terça-feira, 28 de abril de 2026

MARÉ DE SORTE

 Era um belíssimo negro estrelado.

Antes, a folha da amora.

Antes, o fio do varal.

Antes, minha retina, 

Antes, meu coração descompassado.

Antes, meu silêncio.

Eu era o lado convexo do olhar do astronauta

quando o sentido se perde diante da imensidão

O mundo parece tão vasto daqui

e mesmo assim, estou claustrofóbica.

limitada.

Sem estrelas.Desastrada.

O mundo tem seus meios de se compactar

Não sinto que sou maior.

Mas sinto muito.

Por tudo.

Por nós.


quinta-feira, 5 de março de 2026

Tradução imaginária de músicas em inglês

 Você tem buscado as respostas

um pouco de alívio

você quer sorrir em paz

mas quando bate na porta

ela desmorona

Você fica com a maçaneta nas mãos

das portas que tenta abrir


Mas agora você está cansada

Cansada de nunca chegar em lugar nenhum

correndo em uma esteira

Você pensa que talvez seja uma brincadeira

uma pequena crueldade divina

com sua vida e suas expectativas

Você está cansada de reajustar expectativas

e cansada de esperar o melhor


Você até se acostumou com a dor

aceita as pedras na sua janela

aceita seu corpo em cacos

A vida é como ela é, você diz.


Mas você, apesar desse mundo em ruínas

e de tudo ao redor parecer deserto

Das bombas sobre todos os conflitos

Você está lá, como um lírio

Você é o lírio.

E para mim, essa é a porta escancarada

que se abre com sensor de presença


Está tudo ensolarado

Nós ainda temos o resto de nossas vidas

Nós ainda temos o resto de nossas vidas

sábado, 21 de outubro de 2023

As palavras que são pra você

 Parece que há dias sem nenhuma melodia.

Apenas uma longa pausa, onde não incide quase nenhuma luz.

Essa pequena luz que me faz continuar buscando os dias de sol, a alegria, vem de fontes indeléveis no meu coração. Sua existência é uma delas. Não programamos isso, mas quando você, sem querer, me mostrou Deus através de Mahler, me deu um presente luminoso pra eu nunca me demorar na sombra. E você me deu ferramentas, me fez querer ser excelente no que eu me propusesse. Me disse: Faça a coisa. E venho assumindo essas frases pela vida, te citando para desconhecidos e descrevendo meu destino. Você me deu essa melodia que ouço lá no fundo do silêncio, uma sinfonia secreta capaz de desfibrilar meu coração.

Sempre penso em você com respeito pelos sonhos que buscou, por ser quem é aqui ou em outras partes do globo e com a ternura e o afeto que a arte nos deu.

Desejo que nos dias da sua vida onde a luz não incidir demais, que a força luminosa que me deu pra eternidade se transforme em um quasar e você tenha alegria e nunca se esqueça de quem é!

Adiante e radiante. 

Seja Feliz!






terça-feira, 24 de maio de 2022

O frio que faz

 Existe essa dor que intensifica com a queda da temperatura.

Dói o dente, os ossos, as juntas e dói o coração.

O nervo se contrai e a saudade dilata.

Não deveríamos vagar na melancolia.

Estamos aqui. Sobrevivemos. Alegrai-vos! 

Mas silêncio...

Num piscar de olhos, a dor aparece.

E deixamos ali os dias de paz.

É...

É o frio que faz quando faz frio.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

SAGITTARIUS A*

 No centro da Via Láctea existe uma fonte de rádio astronômica brilhante e muito compacta, perto da fronteira das constelações de Sagitário e Escorpião. Apesar de brilhante, é um buraco negro supermassivo.

Os astrônomos avisam que amanhã, 12 de maio, quinta-feira, às 10h, vai sair sua foto e há quem compare esse momento com a chegada do homem no solo lunar.

Eu aguardarei a foto. Aguardarei participar, talvez, de um momento histórico da humanidade que talvez ninguém se lembre, ninguém aguarde, ninguém se verá transformado, fora os astrofísicos, por uma foto, cuja complexidade, a ciência sabe, mas só sei de ouvir falar.

O que sei é que buracos negros são a distorção do espaço-tempo, esse tecido do universo, feito de 4 coordenadas espaciais. Acima/Abaixo, Direita/Esquerda, Frente/Trás e o Tempo. Quando essas coordenadas ficam extremamente distorcidas, de onde nem a luz escapa, há um buraco negro. O mistério, o profundo.

Pode ser que no universo existam micro-buracos negros distorcendo meu tempo, meu espaço, fazendo essa dissociação que chega na beira de me ensandecer. Dentro do meu cérebro, na fronteira das sinapses, supermassivos podem surtir efeitos ilógicos. Não vejo tudo enquadrado e nem tenho remoto controle, mas como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora, eu quero chegar antes, mas não dá. Estou numa esteira, eu corro, eu suo e permaneço cansada, querendo agradecer, mas tendo que correr sem sair do lugar, enquanto relógios me envelhecem sem perdão. Enquanto as estações mudam, as aves migram, surgem as rugas e nada muda de verdade no universo onde me prendi. Em outros universos, talvez eu seja a heroína captando a luz com uma câmera, enquanto o Sagitário A Estrela, longe de sugar a luz, permite-se ser revelado nos multiversos em que meu cavalo só falava inglês.

A foto é a antítese dos buracos negros. E pensando bem, os vampiros vieram de um deles. Eu vim pra te ver.


sexta-feira, 9 de abril de 2021

INFERNO ASTRAL?

 Às vezes eu me sinto flutuando na atmosfera que o tempo criou entre tudo o que eu fui e o que sou agora. Eu tenho todas essas dúvidas e certezas, esse conformismo que como um calo enrijece uma imperfeição que tinha valor e brilho. 

Não sei se atualmente você gostaria de se sentar para tomar um café comigo, ou um cappuccino com samantilhas. Não sei se com tudo o que caminhei na superfície ainda posso ser companhia interessante ou relevante. Nem sei se sou mais uma pessoa bondosa, preocupada com os destinos do mundo e não sei como cheguei até aqui.

Eu poderia dizer que as circunstâncias me impeliram para esse lugar como uma tromba d`água que te pega de surpresa durante mergulho despreocupado no rio. Mas  não é verdade. Sei que não foi assim. Vi tudo acontecer lentamente, apertei todos os botões, moldei cada rampa de acesso com as mãos, com as ferramentas para aparar arestas e aprimorar a obra. Eu tive a consciência de que eu estava fazendo o melhor de mim, o melhor com tudo o que eu sabia e que estava aprendendo. Eu tive a consciência de que eu não fiz o melhor.

Nesse silêncio gelado, o que a vida tem realmente a dizer? Aqui no oásis, sem filhos do meu ventre, sem conquistas materiais, com inseguranças demais, apegos demais, medos demais, porém num entorpecimento confortante que pode até ter me distraído, vivendo sob a sombra de outra pessoa, o que eu tenho a dizer, o que legitima minha fala?

Eu queria saber o caminho de volta para as coisas que me traziam felicidade sem culpa, leveza sem câmera anti-gravidade. Há uma pandemia e zumbis, desgosto, política e enquanto milhares morrem de fome, eu engordo complacente entre a dieta e os aplicativos de comida.

Como é que a gente sabe que tá feliz? Como é que eu sei se você está?

E o fim é com a música do A-HA:

So, please now

Talk to me

Tell me things I could find helpful

For how can I stop now

Is there nothing I can do

I have lost my way

Por favor, agora fale comigo / Me diga, coisas que eu poderia achar úteis /Como eu posso parar agora?Não há nada que eu possa fazer? Eu perdi o meu caminho...


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Michele

 

Às vezes acho que minha vida é um risco no papel carbono que tomou rumo diverso da matriz, descreveu novos traços e linhas e me recita agora. Soa como se eu fosse um verso exótico, mas ainda assim com rimas preciosas que nem sempre reconheço. As coisas já não soam tão familiares. É tudo novo e preciso me acostumar, aprender os nomes, os métodos e as circunstâncias para não definhar.

A droga do espelho mostra um rosto envelhecendo, um bigode chinês, pouco poder de voto e pouca vontade de votar, de cantar...

Estou aprendendo, com entusiasmo, sobre aviões em um canal do youtube. Em outra página, até mesmo na matriz, acredito que eu poderia fazer a mesma coisa. Muitas coisas seriam iguais e outras, paralaxe.

Vem chegando a madrugada e eu sei que se minhas escolhas fossem diversas, eu não poderia afirmar que seria mais feliz do que aqui. Meu pai morre em todos as páginas, até nas biografias não autorizadas e imaginárias da minha vida. Há coisas que não podemos alcançar de qualquer jeito. A gente não consegue mexer nas engrenagens de Deus. A gente mal sabe lidar com as nossas engrenagens, com essa confusão consentida, épica, esse motor sem rotação ou girando rápido demais, ou fazendo tudo ao mesmo tempo. Nem os cavalos suportam os motores.

Há uma pandemia e ela não é mais caótica do que alguém com tantos privilégios se imaginar de vez em quando tendo a cabeça decepada por uma guilhotina, ou se imaginar presa em um poste, levando flechas no corpo como São Sebastião. São sobras da escassez? São escombros da solidez ou dificuldades normais das novas edificações?

Não tenho palavras alegres e cheias de luz. Há dias bons, mas não formam palavras. Já melancolia escreve poemas crônicos.

Continuo amando Engenheiros do Hawaii e convivendo com mais engenheiros do que nunca, mas não acho que amar uma mulher seja um absurdo, como diz a canção. Amo uma mulher. Ela é engenheira. O amor não é absurdo. A vida, às vezes, sim. Nós não estamos no Havaii.

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

A cor da tinta

"Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim"


No início foi uma anestesia. Pareceu tudo tão claro. Era a lei, me cabia acatá-la, respeita-la e resignar-me, seguir confiante de que tudo estava no lugar.
Mas um dia sucedeu outro dia, e a cada dia eu sentia que mais um pouquinho da alegria me faltava. Era como se a cada vez que eu abria os olhos de manhã, despertasse comigo uma sensação de mutilação.Não era um braço, uma perna, um dente ou um rim que faltava. Era um pedaço que parece que não cicatriza. Toda manhã é a mesma sensação na alma. 
Inexoravelmente passou a ser uma palavra dura, pesada, embora com espessura de uma lâmina muito afiada: não seremos como antes.
Sua presença está em tudo, pai. E se antes eu não te ligava todo dia, agora a primeira e última prece do dia são direcionadas ao seu coração, mesmo assim, pai, não poder ver o tracinho azul da visualização e o status "digitando" do outro lado, tem doído, meu velho.
E eu teria tantas coisas pra dizer, embora imaginasse que tivesse dito o essencial enquanto você estava aqui do nosso lado. Não sei se as digo em sonho, se você vem mesmo ou são apenas delírios. Será que já pode nos ouvir?
Hoje seria seu aniversário aqui nessa frequência. Acredito que vamos comemorar essa data enquanto estivermos por aqui. Celebrar com gratidão o quanto você foi e continua sendo absurdamente importante em nossas vidas, tanto que sua ausência atordoa e dói. Não é minha intenção te incomodar onde está agora. Tomara que esteja bem, na companhia daqueles que te amaram e que foram antes. 
Nós estamos indo bem aqui, da maneira que podemos... Mas pai, a tinta da saudade está em um pote infinito e tem uma cor indefinida. Será que vai ser estranho eu te desejar feliz aniversário?
Eu achei que ia saber, mas fiquei um pouco mais perdida do que já era...
Está difícil configurar rota, caber em algum espaço, me sentir parte de qualquer coisa e estar integralmente em algum lugar, porque quando você partiu, eu parei de me encaixar.
Tivemos dois dias de sol, mas começar a chover de novo...


terça-feira, 30 de julho de 2019

Pincéis

Estamos aqui e ainda não...
Não é o apocalipse.
Somos eternos e não temos o privilégio do definitivo em nada
Tudo passa, o tempo, os rostos, os carros na rodovia, as pessoas, as alegrias, as dores...
Sofremos quando queremos nossos braços alcançando o mundo. Não nos cabe e nem cabe em nós.
Estive aqui, relendo os antigos textos. Foi uma surpresa saber que a angústia preponderou em mim.
As piadas, as gargalhadas, os fogos sempre foram de artifício. Um artifício para dar cores diferentes às telas cinzas.
Sempre procurei as flores no lixo, as lanternas, as luzes...
Tenho milhares de motivos para ser grata.
Tenho amor ao redor. Tenho muitos pincéis e a vida me oferece todas essas tintas.
Mas.. confesso aqui a melancolia.
Sinto tantas coisas. Sinto muito.
Estou triste, embora consciente da batalha, da guerra, da paz.
Essa lucidez me embriaga.
Faz frio. Julho acaba amanhã.
É difícil deixar ir.
É difícil não estar.
Viver é difícil... e perigoso.
As vezes eu nem queria...

terça-feira, 22 de maio de 2018

Enjoy the silence


All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms

Eis me aqui, nua no palco. É o meu pior sonho, mas não é um pesadelo, porque você está ali e testemunha meu diálogo com o silencio.
Tenho a sensação de que as coisas mais desconcertantes perdem a densidade diante da tua presença.
Recito meu verso: Há oceanos que não saciam meus desertos, mas a pouca água do teu oásis me inunda.
Eu não imaginava o braço de mar sob os continentes que avistava. Nunca vemos demais. É sempre um fragmento, uma peça que não se completa até que nos aproximemos. Supomos pensar na altura, largura e profundidade do que vemos, no entanto, quando aproximamos a respiração, quando tocamos o sentimento, somos surpreendidos com dimensões inimagináveis.
Aconteceu comigo e me vi te entregando as chaves do meu castelo, meus sonhos, meus desejos, meu corpo e o meu coração.
Eis me aqui, nua no palco. Sem palavras.
Muitas vezes encontro esse silêncio que precede os aplausos.
Mas não faz diferença.
Tudo o que eu preciso está aqui em meus braços.

quinta-feira, 1 de março de 2018

01 de março!

E eis que ele quase me alcança!
Sinto muito orgulho do homem que você é.
Feliz Aniversário.
Amo você!

Necessidade

Eu sinceramente, não sei porque dessa necessidade escatológica das pessoas de meter um palavrão no meio de tudo. 
Gosto e cu cada um tem o seu...
Uai, Gosto e impressão digital também.
Gosto e visícula bilial.
Gosto e dedo.
Gosto e nariz.
Gosto e fêmur.
Gosto e pé.
Gosto e traqueia.
Gosto e língua.
Gosto e dna.
Gosto e epiglote...

Mas aí o ditado tem que se voltar pro mínimo espaço por onde a bosta sai.
E eu não entendo todo esse amor do mundo pelo cu.


PARALELEPÍPEDOS

Escutei muito e repeti em vários discursos que o namoro precisa ser leve. Que pesado é o casamento.
Mas agora eu penso, em fase de reajuste, é mesmo possível ser leve, fluido e tranquilo?
Um relacionamento, monogâmico pelo menos, é construído por duas personalidades com uma trajetória de vida diferente, com culturas, crenças, valores que por mais que possam se assemelhar, são diferentes . Cada um, no fim, possui a própria impressão digital.

E então, ambos concordam em fundir esses universos para criar um novo universo de intercessão. Como é que isso pode ser simples e leve?

Se você souber, me fala no privado!rsrs
E o título é só um mero detalhe do caminho!

NUVENS

Criança, eu olhava as nuvens e tinha certeza de que havia vida inteligente e mágica lá.
A Fofolândia,os Ursinhos Carinhosos e muitos outros espaços habitados. Hoje as nuvens estão cheias de dados. E eu, vazia de certezas.

Chega uma hora em que o passo que precisamos dar são mais necessários do que as certezas, a vã certeza de tudo. Teorias, crenças, pontos de vista, convicções... 

Acho que tudo deve ir pra nuvem e formar de repente algum reino, talvez...
Embora eu não ache que seja inútil ter certeza...
Só acho.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

FRENTE FRIA

Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer.

O medo é uma dor e eu não sei precisar se é como um parto ou uma espinha.
Sinto essas múltiplas mãos apertando algo por dentro e normalmente, comumente, fatalmente, felizmente, displicentemente o nervo se contrai com precisão.
Embora a ânsia e a melancolia dessas horas, não choro. Não sei se sei ou se posso.
Se já estivemos ali, construindo planetas, cuidando de seres intermediários, sendo modestamente cósmicos, o que estamos fazendo aqui ainda, nesse desterro?
É uma tarde fria, mas o frio acabou.

Estamos demasiadamente humanos.

... Mas no fundo eu nem ligo.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Além de nós

Você passa... Ficarão pelo chão as marcas dos seus passos!
Você passa... Ficarão seus anseios, ficarão seus temores, ficará o tom da sua voz...

A gente não percebe exatamente o espaço que uma pessoa ocupa dentro de nós, até que ela desocupe. Aliás, desocupar não é o termo correto, porque ela vai continuar ocupando.

Mas aí vem a morte ou coisa parecida e a gente percebe que a importância que a pessoa tinha pra gente era de dimensões maiores que supúnhamos. Como quando a gente machuca o dedo mindinho e percebe que o usa para muito mais atividades que imaginava.

Já viu como se arranca um pé de mandioca do solo? Aquele tubérculo alcança lugares muito distantes de onde ele foi plantando. Ele se entranha pela terra e fica forte.

Ana esteve com a gente desde os primeiros ensaios, quando éramos apenas desconhecidos que se juntaram para uma apresentação da casa. Desde então, ao longo desses 8 anos, convivemos quase que diariamente, na edificação de nós mesmos e na dedicação ao próximo. Convivi mais com Ana nesses últimos anos do que convivi com meus pais. E quando estamos compartilhando a jornada com alguém, indo pro mesmo rumo, é quase imperceptível como esse alguém vai se entranhando dentro de nós. Ana foi fazendo parte de mim, de nós, mesmo nos pontos de atrito que tivemos, mesmo nos julgamentos recíprocos que fazíamos uma da outra. Na trilha que compartilhávamos, era impossível que o amor não fosse a força maior entre o resto. Então nos amamos e era essa força que nos unia.
Apesar dos pesares, construímos um laço forte e agora que ela já não está mais aqui, eu mal aguento olhar um arranjo de voz para sopranos. Talvez porque esteja recente. Talvez porque sempre fiz os arranjos pensando na voz dela.

Ainda não é saudade. Mas será inevitável sentir. Cada vez que ouvir, na música, a palavra africana que ela não dava conta de dizer, cada vez que alguém fizer os solos que eram dela.

A vida vai ter sequencia e vamos sorrir, cantar com alegria novamente e mesmo assim vamos descobrir, casualmente, nos detalhes, com ela estava infiltrada em nós. Isso vai doer um pouquinho.

Eu só espero que nesse momento saibamos valorizar e amar melhor todos aqueles que continuam aqui.
Apenas começamos...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ESSE É O SHOW DA LUNA...

Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade
L'Aventura - Renato Russo

É quase uma hora da madrugada.
Como não tem sol, ainda parece domingo.
Acabei de encontrar o carregador do celular debaixo da pilha de roupas que está em minha cama.
Estou morrendo de sono, a cabeça explodindo e mesmo assim não consigo dormir. É como se tivesse um alarme disparado dentro do meu corpo todo.
Não sei definir o que estou sentindo. Não sei ser precisa, não sei se preciso...
São tantas pessoas, fatos, situações, que agora eu poderia ser uma vitamina de frutas, ou um mix de mim.
Rodo a roleta imaginária e espero a seta parar em um assunto para eu discorrer nessa madrugada fria.
E... voilà! Você!

Senti sua falta por causa da NetFlix liberando as séries no inverno.
Hoje eu te vi.
E sabe... Isso não me perturbou da maneira que eu achei que pudesse perturbar.
Perturbou de um jeito diferente.
Eu te vi seguindo a vida e isso me deixou feliz por você. Me deu certa paz.
Eu havia  te excluído de tudo para não te ver e não ter que pensar em você nem por acidente, mas o quadrado é pequeno e os links são diversos.
Então te vejo e te verei.
Mas hoje consegui não ter ânsia de vômito por ver encarnado em minha frente um fantasma que me assombrou por anos e agora não é mais fantasma. É verve!
Metade das coisas ficam sem graça quando perdermos o medo de fantasmas.
O que é minha vida sem o drama?
Chega a ser desolador, porque assumir que estou bem é consumir minhas muletas.
Não posso mais dizer que estou quebrada para evitar seguir adiante com quem quer que seja, ou comigo mesma!
Não posso mais dizer que estou meio presa ao meu passado com você, à nossa história.
Não posso mais culpar o luto ou o fato de não ter tido as qualidades necessárias para fazer nossas vidas se encaixarem.
Pra ser sincera, eu nem queria encaixar nada depois que mudamos de jogo.
Eu queria era só ficar triste e com crise de identidade, sabendo do seu prosseguimento feliz enquanto eu me auto - sabotava.
Eu queria te culpar, e sem razão, cada vez que aparecia alguém que me ferisse, ou cada vez que eu me metia em encrencas, ferindo alguém.
Mas agora não vai ter mais nada disso, porque hoje não doeu.
Estou em minha cama cheia de roupas (lavadas), sem muita culpa e sem nenhuma vontade de dobrar minhas calcinhas como origami só pra te mostrar através do cosmos que eu tinha qualidades para você admirar, mesmo com algumas pessoas admirando virtudes minhas que você nem via.
Eu faço origamis de papel. Mas tanto faz...
Isso há muito tempo deixou de ser sobre você.
Você eu amo.
Já faz tempo que é de uma maneira diferente, só que eu ainda tinha um pouco de dúvidas até te ver hoje.
Então ficou estupidamente claro que o que sinto é sobre mim.
Eu não sei exatamente o que fazer com tanto oxigênio em volta.
E não falo por causa da liberdade.
Na verdade, descobri que nunca houve um mandado de prisão. Percebi que as grades e a sentença eram imaginárias e percebi que estou assustada.
A verdade está lá fora. Mas...
Sei lá se quero ir...

Eu quero saber por que o gato mia? Verde por fora, vermelho por dentro, é a melancia!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como diz o Billy

Eis aí o inverno!
E quem somos nós agora através de todas as estações?
Estamos reunidos aqui depois desses passos e devemos ser outras pessoas não é?
Outras pessoas melhores, com mais lições aprendidas.
Não devemos?
Mas existe um sentimento lá dentro de nós que se parece muito com aquela coisa quando estávamos prestes a dar o primeiro passo nessa jornada.
O primeiro.
Uma coisa que sabe de si, mas que não sabemos o que é! Essa coisa que nos retalha, impulsiona, sangra um pouco e faz com que a queiramos desvendá-la. Essa coisa que mesmo sendo dura e fria, me faz querer colo e quem sabe, uma varanda com balanço ou rede?
É uma coisa que se alimenta de paradoxos e me desconfigura sutilmente.
Essa coisa me segue e eu corro na lâmina dessa aflição...

Como diria o Billy, vamos lotar o inverno com nossas boas intenções!

segunda-feira, 29 de maio de 2017


Here I am!

Fui ricocheteada para uma janela inútil com fotos de antes e depois de atores famosos!
É curioso ver o Johnny Depp envelhecendo enquanto minhas espinhas, ausentes na adolescência mancham meu rosto e escondem o quanto já percorri.
Um pouco!
Sou da velha guarda, perdi e ganhei muita coisa!
Aprendi as cores que estão debaixo do papel esperando um toque ou chuva para novas químicas.
E desaprendi os rabiscos e os mosaicos.
Ganhei um sorriso diferente, talvez mais consciente da alegria que sente!
Perdi batalhas e postos, um pouco da fé e a esperança revolucionária de dividir os mares.
Mas seu abraço é como reintegração de posse.

Ouvindo A-HA!