Estamos aqui e ainda não...
Não é o apocalipse.
Somos eternos e não temos o privilégio do definitivo em nada
Tudo passa, o tempo, os rostos, os carros na rodovia, as pessoas, as alegrias, as dores...
Sofremos quando queremos nossos braços alcançando o mundo. Não nos cabe e nem cabe em nós.
Estive aqui, relendo os antigos textos. Foi uma surpresa saber que a angústia preponderou em mim.
As piadas, as gargalhadas, os fogos sempre foram de artifício. Um artifício para dar cores diferentes às telas cinzas.
Sempre procurei as flores no lixo, as lanternas, as luzes...
Tenho milhares de motivos para ser grata.
Tenho amor ao redor. Tenho muitos pincéis e a vida me oferece todas essas tintas.
Mas.. confesso aqui a melancolia.
Sinto tantas coisas. Sinto muito.
Estou triste, embora consciente da batalha, da guerra, da paz.
Essa lucidez me embriaga.
Faz frio. Julho acaba amanhã.
É difícil deixar ir.
É difícil não estar.
Viver é difícil... e perigoso.
As vezes eu nem queria...
terça-feira, 30 de julho de 2019
terça-feira, 22 de maio de 2018
Enjoy the silence
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Eis me aqui, nua no palco. É o meu pior sonho, mas não é um pesadelo,
porque você está ali e testemunha meu diálogo com o silencio.
Tenho a sensação de que as coisas mais desconcertantes perdem a
densidade diante da tua presença.
Recito meu verso: Há oceanos que
não saciam meus desertos, mas a pouca água do teu oásis me inunda.
Eu não imaginava o braço de mar sob os continentes que avistava. Nunca
vemos demais. É sempre um fragmento, uma peça que não se completa até que nos
aproximemos. Supomos pensar na altura, largura e profundidade do que vemos, no
entanto, quando aproximamos a respiração, quando tocamos o sentimento, somos
surpreendidos com dimensões inimagináveis.
Aconteceu comigo e me vi te entregando as chaves do meu castelo, meus
sonhos, meus desejos, meu corpo e o meu coração.
Eis me aqui, nua no palco. Sem palavras.
Muitas vezes encontro esse silêncio que precede os aplausos.
Mas não faz diferença.
Tudo o que eu preciso está aqui em meus braços.
quinta-feira, 1 de março de 2018
01 de março!
E eis que ele quase me alcança!
Sinto muito orgulho do homem que você é.
Feliz Aniversário.
Amo você!
Necessidade
Eu sinceramente, não sei porque dessa necessidade escatológica das pessoas de meter um palavrão no meio de tudo.
Gosto e cu cada um tem o seu...
Uai, Gosto e impressão digital também.
Gosto e visícula bilial.
Gosto e dedo.
Gosto e nariz.
Gosto e fêmur.
Gosto e pé.
Gosto e traqueia.
Gosto e língua.
Gosto e dna.
Gosto e epiglote...
Mas aí o ditado tem que se voltar pro mínimo espaço por onde a bosta sai.
E eu não entendo todo esse amor do mundo pelo cu.
Gosto e cu cada um tem o seu...
Uai, Gosto e impressão digital também.
Gosto e visícula bilial.
Gosto e dedo.
Gosto e nariz.
Gosto e fêmur.
Gosto e pé.
Gosto e traqueia.
Gosto e língua.
Gosto e dna.
Gosto e epiglote...
Mas aí o ditado tem que se voltar pro mínimo espaço por onde a bosta sai.
E eu não entendo todo esse amor do mundo pelo cu.
PARALELEPÍPEDOS
Escutei muito e repeti em vários discursos que o namoro precisa ser leve. Que pesado é o casamento.
Mas agora eu penso, em fase de reajuste, é mesmo possível ser leve, fluido e tranquilo?
Um relacionamento, monogâmico pelo menos, é construído por duas personalidades com uma trajetória de vida diferente, com culturas, crenças, valores que por mais que possam se assemelhar, são diferentes . Cada um, no fim, possui a própria impressão digital.
E então, ambos concordam em fundir esses universos para criar um novo universo de intercessão. Como é que isso pode ser simples e leve?
Se você souber, me fala no privado!rsrs
E o título é só um mero detalhe do caminho!
NUVENS
Criança, eu olhava as nuvens e tinha certeza de que havia vida inteligente e mágica lá.
A Fofolândia,os Ursinhos Carinhosos e muitos outros espaços habitados. Hoje as nuvens estão cheias de dados. E eu, vazia de certezas.
Chega uma hora em que o passo que precisamos dar são mais necessários do que as certezas, a vã certeza de tudo. Teorias, crenças, pontos de vista, convicções...
Acho que tudo deve ir pra nuvem e formar de repente algum reino, talvez...
Embora eu não ache que seja inútil ter certeza...
Só acho.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
FRENTE FRIA
Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer.
O medo é uma dor e eu não sei precisar se é como um parto ou uma espinha.
Sinto essas múltiplas mãos apertando algo por dentro e normalmente, comumente, fatalmente, felizmente, displicentemente o nervo se contrai com precisão.
Embora a ânsia e a melancolia dessas horas, não choro. Não sei se sei ou se posso.
Se já estivemos ali, construindo planetas, cuidando de seres intermediários, sendo modestamente cósmicos, o que estamos fazendo aqui ainda, nesse desterro?
É uma tarde fria, mas o frio acabou.
Estamos demasiadamente humanos.
... Mas no fundo eu nem ligo.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Além de nós
Você passa... Ficarão pelo chão as marcas dos seus passos!
Você passa... Ficarão seus anseios, ficarão seus temores, ficará o tom da sua voz...
A gente não percebe exatamente o espaço que uma pessoa ocupa dentro de nós, até que ela desocupe. Aliás, desocupar não é o termo correto, porque ela vai continuar ocupando.
Mas aí vem a morte ou coisa parecida e a gente percebe que a
importância que a pessoa tinha pra gente era de dimensões maiores que
supúnhamos. Como quando a gente machuca o dedo mindinho e percebe que o
usa para muito mais atividades que imaginava.
Já viu como se arranca um pé de mandioca do solo? Aquele
tubérculo alcança lugares muito distantes de onde ele foi plantando. Ele se
entranha pela terra e fica forte.
Ana esteve com a gente desde os primeiros ensaios, quando
éramos apenas desconhecidos que se juntaram para uma apresentação da casa.
Desde então, ao longo desses 8 anos, convivemos quase que diariamente, na
edificação de nós mesmos e na dedicação ao próximo. Convivi mais com Ana nesses
últimos anos do que convivi com meus pais. E quando estamos compartilhando a
jornada com alguém, indo pro mesmo rumo, é quase imperceptível como esse alguém
vai se entranhando dentro de nós. Ana foi fazendo parte de mim, de nós, mesmo
nos pontos de atrito que tivemos, mesmo nos julgamentos recíprocos que fazíamos
uma da outra. Na trilha que compartilhávamos, era impossível que o amor não
fosse a força maior entre o resto. Então nos amamos e era essa força que nos
unia.
Apesar dos pesares, construímos um laço forte e agora que ela
já não está mais aqui, eu mal aguento olhar um arranjo de voz para sopranos.
Talvez porque esteja recente. Talvez porque sempre fiz os arranjos pensando na
voz dela.
Ainda não é saudade. Mas será inevitável sentir. Cada vez que ouvir, na música, a palavra africana que ela não
dava conta de dizer, cada vez que alguém fizer os solos que eram dela.
A vida vai ter sequencia e vamos sorrir, cantar com alegria
novamente e mesmo assim vamos descobrir, casualmente, nos detalhes, com ela
estava infiltrada em nós. Isso vai doer um pouquinho.
Eu só espero que nesse momento saibamos valorizar e amar
melhor todos aqueles que continuam aqui.
Apenas começamos...
segunda-feira, 26 de junho de 2017
ESSE É O SHOW DA LUNA...
Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade
L'Aventura - Renato Russo
É quase uma hora da madrugada.
Como não tem sol, ainda parece domingo.
Acabei de encontrar o carregador do celular debaixo da pilha de roupas
que está em minha cama.
Estou morrendo de sono, a cabeça explodindo e mesmo assim não consigo
dormir. É como se tivesse um alarme disparado dentro do meu corpo todo.
Não sei definir o que estou sentindo. Não sei ser precisa, não sei se
preciso...
São tantas pessoas, fatos, situações, que agora eu poderia ser uma
vitamina de frutas, ou um mix de mim.
Rodo a roleta imaginária e espero a seta parar em um assunto
para eu discorrer nessa madrugada fria.
E... voilà! Você!
Senti sua falta por causa da NetFlix liberando as séries no inverno.
Hoje eu te vi.
E sabe... Isso não me perturbou da maneira que eu achei que pudesse
perturbar.
Perturbou de um jeito diferente.
Eu te vi seguindo a vida e isso me deixou feliz por você. Me deu certa
paz.
Eu havia te excluído de tudo
para não te ver e não ter que pensar em você nem por acidente, mas o quadrado é
pequeno e os links são diversos.
Então te vejo e te verei.
Mas hoje consegui não ter ânsia de vômito por ver encarnado em minha
frente um fantasma que me assombrou por anos e agora não é mais fantasma. É
verve!
Metade das coisas ficam sem graça quando perdermos o medo de
fantasmas.
O que é minha vida sem o drama?
Chega a ser desolador, porque assumir que estou bem é consumir minhas
muletas.
Não posso mais dizer que estou quebrada para evitar seguir adiante com
quem quer que seja, ou comigo mesma!
Não posso mais dizer que estou meio presa ao meu passado com você, à
nossa história.
Não posso mais culpar o luto ou o fato de não ter tido as qualidades
necessárias para fazer nossas vidas se encaixarem.
Pra ser sincera, eu nem queria encaixar nada depois que mudamos de
jogo.
Eu queria era só ficar triste e com crise de identidade, sabendo do
seu prosseguimento feliz enquanto eu me auto - sabotava.
Eu queria te culpar, e sem razão, cada vez que aparecia alguém que me ferisse,
ou cada vez que eu me metia em encrencas, ferindo alguém.
Mas agora não vai ter mais nada disso, porque hoje não doeu.
Estou em minha cama cheia de roupas (lavadas), sem muita culpa e sem
nenhuma vontade de dobrar minhas calcinhas como origami só pra te mostrar
através do cosmos que eu tinha qualidades para você admirar, mesmo com algumas
pessoas admirando virtudes minhas que você nem via.
Eu faço origamis de papel. Mas tanto faz...
Isso há muito tempo deixou de ser sobre você.
Você eu amo.
Já faz tempo que é de uma maneira diferente, só que eu ainda tinha um
pouco de dúvidas até te ver hoje.
Então ficou estupidamente claro que o que sinto é sobre mim.
Eu não sei exatamente o que fazer com tanto oxigênio em volta.
E não falo por causa da liberdade.
Na verdade, descobri que nunca houve um mandado de prisão. Percebi que
as grades e a sentença eram imaginárias e percebi que estou assustada.
A verdade está lá fora. Mas...
Sei lá se quero ir...
Eu quero saber por que o gato mia? Verde por fora, vermelho por dentro, é a melancia!
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Como diz o Billy
Eis aí o inverno!
E quem somos nós agora através de todas as estações?
Estamos reunidos aqui depois desses passos e devemos ser
outras pessoas não é?
Outras pessoas melhores, com mais lições aprendidas.
Não devemos?
Mas existe um sentimento lá dentro de nós que se parece muito
com aquela coisa quando estávamos prestes a dar o primeiro passo nessa jornada.
O primeiro.
Uma coisa que sabe de si, mas que não sabemos o que é! Essa
coisa que nos retalha, impulsiona, sangra um pouco e faz com que a queiramos
desvendá-la. Essa coisa que mesmo sendo dura e fria, me faz querer colo e quem sabe, uma varanda com balanço ou
rede?
É uma coisa que se alimenta de paradoxos e me desconfigura sutilmente.
Essa coisa me segue e eu corro na lâmina dessa aflição...
Como diria o Billy, vamos lotar o inverno com nossas boas
intenções!
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Here I am!
Fui ricocheteada para uma janela inútil com fotos de antes e depois de atores famosos!
É curioso ver o Johnny Depp envelhecendo enquanto minhas espinhas, ausentes na adolescência mancham meu rosto e escondem o quanto já percorri.
Um pouco!
Sou da velha guarda, perdi e ganhei muita coisa!
Aprendi as cores que estão debaixo do papel esperando um toque ou chuva para novas químicas.
E desaprendi os rabiscos e os mosaicos.
Ganhei um sorriso diferente, talvez mais consciente da alegria que sente!
Perdi batalhas e postos, um pouco da fé e a esperança revolucionária de dividir os mares.
Mas seu abraço é como reintegração de posse.
Ouvindo A-HA!
segunda-feira, 15 de maio de 2017
NÃO NOS AFASTEMOS MUITO
Ao Leo
Cara,
Ás vezes vai ser muito ruim.
Você vai ouvir tantos nãos que vai parecer exercícios para voz.
Mas as coisas ficam bem depois do não, mesmo que seja bem chato passar por eles e ouvi-los.
A nossa sorte é que o tempo passa e a gente sobrevive!
A gente não precisa explodir o mundo toda vez que as coisas não saírem como queremos.
Vou te confessar que as vezes dá essa vontade mesmo, mas a gente se controla, pensa no que pode ter de bom depois! Pensa no trabalho que é reconstruir tudo que a gente quebra quando se chateia.
O planeta Terra é uma bola muito grande que gira em torno do sol e em torno do próprio eixo sem um cordão de nylon cósmico controlando tudo. São outras forças, outras leis.
Se existem essas leis regulando tudo, regulando as coisas que a gente nem pensa, então não há porque pensar que um ponto final seja exatamente o fim de tudo, de toda a possibilidade de cor que tem depois!
É a vida, cara!
Tem esses dias em que chove. E em outros que bate sol.
Tem coisas que vão doer, vão doer e depois vão passar.
E quando passarem, se você souber olhar direitinho, vai ver que elas te deixaram mais forte.
Então aguente firme o quanto puder, sem destruir e sem deixar que isso te destrua, porque a luz que a vem de tudo isso pode iluminar a nossa cidade inteira e todas aquelas que você imaginou.
terça-feira, 2 de maio de 2017
É estranho como é estranho esquecer um nome.
Á minha prima
O que será que define estranho?
Essa
indiferença ou a saudade sem tamanho?
É o sorriso
de canto
É um canto
sem juízo?
É apressar o
passo enquanto
ter pressa
não é preciso?
O que será
que define estranho
Num coração
que é tão desigual?
Com a
inexata medida
desata
conceitos e elucida
os nós dados
na escuridão
E aí já nem
mesmo há razão
dessa razão
matemática e lisa
Porém uma
razão que se declina
diante do
coração de outro ser
e assim,
como haveria de ser
O estranho
de repente é normal
No coração
que por ser desigual
Desmediu-se
no que é desconhecido
pra ser
formar poético e decidido
e mergulhar
no mar da imprecisão.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
TRAVESSURAS DO TEMPO
Queria encontrar o remédio
pro que não tem remédio ainda
O ainda é um ponto a preencher
enquanto eu esvazio a cabeça
Queria encontrar um canto exato
pra ficar sem que a dor faça ruído
Como se o tempo acolhesse o meu corpo
feito o sofá mais confortável da loja
E aí isso ia longe
sem ser preciso mergulhar no oceano
pra descobrir que a lagoa resolvia
Pra aprender que faz sentido a travessia
mas que nem sempre é preciso atravessar
E isso ia mais longe
Onde você seria mera holografia
E ao olhar pra tudo eu me perdoaria
Mesmo que algum dedo em riste
vá me condenar
De quem será?
Se não for meu, fazer o que ?
Ou não fazer?
Te relembrar e ir adiante?
Ficar aqui e te esquecer?
pro que não tem remédio ainda
O ainda é um ponto a preencher
enquanto eu esvazio a cabeça
Queria encontrar um canto exato
pra ficar sem que a dor faça ruído
Como se o tempo acolhesse o meu corpo
feito o sofá mais confortável da loja
E aí isso ia longe
sem ser preciso mergulhar no oceano
pra descobrir que a lagoa resolvia
Pra aprender que faz sentido a travessia
mas que nem sempre é preciso atravessar
E isso ia mais longe
Onde você seria mera holografia
E ao olhar pra tudo eu me perdoaria
Mesmo que algum dedo em riste
vá me condenar
De quem será?
Se não for meu, fazer o que ?
Ou não fazer?
Te relembrar e ir adiante?
Ficar aqui e te esquecer?
sexta-feira, 10 de março de 2017
Lidar
Alguns sentimentos são filhos bastardos que eu adoto, cuido, protejo, mas não registro, pra ninguém saber que é meu.
quinta-feira, 9 de março de 2017
CERTAS COISAS
Acontecem como mágica.
Do nada, como um coelho que sai da cartola
Vencendo o óbvio e deixando meu olhar perplexo.
Como é que faz isso?
Como coloca de volta?
Volta o video que eu quero ver onde foi que eu perdi o movimento que causou isso tudo.
Se eu descobrir, posso prometer não revelar o segredo até ser conveniente.
A garantia é porque isso me afeta e é pior quando eu não sei o que houve.
E porque houve... E mesmo assim ter que lidar.
Do nada, como um coelho que sai da cartola
Vencendo o óbvio e deixando meu olhar perplexo.
Como é que faz isso?
Como coloca de volta?
Volta o video que eu quero ver onde foi que eu perdi o movimento que causou isso tudo.
Se eu descobrir, posso prometer não revelar o segredo até ser conveniente.
A garantia é porque isso me afeta e é pior quando eu não sei o que houve.
E porque houve... E mesmo assim ter que lidar.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
O MOMENTO
Depois do disparo, um tiro leva menos de um segundo para atingir alguém.
E tem muita coisa no mundo que é como um tiro.
E todas as consequências indeléveis!
Estupidez
Talvez não seja tão difícil
acertar o caminho de pronto
Sentir o tranco e voltar ao ponto
onde fomos contra a placa
E se descobrirmos, da próxima
a gente acerta o foco, o passo
e sofre a dor sem perder o requebrado
e sem quebrar os corre-mãos no encosto
Mas agora eu acho tão difícil
e o talvez é só possibilidade
Porque tenho feito coisas estúpidas
tido pensamentos estúpidos
Sentindo a estupidez dos fracos
Desprogramando meus circuitos
Eu sinto que por ironia
Tanta estupidez quase é poesia
mas fica com o risco vermelho
de auto- correção do word
Mostrando que tem algo errado
em continuar sendo estúpida
depois de tanto aprendizado.
acertar o caminho de pronto
Sentir o tranco e voltar ao ponto
onde fomos contra a placa
E se descobrirmos, da próxima
a gente acerta o foco, o passo
e sofre a dor sem perder o requebrado
e sem quebrar os corre-mãos no encosto
Mas agora eu acho tão difícil
e o talvez é só possibilidade
Porque tenho feito coisas estúpidas
tido pensamentos estúpidos
Sentindo a estupidez dos fracos
Desprogramando meus circuitos
Eu sinto que por ironia
Tanta estupidez quase é poesia
mas fica com o risco vermelho
de auto- correção do word
Mostrando que tem algo errado
em continuar sendo estúpida
depois de tanto aprendizado.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Concerto nº 5 para Piano (Beethoven)
Essas portas se abriram uma a uma, alternada e simultaneamente.
O que importa a ordem agora, o modo, a forma e a intensidade?
Agora isso é o que sinto e sinto tudo ao mesmo tempo.
Parte de mim quer fragmentar e definir cada detalhe do sentimento, as curvas, nuances, tons.
Mas não há como fragmentar algo sólido e integral de maneira exata.
Estou conectada ao mundo e o mundo está vibrando em cada átomo dos meus corpos.
Eu sinto tanto.
Eu sinto muito.
Mas preciso me dissolver e ser tudo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Fênix Brilhante
Às vezes me
sinto flutuando.
É curioso,
porque isso acontece nos dias mais densos.
Parece que fico mais leve do que
tudo ao meu redor, mas acho que pode ser o contrário.
É o mundo
todo que flutua, não eu.
Pensar nisso
me faz cair enquanto o chão nunca chega.
As coisas
estão flutuando numa esteira invisível, de cabeça pra baixo.
E o chão
nunca chega.
Nem o céu.
Estou no
espaço e não encontro sua mão. Quando encontro não alcanço. Quando alcanço, me
desfaço e descubro outro espaço entre nós.
Não sei se é
cedo ou tarde demais pra dizer adeus ou pra dizer jamais.
Talvez nem
tenhamos que dizer nada.
Talvez seja
só gritar silenciosamente, enquanto as nuvens nos atravessam.
Ou ficar em modo avião.
Está ficando
cada vez mais difícil respirar e mal consigo formular uma prece.
Desejo que a
sexta passe depressa e que dezembro demore a chegar.
Estou
flutuando como um astronauta na lua e quero ter aquela fênix brilhante no
peito.
O que é
preciso fazer?
E então as
letras pequenas me rodeiam e não quero ler nenhuma.
Não estou
pensando nisso.
Na verdade, nem
estou pensando...
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