segunda-feira, 18 de abril de 2016

Pedra Fundamental

Não sem dor, fui aprendendo ao longo da minha vida que eu fazia parte das minorias. 
As bandas que eu gostava, quase ninguém conhecia. Os livros da minha estante não eram os mais vendidos. Os filmes da minha lista (com exceções como a franquia Star Wars) não estouravam bilheterias. Os versos que eu inventava, com sorte, alguém entendia. A religião que eu abraçava até pouco tempo atrás era alvo do preconceito e da ignorância, assim como a minha orientação sexual.  E pra mim estava ok ser da minoria, ir na contra mão, não ter um bando numeroso e nem uma banda em propaganda de refrigerante. Depois que eu entendi que eu só preciso estar racionalmente sintonizada com meu coração, nunca mais sofri por não pensar como a multidão e pela multidão não prezar o que eu admirava. Cabe o mundo inteiro no vasto mundo e cabe a mim desejar que as coletividades amem acima de tudo, acima das diferenças que nos caracterizam.

Mas hoje eu lamento. Lamento que meus ideais sejam da minoria. E com todo o respeito que devo no espaço que compartilho com a maioria, eu acho que se todos enxergassem as coisas que são óbvias, talvez a multidão não escolhesse Barrabás. Talvez acolhêssemos outras vozes que transformem os desejos de melhora de todo mundo em flores e não nesse pileque homérico da maioria.

Eu ainda sigo confiante que possamos aprender grandes lições, mesmo que colhendo nos campos da consequência. Eu ainda acredito que podemos cuidar do que se ganha em se perder.

Mas hoje, eu lamento pela maioria que ao meu ver, ainda não vê e insiste em não ouvir através de megafones que a gente não vende fácil o que não tem preço.
A gente não levanta bandeiras sem saber direito qual é a causa.
A gente não dá o microfone para alguém que deseja nos silenciar...
Pelo menos não devíamos.

Vai ficar tudo certo, eu sei.
Os anos ajeitam a história, mesmo que eu sacrifique os meus trilhando uma parte mais escura desse caminho.

Todavia, hoje eu lamento. Muitíssimo.

Dia 17/04/2016 (a gente rejeitou de novo a pedra de esquina)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

RAPTE-ME, CAMALEÃO!



Ele entrou em minha vida versionado, travestido de astronauta marmorizado na voz de outros caras. 
E veio a calhar que esse ser transmórfico chegasse assim, travestido e oculto, até que se revelasse poderoso e hiper icônico, manipulando bolas de contato e hipnotizando Sarah na terra dos duendes. Aquilo mudaria minha infância e minha vida para sempre. Esse camaleão raptou-me para um mundo de homem das estrelas, labirintos mágicos e me fez procurar no dicionário a palavra androginia.
Não tem como ser uma criança igual quando você escuta uma frase marcante aos cinco anos de idade. Aos 33 você é capaz de repeti-la com a mesma crença:

 "Passei por imensos perigos
E inúmeras dificuldades pra chegar até aqui,
 No castelo da cidade dos duendes
 E retomar a criança que você roubou,
 Meu reino é tão grande quanto o seu,
 E minha vontade é tão grande quanto a sua,
 Você não tem poderes sobre mim."

O engraçado, é que não conheço David Bowie e seu trabalho como um todo. Reconheceria uma música dele pelo seu timbre, mas não saberia relatar os títulos, os álbuns, embora saiba que ele pode ter me alcançado sem que eu nem tenha percebido, como Modern Love!! Ele é meu “ídolo referência”, porque está sempre marcando uma outra coisa que me marca. Quando penso em músicas inesquecíveis da minha vida, encontro David Bowie. Em "As Vantagens de Ser Invisível", é Heroes que me expande e me torna infinita. Com The Man Who Sold The World, "Fringe" se sagrou o melhor seriado que já vi até hoje e eu arrisco dizer que não lembro de uma música antiga ter resumido tão bem o espírito de uma série inteira. 
E tem Labirinto, A Magia do Tempo. (...)
Hoje soubemos que ele partiu e isso não me dói como doeria se ele fosse meu pai ou qualquer pessoa próxima. 
David Bowie é um desses artistas que possuem o dom da eternidade e quando morrem, mostram que o tempo está passando só para nós. 
Quem percebe a efemeridade é o sobrevivente! 
Quem parte, vai para as estrelas, para os céus, o inferno, Marte ou qualquer outro lugar do espaço e mesmo assim permanece aqui, nos lugares sagrados dentro daqueles que marcaram, tornando-se eternos. Infinitos!



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

DEFORMAÇÕES

Quando é o caso, fico procurando desenhos no mármore, nas cortinas florais, no emaranhado de árvores. Geralmente procuro rosto de pessoas, de animais, de formas que conheço.
Gosto de encontrar o familiar, por isso talvez eu estranhe quando você revela coisas inéditas pra mim.
Sinto que essa parte estranha me faz querer te agredir de formas nas quais ninguém verá o sangue, mas que vai doer do mesmo jeito, ou pior.
É que Narciso acha feio o que não é espelho.
Fica meio confuso isso, porque há quem diga que nos incomoda no outro somente as sombras que também são nossas.
Eu gosto dos seus jardins, das telas e das tintas, dos rostos sorrindo... 
Gosto quando encontro um beija-flor, a mão do Spock desejando vida longa e próspera, gosto quando encontro um dragão ou qualquer personagem épico. São coisas do nosso universo e isso a gente reconhece e se alegra por encontrar.
Mas eu não sei por que essas outras coisas que são tão intimamente estranhas a nós ainda atravessam nosso coração como flecha envenenada. Poderíamos apenas aceitar que o mundo é infinito demais para conhecermos tudo e admitirmos que é necessário aprender até sobre matéria escura. 
Que forma é essa que me confrange? 
Se eu reconheço alguns de seus aspectos, porque quero apagá-los?
Eu não sei exatamente por que quero gritar até a imagem ser outra, até se tornar algo mais familiar e aconchegante como um abraço ou a primeira colher de Häagen-Dazs de macadâmia.
Olhando as rajas do mármore dessa parede, só procuro o que conheço, porque do contrário, poderia inventar qualquer forma e dizer que ela estava ali, por coincidência.

O problema, meu bem, é que a gente nunca acreditou no acaso.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

TEMPLOS DA MULTIDÃO

O sentimento que sobra no fundo do ano sai espremido como pasta de dente no fim do tubo.
Ouço os homens falando de amor e não sei mais se amo e me importo como já amei e me importei.  Talvez seja um jeito novo de olhar o mundo, talvez porque o amor seja apenas isso que eu estou vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Escuto o meu coração e consigo notar uma interferência, um chiado revelando uma voz que fala em um código que ainda não aprendi a decifrar. Tem muito ar aqui e pouco pulmão em mim. Mas tem muitos outros pulmões no mundo. 

Esse meu lar tão frágil tentando resistir ao calor e às diferenças, exige do meu coração um pulsar mais intenso. Tem uma fresta na parede que eu não sei consertar. Mais tarde pode chover e isso me aflige. As pernas ficam inquietas, os segundos não param, um novo ano já vem e não tem como frear.

Coloco canela no café, só pra você saber. Poderia ser maracujá, talvez as pernas entendam.
Por hora, a expectativa do looping já embrulha meu estômago, sem papel bonito e laço que a gente compra pronto. Embrulha com papel rasgado de caderno.  

Além da parede, dos muros e plantas carnívoras nascendo no jardim, preciso cuidar de umas coisas, consertar outras, mas estou cansada e não dá tempo pra prender a respiração. Tirar férias e ir pro Tibet não resolve. Não vamos mergulhar, vamos passar por ali e procurar sobreviver sem muitas marcas, sem ferir e ser ferido. Só é possível enfrentar. A vida é isso. O duro combate, aos fracos abate. E quem quer ser fraco de propósito?

Sinto-me velha e cansada. Há um bombardeio de ideias novas e planos fabulosos, mas essa infinidade de universos que existe nos outros é o maior desafio a vencer por hoje. Cada um é um templo que preciso respeitar, entender, tolerar e perdoar.

Sei que tudo é urgente, mas quem sabe, no ano que vem?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

MAL CONTATO


Foi um raio sem aviso prévio.
Queimou os aparelhos elétricos e disparou meu coração.
O dia está cobalto e está tudo bem.
Hoje não precisei ligar o ventilador e foi possível até pensar num origami de estrela para decorar a casa pro natal.
A lama chegou no mar e nós continuamos comprando bobagens doces na frente de caixa. Chocolates sedutores, MMs cheios de corantes alergênicos e até um tubo de super bonder que a gente nem precisava. Por que a gente tem disso, a gente humana. Mesmo se a água do mundo acabar, lutaremos como a Furiosa em Mad Max e vamos adiante num paradoxo onde o passo que prossegue desiste do caminho escolhido quando o horizonte era outro.
Nenhuma guerra mundial foi declarada e isso merece nossas preces. Tento manter meu íntimo em paz, e aí vem um raio com esse e é como uma pedra tacada no lago.
Tudo isso é tão frágil. Acho que a Terra é um planeta de mal contato onde a gente custa a ter constância.  Sobrevivemos fazendo downloads de um dia por vez pra ver quanto cabe de arquivo em nosso propósito de mudança, pra vencer os vícios e conseguir perdoar.
Só que tem uns dias em que algo sai do lugar e voltamos ao início, sofremos recaídas e mudamos pra não tão melhor assim. Abandonamos dietas, deixamos o caos se instalar nos cantos que prometemos deixar em ordem pra sempre, e aquele hábito estranho e tão determinantemente abandonado emerge como se fôssemos um pântano.
Mas não tem Hércules pra lutar contra a Hidra nesse pântano. 
Só tem nós com um cérebro que não entende “pra sempre” e nem “nunca mais”.

"Happiness, more or less
it`s just a change in me"
(Lucky Man - The Verve)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Um ruim muito ruim

É isso.
Você não prevê, mas acontece.
E é culpa sua.
Nem é necessário um agente do CSI pra concluir isso.
No momento, falo sobre cair no banheiro.
Mais especificamente, sobre cair nua.
É um ruim muito ruim.
Porque você está com pressa, que sair do banheiro e vestir sua roupa em tempo recorde, porque o relógio despertou e você estava num sono tão profundo que não conseguiu ouvir.
Um hora depois do que programou no despertador, você, como que chamada por um alguém invisível, abre os olhos, pega o celular, toma um susto com as horas e entra correndo no banho.
Tudo vai bem, até o momento em que você desliga o chuveiro, se prepara para pegar a toalha, mas escorrega e a "parábola glútea" encosta no ralo, fazendo pressão.
Nessa hora, nada importa mais.
O ralo é um dos lugares mais nojentos do mundo, mesmo se ele estiver muito limpo. E eu sou uma das pessoas mais neuróticas do mundo com coisas nojentas. Tem um bichinho dentro de mim que diz "argh" e vomita.
Então você levanta, toma outro banho, passa desinfetante na própria bunda, reza pra ter efeito sobre a celulite também, passa sabonete e praticamente toma outro banho.
Sai do banheiro, agora com calma -  já resignada com seu atraso - pega as coisas e descobre por fim que o ralo é o menor dos problemas do tombo.
Lamenta um pouco, porque ninguém é de ferro e vai pro trabalho mancando e dolorida!
Como dizia minha avó: o que é que vale isso daqui dez anos?
Pior que isso, a Ronda sofreu!
Enfim...






segunda-feira, 16 de novembro de 2015

COLAPSOS


Em alguns milhões de anos, por atrair Phobos para sua órbita, Marte a destruirá.
Aqui na Terra, o sol faz tudo parecer apocalíptico, com efeito mais imediato.
Pra variar, estamos em guerra! 
A gente olha o mundo e nossa órbita ocular engole as notícias, nos arrebatando do paraíso no qual brincávamos de poder. Venho contra a vontade, agarrando as maçanetas das portas como uma criança fazendo birra, querendo ficar onde está.
Então vem o mundo com o dedo em riste e diz que o que podemos não está relacionado com a destinação das grandezas, com a contenção da morte, dos gases, da tosse e da extinção dos satélites e estrelas. Há tantas coisas que não se pode evitar depois de previstas. (...)
Nos resta ver a onda crescer sobre nós e rezar para que o inevitável seja ao menos rápido ou indolor.
Não é a primeira vez que estamos na iminência de uma jihad, mas é a primeira vez que eu vejo o que era doce se acabar no leito de um rio e é a primeira vez que sinto tanto calor, a ponto de perder o sono e odiar os insetos. Não gosto de odiar a criação, mas há algo no ar que dificulta que eu ame plenamente.
Os insetos, os rios, o sol, vem da mesma fonte que venho, do mesmo "abracadabra" e é engraçado como nos destruímos uns aos outros para que a Lei se processe sobre nós, sobre o universo. Destruir é uma necessidade da evolução e pensar nisso requer pulmões!
Marte vai comer uma lua e nós morreremos de fome e de sede...
Mas isso não é pra agora.
Pra agora é o presente e o cotidiano. A gente segue adiante e sempre que houver motivos, celebraremos o que ainda existe de luz, comemoraremos os gols, os aniversários, os nascimentos, o fim do ano e com certeza, se pudermos, compraremos um pacote de lua de mel para alguma ilha vulcânica do planeta!!
Qual é a possibilidade de um plano assim acabar mal?
Afinal, o fim é só uma miragem de um deserto muito distante daqui.
É no que queremos crer.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Arranque

Amor,
Eu acordei querendo fazer uma canção que falasse do quão triste fomos
quando estagiamos no besouro que cai de costas pro chão.
As pernas frenéticas implorando por socorro ou esperando em agonia a morte paralisar tudo.
Eu dou graças a Deus por não ser mais um besouro, um tatu bola, ou um inseto de qualquer taxonomia.  Mesmo assim, para meu ser humano, parece que o mundo pesa mais em certos dias.
Deve ser a inclinação da Terra...
Ou minha inclinação à gravidade que a preguiça exerce sobre mim.
O horizonte está sempre um passo à frente da gente e o mundo é cheio de outras coisas.
Cabe tanta coisa no mundo, nas caixas, no infinito e meu pen drive já está cheio.
Como consegui lotar todos esses gigas com pastas sem nome e sem ordem?
Aí vejo as formigas...
Quando olha pra elas, eu sinto orgulho da espécie viva, que é como o movimento allegro de alguma sinfonia.  As formigas conhecem o segredo das coisas, mas não sabem o doce das coisas, o sabor das massas e das maçãs. Eu sei.
Eu tenho papilas gustativas, elas não. 
E acho que elas também não têm pâncreas, porque senão seriam diabéticas.
Mas sabe? Elas se remexem. E produzem. E constroem e caminham...
Só que eu, em dias como hoje meu bem, só pego de arranque.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Diz pra eu ficar muda...


(...)
Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita
Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam

Meu corpo não é tão real
Eu ando, eu ando,
Eu ando por outros mundos

Meus desejos não são simples
Eu sonho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível.

Eu falo baixo
 coisas pequenas
 pra pouca gente
Mas procuro sempre

A palavra forte!

Todas as estrela para a Paula. A Toller!



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resistir


Já não estamos em condições de sucumbir.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Inquietude

Sim, as pernas estão inquietas.
Movimento frenético do músculo à minha revelia, enquanto revejo os porquês, enquanto eu lia e leio, penso e escrevo.
Enquanto meu corpo conjuga verbos, a perna subjuga o corpo, autônoma ou manipulada por alguma emoção menos doce que não pude digerir.
Talvez eu não tenha notado e então perna avisa: menos café, breve respiração, encontre a rota que leva ao litoral da razão e a força que acalma o mar. Depois gire o botão de reajuste e concatene os movimentos.
Sempre é algo faltando por dentro, ou vibrando de ponta cabeça se o corpo vomita espasmos.

A cabeça é quem me cobra
É quem traça a via calma
Tenho nada além de mim
Meus desejos viram anseios
E a certeza que este fim
Justificará os meios.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Eu não tenho mais medo do escuro


Agora eu era o herói sem batalhas sangrentas ou cavalos poliglotas.
Enfrento outra natureza de adversários e reverencio os alemães por todas as coisas belas que eles trouxeram pro mundo.
Já não acho mais que a gente seja obrigada a ser feliz por hoje ou feliz para sempre...
Só não se pode perder a ternura.
Escutei a vida no meio do frio que fazia ali e ela me contava uma história. Uma história que insisti em procurar n`alguma linha da minha mão, sem sucesso. Não sei ler as linhas inscritas em mim, o que dizem, o que ocultam tão obviamente na superfície da palma.
Também não sei te dizer quando foi que parei de acender todas as luzes da casa para andar de madrugada até o banheiro.
Eu simplesmente estava ali, sem orações, sem aflições, no escuro.
Olhei a foto de um bebê e constatei que eu já nem tinha mais tanta vontade assim de ser mãe. Houve um tempo que até doía não ser.
Parei para tentar ouvir as células em movimento no meu corpo, transformando quem eu era na mesma pessoa de sempre.
E sabe o que eu ouvi? Meu estômago.
Ouvi também o ponteiro do relógio se movendo, ouvi algum móvel estalando e possivelmente o barulho dos fios que se embaraçam sozinhos na calada da noite. Com esses ruídos, um sorriso de Monalisa foi esticando minha boca, me fazendo reverenciar o presente, porque nesse momento eu não tenho mais medo de escuro.
A parede que era branca, agora é azul.
A mesa da copa é outra e até o quadro mudou. As lagartas mudam, os girinos mudam.
Abri um livro ao acaso, consolando a insônia. Havia um papelzinho dentro, algo de Luther King, um pequeno afago nas coincidências da estrada:

"Nós não somos o que gostaríamos de ser.
Nós não somos o que ainda iremos ser.
Mas não somos mais quem nós éramos."

Os azulejos do banheiro são os mesmos do tempo de minha avó.
Mas eu, com certeza, não sou.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Fios de Açúcar

Pois é...
Lá se vão os anos.
Quase ninguém mais entra em blogs desconhecidos e a gente anda aprendendo outros mundos e escrevendo em outras telas.
A gente anda vendo as estrelas, culpadas sem julgamento justo.
E o mundo cada vez mais tão cheio de gente que mantém o equilíbrio matando seu igual. Malthus, não se preocupe. Estamos cuidando de tudo aqui, como um irmão adolescente olhando o bebê para os pais saírem. Confie em nós. Vai dar certo.
Olha pra mim, aprendi a fazer fios de açúcar num tutorial de confeitaria.
E eu adoro tutorial de confeitaria! Aprendo como fazer doces que eu nunca vou fazer.
Eu não sei que tipo de gente eu sou.
Se eu não fosse eu mesma, será que eu seria outra pessoa?
Se eu chamasse Fernanda, seria mais pessoa que o Fernando?
Se eu parasse de fazer trocadilhos ruins seria uma pessoa melhor?
Enfim, a vida é doce, mesmo se você não clicar num tutorial de confeitaria.
Ela é porque é, até quando não é!
Havia tanto pra entender... A via láctea... 
E se a via láctea ferver, então teremos leite condensado cósmico para o deleite de Deus e de suas criaturas habitantes daqui...
E do entorno!

Feliz 2015!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Buracos na pista


Não sei se você já sentiu isso...
Como se houvesse um buraco negro dentro de você sugando toda a matéria e a antimatéria, e tudo o que for mais efêmero que o éter.

A revisão da vida inteira não faz tanto sentido quando acontece em poucos segundos e sem anestesia. Nem os prazos, os compromissos, a hora que passa e a dor mais pungente que doeu na semana passada têm significado.Você tinha gases e o resto de mertiolate no vidrinho... Mas não adiantava. Estava vencido há 3 meses e a ferida urgia.

A fenda do universo se amplia e você se lembra do dia em que sonhou que estava nu e acordou suando no meio da madrugada. Com tanta coisa pra se lembrar, você retorna a um momento tão desbotado e inútil que chega a ser um pouco patético.

Você se lembra daquelas figuras psicodélicas do Windows Media Player que te sugavam enquanto você ouvia Like a Stone do Audioslave e tentava formar suas impressões acerca do amor e da guerra.

Você se lembra de quando matou uma aula inteira pra ficar sozinho, sem fazer absolutamente nada na quadra em construção da faculdade, tentando trazer alguém para perto com a força do pensamento. E você errou o alvo.  Meu Deus, as paixões comuns fazem mesmo um estrago na gente e nem compensavam pelo tempo que duram.

Você se lembra de quando errou o caminho de volta pra casa e caminhou pelo escuro, rezando para chegar vivo e inteiro.

Quando recobra os sentidos, por uma força racional que te obriga a  manter o controle, você lamenta não ter se lembrado dos episódios onde tinha companhia, alegria e fogos de artifício.

É incrível como às vezes estamos sozinhos e eu lamento que o buraco esteja nos sugando e eu não posso te dar a mão.


Feliz Natal!

And on I read
Until the day was gone
And I sat in regret
Of all the things I've done
For all that I've blessed
And all that I've wronged
(Like a Stone, Audioslave)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ploc

Se vendessem somente a poupa da jabuticaba (sem o caroço) em um copinho pra comer de colher, talvez eu não apreciasse tanto assim a fruta.  Eu gosto do "ploc" na boca.
Algumas coisas são assim, precisam do rito, do processo e do esforço para serem apreciadas e despertarem o ploc do gosto que pode haver em tudo.
O sabor nem sempre está na coisa, mas no todo ao redor.
... e se o sal for insípido, com o que se há de salgar?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um minuto avulso dentro do dia

Você sabe que eu me perdi.
Demorou tanto para reencontrar o caminho, que quando comecei a avistar as placas que indicavam nossa cidade, eu já era outra pessoa.
Você me reconheceu por alguns traços inconfundíveis, desses que nem o tempo e nem as circunstâncias depreciam ou transformam.
Mas eu sei que você olhava com desconfiança, como se eu estivesse sob torpor temporário ou interpretando alguma das minhas novelas imaginárias.
Não...
Era aquilo e só.
Eu era um produto, um resultado ou um "resto ou diferença".

Fiquei me sentindo como se me faltassem partes.
Estranhei as partes novas (...), no entanto é como dizem:
"Com o tempo a gente se acostuma."

Vejo as horas no rodapé da tela enquanto as músicas dos anos 80 me reconduzem ao presente.
O tempo não perdoa.

Quando os elétrons que orbitam todos os meus átomos desaparecem, pra onde será que eles vão?

Quanto mais eu demoro nessa janela, mais atrasada fico e a consciência do atraso não me faz mover quase nenhum músculo.

Procuro sustentar a lógica e encontrar qualquer pensamento que seja linear. Quem sabe eu possa ao menos ter a desculpa que preciso pra justificar minha ausência na sua caixa de e-mails, emitindo alguma nota fiscal ou na constância dos contatos?

Na verdade, nesse momento eu sei de tão pouca coisa.
Mas sinto coisas demais.

Ouvindo A-ha

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Querida Clementina,

Rsrs!
É engraçado como alguns comentários são tão genéricos que chegam a ser universalmente tolos.
Dá vontade de falar:

Nó, mas que chatice pedante, isso!
Tenho ouvido por algum tempo que os eleitores de Dilma são sem critério, são burros e manipulados. Não sei como...



Com toda a mídia detonando o PT, potencializando os escândalos de corrupção e praticamente impondo o voto em Aécio, declarar voto em Dilma é quase remar contra a maré da opiniões!
Porque parecemos burros? Por não sermos guiados pela mídia opressiva e partidária? Por fazermos uma análise comparada com o mundo e concluirmos que o Brasil deu dignidade a quem não tinha nem comida? 
Eu sou eleitora de Dilma e eu tenho critérios. Critérios cuidadosos.
Não sou beneficiária de nenhum programa de bolsa do PT, paguei minha faculdade até o fim com o meu suor e o de meus pais, não recebo bolsa nada... A que eu tenho foi R$69,90 comprada pela Gabriela na Net Shoes. Ninguém precisa comprar meu voto. Eu dou de graça!
De tanto ouvir bla bla bla, fui ver quem são os eleitores famosos de cada candidato: Entre os do Aécio, estão artistas burgueses, cristãos conservadores e cheios de fobias, empresários e alguns esportistas, principalmente a galera do MMA, como Wanderlei Silva, Anderson Silva e Alexandre Frota, cabeça falante do Bom Negócio!!!
Entre os eleitores de Dilma, estão Chico Buarque, Marieta Severo,  o maestro John Neschling, Ivan Lins, Osmar Prado,o cartunista (ou a) Laerte, Gregorio Duvivier, Emicida, Miguel Nicolelis, apontado pela revista 'Scientific American'  como um dos 20 maiores cientistas do mundo, toda a banda Nação Zumbi, a banda Teatro Mágico, Leci Brandão, Luiz Fernando Veríssimo, Chico Sá, o diretor de cinema e roteirista Kleber Mendonça Filho e outros cineastas, além dos votos que foram criteriosamente da Luciana Genro no primeiro turno. Não estou afirmando que não haja eleitores intelectuais entre os do Aécio, mas o rol que fiz acima, garanto, não elenca burros e incriteriosos. São algumas das melhores mentes do Brasil.
Se o Aécio vencer essas eleições, vou torcer muito por ele, porque torcer pelo governante é torcer pelo país. Ele terá minhas preces, não meus votos.
Não dá pra definir a competência de um candidato pelos seus eleitores. Não dá pra dizer que num país da dimensão do Brasil os eleitores de determinado candidato possuem características homogêneas e nem tem sentido nos indispormos com nosso irmão porque nosso voto diverge.
Mas ficar ouvindo pessoas generalizando e dizendo que eleitor do PT é burro enquanto o óbvio faz o passinho do Romano em nossa frente e ninguém vê, é demais.
E isso já encheu o saco.

Só pra constar -  uma opinião de fora:


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

It`s all right!!!


O jeito que o mundo se move, parece que quer me cobrar.
Não era só te encontrar e termos filhos, salários bons, planos de viagem, alguma beneficência e uma rede na varanda!
Precisava ter uma opinião sobre as coisas e lutar por elas. Conquistar o impalpável.
Não era só ter um ponto de vista e decidir ler um romance alemão.
Era suar e defender um argumento contra qualquer cristão branco conservador que prefere impor a paz no corte mais profundo da dor dos outros.
No fim, quem impõe a paz quer mais é vender seu produto do que ganhar uma flor.
Parece que agora, lá fora, o Brasil é uma ilha a milhas e milhas de qualquer lugar.
Nessa Terra de Gigantes...
A gente gosta de água de coco e futebol (eles mais que eu) e chegam eles (os outros, mais que nós) com todo esse sangue e miséria, esses vídeos cheios de carnificina, tornando ridiculamente tolas minhas reclamações sobre as espinhas que nascem fora de hora no meu rosto.
Pesquiso o preço do peeling e na outra janela leio que vai faltar água.
Confiro a tabela do campeonato brasileiro pra ver se meu time continua líder (e eu nunca assisto aos jogos) enquanto na página ao lado crianças morrem, a presidenta é taxada por querer o dialogar e ao meu redor as pessoas sabem menos o que dizem e enchem a atmosfera de palavras e discursos estúpidos que me dá vontade de comer muita jujuba. Eu, que estou evitando doces. 
Que droga, eu tenho um pensamento contrário e já não posso mais viver no "deixa fazer, deixa passar". E olha... Eu bem que queria.
Lá no Haiti o povo come biscoito de barro e sal enquanto aqui eu fico irritada por não ter dado tempo de ir à academia queimar toda caloria que o supérfluo injetou em minhas ancas.
Só que do jeito que o mundo se move, após todas essas décadas, parece uma afronta não ter nada a dizer sobre tudo, mesmo que eu mude de ideia em outra cena ou que o acento agudo caia da ideia e dos ditongos orais e seja apenas uma cadeira na sala de estar, onde eu nunca estou.
Mas sabe, cara? Bem que os palestinos deviam considerar fazer uma festa de confraternização e se integrar logo de uma vez como o Hamas. Dançarem juntos e celebrarem novos tempos.
E os Turcos, os curdos, haitianos, indianos, o povo de Hong Kong, a Dilma e o Aécio, os gremistas, eu e o Levy, o galo e o cruzeiro, nós todos!
Aff... Toda essa coisa bélica -  nesse momento - para mim não faz o menor sentido, por mais que eu me esforce para entender as razões de cada um...
E essa razão que muitas vezes nem me serve pra nada? 
Nada, não vale nada, e morre afogada por mim...
Bom mesmo é cantar, se quer saber...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Um toque

Ele olhou o vídeo mais 2 vezes.
Eu já não aguentava mais olhar minha imagem gorda e hesitante na tela e
nem conseguia entender porque voltava na mesma cena.
Então ele disse:
- Quando você for fazer a coisa, faça a coisa.
Aí eu entendi. E me entendi.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Não caçoei.

Pequeno, eu ri de boa fé quando você disse que Deus ligou o ar condicionado.
Eu sempre soube que sua mente era sabida e toda vez que eu rio, mesmo que você crie verbos, é por admirar isso!
: )