quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Viajantes


Venha, pequena estrela
Nós não temos nada a temer!
Esse caminho que percorremos nos fez fortes.
As cicatrizes do nosso corpo, da nossa alma, são capítulos vivos de um livro sagrado.
Dê-me a mão, porque até aqui nós podemos caminhar juntos.
Adentrar o arco-íris, adentrar os corações, avançar um pouco mais rumo a essas verdades que não cabem nos olhos.
Vamos deixar que o amor se expanda, pequena estrela.
Você me pergunta porque fomos criados.
Fomos criados para amar daqui até o infinito.
Estivemos na poeira dos planetas, na composição dos astros, estivemos nas montanhas, nos oceanos, nas florestas...
Estivemos nas cavernas, nos pântanos, nos paraísos...
Somos únicos, mas consubstanciados somos todos um só.
Viemos das mesmas mãos e temos o mesmo destino.
Você possui o segredo do universo contido em cada partícula, pequena estrela.
Sua proteção e seu amparo.
Tudo em você.
Não tema.
No conjunto perfeito, não importa o seu tamanho e nem os calendários.
Cada mistério que desvendar, eliminará um obstáculo no caminho e então será mais livre e mais integral.
Você integra o meu mundo e eu lhe entrego o meu amor.
E nisso consiste a magia, em saber que a vontade e o conhecimento podem nos mover a a grandes distâncias e transformar a matéria bruta em preciosidades.
Pequena estrela, tudo o que você foi colabora para o que você é.
E o que você é agora, é a única coisa que importa.
Você só precisa brilhar.
Cumprir seu destino e brilhar.
Porque é assim que Deus se revela!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um lapso...

Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram que havia uma guerra
e era necessário trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso, anterior a fronteiras,
humildemente vos peço que me perdoeis.


(sempre o Drumond - Sentimento do Mundo)

*

Eu apenas sei que preciso seguir.
Digo aos outros para irem avante, movimento meus músculos, verto suor e sangue para que todos possam sorrir e ver beleza em qualquer dia.
Então, chegam os dias de chuva e tempestade e sabemos no fundo que cada um suportará como puder.
E eu sei que não é raro eu querer simplesmente me entregar e parar de tentar ser o que pareço não ser.
Isso tudo o que nós construímos nos custou tanto esforço tanto tempo, tanto dinheiro e lágrimas que dói olhar para trás e ver que só demos um passo. Um pequeno passo.
Quero me libertar dessa sensação que me faz crer que estamos dando voltas.
O céu é tão imenso...
Não faço idéia do que seja o infinito.
Não imagino porque fomos criados.
Eu apenas sei que preciso seguir.
Como um instinto, como uma necessidade.
Como destino.
O relógio não perdoa nossas paradas.
Minhas células mudam, estrelas nascem e morrem no universo,
estou perto de mais um aniversário, de mais outro natal.
Continuo com medo da morte (da minha, dos meus), dos meus fantasmas e de finais tristes.
Talvez por isso eu esteja sempre apertando o reset, reiniciando o jogo perto do meio, perto do fim...
É assim quando estou no meio do jogo e tenho apenas uma vida.
Quais são as possibilidades de vencer quando estamos nessa condição?
Será que posso me tornar mais hábil e contra todas as possibilidades chegar à última fase e vencer o vilão que me dificultou o jogo o tempo inteiro?
Será que não vou sucumbir quando uma força quase magnética me puxar para o outro lado, arranhando minha alma com unhas afiadas?
Eu acordo em silêncio. Queria sorrir, queria suportar as verdades, queria ter força e boa vontade.E sinceramente, não queria colo.
Em alguma hora eu entrei pela porta errada.
Em algum lugar eu desviei.
De onde estou, vejo o oásis, vejo as luzes, ouço vozes familiares, mas não sei como chegar lá.
É como se estivessem numa outra dimensão.
Tão distante, embora rente a mim...
De repente é preciso saber a palavra mágica que vá abrir esse portal.
Mas não existe mágica.
Existe vontade.
Existem labirintos.
Existem leis.
Eu existo.
E esse é o meu maior enigma.
Eu apenas sei que preciso seguir.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estou bem.

Não havia como negar.
A dor que sentiam não ia cessar agora.
Foram enviados para aquele planeta por haverem se rebelado contra a ordem vigente e por terem destruído patrimônios morais tão sagrados ao povo daquele valoroso planeta que orbitava no cosmos.
Comparado ao que já possuíram, o planeta presente não era tão belo. Nem era tão fácil viver na escassez de qualquer tecnologia.
Muitos mal se lembravam de como era antes, mas traziam no fundo do peito uma saudade lancinante de tudo o que deixaram para trás. Quando olhavam as estrelas, não era raro rolarem lágrimas.
Muitos deles não suportavam o degredo, e sucumbiam em mais revoltas, em fugas inúteis, em associações apocalípticas, disseminando o caos e a discórdia por onde passavam.
Todavia, outros usavam os conhecimentos que haviam adquirido ao longo do tempo para melhorarem as condições e precariedades do lugar. Avançavam enquanto podiam, no limite de suas forças, como bem aconselhou o líder deles, anos antes.
E assim construíram novas civilizações.
De tempos em tempos, uma enorme espaçonave pousava na superfície do pequeno planeta e abria suas portas. Todos aqueles que adquiriram por seus próprios esforços o ingresso, penetravam a nave e desapareciam entre clarões intensos que vinham do seu interior. O curioso era que em uma nave tão grande as portas fossem mínimas, de modo que era possível a passagem de apenas um de cada vez.
A conquista pelo ingresso na nave era pessoal. Por mais que o amor e o zelo de uns pelos outros fosse capaz de até descer ao inferno, não havia como um comprar a passagem para o outro.
Naquele dia, ela soube que subiria. Havia merecido o ingresso para a nave.
Sentiu extrema felicidade.
Foi correndo contar aos seus, na esperança de que todos fossem juntos.
A mãe e o pai foram embora nos anos anteriores para lhes prepararem o caminho.
Eles, os irmãos, ficaram ali a mercê deles mesmos, sob o amparo e proteção do bondoso e consolador governante do planeta.
Chegando em casa, sem se conter, empurrou a porta e abraçou feliz todos os irmãos.
A não ser um que estava amuado em um canto da sala.
Quando soube que ele não ia, ela quis ficar.
Foram dias de sofrimento e desespero antes da nave aterrissar.
Ela não tinha condições de ficar ali. Poderia voltar, num futuro, mas por ora, era imprescindível sua partida.
Depois de se acalmar, decidiu que iria, mas que voltaria, caso ele demorasse demais a ir também.
Disseram a ela que estavam ali pela iniqüidade de seus corações e que deveriam conquistar com o suor e esforço próprios o direito de retornar à pátria celeste. Informaram que uma pessoa pode iluminar a outra por algum tempo, mas que era necessário que todos ativassem a própria luz para se credenciarem à viagem na grande nave. Por isso a porta era tão pequena. A passagem era apenas de um.

Ela entendeu de repente a solidão que sentia às vezes. Seu progresso, assim como suas quedas, eram de sua inteira responsabilidade. Responsabilidade pessoal e intransferível.
Finalmente, no grande dia, ela entrou na nave que sumiu no infinito.

Algum tempo depois de sua ascensão, em seu paradisíaco planeta de origem, recebeu a todos os amigos que haviam ficado para trás e regressavam agora. Abraçou a todos com grande alegria e procurou em vão pelo irmão na multidão.

Ele ainda virá, disseram-lhe.

Seu coração se apertou. Olhou para o céu e pensou nele com amor.
Alguém então toca seu ombro e lhe entrega uma carta resumidíssima, semelhante a um telegrama:

Estou bem.

Ass:James.

Quis chorar, entretanto resolveu confiar que ele ainda estaria ali entre a família. Confiar que ele um dia mereceria regressar.
(...)
*
Estamos aqui e precisamos uns dos outros para progredir, para desenvolvermos nossos sentimentos e melhorarmos nossas atitudes, no entanto, cabe a nós mesmos acendermos a luz que iluminará o resto do nosso destino e que nos fará encontrar o caminho de volta pra casa.
*
*
Este texto é uma sinopse do romance imaginário: “Lavouras” de Michele Edwirges, baseado na obra “Os exilados da Capela” de Edgard Armond.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Se você puder...

Vamos nos sentar aqui e conversar como se estivéssemos nos conhecendo.
Vamos reinventar o encantamento dos encontros, a surpresa dos inícios, a conquista de cada frase. Conversemos agora sem o peso das tardes, das luas, dos erros.
Deixemos que tudo seja novidade. Façamos com que cada sorriso revele outras luzes e outros mundos.
Vamos ignorar que agora é tarde.
Permita que eu pergunte o seu nome, a cor que você mais gosta, sua música favorita. Deixa eu saber dos livros que já leu, dos filmes que ficou de assistir, de suas viagens mais marcantes.
Deixa eu lhe contar minha história triste, dizer como sou lenta e reticente, cantar um chocolate pro futuro, perguntar o número do seu telefone e prometer ligar depois.
Vamos pedir outra garrafa, outra porção e esquecer que a madrugada vai chegar.
Vou falar dos meus sobrinhos, de como são meus pais, meus irmãos, das manias que tenho e de como gosto do Balão Mágico.
Vou te ouvir revelando detalhes que nunca disse a ninguém. Vamos rir das bobagens e trocadilhos, vamos arquear a sobrancelha a cada afinidade descoberta.
Vamos compartilhar nossas dores, nossos arquivos, vamos recomendar filmes e livros, vamos deixar que a vida seja leve, que o passe seja livre.
Nem que seja pra condensar todo o percurso em um minuto.
Vamos fazer de conta que não há dor nem cicatriz, que não houve perdas, partidas, despedidas nem crepúsculo.
Vamos fazer de conta que ninguém ficou desapontado, que nenhuma lágrima rolou, nem e-mails desencaminhados. Vamos fingir que temos um papel em branco e muitos lápis de cor, são mil possibilidades e nenhum mal entendido.
Vem, puxa a cadeira e senta aí, como se estivéssemos nos conhecendo.
Porque agora apenas estamos aqui com essas xícaras de sol.
O resto do mundo é pra depois.

Ouvindo”These Things That I've Done” dos Killers.

All these things that I've done
(Time, truth, and hearts)
If you can hold on
If you can hold on





quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MAMUTE MUITO, COMO AS FLORES MAMAM, laralaralaralara la la la...



Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e e de entender estrelas.
(Bee Lacteo) ou Bilac

É preciso cavar buracos para plantar certas sementes.
(Sobre a dor.)
Criança, isso não é implicância com você! É mais uma exortação!
Dor haverá por tudo quanto é parte.
Nem sempre é necessária, mas quando vem, pode ser benéfica sim.
E... Macacos banguelas me mordam, se adianta a gente se entregar ao pântano escuro e fétido.
Rá!
Você vai sempre dizer que entende, que já sabe. Vai recitar pra mim tim tim por tim tim a minha antologia otimista, e vai caçoar dela. Vai me flechar, mesmo sem querer, com doses realistas de algodão doce. Alguns de seus dardos vão me ferir. Vai sangrar.Você vai chutar o balde quando o céu escurecer e as estrelas sumirem. Vai achar que problema nenhum tem solução. Vai fazer uma piadinha infame só pra disfarçar, pra fingir que não se importa tanto. E vai achar que é piada quando a vida aparecer sorrindo.
Você diz que sabe e que não vê sentido nisso tudo. Mas só vê sentido quem aprende com o coração. Sois mestre em Israel e não sabeis dessas coisas? Que mal há em acreditar? O que o pessimismo produz? O que a desistência produziu até hoje senão derrotados? Me cita um exemplo só, que me calo, que deixo de falar que sobre toda nuvem negra brilha forte o sol.
Certas defesas humanas são tolas, pois nos afastam da vitória.
Vencer ou não vencer é relativo demais. Pode ser que uma derrota seja seu maior ganho e isso vai muito além do que brincar de Polyanna, de ver o lado bom só pra ignorar que o que é podre na Dinamarca fede pra caramba cá nos trópicos. Precisamos saber discernir o que é otimismo do que é alienação. O otimismo é dinâmico. Não era pra ser tão difícil. Acontece que somos aranhas fiadeiras tecendo malhas na vida, entortando as linhas e dando um jeito de falar que elas foram escritas por Deus, pela Vida, pelo Sereno... Se erramos, se sofremos, se as coisas doem, é porque estamos na batalha.
Todo mundo tem o direito de ficar triste. Ninguém é de ferro por aqui. Certas coisas nos levam a nocaute sim. Mas e aí? E depois? Vou ficar de bode pra sempre? Por causa do nocaute (que aparentemente a vida me deu?!)
Ninguém perdeu definitivamente. Culpar a vida ou as divindades é como pegar a mulher (ou o marido) transando com o amante (ou a amante) no sofá e jogar o sofá fora!! "Pronto. Resolvido o problema. Joguei fora o sofá!!! "
O coração precisa estar atento ao foco, senão fica míope.
Coração com problema de vista é muito mais sério que o glaucoma da minha avó que já morreu.
Então, se é assim, viva os trouxas!!!!! Viva você que se arriscou, que pagou pra ver!
Viva você que acreditou, que deixou a flor roxa nascer!
Qual o problema?
Pior pra quem não amou. (pior pra mim)
Melhor que ter no peito um solo árido, cheio de tuaregs e camelos. (Apesar de ter gosto pra tudo).
Melhor assim do que ser apenas espectador da própria vida.
Protagonistas sofrem, mas é mais provável que o final feliz esteja destinado a eles, e não aos figurantes.
Ser trouxa é não ser bruxo, segundo o Harry Poter (!!!). Mas é também deixar o orgulho morrer por dentro, massacrado por uma manada de auto-perdão. Ser trouxa é deixar a vaidade se transformar numa fumaça que vai fazer você tossir, seus olhos verterão lágrimas, mas ela logo vai desaparecer no ar.
É deixar a coragem virar adubo para um imenso jardim de flores roxas.
E que a primavera seja bem vinda!
*
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MORUS NIGRA (Epsódio I)



Ele estava ocupadíssimo, metido em dezenas de livros e jurisprudências, afim de encontrar a “brecha panacéia” que solucionaria todos os casos aparentemente insolúveis.
Ela chega ofegante. Senta no sofá solo. Levanta, pega um café, senta-se novamente e diz:
- Cara, to com febre.
Ele levanta a cabeça, a observa por sobre os óculos por uns momentos e continua por sua busca em silêncio.
Ela termina o café, levanta, vai até a mesa onde ele está, abre um livro, folheia sem ler nada, volta ao sofá, esparrama-se e diz outra coisa:
- O problema de depilar tudo, absolutamente tudo, é que o xixi sai como um esguicho e escorre pela perna. Ai, que ódio que me dá. Quero matar alguém.
Ele pára, tira os óculos e a fita. Incrédulo:
- Tu te tornas completamente inimputável, já que és louca e reativa.
Dentro dela, todas as exclamações e interrogações se unem no centro do pulmão, fundem-se, e são expelidas para o exterior em forma de hã de top model. Assim: Hã?!!!!!?
Ele simplesmente volta aos livros.
Ela simplesmente continua conversando, sem perguntar de novo, sem tentar entender o que ele disse. Levanta.
- Esse creme hidratante de cereja é uma delícia.
Dizendo, quase esfrega o braço no nariz dele.
- Sente? Não é? Vontade de comer o meu braço.
- Porque você está tão visceral hoje? Assim, querendo matar, querendo se comer?
- Meu Deus, homem? O que é visceral? E aquela coisa que me xingou... putável... Estou aqui, “indo pro meu lugar calmo”, como aprendi no desenho. Respirando, e você só me ofende. Qual é?
Ele movimenta os lábios. Algo que parece um sorriso. Vai até a estante, pega um volume imenso, volta pra mesa, passa por ela e continua à procura do santo graal.
Ela olha pra ele com piedade. Aproxima. Faz menção, mas não fecha o livro que ele pesquisa.
- Urbano, estou doente. O médico disse que vou morrer.

*

*

(continua em qualquer dia desses)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

de macadâmia


Porque o mundo tem dessas coisas das quais não podemos fugir.
E essas coisas são capazes de sangrar seu companheiro de guerra, por dolo ou acidentalmente.
Ainda sim, precisarão verificar se em sua culpa há imprudência, negligência ou imperícia.
Talvez não se possa ser feliz impunemente.
Talvez seja preciso oferecer virgens ao sacrifício para que a maioria seja beneficiada.
Mas pode ser que todas essas dificuldades sejam apenas nossa falta de jeito de lidar com a vida e suas voltas, seus zigues-zagues e seus zagueiros cansados do jogo e do empate.
No final, com noves fora, vai restar apenas o que fomos capazes de amar.
Material para reconstruir.
E quando você perceber que houve mortes e que foi você quem atirou, quando você perceber que seu mundo só não está melhor por causa das coisas que deixou de fazer, quando você fizer verter lágrimas dos olhos de quem ama, haverá pouco consolo no mundo.
E isso vai acontecer, meus amigos.
Porque somos um monte de filosofias incompletas carregando uma caixinha de interrogações.
Porque somos desajeitados para amar, para oferecer amor e para receber amor dos outros.
Mas uns, mais que outros, precisam estar totalmente sóbrios para passar por tudo, pelo fogo e pela água.
Uns, mais que os outros, querem ter controle em momentos de decisões importantes e em momentos de sofrer ou se beneficiar pelas conseqüências.
Uns, mais que os outros, não podem lançar mão de portas de escape artificiais.
É importante afirmar, no entanto, que mesmo para esses sóbrios por convicção, haverá soluções emergenciais que tornarão suportável todo conflito e todo o peso da alegria.
Para esses outros, existe Häagen-Dazs de macadâmia, cujo nome não faz sentido em nenhuma língua, mas cuja essência aflora seus outros sentidos na primeira colher.
Sua origem não possui glamour, como a nossa vida nos bastidores, mas seu sabor é capaz de nos consolar até onde dói mais, anestesiando a chaga e derretendo a lágrima que já é líquida com a suavidade de uma nuvem em dias claros. Por um segundo, seu interior é meditação, mesmo sem um jazz para acompanhar. Mesmo no completo silêncio da sua sala.
Porque para os caretas, a vida é sempre mais áspera, já que evitamos as fugas.
Porque para os caretas, tudo se mostra como é, sem o frágil véu que não permite às vistas lidarem com as verdades e com a dor.
Porque aos caretas é necessária uma dose a mais de coragem para enfrentar a própria culpa ou o golpe inimigo e ela não será oferecida pelo senhor Johnny Walker ou Jack Daniels. Nem por nenhum senhor semelhante.
Porque nenhum deles podem fazer por mim o que Häagen-Dazs faz.
*
*
Faço parte do mundo proletário, onde tantas vezes nos privamos de certos prazeres por considerá-los superfluos os caros demais. Mas não acredito que o alento, o alívio, a anestesia sejam gratuitos mesmo...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

LIDAR

É sem a pretensão de querer parecer mais forte que admito: é difícil lidar com as escolhas.
Não sei dizer se é mais difícil decidir do que suportar as consequências.
Algumas escolhas nos trazem alívio.
Outras, saudade.
E a saudade, como eu já disse por aqui,possui efeito mágico, capaz de revogar todos os incidentes e fazer da lembrança uma morada confortável.
Ainda há aquelas escolhas das quais nos arrependemos.
Pode ser que seja possível voltar atrás.
Pode ser que seja imprescindível seguir.
Lidar com o que há depois é a arte do desapego ao que era antes.
Mesmo que o antes não parecesse tão brilhante como o antes que é agora.
Uma sensação temporal de relatividade.
Sensação que sobe como lava até a garganta e se transforma em um nó.
Lembro que quando era criança, enviei uma carta para o programa da Xuxa.
Toda manhã, eu, meu irmão mais novo e meu cobertor vermelho, ficávamos lá esperando ela sortear a nossa carta.
E quando ela lia um outro nome, subia em nós essa lava, uma frustração infantil que ia passar.
Criança sabe lidar bem com essas coisas.
Um dia a Xuxa pegou nossa carta!
Mas esperávamos que ela, não o carteiro de roupa amarela, azul e boné, viesse entregar o brinquedo.
Não importa, nós crescemos de qualquer maneira e passamos a deixar de esperar pela Xuxa e pelos disco voadores.
Pela estrada afora nós continuamos esperando outras coisas, buscando,sonhando, conquistando e aprendendo, recuperando e desistindo.
Não sei quantas vezes nós tivemos certeza absoluta do que fazíamos
E sei que perdemos tesouros pelo caminho.
Como aprendizes, não se pode esperar de nós atitudes tão mais sábias.
Não se pode esperar que alguém acerte os números da mega-sena em todo jogo, embora a gente saiba que quem não joga não vai esperar ganhar ou perder. Vai apenas passar.
O que precisamos ter é a consciência de que seja qual for a nossa escolha, é preciso lidar com elas, porque não vai adiantar fingir que não há consequencia, perdas, ganhos e expectativa de arco-íris depois da chuva.
A vida é assim.
Uai!
O importante é apesar dos pesares conservar o sorriso da lida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PRA NÃO DEIXAR ESFRIAR

Um pouco mais sobre o post abaixo. Um pouco mais sobre nós...

Hoje ao acordar, pensei duas vezes se ia tomar banho.
São dias frios esses.
O café esfria sobre a mesa em segundos.
Mas eu não esquento a cabeça.
Meu coração ta aquecido e pulsa.
A própria vida desfibrila quando a morte aparenta aparecer e fazer parar seu coração.
E depois do choque existe mais vida.
Mas se não houver VONTADE, andaremos sobre o deserto.
As noites no deserto são frias, mesmo assim, são tantas estrelas visíveis no céu...
No final, a felicidade acaba sendo escolha própria, conquista dos bravos.
E vai depender da natureza da felicidade que se quer.
Efusividade? Vulcões? Festa?
Ou paz, calmaria, certezas efêmeras, assistir filme a dois, abraçados...
Em alguns dias fica difícil acreditar, mas ter a paz como salário recompensa nosso esforço, nossa luta contra a desistência.
E nos redime de nossas ações mais infelizes contra o belo e contra o justo que supomos não existir.
Eu acredito. Não porque minha fé seja grande, mas porque vejo, porque toco, porque sei que é palpável a bondade humana.
Porque sei que a luz faz diferença demais quando ta escuro e ninguém te ouve.
Até os afogados têm lanternas!!
Mesmo uma lanterninha de celular, ou o display, já resolve quando a energia acaba.
Como as estrelas do deserto, que falei a pouco.
Como quando seu sobrinho vem correndo da esquina pra te abraçar.
Pequenos fragmentos de luz.
Normal, a gente se perde, a gente perde a fé e perde junto tantas coisas pelo caminho. Algumas a gente perde e nem percebe, e no futuro sente falta e nem sabe do que.
Tudo bem mesmo se colocamos o dedo em riste, se esperneamos, ou se conservamos uma resignação cética perante o mal do planeta.
É normal você chorar, se sentir confusa, sentir que o Sr.urso polar raivoso está urrando dentro de você. Se até a semente sofre para romper a terra e nascer, então é bom sinal esse incômodo. Tá ótimo.
Mas será tudo péssimo se for assim pra sempre. Porque o importante é o movimento, são as transformações.
O mundo te abraça, mesmo que seus braços estejam rente ao corpo.
Mas quando você abraça a vida, você envolve um mundo inteiro perto do seu coração e deixa um rastro luminoso por onde passar.
Então, me explica, pra que deixar o café esfriar, porque deixar o amor esfriar, se ele vale e pena e nos faz tão bem?
Porque deixar a sombra do medo ocultar as belezas da simplicidade?
Porque teimar em seguir contra a corrente?
Se vai doer de todo jeito, melhor que a dor valha a pena, melhor que ela nos ensine e nos liberte da escuridão.
Ne não?
Nosso caminho é como o Buzz Ligth Year (!!!!) disse: Ao infinito e além!!!
As crianças sabem disso.
Acho que não perdemos por tentar.

***

Meu espelho, meu anel,
Diga agora o que virá?
Arco-íris de papel
Onde o ouro deve estar?
Quero aprender pra saber
Quando a estrela faz sinal
É uma bola de cristal?
Ou é você que quer me dizer
Que gosta de brilhar,
Solto no céu, favo de mel,
Tão doce de provar, tão fácil de gostar!!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Da amarga planta

Às vezes dá a impressão de que nós falhamos como seres humanos,
De que Deus falhou como ser supremo de infinita bondade e justiça.
De que o conceito de evolução permite retrocessos.
No entanto, se analisarmos a história do mundo, se pensarmos bem em tudo o que acontece ao nosso redor, acabaremos por perceber que são apenas impressões, geradas por um pensamento rápido, baseado no senso comum, isento de críticas.
O mundo está bem.
Olha como eram as ruas de Roma.
Olha como a França era suja e promíscua.
Olha como os bárbaros comiam!!
Olha como era no início, na colonização do Brasil.
Olha o direito penal, como ficou mais humano.
Olha o fim da escravidão.
Olha os julgamentos feitos através do devido processo legal.
Olha nosso direito ao voto, à democracia, por mais imaturos que sejamos.
Olha a higiene como melhorou.
Hoje tem banheiro, band-aid, absorvente, desodorante, pílula anticoncepcional, travesseiro, edredon.
Olha só, temos edredons!
Como alguém diz que o progresso anda de ré?!?????
O noticiário às vezes nos espanta. Casos como o do goleiro Bruno atraem a atenção da mídia e a ira da turba que mal sabe que o mal está em cada gesto bom que deixamos de fazer.
Sujos querendo justiça feita aos mal lavados.
Se a justiça fosse feita, daquela olho por olho, dente por dente, o mundo estaria perdido.
Seria uma prisão, cheia de aspirantes a redenção.
Mas a lei que nos rege é outra, uma lei que permite que a dor ensine e revele novos caminhos.
Da amarga planta extrai-se a mais salutar substância.
O boldo resolve problemas digestivos.
O soro antiofídico é tirado do próprio veneno da cobra.
Não há criminoso que não contenha algo que brilhe por dentro.
Não há catástrofe que não venha redimir o mundo de alguma forma.
Como diz meu chefe, depois que descobriram que cocô vira esterco, nada mais se perde no mundo!!
E sendo um pouco mais rebuscada na intenção, quando há amor em nossos olhos, em nossos corações, o mundo não parecerá pior do que já foi.
Estamos na Highway da evolução.
Para o Alto e Avante!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SOMETHING

A rodovia era a mesma a não ser por um pequeno desvio perto da entrada da cidade.
Há poucos minutos a vida esteve por um fio, um deslize, uma distração, um movimento errado no volante, visibilidade distorcida pela lágrima caída...
Ela era tão dramática, adorava chorar acelerando.
Demorava pra tomar as decisões, mas quando tomava era porque a quota de certeza era maior do que a parcela nebulosa da dúvida.
Então, se estava certa, porque aquela sensação de perda, de soco no estômago?
Cadê a serenidade das decisões?
Cadê a calmaria da coisa certa?
Ah... Pensava em como a vida era inexata.
Nunca achou que João Gilberto, o chato de galochas era melhor que o silêncio.
Para aquele momento, Luan Santana, o chatinho de botas cairia melhor. Depois o resto da play list sertaneja que ela um dia teve certeza que nunca ouviria.
Mas era tão claro o motivo do sucesso daqueles artistas. Eles simplesmente falavam. Não rebuscavam sentimentos com palavras bonitas ou com metáforas preciosas. Eles falavam. Eles expunham o coração pulsando, sob os efeitos do vento, do olhar do mundo. Não tinha que ser bonito, tinha apenas que tocar quem ouviria. E a despeito de tudo o que gostava e respeitava, de tudo o que prezava e admirava, a rodovia para ela era uma faixa contínua de altas doses de vozes populares. E eles tinham razão.
Até que por descuido na seleção, eles param para dar passagem à guitarra de George Harrison. E Something veio como uma flecha com ponta envenenada.
Sentiu vontade de voltar e mudar seu destino. Teve ímpetos de andar mais centenas de quilômetros pra dizer que estava errada
Mas o retorno demorou tempo suficiente para a música acabar e ela mudar de idéia.
Então o refrão bobinho de Maria Cecília e Rodolfo soou como uma água fria no rosto.
É preciso acreditar no tempo, na natureza que não amadurece os frutos de um dia para o outro.
Acreditar que tudo se ajeitaria, mesmo que as renúncias doessem.
Acreditar que por mais difícil que fosse, era melhor pagar adiantado do que a prestação e com juros.
Acreditar que de alguma forma o amor vai nos encontrar preparados.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sol nas bancas de revista

Alguns dias eu acordo com desejo de ser alquimista e transformar a matéria.
Manipular as forças imutáveis até reverter a substância em outra mais possível.
Mas eu sou só uma mulher comum nas ruas dessa cidade.
A modelo da capa é um desrespeito à falta de estética do meu corpo.
A cobertura da torta, apostilas de concurso, a mais nova melhor banda dos últimos tempos, sorrisos de sucessos teens, pornografia, palavras cruzadas e entretenimento infantil,nada disso responde o que preciso saber.
Quem é que eu sou entre tantas letras?
Eu queria lhe entregar sua melhor visão, revelar novos mistérios por trás dos seus olhos até que a menina do meio comece a dançar em transe.
Mas como eu disse, sou uma mulher comum, de peso e estatura comuns, de nariz e pensamentos comuns, de trabalho comum, de escolhas comuns.
Os jornais não dizem nada a meu respeito, mas a notícia que quero ler vem de outros meios, cada vez que atualizo o e-mail.
Pareço me contradizer a cada frase, mas eu sei que em toda curva me reservo o direito de colisões.
Freio.
Espirro.
O ar é recurso natural renovável?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais fácil apedrejar pôneis em baile...

É por bobagem que às vezes caímos nas malhas da incompreensão e deixamos que algumas valiosas conquistas se percam em seus efeitos.
A gente ouve um pedacinho da história e monta de pronto um quebra-cabeça com peças erradas, forçando o encaixe, deduzindo o que não há e afirmando existir o que é ilusão pura.
As informações se desencontram e a gente analisa e se porta segundo os fragmentos que nos chegam.
E aí, gente, vira uma bagunça. E se ninguém envolvido estiver disposto a tolerar, a compreender, a interpretar de uma nova maneira e com dados mais concretos e verdadeiros cada situação, as relações cairão no despenhadeiro.
Imputaremos ao outro culpa que ele não possui. Isso gera mágoa e desavença.
É sempre melhor buscar a verdade com quem realmente pode nos fornecer e evitar passar pra frente o que não temos certeza.
Sempre foi muito perigoso pra integridade física pegar o bonde em movimento. Isso quando existia bonde ou James. (Isso foi só pra não perder a bobagem do trocadilho infame).
Mas é isso aí...
Senão vira moralismo barato, como se eu também não tivesse lá meus quebra-cabeças sem pé nem cabeça... O próprio caos com sua pança enorme e sua bocarra de mal hálito, querendo gritar toda vez que saio da rota: Te quero, baby!

Saí pra lá, caos.


Mais fácil aprender japonês em braile...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

CO(META) QUE CAI NO MAR

Eu não sei o que é...

Tenho um fascínio por noite de São João, a noite mais longa do ano.

Sinto como se forças cósmicas me fundissem ao frevo, como se o pó das estrelas se misturasse com a poeira do sertão e mamulengos fossem cair de discos voadores e dançarem ao chegarem a superfície do planeta!

Esta é a noite do meu amor.

Costumava chamar assim.

Essa noite tem um certo “quê” de mistério que me envolve e sempre me envolveu. Acho que vem do meu passado pagão.

O som das guitarras desce cortante entre os triângulos iluminados que cintilam na via láctea. O mundo é o meu caminho e eu sei que estou aqui com todos, fuçando nas frestas pra encontrar felicidade.

A felicidade é a nossa busca maior, por mais quimérica ou utópica que pareça. Estamos aqui buscando maneiras de aliviar a dor, o peso, a carga, a massa. Queremos alívio e prazer, queremos sorrir.

Não acho provável que alguém queira estar triste de propósito.

Então a gente mexe e se ajeita, erra e se arrebenta, mas se contenta com as faíscas que o encontro nos proporciona. E Deus, eles valem por uma vida inteira, e tantas vezes povoam lembranças através dos séculos.


E estes livros todos não são pra nos dizer que a felicidade é nossa meta?

O que é a realização, a paz, o amor se manifestando, senão a felicidade?!

Sim, nós sabemos que a distância que nos separa dela é longa, mas suportamos o resto das vivências, das conseqüências, dos desaventos, porque sabemos da poderosa força dos poucos momentos felizes que tivemos ao longo da vida.

E porque queremos mais.

Herança da fusão do universo. Tudo está em tudo, eu estou nos anéis de saturno, você está em meu coração. Hoje a vida se move diferente, será noite de São João!

Música pra acompanhar:

Galope Rasante do Zé Ramalho

"A sombra que me move, também me ilumina..."

terça-feira, 15 de junho de 2010

Desiderato

No mínimo um obstáculo.
Sem placa de identificação.
Alvo de cogitações variadas.
Porque aquilo brotava do chão (?), valha me Deus!
Meu clã possuía normas a seguir.
Lembretes de resignação.
Mas meu coração vulcânico queria apenas transpor.
Aquilo.
Ali.
Uai.
Então corri pelas ruas frias da cidade.
Com meu pouco fôlego.
Sob as bandeiras enfeitando as ruas, perto dos postes de luz da Cemig.
Sob as tirinhas de plástico verde e amarelo esvoaçando.
Queria tomar impulsão e saltar sobre aquilo.
Ali.
Um salto olímpico.
Ocorre que o trânsito intenso e anormal a essa hora atravanca meu intuito.
É preciso esperar para atravessar.
É preciso olhar para os lados e não morrer.
É preciso ter força, é preciso ter graça, é preciso ter gana sempre...
É preciso respirar ás vezes, deixar o ar circular, ventar por dentro.
Cara, esse frio todo e ninguém ao lado na cama de manhã.
Desperdício geográfico.
É como se alguém estocasse chocolate e não houvesse ninguém lícito para consumir.
O mundo tem dessas coisas.
Dessas dessincronias.
E eu já perdi tanta coisa pelo caminho, que se voltasse atrás para recuperar, seria uma outra espécie e não essa pessoa estranha que sequer sabe o que é aquilo. Ali.
*
Estrelinhas para Maria, a Maria.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A história de uma bolha de sabão

Era uma vez uma bolha de sabão.
*
*
*
*
PLOC!

Fim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

UM PLANETA NA SUA CAMA

o FRIO se APROXima
com A PRÓxiMA ESTAÇão
Tudo pÁRa
eU PARALISO.
Decisões interlocutórias
com bolinhos de chuva.
Sono fervendo por dentro,
cafeína pra teimar.
Será que o sapato cabe
na Cinderela?
Será que era o sapato ou o pé dela?
O que é que cabe em mim, em ti?
o que tem cabimento?
Decidir ARRISCAR TUDO?
Suportar o sofrimeNto?
Bala meNtOS COM cOCA COLA
É CAPAZ DE aTIVAR FOGUEteS
DE bRINQUEDO.
aSTRONAutas de mármoRE
no sOLo Lunar.
Mesmo pedras caras flutuam.
SÓ POR LÁ.
pOR aqui é tuDO grave
sem agravo de Instrumento
NÃO sei SE graVO UM cd
oU SE ESCREVO UM poemA.
sE MEU desEJO é grande
se minha alma é PEQUENA
Se o mEDO nos interrompe
SE A CULPA nos CONDENA
Eu penso em TI o dia INTeiro.
QUal é o proBLema?
DeixA tudo aí, pega tuas coisas
e vamos ao cinemA.
que a Rima era doce e grudou.
quE O DOCE ERA BOM E AcaBOU.
coMO O DIA ACABOU.
dEVORO O Dia.
aCABOU.

eSTRELINHAS para o céu, para A sorveteria que não abre na quarta (porque será???) e para os Engenheiros do hawaii. POrque the Papas over, but o papa é Pop - como um CD do U2
.

domingo, 16 de maio de 2010

Porque todos precisamos de um pouco de mágica hoje

Pergunte às pessoas o que querem a respeito da vida e a resposta é simples: Ser feliz. Talvez seja essa expectativa de querer ser feliz que nos impede de sermos felizes. Talvez, quanto mais tentamos ficar em estado de alegria, mais confusos ficamos, até não nos reconhecermos mais. Então continuamos sorrindo, tentando ser as pessoas felizes que queríamos ser. Até que a ficha cai e percebemos que a felicidade sempre esteve lá, não em nossos planos e esperanças, mas no conhecido, no confortável, no familiar.
(Grey`s Anatomy - epsódio 22 da sexta temporada)
*
*
De acordo com o que acredito, vivemos num planeta de provas e expiação. Isso não me impede e nem a você de procurar a felicidade, de querer diminuir a dor que qualquer situação possa provocar. Tropeçamos em clichês de que não existe felicidade e sim momentos felizes, esbarramos em teorias mais sensíveis e poéticas de que a felicidade dura o instante de um arco-íris, mas isso não me impede e nem a você de sonhar com algo mais duradouro, menos efêmero. A busca pela felicidade é algo natural, semeado dentro de nós, de cada ser humano. Quantas coisas belas já criamos ao querer fugir da dor, da solidão, do medo? Poesias, filosofias, compêndios, canções... As flores do mundo são uma bela maneira de lidar com a dor. E quando a felicidade chega, cessa a nossa criação, porque ela por si só já é bastante e brilhante.
Mas o que me motivou a começar esse texto foi o fato de que nessa busca, nós criamos à nossa maneira o que poderia ser felicidade e muitas vezes nos confundimos e erramos. Parece uma miopia da alma que nos faz estar enganados quanto ao que realmente nos faria felizes e melhores. É quando a felicidade se transforma numa imagem holográfica, nada táctil. Ao percebermos que não podemos tocar, que lutamos tanto, que fizemos tanto barulho por nada, se instala em nós a frustração e a sensação de queda. E a dor. Nessa hora muitos se revoltam, muitos se resignam. Entretanto, essa necessidade de sermos felizes persiste sobre tudo, sobre a camada de ozônio, sobre os vapores que protegem o planeta, a despeito da órbita, do resultado do futebol, da mega-sena, do final da novela, da cotação do dólar, da eficácia da vacina contra a última gripe mais avassaladora... Persiste por ser o que nos move.
Mas há uma coisa... A verdade. Pura. Simples como uma canção do Trem da Alegria! ( : )
Nós fazemos o estardalhaço. Mas o que poderia ter nos feito felizes estava e sempre esteve ao nosso alcance em toda simplicidade e pureza, em toda beleza das coisas naturais, entre a dor que nos ensina, o incômodo que nos alerta, as provas que nos aumentam a resistência, os espinhos que melhoram nosso discernimento, os problemas que nos impulsionam às respostas.
Que tenhamos olhos para enxergamos onde ela está e evitarmos os caminhos tortuosos que tantas vezes percorremos para encontrá-la!

Uma semana feliz a todos vocês!!!
Shiny happy people.



quinta-feira, 6 de maio de 2010



Porque você está dentro de TUDO.
Eu fico fora do ar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Notícias do Front


Daqui da pra ver o oásis.
Alguns aqui do meu lado dizem que é apenas uma miragem.
Eu acredito que não. Acho que é real. Podemos caminhar um pouco mais.
Quando há rajadas de vento, lembro do mar e das coisas que eu queria e não posso ter por perto.
Já não tenho ilusões de grandeza, no entanto, almejo ao menos um possível retorno aos dias calmos.
O azul sobre nós, esse céu gritante, parece escancarar nossa miséria.
Nossa missão era tão simples.
Onde foi que começamos a errar?
Onde foi que nos perdemos?
Porque não nos impediram de tomar decisões?
E porque tudo agora ecoa?
É como se já soubéssemos as respostas.
É como se já soubéssemos tudo desde o início.
Nossa defesa era fingir que não.
Uma estratégia inusitada para fugir do peso das coisas.
Seguir, apesar dos pesares.
Não. Não éramos Kami kases, mas enfrentamos as conseqüências. Nós fomos além.
Por Vontade.
Enfrentamos o perigo, escarnecemos das circunstâncias e chegamos ao pódio.
Agora somos os donos desse lugar, mas temos pouco o que governar.
Cinzas e corações atormentados.
Promessas quebradas e juras insensatas.
Sanidade sucateada e pedidos de perdão.
Parece que enfrentaremos mais uma noite fria...
*
*
Guardo comigo uma caixinha que tem sobrevivido a todas as intempéries.É algo brilhante, vigoroso, e que nos dá alívio, quando a caminhada se torna muito difícil.
Já viram flores nascendo quando deixo o conteúdo cair.
É um alento.
É um tesouro.
Nossa maior conquista.
Dizem que é amor.