sexta-feira, 27 de novembro de 2009

... mas eu fui um espermatozóide dinâmico!


Depois da chuva, surgiram esses piolhos de cobra por toda parte.
Vê se pode, chamar uma coisa dessa de piolho de cobra?!? Pelas dimensões do bicho, seria piolho só de anaconda. Ana Conda Drácula! (Anéim!) Foi péssimo, né?!! Cobra nem tem cabelo pra ter piolho. As cobras são carecas. Alguém conhece alguma cobra cabeluda? Ops... Esse trem ta ficando feio e ambíguo. Deixa pra lá. Mas eu sei lá de onde é que saem certos nomes. E nem de onde é que surgem esses bichos. O jardim está cheio deles, geração espontânea!! A propósito, esse jardim... Minha mãe deixou a casa com o jardim pra eu cuidar. Eu rego toda manhã, mas não tenho a mínima idéia de como é que poda, que aduba. A grama parece selva. Tem aranhas e flores. De tudo o que minha mãe me passou, jardim é o que eu menos sei fazer. Eu alimento o gerbil, cozinho, cuido da casa, incluindo banheiro, coisas que achavam improvável, mas não sei cuidar bem do jardim. Mamãe falou que o jardim era terapêutico, que eu podia aprender muito sobre mim... Mãe, eu não aprendi nada sobre mim ali, a não ser que sou preguiçosa. E eu não quero aprender coisas que eu não vou gostar (!!!). Eu não gosto de saber que sou preguiçosa pra certas coisas. Por exemplo, tenho preguiça danada de gente que acha que sabe tudo. Tenho preguiça de explicar porque eu não apareci no aniversário, no casamento, no chá de panela, tenho preguiça de dar uma resposta quando sou pressionada, e nesse calor a preguiça se intensifica tanto, que eu preferia ser líquida e esparramar no chão da praia. E a preguiça que me dá de mim?!! Li alguns textos antigos desse blog e acho que os novos parecem uma repetição requentada morna ou fria de tudo o que eu fui de melhor e mais dinâmico um dia. "So when you're near me, darling, can't you hear me SOS" Estamos sendo cozinhados no caldeirão do mundo e nessas condições, os downloads do meu cérebro costumam ser mais lentos mesmo. Do cérebro e do corpo inteiro. Ainda não penso em me adequar às novas regras ortopédicas, aliás, ortográficas. Não é por revolta nem por resistência às mudanças. (Na verdade eu não vejo tanta utilidade na mudança, além de ser incômodo e caro.) Mas minha recusa não é por nada nobre não.
É que o uso do novo português será obrigatório apenas em 2012 e caso hollywood e os maias estejam certos, o mundo também acaba em 2012 e assim eu terei evitado a fadiga!!
*
Estrelinhas pro Jaiminho do Chaves, pro ABBA (S.O.S) e logo abaixo, pro Sr. Arnaldo, pro Sr. Carlinhos e pra D. Marisa!
*
Pecado é lhe deixar de molho
*
Falados os segredos calam
E as ondas devoram léguas
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
Só do meu coração para o seu

Pecado é lhe deixar de molho
E isso lhe deixa louco
Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor
Só o amor sabe os seus

Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é bom
E ao amor me render

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A caravana da coragem e o meu sabre de luz

Em algum lugar, ficaram apenas pó de estrelas.
A vida nos aniquila e nosso trabalho é reconstruir.
Constantemente.
Com caleidoscópio, pá e cimento.
Decobrir que no final das contas, o amor era a resposta pra tudo.
O universo é infinito.
O planeta Terra e tão pequeno.
Ah...
É só mais uma tarde quente de primavera.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sem making off.

É uma merda.
Contudo, acontece.
Nas retrospectivas que fazemos em tudo o que ocorreu até o presente, às vezes constam cenas que gostaríamos de deletar. Ou mesmo refazer tudo e inserir falas e posturas melhores. Mas a vida não é um filme, não é mesmo? Pode até se parecer com um, principalmente quando representamos algo que não somos, no entanto não há claquetes, ensaios, maquiagens ou dublês. É tudo por nossa conta e todo momento é de ação... ou omissão!
Mas juro, juro que em algumas ocasiões eu gostaria de uma repetição melhorada, onde eu pudesse voltar e dar a resposta ágil, brilhante, vigorosa!
Quantas vezes eu já me martirizei por ser tão desbotada, tão hesitante, tão gaguejante, tão tola, quando segundos depois eu conceberia a fórmula que me tornaria “hipoteticamente” virtuosa, perspicaz, sagaz ou sarcasticamente interessante? Anéim!!!
Aprendi com meu irmão, sem ele nem saber que estava me ensinando, que é preciso ter desapego. Desapego dessas ilusões de perfeição, desapego do que é cena antiga. Não há nada que se possa fazer para modificar o que já passou. Como diz a música dos Engenheiros: É impossível repetir o que só acontece uma vez”. O que temos ao nosso alcance é tudo que se situa no presente como pedir desculpas, se retratar, fazer melhor na próxima, relaxar e aceitar o fato de que não deu dessa vez. Podemos provar em outras circunstâncias (mais para nós mesmos que para os outros) que somos melhores que “aquilo”. Na ausência de alternativas mais felizes, é necessário assumir o fato de que naquelas condições de temperatura e pressão fizemos o que nos era possível. O desapego consiste em não sofrer por causa disso, ou ficar assombrado com aquela frase “por que é que eu não pensei nisso antes?”, até ter medo de dormir.
Ora, fomos o que demos conta de ser. Auto-flagelação além de desnecessária, não vai modificar o que já passou.
O melhor é assumir o que se é e não se preocupar exageradamente com o que deveria ser. Inevitavelmente cometeremos ao longo da vida alguns erros idiotas dos quais nos arrependeremos depois, o que não quer dizer que somos um fracasso. Significa apenas que somos humanos. A culpa é o inferno. Paralisa e impede contornos e progressos. A verdade que assumimos liberta e impulsiona.
Porque nós sempre podemos ser melhores que agora. Não é?!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Notas sobre o escuro

Chegamos sozinhos no mundo.
E saímos dele da mesma forma.
Mesmo assim, nossa passagem por aqui só tem sentido quando estamos com outras pessoas, quando compartilhamos nossas vidas.
Porque quando chegamos, invariavelmente há alguém que nos acolhe.
E quando partimos, quase sempre fica aqui alguém que sentirá a nossa falta.
Isso é coisa que todos nós sabemos e que de vez em quando alguém diz por aí.
Mas eu só falo disso, porque agora estou sozinha fisicamente, e nem fui eu que escolhi exatamente assim. Gosto de momentos de solidão, mas amo gente, amo pessoas, adoro abraços e beijos de boa noite. Meus pais se mudaram, meus irmãos se casaram, o irmão solteiro mora longe, e meu casamento aconteceu e desaconteceu quase mais rápido que uma goma de mascar na boca. E foi a partir de então que eu vi que era comigo que a vida teria que seguir. Tipo, “Marvim, agora é só você...” Eu poderia ter consolo, mas ninguém sentiria minha dor. Eu poderia ter abraços reconfortantes, mas nenhum deles poderia mudar meu destino feito mágica e de repente afastar o cálice que me cabia. Mais do que nunca era a minha vida e pela primeira vez eu decidi que teria que ir pra longe da minha família. Sozinha. E eu morria de medo disso. De uma certa forma, fui criada pela D.Galinha Cuidadosa e pelo McGyver. Não havia problemas que eles não resolvessem, mesmo os meus. Quantas vezes meus irmãos já me tiraram de sérias enrascadas em qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada?!! Mas eu tinha que provar pra mim mesma que conseguia sozinha, que eu não era mimada e nem era incapaz. Então eu fui. Pareceu fácil num mundo de celular, internet, telefone, vôos promocionais e asfalto. Mesmo assim, Deus facilitou pra mim, porque lá longe encontrei outra família pelos laços do coração, encontrei proteção e encontrei um novo amor (que infelizmente não pode estar aqui comigo). Nunca me senti só e isso acabava me deixando um pouco dependente. Agora eu volto e o panorama está diferente. A minha casa está vazia e quando a madrugada se aproxima, os únicos barulhos que ouço são os estalidos dos móveis ou ruídos de insetos lá fora. E cara, morro de medo do escuro! Durmo com o timer da TV ativado, e se preciso ir ao banheiro, acendo todas as luzes. Um barulho diferente faz minha barriga esfriar. Minha vizinha já me convidou pra dormir em sua casa, e no início eu até aceitei. Outras vezes, vou pra casa da minha irmã, onde tem gente, gato, cachorro, coelho, crianças, barulho!!! Mas aquela lá é a vida dela, e essa aqui é a minha. E então eu estou aqui pensando que sempre tive medo das coisas. Pra começar, demorei pra nascer, e fiz minha mãe sofrer em tratamentos para a gravidez ir adiante. Segundo ela, eu tive medo do mundo. Mas nasci e, droga, tinha um monte de coisas que eu precisava enfrentar por aqui. Eu tinha medo de ser chamada atenção na escola, então sempre fui aluna padrão. Nunca colei até a 8º série, juro, mais por medo que por princípio. Tinha medo de bonecas. Tinha medo delas ganharem vida, por isso nunca quis ter uma Barbie. Nunca disse ao garoto que gostava do Nirvana que eu gostava dele. O nome dele ta gravado no meu violão até hoje: Reinaldo! Ele próprio escreveu seu nome com a ponta de uma chave no meu violão novinho (na época) e eu não disse nada. Eu o ouvia tocando as músicas do Nirvana todas as noites e nem coragem pra dizer que não gostava de Nirvana eu tive! Às vezes, acordava no meio da noite com medo de meus pais morrerem e ia bater na porta do quarto deles. Adormecia na cama deles e acordava na minha! Mágica!Rs! Tive medo de notas vermelhas, por isso agüentei a pecha de CDF por vários anos e conquistei um passado todo azul. E eu tinha medo, tinha medo e tinha medo. Nem sempre eu era boa. Às vezes eu era só medrosa. Algumas vezes o medo me impulsionava, outras vezes travava a minha existência como um segurança ameaçador na porta de um lugar que eu queria muito entrar.
E agora eu estou aqui, sozinha, me apaixonando outra vez pelo Matt Damon (amor, você não precisa se preocupar com isso! O Matt Damon não existe de verdade, ta?!) e descobrindo que no silêncio, tomar coca-cola é deixar o mar entrar na sua boca e modificar toda a sua existência durante aquele instante. Tentem isso em casa e perceberão que o som da coca cola é o encontro do mar com a areia. Boca litorânea. Eu daria muitas coisas para estar no litoral agora e dormir de conchinha, mesmo nessa primavera quente. No entanto, tenho mil dragões para vencer e não quero ser covarde com minha existência, não quero mais morrer de medo. A essa altura, não acho que isso vá mudar. Eu sou cheia de medo, até escorrer nos olhos, até ressecar a ponta do cabelo. E tem gente que me acha corajosa! (...)
Mal sabem que as decisões que tomo passam por um milhão de hesitações até se concretizarem. Coragem não significa ausência de medo. Significa não fugir quando é necessário estar presente. Significa não desviar os olhos quando é necessário encarar.
Quando o filme acabar, eu vou desligar a TV e vou dormir.
Porque há sim o que temer. Por toda parte. Viver é perigoso. O mundo é repleto de perigos e ameaças.
Mas eu não sou indefesa. Ninguém é. E eu sei que existe em mim um dispositivo que me fará passar por mais uma noite sozinha, porque ele já me fez passar por muitas coisas que achei que não seria capaz antes. Essa idéia me ilumina.
Quando algo nos ilumina, o escuro não parece mais tão assustador assim...
*
*
Estrelinhas para os Titãs, pra Jesus e Chico Buarque, pro Matt Damon no filme O Bom Pastor e pro Guimarãe Rosa em Grande Sertões: Veredas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vesúvio


O expresso do oriente rasga a noite, passa rente e leva tanta gente que eu até perdi a conta. Eu nem te contei uma novidade quente. Eu nem te contei. Eu estive fora uns dias...

(Uns Dias - Paralamas)

Pobre Pompeia...




Eram como flechas.
Desvia-se por instinto de conservação.
Não exatamente por algo que valha a pena conservar, mas por uma coisa invisível que faz com que a nossa sanidade não ultrapasse a linha do aceitável.
Que coisa é essa que não nos deixa enlouquecer?
Algo que absorve a mínima vontade que temos de vez em quando de explodir o senado ou de que o Vesúvio petrificasse o mundo novamente?
A gente vê essas coisas, esse vômito todo dia e caminhamos no meio desse lodaçal fétido e viscoso tentando encontrar flores, perfume e talvez, com algum esforço e imolação, um arco íris no fundo do pote de ouro (não importa se essa seja a lógica ou não.).
Garotas e seus micro-vestidos acadêmicos, adolescentes rebeldes, a pulsão assassina e entorpecedora dos morros, das zonas e da zona sul. Primeira classe, classe média, classe anã, subúrbio aristocrata, miséria e planos de governo. Esse egoísmo que entra em erupção a cada hipótese improvável, a cada rio que precisa ser transposto para que todos tenham água.
Qual é a minha opinião sobre a pena de morte, sobre o aborto, sobre a eutanásia, sobre o funk, sobre a castração química, sobre a venda voraz de antidepressivos, sobre o apoio do governo nacional à Venezuela, sobre o vestido de celebridade na cerimônia do Oscar e na noite de autógrafos do novelista em evidência? O que acho do fato de a Suzana Vieira querer ser desejada e não amada? O que tenho a dizer sobre a homossexualidade, sobre a fidelidade, sobre a monogamia, sobre orgias, sobre política, sobre amor, sobre reencarnação, sobre criminalidade, sobre loucura?
Percebe? São milhões de informações que recebemos por dia. Algumas nos atingem como flechas, outras não.
Algumas mudam nossa forma de viver, de ver a vida, de pensar e de vestir, de andar e de consumir, de morrer e de escrever um post. E outras são simplesmente ignoradas, vão virar adubo para uma nova civilização. O que nós absorvemos é realmente o que presta? O que vale a nossa indiferença é realmente lixo?
Sei lá...
Essa noite eu e o Leo fizemos uma cabana com edredon e cabo de vassoura e são coisas assim que fazem com que meu desejo de vulcões aniquiladores seja apenas uma efemeridade.
E a Moura torta também?
E a Moura Torta também.

Leo

Oi gente, estava com saudades de vocês e de postar. Talvez essas não sejam as palavras adequadas para um retorno. Eu não quis ser pessimista agora! É o contrário. Apesar de todos os pesares, há sempre algo pelo qual vale a pena continuar acreditando no bem, na luz e no incrível...
Sopro de Eves!



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Avelã

Minha cabeça livre tem mais tempo para pensar em você e sentir saudades.
Tive a ilusão de que nossas desavenças se escassearam por um avanço meu, uma aproximação espiritual do nirvana. Oh, pretensão!!!
Bastou apenas uma oportunidade para eu perceber que não houve evolução nem amadurecimento de minha parte.
Não me tornei mais paciente, não me tornei menos egoísta.
Na verdade eu estava flutuando como um balão que se distanciava de você.
Sentimentos suspensos.
Eu neguei, mas sei que por algum tempo fui apenas a voz do outro lado da linha respondendo perguntas com monossílabas e desejando que você simplesmente entendesse.
Não sei se você entendeu, mas soube suportar bem, esperando essa aterrissagem.
Dedico a você algumas linhas em agradecimento, mas eu sei que em minha vida você é mais que um elemento pré-textual. Estou sempre querendo te mostrar isso. E parece que é sempre insuficiente. Às vezes cansa ser tão deficitária.
Então eu abro esse livro e encontro o marcador improvisado: o papel de bombom de avelã que você me deu.
[...]
A eternidade é tão condensada em nossas formas imprecisas de amar...
De repente sentimos medo de mover a próxima peça e perder o jogo.
Há quem sacrifique as peças mais frágeis apenas pra acelerar o fim, pra antecipar a derrota como se o resultado fosse previsível desde o início. Entrega o jogo sem considerar o elemento surpresa, sem definir uma boa estratégia que interfira nos próximos movimentos.
Bom, quero que saiba que não sou essa pessoa.
Apenas perceba que em minha deficiência já percorri distâncias abissais, só para estar mais perto. Apenas perceba que intensidade não consiste apenas na quantidade de frases de amor que eu possa dizer.
Estou aqui.
Quero ver como fica esse tabuleiro no futuro.
Irei até o futuro...
*
For many hours and days that pass ever soon
the tides have caused the flame to dim
At last the arm is straight, the hand to the loom
Is this to end or just begin?
All of my love, all of my love,
All of my love to you, NOW

(All of my love - Led Zeppelin)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Maria Joaquina do Amaral Pereira Góes...

Gente do céu, hoje posso dizer que é um dia feliz.
Estou 500 toneladas mais leve porque consegui completar uma missão importante.
Muito importante pra mim.
Mas foi com o apoio de todo mundo.
Ninguém constrói sozinho.
Até o Tarzã precisa de um macaco! Na verdade, da macaca!
Esse não é um post sobre vitória.
É um post sobre gratidão.
Eu estou expandindo de felicidade e gratidão por Deus colocar na minha vida pessoas que fazem com que ela dê certo.
E engraçado, nem sei por que, mas só consigo pensar agora naquela música que nem sei de quem é. Só ouvi num carnaval distante...
Aaaaaaaaaahhhhhh!! Quero dançar!!
Maria Joaquina do Amaral Pereria Góes, você "contribói" para o meu viver!!!!!!!!!!!!!!
*
*
Só falta ter um filho agora...
Mas isso eu também não posso fazer sozinha ; ] !!!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Potencial consciência do risco

*
"Embora seja um conceito claro, não podemos defini-lo bem"
(Bleuler - sobre a consciência)
*
Se o seu encanto acabar na próxima estrofe,
se descobrirmos mais tribos canibais que vão nos devorar
como o tempo faz com todos os amores suspeitos,
o que é que vai ser?
O que será de tudo aqui, de tudo que foi construído até aqui?
Ninguém quer as responsabilidades de um herói, mas todos querem ver o próprio nome ressaltado nos créditos.
Ninguém quer acordar.
Quem adormeceu não vai despertar antes do desenrolar dos fatos.
Coisas se perderão e não haverá replay.
Perde-se demais por manter os olhos fechados querendo enxergar existências que não estão aqui.
Perde-se demais o tempo
querendo clarear o quarto com a luz os olhos
Não haverá milagres, nem profecias vãs.
Meu bem, não espere uma mágica.
Não vou tirar um sentimento da cartola e dizer que ele é seu. Ou meu.
Não haverá disfarces que salvem as manhãs de toda revelação.
O próprio Sol revoluciona toda vez que vem rompendo a madrugada.
Nem as estrelas resistem.São de outras grandezas...
Quem dirá os gatos pardos da noite...
Queremos inventar um resultado para todas as equações, mas que tudo se explique com a lógica.
Não necessariamente vou desaparecer, mas provavelmente eu não ficarei se tudo continuar assim, do jeito que não reconheço nem mesmo a imagem que tenho no espelho.
Pareço estar aqui.
Você pode vir se quiser e pode ficar, se achar melhor.
Devo avisar, no entanto, que só posso escolher por mim mesma.
*

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pra quando a energia faltar...

Sabe quando você vai riscar um palito de fósforo e ele se quebra?
Sabe quando você risca várias vezes até que o fósforo se gaste e o palito fique perdido?
Alguns dias são assim.
A gente acorda com ansiedade, pensa numa coisa o dia inteiro e o mais perto que você consegue chegar é do "quase".
O quase, linha que separa o impulso do resultado.
O quase, a tinta que desbota a mais sincera expectativa.
O quase, arauto da frustração.
O quase, cemitério dos desejos e das conquistas.
Mas não tem nada não...
Há sempre outros fósforos na caixa.
Há sempre outras caixas de fósforos.
Há sempre um Magic Clik pra quando a energia faltar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rumos


Às vezes a gente acelera sem saber qual o destino.
No fundo, a gente sabe que tem pra onde voltar.
Se tudo é sequência, dá pra retornar e continuar dali.
É saber renunciar o mergulho no desconhecido,
mas ao mesmo tempo reinventar a felicidade no território que deixamos pra trás.
Se eu me afasto de você, com esse vento, nesses quilômetros, é porque a lágrima tem que se tornar alguma outra coisa. Um arco-íris! Mas eu sei que estou por perto.
É que de vez em quando o mundo parece que se expande enquanto o quarto diminui.
E de repente surge aquela necessidade de expandir também, de romper os limites que por muito tempo deixamos ali, como marcadores da nossa capacidade. É só uma coisa se quebrar por dentro pra gente querer provar que os limites são elásticos, que sempre dá pra ir um pouco mais além. Quando não dá, ainda sim podemos retornar e reinventar a felicidade no território que deixamos pra trás. Lutar com as armas que possuímos e não ser tão radical. Não são apenas duas respostas. Sim ou não.
Olha só tamanho do universo! Olha só o início da primavera!
Nem sempre eu sou a mocinha da história.
Com as características que eu tenho, não dá pra ser mesmo.
Apesar disso, eu sei que estou por perto.
A linha de chegada se aproxima,
mas quando a onda quebra sobre você, não há o que fazer.
Você está entregue ao mar.
*
*
*
Bia, saudades, saudades, saudades de você, irmã interplanetária!
Saudades da Brenda me acordar domingo cedo pra andar na praia, saudades de terça-feira à noite com a D. Bátima assistindo Toma lá- da cá, saudades do café quente e fresco (!) do Sr. Henrique.
Nem sempre eu provo do jeito padrão, mas eu sei o que sinto.
É que vim ao mundo meio desregulada...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mais do mesmo!

Come on baby, ligth my FIREWALL, para não deixar passar nenhum vírus letal pelas portas desse café, ou se passar por The Doors no Windows XP. Para que nenhum Hacker invada este espaço e que não seja invadido por um rato qualquer... A não ser os ratos de prestígio, assim como Ratatoille, assim como o Topo Gigo, Mickey mouse, lap top less na areia digital, ondas e tijolos. Use proteção de tela para sexo virtual. Norton nos norteie, nos defenda de uma virOSE Osbourne, I just want you, Iron MAN, DIGO sem esMOLAS encolhidas na temporada ideal. Impulso. EuroTrip pelo guia do Terra. França, Itália, Holanda. Se ouvir Chico BuARQUE com as conseqüências. E tenha fé se for ler NietzsCHE Guevara a noite em claro na Alemanha, na ArgenTina Turner, cabeleira black POWER POINT no Brasil. Na Europa, tu ropas, ele ropa, ele rompe, nós rompemos. Ele foi. Você vem. Se vier clandestino dentro de um container, contenha seu grito e mantenha a sanidade. Abstinência, coca-cola e rock em ROUpa nova do imperaDOR de cotovelos como as de canções dos traídos. Eu que sigo distraída, não quero ouvir refrão de música sertaneja. Do sertão, quero as veredas e as neologias cor de Rosa. Quero um tridente e duas asas. E no meu café quero abundância, não essas revistas cheias de rostos melhorados em Photo Shop. Juca Chaves já dizia que a beleza de uma mulher não tá na cara. Tá na jura, tá na jura...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

É de gelo, é de tempo, é de manjericão...


Estou às voltas como tempo esses dias. O tempo é surdo e não nos ouve. Ele simplesmente passa. Cheguei a afirmar em um post anterior que as coisas eram feitas de linguagem e tempo. Não falei apenas de linguagem falada, mas de linguagem como expressão, comunicação, como uma tela cujas características fazem com que você identifique o artista que a pintou. A linguagem está impressa nos blogs, na arquitetura, nos desleixos e nas belezas da cidade, nos banheiros públicos que a falou, nas pichações que poluem e cansam as retinas, nos grafites, na forma de andar, na forma de um povo se vestir, de comer, de festejar, de popularizar certos esportes, na forma de um povo elaborar suas leis e julgar os seus, em tribunais ou não. É algo cultural. A cultura é a linguagem. Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.
Mas porque eu estou falando essas coisas? É porque acabei de tomar sorvete de casquinha. E sorvete é todo tempo e linguagem (no seu sentido mais superficial). Sorvete ao ar livre tem prazo pra ser consumido, senão derrete. No copinho ele se transforma num mingau gelado, mas na casquinha, o tempo voa, amor, e o sorvete escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir!
No Brasil, lá na década de 30, um navio norte americano aportou no Rio e trouxe toneladas de gelo em bloco que um comerciante chamado Deroche usou como base para o suco de frutas. Era a forma precária de se produzir sorvete (ainda não tinha leite na fórmula). Só que não havia freezers e ele tinha dificuldade para conservar o sorvete sólido depois do preparo. A solução foi o que se deu: ele publicou no jornal a seguinte propaganda: “Sorvete todos os dias, às 15 horas, na rua Direita, nº14.”. Pensa?!! Outra coisa no sorvete é a capacidade de transformar um erro em prazer. Eu sou fã incondicional do sorvete de flocos, e segundo o Manô, o sorvete de flocos nasceu da sucata do Eskibon (produzido pela Kibon desde 1941). É a reinvenção do improvável. É a linguagem alargando os limites do mundo, fazendo os cacos de vidro tornarem-se peça de um caleidoscópio.
O prazer, a dor, as coisas todas passarão, e nós todos passarinhos, mas nossas marcas estarão aqui, impressas na ordem universal, eternizadas em outras dimensões, embora o sorvete, em qualquer delas, sempre derreta!

Uni duni duni tê, ô ô ô ô
Salamê minguê, ô ô ô ô
Sorvete colorê
Sonho encantado onde está você?

Estrelinhas de hoje: Emmanuel (o tempo é surdo), Wittgeinstein (mundo e linguagem), Lulu Santos (Tempos Modernos), Carlos Eduardo Novaes (reportagem sobre o sorvete com hora marcada), Mario Quintana (Poeminho do Contra) e Trem da Alegria!

sábado, 12 de setembro de 2009

Urgência


Talvez seja porque o tempo roça meu calcanhar com fúria e fome.
E você sabe, eu não posso me render a essas coisas...
Essas coisas que são de um jeito aqui e de outro jeito em outro mundo, em outros espaços. Reinações da velocidade ou da luz. Sei lá... As duas juntas fazem o escarcéu (!).
O tempo está atrás de mim, em minha frente e por dentro.
Se eu explodisse agora, seria tempo também. Tudo era tempo. Tudo foi tempo, mas nada do que foi será de novo e algumas coisas que vão, voltam, tipo o João Bobo.
Um papel em branco, A4 é uma possibilidade quase mágica.
Sem definições e sem diagramas, sem a impaciência de configurar a página e ver que a impressão se deu conforme o esperado.
Conforme o esperado...
Não dá um frio na barriga quando esperam algo de você, mesmo que seja apenas você de qualquer forma, do jeito que vier?
O início de Come as you are foi a primeira coisa que toquei no meu violão, só porque era mais fácil do que fazer “quem quer pão.” Fiz promessa pra ganhar aquele violão, o primeiro (Todynho,meu companheiro de aventuras!). Eu tinha 13 anos e muita expectativa. Disse que iria caminhando da minha casa até a escola que eu estudava. Eram 15 Km. Eu nunca cumpri. Deve ser por isso que eu toco mal pra caramba. E hoje eu nem acredito em promessas, embora ainda sinta vontade de voltar lá naquela antiga casa e perfazer o caminho prometido. Cumprir alguma coisa e não prometer mais nada. Pra mais ninguém.
Mas são todas informações impressas no tempo, com margem esquerda e direita relativamente indefinidas.
A cada enter que aperto é um prazo que expira no mundo e estou cansada de chegar ofegante. Cansada. Ofegante.
Vamos, senhores, que tudo é urgente.
E gente, dizem por aí que a vida não faz sentido. Quem faz sentido é soldado. Mas acho que existe um sentido pra tudo sim. Eu é que não sei entender bem.

Mais puro é o amor...

Mas a incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem sorriso que parece choro
Tem choro que é pura alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
(Teatro Mágico - Sonho de uma flauta)

Hoje as estrelinhas vão para: Einstein (Teoria da Relatividade), Lulu Santos (Como uma onda), Nirvana (Come as you are), Marisa Monte e Cia (Levante) e Teatro Mágico

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Trancrições da Madrugada

E então, no fim você descobre que todas as coisas são compostas de linguagem e de tempo.
Você se envolve em tantas coisas diferentes em sua trajetória que nem consegue entender muito bem como foi capaz de certas escolhas. No fim, traz inscrito em cada ato um pedido de socorro. Nas lágrimas ou nos murros. É desolador ver que o mundo não tem tantas escoras assim e nem tantas respostas. No deserto, parece que o mundo nem tem tanta gente. A madrugada parece um recreio, mas tem alguém que pode roubar o seu lanche. E você vai precisar ser o super homem, o Überman. Vai precisar se bastar. Vai aprender que a fé é a confiança na extrema incerteza, é se agarrar numa barra que não pode ser vista nem provada. É superar os sentidos e se entregar num pulo acreditando que haverá chão mesmo quando dizem que ele não está lá. Você vai passar nesses paradoxos e descobrir que o maior deles é o amor, do jeito que se entende por aqui. E então, no fim você descobre que não há fim, só passagens. No fim não há considerações gerais a fazer. Está tudo aí para quem quiser ver...
*
Michele quase no fim de seu imenso trabalho, que levou quase uma vida toda.
Estrelinhas para Nietzsche, Baiano e os Novos Caetanos e Aimee Mann

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem se importa?

"A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores".
Platão
*
*
Ah, Elga...
Eu estava aqui quietinha, preocupada com meus loucos e com seus crimes e você vem levantar essa bandeira! E eu não posso ser indiferente a isso, pois há uns dias fiz um discurso inflamado sobre o atual panorama ético-político do nosso país. Ficar sem reagir agora seria muito incômodo! Seria confortável continuar com meu pão e com meu circo, meus conflitos e minhas letras, mas o verde e o amarelo cabem num post e principalmente as estrelas. O país está passando por momentos graves, pois a parte afetada é a base da democracia, de toda construção política moderna: a ética. Eu gastaria várias linhas, livors inteiros para falar sobre ética, mas não pretendo escrever agora para acusar governos e governantes, mas para chamar a atenção sobre o nosso papel de cidadão. Sobre toda a responsabilidade que temos com o poder que só existe e se manifesta em função do seu povo. Não há aquele ditado de que cada povo tem o governo que merece? De uma certa maneira, nós merecemos isso sim, pelo nosso silêncio, pela nossa indiferença, pela nossa preguiça de pesquisar a história dos candidatos, de pesquisar de estudar os planos de governo de cada um, pela nossa descrença em cobrar de maneiras adequadas a efetivação das propostas, pelo nosso descaso em dias de eleição, pela negligência do próprio voto, pela alienação política que nos afeta e nos torna incompetentes para a democracia. Somos brasileiros com muito orgulho e com muito amor só quando somos torcida?!? Democracia é mais que futebol, que natação, que qualquer esporte. Porque os campeonatos sempre acabam, mas nossas vidas seguem. Muitos deram a vida para que pudéssemos ter direitos hoje, inclusive o de escrevermos o que quisermos em um blog. Não se comprometer com o país é desvalorizar a luta pelo progresso.
Já entregamos nosso ouro nos anos 60 para um movimento democrático muito suspeito.
Que a responsabilidade não nos faça entregar de bom grado o nosso orifício circular corrugado também. Ta, gente, como queiram... o nosso cu.
Foi lançada uma campanha para que participemos das atividades do dia 07 de setembro em nossas cidades, mas eu desconfio de campanhas impostas de forma vertical. Por isso vou aderir a essa da http://www.omundobythais.blogspot.com/ , porque eu acredito é na rapaziada!
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BRASIL, MOSTRA A SUA CARA, QUERO VER QUEM PAGA PRA GENTE FICAR ASSIM!
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Comemoramos o Dia da Independência do Brasil, resgatando nosso patriotismo adormecido e protestando contra os abusos, a corrupção e a impunidade de uma classe política que zomba e se lixa para nós. Repasse essa campanha adiante. Nosso país agradece.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mola (Natureza Morta)

Vale lembrar que tínhamos um pacto
Que por descuido foi quebrado
Jazia por ali um amor, antes intacto
Velado com muito cuidado
Era agora um corpo inerte sobre a mesa
A fruta que morria por dentro
Foi o primeiro anúncio do outono
Seu grito de liberdade
Era tudo o que se ouvia
O som das folhas ao vento
A denunciar sua partida,
O silêncio ensurdecedor do meu peito
Ninguém ouvia
O silêncio ensurdecedor do meu peito
A denunciar sua partida
O som das folhas ao vento
Era tudo o que se ouvia
Seu grito de liberdade
Foi o primeiro anúncio do outono
A fruta que morria por dentro
Era agora um corpo inerte sobre a mesa
Velado com muito cuidado
Jazia por ali um amor, antes intacto
Que por descuido foi quebrado
Vale lembrar que tínhamos um pacto
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abril/2005

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A perna adormecida

Num reino não muito distante daqui, onde os passarinhos assobiam o início de Patience
e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box,
vive uma não tão bela plebéia. Não, não, não...
Vamos mudar esse início:
Numa república federativa não muito distante da Bolívia ou da Argentina, ou do Paraguai,
onde os passarinhos assobiam Tico-Tico no Fubá e as menininhas fazem coraçõezinhos no embaçado do Box (resolvi deixar a parte do banheiro aqui!), vive uma razoável cidadã. Razoável? Que adjetivo é esse?!
Ela não tem madrasta má e não há bichinhos para o caçador arrancar o coração. Nesse lugar, a perversidade é camuflada, mas consegue-se ter uma harmonia apesar de tudo.
Certa perversidade existe nos padrões. Era uma república, era necessário estabelecer padrões para que os cidadãos soubessem por onde andar, o que fazer, onde fumar, onde trepar, essas coisas... E nós sabemos que quebrar padrões é se tornar diferente do resto ou de certa forma ser mais ou menos do que os outros que estão dentro do que se espera. É assim que surge o louco, o marginal, o gordo, o feio, o inadequado, as minorias.
Bom, mas essa razoável cidadã não queria saber nada dessa coisa antropofilosófica. Ela queria era caber naquela calça número 42. Estava sem entender porque a 40 não serviu, porque não passou nem nas coxas. A 42 não fechava o zíper direito, nem murchando a barriga. Comprou a 44 pensando que aquilo era absurdo. A calça número 44 nova tinha a cintura menor do que aquela velha que estava usando, número 40. “Poxa, deviam padronizar geral”. Lá na loja, enquanto ela dizia “Isso aqui não ta certo”, a vendedora respondia “É que depende da fôrma”. E ela em pensamentos “Que fôrma é essa que quer colocar todo mundo em forma de Barbie?”
Mas ela saiu da loja mais ou menos feliz com sua nova calça número 44. Fingiu que não ia se importar, mas chegou em casa com fome e comeu só maçãs. Agora estava numa dieta dessas por conta própria, à base de maçãs.
Finalmente chegou o dia em que a calça entrou confortavelmente. A nova calça número 44. Iria valer a pena, pois nos últimos dias ela vinha sonhando com frangos assados dançando Can Can sobre a mesa, espaguetes enroscando em seus braços, bombons fazendo passinhos de pagode... (A fome é má conselheira!!hehe).
De calça nova ela foi ao encontro do príncipe, aliás, do razoável cidadão. Ele demorou um pouquinho pra chegar no lugar marcado. Ela esperou se entretendo com um joguinho de celular
e nisso sentou sobre a perna e ficou lá. Calça skinny, perna dobrada, ele chegando...
Quando ele veio, ela se levantou depressa, mas a perna não acompanhou e foi inevitável o tombo. Não teve glamour nem cavalo branco, só a pequena tragédia. Ploft! "Ãin"
“Cê ta bem?
“Claro que não" pensou ela, "morrer é melhor”
Mas o que ela disse foi outra coisa: “ Tô sim. É que minha perna ficou dormente”.
Então ele veio com aquela mania que as pessoas têm de ficar esfregando a perna adormecida dos outros, até aquela caimbrinha passar. “Formigou?”, ele pergunta.
“Pára com isso, ta doendo”.
Mas ele insistia. Depois que passou o vexame e o formigamento, ela riu do próprio tombo, pensou em como aquela calça apertava a batata de sua perna e disse: "O filme vai começar daqui a pouco". Ele se desculpou pelo atraso e juntos foram felizes para o sempre que cabia entre aquele ponto e a sala de cinema.
Mas antes fizeram uma parada.
Hoje ela queria Milk Shake de Ovomaltine! De 500ml.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Com os lábios e com o coração

Estamos na ponta inicial do século XXI.
Não. Não há carros voadores, não há teletransporte ainda e mal chegamos na Lua.
O pequeno passo para o homem parece ser ainda o pequeno passo, apenas a expectativa do grande salto que a humanidade virá a fazer. Temos essas coisinhas cibernéticas, somos modernos, temos as facilidades eletrônicas, as tecnologias de ponta, todo o desenvolvimento científico e mesmo assim as coisas invisíveis ainda nos assombram, sejam fantasmas ou vírus.
Mas o que mais tem me assombrado é o encaixe imperfeito das teorias e das práticas. Como disse o Cazuza: Quando as idéias não correspondem aos fatos. Estou falando do ser humano intolerante com as diferenças e com os erros alheios. A música Gospel está em franca ascensão. São pastores, são fiéis, artistas convertidos lançando Cds. Em cada canto do país tem um padre cantando. Eu cheguei a achar que era muita mercantilização das coisas de Deus, mas hoje penso que se a mensagem toca a pessoa, se a mensagem transforma, então está valendo, embora muitas vezes o cantor chame mais atenção do que a música (!). No filme Stigmata, a mulher em transe diz: “O mensageiro não importa”. Era pra mensagem importar mais que o resto, mas enfim... Ouvimos louvores em diversos ritmos, em funk, em pagode, em forró, remixado. Até no carnaval tem axé carismático. O mundo não devia estar bem melhor? Se os caras vendem tanto CD, se os shows lotam, as pessoas não deviam estar inundadas de algo divino? Eu não estou falando de santidade. Falo das coisas simples como respeito, tolerância e amor. Coisas que o próprio Jesus fazia. Ele dizia que os sãos não precisam de médico. Era cercado por prostitutas, homens rústicos, cobradores de impostos (que não eram nada bem vistos na época) como o agora tão famoso Zaqueu! Ele dizia que atirasse a primeira pedra quem não tivesse pecado, e hoje o que vemos são “nobres fies” julgando e pior, condenando sumariamente o seu próximo.
Gente, quando Paulo era Saulo, matava pessoas inocentes, até que um dia se tornou Paulo, o apóstolo. Francisco de Assis, quando ainda era Giovani, aproveitava a vida como qualquer garoto da sua idade. Sidarta Gautama, era alienado dentro de seu palácio real.Só depois se tornou Buda. Tudo segue um curso devido na vida. Cada um tem seu momento de despertar. O respeito mútuo é dever de todo ser humano, porém, com aquele que repete as palavras do Cristo, ele é necessário, até porque “Muito será cobrado de quem muito recebeu”. Respeito às limitações, às fraquezas, às escolhas, ao modo de vida. Silêncio em relação às mazelas do próximo (Falo da fofoca.). Oferecer compreensão e auxílio quando a pessoa revela seu erro e não reagir com posturas radicais que condenam e segregam. Sim, porque quando aquele que sofre chega até nós, pode ser que ele esteja procurando a última estaca pra se sustentar. Se não lhe oferecemos isso, ele se afunda no erro e ali teremos também nossa parcela de culpa. De onde já se viu isso? Como se os padres, os pastores, os rabinos, os sacerdotes, os palestrantes não tivessem também um arsenal de erros... Como se fôssemos perfeitos!
Isso não significa amar o erro, mas amar o outro.
Este povo me louva com os lábios, mas seu coração está longe de mim... Frase de Jesus. Faz tempo que ele disse isso.
Faz tempo que repetimos as mesmas posturas.
Que nossos corações possam se aproximar mais do divino não só com louvores, com frases, mas também com exemplos, amando quem está do nosso lado, amando aquele que sinaliza um problema, amando sobre tudo, como atitude.
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Michele acha religiosidade mais importante que religião. Religar-se com o que é superior à nós qualquer ser humano consegue, seja ele ateu, a toa, beato ...
Mas a Michele (mesmo submersa em defeitos e fraquezas) acha que as idéias devem corresponder aos fatos. Se a pessoa prega o amor, ela deve ser capaz de amar. Com atitude.

sábado, 22 de agosto de 2009

All we need is love!!!

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"A arte deve ser o Belo expressando o Bem"
André Luiz
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Eram outros os planos para sábado à noite, mas a crise de tosse me fez ficar quietinha em casa, principalmente porque é dia de ventania.
Hoje ventou pra caramba e ainda venta madrugada adentro.
Ficando em casa, comecei a ver o Criança Esperança.
Nem pretendo agora entrar no mérito da solidariedade, da destinação das doações, ou algo do gênero. Só quero comentar como foi bonito o espetáculo.
Não sei como o “do” foi parar entre Trenzinho Caipira (ficou Trenzinho do Caipira) na apresentação do Luciano Huck, mas a abertura com Villa Lobos, executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira de Jovens foi emocionante. O Didi, diferente de outros anos, não entrou com aquela jaqueta branca, mas vestido de maquinista do trenzinho.
Os atores da Globo estavam lá, circenses, mambembes, misturados junto a outros artistas menos conhecidos. Alguns tiveram números solos, mas grande parte deles estava ali anônima, o que foi bonito também. Milton Nascimento cantou “Maria Solidária” acompanhado de um coral de crianças. Foi muito bacana. Tudo foi bacana, música, figurino... Em seguida teve a Ana Carolina com o trecho musical que ficou “me ganhou, vai ter que me levar”! Ela é mulher de shows empolgantes, mas que não empolga platéia de Criança Esperança não! A empolgação fica por conta de Vitor e Leo (minha única rendição ao sertanejo, por tudo o que são!). Então, de repente eu ouço os acordes de “All we need is love”. E era a música toda, interpretada pelos rapazes do Fresno, Cídia e Dan e Júnior Lima de barba e tudo tocando bateria! Depois vem a Sandy cantando Chico Buarque. Justo a música da bailarina. Foi interessante ver a Sandy enfeitando a voz pra cantar palavras como “pereba”,”ameba”, “piolho”!!!. Nessa mesma apresentação, ainda houve um solo de ballet da Ana Flamengo, ops, aliás, Ana Botafogo! Teve uma moça que não conheço que se apresentou cantando “Gente” do Caetano com um arranjo bem legal. Ao fundo, aquela pintura da Tarcila do Amaral cheia de rosto de gente que tinha no meu livro de Geografia da 8º série (século passado!!): “Operários”. Nossa, teve Tim Rescala com pequenas apresentações de música e humor, teve uma apresentação incrível das acrobatas do Cique du Solei e outras várias apresentações que provaram que a Globo surpreende sim. Às vezes a gente espera algo embalado pra viagem e recebe uma viagem inteira cheia de paisagens bonitas.
E o sábado se vai abocanhado pelo domingo e junto com ele minha vontade de permanecer acordada!!

Sopro de Eves!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vaca Sincera

Repouso meu olhar sobre o pasto onde pastam bovinos e penso:
Será que pastando eles pensam?
Ou será que o que eu penso que penso nem é pensamento?
A pasta com os documentos ficou para trás.
Por enquanto eu finjo que existo e pasto no mundo:
Imenso curral de absurdos onde pastam as vacas do meu pensamento.
A pasta de dentes há muito não tem validade,
por isso eu dou meu sorriso amarelo,
sorriso sem graça e quase sincero.
Alegria que pousa no pasto, alegria tão vasta (!) ...
Às vezes confundo alegria e vaca, mas uma saltita, a outra só pasta.
Uma vaca levanta a cabeça e me olha profundo.
Eu digo: Oh, vaca, eu não sou Raimundo e meu mundo é vasto,
o seu mundo é um pasto.
A vaca sorri e me fala:
Meu nome é Malhada e meu pasto é vasto,
o seu mundo é um pasto.
Abaixo a cabeça e me rendo. Concordo com a vaca, sem ressentimentos.
Eu vivo num pasto confuso, aposto que fui, não sei se já era...
Rumino a idéia que tenho da vida,
mas deixo na manga uma carta escondida
E um dia eu venço essa vaca sincera.