sexta-feira, 10 de março de 2017
Lidar
Alguns sentimentos são filhos bastardos que eu adoto, cuido, protejo, mas não registro, pra ninguém saber que é meu.
quinta-feira, 9 de março de 2017
CERTAS COISAS
Acontecem como mágica.
Do nada, como um coelho que sai da cartola
Vencendo o óbvio e deixando meu olhar perplexo.
Como é que faz isso?
Como coloca de volta?
Volta o video que eu quero ver onde foi que eu perdi o movimento que causou isso tudo.
Se eu descobrir, posso prometer não revelar o segredo até ser conveniente.
A garantia é porque isso me afeta e é pior quando eu não sei o que houve.
E porque houve... E mesmo assim ter que lidar.
Do nada, como um coelho que sai da cartola
Vencendo o óbvio e deixando meu olhar perplexo.
Como é que faz isso?
Como coloca de volta?
Volta o video que eu quero ver onde foi que eu perdi o movimento que causou isso tudo.
Se eu descobrir, posso prometer não revelar o segredo até ser conveniente.
A garantia é porque isso me afeta e é pior quando eu não sei o que houve.
E porque houve... E mesmo assim ter que lidar.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
O MOMENTO
Depois do disparo, um tiro leva menos de um segundo para atingir alguém.
E tem muita coisa no mundo que é como um tiro.
E todas as consequências indeléveis!
Estupidez
Talvez não seja tão difícil
acertar o caminho de pronto
Sentir o tranco e voltar ao ponto
onde fomos contra a placa
E se descobrirmos, da próxima
a gente acerta o foco, o passo
e sofre a dor sem perder o requebrado
e sem quebrar os corre-mãos no encosto
Mas agora eu acho tão difícil
e o talvez é só possibilidade
Porque tenho feito coisas estúpidas
tido pensamentos estúpidos
Sentindo a estupidez dos fracos
Desprogramando meus circuitos
Eu sinto que por ironia
Tanta estupidez quase é poesia
mas fica com o risco vermelho
de auto- correção do word
Mostrando que tem algo errado
em continuar sendo estúpida
depois de tanto aprendizado.
acertar o caminho de pronto
Sentir o tranco e voltar ao ponto
onde fomos contra a placa
E se descobrirmos, da próxima
a gente acerta o foco, o passo
e sofre a dor sem perder o requebrado
e sem quebrar os corre-mãos no encosto
Mas agora eu acho tão difícil
e o talvez é só possibilidade
Porque tenho feito coisas estúpidas
tido pensamentos estúpidos
Sentindo a estupidez dos fracos
Desprogramando meus circuitos
Eu sinto que por ironia
Tanta estupidez quase é poesia
mas fica com o risco vermelho
de auto- correção do word
Mostrando que tem algo errado
em continuar sendo estúpida
depois de tanto aprendizado.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Concerto nº 5 para Piano (Beethoven)
Essas portas se abriram uma a uma, alternada e simultaneamente.
O que importa a ordem agora, o modo, a forma e a intensidade?
Agora isso é o que sinto e sinto tudo ao mesmo tempo.
Parte de mim quer fragmentar e definir cada detalhe do sentimento, as curvas, nuances, tons.
Mas não há como fragmentar algo sólido e integral de maneira exata.
Estou conectada ao mundo e o mundo está vibrando em cada átomo dos meus corpos.
Eu sinto tanto.
Eu sinto muito.
Mas preciso me dissolver e ser tudo.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Fênix Brilhante
Às vezes me
sinto flutuando.
É curioso,
porque isso acontece nos dias mais densos.
Parece que fico mais leve do que
tudo ao meu redor, mas acho que pode ser o contrário.
É o mundo
todo que flutua, não eu.
Pensar nisso
me faz cair enquanto o chão nunca chega.
As coisas
estão flutuando numa esteira invisível, de cabeça pra baixo.
E o chão
nunca chega.
Nem o céu.
Estou no
espaço e não encontro sua mão. Quando encontro não alcanço. Quando alcanço, me
desfaço e descubro outro espaço entre nós.
Não sei se é
cedo ou tarde demais pra dizer adeus ou pra dizer jamais.
Talvez nem
tenhamos que dizer nada.
Talvez seja
só gritar silenciosamente, enquanto as nuvens nos atravessam.
Ou ficar em modo avião.
Está ficando
cada vez mais difícil respirar e mal consigo formular uma prece.
Desejo que a
sexta passe depressa e que dezembro demore a chegar.
Estou
flutuando como um astronauta na lua e quero ter aquela fênix brilhante no
peito.
O que é
preciso fazer?
E então as
letras pequenas me rodeiam e não quero ler nenhuma.
Não estou
pensando nisso.
Na verdade, nem
estou pensando...
domingo, 3 de julho de 2016
O Amor é o novo Poder (que c'est vie la nouveauté)
Pode conter spoilers de Orange is the New Black.
************************
Terminamos de assistir ao último
episódio de Orange is the new black.
Olhei para Gabs e ela fez um
breve silêncio depois do último olhar da Poussey e após desabou em lágrimas. Eu
também estava chorando, como fiz em quase toda temporada, mas fui dar o meu
abraço de consolo, pois acreditei que fosse pela perda da personagem pela qual
sempre nutrimos afeto. Mas depois ela começou a soluçar e intensificar o choro.
Percebi que o motivo estava além da série.
Tenho percebido ao longo desses
últimos anos que a ficção é apenas um retrato ensaiado da realidade. Com trilha sonora sincronizada.
Hoje é sábado e sábado é dia da
Gabriela fazer visitas ao Centro Socioeducativo de Sete Lagoas. O CSE. Na
semana anterior ela enfrentou um agente misógino e homofóbico. Temi pela
retaliação.
Eu cuido da parte profilática,
que numa visão à curto prazo é praticamente ineficaz. Os meninos que aprendemos
a amar continuam movimentando esquinas, ingressando no mundo fascinante das
drogas, que parece ter maior poder do que Jesus e nossas aguerridas tentativas
de transformar destinos, mostrar outras alternativas.
Pelo visto, estamos gastando
energia tentando mover uma peça emperrada do sistema. As vezes a gente até
pensa: Tudo bem, até pode ser que os
dragões sejam moinhos de vento, mas vira e mexe a gente vê as pessoas queimadas
pela baforada flamejante. Como negar que havia um dragão ali? Por mais que
estejamos ainda na base da pirâmide social, raramente respinga em nós. Queima
apenas nosso coração mesmo, mas fica tudo bem quando lembramos que existe Mc Flurry
e Kit Kat. Palavras estrangeiras com gosto de perfeição que só parecem irônicas
agora enquanto escrevo, nesse contexto cinza delineado pelas palavras acima. E
as cinzas são reais.
Mas ok, o problema da opressão é
universal. Não é invenção do primeiro mundo.
O sistema zomba de quem faz força pra mover a engrenagem, porque foi tão
genialmente criado ao longo da história do mundo, que não depende de líderes.
Ele se auto alimenta e cria seus próprios líderes, mudando de vez em quando,
pra variar, a ideologia dominante. No final, tem sempre alguém querendo um
pedaço maior do pão, mas quem ganha é só uma pequena parte que tem privilégios
no modelo que vigora, seja dinheiro, beleza ou armas. E quem sobra com as
migalhas ou com o vento é quem já não tem nada desde o início. E dentre quem
não tem nada desde o início, ainda há subdivisões com variações tristes sobre
não ter nada.
É um saco, porque os planos
nascem com o germe da própria destruição, como diria Marx, tido como vivo por
alguns. É assim com o sistema prisional que não funciona. Com o educacional que
não funciona como deveria. Com a saúde. Com as coisas básicas que fazem o ser
humano ser humano.
Quando não se tem nada, também
não se tem nada a perder quando se trata de ganhar alguma coisa. Ou dinheiro,
ou poder, ou voz, ou respeito. E se o sistema é estragado, então se torna uma
cobra que para se manter viva precisa se alimentar do próprio rabo. Ele se destrói
enquanto se alimenta, e coitado de quem fica na frente na boca da cobra para
impedir a mordida ou fica criando rabos metálicos de proteção da cauda. Com o
tempo a cobra quebra o dente e fica impotente, pois perde as defesas, os
ataques e o técnico, se a cauda tiver proteção metálica. Então não adianta certas estratégias de melhorar o sistema. Pode até trocar a cobra, mas vai ser a mesma coisa com a próxima. Temos testemunhado isso ao longo da história da humanidade.
Infelizmente isso não vai mudar se
houver uma revolução social ou política, violenta ou não. Porque a matéria
prima da revolução vai ser sempre o ser humano. E o ser humano já é um sistema
em si, cheios de peças para consertar e aprimorar.
Poussey, embora rica e instruída,
era preta. E quando ela morre e eles tentam encontrar algum potencial ofensivo
nela, tem como resposta: Ela tinha 45 kg. Era fraca. E os fracos são
esmagados. O policial Baxter que a matou acidentalmente
também era uma peça fraca com nome de cachorro e foi esmagado. Os bons não têm vez.
Caputo é vulnerável e também é
fraco. Tem ímpetos nobres, mas está encurralado. E não o culpo pela covardia ou
pelo impulso sexual que o deixa fraco e mais vulnerável ainda. Quando ele
acorda, está igualmente esmagado, e percebe que a instituição institucionaliza as pessoas e formata seus corações.
A Crazy Eyes, que sabe o
mecanismo dos buracos de minhoca e viagens intergalácticas, muitas vezes percebe a verdade antes de todo mundo, mas não sabe como empregá-la. Quer sentir o esmagamento, mas por ser livre
dentro de uma prisão, já foi esmagada.
A institucionalização potencializa a insanidade e intensifica a sombra.
Lolly estava na linha de
transição dos mundos e tinha informação de todos esses mundos. Estava inapta
para o plano real das vibrações, então até o telespectador prefere que ela
pague do que Alex Vause, branca, linda, cheia de sex appel, ou Red, que nem no
esquema estava. E dormimos sossegados quando dizemos: Ah, mas foi ela mesmo que matou.
Mesmo com todas as linhas aniquiladas, há sempre uma luz no fim ou no meio do túnel. Ou do corredor. A Doggett, por exemplo. Já
chegamos a odiá-la e querer que ela morresse. E talvez nem o estranho Healy (que tem a cura no nome) perceba que Doggett foi seu maior bem deixado ao mundo de Orange. Ele a ajudou
no início ao impedir sua ruptura e a partir disso a caipira pode se reconstruir
e se erguer através de uma força que ela não trouxe da estatura, da condição
social, da beleza ou qualquer outro poder que não ela mesma. A amizade de Boo e
Dogget foi uma das coisas mais lindas da 3 e da 4 temporada, e a lição sobre
dor e perdão, embora clichê, foi o único poder que libertou pessoas ao invés de
esmaga-las. E é o único poder no qual
acredito para transformar esse mundo para melhor.
Vejo a mim. Eu me considero
pacífica. Esforço pra caramba pra promover a paz nos ambientes onde estou. Mas aí uma série mostra o quanto não está tudo em paz dentro de nós quando a gente
fica com raiva do opressor e quer que ele sofra, que apanhe, que verta sangue, que se humilhe e se contorça em culpa. Quis ver o sofrimento do Bigode, quis ver o sofrimento do Healy, e quis ver o
sangue do Trepada. E sim, não quero que ele seja morto com o tiro da Daya, porque seria fácil
demais. Ainda quero o sofrimento do vilão. Então não. Não estou em paz,
porque algo se inflama dentro de mim a ponto de querer ver mais sangue do que
justiça. E isso me aproxima da fera. Da fera que desejo deixar de ser.
Quando analisamos a história de
cada personagem violento, encontramos razões que justifiquem suas escolhas e
atitudes. Só que nós todos já sabemos que a violência não tem justificativas. Não
estamos fadados ao fracasso. Existe a chance de escolher outro sabor, outra cor,
de provar que o determinismo é uma ilusão pseudo- antropológica. Sim, há
escolhas.
Olho nossos meninos do projeto e embora
ainda encontremos a maioria nas esquinas da favela, exercendo o “ofício”, há
aqueles que mesmo num ambiente inóspito, criado em situações totalmente
adversas, são os lírios do pântano. E os outros? Por que os outros não conseguem
ser? É só o sistema ou é uma pecinha interna?
Sempre haverá razões que
expliquem porque alguém se tornou opressor e seguiu pelo lado negro da força. Mas inexoravelmente haverá escolhas e
paradoxalmente desejamos que a força esteja com o fraco, mas a força certa que
o ajude a estender a mão ao invés de dar o soco. Porque disso já estamos
cheios, e essa paz eu não quero seguir admitindo.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
REPRESENTAÇÃO
Tenho a sensação que estamos
numa experimentação, como se um chef de cozinha inexperiente estivesse testando alguma receita nova.
Parecia que estávamos avançando, mas agora sinto como se estivéssemos correndo
numa esteira até que o chef atinja o ponto ideal do tempero. Mas isso vai de paladar a paladar.
Numa visão estrita é bem isso que sinto. Uma esteira. Se você simplesmente parar, se cansar, se desistir, boa sorte!
Talvez não possamos parar. Em um panorama onde um ser humano, onde uma mulher paga um preço altamente desproporcional por causa da sede de sangue e poder de outros, por causa de um sistema que sofreu as dores da mudança e quis retornar ao status quo, não se pode pensar que está tudo bem com nossos corações e simplesmente parar.
Não se pode crer que no mundo tudo esteja tranquilo e favorável quando alguns afetos gritam ou apenas pensam injúrias, calúnias e difamações (porque a verdade se esconde atrás dos fatos) contra um ser humano que corajosamente lutou e suportou golpes que não eram todos pra ela. Cadê os outros rostos?
E a satisfação de alguns a vê-la nocauteada, também dói em mim. Parece que a face esquerda meio que sumiu.
Talvez não possamos parar. Em um panorama onde um ser humano, onde uma mulher paga um preço altamente desproporcional por causa da sede de sangue e poder de outros, por causa de um sistema que sofreu as dores da mudança e quis retornar ao status quo, não se pode pensar que está tudo bem com nossos corações e simplesmente parar.
Não se pode crer que no mundo tudo esteja tranquilo e favorável quando alguns afetos gritam ou apenas pensam injúrias, calúnias e difamações (porque a verdade se esconde atrás dos fatos) contra um ser humano que corajosamente lutou e suportou golpes que não eram todos pra ela. Cadê os outros rostos?
E a satisfação de alguns a vê-la nocauteada, também dói em mim. Parece que a face esquerda meio que sumiu.
Seus planos de governo nem sempre
me representavam, mas você Dilma Roussef, representa a força que eu queria ter. A você minha reverência e respeito.
(...)
E estrelinhas para Sá e Guarabira hoje!
Ele pegou o baio e como um raio sumiu no atalho
Na algibeira tinha um retrato e um baralho
Na frente nada, atrás poeira, atrás porteira
Atrás da Rita, que foi bonita, que anda bebendo
Que anda correndo atrás do tempo e dos rapazes
Que eram capazes de ir a fundo, lhe dar o mundo
Lhe dar o brilho que as mulheres têm quando casam e lhes dão filhos
Tava perdido, mas é sabido, que nessa hora, só os amigos são quem
socorrem
José de porre tá com mal feito, Antonio morre daquele jeito tão novo
ainda
Deixou Benvinda que era linda
Pro Zé Calixto que era mal visto
Por todo lado ladrão de gado.
Ganhou dinheiro, virou posseiro, montou garimpo e anda limpo
Perdeu o cheiro que têm os homens quando trabalham
E na tocaia é o que se fala que aquela bala era pra ele
Não pro parceiro,o violeiro que andava a esmo e era mesmo bom
companheiro
E já que agora tá tudo fora, tudo partido e sem sentido
Não faz sentido ter na algibeira o seu retrato, o seu baralho
É ele e o baio e nada mais.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
TERRA FIRME
O café esfria enquanto procuro lugar pra sentar.
É tarde, estou sem rede e quando é assim, fico só comigo.
Dizem que há água se movendo debaixo de toda a terra e que não há em mim nada que seja paralisado.
Todo átomo está em movimento.
Acordei com sono e precisei despertar, levantar, seguir, caminhar e sorrir.
Esses verbos são partes da vida e a vida é uma conjugação, mesmo quando o vento deixa aquela folha intacta na árvore.
Se eu chegar perto, verei seu balanço depois de se desprender do galho e quiçá, ela cairá perto dos meus pés, descendo como um pêndulo.
A despeito da folha, sinto que nos importamos mais do que outrora.
Mesmo em off, sinto que a nossa conexão cresce.
Importamos com coisas que não são nossas, e isso é bom.
Fazemos sinápses humanas e expandimos algo muito parecido com amor dentro de nós.
Embora mais frio, ainda sinto a fumaça saindo da xícara, indo pro espaço.
Perdi um segundo e não percebi onde a folha foi parar.
Parecia imóvel, mesmo assim agora já não está lá.
(...)
Temos muito a fazer e preciso aportar.
Mas... onde há mesmo terra firme?
quarta-feira, 20 de abril de 2016
"Emoções Superlativas"
O verbo
morreu por asfixia
Provável
pronúncia de alguém muito mal
Procuro o
sujeito que proclame a república porque é o fim da regência verbal
Se houvesse um sujeito, o verbo doente seria paciente
de outra oração
Mas
provavelmente o seu predicado não tinha nem mente e nem corpo são
A frase
represa, despreza as regras e foge ao problema da própria ação
Pois se
propagados seus atos pregressos, será acusada de apropriação
A fuga
depressa na pressão das horas, enseja uma prece, profilaxia
Se foge
sozinha, sem ter complemento, dispensa a propina da preposição
Prepara a
mesa, quer ver alegria, propõe convidados pra estrofe em questão
Instala
objetos de focos diretos com verbos dispersos e de ligação
Pretende um lugar para paraíso
É ré e juízo no mesmo refrão
Pretende um lugar para paraíso
É ré e juízo no mesmo refrão
Prolata sentenças e nega autoria, alega inocência pra absolvição:
Sem corpo
não há menor evidência, sem verbo na frase, não há oração
Sem
propósito na fresta, a palavra é vazia, mas sobra na lavra a boa intenção
E ali sobre
a mesa, o prato do dia! E pra todo dia, sobre mesóclises e rimas
A gíria, degraus
acima inicia a encenação:
Não impeça meu grito, pô
A promessa era doce e se quebrou
Mas game over uma ova!
Se tu quer um crime, então prova!
Justifique o
desvio sem invalidar as entrelinhas
Flexione a
poesia, mas não diga que é canção
Para a frase
impune, paráfrases e alegorias
não explica-se
o erro sem oferecer correção
Pretende o
juiz dessa causa atuar sem concordância,
Sublinha os
defectivos fora da ordem natural
Sabe que no
processo existem trechos em abundância
e que frase
que atua sem verbo só pode ser nominal
Releva o
crime, oculta o sujeito: é briga de
rinha, é verde o sinal
O que aqui
for real e também moralmente aceito
Que comece a
fazer efeito antes do ponto final e
Que o
sujeito passivo reaja e defina a última linha
Pois o verbo
morreu por asfixia,
mas tomara que exista outra conjugação.
mas tomara que exista outra conjugação.
Estrelinhas para os Deolinda!
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Pedra Fundamental
Não sem dor, fui aprendendo ao
longo da minha vida que eu fazia parte das minorias.
As bandas que eu gostava,
quase ninguém conhecia. Os livros da minha estante não eram os mais vendidos.
Os filmes da minha lista (com exceções como a franquia Star Wars) não
estouravam bilheterias. Os versos que eu inventava, com sorte, alguém entendia.
A religião que eu abraçava até pouco tempo atrás era alvo do preconceito e da ignorância,
assim como a minha orientação sexual. E
pra mim estava ok ser da minoria, ir na contra mão, não ter um bando numeroso e
nem uma banda em propaganda de refrigerante. Depois que eu entendi que eu só
preciso estar racionalmente sintonizada com meu coração, nunca mais sofri por
não pensar como a multidão e pela multidão não prezar o que eu admirava. Cabe o
mundo inteiro no vasto mundo e cabe a mim desejar que as coletividades amem acima de
tudo, acima das diferenças que nos caracterizam.
Mas hoje eu lamento. Lamento que
meus ideais sejam da minoria. E com todo o respeito que devo no espaço que
compartilho com a maioria, eu acho que se todos enxergassem as coisas que são
óbvias, talvez a multidão não escolhesse Barrabás. Talvez acolhêssemos outras
vozes que transformem os desejos de melhora de todo mundo em flores e não nesse
pileque homérico da maioria.
Eu ainda sigo confiante que
possamos aprender grandes lições, mesmo que colhendo nos campos da consequência.
Eu ainda acredito que podemos cuidar do que se ganha em se perder.
Mas hoje, eu lamento pela maioria
que ao meu ver, ainda não vê e insiste em não ouvir através de megafones que a gente não vende fácil o que não tem preço.
A gente não levanta bandeiras sem saber direito qual é a causa.
A gente não dá o microfone para alguém que deseja nos silenciar...
Pelo menos não devíamos.
A gente não dá o microfone para alguém que deseja nos silenciar...
Pelo menos não devíamos.
Vai ficar tudo certo, eu sei.
Os anos ajeitam a história, mesmo que eu sacrifique os meus trilhando uma parte mais escura desse caminho.
Todavia, hoje eu lamento. Muitíssimo.
Todavia, hoje eu lamento. Muitíssimo.
Dia 17/04/2016 (a gente rejeitou de novo a pedra de esquina)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
RAPTE-ME, CAMALEÃO!
E veio a calhar que esse ser transmórfico chegasse
assim, travestido e oculto, até que se revelasse poderoso e hiper icônico,
manipulando bolas de contato e hipnotizando Sarah na terra dos duendes. Aquilo
mudaria minha infância e minha vida para sempre. Esse camaleão raptou-me para
um mundo de homem das estrelas, labirintos mágicos e me fez procurar no dicionário
a palavra androginia.
Não tem como ser uma
criança igual quando você escuta uma frase marcante aos cinco anos de idade.
Aos 33 você é capaz de repeti-la com a mesma crença:
"Passei por imensos perigos
E inúmeras dificuldades pra chegar até aqui,
No castelo da cidade dos duendes
E retomar a criança que você roubou,
Meu reino é tão grande quanto o seu,
E minha vontade é tão grande quanto a sua,
Você não tem poderes sobre mim."
No castelo da cidade dos duendes
E retomar a criança que você roubou,
Meu reino é tão grande quanto o seu,
E minha vontade é tão grande quanto a sua,
Você não tem poderes sobre mim."
O engraçado, é que
não conheço David Bowie e seu trabalho como um todo. Reconheceria uma música
dele pelo seu timbre, mas não saberia relatar os títulos, os álbuns, embora saiba que ele pode ter me alcançado sem que eu nem tenha percebido, como Modern Love!! Ele é meu “ídolo
referência”, porque está sempre marcando uma outra coisa que me marca. Quando penso
em músicas inesquecíveis da minha vida, encontro David Bowie. Em "As Vantagens
de Ser Invisível", é Heroes que me expande e me torna infinita. Com The Man Who Sold The World, "Fringe" se sagrou
o melhor seriado que já vi até hoje e eu arrisco dizer que não lembro de uma
música antiga ter resumido tão bem o espírito de uma série inteira.
E tem
Labirinto, A Magia do Tempo. (...)
Hoje soubemos que ele partiu e isso não me dói como doeria se ele fosse
meu pai ou qualquer pessoa próxima.
David Bowie é um desses artistas que possuem o dom da eternidade e quando morrem, mostram que o tempo
está passando só para nós.
Quem percebe a efemeridade é o sobrevivente!
Quem percebe a efemeridade é o sobrevivente!
Quem parte, vai para as estrelas, para os céus, o inferno, Marte ou
qualquer outro lugar do espaço e mesmo assim permanece aqui, nos lugares
sagrados dentro daqueles que marcaram, tornando-se eternos. Infinitos!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
DEFORMAÇÕES
Quando é o caso, fico procurando desenhos no mármore, nas
cortinas florais, no emaranhado de árvores. Geralmente procuro rosto de pessoas, de animais, de formas
que conheço.
Gosto de encontrar o familiar, por isso talvez eu estranhe
quando você revela coisas inéditas pra mim.
Sinto que essa parte estranha me faz querer te agredir de
formas nas quais ninguém verá o sangue, mas que vai doer do mesmo jeito, ou pior.
É que Narciso acha feio o que não é espelho.
Fica meio confuso isso, porque há quem diga que nos incomoda
no outro somente as sombras que também são nossas.
Eu gosto dos seus jardins, das telas e das tintas, dos
rostos sorrindo...
Gosto quando encontro um beija-flor, a mão do
Spock desejando vida longa e próspera, gosto quando encontro um dragão ou
qualquer personagem épico. São coisas do nosso
universo e isso a gente reconhece e se alegra por encontrar.
Mas eu não sei por que essas outras coisas que são tão
intimamente estranhas a nós ainda atravessam nosso coração como flecha
envenenada. Poderíamos apenas aceitar que o mundo é infinito demais para
conhecermos tudo e admitirmos que é necessário aprender até sobre matéria
escura.
Que forma é essa que me confrange?
Se eu reconheço alguns de seus
aspectos, porque quero apagá-los?
Eu não sei exatamente por que quero gritar até a imagem ser
outra, até se tornar algo mais familiar e aconchegante como um abraço ou a
primeira colher de Häagen-Dazs de macadâmia.
Olhando as rajas do mármore dessa parede, só procuro o que
conheço, porque do contrário, poderia inventar qualquer forma e dizer que ela
estava ali, por coincidência.
O problema, meu bem, é que a gente nunca acreditou no acaso.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
TEMPLOS DA MULTIDÃO
O sentimento que sobra no fundo do ano sai espremido como
pasta de dente no fim do tubo.
Ouço os homens falando de amor e não sei mais se amo e me
importo como já amei e me importei.
Talvez seja um jeito novo de olhar o mundo, talvez porque o amor seja apenas isso que eu estou
vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o
que será.
Escuto o meu coração e consigo notar uma interferência,
um chiado revelando uma voz que fala em um código que ainda não aprendi a
decifrar. Tem muito ar aqui e pouco pulmão em mim. Mas tem muitos outros pulmões no mundo.
Esse meu lar tão
frágil tentando resistir ao calor e às diferenças, exige do meu coração um pulsar mais intenso. Tem uma fresta na parede que
eu não sei consertar. Mais tarde pode chover e isso me aflige. As pernas ficam
inquietas, os segundos não param, um novo ano já vem e não tem como frear.
Coloco canela no café, só pra você saber. Poderia ser maracujá,
talvez as pernas entendam.
Por hora, a expectativa do looping já embrulha meu estômago,
sem papel bonito e laço que a gente compra pronto. Embrulha com papel rasgado
de caderno.
Além da parede, dos muros e plantas carnívoras nascendo no jardim, preciso cuidar de umas coisas, consertar outras, mas estou cansada e não dá tempo pra prender a respiração. Tirar férias e ir pro Tibet não resolve. Não vamos mergulhar,
vamos passar por ali e procurar sobreviver sem muitas marcas, sem ferir e ser
ferido. Só é possível enfrentar. A vida é isso. O duro combate, aos fracos abate. E quem quer ser fraco de propósito?
Sinto-me velha e cansada. Há um bombardeio de ideias novas e
planos fabulosos, mas essa infinidade de universos que existe nos outros é o
maior desafio a vencer por hoje. Cada um é um templo que preciso respeitar, entender,
tolerar e perdoar.
Sei que tudo é urgente, mas quem sabe, no ano que vem?
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
MAL CONTATO
Foi um raio sem aviso prévio.
Queimou os aparelhos elétricos e disparou meu coração.
O dia está cobalto e está tudo bem.
Hoje não precisei ligar o ventilador e foi possível até
pensar num origami de estrela para decorar a casa pro natal.
A lama chegou no mar e nós continuamos comprando bobagens
doces na frente de caixa. Chocolates sedutores, MMs cheios de corantes
alergênicos e até um tubo de super bonder que a gente nem precisava. Por que a gente
tem disso, a gente humana. Mesmo se a água do mundo acabar, lutaremos como a
Furiosa em Mad Max e vamos adiante num paradoxo onde o passo que prossegue desiste do caminho escolhido quando o horizonte era outro.
Nenhuma guerra mundial foi declarada e isso merece nossas
preces. Tento manter meu íntimo em paz, e aí vem um raio com esse e é como uma
pedra tacada no lago.
Tudo isso é tão frágil. Acho que a Terra é um planeta de mal
contato onde a gente custa a ter constância.
Sobrevivemos fazendo downloads de um dia por vez pra ver quanto cabe de
arquivo em nosso propósito de mudança, pra vencer os vícios e conseguir
perdoar.
Só que tem uns dias em que algo sai do lugar e voltamos ao
início, sofremos recaídas e mudamos pra não tão melhor assim. Abandonamos
dietas, deixamos o caos se instalar nos cantos que prometemos deixar em ordem
pra sempre, e aquele hábito estranho e tão determinantemente abandonado emerge
como se fôssemos um pântano.
Mas não tem Hércules pra lutar contra a Hidra nesse pântano.
Só tem nós com um cérebro que não entende “pra sempre” e nem “nunca mais”.
"Happiness, more or less
it`s just a change in me"
(Lucky Man - The Verve)
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Um ruim muito ruim
É isso.
Você não prevê, mas acontece.
E é culpa sua.
Nem é necessário um agente do CSI pra concluir isso.
No momento, falo sobre cair no banheiro.
Mais especificamente, sobre cair nua.
É um ruim muito ruim.
Porque você está com pressa, que sair do banheiro e vestir sua roupa em tempo recorde, porque o relógio despertou e você estava num sono tão profundo que não conseguiu ouvir.
Um hora depois do que programou no despertador, você, como que chamada por um alguém invisível, abre os olhos, pega o celular, toma um susto com as horas e entra correndo no banho.
Tudo vai bem, até o momento em que você desliga o chuveiro, se prepara para pegar a toalha, mas escorrega e a "parábola glútea" encosta no ralo, fazendo pressão.
Nessa hora, nada importa mais.
Nessa hora, nada importa mais.
O ralo é um dos lugares mais nojentos do mundo, mesmo se ele estiver muito limpo. E eu sou uma das pessoas mais neuróticas do mundo com coisas nojentas. Tem um bichinho dentro de mim que diz "argh" e vomita.
Então você levanta, toma outro banho, passa desinfetante na própria bunda, reza pra ter efeito sobre a celulite também, passa sabonete e praticamente toma outro banho.
Sai do banheiro, agora com calma - já resignada com seu atraso - pega as coisas e descobre por fim que o ralo é o menor dos problemas do tombo.
Lamenta um pouco, porque ninguém é de ferro e vai pro trabalho mancando e dolorida!
Como dizia minha avó: o que é que vale isso daqui dez anos?
Pior que isso, a Ronda sofreu!
Pior que isso, a Ronda sofreu!
Enfim...
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
COLAPSOS
Em alguns milhões de anos, por atrair Phobos para sua
órbita, Marte a destruirá.
Aqui na Terra, o sol faz tudo parecer apocalíptico, com efeito mais
imediato.
Pra variar, estamos em guerra!
A gente olha o mundo e nossa órbita ocular engole as
notícias, nos arrebatando do paraíso no qual brincávamos de poder. Venho contra
a vontade, agarrando as maçanetas das portas como uma
criança fazendo birra, querendo ficar onde está.
Então vem o mundo com o dedo em riste e diz que o que
podemos não está relacionado com a destinação das grandezas, com a contenção da
morte, dos gases, da tosse e da extinção dos satélites e estrelas. Há tantas coisas que não se pode evitar depois de
previstas. (...)
Nos resta ver a onda crescer sobre nós e rezar para que o inevitável
seja ao menos rápido ou indolor.
Não é a primeira vez que estamos na iminência de uma jihad,
mas é a primeira vez que eu vejo o que era doce se acabar no leito de um rio e é a primeira vez que sinto tanto calor, a ponto de perder o sono e odiar os insetos. Não gosto de odiar a criação, mas há algo no ar que dificulta que eu ame plenamente.
Os insetos, os rios, o sol, vem da mesma fonte que venho, do
mesmo "abracadabra" e é engraçado como nos destruímos uns aos outros para que a
Lei se processe sobre nós, sobre o universo. Destruir é uma necessidade da evolução e pensar nisso requer pulmões!
Marte vai comer uma lua e nós morreremos de fome e de
sede...
Mas isso não é pra agora.
Pra agora é o presente e o cotidiano. A gente segue adiante e sempre que houver motivos, celebraremos
o que ainda existe de luz, comemoraremos os gols, os aniversários, os nascimentos, o fim do ano e com certeza, se pudermos, compraremos um pacote de lua de mel para alguma ilha vulcânica do planeta!!
Qual é a possibilidade de um plano assim acabar mal?
Qual é a possibilidade de um plano assim acabar mal?
Afinal, o fim é só uma miragem de um deserto muito distante daqui.
É no que queremos crer.
É no que queremos crer.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Arranque
Amor,
Eu acordei querendo fazer uma canção que falasse do quão triste fomos
quando estagiamos no besouro que cai de costas pro chão.
As pernas frenéticas implorando por socorro ou esperando em agonia a morte paralisar tudo.
Eu dou graças a Deus por não ser mais um besouro, um tatu bola, ou um inseto de qualquer taxonomia. Mesmo assim, para meu ser humano, parece que o mundo pesa mais em certos dias.
Deve ser a inclinação da Terra...
Ou minha inclinação à gravidade que a preguiça exerce sobre mim.
O horizonte está sempre um passo à frente da gente e o mundo é cheio de outras coisas.
Cabe tanta coisa no mundo, nas caixas, no infinito e meu pen drive já está cheio.
Como consegui lotar todos esses gigas com pastas sem nome e sem ordem?
Aí vejo as formigas...
Quando olha pra elas, eu sinto orgulho da espécie viva, que é como o movimento allegro de alguma sinfonia. As formigas conhecem o segredo das coisas, mas não sabem o doce das coisas, o sabor das massas e das maçãs. Eu sei.
Eu tenho papilas gustativas, elas não.
E acho que elas também não têm pâncreas, porque senão seriam diabéticas.
Mas sabe? Elas se remexem. E produzem. E constroem e caminham...
Só que eu, em dias como hoje meu bem, só pego de arranque.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Diz pra eu ficar muda...
(...)
Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita
Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam
Meu corpo não é tão real
Eu ando, eu ando,
Eu ando por outros mundos
Meus desejos não são simples
Eu sonho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível.
Eu sonho com o impossível.
Eu falo baixo
coisas pequenas
pra pouca gente
coisas pequenas
pra pouca gente
Mas procuro sempre
A palavra forte!
Todas as estrela para a Paula. A Toller!
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
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