quinta-feira, 5 de junho de 2008

Nem Salomão em toda sua glória...


As gírias do menino se dissolveram
na ordem alfabética do dicionário.
As mudanças efetivas que aconteceram
passaram despercebidas pelos otários.

(...)
Política não se discute. (???)
Mas paciência, hoje é só uma quinta-feira
Existe uma fôrma e de qualquer forma sou quase líquida
Sei adaptar meus pergaminhos e a cibernética
Eu também sobrevivo à esses dias de tensão
Sobrevivo à todos os gerundismos e às maldições proféticas.

Sobrevivo à falta de bom-senso e à minha própria irritação
E planejo sobreviver aos rompantes
que de vez em quando acometem meu coração!

(burrinho)
Tudo deve caber num dia só...
Da janela vejo andorinhas e pardais nos fios
A energia caminha debaixo deles
E eles lá, panguando.

Será que eles também são como os lírios do campo?

Não é sempre que temos curto-circuito.
Nem sempre todos os dias são curtos.
O ano ultrapassou o calendário.
Tenho expectativas demais nadando no estômago.
E tenho prazos.
Mas eu não tenho tempo.
Estamos novamente na metade.
Junho.

O ano chegou depressa e está passando ligeiro.
A noite mais fria se aproxima.
Viva São João, viva São Pedro!!!
E Santo Antônio, o santo casamenteiro!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Perdi a minha alma para o diabo.
Mais uma vez.

(...)

E cansei de lutar contra os moinhos de vento.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Vênus, Chocolate, Caetano e um cartão do dia dos namorados...

Hoje Vênus está tão brilhante que cheguei a pensar que era um avião.
O céu está estrelado e sem nuvens. As estrelas só não cintilam mais porque as luzes da cidade as ofuscam. Sempre a luz clareando as coisas, esclarecendo tudo.
Você que traz o escândalo, irmã luz.
Antes que a manhã venha em rompante com a luz em fúria a arder, penso no cartão que vi na papelaria. Dia dos namorados se aproximando. Muitos cartões de amor. É o primeiro em 10 anos que passo assim, sem ninguém para dar um cartão. Talvez tenha sido por isso que o tal cartão com duas escovas de dentes juntas , com os dizeres “adoro misturar minhas coisas com as suas” me fez ficar um pouco introspectiva. Não foi necessariamente saudade, tampouco solidão. Só um espaço vago. Meu currículo amoroso nunca foi lá essas coisas. Amei de menos, vivi algumas aventuras, mas sempre tudo tão comedido e quase sempre tudo tão explicado.... Essas coisas não precisam ser muito explicadas, porque fica desbotado, né?
No dia em que me convenci de que eu era pouco passional, me apaixonei. Ironia! E foi avassalador. Virou altar, virou promessa, virou escombro e agora é só uma marca d`água no meu coração. É só passado.
Nunca me incomodou estar sozinha. Até que estou indo bem - como dizem por aí - estou em minha zona de conforto!! Contudo, não há como ficar impassível diante de um cartão daqueles, quando não há ninguém.

... se ninguém tem dó, ninguém entende nada não. O grande escândalo sou eu... aqui... só.

Ai, ai... preciso de chocolates!Rsrs

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Parte do seu mundo

Você já se sentiu alheio quando passa por bares ou festas e vê as pessoas rindo e gargalhando, como se não fizesse parte daquilo?
Já se sentiu excluído do sentimento de felicidade que permeia encontros fortuitos ou combinados de amigos?
Já se sentiu off?
Às vezes, passo por certos lugares, como corredores de faculdade e sinto como se aquilo não fosse para mim. Então, veio alguém e me disse que gostaria de parecer feliz como eu. (!?!)
Vejam só, como são as coisas. Por trás de muitas gargalhadas, existem preocupações e inúmeros problemas. Cada um sabe de seus infotúnios ocultos e ninguém pode medir a felicidade que lhe cabe à partir do que os outros aparentam. O homem é a sua própria medida.
Quando parei para pensar, conclui que não raro, essa sensação de inadaptação é arrogante.
Quando sentimos que os outros são mais felizes que nós, na verdade abrigamos uma certeza (de vingança contra o mundo) de que somos melhores, de que possuímos lá no fundo algo de mais especial que eles, que o futuro poderá nos recompensar com um prêmio no final.
Que final, gente? A vida já começou há muito tempo. Já está valendo!
Por mais que sejamos originais de Capela ou de qualquer outro planeta, nosso lugar é aqui, onde estão os homens presentes, a vida presente, como disse o Drummond.
"Bobeira é não viver a realidade" e permitir que esse sentimento de “acho que não sou daqui” nos aniquile.
Quando encaramos os fatos e assumimos o nosso tamanho - muitas vezes bem menor do que imaginávamos ilusoriamente - todas as outras pessoas que considerávamos grandes demais e todos aqueles sorrisos que pareciam inalcançáveis, tornam-se normais. Natural. Fica mais fácil interagir com o mundo. Fica mais fácil consubstanciar.
Você pode se identificar totalmente como as pessoas ou pode ser completamente alheio.
De qualquer maneira, continuará a fazer parte da Terra.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Além da fibra ótica

Dinho.
Um apelido no diminutivo para um cara com quase 2 m de altura!
O cara calado, que chegou ao planeta bem antes de mim, na verdade, o primeiro de nós cinco. Ele tinha um all star de cano alto, guardava brinquedos da infância intactos, possuía posters de filmes de terror no quarto, uma Monark marrom e ouvia todas as músicas e toda cultura oitentista que definiriam meu perfil para o resto da vida, enquanto eu ainda ouvia Balão Mágico e Trem da Alegria.
Foi o mesmo cara que, por acidente, me deu um tiro de chumbinho, que permanece em minha testa até o presente momento (!), e que depois, me presenteou com o primeiro Ursinho Carinhoso de pelúcia e uma lancheira vermelha, também dos ursinhos carinhosos! Rs!
Foi ele que inventou o Carireu, o monstro negro que morava na painera e descia pela clarabóia lá de casa!Coisas de irmão mais velho!
Foi através de sua indignação com o mundo e seus protestos que comecei a refletir sobre a vida e sobre aquela velha opinião formada sobre tudo.
Eu ainda era criança quando ele se casou. Logo depois, me mudei para uma cidade distante e ele passou a ser a voz do outro lado da linha.
Essa voz, na medida em que eu crescia, se tornou mais próxima e mais presente em minha vida, através de comentários sobre músicas, posturas e noticiários...
Sempre admirei sua inteligência e suas considerações sobre o mundo, seu jeito irônico de fazer certos comentários da vida e seu último ato de desapego.
Coisas vão e vem.
Ele não sabe, mas cada vez que recebo uma de suas mensagens no celular, sinto crescer o cordão invisível da afetividade que nos aproxima.
Não é preciso estar perto para ser essencial. Nem de muitas palavras.
Meu irmão, minha história seria outra bem menos interessante, se você não estivesse aqui.
Eu desejo que a sensação de felicidade e realização preencha sua vida e suas horas mais inóspitas.
"Marvim", agora não é só você. Estamos todos contigo!
Eu nunca lhe disse, até porque é o menos piegas de nós todos (!), mas não encontro outras palavras menos clichês e mais ideais para o momento.Feliz Aniversário! Amo você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pega sim - que eu sei!

Eu dediquei o último post às mães dos “filhos da mãe”.
Mas...todas as mães merecem o céu, não é?
Só de parir, elas merecem.
O parto normal dói, gente. Eu nunca pari, mas sei que dói.
A cesariana incomoda. Tá, a coisa mais perto de cesariana que pude sentir foi quando operei de apendicite. Mas olha só, meu apêndice era bem menor do que um bebê e doeu.
Deve ser por isso que a mãe da gente tem um poder sobrenatural sobre as coisas.
Inclusive, praga de mãe PEGA!!!
Eu é que sei!
Quando eu saí de casa para morar no Espírito Santo, minha mãe disse:
- Menina, você abra os olhos e feche as pernas.
Cheguei aqui e fiz tudo ao contrário!
- Mãe, o espírito é santo, mas a carne é fraca!
Agora a praga pegou...
O único homem que mais se aproxima da minha boca ultimamente é o dentista.
Mesmo assim usando máscara!
Quando está terminando, eu digo à ele:
-Vê aí, deve ter mais uma cariezinha!!
- Não, tá perfeito.
- Ah, então olhe as minhas amígdalas! O “g” já é mudo, imagina o resto?
- Eu sou dentista, esqueceu?
(Eu sei disso, mas digo por dentro:)
Ai, Deus, perdoe este homem. Ele não sabe o que passo!
Resumo da ópera: Palavra de mãe tem efeito.
No meu caso, bem feito!
Sempre foi assim (...) !

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mãe... do filho... da mãe

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você
(Arnaldo Antunes)

Dedico esta rosa a todas as mulheres que deram à luz crianças que vieram com a mão no interruptor e apertaram. Elas apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza.
Dedico à senhora que chegou ao escritório com o olho roxo e os dedos com marcas de dentes, porque em um ato de desespero foi com a cara e a coragem buscar o filho na boca de fumo, e acabou apanhando. Não foi a nocaute.
Dedico às mulheres que esperam nas filas dos presídios para visitar seus filhos condenados, submetendo-se às revistas íntimas, tão constrangedoras e humilhantes.
Dedico às mães dos juízes de futebol, que levam a alcunha sem ter cometido os atos!
Dedico às mães dos juízes que vendem sentenças nos tribunais e daqueles que são condenados e difamados pela mídia sensacionalista.
Dedico às mães daqueles que matam, que roubam, que odeiam, e que disseminam a maldade.
Dedico às mães daqueles que ferem os corações e causam sofrimentos.
Dedico também à mãe de quem fica preso (por horas) em engarrafamentos, mães dos que buzinam, dos buzinados, de quem dirige em trânsito caótico, às mães ausentes nas batidas de carro e às mães daqueles que passam em poças d' àgua pelo prazer de sujar os pedestres!
Enfim, dedico às donzelas (que pariram filhos do boto) e às meretrizes.
Segundo o Cazuza, só as mães são felizes.
Que sejam, apesar de seus filhos!
À elas, dias de ventura!

Não que eu tenha nada contra
Profissionais da cama
Mas são os filhos dessa dama
Que você sabe como que chama...
(Ultraje a rigor!)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Jogo de lados

Tanto tempo desperdiçado...
Meu passado tem um lado errado
Eu não sei por que é que a gente sente medo assim...
Tanta bola bateu na trave
Meu futuro tem um cadeado
Eu não sei como foi que a chave caiu no ralo.
Que rolem os dados
Hoje Deus está jogando com o universo.
Meu problema é querer respostas imediatas
Para as perguntas que a vida muda à todo instante
... você queria uma estrela
mas eu só tinha um chocolate ...
Que movam-se os pagos
Não há nada de graça e se não for engraçado,
rio eu de minha própria insensatez.
Meu problema é querer sempre ficar do lado certo
Mas não há lado, nem lodo, nem dólar, nem dolo...
Vontade boa
é querer bem!

terça-feira, 6 de maio de 2008

RDFC, dia de vitória!


Então o sol desponta e ainda assim o dia é frio!
Que bons ventos!
Tudo aparentemente está no lugar.
Mesmo que no lugar errado!
Meus pés têm o rastro das formigas de fogo.
O futuro desponta a cada passo.
“Sou meu próprio líder”
e já não ando mais em círculos.
Liberdade ainda que tardia!
... Espírito Santo, amém!
As mãos que eles sujaram não fazem tanta diferença agora,
tampouco seus corações endurecidos,
pois tenho aqui o meu sorvete de flocos
e é o bastante.
*O Resto que se Dane Futebol Clube!

*Um brinde à Agnes, a mulher que não gosta de internet, fundadora do meu novo time!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Uma mente brilhante

Há 20 anos, alheia às leis de reprodução, plantei uma sementinha de laranja num potinho de margarina. Eu queira que dali nascesse outro irmão!
Eu não sei o que aconteceu com a sementinha, mas o Otávio chegou tempos depois, nos braços do meu pai. Naquele dia eu não fui à aula só pra ficar em casa observando os primeiros momentos na Terra daquele ser que acabava de entrar em nossas vidas como um mago.
É assim que o vejo. Um mago.
Um garoto com poderes especiais de transmutar.
Um garoto com um dom incrível de transformar sentimentos em melodias, em palavras.
Tudo o que ele escreve penetra em meu coração e me toca no fundo da alma, onde os sentimentos nascem. É um mago.
Nós sempre soubemos disso, desde seus primeiros anos, quando dava mostras de que não era comum.Nunca foi comum.
Existem nele tantas qualidades, que um post apenas não comportaria todas elas.Engraçado é que ele agora está longe de nós. Ele, o caçula se virando sozinho na metrópole, vizinho de outras pessoas, por trás de janelas que não conheço.
O caçula maior que eu.
O menino de “macaquinhos no sótão”.
O irmãozinho que me esperou na escada na noite do meu primeiro beijo!
Meu companheiro no Rei Artur, dos planos malucos de viver, das noites de descobertas...
Ele não gostava de acordar cedo pra ver o sol nascer comigo, mas ficávamos acordados até tarde para descobrir os filmes na madrugada, até que o dia raiasse e a luz fosse uma resposta das questões formuladas pela insônia.
Eu queria ter também uma cartola, para hoje tirar de lá palavras bonitas que o fizessem gostar da realidade, querIa tirar um arco-íris, amores possíveis, reciprocidades, ventos que mudassem a sensação que ele tem que não dá pra esperar muita coisa boa da vida...Coisas boas da vida, Otávio. Você é uma delas.Eu só tenho um coração que deseja que você se perdoe por crescer, porque é como um diamante, se burilando dentro do tempo.Sua existência é luz e ilumina nossas vidas, nossos scripts, nossos bastidores, nossos seriados, nossos filmes e nossas trilhas sonoras.Tudo o que eu mais quero, além de ser clichê e dizer que amo você (!), é que a felicidade te acorde de surpresa, no meio da madrugada, e preencha cada poro de seu corpo e sua alma, depois de desordenar tudo o que você considere verdade, tudo o que você admira na ciência e na filosofia, todas as respostas que a sétima arte já lhe deu até hoje, e num momento de epifania você descubra o absoluto no mais simples sussurrando em seu ouvido algo que eu sempre soube.
Sua luz. Seu dom de vencer. Seu dom de ser capaz e ser feliz.
20 anos, héim?! With a little help from your friends!
Estamos com você! Sempre.
O mago e a doida

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sentimentos


Sentimento não tem hora marcada não.
Chega a hora que quer e, principalmente, não vai embora só porque a gente não quer mais ele. Não dá pra marcar horários. Pedir pra um sentimento mudar, ou ainda para ele acabar, é um pecado, é uma contradição. As coisas passam e isso também vai passar.
É como uma música do Renato Russo, que vem, traz alegria e tristeza, e acaba.
Sentimento não dá pra fingir, nem pra esconder, ou mentir ou negar. A gente até pode tentar, mas não adianta, e todo mundo sabe disso. Desistir do sentimento é impossível. E não é questão de fraqueza, e sim de coragem para enfrentar o que está por vir, já que é inevitável.
Sentimento é uma coisa que não se traduz em palavras. É o clichê mais conhecido do mundo, e ainda assim ninguém sabe explicar. Não se mede, não se pede, não se repete. (O que se repete são as palavras dos filmes, das músicas e dos livros).
Sentimentos não desaparecem de uma hora para outra.
Só mudam quando não se espera.
Uma vez um amigo me falou que a vida é assim, e que não dá pra esperar muita coisa boa. E um livro me disse que um instante é o máximo que se pode esperar da perfeição. Tudo fica nessa coisa, meio niilista, de que tudo é nada.
Até aparecer o sentimento e o arco-íris. Mas não se preocupe.
Quando a gota secar, o arco-íris desaparece.
Sentimentos são como uma canção para a Bela e a Fera.
*
*
*
Me apropriei do texto de Otávio - consensualmente e nehuma mente sensual
... porque suas palavras tristes são belas como a duração inexata do arco-íris...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Abalos sísmicos

Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo o que achávamos tão certo...
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais.
Faríamos floresta do deserto e diamantes de pedaços de vidro...
(Andrea Doria, Legião Urbana)

Desapontada.
Eu queria ter a fé inabalável.
Eu queria ter palavras doces para dizer.
Queria falar algo engraçado que fizessem vocês rirem.
Queria hoje ver beleza na imperfeição...
Esperava chegar aqui e falar com entusiasmo sobre os potes de ouro e sobre as flores que encontrei pelo caminho.
Queria poder dizer para você parar de reclamar, que a vida é maior que nós e que não há dor que não passe.
Mas hoje, eu estou desapontada.
Já ouvi toda a conversa sobre não criar expectativas em relação ao outro ou às outras coisas, sobre ser auto-suficiente e me bastar...
Porém, como diz Zeca Baleiro, ninguém é alto o suficiente que não possa rastejar...
Devotei o último ano de minha vida na busca da excelência para atuar numa profissão que considero arte, que mesmo sendo vítima de piadas e vilipêndios, foi importante em vários momentos da história e no entanto, o que vejo são meus heróis sendo desmascarados, transformando-se em vilões e estampando manchetes policiais. Eles dão ensejo e razão às eternas piadas. Contaminam tudo. Eles deveriam lutar pela Verdade e pela Justiça, mas parece que o poder corrompe MESMO.
Eu queria acreditar que não. I want to believe!
Devotei meu espírito e meu coração à procura da luz no coração das pessoas, buscando debaixo da pele de meus companheiros de caminhada, mesmo os virtuais, uma camada iluminada, que me fizesse enxergar melhor... Todavia, o que vejo é uma epiderme encoberta de mesquinharia, sordidez e egoísmo. Frases perfeitas como eu te amo encobrindo mentiras. Porque ferimos? Porque somos feridos? Quem, disse que haveríamos de sangrar assim? (Não estou falando de menstruação!)
Eu não vou parar.
Existe algo lá no fundo que me diz que o caminho é feito por nós, não pelos outros.
È uma angústia, porque eu vi traições, falsas versões, perversões, mas eu sei...
É... Eu sei, que sobre toda nuvem negra brilha o sol.
Só que hoje vai chover...
...cato no chão migalhas do banquete dos que comem
O que que houve? Eu nunca mais ouvi chamar meu nome
a rua é reta a vida é torta
quem se importa se eu vou morrer de sede
ou se eu vou morrer de fome
o sol nas bancas de revista
e na capa da revista sombra grana e água fresca
vejo novos ricos
vejo velhos pobres
não vi ninguém abrir a boca
mas ouvi o grito
"Deus misericórdia de nossa miséria"
(As meninas dos jardins, Zeca Baleiro)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

No reino da fantasia

“Desde já, ofereço meus protestos de elevada estima e distinta consideração.”

Essa frase consta em todo ofício que o juiz envia para o delegado ou delegada, ou outro representante de qualquer órgão. Mesmo que ele não conheça a figura. Mesmo que não haja estima nem consideração nenhuma.
Diz que é por respeito!
Não é fantasioso?
E o pior, precisa ser assim, para seguir os modelos de ofício no Word, geralmente feitos por um estagiário que nunca viu o delegado, e que às vezes, nem vê o próprio juiz de sua vara.
O importante é que o juiz assine, aliás, o meritíssimo.
Pronomes de tratamento também fazem parte do reino da fantasia.
Tem promotor, que não gosta que se refiram à ele apenas como doutor fulano.
Não... Precisa do IRPM (Ilustríssimo Representante do Ministério Público).
E os advogados?! Até os que não são doutores, por fazerem doutorado, gostam do Dr. na frente do nome. Doutor, para advogado foi título concedido por D.Pedro I !!! Pensa?!
Depois sou eu que “viaja” quando falo de teletransporte!
O homem sério cria através de suas convenções um reino de fantasias, estabelecendo limites entre o normal e o insano, entre a vida adulta e a puerilidade e é feliz assim. Ou não.
Sem isso ele sofre. E sabe, quem sofre quando perde, é a criança interior (como me disseram por aí!)
Às vezes tenho a impressão que estamos representando nossa própria peça.
Em tudo.
Que outras convenções existiriam se não houvesse as convenções atuais?
Excelência, Meritíssimo, lustra móveis, ilustríssimos, senhores, doutores...
Não importa. Todo mundo solta pum.

Só a bailarina que não!!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Alguma coisa está fora da ordem...

Pois é...
Um grupo de brasileiros, procurou o escritório de um ex professor meu, que trabalha com causas internacionais, para proporem uma ação.
Nesse tal escritório, uma petição simples, administrativa, é quase R$10.000,00.
Um mandado de segurança embrulhadinho de presente sai pela módica quantia de vinte mil reais! Não é para qualquer um.
Pois bem, o problema desse grupo, foi que extraíram pau brasil e exportaram para a Holanda, num navio. O navio naufragou e a carga se perdeu no mar, numa área que já não faz parte das águas nacionais.
Eles perderam a baba que ganhariam pelo contrato com os holandeses e com a grande instrução que têm, procuraram meios de serem ressarcidos.
Apesar da extração ilegal, o grupo pleiteia uma indenização da companhia que transportava a carga, e, só fazem isso porque sabem das grandes chances que possuem de ganhar a causa.
Eles conhecem a lei e suas brechas. E têm dinheiro para pagar o escritório.
Esse grupo?
Nossos silvícolas.
19 de abril, dia do Índio.

Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pode ou não pode? Eis a questão.

Ai, ai...
Rua cheia. Pessoas cheias de sacolas e coisas. Mãos cheias de papéis. Peso da bolsa no ombro. Sol na cabeça. E ai... A calcinha. De uns tempos pra cá, minha “massa glútea” cresceu mais que a criminalidade e quase todas as calcinhas marcam “12:55”. Isso quando não marcam meio dia em ponto. Aí, meu filho, é agonia. Principalmente quando se está no meio da rua. E nem adianta encontrar um jeito de consertar “as horas”, porque um dos ponteiros é atraído magneticamente para o centro. Isso foi depois de eu me envolver com uma turma barra pesada, os Lipídios. Já tentei parar, mas o Chocolate e as Jellys Rolls não colaboram comigo. De qualquer forma, é bem melhor do que a silhueta cadavérica que eu ostentava no ano passado.
De repente eu consulto uma nutricionista, uma Dra. Lorca da vida louca, para que ela faça as recomendações necessárias. Então, eu vou falar sobre tudo o que me enche.
Pedofilia. Não pode.
Ensinar ou incentivar uma criança a fazer a dança do créu. Pode?
Enchente. Não pode.
Jogar lixo na rua. Pode?
Sonegar imposto. Não pode.
Não compensar imposto pago a maior pelo contribuinte. Pode?
Pois é... O que não mata, engorda!
*"O que dá pra rir dá pra chorar
Questão só de peso e medida
Problema de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida"

Mais nádegas a declarar.
Calcinha quando entra, enche o saco tanto quanto certas concessões que a sociedade faz.
*verso de Canto Chorado de Billy Blanco

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O mundo é tão maior que a gente...

(este é realmente um post GRANDE!!!)

Olhando a imensidão do mar ou o cosmos infinito, cheio de estrelas, todos os problemas tomam uma proporção tão ínfima que me envergonho de ter tido medo ou de ter perdido a fé um dia.
“Todas as coisas estão cheias de deuses”- segundo o princípio da imanência - inclusive nós.
Cada gota que compõe o oceano faz parte de mim e meus movimentos, como partes do mundo, impulsionam ventos em outras terras. Assim como minha inércia faz com que o nada continue acontecendo, ou mesmo que os absurdos continuem acontecendo como se não tivéssemos nada com isso.
É muito cômodo ficar bradando com o dedo em riste, metralhando revoltas e angústias pelo ar. É muito cômodo defender com veemência a inexistência de Deus, alegando que um ser bondoso e justo não permitiria o caos social nem catástrofes naturais. Quem somos para entender os desígnios da natureza? Habitamos um planeta quase invisível diante da Via Láctea e nem ao menos conseguimos mantê-lo em paz. Preferimos construir armas precisas e destruidoras. Preferimos treinar soldados e tropas de elite.
É Vandré, antes você sabia qua armar era mais fácil que amar...
É mais fácil que amar.
Amar é construção.
Amar requer movimento, requer entrega, requer fé.
Gente, são tantos livros, tantas teorias montadas negando o divino, negando as luzes, que temo que em nada tenham contribuído para a evolução do planeta. Ao contrário, criam abismos entre os homens. E o próprio homem tende a tornar-se cada vez mais abissal à medida em que acentua as diferenças que tem com o outro, com o próximo ou com o desconhecido.
Somos tão diversos, mas pertencemos ao mesmo planeta!
Pertencemos ao mesmo planeta, mas reforçamos as distâncias que existem entre nós (Nem pense em Capital Inicial!). Com isso, a sensação de solidão aumenta, de desamparo, de pequenez. Mas não é porque Deus existe ou não. É porque não amamos.
Ama-se cobrando. Ama-se esperando reciprocidades. Amar é verbo intransitivo. Não precisa de objeto.
Nunca se viu um consumo avassalador de antidepressivos como hoje em dia. Vi em um noticiário que uma mulher só consegue ficar feliz porque tem um implante no cérebro. Veja só, a que ponto chegamos, a ponto de construir uma felicidade artificial, porque a vida por si só não basta. Contudo, eu sei que podemos diminuir nossas distâncias e ver nossas diferenças como características de soma e não de dissidências. Podemos construir pontes entre nós, que nos liguem e nos aproximem de um amor maior, que diminua nossos medos, nossas incertezas e desconfianças e que nos torne grandes e fortes. Eu tenho certeza de que o Amor é esta ponte. Eu não ligo se você acha que estou fazendo um post imenso e piegas.
Caso você tenha chegado até aqui e acha que amar não é pra você, que é pra depois, preciso lhe informar que a responsabilidade pela sujeira do mundo também é sua.
Você prefere achar que falo de utopias do que ser capaz de mudar o rumo dessa história.
Prefere falar da minha ingenuidade do que falar de seus sentimentos para alguém bem próximo. Prefere falar que o mundo apodrece do que entender por que possui inimigos. Prefere alterar a voz além do necessário a deixar que o amor lhe guie silenciosamente até a origem de sua raiva, para que a dissolva.
O movimento pelo amor não exige que você se filie ao Greenpeace ou visite religiosamente os asilos de sua cidade. Pode começar com um sorriso para um estranho na rua. Depois você surpreende alguém com um comentário legal, assim, inesperadamente. Então, estará preparado para ter paciência com perguntas repetidas, para não reagir a cada ofensa.
O segredo não é reagir, mas Agir conforme o Amor.
Isso é construir pontes. (lembra daquela musiquinha de Sandy e Júnior? Tá, tá, eu sei, mas abstraia!!) Vamos construir uma ponte em nós, pra ligar seu coração ao meu com o amor que existe em nós...
Como diz uma propaganda de refrigerantes:
Você muda. O mundo muda!

Sopro de Eves!!!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Dervixes

Eu somente acreditaria em um deus que soubesse dançar.
Nietzsche

... lembrando daquela noite de natal onde colocamos um disco (LP mesmo!) do Slade e ficamos na sala dançando ao som de When the lights are out.
Até hoje eu procuro a perfeição daquele momento, até hoje eu busco toda aquela paz e felicidade contidas ali, durante a música. Não foram mais do que cinco minutos. Nem sei o porquê da idéia de ouvir Slade. Não era uma banda do nosso tempo. Nem do seu, nem do meu e nem do dele. Éramos todos crianças, mas não esqueço.
Eu lembro que demos as mãos e ficamos girando e sorrindo.
Só hoje eu sei das nuvens carregadas que pairavam sobre nossas cabeças, das lágrimas contidas por dentro dos sorrisos e dos abraços natalinos.
Mas com gente era diferente.
Não sabíamos fingir.
Só sabíamos ser felizes.

Dança, dança, dança, pra cantar o Sol
Todo amor que emanar, pra cantar o Sol
(Cigana, Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Perdendo dentes


Pouco adiantou acender cigarro, falar palavrão, perder a razão...

Pois é.
Eu escovei, passei fio dental, escovei até a curva da língua, lá onde o sol nasce pra bater a campainha! Achei que estava bom. Até vi uma estrelinha piscando em meu sorriso! Então, na cadeira do dentista, olhando minha boca escancarada cheia de dentes refletida no vidro do “holofote” Gnatus, vejo com o canto dos olhos, uma pinça se movendo em minha direção.
O que é isso?
É um sujinho lá no fundo. Vou limpar.
Não é possível. Faltou eu tirar os dentes para escovar pelo lado de fora e ainda tem sujinho? (com vergonha, né?!)
É lá no fundo. Seus dentes estão muito juntos.
Sei...
Depois disso, ouvi as recomendações, as implicações e o conselho fatal.
Teremos que extrair os 3º molares, ou melhor, os sisos. Eles estão pressionando os outros. Isso está dificultando a higienização.
Sério?! (Uma lagrima imaginária escorre em meu rosto, por dentro!)
(...)
Oh, Deus, como eu detesto sentir dor (eu acho que vai doer),como eu queria continuar bem, com meus 32 dentes , como eu queria que o que eu visse fosse o que realmente é, e eu não tivesse que me preocupar com os seres que crescem no obscuro.
Como é péssimo descobrir um “sujinho” nas frestas que nem se percebe, mas que aos poucos causa tanto estrago.
A voz de minha mãe do outro lado da linha disse que quando eu perder meu medo de avançar, não terei mais problemas com os dentes. Segundo ela, a boca fechada também diz muito. Principalmente os dentes. E segundo ela eu devia ousar mais. Agir mais. E de uma certa forma, gastar menos com dentistas!
Eu, que adoro ter motivos para sorrir, para dar gargalhadas, vou continuar escovando.
Vou usar lupas para verificar!
Até estou comendo menos doces.
Estou aprendendo com a boca.
Estou avançando.
Mas hoje eu não quero ser eu mesma nem ser como os outros que não são ninguém.
Hoje eu quero ser a Carla Bruni, porque a Michele vai ter que extrair o siso.
É o final do juízo!

terça-feira, 8 de abril de 2008

ALGUMAS PERGUNTAS

Sobre o que dizer do pecado
O que é?
O que seríamos?
Se soubéssemos o que é
o errado e o correto
Correríamos?
Procurando a grande resposta
Que não destruísse o que prezamos
Que siga em linha reta e oposta
Ao que desumaniza os humanos

Nós gostamos de dar amor
E gastamos nosso dinheiro
Quem não gosta de ter amor?
Quem não gosta de ser feliz?

Quem coloca as rédeas, será?
Quem liberta os gênios, será?
Se você quer ser, quem será?
Quem será que você é?

Quem acende as luzes, será?
Quem desliga o rádio, será?
Se a TV saísse do ar,
Quem seríamos nós?

Quem escolhe as roupas, será?
Quem nas passarelas, será?
Todos sendo cegos, será
que andaríamos nus?

Quem não se entorpece, será?
Quem não enlouquece, será?
Se houvesse culpa, será
que assumiríamos?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Todo menino é um rei


E eu, criança presa em brinquedos de trapaças, quase sem história pra contar
Você, criança tão liberta me tire dessa peça, e assim ter história pra contar
Estrela que brilha em meu peito e me leva pro céu
Em cantos, cantigas, canções de ninar
Me deixa no galho no galho da lua
No charme do sol pra me despertar
(Amigo do Sol, amigo da Lua, Benito Di Paula)
É noite.
Por trás da TV, o mundo acontece.
Dilma Roussef movimenta o mundo. Bush movimenta o mundo. Putin movimenta o mundo.
As putas movimentam os corpos. Os corpos movimentam máquinas.
As máquinas movimentam a produção. A produção movimenta o capital.
E perto da capital, alheio à desordem dos movimentos, meu sobrinho se movimenta com a música de Madagascar!
Todos os meus sobrinhos são moleques.
Os moleques dão vida às coisas sem perceber.
Colocam cores em dias gris.
Enquanto eu fico perplexa com a afronta dos insetos, a prefeitura de Vila Velha coloca em movimento o Fumacê! É um carro branco que faz o barulho de um mega liquidificador e espalha a fumaça inseticida pela cidade.
Há pouco ele acabou de passar pela rua.
É tanta fumaça que parece gelo seco em abertura de shows.
O carro passou e atrás dele dezenas de meninos correndo, em meio àquela fumaça tóxica! Pareciam rabo de cometa!
Eles corriam e faziam algazarra, como se fossem reis. Os reis da rua.
Estranho, porque eu nunca vejo esses meninos em dias sem Fumacê.
Todos ficam escondidos em seus prédios cheios de grades.
Quando o Fumacê passa, brotam meninos do chão, só pra correr atrás! Depois, eles desaparecem como a própria fumaça.
Ah, esses meninos! Suas essências são atemporais e transcendem as esferas, a economia, as classes socias, as convenções.
Imagino que meu pai tenha sido um desses moleques...

Indicação: filme Minha vida de cachorro de Lasse Hallström

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Nós ou folha de flandres

Acho bonito esse nome: folha de flandres!
É lata, né?!
Sentei aqui hoje para observar os intervalos.
Enquanto isso, o eco das últimas conversas repercute em minha cabeça.
Os sonhos de vidro, os morangos do precipício, traumas e palavrões, necessidade, energias transformadoras, poesia em movimentos, músicas, sombra e luz, Deus e nós, a cruz de palha difícil de equilibrar, máscaras e enigmas...
Interessante como cada conversa fez sentido para a vida presente e como elas são reveladoras.
Como o outro é importante em nossas vidas, por mais que a colheita seja individual.
Hoje eu só quero expressar que existe um sentimento circulando aqui dentro do meu coração, algo inebriante! Acho que é uma espécie de felicidade.
Feliz por existir e por vocês existirem exatamente assim, imperfeitos.
Imperfeição de montar quebra-cabeças!
Imperfeição de impulsionar as buscas.
Deslumbre com o movimento da vida.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Nas entrelinhas das Cartas Chilenas



Fly away skyline pigeon fly towards the dreams...

Livros de auto-ajuda não dizem tanto quanto exemplos de pessoas.
Eu tive o privilégio de ter conhecido pessoas fortes, com grandes histórias de superação. Pessoas que nas dificuldades, permaneceram firmes em seus propósitos, que continuaram confiantes em sua capacidade e no Amor Divino por todos nós.
Pessoas que não se renderam e nem se rendem ante as tempestades, ante o imenso mar, ante as movimentadas metrópoles.
Pessoas que não se contentam com o imobilismo da “sala de jantar” e mostram que o passo à frente é a chave das conquistas e realizações.
Pessoas que mostram na prática como é que os talentos se multiplicam.
Pessoas que fazem de sua vitória um motivo a mais de esperança para que aqueles como eu, possam seguir e ir além dos limites inventados, dos horizontes perceptíveis.
Beatriz, este post é pra você!
É sobre você.

O sblogonoff está em festa com sua vitória! Parabéns Doutora!

terça-feira, 25 de março de 2008

Perplexidade


Agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você, além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões...


Fui à janela para ver a lua.
Não havia. Não a vi.
O céu estava cinza. Chovia.
Na TV, a voz do Jornal Nacional, ecoava nomes.
Diversos nomes. Todos de crianças.
Crianças que não existem mais. Não aqui.
Foram brincar de super-heróis em outros reinos.
Foram vencidas por um inimigo pequeno. Bobagem.
Crianças fazem barulho, fazem bagunça.
Mas barulho de mosquito atormenta mais.
Zum, zum, zum, agoniante.
Letal.
Falaram muitos nomes.
De vez em quando, diziam o nome e mostravam a foto.
E de vez em quando falavam sobre quem era.
O nome dele era Leonardo. Não sei de onde.
Tinha seis anos. Gostava de brincar de super-herói.
Como o nosso Léo.
Eu não consigo imaginar o mundo sem toda a desordem que o Léo causa.
Sem o seu barulho, sua doçura, sua birra, sua atividade, seu sorrisinho de iluminar.
Eu não consigo imaginar o mundo sem Jefersons, sem Luans, sem Jennifers, sem Gugus...
E os pais dos meninos que viajaram? E nós que ficamos aqui?
Será que somos indefesos? Será que temos o poder? Super poder?
Este é o século XXI, a cada dia uma invenção fantástica, um avanço tecnológico, um megaevento high tech., a proximidade da cura da Aids...
E Deus de uma maneira irônica vem nos ensinar por entrelinhas e linhas tortas demais que a vida tem dessas coisas. E as coisas possuem culpados.
Mas eles eram inocentes, não é?
Eles foram brincar lá longe.
E nós ficamos aqui entre os insetos e a perplexidade.
:
:
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim.
Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim.
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?
(Chico)

domingo, 23 de março de 2008

Geográfico Blues


Estranho aviso: Em Minas não há mar.
Eu vou pro litoral buscar explicação pra essa geografia
E se houver bom senso nesse sangue inquieto dentro da artéria
Eu volto ao continente com respostas científicas e sérias

Se fico distante e tão sentimental
Talvez o miocárdio tenha explicação pra tal melancolia
Pisei em falso e feri meu coração em uma aramadilha
Que se travestiu de verdade, me apunhalando em plena luz do dia

Tentaram me convencer
com artimanhas tolas e um vil sorriso.
Eu deixei me levar
e mergulhei de corpo inteiro e sem juízo.

Hoje eu ando desconfiada
Eu já sei o fim desse enredo
Embora o amor pereça onde nasce o medo

Eu fico às margens
E as ondas batem, violentam rochas firmes
Mesmo as rochas cedem ao poder da água febril insistindo
Um coração de pedra sangraria à força de um amor cruel
Mas o meu coração, mesmo partido, sabe que ainda é seu.

******
(Feita em 2005. Mas hoje meu coração não é de ninguém. É de todo mundo!)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pessach

(cena de Le fabuleux destin d`Amelie Poulain)
****
Nascer é uma passagem.
Depois é passar pelos portões da escola.
Depois é passar de ano.
Depois é passar o natal na casa dos avós.
Depois é passar na casa do melhor amigo.
Depois é passar o som para o próximo show.
Depois é passar no vestibular.
Depois é passar no exame do Detran.
Depois é passar a fazer tudo com pressa.
Depois é passar a pensar diferente.
Depois é passar por “ele” com o coração em sobressaltos.
Depois é ver que ele começou a fazer parte da sua vida.
Depois é perceber que ele passou.
Depois é ver que tudo passa com o tempo.
Depois é passar o tempo entre a monografia e o resto.
Depois é passar pelo fim e reiniciar.
Depois é passar no exame da ordem.
Depois é passar por apertos.
Depois é passar por atalhos.
Passar entre as pessoas
Passar pelos caminhos,
pelas pontes, por vidas e através delas.
A gente sempre fica por onde passa.
O passado sempre fica nas fotos.
O presente existe no passado como uma estrela extinta.
As nuvens são passageiras, assim como tudo por aqui.
Passagens, enfim.
Somos passagens também.
Passarinhos!
O sblogonoff deseja à todos um destino fabuloso!
Transmutações em cada passagem.
Felicidades em todos os ritos.
Páscoa e Paz.

domingo, 16 de março de 2008

Eufemismos

Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias que encurtem dores
E furtem cores como camaleões

(Língua, Caetano Veloso)


Continuam dizendo que eu floreio muito pra dizer o que posso dizer com uma palavra.
Isso não é de hoje. Eu prefiro falar “orifício circular corrugado” a falar o seu sinônimo de duas letras e um acento agudo. Não gosto de falar palavrões. Pronto.
Não sei qual é a necessidade de escancarar tudo, de falar tudo como se deve e de falar até o que não deve! Me disseram que ser politicamente correto era atitude fruto do imperialismo americano etc e tal. Eu não sou politicamente correta! Alías, acho este termo paradoxal. Como ser POLITICAMENTE correta? Cafetinas capixabas podem responder esta melhor do que eu.
Pode ser criação, cultura, vergonha, hipocrisia, o que for. Eu não gosto dos palavrões.
Sabe do que gosto? Da palavra. De seus desdobramentos, de sua capacidade líquida de ingressar em qualquer recinto e transformar os seus signos.
Por exemplo, POROROCA. É o fenômeno que ocorre quando águas diferentes se encontram. Imaginem agora que a aquela música tão bonita do Jorge Vercilo se chamasse POROROCA e não ENCONTRO DAS ÁGUAS. Acaba a poesia!
Na verdade, nem sempre tudo deve ser poetizado. Eufemismos podem ser armadilhas às vezes. Certas coisas devem ser vistas e transmitidas nuas mesmo. Outras, em carne viva. Depende do que se quer dizer, do que se quer transmitir, do que se quer ocultar ou travestir!
Mas sinceramente, se eu posso usar uma palavra bonita para substituir outra menos glamourosa e assim inverter a sua carga, eu faço.

E deixa que digam, que pensem, que falem...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Sobre março, piscianos, abraços e o manequim


Estamos em março.
Março é um mês cheio de aniversários.
Cheio de piscianos.
Cheio de águas que fecham o verão.
Cheio de saudades.
Cheio de expectativas.
Cheio de esperança.
Eu tenho uma caixinha cheia de idéias.
Tenho palavras para presentear, fazer odes.
Tenho lembranças dos últimos abraços.
Abraços das chegadas, das despedidas, de felicitações,
abraços que falam de amor,
abraços que seguram o tempo entre o aperto dos corpos.
Os dinossauros se abraçavam com o pescoço.
Eles se pescoçavam.
Agora, uma hora tão imprópria pra falar qualquer coisa.
Ao meu redor não há ninguém.
Ao meu redor há muito o que fazer.
Coisas demais.
Lá fora o tempo está nublado, mas minha cabeça está cheia de sol.
Há uma lua em minha cabeça e outros satélites.
Constelações.
Sensação estranha a que sinto.
Acho que é este café...
Faz tempo que não desejo.
Ando apaixonada pelo manequim da loja da esquina.
Mas ele não tem cabeça.
É só resina negra com tríceps,
barriga tanquinho e uma bermuda Rip Curl.
Ontem eu fiquei presa sozinha no elevador...

Ouvindo Mondo Bongo, Joe Strummer, Beck, Roberta Campos

quinta-feira, 6 de março de 2008

Efeitos colaterais da P-psiquê. Obrigada! De nádegas.


Há atrasos no espaço também, se bem que o tempo é relativo.
Chegou finalmente o novo estoque de P-Psiquê ou Pepsi-Q.
O que você escolher. Somos o sblogonoff café.

Come on baby, ligth my FIREWALL, para não deixar passar nenhum virus letal pelas portas desse café, ou se passar por The Doors no Windows XP. Para que nenhum Hacker invada este espaço e que não seja invadido por um rato qualquer... A não ser os ratos de prestígio, assim como Ratatoille, assim como o Topo Gigo, Mickey mouse, lap top less na areia digital, ondas e tijolos. Use proteção de tela para sexo virtual. Norton nos norteie, nos defenda de uma virOSE Osbourne, I just want you, Iron MAN, DIGO sem esMOLAS encolhidas na temporada ideal. Impulso. EuroTrip pelo guia do Terra. França, Itália, Holanda. Se ouvir Chico BuARQUE com as conseqüências. E tenha fé se for ler NietzsCHE Guevara a noite em claro na Alemanha, na ArgenTina Turner, cabeleira black POWER POINT no Brasil. Na Europa, turopas, ele ropa, ele rompe, nós rompemos. Ele foi. Você vem. Se vier clandestino dentro de um container, contenha seu grito e mantenha a sanidade. Abstinência, coca-cola e rock em roupa nova do imperaDOR de cotovelos como as de canções dos traídos. Eu que sigo distraída, não quero ouvir refrão de música sertaneja. Do sertão, quero as veredas e as neologias cor de Rosa. Quero um tridente e duas asas. E no meu café quero abundância, não essas revistas cheias de rostos melhorados em Photo Shop. Juca Chaves já dizia que a beleza de uma mulher não tá na cara. Tá na jura, tá na jura...

terça-feira, 4 de março de 2008

A luz de minha mãe

Provavelmente o universo estava em polinização cósmica. É uma das explicações que consigo para falar de minha mãe. E nunca será tudo sobre minha mãe! Um ser fantástico, uma flor rara, rainha de um jardim encantado, dona de um reino de poemas, flores, canções do passado, do presente, de presente, do futuro. Energia e doçura. Força e ternura.
Uma amante das artes, do belo, das coisas que vão para além do simples, do comum.
Dona de uma fé inabalável que me toca no mais íntimo, quando quero vencer minhas sombras, quando eu tenho medo do escuro, quando eu tenho medo do futuro.
Dona de um abraço aconchegante, o melhor abraço do mundo, que tem o poder de secar as feridas e afastar a dor. Que tem o poder de aninhar.
Dona de ombros fortes e costas largas, que sustenta cruz de palha, cruzes de palha.
Que sustenta quando caímos e nos ajuda a reerguer.
Dona de voz de soprano, que transforma a casa quando se solta, que movimenta canções como ondas, que faz o mundo ser música quando canta.
Mãe, eu sabia que um dia eu estaria longe, mas não imaginava como estaria tão presente em mim.
Como está presente em cada frase, em cada verso, em cada valor que trago comigo.
Como está presente na pessoa em que me transformei, mesmo eu sendo uma menina muito diferente da menina que você foi.
Até mesmo quando lembro das canções de ninar que cantava pra gente dormir. Cada nota, cada vibrato, cada significado.
Trago comigo as frases, as verdades que chegam depois de vinte anos (!), os versos de efeito, as frases dos outros e sua presença por intermédio: Para ser grande, sê inteiro... A vida é luta renhida, viver é lutar... Põe o quanto és naquilo que fazes... O mal impera onde há desordem... Cuide do seu jardim... Não esqueça quem você é... Muitas outras...
Trago comigo sua vontade de ser sempre melhor e de melhorar o mundo por conseqüência. A vontade de ser correta e o esforço de perdoar e principalmente a necessidade de vencer pelo Amor.
Hoje, você completa um ciclo sexagenário, e o sblogonoff brinda à isso com alegria e reverência.
E eu brindo, mainha, com o coração repleto de amor e orgulho por ter vindo do seu ventre.
Dona da vida.
Uma vida de lutas, de transformações, de sofrimento redentor, de alegria consoladora, de muitas vitórias, de versos e canções, de muitas histórias de reis e rainhas, de fadas e duendes, de príncipes e princesas, de seres folclóricos e de reinos imaginários.
Uma saga de belas páginas.
Um brinde, mãe!
À sua existência de luz.

Vá pensiero
(Tradução, porque você gostava de ouvir)

Voa, pensamento, com tuas asas douradas
voa, pousa-te nas encostas e no topo das colinas,
onde perfumam mornas e macias
as brisas doces do solo natal!
Cumprimenta as margens do rio Jordão,
as torres derrubadas de Jerusalém...
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh, lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada dos grandes poetas,
porque agora estas muda?
Reacendas as memórias no nosso peito,
fale-nos do bom tempo que foi!
Como Sólima fez com o destino
traduz em música o nosso sofrimento,
deixa-te inspirar pelo Senhor
para que nossa dor se torne virtude!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Mistério do Planeta...

"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta."
(Novos Baianos)

Era primeiro de março. Foi o dia em que ele desceu da astronave para habitar o mundo onde eu já existia. E veio, não apaixonadamente como Peri, mas enigmaticamente como um faraó! Desde criança. Desde a primeira lembrança consciente que tenho dele. Um menininho careca que sorria sem fazer barulho, que tinha um amigo invisível, que possuía um lado oculto que nem os neurologistas e psicólogos conseguiram descobrir. A esfinge.
Foi o primeiro em muita coisa em minha vida. Meu primeiro amigo, meu primeiro companheiro de aventuras! Foi a primeira pessoa com quem briguei e foi a primeira pessoa com quem fiz as pazes, coco de mim! Eu morreria por ele. Seu sofrimento me causava dor. Certa vez, quando brincávamos de fazer bolinhas de sabão, ele engoliu a água. Entrei em pânico.Toda criança sabe que beber sabão não é brincadeira! Na mesma hora, bebi toda a água do meu copo também. Assustamos todo mundo, mas enfim, nós dois sobrevivemos.

Um tempinho depois, foi a hora da nossa primeira aventura. Andamos de velotrol uns seis quarteirões em busca de duendes. Ambos acreditávamos piamente que pudéssemos encontrar os tais Benebons amarelos dos quais minha mãe falava! Mais crescidos, já de bicicleta (!) íamos tentar ver a sereia na D. Guará. Em outra cidade, construímos cidades. Ele era o prefeito de Barro Preto e me ajudou a construir Toá Grande, nossas cidades de casinhas de pedra, pedaços de tijolo, barro e argila.
Seu silêncio sempre nos falou muito. Houve um período em que ele se separou de nós. Meu Deus, como sua presença sempre tão comedida, sempre tão silenciosa, sempre um enigma, como nos fez falta. E de repente, quando nos reencontramos, ele estava mais alto que eu! É a ordem das coisas... Esse cara, agora bem crescido, se tornou um amigo em quem eu confiava muito. Inteligente, perspicaz, sagaz, ponderado e entre tanta seriedade, ele é incrivelmente cômico!E muito carinhoso. Um dos raros que topa às 4:00 da manhã subir a serra pra ver o nascer do sol. Um cara que gosta do lado B, que prefere Lex Luthor à Clark Kent, que admira Darth Vader e Vejeta, mas que é um herói com o coração grande!

Um dia, quando eu precisava tomar uma decisão, ele me disse: Se achar que é certo, ponha a faca entre os dentes e vai.

Eu sempre me lembro disso toda vez que a sombra do medo invade uma decisão minha. Pensei nisso quando decidi vir pra cá.
Hoje estou aqui e mal dá pra acreditar que meu irmão será um pai. Quem diria!!! E eu sei que ele será um pai apaixonado e cuidadoso. Eu sei que ele será um pai especial.
Jônatas, desejo que seu futuro seja tão glorioso quanto a sua visão, que seu sorriso possa sempre iluminar o ambiente em que estiver, que seu filho seja tão especial como você é, que Chinese Democracy seja lançado (!), que sua escuderia seja a mais veloz, que a força esteja sempre com você, principalmente quando não houverem tantas estrelas na guerra. Que você seja muito, mas muito feliz. E siga com seu sabre de luz sendo assim esse surpreendente mistério do planeta!

Um brinde à você nesse seu dia. E todo o meu amor piegas, porém, intenso e verdadeiro de irmã mais velha!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Linha 526/Terminal de Vila Velha


Rabisco o embaçado por toda a janela
Enquanto a chuva encontra o chão
Lá fora o frio não faz o que ele faz aqui

Eu faço pedidos para os gênios que invento
O ônibus entra pela contra-mão
Buzina que ouço, não faz a menor diferença
É só um ruído a mais em minha dispersão

Meu amor, por que é que a gente não habitou o planeta
Que tem sua órbita além do sistema solar?
Meu amor, se a gente chora, é porque não percebe as setas
E segue no caminho inverso ao que deve trilhar

Em meu pensamento, as suas promessas
Nas mãos levo as contas que devo pagar
Entre os meu rabiscos, um sorriso vem do outdoor
Dizendo que a dor que eu sinto está pra passar

Descubro uma parte de mim
No anúncio que nunca “foi eu”
O sinal vermelho alerta que devo esperar

Não quero que seja assim
Igual ao que alguém já viveu
O verde indica que agora eu posso avançar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fantástico show da vida

A manhã acordou vermelha e preta. Rubro-Negra para ser mais exata. Eu acordei com sono, pra variar. Ontem foi dia de Flamengo x Bota Fogo, e por mais que eu seja indiferente à tudo isso, principalmente depois da Copa do Mundo na França, não há como não ouvir os gritos , urros e foguetes dos torcedores capixabas (que nem têm times próprios para torcer e adotam os times cariocas).
Pelo Brasil é assim, basta um apito para que o resto do mundo desapareça.
Entre os desaparecidos eu sigo com o coração apertado, com a fé meio abalada. Falta de fé no mundo.
Meu Deus, o Flamengo venceu. Por que o Bem não vence esse jogo? Por que está sempre subjugado aos mais terríveis absurdos, enquanto o mal cresce nas frestas da sociedade e no lodo da alma humana, penetrando os lugares mais improváveis com seu hálito infernal?
Enquanto esperava a entrega do Oscar, assisti ao Fantástico. Realmente, a edição deste domingo foi de entristecer. Primeiro falaram das milícias, uma nova e inacreditável forma de organização e controle social das favelas e subúrbios, envolvendo políticos influentes e policiais.
E eu que pensei que a droga era um grande problema...
Em seguida houve a reportagem da mãe mineira que jogou a filha na Lagoa da Pampulha e agora a quer de volta. Enquanto isso na floresta, o lobo mal com pele de pai, padre ou padrasto entra no quarto das criancinhas com a sua repugnante e incompreensível libido. Nessas horas sou a favor das penas corporais. Estou falando de castrar. Matar não. Castrar. Querer vingança, é o meu fim. Não fazer nada também. Na sexta feira vi um crime acontecer em minha frente. Na hora fiquei chocada, mas depois classifiquei aquilo em minha alma como mais um acontecimento comum e triste do cotidiano. Acho que estou ficando insensível, e isso me preocupa.
Sobrevivi ao Fantástico para ver a duvidosa cobertura da Globo à maior festa do cinema mundial, não antes do paredão do Big Brother. (É ou não é o meu fim?) Pois é!
Oscar, glamour, jogo de interesses, festas incríveis com mesas compradas por U$10.000,00!!!
Alguns prêmios talvez tenham se destinado à mãos erradas. Mas enfim, nem tudo está no lugar certo.
Eu imagino simbolicamente o Juízo Final. De um lado o Mal. De outro, o Bem. Deus e o Diabo são da Academia, não aparecem para o público. Quem apresenta a festa é um bobo da corte com asas de anjo. Ao som de trombetas, Arpas e guitarras ele convida um dos santos mais prestigiados do Além para abrir o envelope. Entre o Bem e o Mal há grande expectativa.
E o Oscar vai para...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Nostalgias de verão

Por todo o dia uma música tocou em minha cabeça trazendo o passado de volta ou me levando de volta pra lá. Não sei o nome dela. Sei que está no disco The Good, The Bad And The Ugly, trilha sonora do filme homônimo de bang bang italiano executada pela orquestra de Hugo Montenegro. Não era raro esse disco tocar em minha infância, na enorme vitrola com válvulas e caixas gigantes. O que esta música fez comigo foi um desdobramento quase astral. Pude sentir o cheiro de lustra móveis na estante da sala onde ficava a vitrola. Vi os volumes de uma enciclopédia de capa verde que ficavam enfileirados na mesma estante. Então veio a saudade e a imersão. Lembrei de vários momentos em anos diferentes. Saudades da tia Nicinha, das conversas de madrugada, das histórias de fantasmas, do porco sujo, de como ela me fez conhecer Pink Floyd, do apagador de mão que ficava na cabeceira de sua cama, do penico que ficava embaixo (!), dos legos que a gente montava e remontava casas de faroeste, das balas Toffe que ela sempre tinha... Saudades da tia Marilda, de sua jovialidade, de sua elegância, de seus momentos de perua, de seu humor, da prateleira cheia de maquiagens e perfumes, de sua moda, do modo como fazia qualquer filme dramático parecer comédia! Saudades da Vovó Dina, de sua sabedoria paciente, de observar o tempo entre a lucidez e a epifania, de suas rugas, do barulho que ela fazia com a boca quando ia jogar milho para as galinhas, da alegria etílica que ela ficava quando bebia vinho no natal, de sua caneca esmaltada com uma ferrugem no cantinho, de sua poltrona na sala de frente à TV, seu trono de rainha. Saudades da presença invisível do Vovô Tuninho. Saudades do flamboyant florido e da sombra que ele fazia em frente à casa. Saudades das ruas de cascalho de Araçaí, onde pegávamos cristais para fazer tesouros. Saudades de esperar o caminhão do tio Zé Afonso passar na pracinha do Manoa pra gente ir pra Araçaí na carreta, junto com as latas de leite! Saudades de correr atrás da Folia de Reis que passava pelas ruas de cascalho. Saudades de nunca ter gostado de acompanhar procissão de semana santa e ficar no portão da vovó com medo da luz da Florzina! Saudades de brincar de ter coragem e tocar o crânio aos pés do cruzeiro da praça do cemitéiro. Saudades da casa na rua Montes Claros. Da Vovó Nica. Saudades de sua devoção, de sua fé, de seus terços e rezas, da vontade que ela tinha de viver superando tantas limitações que o corpo e a saúde impunham. Saudades do jardim com trevinhos. Saudades das cadeiras na varanda. Saudades da cadeira dobrável do vovô. Saudades do Vovô Tião chegando com o pão embrulhado em um papel cinza e amarrado com barbante que ele sempre guardava. Saudades de levar para o Jônatas a parte do jornal sobre carros que o vovô sempre separava! Saudades das três garrafas térmicas sobre o armário da cozinha. Uma com café forte, outra com café fraco e a terceira com chá Mate Leão. Onde estão todos agora? Daquele tempo não ficou nada. A casa de Araçaí está vazia. A da rua Montes Claros está alugada para estranhos. As ruas de cascalho foram asfaltadas. O flamboyant teve que ser cortado para não estragar o passeio. O Tio Zé Afonso não tem mais caminhão de leite. Todos os vovôs e vovós dormem. As tias dormem também. Estão todos dormindo, com disse Manuel Bandeira. Dormem profundamente. Mas eu prefiro acreditar que habitam outras eras, outros planos com novos netos e novas histórias. Com novos sobrinhos e últimas modas. Eu ainda estou aqui com a mente e o coração repletos de lembranças bem despertas e tão vivas quanto a música de faroeste.No presente, fenos imaginários rolam pelo chão de concreto. Saudades...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ventos de Minas, ventos da F1

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Entro num acordo contigo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
És um dos deuses mais lindos
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Ouve bem o que te digo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Quando o tempo for propício
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Apenas contigo e comigo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Não serei nem terás sido
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Num outro nível de vínculo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
*****
Não sei como descrever o presente momento.
Deixei Caetano falar por mim através da Oração ao tempo.
Obs: Eu não estou grávida!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

No ano em que eu nasci

No ano em que eu nasci, algo revolucionário acontecia no reino musical. Algo que marcaria a história da música para sempre. Era a ascensão de um rei ao trono e ao mesmo tempo o início lento, doloroso e metamórfico de sua decadência.
Neste ano, a Epic lançava o álbum mais vendido de todos os tempos. Thriller.
Eu tenho lembranças sonoras desta época. Lembro do meu irmão mais velho ouvindo inúmeras vezes Billye Jean no quarto. Lembro de ficar apavorada vendo o clip de Thriller com todos aqueles monstros. Ouvir Wanna Be Startin Somethin me remete à infancia em Pará de Minas, minha terra natal.
Aquele garotinho vindo de uma família de artistas, que tinha ganhado fama cantando “Bean”, agora era o protagonista da mudança do mundo. E não morreria por isso. Não como morrem os mártires. Seria história, mas pagaria pelo estrondoso sucesso com casamentos estranhos, manias estranhas, estranhas metamorfoses, perseguições, boatos, verdades e mentiras que povoariam sua Never Land de maneira quase fatal. Culpado ou inocente, ele sobrevive. Sobrevive para ver figuras muito menos especiais, muito menos talentosas, às vezes nada talentosas, fazendo o escarcéu com a própria vida, com a mídia, atormentadas por um sucesso letal. Inaptas para administrarem qualquer coisa. Mas sobre todos esses vermes criados pela indústria fonográfica, está ele. Michael Jackson. O homem do ego desproporcional e costumes faraônicos. E como um eco do passado ele impera como o único que pode afirmar que nunca alguém vendeu mais discos que ele, mesmo os melhores que ele!
Ariano Suassuna certa vez em entrevista, disse Michael Jackson era lixo musical. Sr. Ariano, com todo o respeito ( e eu o respeito muito) , se for lixo, deve estar cheio de flores! A mídia é controladora, inventa mitos, cria lendas, mas não se pode criar tão bem e deixar ecoar por tanto tempo uma mentira assim.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Rito de Passagem

(vista da Terceira Ponte , Vila Velha/Vitória,ES)

A sombra de uma nuvem sobre o mar
não muda, a não ser que o vento a mude
Amor, não sei dizer se vou voltar
Saudade, uma questão de longitude

O mundo continua a girar
No som uma mudança de atitude
Eu já não sou quem era ao chegar
Na diferença brusca de altitude

Vida que segue
O que mais aconteceu?
Será que a D.Rita se casou?
Será que o fulano me esqueceu?

Vida que segue
Tudo aqui me encantou
Mas ouço a sua voz a perguntar
Ainda haverá você e eu?

Vento,
Vem soprar aonde estou
Abençoe, Deus, quem sou

Tempo
Vem passar, porque eu vou
Abre as asas, eu vôo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Fosco temporário de uma mente sem lembranças

(A persistência da memória de Salvador Dali)


Lástima.
Ontem fiz conexão com os sons do mundo e compus uma canção. Porem, tal canção não passou do meu imaginário. Não a gravei em lugar nenhum, não cantei pra ninguém.
Fiquei solfejando a melodia no caminho pra casa.
Chegando em casa, tive a intenção de grava-la, mas fiquei em outras circunstâncias.
Era a obra-prima! Agora minha ventura teve fim. Puft! Esqueci. Esqueci como era. Só o nada. Quero me lembrar. Já fiz todas as posições com a cabeça, respirei, já fiquei no silêncio, mas nada do que lembro se parece com o que era ontem. Que agonia. Não há backups que eu posso fazer, como vou pedir para penetrarem meu hardware? Eu quero lembrar.
É horrível quando algo se perde na mente. Fica na ponta da língua e de lá não sai.
O esforço para lembrar torna tudo pior.
O que eu posso fazer é esperar.
Se houve a música, há de emergir uma hora.
Não é assim que costuma ser?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A Fonte da Vida

Nesta madrugada assisti ao filme The Foutain (A Fonte da Vida), com a Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel) e Hugh Jackman (O Wolverine do X-Man). Este filme é realmente uma “viagem” metafísica do roteirista, diretor e auxiliar de serviços gerais (!), Darren Aronofsky. Para assisti-lo até o fim, você precisa ser paciente e não ter sono. Se você passar do meio, perceberá que valeu a pena ter continuado neste drama/ficção que fala da odisséia do amor através dos tempos e da busca incessante pela Fonte da Juventude. Concomitante à isto, o filme trata da morte e do renascimento de uma maneira bem interessante e ainda consegue integrar a mitologia maia, inquisição espanhola e Jardim do Éden com a astronomia do século XXVI, junto ao desejo de alcançar a vida eterna.
Thomas, o personagem central, via a morte como uma doença que precisava ser curada. Na busca obsessiva pela “cura” da morte, ela acaba por perder os momentos importantes e simples que fazem a vida valer a pena. Ele leva um milênio para descobrir o que a gente já sabe. Que a morte é uma fase dos ciclos, e que cada estrela que agoniza no espaço, dá vida á outras tantas. Ele tinha medo de perder, e medo de desaparecer. O filme termina como em uma lenda indígena. Mas o final eu não vou contar!
Gente, essa coisa de viver para sempre... Eu não entendo isso, gosto da idéia de ciclos, de que morreremos um dia. Tem gente que não morre nunca, como a Derci Gonçalves. Ela já descobriu a fonte. O Silvio Santos só precisa beber mais uma dose da água da vida e pronto. Torna-se imortal. O Paulo Coelho já é imortal, né?! Mas ele burlou a regra, tinha que beber água e não sentar na cadeira da Academia Brasileira de Letras! A Xuxa está na busca. Lembro de que quando eu era pequena (e isso já faz tempo) de ela fazer aniversário de 32 anos por três anos seguidos. Ela deve ter quase 50 anos e diz que vai fazer 44. Não cabe nos cálculos!! A Sandy até quis ser imortal, mas ela sabe que morre no final!!! Rs!Eu gosto de existir, mas sei que não sou pra sempre.
Só não quero terminar como comecei essa vida: esperneando e gritando!
Podemos fazer mais que isso.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Medo do Fim do Mundo

Eu tive medo do fim do mundo.
Fui uma garotinha ingênua, assombrada pelos monstros que meu irmão mais velho, Dinho, inventava, como o Carireu, por mitos folclóricos, como a Carimamba, a Mulher de Branco, o Homem do Surrão que pegava as crianças desobedientes e colocava dentro de um saco! Minha mãe era um baú de fantasias, nos deu um reino mágico, entretanto, criou para nós um universo maniqueísta. Havia o Bem e havia o Mal. Tínhamos, eu e o Jônatas, meu quase caçula irmão, muito medo do mal.
Entre as coisas que mais me impressionavam em tudo aquilo estava o FIM DO MUNDO.
Minha mãe dizia que um dia aconteceria o “alinhamento do eixo da Terra” e nesse dia o mundo ia acabar. Ela ficava cantando uma música assim: Ai de quem tiver um filho ainda por nascer... Eu tinha verdadeiro pavor dessa música. Para complicar meu medo, ela comprou um disco que o Jean Michel Jarre produziu em homenagem aos que morreram na explosão do foguete espacial Challenger. A ilustração do encarte era o planeta Terra humanificado, com as mãos na boca, como a que chamar qualquer coisa. O que a Terra está falando, mãe? Rendei-vos à grandeza do espaço, ela respondia. Havia uma música que simulava a respiração de um homem dentro da roupa de astronauta, tipo o Darth Vader. Naquela época, lembrar dessa música e do alinhamento do eixo da Terra, me fez dormir muitas vezes entre meu pai e minha mãe! Queria estar perto deles quando o mundo acabasse! Isso foi nos anos 80.
Chegou o ano 2000 e continuamos vivos, contrariando Nostradamus!
Realmente, em 2004 o eixo inclinou-se, sofremos com o Tsunami e outras catástrofes naturais, mas o mundo não acabou. Não para nós. Não no Brasil.
Hoje, não tenho mais medo do disco Rendez Vouz do Jean Michael Jarre e nem do Carireu. Hoje temo por meu filho, que há de vir um dia habitar este planeta. Temo, porque o mundo chega ao fim por outras vias, por desalinhos, não por alinhamentos. A vida humana perdeu o sentido, morre-se por nada, mata-se de graça, cobra-se para matar, negocia-se vidas, o narcotráfico contaminou a política, a corrupção assola o mundo, minha casa tem grades na janela, ninguém acredita em mais ninguém, a paz se esconde até em lugarejos, antes tão pacatos, garotinhas de 11 anos ganham bebês, o consumo de antidepressivos e outros psicotrópicos impressiona e enriquece a indústria farmacêutica. O que é o alinhamento do eixo da Terra diante de tudo isso? Quais serão seus medos, meu filho?
Quanto a mim, já não é mais possível dormir entre meus pais.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

E no entanto, ela se move.

Assisti ao filme “O Caçador de Pipas”. Embora “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain” continue encabeçando a lista dos meus filmes preferidos, o Caçador de Pipas é um filme simples, lindo, terno, chorei até. Ainda não li o livro. Talvez lá eu encontre explicações para certas atitudes do personagem central que me incomodaram. Para mim, esse não é um filme sobre amizade, nem sobre o Talibã. É um filme sobre firmeza. Sobre coragem. Sobre atitude. No caminho de volta pra casa, fiquei pensando muito sobre ter coragem e ser covarde. Amir jan, protagonista, ao meu ver, não alcançou a redenção com a atitude de ir buscar o filho de seu “amigo” em Cabul. Ele sofreu leves transformações no decorrer da trama, porém sempre foi um banana. O filme termina e ele continua assim, tentando fazer as pazes com sua consciência de banana. Mas eu não quero estragar o prazer de quem não viu ainda. Assista e diga!
Agora, por que isso me incomodou tanto (?), pensei. Será que sou assim também? E segui pensando a respeito durante todo o trajeto de volta pra casa. Pensei no ditado popular que diz que mais vale um covarde vivo do que um herói morto. Ao mesmo tempo, lembrei que entre os trailers do Caçador de Pipas, havia o do filme Rambo IV, onde o Satalone dizia: - Viver por nada ou morrer por algo.
Pensei naqueles que negaram suas verdades e seus amigos, como Pedro, o apóstolo que chegou a negar Jesus (três vezes!), ou Galileu Galilei que para não ser condenado pela igreja católica negou suas teorias, disse que havia cometido um erro, que a Terra não se movia em torno do próprio eixo e nem girava em torno do sol! E ainda jurou que sempre acreditaria nos ensinamentos teocêntricos da igreja. Pensei também naqueles que morreram por suas verdades, que lutaram pelo que acreditavam, como Joana D`Arc que foi firme até o fim, Mahatma Gandhi, Luther King, aquela mulher que a Sigourney Weaver interpretou no filme Congo, Paulo César Vinhas, ambientalista do Espírito Santo, que foi assassinado por não ter se calado ante as constantes e falsas fiscalizações e extrações ilegais de areia, assim como outros tantos pelo mundo.
E com tudo isso em mente, pensei em até que ponto eu iria por uma verdade, até que ponto eu daria minha cara à tapa pra defender o que eu acredito, para defender alguém que amo. Não sei se sob tortura eu “pedira para sair”! Sei que em sã consciência jamais deixaria que alguém pagasse por um erro meu, mas me incomodou e está me incomodando essa dúvida.
Existe um ponto, uma bifurcação no caminho onde a gente escolhe se vai se imolar por algo ou se não vai ser besta pra tirar onda de herói. Por onde você escolhe ir na maioria das vezes? Até que ponto você consegue continuar vivendo consciente de que não foi verdadeiro consigo mesmo nem com o mundo. De que não teve a atitude certa quando deveria? De que foi omisso?
Não se sabe ao certo, mas dizem que Galileu quando terminou seu julgamento, se levantou e sussurrou baixinho "eppur si muove" ("e, no entanto, ela se move").
(...)


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

OVNIs na sopa

Ao abrir a página do Terra no outro dia, li uma notícia sobre corpos estranhos e pedaços de corpo humano encontrados em produtos do gênero alimentício. Falava de um alemão que encontrou um dedo humano em uma barra de chocolate italiano. Tinha até unha. Como havia nozes no chocolate, foi difícil identificar a diferença!!! Imagina?!! Que nojo! Essas são as maravilhas da produção em série, seriamente comprometida pela ganancia e a negligência do mundo moderno. Também existe o "fator azar", mas mesmo assim o controle de qualidade é remoto. É rato no iogurte, é dedo de gente no chocolate, é ser humano dissolvido na Coca-Cola, é água oxigenada no leite, é mosca na sopa, é barata no pão caro, é pau, é pedra, é o fim do caminho... E ainda tem os coliformes fecais, meu Deus! Será que essa coisa voa, prolifera no ar? Tem vestígios de cocô por tudo quanto é canto, até na água "potável". É... Andam espalhando pela Medina que só a cerveja não contém coliforme fecal. Disseram que é preferível beber cerveja e falar merda à beber água e não falar nada. No meu caso, só calando a boca mesmo, mas prefiro seguir bebendo apenas água, obrigada! Merdas etílicas possuem consequências muito mais desastrosas, pelo que vejo. Por falar no assunto, li esta frase em um banheiro de rodoviária:
Não faça na vida pública o que você faz na privada. (!)
(...)
É, minha gente, vamos seguindo a vida, entre gôndolas de supermercados, prateleiras de mercearias, balcões de padarias, nos pegue e pagues do mundo, torcendo para encontrar supresas só no Kinder Ovo! Ah, e sem a neurose de achar que adianta ler a tabela nutricional dos alimentos. Com alguma sorte, a embalagem informará a verdade.
E assim, parto daqui deixando um Sopro de Eves e uma alerta: Cuidado com o que consumirem aqui. Nossos pratos podem conter OVNIs!
Entre a embalagem e o produto há muito mais coisas do que supõe a nossa vã, topic, kombi, perua ou besta filosofia.
ISO de Eves 9008. Nosso selo de qualidade!