segunda-feira, 14 de abril de 2014

Madrugada

Na madrugada o silêncio reverbera na casa.
Vivos aqui, só eu, as bactérias e o cachorro, mas o cachorro também faz silêncio.
Parece que todos fazem minutos de silêncio, pois não ouço o dilatar dos metais, o pingo que sobra na torneira e nem o ruído da geladeira.
A TV estava no volume mínimo e mesmo assim parecia amplificada milhares de vezes.
Melhor desligar.
Só o meu corpo não silencia.
Ouço minha pulsação e o movimento do ar em minha cabeça quando aperto os olhos.
Parece vento.
Ouço minha respiração e se eu fizer um pequeno esforço, posso ouvir você dentro de mim
Posso ouvir muita gente e eu não quero entender o que dizem e nem o que sabem.
Hoje não.
Levanto, pego o violão, pois não quero ouvir o que tenho a dizer sobre tudo o que ouço sem querer.
Mas o violão faz tanto barulho que temo acordar os vizinhos e não há nenhuma canção capaz de superar o silêncio obrigatório no decorrer da madrugada.
Resolvo me render. Deito e aguardo os passos do sono se aproximando, embora eu acredite que o sono errou o caminho dos meus olhos.
E silenciosamente são tantas coisas que ouço simultaneamente que leva um tempo até que se consiga equalizar uma estação e ouvir apenas o necessário.
Hoje o necessário tem um tom terno e enérgico, extrai lágrimas e povoa meu quarto de outras ondas que eu pretendi evitar.



8 comentários:

Tempos de Aracne disse...

Senti um certo estresse ao ler este post. Consigo te entender. Ousaria dizer que, compartilho isso. Não queria dizer, mas é tarde e isso
consome. E some o sentimento na esfera do entendimento. Mas a falta continua, nessa luta árdua e nua.

Aranha do tempo disse...

Nesse momento cai um alfinete e..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................CAAAAAAAABBBBBBBBBBBOOOOOOOOOOMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mulher Vã disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mulher Vã disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

Du disse...

Ás vezes o necessário não pode ser calado.

Nova Skin disse...

Tente ouvir peruanos tocadores de flauta que bebem chá de valeriana com camomila.
É bom mas bloqueia a criatividade.
E as madrugadas passam a ter 24 horas

sblogonoff café disse...

Sinara,
É que a madrugada amplia o silêncio e o silêncio berra coisas que nem sempre quero ouvir!!

***
Aranha do tempo!!!!
Trolagens vãs!!! tsc tsc tsc

***
Duuu,
E nem sempre o que é falado é necessário! Há má distribuição de sons no mundo!

***
Nova Skin...
Rsrs!
Já faz um tempo que vc vem aqui!
Acreditei que era uma identidade, depois acreditei que não.
Agora já não sei exatamente...
ME dá um dica: já trabalhou com perfumaria?!!!

Tempos de Aracne disse...

E por mais que doa, eu sempre quero escutar.