terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIDAR

É sem a pretensão de querer parecer mais forte que admito: é difícil lidar com as escolhas.
Não sei dizer se é mais difícil decidir do que suportar as consequências.
Algumas escolhas nos trazem alívio.
Outras, saudade.
E a saudade, como eu já disse por aqui,possui efeito mágico, capaz de revogar todos os incidentes e fazer da lembrança uma morada confortável.
Ainda há aquelas escolhas das quais nos arrependemos.
Pode ser que seja possível voltar atrás.
Pode ser que seja imprescindível seguir.
Lidar com o que há depois é a arte do desapego ao que era antes.
Mesmo que o antes não parecesse tão brilhante como o antes que é agora.
Uma sensação temporal de relatividade.
Sensação que sobe como lava até a garganta e se transforma em um nó.
Lembro que quando era criança, enviei uma carta para o programa da Xuxa.
Toda manhã, eu, meu irmão mais novo e meu cobertor vermelho, ficávamos lá esperando ela sortear a nossa carta.
E quando ela lia um outro nome, subia em nós essa lava, uma frustração infantil que ia passar.
Criança sabe lidar bem com essas coisas.
Um dia a Xuxa pegou nossa carta!
Mas esperávamos que ela, não o carteiro de roupa amarela, azul e boné, viesse entregar o brinquedo.
Não importa, nós crescemos de qualquer maneira e passamos a deixar de esperar pela Xuxa e pelos disco voadores.
Pela estrada afora nós continuamos esperando outras coisas, buscando,sonhando, conquistando e aprendendo, recuperando e desistindo.
Não sei quantas vezes nós tivemos certeza absoluta do que fazíamos
E sei que perdemos tesouros pelo caminho.
Como aprendizes, não se pode esperar de nós atitudes tão mais sábias.
Não se pode esperar que alguém acerte os números da mega-sena em todo jogo, embora a gente saiba que quem não joga não vai esperar ganhar ou perder. Vai apenas passar.
O que precisamos ter é a consciência de que seja qual for a nossa escolha, é preciso lidar com elas, porque não vai adiantar fingir que não há consequencia, perdas, ganhos e expectativa de arco-íris depois da chuva.
A vida é assim.
Uai!
O importante é apesar dos pesares conservar o sorriso da lida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PRA NÃO DEIXAR ESFRIAR

Um pouco mais sobre o post abaixo. Um pouco mais sobre nós...

Hoje ao acordar, pensei duas vezes se ia tomar banho.
São dias frios esses.
O café esfria sobre a mesa em segundos.
Mas eu não esquento a cabeça.
Meu coração ta aquecido e pulsa.
A própria vida desfibrila quando a morte aparenta aparecer e fazer parar seu coração.
E depois do choque existe mais vida.
Mas se não houver VONTADE, andaremos sobre o deserto.
As noites no deserto são frias, mesmo assim, são tantas estrelas visíveis no céu...
No final, a felicidade acaba sendo escolha própria, conquista dos bravos.
E vai depender da natureza da felicidade que se quer.
Efusividade? Vulcões? Festa?
Ou paz, calmaria, certezas efêmeras, assistir filme a dois, abraçados...
Em alguns dias fica difícil acreditar, mas ter a paz como salário recompensa nosso esforço, nossa luta contra a desistência.
E nos redime de nossas ações mais infelizes contra o belo e contra o justo que supomos não existir.
Eu acredito. Não porque minha fé seja grande, mas porque vejo, porque toco, porque sei que é palpável a bondade humana.
Porque sei que a luz faz diferença demais quando ta escuro e ninguém te ouve.
Até os afogados têm lanternas!!
Mesmo uma lanterninha de celular, ou o display, já resolve quando a energia acaba.
Como as estrelas do deserto, que falei a pouco.
Como quando seu sobrinho vem correndo da esquina pra te abraçar.
Pequenos fragmentos de luz.
Normal, a gente se perde, a gente perde a fé e perde junto tantas coisas pelo caminho. Algumas a gente perde e nem percebe, e no futuro sente falta e nem sabe do que.
Tudo bem mesmo se colocamos o dedo em riste, se esperneamos, ou se conservamos uma resignação cética perante o mal do planeta.
É normal você chorar, se sentir confusa, sentir que o Sr.urso polar raivoso está urrando dentro de você. Se até a semente sofre para romper a terra e nascer, então é bom sinal esse incômodo. Tá ótimo.
Mas será tudo péssimo se for assim pra sempre. Porque o importante é o movimento, são as transformações.
O mundo te abraça, mesmo que seus braços estejam rente ao corpo.
Mas quando você abraça a vida, você envolve um mundo inteiro perto do seu coração e deixa um rastro luminoso por onde passar.
Então, me explica, pra que deixar o café esfriar, porque deixar o amor esfriar, se ele vale e pena e nos faz tão bem?
Porque deixar a sombra do medo ocultar as belezas da simplicidade?
Porque teimar em seguir contra a corrente?
Se vai doer de todo jeito, melhor que a dor valha a pena, melhor que ela nos ensine e nos liberte da escuridão.
Ne não?
Nosso caminho é como o Buzz Ligth Year (!!!!) disse: Ao infinito e além!!!
As crianças sabem disso.
Acho que não perdemos por tentar.

***

Meu espelho, meu anel,
Diga agora o que virá?
Arco-íris de papel
Onde o ouro deve estar?
Quero aprender pra saber
Quando a estrela faz sinal
É uma bola de cristal?
Ou é você que quer me dizer
Que gosta de brilhar,
Solto no céu, favo de mel,
Tão doce de provar, tão fácil de gostar!!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Da amarga planta

Às vezes dá a impressão de que nós falhamos como seres humanos,
De que Deus falhou como ser supremo de infinita bondade e justiça.
De que o conceito de evolução permite retrocessos.
No entanto, se analisarmos a história do mundo, se pensarmos bem em tudo o que acontece ao nosso redor, acabaremos por perceber que são apenas impressões, geradas por um pensamento rápido, baseado no senso comum, isento de críticas.
O mundo está bem.
Olha como eram as ruas de Roma.
Olha como a França era suja e promíscua.
Olha como os bárbaros comiam!!
Olha como era no início, na colonização do Brasil.
Olha o direito penal, como ficou mais humano.
Olha o fim da escravidão.
Olha os julgamentos feitos através do devido processo legal.
Olha nosso direito ao voto, à democracia, por mais imaturos que sejamos.
Olha a higiene como melhorou.
Hoje tem banheiro, band-aid, absorvente, desodorante, pílula anticoncepcional, travesseiro, edredon.
Olha só, temos edredons!
Como alguém diz que o progresso anda de ré?!?????
O noticiário às vezes nos espanta. Casos como o do goleiro Bruno atraem a atenção da mídia e a ira da turba que mal sabe que o mal está em cada gesto bom que deixamos de fazer.
Sujos querendo justiça feita aos mal lavados.
Se a justiça fosse feita, daquela olho por olho, dente por dente, o mundo estaria perdido.
Seria uma prisão, cheia de aspirantes a redenção.
Mas a lei que nos rege é outra, uma lei que permite que a dor ensine e revele novos caminhos.
Da amarga planta extrai-se a mais salutar substância.
O boldo resolve problemas digestivos.
O soro antiofídico é tirado do próprio veneno da cobra.
Não há criminoso que não contenha algo que brilhe por dentro.
Não há catástrofe que não venha redimir o mundo de alguma forma.
Como diz meu chefe, depois que descobriram que cocô vira esterco, nada mais se perde no mundo!!
E sendo um pouco mais rebuscada na intenção, quando há amor em nossos olhos, em nossos corações, o mundo não parecerá pior do que já foi.
Estamos na Highway da evolução.
Para o Alto e Avante!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SOMETHING

A rodovia era a mesma a não ser por um pequeno desvio perto da entrada da cidade.
Há poucos minutos a vida esteve por um fio, um deslize, uma distração, um movimento errado no volante, visibilidade distorcida pela lágrima caída...
Ela era tão dramática, adorava chorar acelerando.
Demorava pra tomar as decisões, mas quando tomava era porque a quota de certeza era maior do que a parcela nebulosa da dúvida.
Então, se estava certa, porque aquela sensação de perda, de soco no estômago?
Cadê a serenidade das decisões?
Cadê a calmaria da coisa certa?
Ah... Pensava em como a vida era inexata.
Nunca achou que João Gilberto, o chato de galochas era melhor que o silêncio.
Para aquele momento, Luan Santana, o chatinho de botas cairia melhor. Depois o resto da play list sertaneja que ela um dia teve certeza que nunca ouviria.
Mas era tão claro o motivo do sucesso daqueles artistas. Eles simplesmente falavam. Não rebuscavam sentimentos com palavras bonitas ou com metáforas preciosas. Eles falavam. Eles expunham o coração pulsando, sob os efeitos do vento, do olhar do mundo. Não tinha que ser bonito, tinha apenas que tocar quem ouviria. E a despeito de tudo o que gostava e respeitava, de tudo o que prezava e admirava, a rodovia para ela era uma faixa contínua de altas doses de vozes populares. E eles tinham razão.
Até que por descuido na seleção, eles param para dar passagem à guitarra de George Harrison. E Something veio como uma flecha com ponta envenenada.
Sentiu vontade de voltar e mudar seu destino. Teve ímpetos de andar mais centenas de quilômetros pra dizer que estava errada
Mas o retorno demorou tempo suficiente para a música acabar e ela mudar de idéia.
Então o refrão bobinho de Maria Cecília e Rodolfo soou como uma água fria no rosto.
É preciso acreditar no tempo, na natureza que não amadurece os frutos de um dia para o outro.
Acreditar que tudo se ajeitaria, mesmo que as renúncias doessem.
Acreditar que por mais difícil que fosse, era melhor pagar adiantado do que a prestação e com juros.
Acreditar que de alguma forma o amor vai nos encontrar preparados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sol nas bancas de revista

Alguns dias eu acordo com desejo de ser alquimista e transformar a matéria.
Manipular as forças imutáveis até reverter a substância em outra mais possível.
Mas eu sou só uma mulher comum nas ruas dessa cidade.
A modelo da capa é um desrespeito à falta de estética do meu corpo.
A cobertura da torta, apostilas de concurso, a mais nova melhor banda dos últimos tempos, sorrisos de sucessos teens, pornografia, palavras cruzadas e entretenimento infantil,nada disso responde o que preciso saber.
Quem é que eu sou entre tantas letras?
Eu queria lhe entregar sua melhor visão, revelar novos mistérios por trás dos seus olhos até que a menina do meio comece a dançar em transe.
Mas como eu disse, sou uma mulher comum, de peso e estatura comuns, de nariz e pensamentos comuns, de trabalho comum, de escolhas comuns.
Os jornais não dizem nada a meu respeito, mas a notícia que quero ler vem de outros meios, cada vez que atualizo o e-mail.
Pareço me contradizer a cada frase, mas eu sei que em toda curva me reservo o direito de colisões.
Freio.
Espirro.
O ar é recurso natural renovável?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais fácil apedrejar pôneis em baile...

É por bobagem que às vezes caímos nas malhas da incompreensão e deixamos que algumas valiosas conquistas se percam em seus efeitos.
A gente ouve um pedacinho da história e monta de pronto um quebra-cabeça com peças erradas, forçando o encaixe, deduzindo o que não há e afirmando existir o que é ilusão pura.
As informações se desencontram e a gente analisa e se porta segundo os fragmentos que nos chegam.
E aí, gente, vira uma bagunça. E se ninguém envolvido estiver disposto a tolerar, a compreender, a interpretar de uma nova maneira e com dados mais concretos e verdadeiros cada situação, as relações cairão no despenhadeiro.
Imputaremos ao outro culpa que ele não possui. Isso gera mágoa e desavença.
É sempre melhor buscar a verdade com quem realmente pode nos fornecer e evitar passar pra frente o que não temos certeza.
Sempre foi muito perigoso pra integridade física pegar o bonde em movimento. Isso quando existia bonde ou James. (Isso foi só pra não perder a bobagem do trocadilho infame).
Mas é isso aí...
Senão vira moralismo barato, como se eu também não tivesse lá meus quebra-cabeças sem pé nem cabeça... O próprio caos com sua pança enorme e sua bocarra de mal hálito, querendo gritar toda vez que saio da rota: Te quero, baby!

Saí pra lá, caos.


Mais fácil aprender japonês em braile...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

CO(META) QUE CAI NO MAR

Eu não sei o que é...

Tenho um fascínio por noite de São João, a noite mais longa do ano.

Sinto como se forças cósmicas me fundissem ao frevo, como se o pó das estrelas se misturasse com a poeira do sertão e mamulengos fossem cair de discos voadores e dançarem ao chegarem a superfície do planeta!

Esta é a noite do meu amor.

Costumava chamar assim.

Essa noite tem um certo “quê” de mistério que me envolve e sempre me envolveu. Acho que vem do meu passado pagão.

O som das guitarras desce cortante entre os triângulos iluminados que cintilam na via láctea. O mundo é o meu caminho e eu sei que estou aqui com todos, fuçando nas frestas pra encontrar felicidade.

A felicidade é a nossa busca maior, por mais quimérica ou utópica que pareça. Estamos aqui buscando maneiras de aliviar a dor, o peso, a carga, a massa. Queremos alívio e prazer, queremos sorrir.

Não acho provável que alguém queira estar triste de propósito.

Então a gente mexe e se ajeita, erra e se arrebenta, mas se contenta com as faíscas que o encontro nos proporciona. E Deus, eles valem por uma vida inteira, e tantas vezes povoam lembranças através dos séculos.


E estes livros todos não são pra nos dizer que a felicidade é nossa meta?

O que é a realização, a paz, o amor se manifestando, senão a felicidade?!

Sim, nós sabemos que a distância que nos separa dela é longa, mas suportamos o resto das vivências, das conseqüências, dos desaventos, porque sabemos da poderosa força dos poucos momentos felizes que tivemos ao longo da vida.

E porque queremos mais.

Herança da fusão do universo. Tudo está em tudo, eu estou nos anéis de saturno, você está em meu coração. Hoje a vida se move diferente, será noite de São João!

Música pra acompanhar:

Galope Rasante do Zé Ramalho

"A sombra que me move, também me ilumina..."

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desiderato

No mínimo um obstáculo.
Sem placa de identificação.
Alvo de cogitações variadas.
Porque aquilo brotava do chão (?), valha me Deus!
Meu clã possuía normas a seguir.
Lembretes de resignação.
Mas meu coração vulcânico queria apenas transpor.
Aquilo.
Ali.
Uai.
Então corri pelas ruas frias da cidade.
Com meu pouco fôlego.
Sob as bandeiras enfeitando as ruas, perto dos postes de luz da Cemig.
Sob as tirinhas de plástico verde e amarelo esvoaçando.
Queria tomar impulsão e saltar sobre aquilo.
Ali.
Um salto olímpico.
Ocorre que o trânsito intenso e anormal a essa hora atravanca meu intuito.
É preciso esperar para atravessar.
É preciso olhar para os lados e não morrer.
É preciso ter força, é preciso ter graça, é preciso ter gana sempre...
É preciso respirar ás vezes, deixar o ar circular, ventar por dentro.
Cara, esse frio todo e ninguém ao lado na cama de manhã.
Desperdício geográfico.
É como se alguém estocasse chocolate e não houvesse ninguém lícito para consumir.
O mundo tem dessas coisas.
Dessas dessincronias.
E eu já perdi tanta coisa pelo caminho, que se voltasse atrás para recuperar, seria uma outra espécie e não essa pessoa estranha que sequer sabe o que é aquilo. Ali.
*
Estrelinhas para Maria, a Maria.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A história de uma bolha de sabão

Era uma vez uma bolha de sabão.
*
*
*
*
PLOC!

Fim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

UM PLANETA NA SUA CAMA

o FRIO se APROXima
com A PRÓxiMA ESTAÇão
Tudo pÁRa
eU PARALISO.
Decisões interlocutórias
com bolinhos de chuva.
Sono fervendo por dentro,
cafeína pra teimar.
Será que o sapato cabe
na Cinderela?
Será que era o sapato ou o pé dela?
O que é que cabe em mim, em ti?
o que tem cabimento?
Decidir ARRISCAR TUDO?
Suportar o sofrimeNto?
Bala meNtOS COM cOCA COLA
É CAPAZ DE aTIVAR FOGUEteS
DE bRINQUEDO.
aSTRONAutas de mármoRE
no sOLo Lunar.
Mesmo pedras caras flutuam.
SÓ POR LÁ.
pOR aqui é tuDO grave
sem agravo de Instrumento
NÃO sei SE graVO UM cd
oU SE ESCREVO UM poemA.
sE MEU desEJO é grande
se minha alma é PEQUENA
Se o mEDO nos interrompe
SE A CULPA nos CONDENA
Eu penso em TI o dia INTeiro.
QUal é o proBLema?
DeixA tudo aí, pega tuas coisas
e vamos ao cinemA.
que a Rima era doce e grudou.
quE O DOCE ERA BOM E AcaBOU.
coMO O DIA ACABOU.
dEVORO O Dia.
aCABOU.

eSTRELINHAS para o céu, para A sorveteria que não abre na quarta (porque será???) e para os Engenheiros do hawaii. POrque the Papas over, but o papa é Pop - como um CD do U2
.

domingo, 16 de maio de 2010

Porque todos precisamos de um pouco de mágica hoje

Pergunte às pessoas o que querem a respeito da vida e a resposta é simples: Ser feliz. Talvez seja essa expectativa de querer ser feliz que nos impede de sermos felizes. Talvez, quanto mais tentamos ficar em estado de alegria, mais confusos ficamos, até não nos reconhecermos mais. Então continuamos sorrindo, tentando ser as pessoas felizes que queríamos ser. Até que a ficha cai e percebemos que a felicidade sempre esteve lá, não em nossos planos e esperanças, mas no conhecido, no confortável, no familiar.
(Grey`s Anatomy - epsódio 22 da sexta temporada)
*
*
De acordo com o que acredito, vivemos num planeta de provas e expiação. Isso não me impede e nem a você de procurar a felicidade, de querer diminuir a dor que qualquer situação possa provocar. Tropeçamos em clichês de que não existe felicidade e sim momentos felizes, esbarramos em teorias mais sensíveis e poéticas de que a felicidade dura o instante de um arco-íris, mas isso não me impede e nem a você de sonhar com algo mais duradouro, menos efêmero. A busca pela felicidade é algo natural, semeado dentro de nós, de cada ser humano. Quantas coisas belas já criamos ao querer fugir da dor, da solidão, do medo? Poesias, filosofias, compêndios, canções... As flores do mundo são uma bela maneira de lidar com a dor. E quando a felicidade chega, cessa a nossa criação, porque ela por si só já é bastante e brilhante.
Mas o que me motivou a começar esse texto foi o fato de que nessa busca, nós criamos à nossa maneira o que poderia ser felicidade e muitas vezes nos confundimos e erramos. Parece uma miopia da alma que nos faz estar enganados quanto ao que realmente nos faria felizes e melhores. É quando a felicidade se transforma numa imagem holográfica, nada táctil. Ao percebermos que não podemos tocar, que lutamos tanto, que fizemos tanto barulho por nada, se instala em nós a frustração e a sensação de queda. E a dor. Nessa hora muitos se revoltam, muitos se resignam. Entretanto, essa necessidade de sermos felizes persiste sobre tudo, sobre a camada de ozônio, sobre os vapores que protegem o planeta, a despeito da órbita, do resultado do futebol, da mega-sena, do final da novela, da cotação do dólar, da eficácia da vacina contra a última gripe mais avassaladora... Persiste por ser o que nos move.
Mas há uma coisa... A verdade. Pura. Simples como uma canção do Trem da Alegria! ( : )
Nós fazemos o estardalhaço. Mas o que poderia ter nos feito felizes estava e sempre esteve ao nosso alcance em toda simplicidade e pureza, em toda beleza das coisas naturais, entre a dor que nos ensina, o incômodo que nos alerta, as provas que nos aumentam a resistência, os espinhos que melhoram nosso discernimento, os problemas que nos impulsionam às respostas.
Que tenhamos olhos para enxergamos onde ela está e evitarmos os caminhos tortuosos que tantas vezes percorremos para encontrá-la!

Uma semana feliz a todos vocês!!!
Shiny happy people.



quinta-feira, 6 de maio de 2010



Porque você está dentro de TUDO.
Eu fico fora do ar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Notícias do Front


Daqui da pra ver o oásis.
Alguns aqui do meu lado dizem que é apenas uma miragem.
Eu acredito que não. Acho que é real. Podemos caminhar um pouco mais.
Quando há rajadas de vento, lembro do mar e das coisas que eu queria e não posso ter por perto.
Já não tenho ilusões de grandeza, no entanto, almejo ao menos um possível retorno aos dias calmos.
O azul sobre nós, esse céu gritante, parece escancarar nossa miséria.
Nossa missão era tão simples.
Onde foi que começamos a errar?
Onde foi que nos perdemos?
Porque não nos impediram de tomar decisões?
E porque tudo agora ecoa?
É como se já soubéssemos as respostas.
É como se já soubéssemos tudo desde o início.
Nossa defesa era fingir que não.
Uma estratégia inusitada para fugir do peso das coisas.
Seguir, apesar dos pesares.
Não. Não éramos Kami kases, mas enfrentamos as conseqüências. Nós fomos além.
Por Vontade.
Enfrentamos o perigo, escarnecemos das circunstâncias e chegamos ao pódio.
Agora somos os donos desse lugar, mas temos pouco o que governar.
Cinzas e corações atormentados.
Promessas quebradas e juras insensatas.
Sanidade sucateada e pedidos de perdão.
Parece que enfrentaremos mais uma noite fria...
*
*
Guardo comigo uma caixinha que tem sobrevivido a todas as intempéries.É algo brilhante, vigoroso, e que nos dá alívio, quando a caminhada se torna muito difícil.
Já viram flores nascendo quando deixo o conteúdo cair.
É um alento.
É um tesouro.
Nossa maior conquista.
Dizem que é amor.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A PREGUIÇA É UMA MACACA VELHA E GORDA EM MINHAS COSTAS.


Estrelinhas para D. Rita da sorveteria!!!!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gepeto, você, eu

Eu chego e sento aqui.
Olho ao redor e observo um lugar árido e triste.
Não deveria haver alegria em propor que a mentira é um caminho a ser considerado.
Não é.
Não há felicidade, nem arco-íris.
Há remendos.
Soluções emergencias.
Protelação.
Não foi e nem é minha intenção fazer um ode à mentira.
Expus uma tentativa de legitimação, para que não nos condenássemos tanto.
Para que não parecesse tão sujo ou absurdo.
A mentira brota somente onde há solo propício.
E o coração e a mente humanas são solos propícios muitas vezes.
É claro que ser sincero, ser verdadeiro, ser completamente honesto é o melhor a se fazer, a ter por conduta não por esforço, mas por natureza. Ser bom apenas por ser bom.
É claro que é esse o caminho que me dispus a percorrer tantas vezes, no entanto, como um ébrio, me desequilíbro e pendo para outros caminhos e atalhos onde vicejam mentiras.
E mentir nem é assim tão fácil.
Fácil é ser sincero quando não se vai dizer toda a verdade.
Para mentir, é preciso sangrar e ver o sangue escorrer tendo a completa consciência de que não há como estanca-lo. Teremos que esperar sua coagulação por si só.
Teremos que nos encher de coragem a título de paliativo ou habeas corpus, aquele que nos liberta.
A mentira nunca foi a questão principal.
A questão é que ela está entre você e eu.
*
*
Nada é fácil.
Nada é certo.
Não façamos do amor algo desonesto.
Quero ser prudente e sempre ser correto.
Quero ser constante e sempre tentar ser sincero.
E queremos fugir.
Mas ficamos sempre sem saber...
(L`Avventura - Legião Urbana)

terça-feira, 30 de março de 2010

Hey, João!

As regras que criamos são às vezes tão bizarras...
E por serem reiteradas vezes tão bizarras, passam a ser normais.
Ouvi por aí que quem pergunta demais corre o risco de ouvir mentiras.
E o pior, isso é verdade.
Por outro lado, não perguntar é viver o desconfortável conforto da dúvida.
A dúvida, o preço da pureza.
A gente tenta decifrar silêncios, decodificar o que uma simples pergunta poderia resolver. Todavia, a resposta poderia nos metralhar. Quem tem estrutura para tanta verdade?
Quem é kami-kase?
Pra que tanta franqueza?
Será que isso tudo é mesmo necessário?
Dizer realmente o que sentimos, o que pensamos, o que de fato está acontecendo?
Uai, tem coisas que a gente sente, que a gente vive e que simplesmente não dá pra compartilhar com quem a gente ama, gosta, quer bem, tem apreço.
Porque ia demoronar tudo.
Será que vale mesmo a pena sacrificar as relações por uma ética, por uma moral, por princípio?
Desfazer de todas as máscaras pode ser o caminho para um exílio, uma redenção tão improvável a ponto de fazer com que queiramos retirar o que dissemos só pra não sucumbirmos na solidão.
Sozinha com meus princípios.
A gente não se preparou para tantas verdades.
A gente ainda se ilude de propósito.
A gente quer ver o luar.
A gente precisa ver o luar.
Raios dessa Lua que nem luz própria tem.
.
.
Estrelinhas para Sartre, Engenheiros, filme The Wonders, Gilberto Gil e para os nematelmintos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Couve, vê, ouve, cool

E ela lá...
Mais perdida do que a bala que procurava no fundo do bolso.
Seguia os compassos da música ambiente.
Tentava, mas não conseguia conter os pensamentos indecentes que se disseminavam em sua cabeça.
Eram como um vírus letal e eram tão torturantes quanto gotas pingando lentamente de uma torneira estragada.
Mas era confortável. Confortable Numb.
Chovia. Fazia sol.
Choques térmicos.
Unhas rosa choque.
Chocolate de sobremesa.
Mensagens no celular.
Decoração fora de esquadro.
Não suportava quadros tortos na parede, talvez para compensar a própria tortura que era não agir com retidão.
Na verdade, nem existe linha reta. Tudo é simples ilusão de ótica.
Ponto. Reta. Plano.
Seu plano era uma ilusão.
Será que seu plano é bom?
Será que ele se conclui?!
Seu plano era cheio de curvas e declives.
De claves de sol. The Beatles.
Ia embora.
Levantou. Quis ser provocante.
Sorriu pro garçom...
Conversou alegremente com o caixa.
Foi ao banheiro.
Mas que droga.
O espelho era uma afronta.
Estampou a verdade e foi cortante.
Aquela couve.
E ela havia tentado ser sexy lá fora.
Mas que droga de novo!
Não dá pra ser sexy com couve entre os dentes...
@
Estrelinhas para Pink Floyd, Gatas Extraordinárias, Seu Zé que vende doce, Palito - o Garçom, Paulo Mendes - o contra-regras, Avelar - maqueador, Xuxa por "Pera, Uva, Maçã, Salada Mista", Zeca Baleiro, por Bandeira, que não vem ao caso, mas enfim...



quinta-feira, 18 de março de 2010

Quinta

O dia cerrava as pálbebras de vez em quando.
No intervalo entre a vigília e o sono, a cabeça pendendo pra frente dava a impressão de que o dia se dividia em 2: um nesta, outro em outra dimensão.
Em dias assim, é melhor não correr, não decidir, não olhar pra trás.
O banco de trás cheio de balões coloridos.
A porta da frente cerrada.
O vizinho ao lado não cortou os galhos que invadem meu quintal.
Sobre mim não há nenhum corpo.
E não quero mais coca-cola.
Parece papo de bêbado ou de doido isso aqui, né?!
Eu fico uns tempos sem postar, chego aqui e escrevo frases desconexas...
Acreditem, tudo significa algo, mas às vezes é preciso saber de antemão qual figura forma esse quebra cabeça.
Se for uma tela de Dali, "ai, Jesus!", aí a coisa se complica.
Aí o pernilongo (somente a fêmea) pica.
Aí o Pernalonga e o Pica-Pau.
E aí tudo pode acontecer de novo pra você...
Palpite!!!
*
Ankh, tava com saudades de você nessa vida. Tava com saudades da Sala de Origami e da vida no universo paralelo. Nostálgica!!!

terça-feira, 2 de março de 2010

Chat noir, Chat blanc

Quase um yin/yang!

Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo...

Uai...
Porque a vontade é uma coisa.
Às vezes vem como um tsunami e há pouco o que podemos fazer a respeito.
Ela é como o sentimento.
Entra, se instala, e a alternativa que nos resta é decidir o que fazer depois.
A vontade não tem um censor nem sensor que analisa ética ou moralmente o que ela é ou vai ser.
Ela tem existência autônoma, e não vai desaparecer apenas se fingirmos que ela não nos ocupa a ponto de esquentar o estômago nos impulsionando às escolhas.
É aí que está.
Não há como se debater contra a vontade, porque perderíamos todos os rounds, isso quando não formos a nocaute no primeiro assalto.
Mas a escolha sim, está completamente em nossas mãos.
O que vamos escolher já que temos a vontade?
Vou levar um Choquito ou um Diamante Negro?
Vou para a praia ou para as montanhas?
Levanto agora ou daqui a 5 minutos?
Pois é, eu sei, vocês sabem que cada escolha implica uma renúncia.
Até o Ian, meu sobrinho caçula sabe disso.
Basta saber que poderemos pagar o preço pela escolhas que faremos.
Sim, porque nenhuma escolha é tão free assim, mas podem ser sofridas.
Tudo tem seu preço!!!
E nem tudo é tão simples.
Nem sempre é possível renunciar à vontade em prol de princípios, crenças, essas coisas bonitas dos evoluídos.
Sabe, gente, vontade represada é um troço perigoso, porque a gente abre as comportas e a pressão nos arrebata para outros lugares, esferas, universos paralelos...
E depois é a água. Salve-se puder, flutue quem sabe boiar!!!
Essa água nunca lava, mas limpa de qualquer maneira, no entanto, a qualquer hora do dia ou da noite, os gatos negros, os gatos brancos e outras cores de gatos que se banham nessa água, a gosto ou contra-gosto, quando saem de lá, continuam pardos, à própria revelia. Todos.
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Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

*Estrelinhas para Legião Urbana (Sereníssima) e Zé Ramalho (Pepitas de Fogo)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uma flor pra cada um que entrar nesse boteco agora!
Estou bem nesse momento.
Quero comparilhar!