terça-feira, 4 de março de 2008

A luz de minha mãe

Provavelmente o universo estava em polinização cósmica. É uma das explicações que consigo para falar de minha mãe. E nunca será tudo sobre minha mãe! Um ser fantástico, uma flor rara, rainha de um jardim encantado, dona de um reino de poemas, flores, canções do passado, do presente, de presente, do futuro. Energia e doçura. Força e ternura.
Uma amante das artes, do belo, das coisas que vão para além do simples, do comum.
Dona de uma fé inabalável que me toca no mais íntimo, quando quero vencer minhas sombras, quando eu tenho medo do escuro, quando eu tenho medo do futuro.
Dona de um abraço aconchegante, o melhor abraço do mundo, que tem o poder de secar as feridas e afastar a dor. Que tem o poder de aninhar.
Dona de ombros fortes e costas largas, que sustenta cruz de palha, cruzes de palha.
Que sustenta quando caímos e nos ajuda a reerguer.
Dona de voz de soprano, que transforma a casa quando se solta, que movimenta canções como ondas, que faz o mundo ser música quando canta.
Mãe, eu sabia que um dia eu estaria longe, mas não imaginava como estaria tão presente em mim.
Como está presente em cada frase, em cada verso, em cada valor que trago comigo.
Como está presente na pessoa em que me transformei, mesmo eu sendo uma menina muito diferente da menina que você foi.
Até mesmo quando lembro das canções de ninar que cantava pra gente dormir. Cada nota, cada vibrato, cada significado.
Trago comigo as frases, as verdades que chegam depois de vinte anos (!), os versos de efeito, as frases dos outros e sua presença por intermédio: Para ser grande, sê inteiro... A vida é luta renhida, viver é lutar... Põe o quanto és naquilo que fazes... O mal impera onde há desordem... Cuide do seu jardim... Não esqueça quem você é... Muitas outras...
Trago comigo sua vontade de ser sempre melhor e de melhorar o mundo por conseqüência. A vontade de ser correta e o esforço de perdoar e principalmente a necessidade de vencer pelo Amor.
Hoje, você completa um ciclo sexagenário, e o sblogonoff brinda à isso com alegria e reverência.
E eu brindo, mainha, com o coração repleto de amor e orgulho por ter vindo do seu ventre.
Dona da vida.
Uma vida de lutas, de transformações, de sofrimento redentor, de alegria consoladora, de muitas vitórias, de versos e canções, de muitas histórias de reis e rainhas, de fadas e duendes, de príncipes e princesas, de seres folclóricos e de reinos imaginários.
Uma saga de belas páginas.
Um brinde, mãe!
À sua existência de luz.

Vá pensiero
(Tradução, porque você gostava de ouvir)

Voa, pensamento, com tuas asas douradas
voa, pousa-te nas encostas e no topo das colinas,
onde perfumam mornas e macias
as brisas doces do solo natal!
Cumprimenta as margens do rio Jordão,
as torres derrubadas de Jerusalém...
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh, lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada dos grandes poetas,
porque agora estas muda?
Reacendas as memórias no nosso peito,
fale-nos do bom tempo que foi!
Como Sólima fez com o destino
traduz em música o nosso sofrimento,
deixa-te inspirar pelo Senhor
para que nossa dor se torne virtude!

4 comentários:

Otavio Cohen disse...

eu pensei em escrever ontem mas sabia que você faria melhor.^^

ricardo aquino disse...

Para ela...


ela acha que escrevo,
que eu escrevo com distinção,
mas não:
esses delírios são
pedaços de consoantes sujos de vogais
dentro do coração!



ela é você, você está aqui dentro do meu coração!

estrela só disse...

E eu que me sinto um pedacinho de sentimento, do amor, leio e choro...
Que pessoa linda que descreves, que palavras mais puras e de gigantescos sentimentos e carregadas de verdade!!
Me lembrei da minha Vó, eu que sou filha dela e tenho um amor comparado com o que você descreveu pela tua mainha...Deu uma saudade que por pouco não fiz as malas e me mandei pra Minas pra lhe dar um abraço maior que já dei em toda minha vida...

Brindo com vc a felicidade de tua mãe, tudo de lindo pra vida de vocês e que a saudade se transforme sempre no amor mais forte e incondicional, que já é!!!

Amèlie disse...

ô, Mi,
qual dia (como diz o Leo) que vc vai parar de me fazer chorar nesse blog?
Copiei seu texto pro meu próprio blog, afinal, a mãe é minha tbem. Coloquei seu endereço e sua autoria, tudo certo. Me orgulho te ter nascido nessa família.