isso na floresta, a tarde se vai junto com as questões inconciliáveis da humanidade, mas eu continuo aí com você.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

EGG - X

Eu vi.
O mundo seguia em minha direção como alguém que não se vê há muito tempo, como alguém que traz alguma novidade
Eu ali esperava o mundo vir com uma certa ansiedade, embora não soubesse como agir quando ele chegasse.
Ia dizer o que, se eu era um ovo?
Um ovo de avestruz modificado
Um ovo de dinossauro pós-moderno
Um ovo de páscoa esperando pra nascer
Eles vivem pisando em ovos, não é mesmo?
"Quem são eles? Quem eles pensam que são?"
Não tem problema. As frases que eles sussurram não me chocam.
Quase nada me choca
Nem o azul celeste, nem o rosa choca.
Eu enxerguei o mundo além da casca, “cápsula protetora”, no entanto estava condenada a conter meus movimentos enquanto o mundo não chegasse com a minha alforria.
Alegrava-me a idéia de haver algo mais ao meu redor do que o plasma que dificulta as ações, a inércia, as guerras, a fome e a violência, quase todos os clichês da depressão, todo o mal nascido do orgulho e do egoísmo, as flores, a primavera, a solidariedade, a fé, mãe da esperança e da caridade... Minhas coisinhas.
Senti meu coração acelerar quando o mundo estava bem perto.
Pensei: Enfim é hora de me libertar. Porém, quando já estava ofegante o mundo passou direto e seguiu viagem.
Fiquei ali, um ovo sem entender e por um instante permiti que o desespero devorasse minha já precária lucidez.
Ao recobrar os sentidos e me refazer da frustração, lembrei de antiga lição sentnido o mundo ir embora:
"O mundo não quebra o ovo.
A casa se rompe de dentro pra fora."
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"Estrelinha Grata" (*) para Salvador Dali - pelo ovo, Engenheiros do Hawai e Adriana Calcanhoto

sábado, 25 de julho de 2009

É a cabeça, irmão.

De vez em quando é assim, minha cabeça dói, dói dói.
Eu sinto que meu globo ocular vai saltar pra fora do crânio e sair quicando no chão.
É por isso que dá vontade de pegar minha cabeça e encestar. É. Fazer três pontos, bem de fora do garrafão. Sou de Áries. Dizem que o ponto fraco do meu signo é a cabeça. Pra começar tem aqueles chifres. Ai, pra que aquilo? É tão grande que até entorta nas pontas. Espero não ser como um carneiro, em ralação aos chifres, pelo menos.
Eu nunca consegui formar minha constelação do céu, na época em que ela aparece. Algumas constelações são bem visíveis, como as Três Marias e o Cruzeiro do Sul, e até mesmo Escorpião. Mas formar o carneiro no céu requer criatividade e disposição cósmica! Bilac disse que só quem ama é capaz de entender as estrelas. Não é só não! Um dia consegui ver o arqueiro de sagitário no céu! Ele é loiro e acena quando percebe os voyeurs!
Enquanto isso na floresta, o Felipe Massa está em coma induzido porque em seu caminho havia uma mola voadora. Com isso a gente vê que pequenas coisas podem causar grandes estragos, dependendo da maneira como dirigimos nossas vidas. Pois é.E tem também o Zé Alencar provando ser um mutante imortal e fazendo das tripas coração para sobreviver. Nossa, vou pro inferno com o trocadilho infame.
Jesus, quanto pernilongo aqui. De onde eles vieram? Eles não estavam aqui quando fazia frio. O frio que brincava aqui no quarto resolveu que é mais divertido fazer esculturas de gelo no sul do país. Anéim... Matei um pernilongo na palma da mão. Não sou o Obama, logo, posso cometer inseticídio sem maiores problemas. O insolente sangra no meio do eme da minha mão. E esse sangue deve ser meu, pois não há mais ninguém aqui e ele estava gordo pra ter vindo voando de longe. É... pernilongo artista tem medo de aplauso.Grudei o que sobrou do seu corpo na tirinha amarela do bombom serenata de amor com mensagens. Gente, algumas dessas mensagens são muito ruins. Não dá pra conquistar ninguém seriamente com isso. E o bombom ficou muito doce. Bem, pode ter sido o meu paladar que mudou, mas eu venho achando que os chocolates estão mais doces. Ah, eu não estou achando nada. Essa cabeça está me fazendo ficar implicante e é melhor encerrar por aqui. Encerrar o dia, o post e a vida de mais um pernilongo.

No me moleste mosquito...
Agradecimentos a Silvio Brito e The Doors, pelos fragmentos sonoros.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Antes do sim

Se você fosse capaz de ouvir meus segredos sem se desintegrar, não faz idéia do que eu te contaria. As mentiras que eu já disse, as verdades que eu não disse, contaria sobre minhas sombras, todos os meus ímpetos homicidas e todos os segundos em que te odiei.
Mas você saberia também de como provoca mudanças em mim e de como faz com que o sol ilumine novas galáxias a cada pequeno gesto seu.
É que minha cabeça anda tão confusa, tão cheia de perguntas, que às vezes duvido que te amo como acho que amo, assim, pela eternidade.
Se você pudesse ver meus sonhos, talvez nem se aproximasse tanto. Tenho náusea ao pensar em você indo embora, então escondo tudo com cuidado, mas de vez em quando deixo transparecer. Como quando esbarramos sem querer numa peça de porcelana que se estilhaça no chão. E isso não tem conserto. Nós sabemos que isso não tem conserto.
Esteja comigo. Não me deixe.
Sabe, não sei o que é a absoluta certeza quando afirmo, quando juro, quando prometo.
Tudo aqui é efêmero demais.
Mais sei o que são pequenas certezas e elas preenchem o presente quando afirmo, quando juro, quando prometo.
É que minha cabeça anda tão dispersa que às vezes questiono se minhas provas de amor são pura vaidade, se amo o amor que sente por mim ou se amo você.
Pense nas milhões de pessoas que existem no mundo. Estava gravado em cada átomo do nosso corpo que era para nos encontrarmos agora.
Encontrei antes pessoas que me ensinaram muito e até pude me tornar melhor pra viver contigo. Mas não quero você por perto para aprender novas lições. E você espera tantas respostas...
Eu tenho canções, eu tenho novelas, eu tenho histórias e tenho um chocolate, mas as respostas eu espero do tempo.
É que minha cabeça embaralha os dados algumas vezes, mas no final de minhas considerações, acabo concluindo que conseguiria viver sem você. Mas não quero.
Fique comigo e eu fico aqui.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

*repetir, repetir - até ficar diferente

* frase do grande poeta das pequenas coisas, Manoel de Barros

Certa vez, ao brincar de pique esconde com algumas crianças, percebi que todos haviam se escondido, menos um dos meus sobrinhos. Ao invés disso, ele fechava bem os olhos, apertando as pálpebras com força. Chamei baixinho para que ele viesse ao meu esconderijo, que era muito mais secreto! Ele me disse que ninguém ia encontrá-lo, pois seus olhos estavam fechados.
- Se eu fechar os olhos, ninguém vai me ver.
Hoje, penso se não trouxemos essa ingênua forma de se esconder camuflada em outros atos mais... adultos. Percebam, tentamos fortalecer os argumentos, conseguir subterfúgios, angariar correntes filosóficas que nos embasem só para justificar algo que no fundo a gente desconfia que está errado. Ou tem certeza. É a oportunidade de legitimar o erro e fazer com que ele se torne acerto caso todo mundo concorde que realmente é um acerto. Não precisa haver aí necessariamente uma má intenção, mas um certo medo de abrir mão do que nos faz bem, do que aparenta ser felicidade, do que parece ser certo. Isso traz um certo alívio, nos livra da culpa e da necessidade de mudar a rota, de tomar uma atitude diferente.
Iniciamos assim uma luta meio ilusória, tentando repetir, repetir e repetir o erro até que ele se torne correto. Todavia, basta que alguém diga que está nos enxergando, para que a insegurança venha nos assombrar. O remédio, não raro, é procurar uma segunda, terceira, múltiplas opiniões, até encontrar aquela que venha nos redimir, que venha nos devolver a confiança na escolha que fizemos. Nessa procura, desmentimos posturas de instituições que acreditamos. Tudo para validar a postura que adotamos. Parece covardia, mas é muito sutil e com ramificações. Por exemplo, tem gente que não se importa em ser traído e até consegue perdoar o traidor, isto é, se mais ninguém souber. Caso contrário nada parece digno de perdão. Certas pessoas só se arrependem dos crimes se forem flagradas. Certas pessoas só conseguem ter paz se houver aprovação quase geral.
As verdades são muitas, as respostas são várias, mas nós geralmente vivemos conforme uma verdade. Quando contrariamos essa verdade, tudo fica inquieto lá dentro de nós, mesmo quando mudamos de idéia e escolhemos viver conforme uma verdade mais conveniente.
Talvez, o melhor a fazer, seja arriscar, arcar com as conseqüências. Como já li por aí, se for errar, melhor errar com convicção. A dúvida é um tormento, assim como a culpa.
Eu duvido que alguém aqui é capaz de fazer uma escolha consciente de que ela será desastrosa. Na verdade, nós estamos à procura da felicidade.
É por isso que quando o pisca alertas é acionado dentro de nós, é melhor procurar saber o porquê.

(Gente, aqui estão os hífens: - - - - . Já não sei mais como usá-los. Utilizem no texto acima como acharem certo!!)


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Aterro Sanitário

Não são os Beatles,
Nem o Pink Floyd,
Não era o Oasis,
Nem foi o Shakespeare...

Tem gente que joga lixo pelo muro pra cair no quintal do vizinho.
Sério. Tem isso mesmo.
Tem gente que emporcalha a rua jogando papel de bala no chão, latinha de refrigerante na estrada, guima de cigarro. É sério. Fica lindo! Você já viu? Eu já!
Tem indústria fonográfica que lança cada coisa no mercado e depois ligam o ventilador pra espalhar tudo no ar! Você já viu isso? Mas é, tem isso. E tem até quem goste!
E tem livro, programa de TV, aula de faculdade...
Qual é a graça de jogar lixo no território dos outros?
Qual é graça de espalhar o lixo?
Ta, tem lixo que pode ser reciclado, pode se transformar numa coisa bacana, original, melhorar o mundo. Eu mesma sempre digo que adoro procurar flores no lixo. O Daniel divulga tesouros que ele encontra no lixão!
Tem de tudo né?! Mas tem um tudo desses que tem por aí, que tem até graça! Uma graça suja e fedida. Vários containers cheios de lixo doméstico descarregados no porto de um lugar que para os europeus tem cara de aterro sanitário, só pode!
Esse lugar? Ah, é o Brasil.
Você conhece?!

Minha avó já dizia: Quem pariu Mateus que o embale...

Verifique isso:
http://tvig.ig.com.br/133617/europa-manda-containers-de-lixo-pro-brasil.htm

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sem destinatários específicos

Percebe como somos frágeis?
Ninguém resiste ao tempo, às rugas, à morte.
O corpo se definha, mesmo com o botox.
Por dentro ele envelhece e delata sua certidão de nascimento.
Percebe como somos fortes?
Entregar-se assim ao fluxo da existência requer força e coragem.
Coragem para deixar os fatos irem rumo ao passado.
Coragem para continuar aqui, mesmo sentindo saudades de quem não está, de quem já foi.
Força para não enlouquecer quando o impossível assombrar as soluções.
Percebe como somos confusos?
Com fusos horários e relógios biológicos?
Com nossas novas receitas culinárias e novas dietas infalíveis?
Com nossas noites planejadas de prazer e todos os preservativos?
Percebe como estamos famintos?
A gente não quer só comida.
Nos desdobramos por aqui, para sermos melhores ou piores.
Para enxergar melhor, profundamente, além dos olhos.
Somos metamórficos malabares.
Equilibramos coisas no ar e nos contorcemos para melhor adaptação no espaço.
Olha pra isso, somos quase circenses!
São vários os adjetivos que nos cabem.
Somos um pouco de tudo e, sobretudo qualquer coisa que queira ser.
Entenda, entretanto, que nós somos capazes.
Dentro dessa capacidade eu posso te amar sim.
Com todas a minhas forças e com toda a fragilidade.
Mesmo com os atritos e com as hostilidades que porventura tivemos.
Apesar do nosso enlevo e apesar dos pesares.
Desconheço quais as leis que fizeram cruzar nossos destinos.
O mundo é habitado por tanta gente, gente, gente, gente...
E assim, não mais que de repente nós construímos uma história.
Eu, tu, ele, nós, vós, eles.
É por isso que lhe(s) digo,
Quando nossos adjetivos se transformarem, nossas características se acentuarem, a moeda mudar seu valor, nossos ícones morrerem, os anos se passarem...
Quando não houver mais nada em que acreditar, mais ninguém para aplaudir, mais nenhum líder para eleger, ainda sim, teremos o amor.
De todas as contas, é o “noves fora” que invariavelmente resta,
que subiste onipotentemente ao zero por ser o alfa e o ômega dos atos.
É a lei maior que rege o universo inteiro, dentro e fora de nós.
É a única coisa que possuo agora e que revela em mim um mundo novo sempre que a sombra desaparece, sempre que a dor se aninha ou o desespero emerge da lagoa negra.
O amor que tenho torna tudo mais bonito.
É o amor que lhe dou. Que tenho pra lhe dar.
E eu sei que você traz em si esse mesmo amor.
E isso nos faz um só.
É a única coisa que permanece quando tudo vai.
Quando tudo é vão.

Sopro de Eves!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Apresentação

É mérito de minha mãe ter despertado em nós o gosto pela literatura. Ela "saiu a semear" e deixou os cuidados sob nossa responsabilidade. Mas o que ele fez com essa semente é algo que transcende minha mais ousada pretensão de inserir o que escrevo no mundo fantástico das letras. E ele conseguiu porque ele é fantástico.
Agora eu não falo como irmã, porque seria suspeita. Falo como uma leitora, uma admiradora.
Quando eu era adolescente, ouvia Renato Russo e me surpreendia com a maneira tão profunda de ele cantar exatamente aquilo que eu estava sentindo. Eu mal sabia nesta época, que o menino que brincava do meu lado e assistia Chiquititas, seria capaz de fazer o mesmo com tanto talento.
Esse menino cresceu e tem o dom de perscrutar a alma humana extraindo dali sua essência. É de uma sensibilidade incomum, capaz de escrever e descrever os sentimentos de uma situação que nunca vivenciou e quando vivencia, ele refina e traduz em palavras que nos tocam e nos comovem. De sua janela ele observa e absorve o mundo. Como o próprio diz no Conto Quatorze: “Porque sua própria janela era uma metáfora de quem ele era. Vista de fora, apenas um quadradinho de vidro no meio do arranha-céu cinzento, imperceptível. De dentro, uma televisão multicanal, de onde se enxergava a vida.” E também : “O garoto era alguém, importante e histórico, e sua função não poderia ser mais nobre: se não fosse ele a observar a alegria dos outros, quem é que iria? Quem é que contaria histórias e inventaria fantasias sobre os moradores do prédio da frente? Deixara de deixar de viver". Mal sabe ele, que muito mais que um observador, ele é ator de uma vida muito peculiar e bonita, melhor do que qualquer seriado que assistiu.
O Otávio cresceu sem preconceitos, construindo uma visão de mundo muito sóbria e sensata, apesar de tão jovem. Ele tem 21 anos com maturIDADE. Escreve desde sempre. É a ele quem recorro quando me deparo com encruzilhadas, porque sei e confio em suas opiniões. Acho deliciosa a maneira leve como ele manifesta suas opiniões, como quando falou de sentimentos: http://meusanosincriveis.blogspot.com/2008/04/013-sentimento.html
O desenvolvimento de seu texto não pesa, tal qual um beija-flor, não se rebusca além do necessário, não se torna piegas como música sertaneja, mas sabe a hora exata de ser clímax e de encontrar emoções que estão lá dentro de nós. Percebemos isso em trechos como a carta de Eduardo à Rosa em seu Conto Dezoito: "Percebes meu desespero? Consegues ver que, de um jeito inevitável, estou completamente sujeito à tua existência? São vinte e três dias desde que te vi pela última vez. E definho em pensamentos quando me ocorre a possibilidade de que não sentes falta de mim. E me soterra a certeza. Porque nunca dependeste de meu afeto, embora eu saiba que ele lhe é caro, pela tua vaidade."
A gente se descobre em seus contos.
Aprecio também sua maneira corajosa de defender seus pontos de vista com argumentações coerentes e fortes, como neste trecho que achei brilhante: "É por isso que quem prega o conservadorismo de uma música culta ou mais sofisticada tem uma mente tão pequena quando o intervalo entre duas notas em um chorinho." consta em:
http://oteatrodevampiros.blogspot.com/2009/04/713-nick-and-norahs-infinite-playlist.html
Ele fala de coisas simples, de amores possíveis, impossíveis, platônicos, fala do tempo, pensamentos, amizade... Não consigo descrevê-lo porque assim eu o limitaria. E pra mim ele é ilimitado, é infinito. Como falar de alguém capaz de enxergar a mesma poesia em Nora Ephron e Fellini? Alguém que chora lendo um livro do Nicholas Sparks e ao mesmo tempo decora as linhas de García Marquez?
Ele, como muitos de nós, ainda está na busca da peça que falta no quebra-cabeça, mas seu pisca-pisca é eterno. Pra mim ele é o cara que na alegria ou na tristeza deixa tudo muito mais belo quando escreve com seu dom apurado de sensibilizar.
Quando sensibilizados, nos tornamos mais humanos.
Obrigada, Otávio.
Vale a pena ler:
e